Pergunta Simples

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Pergunta Simples episodes

  • Como fazer rir? Gabriela Barros
    Gabriela Barros fala sobre humor, representação e vulnerabilidade numa conversa intimista e divertida. Do Taskmaster ao Pôr do Sol, exploramos o que é preciso para fazer rir com precisão. Uma atriz com ritmo, verdade e escuta, num episódio essencial do Pergunta Simples sobre a arte de estar em cena.
    51 min
  • Como Fazer Boas Perguntas?
    Há perguntas que mudam tudo.
    Mudam o rumo de uma conversa.
    Mudam uma decisão.
    Às vezes, mudam mesmo uma vida.
    A tua. Ou a de alguém que te ouviu perguntar no momento certo.
    Mas o que é, afinal, uma pergunta poderosa?
    Não é uma pergunta para parecer esperto.
    É uma pergunta que cria espaço.
    Espaço para o outro pensar.
    Para se ouvir.
    Para ver com mais nitidez.
    Vivemos rodeados de respostas apressadas, diagnósticos de bolso e certezas com prazo de validade de 30 segundos.
    Mas talvez o mais transformador — hoje mais do que nunca — seja isto:
    Fazer uma pergunta com verdadeira curiosidade.
    Vamos explorar juntos a temática de Como Fazer Boas Perguntas? e entender sua importância.
    Hoje falo-te disso.
    Do poder da pergunta certa.
    De como se faz.
    E do que ganhamos quando deixamos de querer saber tudo — e começamos a querer entender melhor.
    O que é uma pergunta poderosa?
    Não é técnica.
    Não é estratégia.
    É uma forma de estar.
    É uma pergunta que não invade, não obriga, não empurra.
    É leve no gesto, mas profunda no efeito.
    Não tenta mostrar o que tu sabes.
    Tenta revelar o que o outro ainda não tinha visto.
    Ou o que talvez já soubesse — mas ainda não tinha dito em voz alta.
    E quase sempre… são perguntas simples.
    – O que é que ainda não foi dito?
    – O que te parece que te está a travar?
    – O que mudou, desde que começaste a pensar nisto?
    – O que é que ainda não foi dito?
    – O que te parece que te está a travar?
    – O que mudou, desde que começaste a pensar nisto?
    São perguntas que, quando bem feitas, não assustam.
    Desarmam.
    E o mais curioso é que não têm resposta imediata.
    Porque fazem pensar.
    Queres experimentar?
    Pensa numa decisão recente em que hesitaste.
    Agora, pergunta-te:
    “Se eu não tivesse medo… o que faria?”
    Fica aí.
    Vê o que aparece.
    Não forces.
    Só escuta.
    Este é o efeito de uma boa pergunta.
    Não resolve. Mas revela.
    E às vezes, é tudo o que precisamos.
    As perguntas que puxam por nós… e as que nos encolhem
    Já estiveste numa reunião onde alguém pergunta:
    “Porque é que ainda não trataste disto?”
    O ambiente muda.
    O corpo encolhe.
    A resposta encolhe.
    A conversa fecha.
    Agora imagina o mesmo momento, mas com outra pergunta:
    “O que te está a bloquear?”
    Ou:
    “O que é que ainda precisas para avançar com isto?”
    O conteúdo pode ser o mesmo.
    Mas o tom, o impacto e a disposição do outro… são totalmente diferentes.
    Há perguntas que abrem.
    E há perguntas que fecham.
    E depois, há aquelas perguntas que parecem neutras — mas são só julgamentos com ponto de interrogação no fim:
    “Não achas que devias ter feito diferente?”
    “Estás mesmo certo disso?”
    “Porque é que só falaste agora?”
    Estas perguntas não querem saber. Querem vencer.
    E quando sentimos isso, protegemo-nos.
    A pergunta poderosa, ao contrário, não exige resposta certa.
    Cria espaço para uma resposta verdadeira.
    Como se aprende a perguntar melhor?
    Como tudo o que importa: com prática.
    Fazer boas perguntas não é talento.
    É treino.
    É afinação.
    É como afinar o ouvido para a música.
    Ou o paladar para o vinho.
    Começa por escutar. Por reparar.
    E por parar de querer ter razão.
    Exercício simples:
    Escolhe uma conversa que vai acontecer esta semana — uma reunião, uma conversa difícil, um jantar.
    Prepara duas perguntas que gostavas de fazer. Só isso.
    Mas faz isto:
    – Escreve-as antes.
    – Lê-as em voz alta.
    – E pergunta a ti próprio: isto convida ou acusa?
    Se a pergunta for sincera — leva-a contigo.
    Se for uma opinião disfarçada de pergunta… deixa-a em casa.
    Outra prática que resulta bem:
    quando deres por ti prestes a dizer “eu acho que…” — trava.
    E tenta isto:
    “O que te faz pensar assim?”
    “Queres contar-me como chegaste a essa conclusão?”
    Ao fazer isso, estás a trocar julgamento por curiosidade.
    E a curiosidade é a argamassa de qualquer conversa que quer durar.
    A pausa como parte da pergunta
    Sabes o que quase ninguém faz? Esperar.
    Fazemos uma pergunta — e se o outro não responde em dois segundos, avançamos.
    Fazemos outra. Explicamos melhor. Preenchemos o vazio.
    Mas uma boa pergunta precisa de chão.
    Precisa de pausa.
    Precisa de silêncio.
    É nesse silêncio que muitas vezes a resposta aparece.
    O desconforto da pausa é, muitas vezes, o desconforto da verdade a chegar.
    Então aqui vai mais uma dica — e esta pode mesmo mudar a forma como falas com os outros:
    Depois de fazeres uma pergunta importante… cala-te.
    Conta até cinco.
    Aguenta.
    Deixa o outro chegar onde ainda não tinha estado.
    Treina em contextos informais
    Isto não é só para entrevistas ou coaching.
    Treina-se à mesa.
    Numa conversa no carro.
    Com amigos.
    Com filhos.
    Com quem confias — e com quem precisa de sentir que pode confiar em ti.
    Começa por trocar o “devias” por “já pensaste em…?”
    Começa por ouvir com intenção, não com pressa.
    E se quiseres mesmo elevar a fasquia, faz este desafio:
    Desafio para hoje:
    Durante um dia inteiro, sempre que te apetecer dar um conselho — faz uma pergunta em vez disso.
    Só por um dia.
    Repara no que muda.
    Talvez descubras que o outro não precisa que lhe digas o que fazer.
    Precisa só que lhe faças a pergunta certa… e que estejas lá para escutar a resposta.
    O que fazer — e o que não fazer
    E já que falamos de treino — deixa-me dar-te, assim de forma direta, aquilo que muitos procuram:
    o que fazer…
    e o que não fazer…
    quando queres fazer boas perguntas.
    Não é fórmula. Mas ajuda.
    ✅ 10 coisas a FAZER para perguntar bem:
    1. Sê genuinamente curioso.
    2. Mantém a pergunta curta.
    3. Usa perguntas abertas.
    4. Faz silêncio depois da pergunta.
    5. Mostra que estás presente.
    6. Valida o que ouves.
    7. Reformula se necessário.
    8. Ajusta ao estado emocional do momento.
    9. Aponta boas perguntas que ouves.
    10. Treina com pessoas em quem confias.
    ❌ 10 coisas a EVITAR:
    1. Opiniões disfarçadas de pergunta.
    2. Perguntas em catadupa.
    3. “Porquês” em momentos delicados.
    4. Perguntar só para parecer inteligente.
    5. Perguntas de controlo.
    6. Interromper a resposta.
    7. Perguntas com a resposta já lá dentro.
    8. Usar a pergunta para evitar dizer o que sentes.
    9. Preencher silêncios à pressa.
    10. Usar perguntas para manipular.
    Conclusão
    Fazer boas perguntas não é complicado.
    Mas exige presença, atenção, e um compromisso contigo próprio:
    o compromisso de querer mesmo ouvir.
    E se seguires isto — não como receita, mas como ponto de partida — talvez descubras que perguntar bem não é só comunicar melhor.
    É viver melhor com os outros..
    Se este episódio te fez parar para pensar, partilha-o com alguém que vive cercado de certezas… mas talvez precise, como tu, de uma pergunta que lhe abra o chão debaixo dos pés.
    E deixo-te três, como sempre:
    1. Qual foi a pergunta mais importante que te fizeram este ano?
    2. A quem precisas de fazer uma pergunta — e ainda não tiveste coragem?
    3. Que pergunta andas a evitar fazer… a ti próprio?
    15 min
  • O que se faz na primeira hora de uma crise? Mariana Victorino
    Na segunda-feira em que Portugal ficou sem eletricidade durante várias horas, muitos portugueses fizeram a mesma pergunta: “O que se faz na primeira hora de uma crise? Mariana Victorino” e “O que se passa?”
    E ficaram sem resposta. Sem redes sociais, sem tv, sem telemóvel.
    Sobrou a rádio. Sempre no ar. A velhinha rádio provou que está pronta para responder à emergência. E isso é uma boa notícia.
    É fundamental entender a resposta para a pergunta: O que se faz na primeira hora de uma crise? Mariana Victorino.
    Compreendendo a Crise: O que se faz na primeira hora de uma crise? Mariana Victorino
    A crise desta segunda-feira tem uma vertente técnica, sobre o que aconteceu, como se recuperou e como se previne o futuro. E outra, mais importante para o programa, de comunicação.
    Como se comunica durante um evento inesperado e com potencial para provocar disrupção.
    O apagão iluminou vulnerabilidades, como sempre acontece nas crises., mas também nos oferece um ponto de partida: como se deve comunicar quando acontece o inesperado? Que papel têm os líderes, as empresas e os media? E o que significa, afinal, estar preparado para uma crise?
    Convidei a especialista em comunicação de crise Mariana Victorino, professora na Universidade Católica, que lembra:
    “A crise não começa quando algo corre mal. Começa quando ninguém sabe o que dizer.”
    Uma crise não é somente um problema técnico. É um momento de exceção, onde há risco para a segurança, para a reputação ou para a confiança numa organização ou país.
    Pode ser um apagão, um acidente, uma falha grave de serviço ou até uma polémica pública.
    E numa crise, o tempo conta. Há uma ideia chave em comunicação de crise: a golden hour - a hora de ouro — a primeira hora. É nesse intervalo que se decide muito do que virá depois: a confiança, a perceção pública, o tom da resposta.
    Para Mariana Victorino, há três ingredientes essenciais para qualquer resposta inicial:
    1. Reconhecer o problema — mesmo sem admitir culpa;2. Expressar empatia — sobretudo se houver pessoas afetadas;3. Explicar o que está a ser feito — mesmo que seja apenas “estamos a recolher informação”.
    Quem deve comunicar? Depende. Mas alguém deve.
    A comunicação de crise exige que haja uma estrutura definida, com papéis claros: quem decide, quem coordena, quem comunica.
    Idealmente, o líder toma decisões e pode ser a cara pública em momentos-chave. Mas a figura do porta-voz — preparado, humano, credível — é central.
    Esse porta-voz deve conhecer os media, os públicos, os canais. E deve conseguir manter a calma, reconhecer a realidade e inspirar confiança.
    Fundamental é a preparação previa.
    Preparar antes, agir durante, aprender depois.
    A comunicação de crise começa muito antes da crise.
    Implica treino, simulações, planos escritos e revistos, mensagens preparadas para diferentes cenários — e sobretudo uma cultura de responsabilidade e transparência.
    Também é importante saber onde e como comunicar. Durante o apagão, por exemplo, muitos canais digitais falharam — mas a rádio manteve-se no ar. Era aqui que se se poderia ter investido mais.
    E depois da crise? Avaliar. Aprender. Ajustar procedimentos. E comunicar também a recuperação.
    A boa notícia: é possível fazer melhor
    A conversa com Mariana Victorino é clara: não é preciso adivinhar o futuro.
    Mas é preciso treinar o presente: preparar equipas, alinhar mensagens, construir confiança com o público — antes que a crise nos obrigue a improvisar.
    E é possível fazê-lo bem.
    E aproveitar a luz para prevenir a sombra.
    Talvez este apagão, que durou entre o pico da do meio-dia até ao fim da hora do busco fusco , tenha vindo para nos avisar que temos de estar preparados e de comunicar melhor. Principalmente quando algo corre mal.
    LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO
    00:00:00:00 - 00:00:02:14
    Viva Mariana Vitorino!
    00:00:02:14 - 00:00:40:13
    Possa tentar que, como uma especialista em crises, acho que sim. Essa Santa Bárbara bom formalmente doutorada em Ciências da Comunicação Pública Católica Portuguesa e professora na Faculdade de Ciências Humanas, especialista em Comunicação Estratégica e em Comunicação de Crise. Ligam me muitas vezes quando quando estão em dificuldades. Às vezes é verdade. Existe sempre essa tendência, porque é uma situação bastante comum, mais comum do que aquilo que pensamos que tem a ver com aquele ditado português casa roubada, trancas à porta.
    00:00:40:13 - 00:01:06:20
    Ou seja, as pessoas normalmente só se lembram de que, nesse caso específico, não ligam a ter algum tipo de conselho de tentar obter as respostas quando já se está muito em cima do acontecimento. E isso acontece também nas empresas, nas organizações. E por isso, respondendo à tua pergunta, sim, às vezes acontece ligarem me a última da hora a dizer vou agora ter que dar uma entrevista para a televisão ou para a rádio salva me, salva me.
    00:01:07:00 - 00:01:26:17
    Exatamente o que? O que nos faz tão pouco previdentes? Porque todos sabemos que volta e meia há alguma coisa que pode correr mal e que acaba por correr mal. Esta é a história da nossa vida e nós tentamos sempre resolver coisas. O que é que nos faz ser tão ligeiros quando quando olhamos para esta possibilidade de que algo nos possa correr mal?
    00:01:26:19 - 00:01:58:23
    Fomos otimistas, Achamos que somos bons demais. Normalmente, as empresas e as organizações que são grandes, poderosas, que funcionam, que colocam os seus produtos, que estão habituados a fazer coisas e subitamente ao queixo, isto, aquilo, aquela sequência de erros ou azares. E acontece uma crise. Eu acho que eu poderia dizer isso, que é porque somos otimistas, mas na verdade eu acho que tem a ver com uma coisa muito simples que custe, ou seja, é preciso investir, é caro, prevenir é caro.
    00:01:59:00 - 00:02:31:11
    Não é que seja muito caro, mas às vezes as empresas e as instituições não pensam no quão mais caro é remediar em vez de prevenir e o mesmo se passa em situações de maior magnitude, como a que vivemos esta segunda feira de Abril, em que em que ficamos sem energia? É muito, muito comum quase que esperarmos que que as coisas não aconteçam.
    00:02:31:13 - 00:03:21:21
    É só nos preocuparmos a posteriori. E poderia ser muito mais vantajoso prevenir e prepararmo nos. Esta semana todos aprendemos com o caso do apagão que as crises de facto podem acontecer a qualquer minuto. Quando nós estávamos a fazer a pergunta que eu tenho para ti e onde estavas tu na altura em que a luz foi muito bem? Estava no meu trabalho, na minha empresa, na empresa onde eu trabalho, que é uma empresa que presta serviços a faz no fundo a parte do atendimento ao cliente em todo o tipo de plataformas, seja telefone, seja redes sociais, seja email, enfim, todas e todos os canais onde existe uma interação com o cliente, fazemos e fazemos.
    00:03:21:21 - 00:03:42:17
    Isso não foi um dever. E realmente eu estava lá e pronto. E é também uma área onde é muito importante que haja uma continuidade dos serviços. E olhando à volta, como é que foi a reação das pessoas? A primeira reação foi aquela comunicação. É sempre achar que se vai resolver rapidamente mais cinco minutos, mais cinco minutos e a coisa está resolvida depois.
    00:03:42:19 - 00:04:08:06
    O que é interessante é que muito rapidamente e isso hoje em dia acontece devido a haviam sociedade com que as informações se espalham nas redes sociais rapidamente. Começaram de imediato a gerar imensos boatos que depois se vieram a provar falso informações erradas. Às tantas já isto estava a acontecer em toda a Europa. Às tantas já se especulava sobre o que é que estaria por trás disso.
    00:04:08:06 - 00:04:36:22
    Planos muito mais do que maquiavélicos. O que nos faz gostar tanto de um bom boato, não foi? Eu acho que eu acho que é uma coisa que tem muito a ver também com a questão da gestão da comunicação em situações de crise, que as pessoas, quando se veem numa situação de certa forma de fragilidade, querem descobrir explicações e, portanto, agarram se a essas, entre aspas, tábuas de salvação que são as explicações.
    00:04:36:24 - 00:04:59:24
    E ainda por cima, hoje em dia é muito fácil aparecerem especialistas ou designados especialistas a dar todo o tipo de explicações e sustentadas muitas vezes e por isso é muito fácil as coisas espalharem se. E nunca podemos, é claro, deixar de pensar que uma boa história, mesmo que ela seja mentirosa, é sempre uma grande história. Como é que?
    00:05:00:00 - 00:05:31:02
    Como é que tu vives o dia depois? Como é que, Como é que uma especialista dedica esta autopsiado à crise? Dedicaste a estar tranquilamente. Foste depois para casa e procuraste um rádio. O que é que o que aconteceu? É muito engraçado ver. Eu acho que se calhar um bocadinho por defeito profissional, porque realmente lido com situações de crise desde os meus 23 anos, portanto há muitos anos e portanto, eu tenho sempre tendência, especialmente em situações de crise, em manter a calma, que é uma coisa que é muito recomendável e isso é muito importante.
    00:05:31:02 - 00:06:00:04
    E por acaso achei interessante observar isso na minha família. Como é que cada um reagiu dependendo da personalidade de cada um? O que seria da tua família? Como é que vinha o eu, por exemplo, Fiquei calmamente no meu trabalho, que era onde eu estava e onde eu, onde eu era suposto estar e portanto, fiquei lá com os meus colegas definirmos como é que íamos lidar com a situação, a ver os planos de continuidade das operações e tudo isso.
    00:06:00:06 - 00:06:28:21
    E basicamente tive colegas que foram comprar carne ao talho, fizemos um churrasco na empresa, portanto acabou por ser. Ou seja, atuamos de forma mais ou menos normal, sendo que normalmente não fazemos churrasco todos os dias, mas na escola naquele dia não havia uma forma portuguesa. Olha,...
    49 min
  • Como se escuta um país em campanha eleitoral? António Gomes
    Se há algo que não falta durante uma campanha eleitoral… são sondagens.
    Como se escuta um país em campanha eleitoral? Antônio Gomes
    Como se escuta um país em campanha eleitoral? António Gomes é uma pergunta que muitos fazem durante o período eleitoral.
    Diariamente somos bombardeados com gráficos, percentagens, setas para cima, setas para baixo, empates técnicos, surpresas, coligações imaginadas e quedas espetaculares.
    A cada novo estudo, há quem se entusiasme e quem duvide. Quem diga “isto confirma o que eu já sabia” e quem desconfie: “isto tem dedo de alguém”.
    Mas afinal… como se fazem as sondagens?
    Como se escuta um país em campanha eleitoral? António Gomes: Uma Análise Profunda
    Essa questão de Como se escuta um país em campanha eleitoral? António Gomes, envolve metodologias complexas e a interpretação de dados sociais.
    Os resultados de Como se escuta um país em campanha eleitoral? António Gomes, muitas vezes revelam nuances do comportamento dos eleitores.
    Os estudos sobre Como se escuta um país em campanha eleitoral? António Gomes proporcionam insights valiosos para analistas e políticos.
    Ao explorar Como se escuta um país em campanha eleitoral? António Gomes, percebemos a importância da coleta de dados fiáveis.
    A pesquisa sobre Como se escuta um país em campanha eleitoral? António Gomes, deve ser conduzida com rigor científico.
    Compreender Como se escuta um país em campanha eleitoral? António Gomes, é essencial para a democracia e a participação cidadã.
    Como se escuta um país em campanha eleitoral? António Gomes
    Como se escolhe quem é ouvido? Como se garante que aquilo que nos mostram é mesmo o que o país pensa?
    E, mais importante ainda: o que as pessoas respondem… quando alguém lhes pergunta?
    Neste episódio do Pergunta Simples, vou procurar respostas com quem sabe.
    António Gomes, diretor-geral da GfK Metris e uma das pessoas que melhor conhece os bastidores da opinião pública em Portugal.
    Portanto, a questão de Como se escuta um país em campanha eleitoral? António Gomes deve ser central nas discussões políticas atuais.
    Há mais de 30 anos que António lidera equipas que estudam o que pensamos, o que desejamos, do que temos medo.
    Faz sondagens eleitorais, estudos de mercado, inquéritos qualitativos e quantitativos. E já viu de tudo: vitórias inesperadas, derrotas mal digeridas, candidatos ofendidos com os dados, e eleitores a esconder aquilo que verdadeiramente pensam.
    Nesta conversa falámos de tudo isso — com a calma de quem já passou por muitas campanhas e com o humor de quem sabe que, na política, nem sempre a lógica vence.
    Começámos pelo princípio: como se faz uma sondagem séria?
    António explicou-nos os diferentes métodos de recolha — por telefone, presencial, ‘online’ — e a ciência por detrás da construção de uma amostra representativa. Falámos de margens de erro, de amostras estratificadas, de critérios técnicos que, para o público, são muitas vezes invisíveis. E falámos do que acontece quando, apesar de tudo isso, a sondagem falha.
    Falámos de erros estatísticos. Mas falámos, sobretudo, de erros humanos.
    Das recusas. Das portas que não se abrem. Dos estratos difíceis de preencher. E das situações em que, por mais que se controle sexo, idade e região, saindo da amostra é… uma surpresa.
    Uma dessas histórias inclui um ‘fax’, uma jornalista célebre de televisão, um resultado inesperado e um telefonema a dizer: “Isto só pode estar errado”. Mas estava certo. Ou, pelo menos, era aquilo que os dados evidenciavam naquela semana.
    António também nos explicou o que é o fenómeno do votante envergonhado. Aquela pessoa que vota num partido, mas tem vergonha de o assumir. Que diz uma coisa ao entrevistador… e faz outra na urna. Já aconteceu um par de vezes em Portugal e voltar a acontecer com qualquer partido que, num dado momento, esteja no centro da polémica ou do julgamento social.
    Finalmente, todos devemos refletir sobre Como se escuta um país em campanha eleitoral? António Gomes e suas implicações sociais.
    Mas será que as pessoas mentem mesmo?
    “Não mentem por maldade”, diz António Gomes.
    Muitas vezes, mentem a si próprias.
    Porque o tempo passou, porque se arrependem, porque querem parecer coerentes.
    Às vezes, quando lhes perguntamos como votaram há cinco anos, respondem com base no que gostariam de ter feito.
    Não no que fizeram.
    Este episódio é também uma lição de psicologia eleitoral.
    Afinal, compreender Como se escuta um país em campanha eleitoral? António Gomes é um desafio constante.
    Por tudo isso, Como se escuta um país em campanha eleitoral? António Gomes deve ser estudado de forma crítica.
    Falámos do uso das sondagens pelos partidos. Não somente para medir intenções de voto, mas para testar ideias, frases, cartazes. Há uma parte do que vemos nas campanhas que vem diretamente dos dados. Desde o tipo de fotografia que se escolhe para um cartaz gigante na rua, até à linguagem usada num debate.
    Não é manipulação, é estratégia — é afinação estratégica com base em evidência.
    E sim, falámos dos políticos.
    António contou como, muitas vezes, é preciso preparar os líderes para ouvir o que não querem ouvir.
    Como alguns usam a intuição (“sinto a rua”) para negar a realidade dos números.
    E como há um equilíbrio delicado entre respeitar essa intuição… e mostrar que a ciência também sente — de forma diferente, mas não menos certeira.
    “Eu não digo o que eu acho. Digo o que os eleitores disseram”, explica.
    Este episódio não é somente sobre sondagens. É sobre como pensamos, como escolhemos, como comunicamos.
    É sobre política, sim, mas também sobre cultura, tecnologia, comportamento humano. É sobre a arte e a ciência de escutar um país.
    E, com António Gomes, aprendemos que essa escuta exige método, sensibilidade, experiência… e um grilo falante interior que nunca se cala.
    Ele tem mil histórias para contar, mas vai deixando algumas no segredo.
    Tu queres ver que o António Gomes também está a construir o seu mito?
    LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO
    00:00:00:00 - 00:00:21:11
    Viva António Gomes! Social Não é essa a tua, a tua profissão, a tua função, a tua formação, a minha formação. Diretor geral da GfK, também atriz, é uma das principais empresas que faz estudos de opinião e também sondagens. Agora que estão tanto na lista de mais de 100.000 entrevistas por pura nos quer por telefone, vais ao vivo? Como é que?
    00:00:21:11 - 00:00:44:19
    Como é que isto funciona? Estas 100.000 têm um breakdown entre basicamente três métodos de recolha de informação chamadas telefónicas. Temos um call center. Depois temos as entrevistas diretas e pessoais que podem ser feitas na residência das pessoas, já à porta da residência. Mas também há entrevistas são feitas na rua ou podem ser feitas num local específico, se tivermos a falar ao texto e outras coisas afins.
    00:00:44:21 - 00:01:23:05
    E depois aquilo que nos últimos anos tem sido o novo método, digamos assim, bastante usado, que é as entrevistas online e portanto, tudo acumula latos, sem sentido, Mas via via redes sociais também não as entrevistas online. A diferença são que há várias maneiras de fazer as entrevistas online. Há basicamente duas que são as mais frequentes. Uma é uma ação de auto bound que o cliente ou a entidade tem uma base de dados e, portanto, envia a sua base de dados um convite para que eles participem e respondam ai, pois tens umas coisas que têm a ver a não com a proteção de dados e portanto tu podes ter o que nós chamamos um endereço universal
    00:01:23:07 - 00:01:41:20
    onde eu mando para ti e tu podes respondemos pode mandar para os teus filhos e etc. Ou tens um endereço nominal nominal. Aí termina a declina com um código que é atribuído exclusivamente a TI e pronto, uma vez tu respondendo já não pode responder mais e no limite podias para designar o IP do convite. Quer dizer que podes saber que sou eu que estou a responder.
    00:01:41:22 - 00:01:58:12
    A intenção é servir, que sejas tu, ou seja, garantir que dependendo do tipo de estudo, as características das pessoas que nós queremos que respondam não sejam controladas por tu, vais à procura de saber o que é a procura de determinadas características, se for o caso, usando a base de dados do cliente a entidade com quem trabalho. A alternativa são os chamados Access.
    00:01:58:12 - 00:02:18:16
    Falamos online, isto é, são grandes players mundiais que têm. E também há locais que têm uma base de dados que tem uma relação mais ou menos contratualizadas com os respondentes e, portanto, as pessoas estão à espera de receber frequentemente convites para responderem a inquéritos sobre os temas mais diversos. E hoje estamos neste momento num processo eleitoral e pré eleitoral.
    00:02:18:16 - 00:02:37:00
    Portanto, todos os dias nós estamos a ver a sondagem e a sondagem B e eles trazem resultados diferentes. Mas afinal somos nós, não somos os mesmos, os mesmos eleitores? Como é que está a sair? Como é que Como pipocas? Subitamente isto é mais pra esquerda, isto é, mais para a direita e os partidos está mais à frente, mais a direita.
    00:02:37:02 - 00:03:03:15
    Eu acho que é bom. A principal perceção de diferença radica primordialmente no facto de haver sondagens que ora ali, ora o bem. Essa frente e passa disso aos olhos das pessoas. Estes tipos estão agora esta frente e os outros estão a dar o peixe, estão ali à frente. Estão a pensar isso É porque é por causa das respostas que as pessoas estão a dar a estas sondagens ou a seguir uma fórmula.
    00:03:03:18 - 00:03:25:09
    Não. Primeiro, estas, estas sondagens todas, sem exceção, são feitas sempre com base num princípio que é o princípio de uma amostra representativa. Mas ela tem intrinsecamente um erro. Explica lá isso o que é que uma amostra representativa mostra?...
    53 min
  • 5 desafios ao noticiar uma campanha eleitoral na televisão? Nuno Santos
    Até 18 de maio, e nas semanas seguintes, até tudo estabilizar, veremos a dança de vários tipos de comunicação: a política, a do ‘marketing’ e a institucional. Todas a rodar no palco mediático. Media que ora fazem o papel de observadores, ora de criadores de agendas públicas.
    É neste contexto que convido Nuno Santos, jornalista e diretor do canal de notícias mais visto da televisão por cabo, a CNN Portugal.
    Nuno Santos passou pela RTP, pela rádio pública, onde coincidimos, pela SIC e pela TVI.
    Ora no lado das notícias, ora no lado do entretenimento.
    Na dupla função de diretor de informação da TVI e do canal CNN Portugal, montar a gigantesca operação de cobertura eleitoral. Antes, durante e depois.
    Como noticiar uma campanha eleitoral na televisão? Nuno Santos
    Como noticiar uma campanha eleitoral na televisão? Nuno Santos
    Os “5 desafios” discutidos na entrevista:
    Planeamento editorial antes da campanha
    Gestão de debates e critérios de imparcialidade
    Mudança dos hábitos de consumo informativo
    Pressões externas e internas sobre o jornalismo
    Concorrência entre redes sociais e media tradicionais
    Esta edição contém boas pistas de como se organizam os debates entre os candidatos ao lugar de Primeiro-ministro. Como se escolhem os temas, como se negoceiam as regras comuns. Quais os interesses dos jornalistas mas também dos candidatos. 
    Os debates já começaram, as equipas de reportagem estão na rua e as caravanas políticas também. As mensagens já enchem as redes sociais.
    Estão aí as eleições. 
    Mais uma vez, o país vai escolher um governo e, como sempre, a imprensa é chamada a cumprir o seu papel de relatar, explicar, analisar. 
    Nada de novo, certo? Talvez não seja bem assim. 
    Porque se há coisa que muda mais depressa do que as vontades do eleitorado, é a maneira como recebemos e consumimos informação.
    E é aqui que as coisas se complicam. Porque a verdade, aquela verdade sólida, bem fundamentada e confirmada, tem hoje uma concorrência feroz. 
    As redes sociais tomaram de assalto o espaço público.
     Opiniões, factos mal digeridos, "soundbites", teorias da conspiração… está tudo ali, à distância de um gesto de dedos. 
    O jornalista deixou de competir com o seu camarada da estação concorrente  e passou a competir com o mundo inteiro. 
    Gente que publica o que quer, quando quer, como quer. 
    Sem editores, sem filtros, sem regras. Tantas vezes sem ética. Muitas outras de forma mal intencionada.
    E depois há outra coisa: o público que mais cresce nas redes, e que já olha com desconfiança para o jornalismo tradicional, é publico o mais jovem. 
    Aqueles que preferem ouvir uma notícia no TikTok, em 20 segundos, do que assistir a um telejornal completo. 
    São milhões que consomem informação em pedaços soltos, descontextualizada, sem critérios claros. O ‘sexy’, panfletário ou incendiário é escolha do algoritmo para servir constantemente.
    E o que fazem os jornalistas perante isto? 
    Tentam adaptar-se. 
    Tentam perceber como se faz jornalismo relevante e apelativo num mundo que está sempre a correr para a próxima coisa. 
    E é aqui que entram projetos como a CNN Portugal. Os outros meios onde se faz informação a sério. Confiável, credível, escrutinada.
    A CNN Portugal nasceu com a promessa de trazer um jornalismo sério, factual, com um selo de qualidade que carrega décadas de história da marca-mãe, dos Estados Unidos. 
    Mas será que isso é suficiente num país onde a informação já não é recebida, é disputada? Porque hoje não basta fazer bem. É preciso que alguém, do outro lado, queira ver e ouvir.
    A campanha eleitoral que agora começa vai ser um teste real a este modelo. 
    Porque cobrir uma eleição em 2025 não é o mesmo que em 2015 ou em 2005. Agora, cada acontecimento é imediatamente esmiuçado, comentado, até distorcido, e partilhado por milhões de pessoas, muitas vezes antes mesmo de chegar aos canais oficiais.
    E então? Como se trabalha assim? 
    Como se garante que o jornalismo de qualidade sobrevive e se faz ouvir num mundo onde a gritaria é mais audível do que a conversa sensata?
    Há outra questão que também se impõe: a da credibilidade. 
    Porque, se o jornalismo perdeu a sua aura de autoridade intocável, isso não aconteceu por acaso. 
    Os erros existiram e continuam a existir. 
    Os enviesamentos, intencionais ou não, acontecem. E a verdade é que o público, hoje, está mais atento e mais desconfiado.
    Falar sobre eleições é falar sobre imparcialidade. E, mais do que nunca, essa imparcialidade tem de ser sentida, não somente proclamada. Porque de nada serve repetir que um canal é independente se depois não se nota esse esforço na prática diária.
    Neste episódio, vamos explorar tudo isto. Vamos perceber como um canal como a CNN Portugal se prepara para cobrir um evento tão relevante como umas eleições legislativas, num ambiente mediático no qual a verdade não tem só concorrentes… tem inimigos declarados.
    A CNN Portugal apresenta-se como um projeto ambicioso. Um projeto que quer recuperar a confiança do público ao oferecer jornalismo sério e rigoroso, mas que também quer ser apelativo e relevante para as novas gerações. E é aqui que o desafio se torna fascinante. Fazer televisão e fazer redes sociais. Atingir públicos clássicos e novos públicos. Velhas e novas gerações.
    Fazer televisão em 2025 é diferente de fazer televisão há 10 ou 20 anos. Os canais de notícias são agora uma espécie de híbrido entre aquilo que sempre foram — bastiões do jornalismo factual, credível e ponderado — e o que precisam de ser para sobreviver — produtos ágeis, ávidos por captar a atenção de públicos que já não se sentam em frente a um ecrã durante uma hora seguida.
    Mas será que essa agilidade não pode comprometer a qualidade da informação? Será que o jornalismo consegue resistir à tentação de se tornar um espetáculo, somente para competir com o entretenimento frenético das redes sociais?
    E depois há a questão das Fake News. 
    Porque, se o jornalismo luta pela atenção do público, as notícias falsas, manipuladas e mal-intencionadas lutam para o enganar. É uma guerra desigual.
     Uma mentira bem contada é muitas vezes mais cativante do que uma verdade complexa. E o problema é que essa mentira, quando se espalha, é quase impossível de corrigir.
    Mas como se combate a desinformação? Com rapidez ou com rigor? Com verificações intermináveis ou com uma presença constante e quase intuitiva nas plataformas digitais?
    Neste episódio, vamos falar sobre tudo isto. Vamos perceber como se cobre uma eleição em pleno 2025, quando os partidos comunicam diretamente com os eleitores através das redes sociais, quando os jornalistas têm de competir com influencers e canais de opinião que não jogam segundo as mesmas regras.
    Vamos falar sobre a responsabilidade de quem informa. Sobre as escolhas difíceis que se fazem diariamente numa redação. E vamos tentar perceber se, neste novo ecossistema, ainda é possível fazer o bom e velho jornalismo.
    O jornalismo que importa. O jornalismo que serve. O jornalismo que, mesmo quando o mundo parece virar-se contra ele, continua a fazer sentido.
    LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO
    00:00:00:00 - 00:00:16:00
    viva. Nuno Santos Jornalista, sempre jornalista. Posso apresentar te assim, sem. Por exemplo, quando eu chego a um hotel e há os menus, não é? Mas me entregam aquele tipo de papel para por preencher uns quantos dados.
    00:00:16:02 - 00:00:39:21
    Acho que você quer isso. Passaporte ou o cartão de cidadão da data de nascimento e tal. Profissão? Jornalista. E isso é o que eu coloco. Mas depois tens aí uma de medalhas, não é que é diretor da CNN Portugal, director de informação da TVI? Sim, e de facto, ao longo da minha vida eu nem sempre fui jornalista. Ou melhor, eu entrei e saí do jornalismo algumas vezes.
    00:00:39:23 - 00:01:03:15
    Como é que te aguentas sem fazer, sem fazer jornalismo? Ouvi dizer que é um vicio e um vício no sentido que eu gosto. Mas nas épocas da minha vida em que eu estive a fazer outras coisas, designadamente em que eu estive do lado do rádio, diz disse do lado da música, na televisão diz se do lado do entretenimento ou da ficção, ou da programação.
    00:01:03:17 - 00:01:30:20
    Eu também gostei dessas fases da minha vida, porque significa lidar com outros géneros, outros fragmentos, outros momentos da indústria que são igualmente muito estimulantes. São talvez tão ou mais estimulantes que o jornalismo aos jornalistas. Eu tenho alguma dificuldade para explicar isto, mas por exemplo, produzir um grande programa de entretenimento como o The Voice. Eu não o fiz em Portugal, mas fi lo em Angola.
    00:01:30:20 - 00:01:58:11
    Imagina em Angola. É extraordinário produzir um programa para o qual uma certa elite olha de lado, como o Big Brother, porque aquilo olha de lado para me agradar, olha de lado, mas vê, olha pelo buraco da fechadura, porque é um grande formato de entretenimento. Então o que é que você é? Porque supostamente aquilo que o Big Brother é um projecto de grande sucesso, basta ver as diz Ele sempre está a fazer 25 anos.
    00:01:58:13 - 00:02:22:07
    É um programa que mexe com as emoções das pessoas. E quando apareceu, era verdadeiramente revolucionário. Hoje é quase comum todos sabermos a vida de todos, digamos assim. Não é aquilo que fulanos o nosso organismo, absolutamente. Isso normalizou se, mas eu recordo, e à época eu trabalhava na SIC e o Big Brother apareceu na TVI, onde eu trabalho hoje.
    00:02:22:09 - 00:02:57:23
    E eu recordo me que houve na sociedade portuguesa uma enorme campanha contra essa ideia de nós estarmos a ver a vida dos outros em 24 horas sobre 24 horas ainda em directo. E tinham existido uns filmes antes e que pareciam filmes. Não é que não pareciam a realidade. Lembro me de um código QR que, salvo erro em português,...
    1 hr
  • O que é a comida? Ricardo Dias Felner
    Sim, chef, pronto chef. A sair, chef
    Portugal é um país que come por prazer. Não tenho dúvidas.
    O que é a comida? Ricardo Dias Felner
    O que é a comida? Ricardo Dias Felner
    Às vezes temos mais olhos que barriga. Outras vezes não temos barriga para tanta gula. Ou temos demasiada gula para tão pouco dinheiro para gastar restaurantes mais estrelados que os ovos.
    Comemos e falamos do que comemos. Fazemos disso um ritual, uma celebração. E é fácil perceber por quê. Somos um país pequeno, com uma cozinha rica e variada, construída por séculos de encontros e desencontros com o mundo.
    Cada povo que nos invadiu, cada imigrante que chega ou emigrante que regressa traz um livro de receitas. E os misturamos tudo e reenviamos sabores.
    A comida, para os portugueses, é muito mais do que aquilo que se mete no prato. É aquilo que se conta à volta dele.
    Dizem que nós, portugueses, somos bons a queixar-nos.
    Digo que somos bastante bons a falar de comida.
    Porque não há prato que não mereça um comentário, um elogio ou um desabafo.
    Ao almoço falamos do que vamos comer ao jantar.
    E todos sabemos que os grandes problemas do mundo resolvem-se não numa reunião, mas à volta dos comes e bebes.
    Podemos estar na conversa mais séria do mundo — e de repente aparece alguém a dizer que descobriu um restaurante incrível numa aldeia perdida que faz o melhor cabrito de sempre. E toca a organizar uma expedição ao dito sítio.
    Ou que o arroz de polvo da mãe é impossível de bater Que a carne de porco à alentejana que comemos na festa de aniversário do amigo do amigo era má, péssima, incomestível. Mas já que lá estávamos, comemos, claro..
    E quando não é o prato, é o preço.
    Ou como o serviram. Ou a espera, que foi longa demais.
    Ou o facto de, naquele restaurante, não aceitarem reservas e termos ficado 40 minutos à espera, para depois nos sentarem numa mesa junto à casa de banho. Ou na porta. Ou, pior, ofenderem.nos descaradamente dizendo: já não há lugar para si,
    Mas isto é Portugal.
    E com jeitinho tudo se desenrasca.
    Os portugueses falam de comida como falam do tempo ou do futebol. Porque a comida, para nós, é mais do que sabor. É identidade. É memória. É território. É desafio e tradição.
    Há quem ache que, neste país, o bom e barato acabou.
    Que agora se come bem, mas paga-se um balúrdio.
    Outros defendem que as tascas continuam a existir, contudo é preciso procurar melhor.
    O que é certo é que as referências mudaram.
    Há 30 anos, um bom restaurante era o que servia muito e barato.
    Depois passou a ser o que tinha um prato bem-feito, com sabor e sem grandes artifícios. Agora, é o que nos tira uma fotografia bonita para as redes sociais. Que nos serve um prato que queremos partilhar com o mundo, mas que vamos comentar com os amigos ao vivo, numa esplanada, enquanto pedimos um fino e uns tremoços.
    Porque, se há coisa que o português gosta, é de contrariar a moda. Dizer que já foi a esse restaurante de que todas as pessoas falam e não gostou. Que a nova estrela Michelin o deixou indiferente. Que o menu de degustação não vale nem metade do que cobram. “Comia melhor na minha aldeia por metade do preço”, é uma frase que já ouvimos todos, mais do que uma vez.
    E depois há as comparações. Porque o português gosta de medir. O melhor pastel de nata. A melhor bifana. O melhor arroz de pato. A melhor feijoada. A melhor chanfana. A melhor caldeirada.
    Discutimos comida como se discutem jogadores de futebol. “O melhor é o meu”, dizemos, com um orgulho que só quem gosta de comer compreende.
    Mas o mais interessante é que, mesmo quem não sabe cozinhar, sabe falar de comida. Sabe avaliar. Sabe criticar. E sabe dizer, com a certeza de um especialista, que o bacalhau estava seco, que o arroz de tomate precisava de mais caldo, que o polvo estava tenro, mas podia ter mais sabor.
    Talvez seja por isso que temos tantos chefs talentosos. Porque, desde sempre, fomos educados a ter opinião sobre o que está no prato. Seja o cozido à portuguesa da avó, seja o ‘sushi’ de fusão daquele restaurante da moda, seja o café que nos serviram à pressa, com espuma a mais e sabor a queimado.
    A gastronomia portuguesa é feita de contrastes. Entre o tradicional e o moderno. Entre o barato e o caro. Entre o gourmet e o que se come na tasca.
    E é feita, acima de tudo, de histórias. Porque, quando um português fala de comida, raramente fala só de comida. Fala do que aconteceu antes, do que se passou durante e do que ficou depois. Fala do caminho para chegar ao restaurante, da conversa que teve à mesa, do prato que pediu porque tinha saudades da infância.
    E, depois, há a simplicidade.
    Porque a nossa cozinha é de improviso, de aproveitamento, de invenção. O que fazer com o que há. As sopas que nascem do fundo do tacho. As pataniscas que se fazem com o resto do bacalhau. O arroz que se estica para dar para mais um. A comida que se partilha, que se reparte, que se recria.
    E o curioso é que, mesmo com tanta conversa, com tanto julgamento, com tanta comparação, continuamos a gostar de descobrir. Continuamos a procurar o melhor peixe grelhado, o pastel de nata mais cremoso, a sopa de peixe que nos faz lembrar o verão.
    Comunicar comida é comunicar o país. Porque Portugal é um país que gosta de comer e que gosta de falar sobre o que come. Às vezes, parece que nunca estamos satisfeitos. Que estamos sempre à procura do próximo prato perfeito, do próximo sítio que ninguém conhece, do próximo segredo que vamos partilhar — mas só com alguns, claro.
    E é por isso que vale a pena continuar a falar sobre comida. Porque, mesmo quando nos queixamos, mesmo quando dizemos que está tudo a piorar, a verdade é que adoramos esta conversa. E continuamos a ter fome de mais.
    Deixemo-nos guiar pelo Ricardo Dias Felner
    Ricardo Dias Felner,
    Nascido a 18/06/76, começou a trabalhar como jornalista em 1998, no jornal Público, tendo passado pelas secções Política, Local, Sociedade e Nacional. 
    No ano de 2003, venceu o prémio de Jornalista Revelação do Ano, do Clube dos Jornalistas, com o trabalho “A favela aqui tão perto”, uma reportagem sobre o bairro da Cova da Moura. Como jornalista do Público abordou assuntos ligados à Administração Interna, à Justiça e à Imigração, bem como ao jornalismo de investigação na área da Política. 
    Em 2006, ganhou o prémio do Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas, categoria de imprensa, com uma investigação sobre os gastos dos imigrantes nos processos de legalização e toda a burocracia envolvida. 
    Ainda em 2006, publicou o livro “Voltar a ser Médico” (edição da Fundação Calouste Gulbenkian), em parceria com o fotojornalista David Clifford, onde são contadas histórias de vida de médicos imigrantes que vieram trabalhar para Portugal em sectores desqualificados e que, anos mais tarde, acabaram por conseguir voltar a exercer a sua profissão. 
    Foi convidado para ser repórter da revista Sábado, em agosto de 2009, onde esteve até 2013. 
    Voltaria a colaborar com a Gulbenkian como autor do livro “Vencer cá Fora”, desta feita sobre imigrantes que se destacaram como empreendedores em Portugal.
    Em 2013, transferiu-se para a direção das revistas Time Out Lisboa e Time Out Porto, onde permaneceu até dezembro de 2016. Nesta última fase especializou-se em jornalismo gastronómico, coordenando essa área da revista e escrevendo crítica de restaurantes, assuntos sobre os quais já vinha tratando no blogue O Homem que Comia Tudo. Com o mesmo nome, publicou um livro (2020, Quetzal) e estreou em 2024 um programa no canal de televisão SIC. 
    É doutorando no Departamento de Ciências da Comunicação do ISCTE, onde está a trabalhar num projecto sobre a comunicação internacional da gastronomia portuguesa. 
    LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO
    Ricardo Dias Felner, jornalista, homem que veio da política fazer coisas da política e decididamente decidiu transformar se num homem que comia tudo. Agora é uma celebridade. Agora és um homem da televisão também. Como é que sei como é que tu vais? De resto, aqui vejo um gajo desta lista, câmaras e tal. O que é que estou aqui a fazer?
    00:02:56:20 - 00:03:27:09
    O é que no centro de mais um homem da imprensa, Um homem não. Já foste apanhado? Não, decididamente um homem da imprensa, da escrita. Porque a escrita eu faço há 20, heh. E seis anos, quase 26 anos. E as câmaras? Na verdade, o programa do homem que nós gravamos, mas que das câmaras não tomou já a pouca encenação, digamos assim, tu esqueces a câmara, a.
    00:03:27:11 - 00:03:52:20
    Nem sempre, mas quase sempre. Mas há ali um elemento perturbador, porque por um lado, a câmara é a testemunha, está ali a olhar para ti. Por outro lado, a câmara mostra coisas que tu, escrevendo, não consegues primeiro chegar a um público mais alargado. Não, Sem dúvida. Dizer que a escrita é melhor do que a imagem. O multimédia é diferente porque tu quando escreves podes explicar mais coisas em detalhe.
    00:03:52:22 - 00:04:22:05
    Tu força tirar o texto de um programa de televisão e eu olhar para um texto sobre o mesmo assunto escrito num jornal. Vais perceber que tens mais informação detalhada sobre. Magina, estás a falar do bacalhau sobre bacalhau do que tens no programa de televisão? É verdade que tu dizes que sim, mas no plano de visão tu estás a ver coisas que têm muita informação visual.
    00:04:22:05 - 00:04:43:10
    Tens níveis de comunicação diferente que são níveis diferentes, são níveis diferentes e depois têm curiosidade. Quer dizer, quando tu montas um programa, quando tu decides que vai bater à porta de um restaurante. Quem é que manda no feed das coisas? É o realizador, és tu, Tens um argumentista? Há um produtor. Como é que isto funciona? As coisas são mais ou menos repartidas.
    00:04:43:12 - 00:05:15:22
    O projeto é meu, ou seja,...
    1 hr 5 min

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