Pergunta Simples

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Pergunta Simples episodes

  • Para onde está a ir o meu dinheiro? Pedro Brinca
    Nunca tiveram a sensação de que o dinheiro se está a esvaziar na nossa carteira?
    É a economia, estúpido, dizem-me vocês, cheios de razão.
    Se há realidade que se altera por decisão das pessoas, essa realidade é a economia. 
    Talvez isso explique porque é tão difícil fazer previsões económicas ou comunicar estas coisas do dinheiro. 
    Se anunciamos a crise, as pessoas acautelam-se e compram menos.
    Em princípio é inteligente. Cautelas e caldos de galinha não fazem mal a ninguém.
    O será que fazem? Se todos ficarmos com medo, gastamos menos, compramos menos, logo vende-se menos e com isso produz-se menos. Daí à queda dos impostos cobrados e ao desemprego é um saltinho.
    E basta um susto. E lá se vai a expectativa por aí abaixo.
    Ou então o contrário: uma súbita euforia, um par de informações que nem conhecemos bem, e desata tudo a comprar este mundo e o outro como se o planeta tivesse acelerado. 
    E o ciclo torna-se magicamente otimista.
    No fundo, isto da economia é uma espécie de montanha-russa: se acreditares vai, se não, agarra-te.
    Esta primeira edição de ano novo é sobre o dinheiro. O que temos, o que desapareceu, o que devemos e o que esperamos ter.
    Para onde está a ir o meu dinheiro?
    O custo de vida, a inflação, os salários e as escolhas económicas que definem o nosso futuro. 
    Decidi meter-me num molho de binóculos e tentar descomplicar assuntos que, à primeira vista, parecem técnicos, mas que estão presentes no nosso dia a dia.
    Mas não venho sozinho. Convidei Pedro Brinca, professor na Nova SBE e especialista em macroeconomia. A economia dos grandes. A que acaba por mandar nos nossos tostões.
    Por que razão os preços dispararam? 
    Pense no supermercado: o tomate que costumava custar um euro agora está o dobro, e a conta final já não parece a mesma. 
    Durante a pandemia, muitas cadeias de produção pararam, e isso gerou um efeito dominó. Produtos essenciais começaram a escassear, e mesmo após o regresso à normalidade, a energia mais cara e os custos de transporte mantiveram os preços altos. Essa realidade chegou também à produção agrícola: os fertilizantes, dependentes de energia, tornaram-se mais caros, e isso reflete-se em alimentos básicos que consumimos diariamente.
    Mas será que é só isso? Ou aproveitando a maré, alguém fez subir a conta mais do que o aumento do custo das coisas?
    Outro exemplo prático vem do crédito à habitação. 
    Se tem um empréstimo, já sentiu o peso das prestações a subir. Agora parece finalmente aliviar um bocadinho. Mas subiu muito nos últimos anos.
    Para muitas famílias, isso significa apertar o cinto, cortar viagens, refeições fora ou outras despesas que antes eram possíveis. É carestia da vida em todo o seu fulgor.
    Este fenómeno não é apenas uma coincidência. As taxas de juro são ajustadas pelos bancos centrais para reduzir a inflação, retirando dinheiro do consumo. 
    Mas será justo que tantas famílias suportem esse fardo?
    Há também uma reflexão sobre as características da economia portuguesa. Pense nos pequenos negócios, como salões de cabeleireiro ou cafés. Apesar de serem fundamentais para a comunidade, a dependência excessiva deste tipo de empresas dificulta o crescimento do país. Negócios pequenos têm menos capacidade de gerar empregos com bons salários ou de competir no mercado global. É por isso que as economias mais dinâmicas apostam em grandes empresas e em inovação, algo que Portugal continua a desenvolver.
    E o que dizer dos salários? Ai que dor.
    Muitas pessoas sentem que, mesmo ganhando mais, o dinheiro simplesmente desaparece. Isso é explicado pela “ilusão monetária”: se os preços sobem mais rápido que os salários, o poder de compra reduz-se. Parece que se está sempre a correr atrás do prejuízo, e isso é uma das maiores preocupações para quem tenta equilibrar o orçamento doméstico.
    Mas há pontos positivos. A sério.
     Por exemplo, em comparação com outros países, os salários reais em Portugal têm mostrado sinais de recuperação, e o poder de compra está a ser restabelecido em algumas áreas. 
    Portanto, toca a passar do pessimismo ao otimismo.
    Diz que pessoas felizes são boas para a economia. 
    Além disso, há cada vez mais discussões sobre como melhorar as políticas públicas, atrair investimento e criar condições para um futuro mais sustentável e competitivo.
    Porque a vida não é só economia, refletimos também sobre como o desporto e outras paixões podem equilibrar a racionalidade com a emoção. Porque, no fundo, comunicar bem é essencial, seja para entender os problemas, seja para inspirar soluções.
    Sabiam que Pedro Brinca é um fervoroso benfiquista? 
    Portanto, um importante pensador económico tem dentro de si um fervoroso e pouco racional adepto.
    Eu, que sou do FC Porto nem arrisquei contrariá-lo. Sabe deus o que poderia acontecer à dívida, inflação ou ao preço do dinheiro.
    LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO
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    Um dos desafios na Europa hoje tem uma marca de um construtor de telemóveis europeu. Mas eles entraram pela net e não gostaram de ouvir. Não querem? Pois eles não. A Europa não existe no mercado mundial de semicondutores e só de competitividade a Europa não existe. Esse é que é o ponto de vista industrial. Ficamos para trás, pois é do resto, na era das ideias, da inovação.
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    Pois não é, não é. Não é nada bom, não, eu não estou a ouvir, não está. Isto está no máximo e eu não estou a ouvir nem quer dizer, ok, era estupidez do animal, o que é normal já está, já está aqui. Eu não tinha o zingarelho aqui metido. Supostamente apanhei um perfil da minha voz, mas. Mas eu estou a gostar.
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    Não, não, não preciso. Não há nada. Queres ouvir o que queres ouvir? O convidado fala assim Um, dois, três, três, três, um, dois, três. Até podes afastar mais o microfone se quiseres, para além de só para dar mais confortável eu ficar aqui, os meus leitores do Draghi ficas falando quero falar do Draghi, quero o driver para lá que eu tenho.
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    Por isto aqui, no silêncio. E isto aqui no silêncio, no modo de dormir. Tens que fazer uma entrevista quando eu vou anunciar a minha candidatura à Assembleia Municipal de Santa Comba Dão por vais candidatar para jantar em Santa Comba Dão? Acho que sim, em princípio. E ao Benfica também. A sério? Ah pois é. É pá, isso é uma, isso é tudo isso, é tudo um epifenómeno, tudo um epifenómeno, para que eu não compreenda o que é o desporto, o futebol, o futuro, o futebol profissional.
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    Eu não entendo aqui o que é que não entendo, o que é que a malta foi com Ricardo Paes Mamede? O gajo está comigo. Ele veio pela primeira vez o Estado português. Nunca tive um estalo, só tive tipo um. Vi um jogo em Itália. Tem pela cara maionese. Assim que entra lá, gostaria de 20.000 pessoas que o acho que é maluco.
