Minuto Saúde Mental - USP

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  • Minuto Saúde Mental #79: Não há evidências de que cogumelos alucinógenos causem dependência
    No podcast Minuto Saúde Mental desta semana, o professor João Paulo Machado de Sousa fala se cogumelos alucinógenos são viciantes ou não. Para entender o assunto, ele conversou com um dos maiores pesquisadores do mundo sobre alucinógenos e seu potencial farmacológico, o professor Rafael Guimarães dos Santos da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP.
    “Não há evidências de que os cogumelos alucinógenos causem dependência”, afirma Sousa. Em contrapartida, Santos explica que os resultados disponíveis mostram que a principal substância alucinógena dos cogumelos, a psilocibina, pode inclusive ajudar a tratar a dependência de outras drogas.
    Além disso, segundo Sousa, alguns grupos de pesquisa fizeram avaliações de risco que usam critérios claros da agência de vigilância sanitária dos Estados Unidos, a Food and Drug Administration (FDA), para avaliar o potencial de dependência de novas drogas que podem ser aprovadas para uso naquele país. “Eles concluíram que a psilocibina não preenche esses critérios, mas existem dados mostrando que o consumo de psicodélicos tem aumentado, principalmente nos Estados Unidos, e que isso poderia ter relação com o desenvolvimento de dependência em alguns usuários”, coloca o professor. 
    Um ponto importante destacado por Santos, de acordo com o professor Sousa, é que não é comum que uma mesma pessoa faça uso muito frequente de alucinógenos como os cogumelos, já que seu efeito tem longa duração e seus usuários tendem a desenvolver rápida tolerância. “O que significa que eles teriam de usar doses cada vez maiores para conseguir os mesmos efeitos”, pontua Sousa. 
    Minuto Saúde MentalApresentação: João Paulo Machado de SousaProdução: João Paulo Machado de Sousa e Jaime HallakCoprodução e edição: Rádio USP RibeirãoCoordenação: Rosemeire TalamoneApoio: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa CNPq e Fapesp
     
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  • Minuto Saúde Mental #78: Alzheimer não costuma afetar pessoas jovens
    Em raríssimas exceções, uma pessoa pode apresentar sinais de Alzheimer aos 30 anos. No podcast Minuto Saúde Mental desta semana, o professor João Paulo Machado de Sousa fala sobre a idade que esse tipo de demência costuma afetar um indivíduo.
    O professor adianta que existe uma confusão comum que faz com que a maioria das pessoas compreenda qualquer quadro de perda de função cerebral como Alzheimer, o que se trata de uma generalização incorreta. Acrescenta ainda que a demência, sim, é um nome geral que designa qualquer condição com declínio cognitivo importante.
    “A demência é considerada de início precoce quando atinge pessoas com menos de 65 anos. Somados, todos os casos de demência precoce compõem uma parcela pequena dos casos de demência em geral”, declara Sousa. 
    Nesse sentido, o professor afirma que, atualmente, o Alzheimer é a causa mais comum de demência, mas não a única. “Um exemplo é a demência frontotemporal, que ocorre quando as partes da frente e das laterais do cérebro começam a se degenerar”, explica.
    Além disso, quando jovens começam a apresentar problemas afetivos, de raciocínio, memória e comportamento, o professor informa que existem várias outras causas que devem ser excluídas pelos profissionais de saúde antes de um diagnóstico de demência.
    “Portanto, se você estiver com sintomas cognitivos que estão lhe incomodando, a melhor coisa a fazer é conversar com toda a franqueza com um profissional de saúde para que ele conduza uma investigação adequada e possa determinar a melhor linha de tratamento”, finaliza.
    Minuto Saúde MentalApresentação: João Paulo Machado de SousaProdução: João Paulo Machado de Sousa e Jaime HallakCoprodução e edição: Rádio USP RibeirãoCoordenação: Rosemeire TalamoneApoio: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa CNPq e Fapesp
     
