Pergunta Simples

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Pergunta Simples episodes

  • E se a empatia fosse obrigatória? Rui Marques
    Susan Sontag escreveu no seu livro “A doença como metáfora”
    E se a empatia fosse obrigatória? Rui Marques
    “A doença é o lado noturno da vida, uma cidadania mais onerosa. Todos que nascem têm dupla cidadania: no reino dos sãos e no reino dos doentes.”
    E se a empatia fosse obrigatória? Rui Marques
    Quando Susan Sontag escreveu isto, em 1978, estava a falar de cancro. Mas podia estar a falar de solidão. De ressentimento. Daquela dor difusa de quem se sente por dentro fora de lugar. Porque a verdade é esta: há uma doença que não aparece nas radiografias, que não se vê ao microscópio, que não se trata como as outras.
    Ao questionar: E se a empatia fosse obrigatória? Rui Marques, somos levados a refletir sobre a importância das relações humanas.
    É a doença da falta de relação. E essa, está em todo o lado.
    Vivemos cercados de tecnologia, mas cada vez mais distantes.
    Na abordagem de Rui Marques, E se a empatia fosse obrigatória?, destaca-se a necessidade de fortalecer nossas conexões.
    Nunca estivemos tão ligados — e nunca estivemos tão sós. A produtividade sobe, os gostos digitais disparam, mas o silêncio entre duas pessoas que vivem na mesma casa, escritório ou aldeia, vai crescendo. Chamamos-lhe esgotamento, chamamos-lhe ansiedade, chamamos-lhe stresse crónico — mas muitas vezes é só isto: défice relacional. Falta de cuidado. Falta de olhar.
    Rui Marques chamou-lhe saúde relacional. E dá-lhe corpo. E nome. E método.
    Não é uma metáfora. É literal.
    Há pessoas que adoecem porque não têm com quem falar.
    Há pessoas que saram porque alguém lhes sorriu no momento certo.
    E não é só uma intuição: é ciência. Um estudo de Harvard que há mais de 80 anos acompanha centenas de pessoas chegou à conclusão mais simples e mais desarmante de todas: o que mais contribui para uma vida feliz — e mais longa — é a qualidade das relações. Não o dinheiro. Não o estatuto social. São As relações.
    É fácil esquecer isto. Sobretudo num mundo que corre. Que empurra. Que valoriza o fazer mais do que o estar. Que trata as pessoas como recursos. Como números. Como peças. Mas a verdade volta sempre. E a verdade é esta: sem relação, não há saúde.
    As crises que vivemos — na educação, nas organizações, nas instituições públicas — são provavelmente e antes de tudo, crises relacionais. Não se resolvem somente com planos, orçamentos ou reformas estruturais. Resolvem-se na qualidade do vínculo entre as pessoas. No modo como se escutam. No modo como se respeitam. No modo como se reconhecem.
    Rui Marques fala de literacia relacional. Como quem diz: isto aprende-se. Treina-se. Trabalha-se. Há oficinas. Há modelos. Há maneiras de regenerar relações que foram danificadas. Porque o que nos adoece não é só o conflito — é o conflito não resolvido, mal digerido, ignorado. E isso, sim, tem impacto direto na saúde física, mental e social. Há relações que nos elevam. E há relações que nos esvaziam.
    E depois há o digital. Que entra na equação como uma espécie de perturbação crónica. Crianças que nunca treinaram o conflito real, que não subiram árvores nem discutiram cara a cara, e que agora são adolescentes ansiosos, hiperconectados e emocionalmente frágeis. Adultos que se refugiam a percorrer, com o dedo no écran, infinitivamente as últimas novas das redes sociais, para não ter de lidar com o desconforto do silêncio. Relações filtradas, encenadas, mediadas — mas raramente inteiras.
    A saúde relacional também passa por aqui: por reaprender o toque, o olhar, o tempo partilhado sem agenda. Por aceitar o silêncio sem o preencher com barulho. Por ter conversas difíceis sem medo do erro. Por construir confiança — esse oxigénio invisível que sustenta qualquer equipa, qualquer família, qualquer sociedade.
    E passa, claro, pelo cuidado. Cuidar não é uma palavra delicodoce. É uma palavra difícil. Cuidar exige tempo, exige atenção, exige compromisso. Não é um botão que se carrega — é um caminho que se percorre. E nesse caminho, todos falhamos. Todos tropeçamos. Todos erramos. Mas também todos temos a possibilidade de voltar. De pedir desculpa. De escutar melhor. De tentar outra vez.
    A saúde relacional é isto: não é sobre relações perfeitas. É sobre relações vivas. Com tensão, com conflito, com sombra — mas com vontade de permanecer.
    A metáfora da doença que Sontag combateu — a de que o doente é culpado, ou fraco, ou castigado — precisa de ser substituída por outra: a de que o humano é relacional por natureza. E que, quando nos afastamos disso, adoecemos. Por isso, mais do que nunca, é tempo de reaprender o básico: ver o outro. Estar com o outro. Reconhecer o outro.
    LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO
    00:00:00:00 - 00:00:32:11
    por vir. Rui Marques é uma daquelas pessoas que nunca descansa e olha que para para a vida do Rui Marques é desde ir a Timor no navio desmontar academias de liderança, desde que criada, pois há refugiados a uma missão. Claramente. E é um gosto estar aqui, Primeiro que tudo, agradecer este convite, saudar quem nos ouve, enfim, uma frase que às vezes me inspira.
    00:00:32:11 - 00:00:55:12
    Noutros dias nem tanto, Mas para descansar tenho a eternidade. Agora é tempo de cumprir aquilo que estiver ao meu alcance, com todas as minhas limitações, falhas e imperfeições, mas para dar o meu contributo para a construção de um mundo melhor e em cada momento, em cada circunstância, isso foi tendo configurações diferentes, foi tendo aspetos diferentes, Mas acho que essa é a linha condutora.
    00:00:55:14 - 00:01:14:09
    O que é que eu posso fazer perante os desafios que vivo e que o contexto em que estou, o tempo em que vivo me apresentam? O que é que eu posso fazer? É procurar diferentes respostas, o que o quis num mundo melhor, sendo que olhando para o mundo hoje a gente já descobriu o que é que é um mundo pior, um mundo mauzinho, o que é um mundo melhor?
    00:01:14:13 - 00:01:40:19
    Eu acho que é o mundo onde a dignidade humana é respeitada como sagrada neste sentido de cada pessoa e todas as pessoas e o mundo onde a justiça é um valor que rege os atos humanos e o mundo onde o horizonte de esperança se abre. É, nesse sentido, esperança, justiça e dignidade são traços essenciais daquilo que possa ser a configuração de um mundo melhor.
    00:01:40:21 - 00:02:00:20
    Na verdade, hoje nós vivemos um mundo que tem pouca esperança e, nesse sentido, se aproxima do inferno de Dante, o inferno na Divina Comédia. A Porta. Ele está lá escrito que perde toda a esperança. Quem aqui entre nós? Nós estamos a passos largos. Aproximamos de um contexto de inferno, de ausência de esperança. Essa é uma condenação radical. Não passas desta porta e não voltarás aqui.
    00:02:00:20 - 00:02:25:04
    Será pior do que isso. E sobretudo, esta ideia de que o inferno é a ausência total de esperança e por isso, constitui hoje uma luta de fundo não deixar desaparecer a esperança e construir todos os dias razões de esperança. Mas também um mundo melhor tem que ser caracterizado por este esta luta radical por maior justiça, sendo que ser bom é fácil, difícil é ser justo?
    00:02:25:06 - 00:02:51:18
    É também é também. Como é que isso vamos? Podemos fazer aqui um bocadinho da natureza disso. Vamos a isso. O que é isto ser bom? E o que é que isto de ser do ser está fazendo? Pascal e diz nos Isto quer dizer, a justiça. Não se trata de um simples exercício de bondade, porque tem um conjunto de ponderações, de avaliações, de equilíbrios, de de sabedoria, que não é um puro exercício de bondade, de um de bondade.
    00:02:51:18 - 00:03:14:23
    É mais fácil objetivar e eu percebo que dentro um determinado código de ética o que é que é ser bom? Mas ser justo é mais do que ser bom neste sentido, é não só ser bom, mas procurar encontrar o o equilíbrio certo, Procurar e encontrar a resposta certa a cada circunstância, cada dilema, cada dúvida. E isso é muito difícil em muitas circunstâncias.
    00:03:14:23 - 00:03:41:03
    É muito difícil. O que imagino que neste momento esteja angustiado, porque uma das perguntas que eu me faço amiúde onde é que está o árbitro, não é? Onde é que está? Onde é, onde é que está isso, esse referencial de justiça em determinados momentos alguém disse É Deus. Noutros momentos alguém disse Não são os mercados, noutros são os eleitos, os os poderosos.
    00:03:41:05 - 00:04:09:06
    Olhemos o bocadinho à falta de referenciais dessa justiça, em quem confio eu para que me guie nesse caminho ou, se não me guiar, que pelo menos vá alumiando algumas possibilidades desse exercício da justiça, da bondade do mundo de amanhã melhor do que hoje. Eu acho que a primeira armadilha que temos que evitar exteriorizar essa responsabili dade quer dizer, o referente no primeiro sítio onde tem que mudar é dentro da nossa cabeça, dentro do nosso coração.
    00:04:09:07 - 00:04:37:20
    Somos responsáveis. É somos nós e não aliarmos ou não transferimos para outros a responsabilidade desse exercício tão difícil, por exemplo, da justiça e, portanto, a consciência. Esta noção de que eu sou responsável perante a minha consciência é um algo que temos que recuperar rapidamente. Neste sentido, e depois, evidentemente, na esfera pública, diferentes expressões podem ter essa responsabilidade claro, prejudicial e evidentemente, uma das respostas.
    00:04:37:20 - 00:04:55:22
    Mas muito mais do que isso, eu direi mesmo que todos aqueles que têm responsabilidades públicas, quaisquer que elas sejam, têm a responsabilidade de ser essa referência, sendo que, e este é um ponto muito importante, que ser referência não é sinónimo de ser perfeito. E esse é um ponto que eu acho que nós precisamos introduzir no nosso tempo. E nós toleramos a imperfeição.