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    Não, mas. Mas eu gosto de ir, mas eu gosto de ir ao estádio. É para. Eu gosto do ambiente, está ali, o ambiente está de bom, mas tu não gostas. Epá, da polarização daquela merda é de e de imagético. Muito, muita. Eu percebo. Mas o que eu não percebo é. Como é que aquilo não é cuidado como um espetáculo no sentido de melhorar o espetáculo entre os teus pais, a tua voz, assim como não piorou, acho que ter alterou preset, piorou, pirou.
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    Fazer uma equalização então não manda não. Não gosto, não Tem tudo do sítio não. A minha voz estava francamente melhor. Agora está francamente melhor. Vamos fazer uma batota. Tu consegues gravar, equalizar na minha voz? Epá, tá ótimo. Esta equaliza a minha voz e põe sobre isso presente. Pode ser? Se puder ser livre. Assim os ouvintes connosco, O futuro Prémio Nobel da Economia, O homem que nos vai explicar como o vencer em três penadas e a inflação tá ótimo.
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    Epa, é um bocadinho não, Eu gosto é que consegue passar por cima dessa por por estes teus valores em cima, em cima do presente. Queres que eu fale mais bem? Pedro brinca. É economista e professor da nova Business School Economics, em Lisboa. Precisamos ter macroeconomia, política, monetária, fiscal e desigualdade económica em paz. Isto é, a tradução de inglês para português, de fiscal orçamental, orçamental, fiscal e orçamental.
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    Então eu vou pôr já aqui. Orçamental não quer dizer que também não seja a melhor estatização, mas está muito melhor. Olha essa coisa aí, esse computador é do teu lado esquerdo. Tenho uns vermelhinhos aí. Vermelho. De resto, tá assim com ar de. Deve estar reco reco reco reco e o botão de cima que diz aqui deve estar. Eu seguro para.
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    Orçamental Exactamente. Essa ciência ao contrário.
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    De agora, aqui e agora. Quer vocês, ouvintes de tudo isto por aqui e coiso. E põe isso quando quem quiser. Eu também vou por aqui. São. Um Mas adorei tanto as eleições, pá! Foi espetacular. Eu tinha pago para vir, por isso é que também não. Exato. Portanto tu ganhaste. Tiveste um valor acrescentado que nem sonhaste que existia e fiz a melhor previsão da noite.
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    Fiz a melhor previsão da noite porque ainda as pessoas não estavam a sair. Eu avisei. Olha que as sondagens estão a dar resultados muito competitivos, muito próximos. Uma eleição muito renhida. Mas os erros têm uma correlação especial, pois com toda a gente porque quer que eles façam. E eu também não sei porque é que há uma correlação espacial desde o mapa dos Estados Unidos e se as sondagens subestimarem Trump, não estava a probabilidade que no estado ao lado, que parece que está renhido a votação do Trump também ter sido subestimada é enorme.
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    Há um contágio. É o que a fotografia da realidade pode ser contagiada e conforme vão mudando,...
    56 min
  • Para que serve o Natal? Miguel Vasconcelos
    Há 2024 anos nasceu Jesus.
    Assim reza a história e tradição cristã.
    E hoje ainda vale celebrar o natal?
    Hoje, temos uma conversa que promete iluminar muitos aspetos da nossa existência e nos levar a refletir sobre questões essenciais da vida, da fé e do mundo em que vivemos. Da fé, mas não só.
    O convidado é o Padre Miguel Vasconcelos, capelão da Universidade Católica de Lisboa,
    Alguém que se sonhou engenheiro e acabou a ser ordenado sacerdote,
    O Padre Miguel consegue explicar coisas tão complexas e misteriosas como a fé em três frases.
    Nesta conversa, exploramos o significado do Natal, mas também muito mais do que isso. Falamos de como, em tempos de escuridão – sejam eles conflitos no mundo, crises pessoais ou simples dúvidas existenciais —, o Natal pode ser uma luz.
    Não uma solução mágica para os problemas, mas um convite a acreditar na possibilidade de recomeçar.
    Discutimos o simbolismo do presépio como uma mensagem de vulnerabilidade e esperança, que nos desafia a sermos mais humildes e disponíveis para o outro.
    Mas não paramos por aí.
    Entramos também numa questão central: Deus. A ideia de Deus.
    Deus existe?
    Quem é Deus?
    E como lidamos com a dúvida, o silêncio ou até mesmo a sensação de abandono em momentos difíceis?
    Miguel Vasconcelos reflete sobre a complexidade desta relação, reconhecendo que a experiência de Deus é tanto transcendente quanto profundamente íntima. É um diálogo constante entre o que é infinitamente grande e aquilo que é infinitamente pequeno em nós.
    Há também espaço para uma reflexão sobre o papel da religião no mundo contemporâneo.
    Falamos de como, muitas vezes, a fé é vista como algo distante ou solene, quando na realidade está profundamente ligada à celebração da vida e até ao riso e à festa. Questionamos se a religião é um caminho de respostas, ou antes, um espaço para levantar as grandes perguntas da existência. Para o Padre Miguel, a fé não elimina a dúvida; pelo contrário, vive ao lado dela como um motor de busca e de encontro com o eterno.
    E claro, sendo o Padre Miguel um orador experiente, quis ouvi-lo sobre a arte de comunicar em público. O que significa falar de Deus para uma audiência, ou mesmo escutar as dores e os dilemas de alguém no confessionário?
    Para ele, a chave está na honestidade – seja na palavra ou na escuta – e em nunca transformar a mensagem num espetáculo, mas antes num ato genuíno de serviço.
    Este é um episódio sobre humanidade, espiritualidade e a busca por sentido, que promete trazer não só respostas, mas também muitas perguntas para refletirmos juntos.
    Feliz natal para todos.Até para a semana.
    LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO
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    Viva Miguel Vasconcelos, padre de vocação, capelão da Universidade Católica de Lisboa. Estamos em tempos de Natal. Como é que ainda faz sentido celebrar o Natal? Como nós celebramos? Então, antes de mais, olá! Vão estar aqui sim, e acho que faz sentido. Será o Natal. E acho que nos tempos em que passamos, nos tempos que atravessamos, estava ainda seja mais evidente por que é importante celebrar agora o Natal.
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    O mundo parece escuro à nossa volta. A gente vê as guerras. Estamos críticos, por assim dizer, às vezes sem grande promessa de melhoria. Vemos as flores e sonhos políticas e por aí fora. Vemos, enfim, tantos problemas que tive aqui elencar os que os que estão na moda, por assim dizer. Mas também sabemos que há muitos problemas mais discretos que que foi que preocupam a vida das pessoas e que afrontam a vida de qualidade de muitas pessoas.
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    E acho que isso é um. Estes tempos são tempos em que a gente passa algum tempo a pensar o mundo parece escuro, mas também acho que é verdade que precisamente num contexto de alguma escuridão, a luz interessa nos. E eu penso que o Natal tem esse poder, tem essa capacidade de devolver alguma luz aos dias, os dias em que estamos, não que magicamente Deus vai resolver os problemas das pessoas, mas porque há uma alma expressa e sobretudo em quem tem fé.