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    5 min
  • Minuto Saúde Mental #77: Mentir com frequência indica que algo não vai bem com saúde mental
    A mentira surge por diferentes razões. No podcast Minuto Saúde Mental desta semana, o professor João Paulo Machado de Sousa fala sobre mentir com frequência. Segundo ele, alguns quadros psiquiátricos podem estar relacionados com uma frequência maior de mentiras, como é o caso do transtorno de personalidade antissocial, por exemplo. Porém, o ato de mentir não é em si um sintoma.
    “As pessoas que sofrem deste transtorno ignoram a distinção que a maior parte de nós faz entre certo e errado e tendem a usar mentiras frequentemente, inclusive por simples prazer”, declara o professor. Outro quadro em que as mentiras são comuns, adianta, é o transtorno de personalidade borderline. “Pessoas que sofrem deste transtorno também costumam ter relacionamentos conturbados com seus parceiros, familiares e amigos, e a mentira pode aparecer como tentativa de manipulação ou novamente de fuga da responsabilidade”, informa. 
    Além disso, transtornos por uso de substâncias como o álcool e outras drogas também são condições em que a mentira é usada com muita frequência, “seja para encobrir o uso da substância, para sustentar o vício ou para evitar as consequências sociais negativas de ser reconhecido como dependente”, acrescenta o professor. 
    Por último, Sousa cita um transtorno relativamente raro, chamado de transtorno factício, em que os pacientes costumam inventar sinais e sintomas de doenças das quais não sofrem realmente. “O costume de mentir não é necessariamente característica de um transtorno mental, mas pode ser compreendido como um sinal de que as coisas não vão bem, principalmente quando acompanhado de outros sintomas”, finaliza o professor. 
    Minuto Saúde MentalApresentação: João Paulo Machado de SousaProdução: João Paulo Machado de Sousa e Jaime HallakCoprodução e edição: Rádio USP RibeirãoCoordenação: Rosemeire TalamoneApoio: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa CNPq e Fapesp
     
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  • Minuto Saúde Mental #76: Inibição comportamental é um estilo de temperamento
    Diferentemente da timidez normal, algumas crianças podem apresentar medo de encontrar pessoas novas ou se sentirem muito “travadas” em certas situações. No podcast Minuto Saúde Mental desta semana, o professor João Paulo Machado de Sousa fala sobre inibição comportamental. Segundo o professor, em casos como esse, a retração e a sensibilidade exagerada ao ambiente não passam e atrapalham o contato com os outros, causando preocupação por sua intensidade.
    Além disso, Sousa esclarece que os comportamentos normais de avaliação cuidadosa, observados quando as crianças são expostas a situações novas, são importantes para reconhecer a existência de riscos. “Certas crianças parecem ter uma disposição inata, ou seja, que ‘vem de fábrica’, para evitar o contato e permanecer em uma atitude desconfiada e assustada mesmo depois do período que seria necessário para essa avaliação inicial”, afirma. 
    Mesmo não tendo uma causa certa para esse tipo de comportamento, pesquisadores informam que a inibição comportamental é uma mistura de genética e fatores ambientais, ocorridos durante o desenvolvimento, como características da educação dada pelos pais, por exemplo. “A inibição comportamental não é considerada um transtorno, mas um estilo de temperamento. Ainda assim, ela é importante para a saúde mental porque parece existir uma associação significativa entre a inibição comportamental e o desenvolvimento de problemas de saúde mental mais tarde na vida, principalmente os transtornos de ansiedade generalizada e ansiedade social.”
    Ainda de acordo com a explicação do professor, nesse sentido, grupos de cientistas têm estudado mais o fenômeno e meios de reduzir a inibição quando ela é observada. “Hoje em dia, esses meios incluem principalmente treinamentos cognitivos para ajudar as pessoas a reavaliar as situações que encontram e controlar a atenção e as respostas de medo ou hesitação. Uma notícia positiva é que muitas vezes a inibição comportamental desaparece sozinha conforme a pessoa aprende a lidar melhor com o ambiente e suas reações a ele; portanto, embora seja importante sabermos que isso existe e conhecermos o problema, não é saudável se preocupar excessivamente com ele”, finaliza Sousa. 
    Minuto Saúde MentalApresentação: João Paulo Machado de SousaProdução: João Paulo Machado de Sousa e Jaime HallakCoprodução e edição: Rádio USP RibeirãoCoordenação: Rosemeire TalamoneApoio: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa CNPq e Fapesp
     
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  • Minuto Saúde Mental #75: Vício em videogames é um transtorno de saúde mental
    No podcast Minuto Saúde Mental desta semana, o professor João Paulo Machado de Sousa fala sobre o vício em videogames ser considerado um transtorno de saúde mental. Segundo ele, de tempos em tempos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publica a atualização de sua Classificação Internacional de Doenças (CID). “Em janeiro de 2022, entrou em vigor a 11ª revisão desta lista, chamada CID-11, que passou a incluir o termo em inglês gaming disorder, que continua sem tradução oficial, mas que traduziremos livremente como transtorno por uso de jogos eletrônicos”, adianta. 
    A publicação afirma que o transtorno deve ser diagnosticado quando é observado “um padrão de comportamentos relacionados aos jogos (digitais ou em vídeo) caracterizado por dificuldade de controle sobre o ato de jogar, prioridade crescente da atividade de jogar sobre outras, de modo que o ato de jogar se torna mais importante que outros interesses ou atividades cotidianas, além da continuação e aumento do engajamento no ato de jogar, apesar da ocorrência de consequências negativas”.
    Para simplificar, o professor diz que o transtorno por uso de jogos eletrônicos ocorre quando os videogames ocupam o primeiro lugar entre os interesses da pessoa e passam a prejudicar sua vida. “É importante destacar que o padrão de prejuízos nos campos pessoal, familiar, social, acadêmico e profissional deve ser observado por um período de 12 meses para que o diagnóstico seja feito”, pontua Sousa.
    Por fim, o especialista informa que, para grande preocupação de muitos pais, ainda não existe consenso sobre o tratamento deste transtorno, mas diferentes abordagens têm sido testadas. “O fato de termos agora um diagnóstico claramente definido ajudará os pesquisadores e profissionais a reconhecerem e lidarem com o problema de uma maneira cada vez mais padronizada”, finaliza. 
    Minuto Saúde MentalApresentação: João Paulo Machado de SousaProdução: João Paulo Machado de Sousa e Jaime HallakCoprodução e edição: Rádio USP RibeirãoCoordenação: Rosemeire TalamoneApoio: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa CNPq e Fapesp
     
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  • Minuto Saúde Mental #74: Variedade de causas sugerem que depressão não seja um transtorno único
    No podcast Minuto Saúde Mental desta semana, o professor João Paulo Machado de Sousa fala sobre a variedade de causas possíveis para a depressão. Começa falando da complexidade no diagnóstico de um doença mental e cita reportagem veiculada no Estadão no último dia 2 de julho que trouxe uma reportagem, segundo o professor, bem completa sobre as possíveis causas da depressão; tema vem sendo estudado por diferentes grupos de pesquisa ao redor do mundo.
    Segundo Sousa, desde a década de 1950, a depressão tem sido entendida do ponto de vista farmacológico como um problema na transmissão de serotonina no cérebro. “A grande maioria dos medicamentos usados hoje para tratar a depressão baseia-se nessa hipótese e busca melhorar a disponibilidade de serotonina entre os neurônios, mas sabemos que a eficácia desses remédios é limitada”, declara o professor.
    Sousa também lembra que as pesquisas feitas nas últimas décadas mostram o possível envolvimento de outros neurotransmissores no surgimento da depressão, levando a crer que a doença possa ter ainda outras causas. “Para citar dois exemplos, uma linha de pesquisa sugere que a depressão pode ser resultado de diferenças na própria estrutura do cérebro dos pacientes, enquanto outros pesquisadores apresentam dados bastante convincentes de que a depressão pode ser causada por um estado crônico de inflamação”, explica. 
    Assim, Sousa admite que podem existir outras hipóteses sendo investigadas e que provavelmente ainda estamos um pouco longe de saber exatamente como elas interagem para gerar o quadro da depressão. “A variedade de causas possíveis tem inclusive levado alguns pesquisadores a considerar que a depressão como a conhecemos hoje talvez não seja um transtorno único e que, com o tempo, talvez a gente consiga descobrir diferentes tipos de depressão, com causas distintas e que atingem diferentes tipos de pessoas”, afirma Sousa. “Isso permitiria que os profissionais de saúde mental cuidassem de cada caso de maneira mais personalizada e com melhores resultados”, finaliza. 
    Minuto Saúde MentalApresentação: João Paulo Machado de SousaProdução: João Paulo Machado de Sousa e Jaime HallakCoprodução e edição: Rádio USP RibeirãoCoordenação: Rosemeire TalamoneApoio: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa CNPq e Fapesp
     
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  • Minuto Saúde Mental #73: Como funciona a atenção?
    No podcast Minuto Saúde Mental desta semana, o professor João Paulo Machado de Sousa fala sobre o que é atenção e suas diferentes formas. Segundo ele, a atenção é uma das ferramentas usadas para captar dados do mundo através dos sentidos. “É um processo cognitivo, como chamamos, que escolhe pontos de interesse na paisagem do nosso ambiente, como se eu estivesse diante de um quadro gigante e fosse escolhendo pequenos detalhes para ver melhor, para ‘prestar atenção’.”
    Sousa ressalta a existência de diferentes tipos de atenção, como a sustentada, que permite gastar um bom tempo apenas em uma mesma tarefa, também chamada de concentração. Já a atenção seletiva, argumenta o professor, é aquela que ajuda a isolar apenas um elemento no meio de vários outros e que acontece, “por exemplo, quando estou tentando achar um rosto específico em uma multidão”.
    Além disso, o especialista destaca que a dificuldade de memória muitas vezes pode ser confundida com problemas de atenção. “Como a atenção é a porta de entrada para o que vai ser armazenado e lembrado depois, não há lembrança se não houver um bom registro”, explica Sousa. 
    O professor define a atenção como uma ferramenta de fundamental importância para a compreensão do mundo e a realização de tarefas. “Quando existe algo que atrapalha o funcionamento dessa ferramenta, que é o que acontece no transtorno de déficit de atenção, por exemplo, temos que ficar atentos e tomar as medidas necessárias para tratar do problema da melhor forma possível”, finaliza. 
    Minuto Saúde MentalApresentação: João Paulo Machado de SousaProdução: João Paulo Machado de Sousa e Jaime HallakCoprodução e edição: Rádio USP RibeirãoCoordenação: Rosemeire TalamoneApoio: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa CNPq e Fapesp
     
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  • Minuto Saúde Mental #72: Comportamento manipulador pode ser um transtorno mental?
    No podcast Minuto Saúde Mental desta semana, o professor João Paulo Machado de Sousa fala sobre comportamento manipulador e se pode ser considerado ou não um transtorno mental. Adianta o professor que, em algum momento da vida, todos nós provavelmente usamos um comportamento manipulador e este fato não o coloca como critério de diagnóstico psiquiátrico. No entanto, quando se fala de alguém que usa manipulação cronicamente, como um meio frequente de atingir os próprios objetivos, ou seja, quando a manipulação é um traço da personalidade, é diferente.
    Sousa informa que os comportamentos manipuladores são vistos com mais frequência nos transtornos de personalidade. “Aqueles em que uma pessoa funciona de modo diferente do seu grupo familiar e social, muitas vezes com comportamentos agressivos, impulsivos, instáveis ou todos eles.” 
    De acordo com o professor, não se trata de transtornos fáceis de diagnosticar como aqueles em que o comportamento fica nitidamente diferente. Dessa forma, acabam causando danos à própria pessoa e aos que convivem com ela. “Dentro dos transtornos de personalidade, a manipulação é vista com mais frequência nos transtornos de personalidade borderline, narcisista e antissocial”, conta. 
    Assim, afirma que a manipulação não é necessariamente um sintoma, mas pode fazer parte de quadros psiquiátricos quando é um comportamento frequente e quando está associada com outros fatores que trazem sofrimento individual e para as pessoas próximas. 
    O professor informa ainda que o comportamento manipulador pode se apresentar em tipos muito diferentes, desde a manipulação inconsciente até a manipulação que é francamente maliciosa. E acrescenta que “comportamentos manipuladores incluem práticas, como fazer os outros se sentirem culpados, distorcer fatos ou mentir, isolar a pessoa de outras pessoas queridas e importantes para ela para aumentar o próprio poder de influência, entre outros”.
    Minuto Saúde MentalApresentação: João Paulo Machado de SousaProdução: João Paulo Machado de Sousa e Jaime HallakCoprodução e edição: Rádio USP RibeirãoCoordenação: Rosemeire TalamoneApoio: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa CNPq e Fapesp
     
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  • Minuto Saúde Mental #71: Refeições em família podem fortalecer saúde mental
    No podcast Minuto Saúde Mental desta semana, o professor João Paulo Machado de Sousa fala sobre o papel das refeições em família no fortalecimento da saúde mental. Sousa cita um estudo publicado em abril deste ano com cerca de 160 mil jovens do Estado da Califórnia (EUA), mostrando que menos da metade deles faziam cinco ou mais refeições em família por semana. Os resultados da pesquisa, adianta o professor, relacionam a menor frequência de refeições em família com pior saúde mental e maior risco de uso de substâncias.
    Como em todas as áreas da saúde, os tratamentos em saúde mental vêm melhorando com o passar dos anos, oferecendo medicações mais eficazes, com menos efeitos colaterais, novas modalidades de tratamentos psicológicos e melhores intervenções psicossociais, como aquelas realizadas em escolas e outros contextos para melhorar as interações humanas e a qualidade de vida.
    Porém, diz Sousa, “infelizmente, os profissionais de saúde ainda concordam que não há cura para os transtornos mentais. Ao invés disso, eles preferem usar o termo ‘remissão’, que significa que os sintomas de um determinado transtorno não são mais fortes o suficiente para perturbar gravemente o funcionamento da pessoa no dia a dia”.
    Dessa forma, pesquisadores estão se atentando mais a estratégias de prevenção em saúde mental, ou seja, medidas que possam impedir ou retardar o aparecimento daqueles transtornos. “Nessa linha de pensamento, um dado interessante que pouca gente, inclusive profissionais, parece conhecer é o papel das refeições em família no fortalecimento da saúde mental. Esse não é um assunto exatamente novo, mas cada vez mais estudos mostram uma associação entre a frequência de refeições em família e melhores níveis de saúde mental”, aponta o professor.
    Sobre os últimos resultados das pesquisas, informa o professor Sousa, menos da metade dos participantes estavam na faixa de frequência mais alta de refeições em família, que era de cinco ou mais vezes por semana. Além disso, os autores observaram diferenças entre os sexos na frequência de refeições familiares, com os meninos relatando a maior frequência, seguidos das meninas e de participantes que preferiram não especificar o sexo.
    “O dado mais importante do estudo, no entanto, era de que os adolescentes que tinham menos refeições em família tinham pior saúde mental e maior risco de uso de substâncias”, alerta o professor. Conforme uma revisão publicada em 2013, que examinou vários estudos, a maioria deles encontrou associações entre a frequência de refeições familiares e a frequência com que crianças e adolescentes se envolvem em comportamentos de risco, como o uso de álcool e outras drogas, e a ocorrência de comportamentos violentos, problemas de saúde mental e transtornos alimentares.
    “Concluindo, existem dados suficientes para sustentar a importância das refeições em família para o controle de problemas de saúde mental em jovens e isso deve fazer parte das conversas de famílias, escolas e agentes públicos interessados em melhorar a saúde mental de forma geral”, pontua Sousa.
    Minuto Saúde MentalApresentação: João Paulo Machado de SousaProdução: João Paulo Machado de Sousa e Jaime HallakCoprodução e edição: Rádio USP RibeirãoCoordenação: Rosemeire TalamoneApoio: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa CNPq e Fapesp
     
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  • Minuto Saúde Mental #70: A inteligência artificial (IA) vai substituir os psicólogos?
    No podcast Minuto Saúde Mental desta semana, o professor João Paulo Machado de Sousa traz o questionamento: A inteligência artificial (IA) vai substituir os psicólogos? E, para a resposta, Sousa consultou o ChatGPT, recurso da IA que tem a capacidade de produzir textos a partir do que é solicitado. Segundo a própria tecnologia, apesar da rápida evolução da inteligência artificial, é muito improvável que os psicólogos sejam substituídos no momento atual ou num futuro próximo.
    Para o ChatGPT, “embora a inteligência artificial (IA) esteja se desenvolvendo rapidamente e possa ser usada em diversas áreas, incluindo a psicologia, a substituição completa dos psicólogos por IA é altamente improvável no momento atual e no futuro próximo. A IA pode ser útil na triagem de pacientes, fornecendo informações sobre diagnósticos e tratamentos, ajudando a identificar padrões em grandes conjuntos de dados e oferecendo suporte para intervenções terapêuticas.
    No entanto, a psicologia é uma área complexa que lida com a mente humana e o comportamento, que são influenciados por uma variedade de fatores, incluindo cultura, história de vida, ambiente e experiências pessoais. Portanto, a interação humana e a compreensão de emoções, motivações e pensamentos subjacentes ainda são fundamentais para a prática da psicologia. Além disso, muitos aspectos do trabalho dos psicólogos envolvem habilidades que a IA ainda não pode replicar completamente, como empatia, compaixão, criatividade e julgamento clínico. A IA pode ser útil para complementar a prática clínica, mas a relação terapêutica é complexa e pode ser difícil de substituir por uma máquina. Em resumo, a IA pode ser uma ferramenta valiosa na prática da psicologia, mas não é provável que substitua completamente a interação humana e as habilidades dos psicólogos em um futuro próximo”.
    Sousa considerou a resposta “impressionante”, dada através de um texto bem escrito e ponderado, “seguindo uma linha muito parecida com a que eu mesmo estava indo antes de ter a ideia de usar a ferramenta”. O professor argumenta ainda ser “muito interessante ver listadas ali características fundamentalmente humanas nas quais se apoia o trabalho do psicólogo, como empatia, compaixão e criatividade”.
    Minuto Saúde MentalApresentação: João Paulo Machado de SousaProdução: João Paulo Machado de Sousa e Jaime HallakCoprodução e edição: Rádio USP RibeirãoCoordenação: Rosemeire TalamoneApoio: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa CNPq e Fapesp
     
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