    00:04:56:02 - 00:05:13:19
    Precisamos de tolerar, porque às tantas não dizemos assim não. Mas eu confio naquela pessoa, aquela que merece o meu apoio, o meu voto, o que for. Mas depois, às tantas,...
    53 min
  • Como se comunica a igualdade de género? Sara Falcão Casaca
    Num mundo onde a palavra “igualdade” já faz parte do discurso oficial, o que falta para que ela se torne realidade? Como comunicamos o que ainda não foi alcançado? E, mais importante: como comunicar de forma eficaz num contexto de resistência, desconfiança ou mesmo hostilidade?
    Neste episódio, na semana que assinala em semana do Dia Internacional da Mulher, refletimos sobre o papel da comunicação pública na promoção (ou bloqueio) da igualdade de género.
    Neste contexto, a questão que se coloca é: Como se comunica a igualdade de género? Sara Falcão Casaca e o seu papel nesse processo.
    O papel da comunicação na igualdade de género: Como se comunica a igualdade de género? Sara Falcão Casaca
    A convidada deste episódio é Sara Falcão Casaca, professora catedrática no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), socióloga, investigadora, especialista em desigualdade de género, mercado de trabalho e políticas públicas.
    Atualmente, lidera o Observatório Género, Trabalho e Poder, e coordena a recém criada comissão de prevenção do assédio no ensino superior, um espaço onde a comunicação — ou a falta dela — pode fazer toda a diferença.
    Este é um episódio sobre comunicação. Comunicação que pode ser uma ferramenta de transformação ou, se mal usada, um mecanismo de bloqueio. Falamos sobre como os media continuam a construir imagens públicas das mulheres em lugares de liderança. Falamos sobre os estereótipos que ainda marcam as narrativas políticas, empresariais e mediáticas. Falamos sobre o desafio de comunicar dados difíceis de compreender, como o fosso salarial entre homens e mulheres, sem que se tornem somente mais um número a circular sem impacto real.
    Mas também refletimos sobre o papel das redes sociais, que democratizam a comunicação, mas que são palco de ataques dirigidos a mulheres que ousam ocupar o espaço público. Como se constrói uma narrativa de igualdade num ambiente polarizado? E como se lida com o discurso de ódio sem abdicar do espaço público?
    Este episódio passa ainda pela comunicação invisível nas organizações: como se falam — ou não se falam — os problemas de assédio, as desigualdades salariais, a falta de mulheres em posições de topo. E pela linguagem silenciosa das escolhas institucionais, desde a escolha das lideranças até à ausência de mulheres em debates, painéis ou cargos de poder.
    Falamos também de um desafio central na comunicação pública da igualdade: como envolver os homens neste debate? Como evitar que a igualdade de género seja comunicada como um “tema de mulheres para mulheres”?
    Num país onde se registam avanços importantes — desde a maior participação de mulheres na política até à adoção de códigos de conduta para a igualdade — ainda falta uma narrativa pública consistente, que traduza em palavras, exemplos e políticas o que se diz defender.
    Por isso, este episódio não é apenas sobre o que falta fazer em termos de igualdade de género, mas sobre o como comunicar tudo o que falta fazer, sem desistir de tentar, mesmo quando a comunicação se torna difícil.
    Porque a comunicação pública, quando bem-feita, não é só uma descrição do mundo como ele está. É uma ferramenta para o mudar.
    A conquista de qualquer direito social implicou sempre alguma forma de luta.
    A cultura, a tradição, o fizemos sempre assim, será sempre um obstáculo.
    Mesmo nas coisas mais óbvias, mudar demora sempre tempo. Muito tempo.
    Qualquer mudança substantiva é lenta e gradual.
    A comunicação pode ajudar a criar entendimentos e coligações.
    Mas não resolve tudo. Ajuda, mas não resolve.
    A resistência à mudança é um valor cultural intrincado.
    E quando tema gravita à volta da questão do poder e da sua divisão equitativa, quem o tem não gosta de o perder.
    LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO
    00:00:00:00 - 00:00:17:24
    Viva Sara Falcão Casaca, professora catedrática do ISEG e uma especialista em sociologia económica e das organizações, dedica muito do seu tempo e da sua investigação a investigar esta coisa da desigualdade de género no mercado de trabalho e as questões das políticas de igualdade.
    00:00:18:01 - 00:00:44:12
    E porque se me perguntar e tu, onde é que estão as mulheres? Estamos a falar dos mesmos para o público e o mesmo falam as mulheres falam muito pouco no espaço, têm muito pouca visibilidade ainda no espaço público. E porque há uma coisa que nós podemos contar às pessoas, Quando nós estivemos a combinar esta conversa e eu confidenciei que é sempre muito mais difícil convencer uma mulher, neste caso a Zara, me convencer facilmente.
    00:00:44:13 - 00:01:06:23
    É verdade. Mas vamos, vamos lá, vamos gravar uma coisa, vamos gravar um programa, porque parece que aqui há uma limitação a um não, não apetece aparecer, Não quero ir. O que que o que faz com que, entre outras coisas, podemos fazer Um desfilar de argumentos, sim, faz com que as mulheres não apareçam no espaço público ou pareçam menos simples.
    00:01:07:00 - 00:01:30:15
    Quer dizer, eu acho que há vários, a vários fatores. Não é porque na verdade os homens continuam. E, aliás, não sou eu que digo, é a Entidade Reguladora da Comunicação, quando faz os seus relatórios, que os homens, quando aparecem no espaço mediático e designadamente na comunicação, na comunicação social, tendem a ser ainda os protagonistas, não é ou fonte ou fonte de informação.
    00:01:30:15 - 00:01:58:15
    Os protagonistas, os especialistas. Não é que quem se convida para comentar matérias da vida económica, política, de segurança, etc. E esse efeito de visibilidade vai se reforçando. Alguém que parece sistematicamente, por exemplo, num jornal, ao que parece, na televisão, todos os outros meios de comunicação, quando pensam em alguém para falar daquele tema, convidam, convidam. Essa pessoa dá visibilidade a uma força, visualidade, uma espécie de.
    00:01:58:15 - 00:02:36:20
    Normalmente, como é habitual, ser aqui na televisão, aparecer na telefonia. Então vamos convidar aquela pessoa e, por força dos enviesamentos de género do estereótipo de género, pensa se mais facilmente no homem, que também são aqueles que têm estado mais disponíveis para o espaço mediático, para o espaço público. Pensa se mais facilmente no homem e se o homem não pode e se pedem para sugerir a alguém mais facilmente, também sugere um outro homem que provavelmente também conhece um outro homem com outro homem, já que no fundo não fugimos às pessoas que estão no nosso mundo, que estão mais perto, já que não têm o enviesamento de proximidade e aquilo que efetivamente acontece.
    00:02:36:22 - 00:03:02:09
    E depois, quando vão, as mulheres, muitas vezes também são convidadas a duas coisas que podem acontecer, creio eu. Por um lado, alguma preguiça da parte de quem convida, porque se leva, Se a pessoa não está disponível, se calhar desiste logo, não é? E pensando num homem que que? Mas há uma questão que é o cronómetro, Lá está, eu fui agora às 15h00 já ter tudo e tudo e tudo para logo e tudo para amanhã.
    00:03:02:09 - 00:03:23:16
    Se calhar uma outra organização diminuía. Atenuaria esta, esta pressão não é insistir mais até encontrar. Se fosse mesmo uma intenção ter mesmo mulheres no mundo, num debate, num programa de televisão, que é um debate público sobre determinado tema, não existiria a primeira? Não. E, portanto, acho que essa insistência seria uma boa, seria uma boa e uma boa prática.
    00:03:23:18 - 00:03:50:23
    Depois as mulheres é assim. Esse é o lado, digamos assim, do ponto de vista organizacional, estrutural, a mecânica das coisas. Portanto, nós estamos todos cheios de pressa. Conhecemos algumas pessoas, não conhecemos outras. É algo inviável. É uma vida. Pensa se no homem, mas no homem ou na associação do homem saber poder. Não é essa a protagonista numa determinada área?
    00:03:51:00 - 00:04:27:17
    O especialista numa determinada área é mais facilmente nós fazemos essas associações simbólicas, Então, mas por que isso acontece quando? Quando se pensar em mulheres portuguesas qualificadas nos vários campos do saber? É que há muitas e que há muitas em muitos campos e é nalguns campos perceber, até com muito mais mulheres do que homens. O que faz que haja essa parte do pressuposto que a ideia de enviesamento é uma ideia negativa, que é uma inclinação não positiva, o que fará com que quando eu vou fazer uma escolha, quando eu vou ligar a alguém?
    00:04:27:19 - 00:04:51:04
    Escolha a escolha ou escolha B. É uma pergunta para mim próprio. Mas, mas, mas o que é que está no nosso racional para para o que estamos a pensar aqui entrevistados? Mas eu posso pensar em escolher um Presidente, República ou um Primeiro-Ministro. Estamos em pré campanha para as presidenciais que aí vão. Portanto, os candidatos começam a aparecer e então não há nenhuma mulher que queira concorrer à Presidência da República?
    00:04:51:08 - 00:05:23:00
    Aparentemente não. Até agora. Exato. Exacto. Isso leva me. Isso leva a uma outra questão porque é que as mulheres que há pouco que eu ia referi tem exatamente a ver com isso? Porque é que as mulheres se retraem também? Uma maior exposição na vida mediática e na vida e na vida pública? E as mulheres sabem uma coisa? Sabem que essa exposição é uma exposição sujeita a um escrutínio muitas vezes impiedoso e que muitas têm mesmo mais que fazer do que pensar porque é que ia ser enxovalhado?
    00:05:23:02 - 00:05:49:16
    Mas o escrutínio, porque o escrutínio? Porque na verdade, socialmente, nós somos muito mais tolerantes e mulheres e homens porque nós bebemos dos mesmos estereótipos sexistas. Na verdade, há uma maior tolerância social perante uma situação, um debate, por exemplo, em que um homem que está ali como especialista e que diga generalidades é um especialista. Mas a tolerância social será muito maior.
    00:05:49:20 - 00:06:14:19
    Não é porque ele é socialmente de acordo com as nossas perceções. Incumbi ente do saber e,...
    57 min
  • Como pensar bem? José Maria Pimentel
    O conselho que sempre ouvimos foi: antes de falar, pense.