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    Mas eu acho que extravasa uma questão de. Extravasa meramente as questões da fé e é uma possibilidade de acreditar que as coisas podem recomeçar e que sermos todos postos diante da cena do presépio, com o recém nascido indefeso que se põe à mercê do que lhe quiserem fazer, é um motivo de esperança, é uma ideia de humildade que ali está desenhada, de humildade e de indispensabilidade.
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    Estou no meio de agressividades que vemos à nossa volta. Está ali alguém indefeso. E eu penso que esse contraste, confrontarmos com esse contraste, como acaba por acontecer sempre no Natal, faz nos bem num mundo talvez difícil, agressivo, pesado. De repente, pormos os olhos numa criança recém nascida, indefesa, como dizia há pouco, à mercê do que lhe quiserem fazer oferecida, disponível.
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    Acho que esse contraste tem força. O que que o que que é esse presépio? O presépio nos pode ensinar sobre a liderança e sobre a empatia do mundo e da cidade moderna? Eu não sei dizer o que é que o presépio pode ensinar de liderança, porque acho que o presépio o ensine sozinho. Mas porque está Papa, Parece que estamos.
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    Estamos ao contrário, porque essa mensagem de vulnerabilidade, de humildade, de possibilidade, de optimismo, parece quase que o contraste parece agrilhoada com o mundo dos tanques, com o mundo do discurso agressivo, com o com o o mundo, com o mundo em que é o outro pelo próximo para para ganhar um melhor lugar. Eu lembro me esse propósito dos primeiros tempos do Papa Francisco, quando ele foi eleito Papa.
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    Aqueles primeiros meses, primeiros primeiros dias, primeiras semanas, primeiros meses. De alguma maneira isso foi continuando. Mas nós, naquele tempo tivemos um de repente, uma quantidade de sinais e de gestos, de simplicidade, de humildade também de uma pessoa sem medo de expor as suas próprias vulnerabilidades. E isso foi absolutamente atrativo e um modelo de liderança absolutamente extraordinário. E por isso acho que o presépio, acho que o Papa se inspirou no presépio, por assim dizer, no quis também este Papa.
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    Ele esteve cá agora nas Jornadas Mundiais da Juventude, esteve na organização também teve algum contacto mais próximo com o Papa aqui na jornada? Não. Especialmente. Quer dizer, tive um contacto muito evidente porque eu sou cristão de Universidade católica e o Papa visitou a Universidade Católica. Já fez uma carga de trabalhos, mas ainda não conhecia esse trabalho e por causa é sempre bom trabalhar.
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    Mas. Mas o Papa foi lá encontrar se com os universitários, não apenas com os da Universidade Católica, mas com todos. E é esse. É por isso de síntese, esse momento de alguma proximidade. Mas quer dizer não, não, não foi. Não conversei com o Papa, Não, não tive. Se não tivesse bastante. Isso aconteceu em 2017, que nos teve cá em Fátima, mas desta vez não.
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    Ainda assim, acho que a simplicidade que nós lhe reconhecemos eu lembro, evoco e acho que é bom. Trazemos à memória sobretudo aqueles primeiros meses do pontificado do Papa Francisco, porque foram cheios, preenchidos de sinais. E eu penso que o tipo de sinal que ele está é próprio do tempo do Natal, da simplicidade diante da complexidade e, curiosamente, uma simplicidade que não é superficial.
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    O Natal é uma coisa simples, mas profunda. Às vezes nós temos uma certa tendência em ser simples e superficiais ou profundos, mas não tenho complexos. O que é que é o Natal? É ali essas duas coisas. É que o Natal é, sem grandes dúvidas. Em primeiro lugar, o Natal é para de uma maneira mais evidente possível, um nascimento de Jesus Cristo.
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    E eu sou padre e acho que é a partir daqui que sou chamado a falar que a partir desta festa, desta consciência clara, que sou chamado a falar e isto tem impacto, é o rasto que aquela pessoa nascida há 2000 anos dá. 2024 anos deixou na história de impacto e por isso, hoje o Natal de alguma maneira capta também e agarra também o impacto que aquela pessoa teve a longo da história.
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    E eu penso que hoje ser cristão é, obviamente, reconhecer nesta pessoa de Jesus uma visita de Deus, uma visita do infinito e do Eterno, uma visita do que extravasa o nosso mundo meramente material. E, portanto, obviamente, o Natal passa por isso, por um encontro com o definitivo, com o Eterno, que é uma coisa que às vezes nos faz estremecer, mas que me parece que faz de nós mais pessoas e de alguma maneira, parece me que a experiência da simplicidade do Menino Jesus, que vai indefeso e é uma experiência que nos pode ajudar a refazer a confiança em Deus nos nossos tempos, não muito popular, pelo menos aqui nas nossas bandas, por assim dizer.
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    Mas, mas refazer a confiança em Deus é poder poder saber que se pode confiar no Eterno, que se pode confiar no definitivo. É porque o definitivo tem um rosto. Isso parece me significativo. Nós celebramos o Natal provavelmente em dois planos um muito interessante e recompensador, que é essa ideia da família ou da familia e de estar com pessoas de quem gostamos muito.
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    Mas, por outro lado, aliamos isto a um espírito de Natal, a um desenfreado consumir, de comprar todos os presentes do mundo, como se isso fosse absolutamente fundamental para aquele momento. Sim, o que é que se passa? Então eu reconheço que o consumismo é uma coisa excessiva, mas eu devo dizer que não embarco muito na onda de quem acha que presente é uma coisa que extravasa o espírito do Natal.
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    Porque não acho isso....
    58 min
  • Como reconstruir vidas de crianças marcadas por histórias difíceis? Rui Godinho
    Hoje, falamos de um tema urgente: a infância e como as experiências vividas nesta fase moldam o futuro. Tempo de necessidade máxima de amor e proteção.
    O que acontece quando a proteção falha?
    Como podemos ajudar crianças em risco?
    E o que podemos aprender sobre o papel das famílias, das escolas e da sociedade? Nesta conversa ouço Rui Godinho, psicólogo e diretor da Infância e Juventude da Santa Casa da Misericórdia, um especialista com décadas de experiência a salvar, literal e simbolicamente, crianças maltratadas.
    Por vezes acordamos, chocados, com as consequências diretas de uma infância infeliz.
    Uma adolescente de 16 anos matou a irmã e, no tribunal, disse: “Estar na cadeia é melhor do que estar em casa.” Este caso, que começou com maus-tratos familiares e culminou numa tragédia, expõe um padrão: a comunidade, muitas vezes, não vê os sinais ou não age a tempo.
    “Este não foi um crime isolado”, ouvi eu explicar Rui Godinho. “Ele é o resultado de anos de negligência e violência.” Professores relataram que a jovem era agredida pelo pai à porta da escola, e ainda assim, ninguém interveio.
    Este caso levanta questões difíceis: por que motivo instituições como escolas ou centros de saúde não identificaram o problema antes? Provavelmente os sistemas de proteção estão desatualizados e focados apenas nos sinais mais óbvios, como pobreza extrema ou agressões físicas visíveis, enquanto maus-tratos psicológicos, mais subtis, continuam a ser ignorados.
    Quando a negligência ou maltrato é detetada, estas crianças são retiradas do seu ambiente familiar. Idealmente para encontrar uma vida melhor.
    Muitas crianças em risco são acolhidas por famílias ou colocadas para adoção. Entretanto, ficam à guarda de instituições financiadas pelo estado. Mas tanto o acolhimento como a adoção requerem mais do que boa vontade. “Estas crianças vêm de histórias difíceis”, ouvi eu “Muitas vezes, testam os limites dos novos cuidadores porque nunca tiveram estabilidade.”
    Rui Godinho dá um exemplo simples: quando uma criança finalmente encontra um ambiente seguro, pode desafiar os pais adotivos como forma a verificar se os laços são reais. Esse comportamento não é de rejeição, mas sim uma tentativa de construir confiança. De validar. Uma espécie de “vamos lá ver se gostas mesmo de mim a sério”
    O psicólogo sublinha a importância de preparar as famílias para lidarem com estas situações. Além disso, destaca que, em Portugal, ainda há uma cultura muito centrada em instituições, quando o ideal seria que mais crianças pudessem ser acolhidas em famílias.
    A lei tem hoje várias possibilidades: da clássica adopção, às famílias de acolhimento e até ao apadrinhamento civil. E o número de crianças em instituições tem vindo a descer.
    Nesta conversa olhamos também para as infâncias felizes.
    E ao extremo oposto: os pais demasiado protectores.
    Fixem o conceito “hiperparentalidade negligente”.
    Este tipo de proteção excessiva reflete um medo exagerado dos riscos, que impede as crianças de aprenderem a lidar com desafios. Ele sugere que os pais deixem espaço para os filhos experimentarem e errarem, de forma segura. É nesse equilíbrio entre proteção e liberdade que as crianças desenvolvem competências para a vida adulta.
    A educação na Primeira Infância é crítica.
    As diferenças no início da vida podem determinar o sucesso ou o fracasso de uma criança. Aos 3 anos, uma criança de uma família com menos recursos pode conhecer 400 palavras, enquanto outra, de um contexto mais favorecido, pode chegar às 1200. Esta disparidade, explica, não é apenas numérica: é uma barreira que define o acesso ao conhecimento, à leitura e, mais tarde, ao emprego.
    A solução? Investir na educação desde cedo. Creches e pré-escolas de qualidade são fundamentais para reduzir estas desigualdades. Mais importante ainda, criar ambientes que estimulem as crianças a explorar, pensar e interagir com o mundo.
    Afinal comunicar. Saber ler e falar para o mundo.
    LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO
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    Ora, viva! Bem vindos ao Pergunta Simples o vosso Podcasts sobre Comunicação. Nesta edição retornamos à infância, aos tempos da meninice que sequer feliz, mimada e cheia de boas memórias. Mas nem sempre assim acontece. Hoje falamos de um tema urgente a infância. Como as experiências vividas nesta fase da nossa vida moldam o nosso futuro. Tempo de necessidade máxima de amor e protecção.
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    E o que acontece quando essa protecção falha? Como podemos ajudar as crianças em risco? E o que podemos aprender sobre o papel das famílias, das escolas e da sociedade? Nesta conversa ouço Rui Godinho, psicólogo e diretor de Infância e Juventude da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, um especialista com décadas de experiência a salvar, literal e simbolicamente crianças que foram maltratadas pelo mundo.
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    De vez em quando acordamos chocados com as consequências directas de uma infância infeliz. Dou um exemplo. Uma adolescente de 16 anos matou a irmã e, no tribunal assumiu que estar na cadeia era melhor do que estar em casa. Neste caso, tudo começou com maus tratos familiares e culminou numa tragédia, expondo um padrão da comunidade. Muitas vezes não vê os sinais e não age a tempo e horas.
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    Este não foi um crime isolado. Ouvia o explicar Rui Godinho. Ele é o resultado de anos de negligência e de violência. Professores relataram que esta jovem era agredida pelo pai à porta da escola e ainda assim, ninguém interveio. Esse caso levanta questões difíceis Por que motivo instituições como as escolas ou centros de saúde não identificaram o problema a tempo?
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    Provavelmente os sistemas de protecção estão desatualizados e mais focados nos sinais mais óbvios, como a pobreza extrema ou as agressões físicas, enquanto que os maus tratos psicológicos mais subtis continuam a ser ignorados quando a negligência, o maltrato e até destas crianças são retiradas do seu ambiente familiar, idealmente para encontrar uma vida melhor. Muitas das crianças em risco são acolhidas por famílias ou colocadas no sistema para a adopção.
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    Entretanto, ficam à guarda de instituições financiadas pelo Estado. Mas tanto o acolhimento como a adoção requerem muito mais do que boa vontade. Estas crianças têm histórias difíceis, ouvi eu muitas vezes. Testam os limites dos novos cuidadores, porque nunca tiveram estabilidade. Rui Godinho dá um exemplo simples quando uma criança finalmente encontra um ambiente seguro, pode desafiar os pais adoptivos como forma de verificar se os laços são reais.
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    Se é mesmo a sério esse comportamento não é um comportamento de rejeição, mas sim uma tentativa de construir confiança, de validar numa espécie de vamos lá ver se gostas mesmo de mim. A sério. O psicólogo sublinha a importância de preparar as famílias para lidarem com estas situações. Além disso, destaca que em Portugal ainda há uma cultura muito centrada em instituições, quando o ideal seria que as crianças pudessem ser acolhidas em famílias.
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    A lei tem hoje várias possibilidades da clássica adopção as famílias de acolhimento e até ao apadrinhamento civil e o número de crianças em instituições tem vindo a descer. Nesta conversa olhamos também para as infâncias felizes, claro, e até ao extremo oposto os pais que cuidam demais, que são demasiado protetores, que sem o conceito hiper parentalidade negligente. Parece um contrassenso, mas importa perceber de que é que estamos a falar.
    00:04:03:24 - 00:04:27:15
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    Este tipo de proteção excessiva reflete um medo exagerado dos riscos que impede as crianças de aprenderem a lidar com os desafios. Ele sugere que os pais deixem espaço para os filhos experimentarem e errarem de forma segura, claro. É neste equilíbrio entre protecção e liberdade que as crianças desenvolvem competências para a vida adulta. A educação na primeira infância é crítica.
    00:04:27:15 - 00:04:57:03
    .
    Já sabemos. As diferenças no início da vida podem determinar o sucesso ou o fracasso de uma criança. Aos três anos, uma criança de uma família com menos recursos pode conhecer cerca de 400 palavras, enquanto que outra, num contexto mais favorecido, pode chegar às 1200 e o triplo. Esta disparidade, explica, não é apenas numérica. É uma barreira que pode definir o acesso ao conhecimento, à leitura e, mais tarde, ao emprego.
    00:04:57:05 - 00:05:21:02
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    A solução? Investir na educação desde cedo. Creches e pré escolas de qualidade são fundamentais para reduzir estas desigualdades. Mais importante ainda, criar ambientes que estimulem as crianças a explorar, a pensar e interagir com o mundo. Afinal, comunicar, saber ler e saber falar para o mundo.
    00:05:21:04 - 00:05:47:04
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    Play Godinho licenciado em Psicologia desde 2016, que é diretor de Infância e Juventude e Família da Santa Casa da Misericórdia. Mas posso apresentá lo como um expert nestas coisas da infância e da juventude. Pode ser. Obrigado por ter aceitado o convite. Muito obrigado e esperto, eu diria, Mas diria um entusiasta e relativista também. E também não é porque vem falando muito sobre isso.
    00:05:47:04 - 00:06:35:02
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    Quando estava a preparar aqui esta esta nossa conversa. Saltou me uma uma notícia que que me. Que me afligiu. Acho que a palavra é essa. É uma. Uma história de um tribunal. Culminou num tribunal em setembro deste ano, mas tudo aconteceu em agosto de 2023. A notícia é um relato dos repórteres que estão no Tribunal de Leiria no julgamento de uma adolescente que confessa ter matado a irmã mais velha em agosto de 2023 e o que me tocou neste relato foi a maneira como esta adolescente assumiu o crime no tribunal.
    00:06:35:04 - 00:07:04:21
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    E ela disse Eu passo a citar Estar na cadeia é melhor do que e
    56 min
  • Cancro: Quão importante é a palavra esperança? Susana Almeida
    Oficialmente é médica psiquiatra
    Na prática, é uma ouvidora profissional ajudando pessoas a quem foi diagnosticado cancro. Ouve doentes, famílias e profissionais que tratam esta doença no IPO do Porto.
    Susana Almeida dirige o serviço de psiquiatria deste hospital.
    Mas de facto é uma especialista em transformar dor em narrativa, sofrimento em resiliência e perda em oportunidade de crescimento.
    No seu dia-a-dia aprendeu que a “A nossa cara diz muito sobre nós”, explicando que o trabalho de um psiquiatra começa antes mesmo de o doente nem sequer abrir a boca.
    É no detalhe que Susana encontra o primeiro capítulo de cada história. O olhar desviado, a hesitação ao caminhar, a escolha das palavras — tudo é revelador.
    Voltamos à observação da linguagem não verbal. Onde o gesto fala. E diz coisas que aa pessoas não conseguem colocar em palavras.
    É como se a palavra angústia estivesse em cada trejeito, tremura ou olhar vago.
    Claro, há o gesto e a palavra. Mas comunicar é também não comunicar.
    Explico-me: o não dito é uma forma de dizer.
    O desafio de Susana Almeida não é apenas escutar o que é dito, mas decifrar o que fica por dizer. A sua experiência diz-lhe que o confronto com uma doença grave é, muitas vezes, um momento de balanço.
    O momento da nostalgia do que poderíamos ter sido. O confronto com as escolhas da vida. Porque escolhi ser isto e não aquilo. Porque decidi estar com esta pessoa e não outra. Ou nenhuma.
    Perguntas sem resposta apaziguadora. E sem tempo para reviver.
    Depois há o confronto com o corpo. Com a possível ou real mutilação.
    Com o impacto no lar.
    Ouvi a história de uma mulher que recusava a ideia de ter de tirar uma mama porque os seios eram parte fundamental e inegociável da sua identidade pessoal.
    Mas este episódio não é só dor.
    É uma conversa carregada de energia e esperança.
    De pacificação, crescimento e possibilidade.
    Bem-vindos à discussão milenar da condição humana.
    Vale ouvir. Vale partilhar.
    A luta contra as grandes adversidades recolhe forças nos dias bons.
    Nos dias que passaram, nos dias que hão de vir.
    A alegria de um momento robusto de afetos funciona sempre como uma bateria. E as esperança do melhor como dínamo de energia.
    Vale sempre ouvir. Vale falar. Vale ser humano. Na mais universal das definições.
    RESUMO
    No Instituto Português Oncologia do Porto, num gabinete repleto de histórias não contadas, a psiquiatra Susana Almeida enfrenta diariamente as fragilidades da condição humana. Diretora do serviço de Psiquiatria, Susana Almeida é especialista em transformar dor em narrativa, sofrimento em resiliência e perda em oportunidade de crescimento. “A nossa cara diz muito sobre nós”, começa por explicar, sublinhando que o trabalho de um psiquiatra começa antes mesmo de o doente abrir a boca.
    É no detalhe que Susana encontra o primeiro capítulo de cada história. O olhar desviado, a hesitação ao caminhar, a escolha das palavras — tudo é revelador. “A observação do não verbal é essencial. Como alguém chega à consulta pode dizer mais do que qualquer exame.” No IPO, onde os doentes frequentemente enfrentam diagnósticos de cancro, estes sinais tornam-se ainda mais importantes. “Muitas vezes, as pessoas não conseguem verbalizar a angústia, mas ela está lá, evidente nos gestos e na postura.”
    O desafio de Susana não é apenas escutar o que é dito, mas decifrar o que fica por dizer. A sua experiência diz-lhe que o confronto com uma doença grave é, muitas vezes, um momento de balanço. “Há quem se foque no presente, mas muitos são assombrados pela nostalgia do que poderia ter sido. Escolhas que não fizeram, caminhos que não tomaram, relações que não cultivaram. É como se o tempo parasse num passado idealizado, mas a verdade é que o que não foi vivido não é garantia de nada melhor.”
    Entre os relatos que marcaram o seu percurso, Susana recorda uma paciente que recusava a ideia de uma mastectomia. “Ela dizia: ‘As minhas mamas são parte crítica da minha identidade.’ Cada pessoa atribui valor ao corpo de forma única, e o papel do médico é ajudá-la a reconstruir essa relação consigo mesma.” Este apoio vai além da saúde física — trata-se de restaurar um sentido de identidade e dignidade.
    Mas e quando a saúde mental de um doente colide com a dinâmica do lar? Susana explica que as relações, tal como os corpos, sofrem transformações sob o peso da doença. “Se o casal já tem uma boa comunicação, é mais fácil enfrentar os desafios juntos. Mas, se há lacunas ou tensões, estas tornam-se evidentes.” Em muitos casos, Susana convida os parceiros para as consultas, criando um espaço seguro para as dificuldades poderem ser discutidas. “A ideia é encontrar novas formas de conexão e intimidade. Muitas vezes, é um momento de reconstrução para ambos.”
    Há um fio condutor que atravessa o trabalho da psiquiatra: a esperança. “A esperança é uma força motriz épica. Nunca devemos castrá-la”, afirma com a convicção de quem já viu o pior e o melhor da natureza humana. Mesmo em cenários de prognósticos difíceis, a escolha das palavras faz toda a diferença. “Não se trata de pintar um cenário irreal, mas de mostrar que, mesmo num contexto difícil, há caminhos a explorar. As palavras têm peso, e o tom certo pode ser decisivo.”
    No entanto, este equilíbrio entre realismo e esperança exige muito dos profissionais de saúde. “Os médicos mais motivados são, muitas vezes, os mais vulneráveis ao ‘burnout’. Têm uma enorme disponibilidade emocional e acabam por negligenciar o auto cuidado.” No IPO, há mecanismos de suporte para a equipa de psiquiatria, incluindo supervisões regulares. “Precisamos de espaços para refletir, validar o que fazemos e apoiar-nos mutuamente.”
    Quando lhe pergunto como encontra forças para lidar com tanto sofrimento, Susana sorri. “O que me move são as pequenas vitórias. Ver que um doente conseguiu voltar a jantar com a família ou que encontrou paz num momento de caos é o que me valida.”
    TÓPICOS & CAPÍTULOS
    [00:00] Introdução ao Tema da Comunicação em Momentos de DorO episódio aborda a importância da comunicação em momentos de dor extrema e vulnerabilidade, especialmente em situações de diagnóstico de doenças graves, como o câncer.
    [00:12] Apresentação de Susana AlmeidaSusana Almeida, médica psiquiatra e ouvidora profissional, fala sobre a sua experiência em ajudar doentes diagnosticados com cancro e as suas famílias.
    [00:46] A Linguagem Não Verbal na PsiquiatriaA importância da observação da linguagem não verbal e como os psiquiatras interpretam sinais antes mesmo do doente falar.
    [01:46] O Confronto com a Doença e a IdentidadeDiscussão sobre como a doença pode levar a reflexões sobre escolhas de vida e a identidade pessoal, incluindo a resistência e superação.
    [03:01] A Comunicação em Casais Durante a DoençaComo a comunicação entre casais pode ser afetada por diagnósticos de doenças graves e a importância de abrir diálogos sobre intimidade.
    [04:50] A Importância da Observação no Atendimento PsiquiátricoA prática de observar o comportamento e a aparência dos doentes como uma ferramenta diagnóstica.
    [06:34] A Coerência entre Verbal e Não VerbalA busca por coerência entre o que é dito e o que é comunicado através da linguagem não verbal.
    [09:04] O Papel do Psiquiatra no Acompanhamento de doentes com CâncerComo os psiquiatras auxiliam os doentes a lidar com o medo e a imprevisibilidade da doença.
    [10:24] Nostalgia e Reflexão sobre Escolhas de VidaA ideia de nostalgia em relação ao que poderia ter sido, especialmente em momentos de crise.
    [12:44] A Comunicação sobre Mutilações e IdentidadeDiscussão sobre como as mutilações afetam a identidade e a sexualidade, e como isso é abordado em casa.
    [14:12] Abertura de Diálogo em CasaisA importância de ter um histórico de boa comunicação para lidar com questões difíceis.
    [16:09] Consultas com ParceirosA prática de incluir parceiros nas consultas para facilitar a comunicação e o apoio mútuo.
    [19:57] A Superação de Mutilações e a RelaçãoComo casais podem encontrar novas formas de intimidade após uma mutilação.
    [22:31] O Impacto da Doença nas RelaçõesReflexão sobre como a doença pode revelar fragilidades nas relações e levar a separações.
    [25:57] Crescimento Pessoal Após a DoençaA ideia de crescimento pós-traumático e como as pessoas se reavaliam após experiências difíceis.
    [27:51] A Conversa sobre a MorteA dificuldade de abordar a morte e como isso varia entre culturas.
    [30:06] A Importância da Comunicação ClaraA necessidade de uma comunicação clara e sensível sobre a morte e o tratamento.
    [32:35] O Cuidado Pessoal dos Profissionais de SaúdeA importância do auto cuidado para os profissionais de saúde e como eles lidam com a carga emocional do trabalho.
    [35:25] O Luto dos Profissionais de SaúdeA necessidade de processar a perda de doentes e o suporte entre colegas.
    [39:39] A Responsabilidade dos Profissionais de SaúdeA importância de cuidar de si para poder cuidar dos outros.
    [43:06] A Esperança como Força MotrizA esperança como um elemento essencial na vida dos doentes e como isso é percebido pelos profissionais.
    [47:56] A Comunicação de Más NotíciasA formação e a importância de comunicar más notícias de forma sensível e clara.
    [51:33] Conclusão sobre a Prática PsiquiátricaReflexão sobre a satisfação que vem de auxiliar os doentes e a importância de ouvir e entender as suas experiências.
    LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO
    Transcrito Automaticamente Com Podsqueeze
    JORGE CORREIA 00:00:12 Ora vivam! Bem vindos ao Pergunta Simples o vosso Podcasts sobre Comunicação. Não encontro momento mais importante para comunicar do que aquele instante em que sentimos uma dor extrema ou uma vulnerabilidade infinita. Porque é necessário, porque é relevante e porque ajuda muito....
    54 min
  • Quem conta as histórias do bairro? António Brito Guterres
    A maneira como narramos as histórias conta.
    Como contamos o que vemos. Como ignoramos o que não queremos ver.
    Neste episódio vamos ao bairro. Ao bairro que insistimos em não ver.
    O bairro são muitos bairros.
    Mas todos, sem exceção, são chamados periféricos ou de intervenção social.
    Um lugar onde tudo é difícil.
    Da vida até às histórias que se contam dele.
    O bairro veio ao Pergunta Simples.
    E simples é tudo o que o bairro não é.
    António Brito Guterres é um alquimista dos estudos urbanos.
    Da formação em assistência social ao trabalho diário nos bairros onde é mais difícil viver.
    Ele assume-se como um narrador das vidas que por lá se vivem. Ou sobrevivem.
    No seu trabalho, ele escuta as comunidades, observa os seus gestos, compreende as suas dores e, mediante narrativas genuínas, auxilia-as a ressignificar as suas realidades. É alguém que acredita que toda a história merece ser contada — principalmente aquelas que ainda não saltaram os “muros” das periferias e que, por isso, permanecem invisíveis para grande parte da sociedade.
    Como urbanista e investigador, António tem estado na linha da frente da reflexão sobre como as cidades são desenhadas, quem nelas vive e como podemos construir espaços mais justos e inclusivos. Ele trabalha nos “pontos de dor”, como ele próprio descreve, onde as contradições do nosso sistema ficam expostas: bairros marginalizados, escolas com altas taxas de retenção, espaços urbanos negligenciados e vidas empurradas para o silêncio.
    Durante a conversa, exploramos como as desigualdades estruturais perpetuadas pelo urbanismo, pelas políticas públicas e pela comunicação.
    Falámos muito sobre Importância das Narrativas:
    Como as histórias das periferias são frequentemente limitadas a narrativas de crime ou tragédia nos ‘media’ tradicionais, ou nas redes sociais.
    As mesmas redes socais que abrem caminhos para exemplos de resistência narrativa, como movimentos culturais que emergem desses bairros, desafiando preconceitos e estigmas.
    Músicos que nem sabíamos existirem até terem milhões de ouvintes, poetas escondidos que fazem as letras para a cantiga de protesto, artistas plásticos que mais depressa ganham um prémio internacional do que aparecem na televisão portuguesa.
    Quão surdos estamos para não querer ouvir estas vozes?
    Quão alto é o muro criado pelo urbanismo do betão feio?
    Do Urbanismo como ferramenta de exclusão ou emancipação:
    Falámos da forma como a arquitetura pode ser usada para segregar comunidades e criar “gaiolas” em vez de trampolins sociais.
    Da forma como a educação pode ajudar ou deixar que se repita o ciclo da Pobreza:
    Mas não desistimos por aqui. Porque navegamos na cultura como Forma de resistência:
    A ascensão de artistas periféricos, como rappers e criadores culturais, que usam a arte para reescrever as narrativas dos seus territórios.
    Proponho que viajemos aos bairros. Ouvir. Simplesmente, ouvir.
    Há uma história que precisa de ser recontada.
    LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO
    00:00:12:24 - 00:00:44:07
    JORGE CORREIA
    Uma dádiva. Um Bem vindos ao. Pergunta simples O vosso pecado sobre a comunicação. A maneira como narramos as histórias conta como contamos o que vemos, como ignoramos o que não queremos ver. Neste episódio vamos ao bairro, ao bairro que insistimos em não ver o bairro. São muitos bairros, mas todos, sem exceção, são chamados de periféricos ou de intervenção social, num lugar onde tudo é mais difícil da vida e das histórias que se contam dele.
    00:00:44:13 - 00:01:01:00
    JORGE CORREIA
    Do bairro veio a pergunta simples e simples é tudo aquilo que o bairro não é?
    00:01:01:02 - 00:01:30:16
    JORGE CORREIA
    António Guterres é um alquimista dos estudos urbanos, da formação em essência social, ao trabalho diário nos bairros onde é mais difícil viver e assume se como um narrador das vidas que por lá se vivem ou sobrevivem. No seu trabalho, ele escuta as comunidades, observa os seus gestos, compreende as suas dores e, através de narrativas narrativas genuínas, ajuda a ressignificar, a criar novos significados para as suas realidades.
    00:01:30:18 - 00:01:56:04
    JORGE CORREIA
    É alguém que acredita que toda a história merece ser contada, principalmente aquelas histórias que ainda não saltaram os muros das periferias e que, por isso, permanecem invisíveis para grande parte da sociedade. Como urbanista e investigador, António tem estado na linha da frente da reflexão sobre como é que as cidades são desenhadas, quem nelas vive, como podemos construir espaços mais justos e inclusivos?
    00:01:56:06 - 00:02:27:00
    JORGE CORREIA
    Ele trabalha nos chamados pontos de dor, como ele próprio o descreve, onde as contradições do nosso sistema ficam expostas. Bairros marginalizados, escolas com altas taxas de retenção com alunos chumbar logo nos primeiros anos, espaços urbanos negligenciados e vidas empurradas para o silêncio. Durante esta conversa, exploramos como as desigualdades estruturais que são perpetuadas com a ajuda do urbanismo, pelas políticas públicas e pela comunicação pela tal narrativa.
    00:02:27:02 - 00:02:53:09
    JORGE CORREIA
    Falamos, de resto, muito sobre a importância das narrativas, não fosse este um caso sobre comunicação, como as histórias das periferias são frequentemente limitadas a narrativas de crime ou tragédia nos media tradicionais ou nas redes sociais, as mesmas redes sociais onde se abrem caminhos de esperança para exemplos de resistência narrativa, como movimentos culturais que emergem destes bairros, desafiando preconceitos e estigmas.
    00:02:53:11 - 00:03:19:13
    JORGE CORREIA
    Músicos que nem sabíamos existirem até eles terem milhões de ouvintes, poetas escondidos que fazem letras para cantigas de protesto ou artistas plásticos que mais depressa ganham um prémio internacional lá fora do que aparecem na televisão portuguesa. Com surdos estamos nós para não querer ouvir estas vozes com auto e o muro criado pelo urbanismo do betão fácil do urbanismo como ferramenta de exclusão ou de emancipação.
    00:03:19:17 - 00:03:47:24
    JORGE CORREIA
    Falamos da forma como a arquitetura pode ser usada para segregar comunidades e criar gaiolas ao invés de criar trampolins sociais. Da forma como a educação pode ajudar ou deixar que se repita o ciclo da pobreza. Mas não desistimos por aqui porque navegamos na cultura como forma de resistência à ascensão de artistas periféricos, primeiro periféricos, agora mundiais, como rappers e criadores culturais que usam a arte para reescrever as tais narrativas dos seus territórios.
    00:03:48:01 - 00:04:21:06
    JORGE CORREIA
    Proponho que viajemos até aos bairros. Ouvir, simplesmente ouvir a uma história que precisa de ser recontada. António Brito Guterres é um contador dessas histórias que nos lembram o poder das narrativas, o poder transformador das narrativas. Este episódio de pergunta simples é mais do que uma simples conversa, é um convite a olhar para o mundo de uma maneira diferente, a escutar as vozes que muitas vezes são silenciadas e a reconhecer o valor de cada história humana.
    00:04:21:08 - 00:04:24:07
    JORGE CORREIA
    Quem és tu? António Brito Guterres.
    00:04:24:09 - 00:04:51:20
    ANTÓNIO BRITO GUTERRES
    Depende do ponto de partida e onde o túnel eventualmente contou na televisão ou na rádio. Isso parte de mim determinada e, contudo, outros locais sou outra parte de mim. Somos todos um caso. Não deixe fantasiar, pelo menos de fantasiar pelo que vêem, porque às vezes essa é uma parte recortada. É evidente que eu tento unir as pontas todas por resultar o mais genuíno possível, porque, imagino em nós estamos mais à vontade, estamos também e isso é importante.
    00:04:51:22 - 00:05:07:14
    ANTÓNIO BRITO GUTERRES
    Mas agradeço sua essencial, sua investigação. Investigador em Estudos Urbanos, Doutorando em Estudos Urbanos e jornalista. E, na verdade, eu acho que o trabalho não é muito diferente, porque meu trabalho é contar histórias.
    00:05:07:14 - 00:05:09:13
    JORGE CORREIA
    É uma espécie de etnografia.
    00:05:09:15 - 00:05:10:18
    ANTÓNIO BRITO GUTERRES
    Não é bem isso.
    00:05:10:20 - 00:05:11:21
    JORGE CORREIA
    O que faz a procura.
    00:05:11:21 - 00:05:40:13
    ANTÓNIO BRITO GUTERRES
    Até porque não gosto de muito observar e de aprender com a tradição oral dentro dos gestos, das pessoas. Mas quando digo que meu trabalho muitas vezes não é longe, não está longe de um jornalista, é porque eu estou numa posição de trabalho que lida com as inconformidades do mundo em que vivemos. Por exemplo, contrato social. Estou exposto num sítio que denuncia as desigualdades, denuncia as inconformidades, trabalha as contradições do nosso mundo.
    00:05:40:14 - 00:05:42:00
    JORGE CORREIA
    Trabalha nos pontos de dor.
    00:05:42:03 - 00:05:51:22
    ANTÓNIO BRITO GUTERRES
    Exatamente. No entanto, quando eu digo que são histórias e eu ouço as pessoas e tento tecnicamente apoiá las para lhes pedir, emancipar e ser livre de determinarem.
    00:05:51:24 - 00:05:54:02
    JORGE CORREIA
    Como é que suas obras.
    00:05:54:04 - 00:06:07:03
    ANTÓNIO BRITO GUTERRES
    Ouvindo mesmo ouvindo e depois respondendo de acordo com outra, não é o que o Antonio acha que deve ser. É ouvir percebê las no seu contexto e responder de acordo com as suas necessidades. E isso.
    00:06:07:03 - 00:06:09:00
    JORGE CORREIA
    Implica uma técnica.
    00:06:09:02 - 00:06:36:19
    ANTÓNIO BRITO GUTERRES
    Ou apenas uma vontade que implica em entregar algumas, mas algumas, sinceramente, são de caráter. Às vezes o digo o profissional pode nos dar algumas ferramentas. Mas é fácil. Também esquecemos delas na prática e de tradição, contando histórias e a partir dessa questão mais técnica de ajudar as suas a mover as suas vidas afastadas de uma certa codificação que nos é acessível e que talvez, no dizer acima, de propósito.
    00:06:36:21 - 00:06:38:18
    JORGE CORREIA
    Não se sentem que se encaixam no mundo.
    00:06:38:20 - 00:07:01:00
    ...
    1 hr
  • O que nos ensina o futebol sobre comunicação? Helena Costa
    Dizem que há três linguagens universais: a música, a matemática e o desporto. No desporto, o futebol destaca-se como a língua franca mais consensual. É um idioma que todos parecemos entender, independentemente da idade, do género ou da geografia.
    São 11 jogadores contra outros 11. Um campo, uma bola, e tudo o que fazem parece ser compreendido por todas as pessoas. De José Mourinho ao adepto mais comum na bancada ou em casa. Todos sabemos quando era penálti. Todos vemos a genialidade de um passe ou sentimos que o falhanço podia ter sido o nosso, mesmo que só joguemos no sofá.
    Mas o futebol é um paradoxo de comunicação: da simplicidade absoluta de “marcar um golo” à complexidade tática de uma equipa que joga rápido, bem e em harmonia.
    O futebol também é emoção. Hoje, o treinador é o melhor do mundo. Amanhã, devia ser despedido sem pestanejar. E tudo depende de uma coisa tão simples como a bola entrar ou não entrar.
    Mas será que o futebol é só isso? Emoções e golos? Para entendermos melhor a linguagem deste jogo universal, convidei uma das melhores treinadoras portuguesas de futebol: Helena Costa. Atualmente, Helena aparece nos grandes estádios da Europa, explicando-nos os jogos como poucos conseguem — de forma simples, acessível e direta, que até eu consigo entender.
    Helena Costa tem no currículo momentos extraordinários. Participou na formação de talentos de elite, como Bernardo Silva, quando treinava nas escolinhas do Benfica. Aceitou o desafio de ir ao Qatar para criar, do zero, uma seleção nacional feminina. E foi até ao Irão, um país onde a cultura e a condição feminina levantam barreiras que poucos ousam enfrentar.
    Esta conversa é sobre a comunicação no desporto de alta competição. Mas também é sobre talento, liderança e a melhoria constante do desempenho.
    A nossa convidada não é apenas treinadora e comentadora desportiva. Ela é também scout, ou seja, 'olheira' de talentos. Helena tem o olhar treinado para identificar o que separa um bom jovem jogador de alguém que, um dia, vestirá a camisola da seleção nacional. E spoiler: não é só a técnica que conta. É também a rapidez de pensamento, a leitura tática e a capacidade de ver o jogo como um todo — a sua equipa, o adversário e o momento certo para agir.
    No entanto, mesmo os craques, ou talvez especialmente eles, nem sempre lidam bem com as críticas dos treinadores. Porque, no futebol, o talento só é suficiente quando é acompanhado de resiliência, disciplina e a vontade de melhorar.
    E é aqui que entra a comunicação. É através dela que treinadores e jogadores se afinam, que talentos se desenvolvem e que equipas se tornam campeãs.
    Esta pode parecer uma conversa sobre futebol, mas é muito mais do que isso. É sobre liderança, sobre ultrapassar limites e, acima de tudo, sobre a condição humana.
    TEMPOS E TEMAS
    [00:00] Introdução ao PodcastTítulo: Boas-vindas e Introdução ao TemaResumo: O apresentador dá as boas-vindas aos ouvintes e introduz o tema do episódio, que explora a comunicação no futebol, destacando a universalidade do desporto e a complexidade da comunicação envolvida.
    [00:35] Apresentação da ConvidadaTítulo: Apresentação de Helena Costa
    Resumo: O apresentador apresenta Helena Costa, uma treinadora e comentadora desportiva de renome, mencionando a sua experiência em treinar jovens talentos e a sua atuação em diferentes países, incluindo Qatar e Irão.
    [01:35] Comunicação e Emoções no FutebolTítulo: A Complexidade da Comunicação no FutebolResumo: Discussão sobre como o futebol é um paradoxo de emoções e comunicação, onde a simplicidade de marcar um golo contrasta com a complexidade tática do jogo.
    [02:53] O Papel do Treinador e do ScoutTítulo: A Missão de Identificar TalentosResumo: Helena fala sobre a importância da comunicação na formação de jogadores e como ela visa identificar talentos que podem se destacar no futebol.
    [04:09] Desafios de Ser Mulher no FutebolTítulo: Desafios de Ser TreinadoraResumo: Helena discute as dificuldades que enfrenta como mulher num ambiente predominantemente masculino e a importância da competência no seu trabalho.
    [05:24] A Influência dos Resultados no FutebolTítulo: A Pressão dos ResultadosResumo: Conversa sobre como os resultados impactam a carreira dos treinadores e a dinâmica dos clubes, além da relação entre treinadores e direções desportivas.
    [07:58] A Comunicação no TreinoTítulo: A Importância da Comunicação no TreinoResumo: Helena fala sobre como a comunicação varia entre diferentes faixas etárias e géneros, e a necessidade de adaptar a abordagem conforme o público.
    [10:04] Gestão de Conflitos no BalneárioTítulo: Gerindo Tensão no BalneárioResumo: Discussão sobre como lidar com a tensão entre jogadores mais jovens e experientes, e a importância da meritocracia no futebol.
    [12:32] O Olhar do ScoutTítulo: O Que Procura um ScoutResumo: Helena explica o que considera talento num jogador e como a capacidade de pensar o jogo à frente dos outros é crucial.
    [14:50] Desenvolvimento de Jovens TalentosTítulo: Trabalhando com Jovens JogadoresResumo: Conversa sobre como desenvolver jovens talentos, focando na importância do feedback e do entendimento do jogo.
    [18:00] Lidar com a FrustraçãoTítulo: A Importância da ResiliênciaResumo: Helena discute como a resiliência e a capacidade de lidar com críticas são essenciais para o sucesso de jogadores talentosos.
    [19:50] Comunicação Direta com JogadoresTítulo: A Comunicação Direta e JustaResumo: A importância de ser claro e direto na comunicação com os jogadores, adaptando a abordagem a cada indivíduo.
    [22:00] Desafios de Treinar no IrãoTítulo: Superando Barreiras CulturaisResumo: Helena compartilha as suas experiências de treinar no Irão, incluindo as dificuldades de comunicação e a adaptação cultural.
    [25:07] A Paixão pelo Futebol no IrãoTítulo: A Cultura do Futebol no IrãoResumo: Discussão sobre a paixão pelo futebol no Irão e como isso impacta o desenvolvimento do desporto no país.
    [27:40] