Minuto Saúde Mental - USP

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  • Minuto Saúde Mental #89: Cetamina é um anestésico promissor para tratar depressão resistente
    Para o podcast Minuto Saúde Mental desta semana, o professor João Paulo de Sousa conversou com o psiquiatra e pesquisador da USP de Ribeirão Preto Renan Maekawa para responder à pergunta: “O que é e para que serve a cetamina?”. 
    O psiquiatra responde que a cetamina (ou ketamina) é um anestésico criado na década de 1960 como uma alternativa a outros anestésicos tradicionais por sua capacidade de causar um estado dissociativo, ou seja, de “desligar” a percepção da dor sem necessariamente causar um estado de anestesia geral. Recentemente, a cetamina foi aprovada para tratar a depressão resistente ao tratamento convencional. Segundo Maekawa, os pesquisadores observaram que a cetamina pode proporcionar alívio rápido de sintomas depressivos, muitas vezes dentro de apenas algumas horas após o uso, oferecendo uma nova esperança para pacientes sem resposta aos tratamentos convencionais. A droga também parece ajudar a reduzir os pensamentos suicidas em pacientes com transtornos psiquiátricos graves. “A urgência em tratar e prevenir comportamentos suicidas, uma das principais causas de morte no mundo, ressalta a importância dessa nova opção de tratamento”, acrescenta.
    O problema, informa o médico, é o uso da droga nas ruas, sem supervisão médica e para fins recreativos. A popularidade da cetamina como uma substância recreativa tem aumentado, especialmente em festas e rituais, onde é consumida por seus efeitos psicodélicos e dissociativos. Esse uso descontrolado pode resultar em experiências perturbadoras, psicose transitória (que é a perda de contato com a realidade), riscos à saúde física e danos psicológicos graves.
    Alguns incidentes trágicos mostram os perigos do uso recreativo da cetamina. Há pouco tempo, o ator Matthew Perry, conhecido por seu papel na série Friends, teve sua morte ligada ao uso de cetamina. Aqui no Brasil, a morte de Djidja Cardoso (dançarina do Boi Garantido, grupo folclórico do Amazonas) durante um ritual religioso com uso de cetamina destaca os riscos do uso ritualístico de substâncias psicoativas e as complexidades éticas e de segurança envolvidas.
    Maekawa conta ainda que, além dos usos recreativos e rituais, a cetamina também é usada de forma ilegal pelo tráfico para produzir uma droga sintética conhecida como special K, key, keyla ou keta; uso este que aumenta os riscos à saúde pública e “complica ainda mais os esforços para o controle e a redução de danos associados ao seu consumo”. 
    Enquanto a cetamina aparece como uma droga promissora para pacientes com condições psiquiátricas graves e resistentes ao tratamento, “é crucial implementar regulamentações mais rigorosas, aumentar a conscientização pública e desenvolver intervenções de saúde para reduzir os riscos associados ao seu uso recreativo, ritualístico e ilegal”, alerta.
    Minuto Saúde MentalApresentação: João Paulo Machado de SousaProdução: João Paulo Machado de Sousa e Jaime HallakCoprodução e edição: Rádio USP RibeirãoCoordenação: Rosemeire TalamoneApoio: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa CNPq e Fapesp
     