    Normalmente acompanhado de alguma história mais ou menos lendária de alguém que falou de mais, que disse o inconveniente ou que foi demasiado vocal para os ouvidos sensíveis da plateia.
    Esta edição é para todos os que tem capacidade de comunicar e vontade de pensar.
    De pensar bem. Neste caso da arte do pensamento crítico. Com José Maria Pimentel.
    Pensar bem é difícil. Mas alguém tem de o fazer.
    Até diria mais: todos temos de o fazer.
    O mundo está cada vez mais confuso. Somos bombardeados por informação constantemente, por todos os lados. Mas entre tanta notícia, opinião e ruído, há uma pergunta que vale a pena fazer: estamos a pensar bem? Estamos a tomar boas decisões? Estamos a ver o mundo como ele realmente é – ou apenas como queremos que ele seja?
    O nosso convidado de hoje dedica-se a responder precisamente a estas questões. José Maria Pimentel é economista, professor e autor do podcast 45 Graus, um espaço de reflexão onde tenta fazer o que as redes sociais e os debates televisivos raramente fazem: parar para pensar.
    Nesta conversa, falamos de pensamento crítico – essa coisa difícil, mas essencial, que nos obriga a questionar aquilo que sabemos e a forma como chegamos às nossas conclusões. Falamos de como a escola, sem querer, pode estar a treinar-nos para aceitar respostas fechadas, em vez de nos ensinar a pensar por nós próprios. Falamos das redes sociais e do efeito bolha, que nos leva a ouvir apenas quem confirma aquilo em que já acreditamos.
    E falamos, claro, de decisões. Porque pensar bem não é um exercício teórico. Na vida real, tomamos decisões todos os dias – algumas pequenas, outras enormes. Mas será que sabemos mesmo decidir? Será que conseguimos resistir à pressão, à pressa, ao ruído, ao ego? Será que conseguimos, de facto, ver a realidade como ela é – e não apenas como gostaríamos que fosse?
    José Maria Pimentel explica porque é que nem sempre o argumento mais sonante é o mais forte. Porque é que nem sempre o especialista tem razão – mas também porque é que confiar cegamente no primeiro influencer que nos aparece no feed pode ser um erro monumental.
    Falamos também da inteligência artificial. Vamos confiar nela para pensar por nós? Ou será que, ao automatizar tarefas, a IA nos está a deixar apenas com os problemas realmente difíceis, aqueles que nenhuma máquina pode resolver por nós?
    E, claro, falamos de podcasts. Do 45 Graus, um projeto que nasceu da necessidade de ter conversas mais pausadas, mais fundamentadas, menos apressadas. Um espaço onde a pressa dá lugar à profundidade e onde as perguntas são mais importantes do que as respostas fáceis.
    Se gosta de pensar – e de pensar bem – esta conversa é para si.
    No Pergunta Simples, exploramos os desafios da comunicação e do pensamento. Neste episódio, José Maria Pimentel ajuda-nos a perceber porque é tão fácil cairmos em armadilhas mentais e porque é tão difícil pensar de forma verdadeiramente crítica. Entre a lógica, a emoção e a desinformação, há um campo de batalha onde cada um de nós precisa de aprender a mover-se melhor.
    Falámos de argumentação, de vieses cognitivos, do impacto das redes sociais e da dificuldade em distinguir factos de narrativas. E falámos de decisões – essas escolhas que fazemos todos os dias, quase sempre sem tempo para refletir. Pensar bem é como comunicar bem: dá trabalho, mas será que podemos dar-nos ao luxo de não o fazer?
    LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO
    0:13
    Vivam bem vindos ao pergunta simples, o vosso podcast sobre comunicação.
    O conselho que sempre ouvimos foi, antes de falar, pensa normalmente acompanhado.
    De alguma história mais ou menos lendária?
    De alguém que falou de mais, que disse o inconveniente ou que foi demasiado vocal para os ouvidos sensíveis de uma plateia que tem, no fundo, o coração ao pé da boca?
    0:36
    Nesta edição, é para todos aqueles que têm capacidade de comunicar e vontade de pensar, de pensar bem.
    Neste caso, de aprender um pouco mais sobre a arte.
    Do pensamento crítico.
    0:59
    Pensar bem é difícil, mas alguém tem de o fazer a teatiria mais.
    Todos temos de o fazer.
    O mundo está cada vez mais confuso.
    Já o notaram?
    Somos todos bombardeados por informação a toda a hora, de todos os lados, mas entre tanta notícia, opinião e ruído.
    1:16
    Há uma pergunta que vale a pena fazer, estamos a pensar bem?
    Estamos a tomar boas decisões?
    Estamos a ver um mundo como ele realmente é ou apenas como queremos que ele seja?
    O nosso convidado de hoje dedica se a responder precisamente a estas questões.
    1:31
    José Maria Pimentel é economista, professor e autor de um podcast ou 45°, um espaço de reflexão onde tenta fazer o que as redes sociais e os debates na televisão raramente fazem.
    Parar para pensar nesta conversa, falamos do pensamento crítico, essa coisa difícil, mas essencial, que nos obriga a questionar sobre aquilo que sabemos e a forma como chegamos às nossas conclusões.
    1:57
    Falamos de como escola sem querer pode estar a treinar nos para aceitar respostas fechadas ao invés de nos ensinar a pensar pela nossa própria cabeça.
    Falamos das redes sociais, falamos do efeito da bolha que nos leva a ouvir apenas.
    Quem confirma aquilo em que já acreditamos?
    2:14
    E falamos, claro, de decisões, porque pensar bem não é só um exercício teórico na vida real, tomamos decisões todos os dias, algumas pequenas, outras gigantescas.
    Mas será que sabemos mesmo decidir?
    Será que conseguimos resistir à pressão, à pressa, ao ruído, ao ego?
    2:32
    Será que conseguimos, de facto, ver a realidade Como Ela É e não apenas?
    Como gostaríamos que fosse.
    O José Maria Pimentel explica porque é que nem sempre o argumento mais sonante é, afinal, mais forte, porque é que nem sempre o especialista tem razão ou mais razão na esfera pública, mas também porque confiar segmento no primeiro influencer que nos aparece no feed pode ser, afinal, um erro monumental.
    2:57
    Falamos também da inteligência artificial, vamos confiar nela para pensar por nós ou será que ao automatizar tarefas?
    A inteligência artificial nos está a deixar apenas com os problemas realmente difíceis aqueles que nenhuma máquina pode resolver por nós.
    3:13
    E, claro, falamos de podcasts.
    Afinal, isto foi uma conversa entre podcasts do 45°, um projeto que ele criou e que nasceu da necessidade de ter conversas mais pausadas, mais fundamentadas e menos apressadas.
    Um espaço onde apressa, dá lugar à profundidade e onde as perguntas são, afinal?
    3:32
    Mais importantes do que as respostas fáceis.
    Se gosta de pensar e de pensar bem, esta conversa é para si.
    José Maria Pimentel economista, professor, podcast autor tens passado a tua vida a tentar ensinar nos.
    3:50
    Como é que se pensa bem, como é que se pensa bem?
    A minha vida, pelo menos a vida é mais recente.
    E antiga.
    A antiga era a fazer o quê?
    O que é que?
    O que é que?
    A antiga eu eu sou economista, não é como disseste e trabalhei na banca durante muito tempo.
    Na banca, primeiro banca privada, ou seja, um banco, o banco comercial, e depois No No banco de Portugal, portanto no banco central.
    4:09
    Porque teve teve que ser ou porque me dava gozo?
    Não porque me dava gozo.
    Foi.
    Foi a minha carreira original e lá podia ter ficado.
    Podia ter seguido por aí.
    Mas depois eu sempre, eu sempre.
    Gostei de estar ligado à academia, portanto essa ligação já vem de muito de trás e depois lancei o 45° no final 2017 e depois esses 2 terrenos foram expandindo, depois foram se unindo e foram ficando maiores do que o outro.
    4:35
    E pronto.
    A certa altura tomei essa decisão, mas, mas, mas, enfim, mas, mas foi uma coisa que gostei de fazer durante muitos anos.
    Há uma coisa de que tu falas muito e eu e eu estava a falar a propósito do do do pensar, da maneira como nós, como nós, pensamos ou não pensamos que tem, que tem a ver com o pensamento crítico.
    4:57
    Todos tivemos aquela experiência Na Na Na escola, onde nós estamos no fundo, quase a ser educados como ovinhas que em princípio, se tu pensares a mesma coisa que os teus coleguinhas do lado.
    Até merecerás mais elogios do senhor professor, salvo alguns professores que são são muito especiais, mas esta coisa de ver o mundo de uma maneira diferente ou divergente é logo uma carga de trabalhos ou não.
    5:23
    Dá, dá muito mais trabalho, de facto.
    E o e o ensino, como tu estavas a dizer, a maior parte do ensino é feito para te de uma maneira que não te estimula exatamente o pensamento crítico e não é em parte.
    Isto é compreensível.
    5:39
    OOOO ensino basicamente está feito para te treinar a lidar com problemas fechados e não com problemas abertos.
    Quando eu digo problemas fechados é problemas que já tem uma solução e portanto, trata se de tu compreenderes a solução na melhor das hipóteses.
    Na pior das hipóteses, decorares a solução.
    5:54
    Portanto, existem aqui um conjunto de problemas que todos nós enfrentamos.
    Meus caros alunos, não se molestem muito a pensar soluções muito criativas, porque a.
    Resposta é esta.
    A resposta é esta, a matemática é esta, o primeiro rede de Portugal é aquele e a gramática é aquela, e, portanto, façam o favor de cumprir os objetivos.
    6:11
    Isso exato, sim, desde 3 bons exemplos.
    Por acaso e porque exatamente podemos?
    Isso aplica se a todo esse esse espectro?
    E no caso da matemática, até enfim, eu acho que até.
    De certa forma, até até uma disciplina que treina um tipo de criatividade, porque treina te a pensar e a resolver problemas.
    6:31
    Mas, por exemplo, na, no, no, no português ou na história, não é bem assim, não é?
    Tu aprendes que esta é a maneira correta de escrever ou esta é a maneira correta de seja de escrever a palavra, seja de de AA, gramática, Oo ou a sintaxe correta daquela frase, por exemplo.
    E na história é a mesma coisa, não é tu dizes, por exemplo, determinada, sei lá.
    6:50
    Imagina o 25 de abril aconteceu porque x ou as invasões francesas ocorreram porquê?
    ...
    53 min
  • Vai chover? Bruno Café
    Quiseram os deuses da chuva e do sol fazer coincidir com a publicação deste episódio a chegada de um comboio de tempestades ao nosso país.
    Já vos explico o que quer dizer a expressão “comboio" de tempestades embora a coisas seja mais ou menos intuitiva de entender.
    Quero deixar duas notas: a primeira é que quando ocorrem estes fenómenos típicos é mais difícil prever o tempo que vai fazer.
    A segunda é que esta conversa foi gravada há semana e meia e por isso é importante situar no tempo, o do relógio, quando foi criado este episódio.
    Em todo o caso a conversa é muito interessante e aprendi muito sobre a fascinante ciência meteorológica.
    E o que tem a vez com comunicação? Tudo. Dizer que vai chover, que vem ventania ou vai ficar um calor de. Rachar cria uma expectativa.
    E na nossa cabeça a previsão passa rapidamente a certeza absoluta e não a uma probabilidade mais ou menos certa.
    Em caso de dúvida vá à janela e observe com atenção. Isso ajuda.
    Se ainda tiver incertezas inultrapassáveis, leve o guarda-chuva. Se não chover batize o instrumento como guarda-sol.
    A meteorologia é uma ciência de precisão… mas também de incerteza.
    Ouvimos a previsão na rádio, vemos os mapas na televisão, conferimos a ‘app’ no telemóvel–e, no final, ou confiamos, ou desconfiamos.
    “Mas afinal vai chover ou não?” é talvez a pergunta mais repetida a um meteorologista, e esta semana traz-nos um cenário perfeito para explorar essa questão: um verdadeiro “comboio de tempestades” está já a chegar a Portugal.
    Se nos últimos dias tem sentido o tempo instável, prepare-se porque a tendência não vai mudar tão cedo.
    Um bloqueio anticiclónico sobre as ilhas britânicas está a funcionar como um muro invisível, empurrando depressões diretamente para a Península Ibérica.
    Os ingleses quiseram experimentar o clima algarvio e mandaram chuva cá para baixo.
    O resultado? Uma sequência de tempestades que nos vão atingir quase dia sim, dia não, com chuva intensa no sul já que começou nesta terça-feira e previsões de instabilidade pelo menos até ao fim de semana.
    E a questão que se coloca é: podemos confiar totalmente nas previsões?
    Se tudo depende de modelos matemáticos e observações, porque é que por vezes a chuva anunciada nunca chega ou, pelo contrário, uma tempestade inesperada varre tudo sem aviso?
    Para responder a isto, convidei Bruno Café, meteorologista do IPMA, um dos rostos da previsão do tempo em Portugal. Se já o viu na televisão ou ouviu na rádio, sabe que tem o dom de explicar a meteorologia claramente e sem rodeios. E nesta conversa, ele ajuda-nos a perceber como tudo funciona nos bastidores: como se fazem previsões, que instrumentos são usados, o que mudou na meteorologia nos últimos anos e por que motivo a incerteza nunca desaparece completamente.
    A pergunta chave é:
    Como se prevê o tempo?
    Sabia que diariamente são lançados balões meteorológicos que sobem na atmosfera para medir pressão, vento, temperatura e humidade? E que os radares meteorológicos conseguem detetar em tempo real a formação de tempestades? Mas mesmo com esta tecnologia, há fatores que tornam algumas previsões mais difíceis do que outras–como os famigerados aguaceiros isolados, que podem cair forte num local e deixar outro completamente seco a poucos quilómetros de distância.
    O que permite o desejo de poder ter afinal chuva no nabal e sol na eira.
    Bruno Café explicou-me como os meteorologistas trabalham com milhares de dados e recorrem a modelos matemáticos complexos, mas também precisam de experiência e análise humana para interpretar a informação. A meteorologia não é um jogo de certezas absolutas, mas sim de probabilidades bem calculadas.
    Então e os fenómenos atípicos.? O impacto das alterações climáticas.
    Afinal, temos mais fenómenos extremos ou apenas mais atenção sobre eles? Bruno Café explica como os dados mostram um aumento real de temperaturas e eventos severos, mas também como as redes sociais e a mediatização dos fenómenos fazem com que estejamos mais conscientes do que nunca.
    As tempestades datuaissão mais fortes do que as de há 30 anos?
    As cidades estão mais vulneráveis à chuva intensa? E o que acontece quando um ano inteiro de precipitação cai em apenas um dia, como já aconteceu em algumas regiões da Península Ibérica?
    Volta e meia recebemos alerta, nnos ‘media’ou no nosso telemóvel..
    São os chamados alertas ou avisos de tempo severo.
    Estes avisos meteorológicos: são úteis ou alarmistas?
    Quando o IPMA emite um aviso laranja ou vermelho, há sempre quem critique: “Disseram que vinha tempestade e afinal não aconteceu nada!”
    Mas, como Bruno explica, os avisos são feitos com base na probabilidade de risco, não numa certeza absoluta. E se a tempestade acabar por não ser tão grave num determinado local, é sinal de que as previsões falharam – ou de que simplesmente tivemos sorte?
    Falamos ainda da inteligência artificial na meteorologia, uma tecnologia que já começa a ser usada para prever padrões climáticos de forma ainda mais rápida e precisa. Será que um dia a IA poderá substituir os meteorologistas humanos? Ou continuará a ser necessário alguém para interpretar os dados e traduzir a incerteza da ciência para o público?
    E claro, não podíamos deixar de perguntar: será que os meteorologistas conseguem ir a um jantar sem que alguém lhes pergunte ‘Como vai estar o tempo amanhã?’
    Este episódio é essencial para quem quer entender como se faz a previsão do tempo e por que motivo a incerteza nunca desaparece totalmente.
    E com um cenário meteorológico tão instável como o desta semana, é quase como se tivéssemos marcado esta entrevista de propósito… mas juro que foi apenas coincidência!
    Nós os humanos queremos sempre a certeza e nem sempre há essa resposta.
    Em princípio no verão está melhor tempo, sem contar com as ondas de calor, e no inverno chove mais.
    No meu norte diz-se que o primeiro de agosto é o primeiro de inverno.
    O meu amigo Zé Terra , que é um optimista meteorológico anunciam-me sempre que “isto vai levantar” quando chove a cântaros e o céu está negro.
    E o Rui Teixeira, que é do Porto sempre enunciou, com graça, que o norte é tão acolhedor que até o inverno decidiu passar por lá as férias de verão.
    Na minha praia, a de Moledo, é certo e sabido que a nortada pode desgraçar qualquer dia de bangos. Mas que quando nem vento corre, é o melhor dia de praia do ano.
    O problema é saber qual é esse dia.
    Sim, os metrologistas que usam grandes números para prever o tempo escrevem com letras miudinhas que há uns sítios especiais onde há os chamados micro-climas.
    Em caso de profunda irritação ou neura com o mau tempo há sempre uma expressão que podem usar: “vai la fora ver se chove”
    Não é bonito mas ajuda a aliviar o espírito.
    Sejam optimistas, afinal já falta mês e pico para a primavera.
    Isto vai levantar.
    LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO
    00:00:00:00 - 00:00:23:14
    Viva, Bruno Café Meteorologista. Vemos te na televisão, ouvimos te na rádio a contar como é que vai estar o tempo. Essa devia ser a primeira pergunta. Se isto não fosse um ponto gasto, que é como quem no fim de semana vai chover e já te aborrece quando te fazem essas perguntas 500.000 vezes não me aborrecem.
    00:00:23:16 - 00:00:44:18
    Eu percebo por que é que as pessoas fazem pergunta Quer dizer, não, não é perfeitamente normal e tu levas o telemóvel na previsão do dia? Ou então dizes as pessoas vão lá mas é ver ao site. Exacto, é o que apetece dizer muitas vezes. Bom ver o site porque a informação está atualizada e normalmente não fazem perguntas. Está de folga e quer dizer mas, mas porque é que estão a aborrecer?
    00:00:44:18 - 00:01:10:10
    Quer dizer, mas então o que é que vai acontecer? E depois perguntam te quando a coisa não corre bem, isto é, quando tu que vai, que vai chover e afinal não chove, ou que vai estar sol e afinal chove de cobram te. Não por acaso as pessoas são muito simpáticas, As interações são sempre muito, muito cordiais, simpáticas. Pode ser de uma piada em relação a isso, mas não, não passa muito disso.
    00:01:10:15 - 00:01:38:22
    Até porque eu diria que essas falhas também são. São, são raras. Ao menos são. São menos usuais do que eram aqui. E a nossa expectativa, sempre quando ouvimos a previsão meteorológica, é e isso é que é considerar que aquilo não é uma probabilidade, mas que aquilo é, em princípio, uma certeza. Como é que? Como é que? Como é que o meteorologista olha para para essa ideia de incerteza?
    00:01:38:24 - 00:02:09:14
    Bem, uma previsão nunca é. Nunca tem uma resposta preta ao branco Sim ou não, Não raramente existe. Tem sempre alguma incerteza associada. Muitas vezes a incerteza é baixa. Temos de tempos, temos previsões que são muito mais fidedignas e muito mais mais fáceis de fazer. E tem outras vezes em que a incerteza é muito mais elevada. Normalmente, quanto mais próximo está do período de fazer a previsão, menor a incerteza é, por exemplo.
    00:02:09:16 - 00:02:33:03
    Mas podes ter situações em que situações de aguaceiros. Os aguaceiros são sempre um exemplo clássico, porque tens precipitação que pode ocorrer com intensidade moderada. Dez quilómetros daqui e aqui não caiu uma pinga, mas a previsão que tu tens que fazes para a Grande Lisboa é uma previsão da água saíres, mas depois se calhar uma pessoa vem ter contigo e diz então mas ia chover e a chover aguaceiros?
    00:02:33:08 - 00:02:54:15
    Não, não, não, não tem uma pinga na cabeça. Está cá sempre aquela expectativa que é uma estação sol na eira e chuva no nabal que quer ser para aquilo que acontece. Como é que o teu dia a dia tu estás a falar daqui de afinada previsão, com com absoluto rigor? O que é que tu tens? Que instrumentos é que tu tens?
    00:02:54:17 - 00:03:18:19
    Mas nós quando chegamos ao nosso local de trabalho,...
    46 min
  • A ciência conta boas histórias? Sara Sá
    A relação entre cientistas e jornalistas, entre investigadores e comunicadores é uma relação de amor-ódio.
    Os cientistas tentam sempre chegar à descoberta que sonham revolucionar o mundo. São escravos do método e adoradores do rigor absoluto.
    Nem que para isso tudo se diga com tal complexidade que só eles entendem.
    Os jornalistas, pelo seu lado, buscam a história que vai fazer a próxima manchete.
    E confrontados entre o rigor absoluto e a máxima comunicação, tendem as escolher a simplicidade radical.
    É bom de ver que apesar de precisarem uns dos outros para que a ciência e o conhecimento chegue mais longe, a relação tem alguma tensão.
    No meio desta batalha estão os comunicadores da ciência,
    Uma espécie de tradutores da complexidade dos cientistas e advogados. Da simplificação quase absurda da comunicação para o grande público.
    Uma edição para se falar de histórias e factos, mitos antigos e pós-verdades.
    E de desvendar finalmente porque são tão poderosas as histórias, mesmo aquelas que contrariam a mais elementar evidencia científica.
    Sara Sá é hoje comunicadora de ciência. Mas traz a bagagem de 20 anos de jornalismo. Além disso, começou por estudar engenharia espacial.
    Hoje, no Pergunta Simples, falamos de ciência, de jornalismo e de boas histórias. Ou melhor, falamos de como se conta uma boa história. E para isso, quem melhor do que Sara Sá?
    A Sara é jornalista, ou foi jornalista, é comunicadora de ciência e alguém que passou os últimos 20 anos a contar histórias sobre saúde, ciência e inovação. Agora, trabalha no INESC- ID, onde ajuda cientistas a comunicar melhor o que fazem. Mas a essência do seu trabalho continua a ser a mesma: procurar a lógica que faz uma boa história funcionar. Como rigor, e simplicidade. Mas sempre uma boa história.
    E isso leva-nos ao primeiro dilema da conversa: o jornalismo e a ciência são amigos ou inimigos? De um lado, os jornalistas que querem simplificar, traduzir conceitos complicados para toda a gente perceber. Do outro, os cientistas, rigorosos, meticulosos, nem sempre muito pacientes para explicar os detalhes. Durante muito tempo, estes dois mundos desconfiaram um do outro. Mas hoje, mais do que nunca, precisam de trabalhar juntos.
    O problema é que, no meio disto, há sempre um risco: até onde se pode simplificar sem deturpar? Como se pode contar uma boa história sem perder o rigor? A Sara diz que o truque está na coerência e na lógica. Se um argumento não faz sentido, se um mito não bate certo, o cérebro dela dispara um alerta. E esse radar já evitou muita asneira.
    Depois, claro, falamos de inteligência artificial. No INESC, a Sara acompanha projetos que aplicam IA à saúde, como o Halo — um sistema que ajuda pessoas com doenças graves que impedem a fala a voltarem a comunicar, recriando digitalmente a sua própria voz.
    A IA está a transformar tudo, mas será que sabemos mesmo o que estamos a fazer? A Sara diz que há dois tipos de pessoas neste debate: os otimistas, que veem a IA como uma ferramenta incrível, e os pessimistas, que acham que estamos a brincar com fogo. No INESC, onde se trabalha com os conceitos de base da IA há mais de 25 anos, a perspetiva é clara: é preciso separar o mito da realidade.
    E, já que falamos de mitos, entramos num dos temas mais divertidos da conversa. Será que só usamos 10% do nosso cérebro? Será que o frio causa constipações? E, já agora, será que fazer sexo queima tantas calorias como um treino no ginásio? (Alerta expectativas: não, exceto caso estejamos a fazer algo mesmo muito inovador. E atlético. )
    A verdade é que adoramos acreditar em histórias simples. E é por isso que os mitos sobrevivem. Porque encaixam bem, porque explicam o que não conseguimos entender e, muitas vezes, porque dão jeito a alguém. Como aqueles cursos que te prometem desbloquear os outros 90% do seu cérebro.
    A Sara escreveu um livro sobre isto — Cem Mitos, Sem Lógica — onde desmonta estas histórias com ciência e bom humor. Mas o problema das fake news e da desinformação vai muito além dos mitos do dia a dia. Com a IA generativa, os vídeos e áudios falsos tornam-se cada vez mais convincentes. Como nos protegemos disso? Como ensinamos os mais novos a distinguir o que é real do que é falso?
    No final, a conversa com a Sara Sá é sobre como percebemos o mundo à nossa volta — seja através do jornalismo, da ciência ou das histórias que escolhemos contar.
    As boas vitórias têm sempre que começar bem, forte, de forma direta ou enigmática.
    Podemos contar logo o fundamental na primeira linha ou deixar correr a narrativa oferecendo novos dados.
    Se começar bem é crítico para que nos ouçam, fechar bem é garantir que ficamos na memória dos outros. Pode ser uma frase que ressoa. Pode ser um riso franco.
    Nem precisa de ser explicado. É universal. Tal como as grandes histórias.
    LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO
    00:00:00:00 - 00:00:24:10
    A Sara Sá, jornalista, comunicadora de ciência, tem passado a tua vida nos últimos 20 anos, pelo menos na visão do jornalismo. E agora tratar de comunicação de saúde. E isto é mais ou menos uma uma conversa entre entre, entre juristas reformados nem reformados ainda não saudosistas de vista, saudosistas do jornalismo nacionais.
    00:00:24:12 - 00:00:47:20
    Tens saudades do jornalismo? Sim e não. Eu fui muito, muito feliz no jornalismo e não consigo imaginar outra profissão que me fizesse tão feliz e que me trouxesse tanto que me enriquecesse tanto. No entanto, penso que o meu trabalho, minha missão, está cumprida e sou feliz no que está a fazer e, portanto, saltamos a seguir para para fazer.
    00:00:47:22 - 00:01:15:20
    Agora, neste momento, estás numa instituição chamada INESC e vê o nome sexismo lá já lá vamos e escrever isso que é escrever te um curioso livro de que vamos falar que são sem mitos, sem lógica, como se a lógica contasse a lógica que conta para contar uma boa história. Para mim é essencial. Aliás, eu acho que não tenho um defeito, É quase uma compulsão.
    00:01:15:22 - 00:01:44:07
    Se uma história não tem lógica, eu fico completamente orientada. É uma coisa que me perturba mesmo e tenho dificuldade em lidar com a falta de lógica, com o défice de lógica. Isso é que se eu tenho coração cientista, para as pessoas que não sabem, é o meu cérebro cientista, eu diria tudo. Escolhi isto estudar engenharia aeronáutica, aeroespacial e oficial espacial da Primeira Turma da Aeroespacial.
    00:01:44:09 - 00:02:13:16
    O que que deu na cabeça e deu pouco na cabeça, porque foi e foi coração. Aí foi uma decisão muito mais emocional do que propriamente racional, porque eu gostava de espaço, de astronomia, de estrelas, dos programas do Carl Sagan e tinha muito boas notas, o que pode ser uma vantagem, mas no meu caso, acabou por ser um problema que eu podia escolher praticamente do que quisesse e isso foi difícil de gerir e acabei por entrar para este curso.
    00:02:13:16 - 00:02:35:15
    Ao escolher este curso, porque era novo, abriu naquele ano e porque havia essa magia do espaço para mim, da astronomia, de ver estrelas como o meu pai, de ver os eclipses quando era miúda no terraço de casa. Portanto, nada, nada do que estou a dizer é muito racional e completamente emocional. E o que é que se aprende num curso?
    00:02:35:17 - 00:02:59:02
    Olha se muito pouco de astros e essa foi a minha decepção. O curso é muito mais sobre mecânica e aerodinâmica e propulsão e termodinâmica e matemática e física e química do que propriamente astronomia. Aliás, não tem nada de astronomia. Aprende se o que aprende se como fazer aviões, Como é que os aviões voam, como é que se controlam aviões?
    00:02:59:04 - 00:03:22:08
    No fundo, é um curso muito parecido com engenharia mecânica, sendo que a mecânica está mais virada para os carros e outro tipo de máquinas é o era espacial, está virado para aviões e é aeronave. Outro tipo de aeronaves é foguetões e satélites e portanto podia estar agora neste momento a trabalhar para o senhor, mas quer construir para aí uns foguetões para o dia a dia E por acaso acho que não tenho nenhum colega ou colega no México, mas tenho colegas na Agência Espacial Europeia.
    00:03:22:08 - 00:03:48:03
    O número base e empresas do setor. E ainda me fascina aquela ideia de não ser só uma vez, de fazer o céu e as estrelas. Sim, já percebi que sim, mas se calhar não. Não. Mecânica da coisa não é Também se calhar já não de uma forma tão romântica. Hoje em dia vejo o espaço mais como um setor comercial de grande crescimento, de crescimento exponencial, económico e de atração de talentos.
    00:03:48:05 - 00:04:29:03
    Mas acho que perdeu um bocadinho daquela magia que eu acho que não só sentimos quando somos adolescentes e jovens inconscientes. Depois foste encontrar esse fascínio. Quando vens fazer jornalismo? Sim, o que conta no jornalismo que fizeste muitas vezes? Jornalismo de saúde. Fizeste muito jornalismo de ciência também a procura de como é que se conta uma boa história. Eu acho que a história no jornalismo, ou melhor, no jornalismo de ciência, de saúde, existe ou tem o poder de captar a atenção, porque tipicamente os temas de saúde e de ciência são complicados, como são os da economia ou até os da política, que uma história, uma boa história ajuda.
    00:04:29:08 - 00:04:49:15
    Ou pelo menos era assim que eu via, ou ainda hoje o vejo, ajuda a captar a atenção do leitor. Nós somos viciados em histórias, mas nós crescemos e a nossa evolução dependeu da nossa capacidade de contar histórias. E em pequeninos nós é assim que aprendemos a linguagem simples vinculamos. É assim que aprendemos na escola através da história. E eu penso que para os adultos se mantém.
    00:04:49:15 - 00:05:22:10
    Isso é uma boa história. Ajuda nos a fazer passar depois aqueles temas mais complicados ou aqueles conceitos mais complicados, de uma forma a prender o leitor....
    49 min
  • A inteligência artificial sabe responder a crises sanitárias? Miguel Ribeiro
    Quando há uma crise de saúde, terramoto, fogo ou inundação de escala cataclismica todos os países de mobilizam para responder.
    Seja uma pandemia de gripe, um sismo na Turquia ou uma guerra no centro de África. Ou em plena Europa.
    As primeiras equipas de socorro precisam de chegar e instalar.-se depressa.
    E esse movimento é um desafio gigantesco em contra relógio.
    Um desafio de logística e de comunicação.
    Qual é o melhor sítio para aterrar?
    Onde se colocam os hospitais de campanha?
    Como se distribuem as equipas de ajuda?
    É para resolver rapidamente estes problemas que uma equipa de portugueses criou uma ferramenta com o curioso nome de TERRATACTIX.
    Mas o que é, afinal, o Terratactix? Imagine um sistema que combina imagens de satélite em 3D, realidade aumentada e inteligência artificial para ajudar equipas médicas de emergência a planear operações em qualquer canto do mundo. É como se juntássemos tecnologia espacial, algoritmos avançados e um guia prático de organização — tudo ao serviço de salvar vidas.
    O Terratactix permite que estas equipas definam previamente onde colocar tendas de campanha, incineradores, veículos ou outros recursos, tudo com base em dados precisos. Mais do que isso, ele ajuda a prever situações críticas, como cheias, incêndios ou mesmo os efeitos de desastres naturais, permitindo que as decisões sejam tomadas com segurança e eficiência antes mesmo de se chegar ao terreno.
    Este é apenas um exemplo prático de como a inteligência artificial está a mudar a forma como enfrentamos problemas globais.
    Afinal, a inteligência artificial já não é apenas um conceito futurista ou algo que vemos nos filmes. Ela é usada para gerir crises de saúde, prever desastres naturais, otimizar a logística de operações em tempo real e até para simular o comportamento humano em situações críticas, como a evacuação de um estádio.
    Nos próximos minutos, vamos explorar este universo de possibilidades e desafios. Vamos falar sobre como a inteligência artificial funciona, o que está por trás de expressões como “algoritmos” e “nuvem”, e, porque é que estamos tão fascinados — e, ao mesmo tempo, um pouco assustados — com esta tecnologia.
    Vamos desmistificar o que parece complicado e mergulhar nas questões mais profundas:
    •Será que estamos no caminho para uma inteligência artificial verdadeiramente independente?
    •O que ainda falta para a Europa alcançar outros países no desenvolvimento destas tecnologias?
    •E mais importante: onde é que entra o papel do ser humano neste processo?
    Se é verdade que a inteligência artificial pode substituir tarefas repetitivas e resolver problemas complexos, também é verdade que nunca deixará de depender da criatividade humana, da visão do “sonhador”. Afinal, máquinas podem processar dados em velocidades impressionantes, mas são os humanos que conseguem imaginar o que não existe e transformar ideias em realidade.
    Falaremos ainda sobre como esta tecnologia pode ser democratizada. Hoje, com ferramentas como o ChatGPT e outros modelos de linguagem natural, qualquer pessoa consegue interagir com sistemas avançados de IA sem precisar de ser programador. Isso significa que a IA não é apenas para especialistas — ela está acessível a todos, desde que saibamos como usá-la conscientemente.
    E, claro, não podíamos deixar de discutir a questão da privacidade. Num mundo onde quase tudo está na nuvem — desde as nossas fotografias até dados de saúde, sensíveis por definição —, como protegemos as informações mais pessoais? Será que modelos locais, instalados nas próprias organizações, podem ser a solução para minimizar os riscos? Ao invés das grandes nuvens de servidores?
    Os servidores são na prática computadores gigantes que armazenam e distribuem informação.
    Hoje, no Pergunta Simples, vamos descomplicar o complexo, celebrar os avanços tecnológicos e refletir sobre o que ainda precisa de ser feito. O Terratactix, com o seu reconhecimento pela OMS, é apenas uma amostra de como a IA já salva vidas. Mas será que estamos prontos para este futuro tão avançado?
    LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO
    00:00:00:00 - 00:00:24:12
    Viva Miguel Ribeiro! Posso apresentá lo como especialista em modelos de inteligência artificial e quejandos. Outras tecnologias aplicadas a esta área da saúde, em particular, podem ajudar a criar operações de resposta emergências públicas. Dedica se a pensar o quê? Ou a pedir ajuda de dita inteligência artificial, seja lá o que isso for.
    00:00:24:14 - 00:00:50:04
    E também quer saber sobre isto? Certo. A inteligência artificial é o chavão que é usado hoje em dia, em qualquer organização ou em qualquer pessoa que fique com quem falar muito com que falemos hoje em dia. Vai falar Inteligência artificial é esse É um chavão. Mas, na verdade, a inteligência artificial não é mais do que uma série de algoritmos, ou seja, de programas informáticos que vão ocorrendo no computador.
    00:00:50:06 - 00:01:09:06
    A diferença é que eles não estão a ocorrer na nossa máquina localmente, estão a correr na cloud. E o que é que a cloud é? Um conjunto de máquinas ligadas entre elas, que compõem um datacenter e que têm recursos suficientes para correr. Estes algoritmo? E onde é que está esse cloud? Porque nós ouvimos falar recentemente da cloud, daquela que era em Sines, que iam lá construir lá uma cloud?
    00:01:09:08 - 00:01:38:05
    Onde é que está essa, essa cloud? Fisicamente. Fisicamente está em datacenters. Em princípio, estará nos datacenter da Microsoft, da Microsoft Azure. Pode estar na WS, pode estar na Google, pode estar em qualquer outra ou outra empresa que que faça disto um negócio. Portanto, são máquinas que estão ligadas num edifício e que estão depois ligadas com o cabo. O resto, aos outros computadores que podem estar em vários sítios do mundo, podem estar, aliás, estão em vários sítios do mundo por várias razões.
    00:01:38:05 - 00:02:00:00
    Uma delas é a latência, que é o tempo de resposta que nós pretendemos que a máquina que seja o mais curto possível. Entre a pergunta e a resposta, entre a pergunta e a resposta. E, portanto, se esse datacenter tiver mais próximo de nós, a resposta vai ser também mais rápida. E o que o que essas empresas fazem é ter um mesmos algoritmos espalhados em vários datacenters do mundo e nós escolhemos qual é o datacenter que queremos aceder.
    00:02:00:00 - 00:02:31:19
    E essa é uma razão de segurança e uma razão tecnológica que é. Também estamos a distribuir, ao fim e ao cabo, a informação por mais do que um lado. Por outro lado, temos a questão da privacidade dos dados, que no caso da Europa, os servidores têm que estar obrigatoriamente dentro do espaço europeu, não podem estar fora. Isso para garantir que os dados que os nossos dados dos nossos dados não são usados exatamente e também em termos técnicos, para ser mais rápido, a resposta é mais sim para ser mais eficiente, sendo que já estamos a ver que hoje falamos de computação quântica.
    00:02:31:21 - 00:02:51:04
    Já coisas muito, muito avançadas já não são. Lá está, os nossos chips em vez de de cobre de silício. Do que lá está, estamos a falar de outra coisa. Mas os países do mundo têm ofertas diferentes, umas mais avançadas, outras menos. E eu suspeito que a Europa está um bocadinho atrás naquilo que são o estado da arte. Então nós preservamos os nossos dados.
    00:02:51:04 - 00:03:13:06
    Por um lado, por uma questão de segurança, que me parece também em matérias, a saúde é um bom exemplo e, por outro lado, estamos um passo atrás na tecnologia ou não, ou é uma uma ilusão? De facto, a maior parte das empresas de tecnologia situam se nos Estados Unidos, mas já existem empresas como a Mistral. Em França, que produzem algoritmos de grande qualidade.
    00:03:13:08 - 00:03:46:04
    Também existem. Falo que nos EUA, nos Emirados Árabes Unidos, e há outras mais pequenas e menos conhecidas do público geral e que estão localizadas fora dos Estados Unidos. Mas a esmagadora maioria, como por ai, como, em que, como é qualquer uma destas grandes que normalmente as pessoas conhecem, estão nos Estados Unidos, quando quando nós falamos de algoritmos, parece uma coisa aqui complicada um bicho de sete cabeças, uma máquina pensando o que raio é um algoritmo, um algoritmo e apenas um programa informático?
    00:03:46:04 - 00:04:07:16
    Está a correr uma fórmula de matemática que está a ser aplicada para resolver um determinado problema. Portanto, pode ser tão simples quanto uma soma. Continuamos a somar dois mais dois. Estamos a usar o algoritmo da soma. E sim, isto é um algoritmo, mas um algoritmo para fazer, para para interpretar um documento, um PDF e extrair daí a informação que aí está continua a ser um algoritmo.
    00:04:07:16 - 00:04:24:15
    Simplesmente é um algoritmo mais complexo, mas não deixa de ser uma fórmula matemática que está a ser usada, que está a ser, que está a ser convertida para um programa, está a ser desenvolvida numa linguagem que, neste caso da inteligência artificial, é quase exclusivamente o Python. Poderá ser outras, mas normalmente é o pai e eu já estou perdido.
    00:04:24:16 - 00:04:47:07
    O que é que o Python? O Python é a linguagem de programação que é usada para implementar este tipo de algoritmo. É uma espécie do português, uma espécie do português das máquinas. Tem uma gramática, tem uma gramática, tem uma sintaxe? Sim, tem uma sintaxe, tem uma gramática e existem regras para desenvolver esta linguagem. E há mais linguagens que que podem ser usadas, mas é 90 e tal por cento dos casos.
    00:04:47:07 - 00:05:20:11
    O Python é a linguagem da inteligência artificial, é a linguagem que é usada para resolvermos implementarmos este tipo de soluções. Então é nós que eu não percebo nada, rigorosamente nada. A maioria dos nossos ouvintes provavelmente também não sabe o que raio é isto do Python. Como é que nós, pessoas normais,...
    38 min
  • Como se escreve um bom livro? Patrícia Reis
    O meu fascínio pelas boas histórias é lendário,E a minha curiosa de sobre a maneira como os escritores trabalham é sempre grande.Por isso vamos lá mergulhar de cabeça na arte de criar estórias, escritas no papel.Nessa fabulosa invenção chamada livro.
    Sempre quis saber como escrevem os autores os seus livros.De onde nascem as ideias, como se criam personagens e se escorem as histórias.Por isso convidei Patrícia Reis, jornalista e escritora, para nos levar numa viagem ao coração do seu universo criativo.Ela partilha como constrói as suas histórias, como lê os livros que a inspiram e aborda temas que vão além da literatura, tocando questões sociais e culturais atuais.
    Para Patrícia Reis, a escrita começa sempre com as personagens. Elas não surgem apenas como ideias abstratas, mas como figuras completas — com histórias, personalidades e uma necessidade urgente de serem contadas. É a partir delas que os seus livros ganham forma. Num processo quase intuitivo, ela rejeita esquemas rígidos de narrativa, preferindo deixar as histórias fluírem naturalmente, numa descoberta constante. Por vezes, as personagens assumem tal autonomia que alteram completamente o rumo que ela inicialmente imaginava.
    A leitura, por outro lado, é descrita como um refúgio, uma fonte de inspiração e, acima de tudo, uma experiência transformadora. Patrícia acredita que cada livro tem um momento certo na vida do leitor que a sua interpretação muda com a idade e a experiência. Alguns livros resgatam-nos em tempos difíceis, outros desafiam-nos a ver o mundo de uma nova perspetiva. E há ainda os que nos deixam órfãos ao terminarem, tamanha é a sua profundidade e impacto.
    Para além da escrita e da leitura, falámos de temas sociais e culturais que atravessam os dias de hoje.Patrícia Reis é uma voz ativa na defesa do papel da mulher no mundo.O feminismo, por exemplo, surge como uma luta por igualdade e justiça, longe de qualquer polarização. Ela reflete sobre como as mulheres em posições de poder enfrentam ataques específicos, como as críticas diretas e maldosas ao corpo das mulheres na espera pública, e sobre a persistência de desigualdades salariais e sociais.
    As redes sociais também entram na conversa como um espelho das dinâmicas sociais atuais. Patrícia questiona o impacto que a polarização e o discurso de ódio têm sobre o diálogo e a construção de pontes entre pessoas com opiniões diferentes. Para ela, a falta de espaço para conversas abertas e para a troca de ideias é um dos maiores desafios da era digital.
    Claro que falamos também de jornalismo,Sobre a importância do jornalismo. Patrícia Reis defende que uma democracia saudável depende de um jornalismo que aprofunde contextos, promova pensamento crítico e mantenha a sociedade informada. Aponta, no entanto, os desafios do setor, como a precariedade das redações e a superficialidade de muitos conteúdos na atualidade.
    Este episódio é uma oportunidade para explorar o poder transformador das palavras — escritas e lidas.
    A biografia dos escritores está sempre expressa nos livros que escrevem. Ao escolher os temas, ao imaginar uma história os autores escolhem as armas com que nos vão ora encantar, ora desassossegar.
    Na página do Pergunta Simples está lá a informação dos livros que Patrícia Reis escreveu até agora. Vale sempre a pena ler.
    Livros de Patrícia Reis
    A Desobediente (2024)
    Da Meia Noite às Seis (2021)
    As Crianças Invisíveis (2019)
    A Construção do Vazio (2017)
    Contracorpo (2013)
    Mistério no Benfica - O Roubo da Taça dos Campeões Europeus (2012)
    Assalto à Casa Fernando Pessoa (2012)
    Por Este Mundo Acima (2011)
    Mistério no Oceanário (2011)
    Mistério na Primeira República (2010)
    Um Mistério em Serralves (2010)
    Mistério no Museu da Presidência (2009)
    Antes de Ser Feliz (2009)
    O Que nos Separa dos Outros por Causa de um Copo de Whisky (2014)
    No Silêncio de Deus (2008)
    A fada Dorinda e a Bruxa do Mar (2008)
    Mistério no Museu de Arte Antiga (2008)
    Xavier, o livro esquecido e o dragão enfeitiçado (2007)
    Morder-te o coração (2007)
    Amor em Segunda Mão (2006)
    Beija-me (2006)
    Cruz das Almas (2004)
    Vasco Santana: o bem amado (1999)
    Paris 1889 (1994)
    Conhecer a Arte – Andy Warhol
    Conhecer a Arte – Mona Lisa
    O Mistério da Máscara Chinesa
    A Nossa Separação
    Carolina gogirls
    O Diário de Micas
    LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO
    00:00:00:00 - 00:00:36:04
    Estás confortável com o jornalista escritor? O perfeito escritor é absolutamente igual e igual. Absolutamente. Olha, tu está desligado. Está tranquilo assim. Provavelmente porque é só porque os momentos chatos dos telefones têm. Tem essa coisa tremenda de zurrar, quando não, quando não devem fazer aquela palminha para vos irritar, aquietar a malta, para irritar a malta, para evitar a malta do do som, que é o que acontece habitualmente aqui é que é que a malta viva.
    00:00:36:06 - 00:01:14:23
    Patrícia Reis, Jornalista, escritora. Hoje chega aí uma carga de trabalho. Antes de mais nada, isto é uma escritora. Boa pergunta. Não sei se tem dias, tem dias. Eu sinto me sempre uma aprendiz de feiticeiro. Na verdade, para ser sincera, é como eu gosto de muitas coisas. Eu gosto de fazer muitas coisas e gosto de coisas muito diferentes. Portanto, na verdade, eu não sou só jornalista escritora, porque eu faço edição, porque eu faço produção de exposições, que eu faço curadoria, porque eu faço, eu faço coisas, eu gosto, fazer coisas.
    00:01:14:23 - 00:01:34:22
    Pronto, vamos pôr assim. E não é uma coisa que seja predominante. Não estás no tribunal e dizes. Patrícia Reis declara se desde já como é que no tribunal pergunta nos Não é? Quem é que é? Qual é sua profissão? Eu tenho muita dificuldade em responder a isso, mas claro que sim. Eu digo sempre que sou jornalista. Tenho carteira profissional de jornalista, sou jornalista, uma maneira de olhar para o mundo.
    00:01:34:22 - 00:01:55:20
    E claro que também sou escritora e outra maneira de olhar para o mundo. Vamos falar do olhar para o mundo. Vamos falar também das tuas escritas, daquilo que tu, daquilo que tu escreves. Como é que se escreve um livro quando? Isso não é charme de escritor, Não é que está tão difícil expressar o seu charme. Isto é muito doloroso.
    00:01:55:22 - 00:02:10:23
    Há livros mais dolorosos do que do que outros. Eu acabei de escrever um romance que diverti me imenso, divertiu. Pela primeira vez posso dizer aquela coisa de diverti me a Ufa! Como é que se chama? Não sei.
    00:02:11:00 - 00:02:29:03
    Mas o título no fim e os títulos é sempre um drama para mim. Então mas porquê? Porque tens muitos. Porque é difícil, Porque é difícil encontrar um bandido. É muito difícil encontrar onde é o autor que tem que fazer o título. O editor pode dar a imagem, o editor pode dar uma ajuda, mas neste momento o livro está só comigo.
    00:02:29:03 - 00:02:49:05
    Portanto é só meu. Neste momento, conta me como é que é a mecânica. Tu tens as ideias sem das árvores ou das ideias nascendo. José Eduardo Agualusa diz que sonhou os livros, que é uma coisa que eu acho muito bonita. Sortudo? Sortudo mesmo. Sonha. Acorda de manhã. Onde é que estava o papel? Onde é que está a minha caneta?
    00:02:49:06 - 00:03:08:00
    Vamos lá. Imagino que não seja bem assim, mas acho bonito. Lá está o charme. Foi um livro bom, É um homem charmoso, é um facto, mas eu percebo que também assume uma dimensão quase transcendental na forma como os livros chegam. E é lendo os livros dele, eu até tendo a acreditar que ele de facto, de alguma maneira sonhou os livros.
    00:03:08:00 - 00:03:36:12
    Mas lá está, eu não sonho. Geralmente é uma personagem que me surge. Ele surge com corpo e roupa e tudo. Se for esta personagem, esta personagem tem uma história para contar e geralmente nunca saiu. O fim daquilo que estou a escrever é dificílimo para mim fazer aquelas estruturas à americana. Vamos fazer uma narrativa, estruturas, narrativa, introduções e agora o herói é o anti-herói.
    00:03:36:12 - 00:03:56:10
    E agora o conflito é agora. Essas coisas para mim são todas uma grande treta. Funcionaram, mas não dá jeito ter de ter mais cuidado. Mas a mim não me dá jeito nenhum buscar essas pessoas que certamente senão as pessoas não fariam. E tu tem um personagem e aparece ali uma pessoa e depois faço o que faço, depois sento me, escrevo, ponto, ponto, interrogação.
    00:03:56:11 - 00:04:15:05
    O personagem geralmente é porque tem uma história para contar. Os livros mandam muito em nós, mais do que nós mandamos nos livros e nas personagens. As personagens têm vida própria. Eu sei que isto pode parecer uma coisa um bocadinho estranha, mas é verdade que há ali um momento em que a personagem, a história, vai para onde quer, Não é para onde eu quero.
    00:04:15:07 - 00:04:41:11
    Experimento quando eu dou um exemplo, eu escrevi um livro há uns anos, de que gosto particularmente chamado No Silêncio de Deus. E há uma personagem que é o Manuel Guerra, que é um velhote escritor que traz ganho, traga. Ganhava um prémio muito, muito grande, um Nobel da vida e que tem um cancro e vai morrer. Mais tarde. Instala se no bairro das prostitutas e eu ia matá lo.
    00:04:41:16 - 00:05:03:15
    Eu tinha. Sabia exatamente o que queria, contar isso e ia matar aula. Ele ia morrer. Mas depois apaixonei me por ele. Acho que ainda hoje estou um bocadinho apaixonada por ele. E ele conseguiu matar. Subverteu de alguma forma e exigiu de mim outra coisa. E tu? Quando foi tão difícil matar um personagem? Então não é isso que os escritores fazem habitualmente?
    00:05:03:15 - 00:05:26:18
    Quer dizer, matar personagens que se alguns até aquilo que eu tenho a certeza de que cada vez que aparece nunca pintou um personagem, porque eu gosto mesmo, mesmo, mesmo muito, é para morrer de escritor. A escrita está a fazer isso deliberadamente....
    53 min
  • Como é ser o fotógrafo oficial do Primeiro-Ministro? Gonçalo Borges Dias
    Ser o fotógrafo oficial do Primeiro-Ministro é uma missão que mistura dedicação, intensidade e um profundo sentido de responsabilidade.
    Documentar o dia a dia de uma figura política tão relevante exige muito mais do que técnica; é necessário capturar a essência dos acontecimentos e transmitir, através das imagens, uma narrativa que comunique tanto com a população quanto com os públicos institucionais.
    O trabalho de Gonçalo Borges Dias envolve acompanhar viagens, eventos diplomáticos e toda a agenda oficial, sempre para criar registos que reflitam a energia, o carisma e a seriedade da função do chefe do governo.
    Cada fotografia precisa de contar uma história, respeitando as dinâmicas protocolares e, ao mesmo tempo, mantendo a espontaneidade. Só isso pode representar uma tensão no momento de fazer “aquela” fotografia que todos vemos nos canais de comunicação do governo.
    Tudo é importante. O gesto, o enquadramento, o ângulo, a luz.
    Tudo vale para contar a história.
    A experiência acumulada no fotojornalismo mostrou-se crucial para lidar com a pressão e a velocidade do trabalho.
    Ele traz para o seu dia a dia a capacidade de captar momentos que misturam a beleza da composição com o significado noticioso. No entanto, o ritmo intenso é comparado ao de uma equipa de alta competição, onde cada segundo é precioso.
    Uma parte essencial deste trabalho é a comunicação com o fotografado.
    Hoje Luís Montenegro. Como antes com mil pessoas noticiáveis.
    Ou de fazer retratos mais cuidados e sem a pressão diária da agenda mediática-
    A necessidade de criar um ambiente de conforto e confiança é constante, especialmente com uma figura que está sempre sob os holofotes. O objetivo é capturar o melhor lado da pessoa, não apenas em termos estéticos, mas também emocionais e humanos.
    Aprendi que a luz desempenha um papel central na fotografia. Cada tipo de iluminação é pensado para criar imagens que sejam coerentes com o momento e causadoras de impacto para quem as observa. Seja usando luz pontual para destacar o protagonista ou matricial para capturar o todo, a atenção aos detalhes é uma constante.
    Outro aspeto interessante do trabalho é a narrativa visual. A intenção é construir um registo documental que tenha princípio, meio e fim. Mesmo com as limitações impostas pelos protocolos, há uma busca por retratar não apenas o lado político, mas também o humano. As imagens visam mostrar o Primeiro-Ministro não apenas como uma figura de estado, mas também como pessoa.
    Este tipo de fotografia tem os seus desafios únicos, principalmente quando comparada ao fotojornalismo tradicional. O trabalho requer um olhar crítico constante para criar imagens que sirvam tanto ao registo histórico quanto à comunicação política. Há uma preocupação em equilibrar o lado estético com o significado político e institucional de cada imagem. Não é jornalismo, é comunicação institucional.
    O papel do fotógrafo oficial é também um trabalho de equipa. A sintonia com os assessores de comunicação, protocolo e outros profissionais é fundamental para garantir que cada momento seja capturado com qualidade e alinhado à narrativa pretendida.
    LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO
    Transcrição automatica
    00:00:00:00 - 00:00:44:20
    Ora, vivam. Bem vindos ao Pergunta simples o vosso caso sobre comunicação. Imaginem que vossa vida, nos próximos meses ou anos, será como sombra em todos os passos do Primeiro-Ministro. Neste caso, sombra e luz, principalmente luz. Apresento vos Gonçalo Borges Dias, fotógrafo profissional e agora fotógrafo oficial do Primeiro-Ministro Luís Montenegro. Vai a todo lado. Está sempre lá e oferece nos a história ao ritmo de um click da sua máquina fotográfica.
    00:00:44:22 - 00:00:57:06
    Em todo lugar, a todo o momento.
    00:00:57:08 - 00:01:23:02
    Ser o fotógrafo oficial do Primeiro-Ministro é uma missão que mistura dedicação, intensidade e um profundo sentido de responsabilidade. Documentar o dia a dia de uma figura política tão relevante como o Primeiro-Ministro exige muito mais do que técnica. É necessário capturar a essência dos acontecimentos e transmitir através das imagens uma narrativa, uma história que comunique tanto com a população em geral como com públicos mais institucionais.
    00:01:23:04 - 00:01:52:20
    O trabalho de Gonçalo Borges Dias envolve acompanhar viagens, eventos diplomáticos e toda a agenda oficial do Primeiro-Ministro, sempre com o objectivo de criar registos que reflitam a energia, o carisma e a seriedade da função do chefe de Governo. Cada fotografia precisa de contar uma história, respeitando as dinâmicas protocolares e, ao mesmo tempo, mantendo a espontaniedade. Só isso pode representar uma tensão no momento de fazer aquela fotografia que todos vemos nos canais de comunicação do governo.
    00:01:53:01 - 00:02:14:21
    Tudo é importante. O gesto, o enquadramento, o ângulo, a luz, tudo vale para contar uma boa história. A experiência acumulada do fotojornalismo mostrou se crucial para lidar com a pressão e com a velocidade do trabalho. Ele traz para o seu dia a dia a capacidade de captar momentos que misturam a beleza da composição com o significado noticioso narrativo.
    00:02:14:23 - 00:02:43:13
    No entanto, o ritmo intenso é comparado ao de uma equipa de alta competição, onde cada segundo é precioso. Uma parte essencial desse trabalho é a comunicação com o fotografado. Neste caso, Luís Montenegro. Como antes, 1000 pessoas noticiadas ou a fazer retratos mais cuidados e sem a pressão diária da agenda mediática. A necessidade de criar um ambiente de conforto e de confiança é constante, especialmente com uma figura que está sempre sob os holofotes.
    00:02:43:19 - 00:03:10:11
    O objetivo é capturar o melhor lado da pessoa, não apenas em termos estéticos, mas também emocionais e humanos. Aprendi nesta edição que a luz desempenha um papel central na fotografia. Cada tipo de iluminação é pensado para criar imagens que sejam coerentes com o momento e cria um impacto a quem as observa. Seja usando a luz pontual para destacar um protagonista ou matricial mais larga para capturar o todo.
    00:03:10:12 - 00:03:38:11
    Atenção aos detalhes. Tudo é uma constante no dia a dia de um fotógrafo profissional. Outro aspecto interessante do trabalho é a narrativa visual. A intenção é construir um registo documental fotográfico que tenha princípio, meio e fim. Mesmo com as limitações impostas pelo protocolo, há uma busca por retratar não apenas o lado político, mas também o lado humano. As imagens têm como objetivo mostrar o Primeiro-Ministro não apenas como figura de Estado, mas também como pessoa.
    00:03:38:13 - 00:04:07:11
    Este tipo de fotografia institucional tem desafios únicos, principalmente quando comparada com o fotojornalismo tradicional. O trabalho requer um olhar crítico constante para criar imagens que sirvam tanto o registo histórico quanto a comunicação política. Há uma preocupação em equilibrar o lado estético com o significado político em sinal de cada imagem e, portanto, não é jornalismo, é comunicação institucional e comunicação política.
    00:04:07:13 - 00:04:32:22
    Viva Gonçalo Borges Dias, fotojornalista. Atualmente, não consideraria que as fotos não fossem da profissão, mas a decoração continuava a ter aqui 100% nos anos 60 e 100 hard core. O que é que define um fotógrafo? Um fotojornalista de um photo retratista? O que é que O que? Onde é que? Onde está o tempero desta cozinha? O que é?
    00:04:32:24 - 00:05:01:14
    O que é que os distingue, não é? Ora bem, o fotojornalista trabalha ao segundo. Não é em cima do acontecimento. Na fotografia, é o de cariz noticioso. Não interromper o curso natural dos acontecimentos, Estar sempre em cima da acção é pensar sempre, na minha opinião, que é essa a beleza, arte e notícia. Juntar as duas coisas e fixar um momento da realidade e ser testemunha profissional sem interferir nela, sem fim.
    00:05:01:15 - 00:05:25:08
    No curso natural dos acontecimentos, sem ferir, mas conseguir aliar arte, compor, embelezar, não dar, como se diz na teoria da perceção da forma. Não dar tudo ao observador, Deixar de viajar um pouco, dar notícia, mas criar arte ao mesmo tempo. Compor, desenhar, criar texturas, gráficos de luz, conseguir criar arte ao mesmo tempo criando o ser no veículo mensageiro da notícia.
    00:05:25:10 - 00:05:54:15
    É aquela fotografia que nós vemos no jornal ou numa revista que não nos diz tudo, mas conta nos a história toda apenas naquele boneco. Eu seria mentiroso, dissesse que isso costuma acontecer porque é o nosso desejo. Essa é a nossa grande meta. É uma fotografia conseguir ter os cinco dedos de uma mão e termos muito o carro que eu quando ando, porque é forma e o quer dizer, é muito difícil, mas tentamos ao máximo rechear a fotografia com todas as perguntas e questões.
    00:05:54:16 - 00:06:22:15
    E é difícil. Porquê? Porque? Porque o que é que exige o como é que se consegue essa fotografia perfeita? A fotografia perfeita? Não, não é não. Não é a fotografia que não é, que nós achamos perfeita ou a nossa freguesia favorita. É sempre que fazemos jazz que não existe. Estamos sempre na demanda, na busca da fotografia perfeita. Mas a verdade é que o elemento de é difícil, eu acho difícil.
    00:06:22:17 - 00:06:45:10
    Eu acho que só quando eu perder o prazer verdadeiro de fotografar é que se calhar já tenho a minha fotografia eleita, porque até à data de hoje tenho fotografias que gosto muitíssimo e que me marcam de forma mais racional e mais emocional. Mas a fotografia com tudo, com todos os cantos, com todos os os, os requintes de malvadez e todas as perfeições, é difícil de escolher e de chegar lá.
    00:06:45:10 - 00:07:04:05
    Acho que é sempre o dia. Qual é a tua foto perfeita? Quais são as que mais gostas das que tu fizeste? Eu aí vou ter que fugir ao jornalismo e ir para a facção do falecido fotógrafo puro e dur
    47 min

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