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  • Minuto Saúde Mental #88: Dá para confundir doença de Alzheimer com depressão?
    Para o podcast Minuto Saúde Mental desta semana, o professor João Paulo Machado de Sousa entrevistou o psiquiatra Marcos Hortes Chagas, especialista em psicogeriatria (área da medicina que lida com problemas psiquiátricos em pacientes idosos) para responder à pergunta de um ouvinte: “Dá para confundir doença de Alzheimer e depressão?”.
    Sousa conta que o psiquiatra Chagas começa explicando cada um desses transtornos. “A depressão é conhecida como um transtorno de humor em que a principal alteração está no modo como a pessoa se sente. Suas características mais importantes são humor deprimido e tristeza, falta de prazer em atividades que geralmente a pessoa gostava, perda de interesse (apatia), pensamentos negativos, diminuição de energia, alteração de sono (insônia, principalmente acordar mais cedo que o habitual), diminuição ou aumento de apetite, dificuldades de concentração e até pensamentos de morte – que podem levar ao suicídio.”
    Já a doença de Alzheimer, continua, “é um transtorno neurocognitivo, o que significa que a principal alteração é na cognição, ou seja, naqueles processos que permitem que a gente perceba e compreenda o mundo à nossa volta”.
    O declínio da memória é o mais importante fator do Alzheimer, com perda progressiva por causa da degeneração do cérebro. “As perdas acontecem principalmente nas memórias recentes; por exemplo, a pessoa passa a não lembrar mais o que fez no dia anterior, passa a repetir as mesmas histórias e outras coisas do tipo. Além disso, na doença de Alzheimer um outro domínio cognitivo é afetado, chamado de funcionamento executivo. O funcionamento executivo é o que nos permite planejar e usar bem a linguagem e a atenção, entre outros”, conta.
    E confundir Alzheimer e depressão é possível, afirma o psiquiatra. “Na depressão que aparece de forma tardia, pode haver um comprometimento cognitivo importante, o que muitas vezes dificulta o diagnóstico diferencial entre estes dois transtornos”, ensina Chagas, destacando que é muito comum indivíduos com Alzheimer apresentar depressão ou sintomas depressivos importantes, o que pode acontecer em até 50% dos casos.
    Um dos sintomas de depressão é a alteração de concentração que, dependendo da gravidade, pode ser confundida com um problema de memória ou até levar mesmo a um problema transitório de memória. Segundo o psiquiatra, durante a avaliação clínica, podem ser feitos diagnósticos diferenciais, usando a história clínica do paciente (início do quadro, episódios prévios, histórico familiar); fazendo uma avaliação cognitiva (testes cognitivos muitas vezes dão pistas do domínio mais alterado e a influência do humor nestas alterações) e, ainda, exames de imagem (apesar de não ser um critério de diagnóstico, algumas alterações na ressonância, como diminuição de uma estrutura chamado hipocampo, podem fortalecer a hipótese de doença de Alzheimer).
    Concluindo, nem sempre é possível diferenciar Alzheimer de depressão. A diferença pode estar nos detalhes ou os dois transtornos podem estar presentes ao mesmo tempo. Uma avaliação cuidadosa e detalhada ajuda muito no diagnóstico diferencial. Além disso, o acompanhamento ao longo do tempo é o mais importante para separar e entender a relação entre esses transtornos. 
    Minuto Saúde MentalApresentação: João Paulo Machado de SousaProdução: João Paulo Machado de Sousa e Jaime HallakCoprodução e edição: Rádio USP RibeirãoCoordenação: Rosemeire TalamoneApoio: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa CNPq e Fapesp
     
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  • Minuto Saúde Mental #87: Para que serve a serotonina?
    No podcast Minuto Saúde Mental desta semana, o professor João Paulo Machado de Sousa responde pergunta de um ouvinte sobre as funções da serotonina, um neurotransmissor que regula muitas “coisas importantes como o sono, o apetite, o interesse pelas coisas e pessoas e, principalmente, o nosso humor”.
    O professor informa que nosso cérebro é formado por células (neurônios) que também estão espalhadas por todo o corpo e são responsáveis por levar impulsos nervosos. A interação desses neurônios depende, entre outras, de substâncias químicas chamadas de neurotransmissores, sendo a serotonina um dos mais conhecidos.
    “A serotonina é produzida por neurônios de regiões específicas do nosso cérebro e também em nossos intestinos, onde mais ações dessa substância parecem ser descobertas a cada ano”, continua Sousa, acrescentando que a produção do neurotransmissor depende da dieta, dos hábitos, da genética e da saúde geral da pessoa. “Quando os níveis de serotonina caem, vemos problemas como alterações do sono e do apetite, por exemplo.”
    Há muito já se sabe que os níveis de serotonina são afetados pelo estresse, que diminui a produção do neurotransmissor e causa sofrimento que vai de “um pequeno aumento no apetite até quadros graves como uma depressão séria”, quadros estes que podem ser tratados com medicamentos que aumentam os níveis de serotonina que passam de um neurônio para outro. 
    No entanto, lembra Sousa, não apenas os remédios podem ajudar a regular os níveis de serotonina, mas também exercícios aeróbicos como corrida e caminhada e certos alimentos. Assim, dieta e atividade física “também contribuem para a disponibilidade adequada de serotonina no cérebro e, consequentemente, para o nosso bem-estar e qualidade de vida”.
    Sousa resume, então, que a serotonina é uma substância que regula muitas funções importantes do nosso corpo e afeta a maneira como nos sentimos. Mas esta relação é muito complexa e não deve ser tratada por orientações publicadas na internet, como compostos e suplementos. O professor alerta que essas orientações, na maioria das vezes, não são somente falsas como ainda podem ser perigosas para a saúde. A recomendação é procurar sempre um médico ao perceber qualquer sintoma que sugira alterações de funções controladas pela serotonina.
    Minuto Saúde MentalApresentação: João Paulo Machado de SousaProdução: João Paulo Machado de Sousa e Jaime HallakCoprodução e edição: Rádio USP RibeirãoCoordenação: Rosemeire TalamoneApoio: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa CNPq e Fapesp
     
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  • Minuto Saúde Mental #86: Como manter-se eficiente criando uma criança de 2,5 anos?
    No podcast Minuto Saúde Mental desta semana, o professor João Paulo Machado de Sousa responde à pergunta de um ouvinte sobre a eficiência na educação dos filhos. O professor começa questionando os ouvintes sobre a relação saúde mental e o tema em questão para afirmar que “a dúvida enviada tem tudo a ver com saúde mental”.
    Segundo Sousa, a manutenção dos relacionamentos pessoais e do desempenho profissional “são dois pilares da saúde mental que costumam sofrer abalos quando algo não vai bem”. E ter filhos, argumenta, “é um daqueles eventos que altera drasticamente a vida de uma pessoa, gerando a necessidade de adaptação”. 
    Sousa afirma que a adaptação a uma nova realidade tende a ser mais natural quando estamos emocionalmente sadios (o que não significa sentir-se feliz o tempo todo, mas sim ser capaz de lidar com as situações da vida sem perder o eixo) e relativamente estáveis em termos profissionais, de saúde física e de relacionamentos. Já quando enfrentamos instabilidades como perda ou mudança de emprego e problemas de relacionamento, por exemplo, a adaptação pode se complicar bastante e até resultar em um transtorno propriamente dito, como ansiedade ou depressão.
    Um ponto importante, informa o professor, é a relação entre expectativa e realidade. “Muitos casais têm uma tendência pouco saudável de idealizar a chegada e a criação dos filhos. Em seu desejo de se tornarem pais, essas pessoas olham para o lado mais romântico da experiência e fecham os olhos para as dificuldades que necessariamente irão surgir.” Sousa diz que, embora seja impossível saber como as coisas serão antes de vivê-las, “podemos sempre ouvir informações e fazer projeções mais realistas”, não negando a realidade ao fazer qualquer projeto de vida.
    Quanto à pergunta em específico, Sousa afirma que pode não ser, por um certo período, continuar com a mesma eficiência de antes, mas que pode “ser retomada pouco a pouco conforme todos se adaptem à nova vida”. E a dica é parar para avaliar o que está acontecendo, buscar distribuir melhor o tempo de cada atividade pessoal e profissional e, “o mais importante, buscar e receber o apoio de familiares, amigos, vizinhos ou colegas, e não só de profissionais de saúde”.
    Minuto Saúde MentalApresentação: João Paulo Machado de SousaProdução: João Paulo Machado de Sousa e Jaime HallakCoprodução e edição: Rádio USP RibeirãoCoordenação: Rosemeire TalamoneApoio: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa CNPq e Fapesp
     
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  • Minuto Saúde Mental #85: O que é síndrome de savant?
    No podcast Minuto Saúde Mental desta semana, o professor João Paulo de Sousa conversou com o psicólogo e mestre em saúde mental Ildebrando Moraes de Souza, sobre a síndrome de savant. “Talvez você já tenha visto alguma reportagem mostrando pessoas com habilidades impressionantes, como fazer cálculos muito difíceis ‘de cabeça’ ou acertar em que dia da semana cai qualquer data que se pergunte. Muitas vezes, pessoas assim podem ter um quadro conhecido como síndrome de savant (ou síndrome do sábio)”, comenta o psicólogo. 
    A síndrome de savant, informa, é uma condição neurológica rara na qual uma pessoa desenvolve habilidades de memória ou em campos como as artes, a matemática e a localização espacial, mas ao mesmo tempo sofre de problemas de compreensão, comunicação e interação social. “É como se essas pessoas tivessem ‘ilhas de genialidade’ apesar das dificuldades que encontram em outras áreas do desenvolvimento”, afirma. 
    Além disso, Souza também explica que a palavra savant significa “sábio” em francês e é usada hoje no contexto da saúde como uma evolução do termo idiot-savant, que foi criado para descrever uma pessoa com QI muito baixo e que, ao mesmo tempo, apresenta habilidades surpreendentes em alguma área específica. “Por respeito aos portadores da condição, o termo idiot-savant foi substituído no século 20 pela expressão ‘síndrome de savant’, que tomou o lugar de outro termo que também chegou a ser usado: ‘autista-savant’. De fato, pessoas que têm essa síndrome com frequência se localizam em algum ponto do espectro autista e estima-se que um em cada dez portadores de autismo tem habilidades excepcionais, mas é correto dizer que nem todo savant é autista e nem todo autista é savant”, acrescenta. 
    Segundo Sousa, por enquanto não há uma teoria única que explique completamente o fenômeno savant, nem há consenso sobre o que acontece no cérebro para que uma pessoa desenvolva o quadro. “O que sabemos é que é uma síndrome que afeta tanto homens quanto mulheres e que ela pode ocorrer desde o nascimento ou se desenvolver depois de acidentes ou doenças que afetam o sistema nervoso.”
    Essa síndrome não tem cura e as habilidades não costumam desaparecer. “Dependendo do acompanhamento, a pessoa pode ter uma melhora na qualidade de vida. Estudos recentes na área sugerem que o treinamento ou direcionamento dos talentos dessas pessoas, com estratégias usadas em outros grupos como os superdotados ou autistas, pode melhorar a convivência social e as possibilidades de comunicação e levar a uma vida mais satisfatória”, finaliza Sousa.
    Minuto Saúde MentalApresentação: João Paulo Machado de SousaProdução: João Paulo Machado de Sousa e Jaime HallakCoprodução e edição: Rádio USP RibeirãoCoordenação: Rosemeire TalamoneApoio: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa CNPq e Fapesp
     
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  • Minuto Saúde Mental #84: O que posso fazer para interromper uma crise de ansiedade?
    No podcast Minuto Saúde Mental desta semana, o primeiro de 2024, o professor João Paulo de Sousa dá dicas de como reconhecer e interromper uma crise de ansiedade. Fala sobre os desconfortos físico e mental, experimentados por quem entra em crise, como preocupação sem causas claras, acompanhada de dificuldade para se concentrar e interagir com outros, suor excessivo, palpitação e até visão turva. Fala ainda sobre as diferenças com a crise de pânico.
    Entre os conselhos para controlar a crise de ansiedade, o professor adianta que antes é necessário aprender a perceber os sinais do transtorno. Mas, se a pessoa consegue identificar a crise, indica algumas atitudes. A mais usada, comenta, é o controle da respiração, retomando “o controle da entrada e saída do ar”; eliminar demandas e estímulos de lugares agitados ou desconhecidos, “várias pessoas sentem-se melhores ao procurar um ambiente tranquilo e seguro”. 
    Sousa lembra ainda às pessoas que já estão em tratamento de um transtorno de ansiedade para trazerem sempre consigo a medicação prescrita pelo médico exatamente para o controle de crises. Porém, alerta para o potencial de dependência e interações importantes desses medicamentos com outras substâncias como o álcool, por exemplo, e ainda que não devem ser usadas sem o acompanhamento de um médico.
    Por fim, o professor Sousa informa que caso a pessoa venha sentindo os sintomas que descreveu com frequência, deve procurar um profissional que possa criar um plano de tratamento individualizado.
    Minuto Saúde MentalApresentação: João Paulo Machado de SousaProdução: João Paulo Machado de Sousa e Jaime HallakCoprodução e edição: Rádio USP RibeirãoCoordenação: Rosemeire TalamoneApoio: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa CNPq e Fapesp
     
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  • Minuto Saúde Mental #83: O final de ano pode alterar as emoções?
    No podcast Minuto Saúde Mental desta semana o professor João Paulo de Sousa fala sobre como as emoções se alteram durante o final do ano. “No consultório e em outros contextos sociais tenho ouvido as pessoas se queixarem de que o período de fim de ano está estranho, diferente ou estressante”, conta o professor, adiantando que, para muitos, essa não uma época só de alegria. 
    Segundo Sousa, final do ano, com suas festas, reuniões e um convite geral para fazermos um balanço de nossas vidas antes de começar um novo ciclo, é um período de agravamento de vários problemas de saúde mental. “Vamos pensar um pouco: se mesmo quem não sofre de qualquer transtorno diagnosticado tem dificuldade para lidar com o estresse causado pelo excesso de compromissos, pela falta de descanso, pelas quebras na rotina e pelos gastos, muitas vezes excessivos, como ficam aqueles que já estavam em uma condição mais vulnerável mentalmente?”, indaga. 
    Além disso, continua, as festas da firma e confraternizações podem ser ocasiões muito difíceis para quem sofre de ansiedade social, e a expectativa de que todos se mostrem felizes pode ser inatingível para alguém que está deprimido ou lutando contra o abuso de substâncias. “É importante pensar sobre isso, entender o que estamos sentindo a cada momento e, se necessário, tomar medidas e pedir ajuda. A reação de muitas pessoas de evitar reuniões e se isolar pode até melhorar alguns sintomas temporariamente, mas tende a ter efeitos ruins com o passar do tempo”, alerta.
    Nesse sentido, orienta, se a pessoa sente que essa época não está sendo agradável como o esperado, o indicado é reconhecer o sentimento e conversar com seus contatos mais chegados, evitando a solidão e o isolamento. “Se você vem lutando com um transtorno mental, não deixe de seguir o tratamento à risca durante todo o período e procure seu profissional de referência se sentir necessidade. É bom lembrar ainda que, se você sentir que não pode conversar com ninguém que está por perto, o telefone 188 sempre tem alguém que está disposto e treinado para ouvir”, finaliza. 
    Minuto Saúde MentalApresentação: João Paulo Machado de SousaProdução: João Paulo Machado de Sousa e Jaime HallakCoprodução e edição: Rádio USP RibeirãoCoordenação: Rosemeire TalamoneApoio: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa CNPq e Fapesp
     
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  • Minuto Saúde Mental #82: Testes de saúde mental da internet não servem para diagnótico
    No podcast Minuto Saúde Mental desta semana o professor João Paulo de Sousa fala sobre os testes de saúde mental disponíveis na internet. Adianta o professor que o aumento dos problemas de saúde mental gerou um crescimento exponencial na variedade de recursos sobre o tema na internet. “Um recurso que atrai muitas pessoas são os testes para detectar transtornos mentais, como depressão ou TDAH, por exemplo”, afirma. 
    Segundo Sousa, esses testes estão disponíveis em sites e em praticamente todas as redes sociais, variando muito em termos de profundidade e qualidade. Fato que, pelo acesso facilitado, informa o professor, permite que pessoas aumentem seu conhecimento e consigam nomear o que sentem, reduzindo também o preconceito em relação a pessoas que sofrem de transtornos mentais.
    No entanto, Sousa ressalta a preocupação com possíveis repercussões negativas dos testes on-line. “Uma preocupação importante tem relação com o autodiagnóstico e a automedicação, ou seja, existe sempre o risco de que uma pessoa com pouco ou nenhum conhecimento acredite que chegou a um diagnóstico com base em um teste on-line e busque medicações para tratá-lo por conta própria, o que envolve riscos para a saúde”, alerta. 
    Outro ponto preocupante, de acordo com Sousa, é a possibilidade de pessoas que precisam de ajuda profissional acreditarem que chegaram a um diagnóstico confiável e que não precisam mais de atendimento, uma vez que já “entenderam” o que está acontecendo com elas. “É importante esclarecer que nenhum teste da internet, mesmo aqueles que foram desenvolvidos por pesquisadores sérios e que são usados por profissionais em seus consultórios, serve como teste de diagnóstico de saúde mental, já que transtornos mentais e outros problemas psicológicos só podem ser diagnosticados por um clínico com formação adequada”, finaliza. 
    Minuto Saúde MentalApresentação: João Paulo Machado de SousaProdução: João Paulo Machado de Sousa e Jaime HallakCoprodução e edição: Rádio USP RibeirãoCoordenação: Rosemeire TalamoneApoio: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa CNPq e Fapesp
     
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  • Minuto Saúde Mental #81: Como anda a saúde mental dos brasileiros?
    No podcast Minuto Saúde Mental desta semana, o professor João Paulo Machado de Sousa conta como anda a saúde mental do brasileiro a partir dos dados recém-divulgados do último Índice Cactus-Atlas de Saúde Mental (iCASM). A ideia do iCASM, segundo o professor, é avaliar diferentes aspectos da saúde mental, como as maiores preocupações e a qualidade das relações pessoais dos participantes, e fornecer um índice único que possa ser comparado ao longo do tempo para ajudar a avaliar se a saúde mental vem melhorando ou piorando.
    Sousa conta que, em 20 anos de trabalho, percebeu que os pacientes com alguma dificuldade tendem a pensar que os outros não sentem nada parecido. “Essas pessoas costumam ficar aliviadas quando descobrem, por exemplo, que os sentimentos que elas descrevem são conhecidos e já foram descritos por várias outras pessoas que sentem a mesma coisa e enfrentam dificuldades parecidas. É como se isso diminuísse a sensação de ser anormal ou de se estar sozinho”, declara. 
    Em relação ao estudo, Sousa informa que o índice geral de saúde mental da população avaliada ficou em 635 pontos de mil possíveis, mas esse número varia entre diferentes grupos. “Por exemplo, o índice nos homens foi de 672, enquanto nas mulheres ele ficou em 600.” Além disso, afirma que o projeto mostrou que a preocupação que mais afeta a saúde mental dos entrevistados foi a condição financeira. 
    “Com relação aos cuidados com a saúde mental, o panorama descobriu que quase 20% dos entrevistados tinham consultado um psicólogo ou psiquiatra ao longo do último ano, e que 16,5% estavam em tratamento com alguma medicação”, descreve o professor. Para ele, levantamentos como esse são importantes, por exemplo, para ajudar os governos a criar políticas de saúde mental, além de servirem para diminuir a ignorância e o preconceito sobre os problemas nessa área. 
    Minuto Saúde MentalApresentação: João Paulo Machado de SousaProdução: João Paulo Machado de Sousa e Jaime HallakCoprodução e edição: Rádio USP RibeirãoCoordenação: Rosemeire TalamoneApoio: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa CNPq e Fapesp
     
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  • Minuto Saúde Mental #80: Tratamento multidisciplinar é o ideal para transtorno borderline
    No podcast Minuto Saúde Mental desta semana, o psiquiatra Rafael Sanches, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP) da USP, fala sobre o tratamento do transtorno de borderline nos dias atuais e enfatiza que é preciso ajustar “as expectativas em relação ao tratamento de pessoas com transtorno de personalidade borderline”.  
    Informa Sanches que o psiquiatra pode tratar os “sintomas alvo”; se o paciente apresentar mais queixas depressivas em um determinado momento, utilizar uma medicação antidepressiva. Já os que apresentam muita impulsividade podem se beneficiar do tratamento com medicações conhecidas como estabilizadores de humor. 
    Além disso, adianta o médico, são frequentemente utilizados antipsicóticos em doses baixas, medicações com o objetivo de reduzir as alterações de humor, a hipersensibilidade aos eventos do ambiente e a impulsividade, características mais marcantes do transtorno.
    De acordo com o psiquiatra, no transtorno de personalidade borderline, como acontece nos transtornos de personalidade em geral, as medicações podem auxiliar na redução de sintomas, mas não resolvem os problemas enfrentados pelos pacientes e, usadas de forma isolada, não melhoram a qualidade de vida. Portanto, ele conclui que o tratamento ideal do transtorno borderline hoje em dia é visto como um tratamento multidisciplinar, com diferentes profissionais cuidando das várias manifestações de cada paciente individualmente.
    Minuto Saúde MentalApresentação: João Paulo Machado de SousaProdução: João Paulo Machado de Sousa e Jaime HallakCoprodução e edição: Rádio USP RibeirãoCoordenação: Rosemeire TalamoneApoio: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional, iniciativa CNPq e Fapesp
     
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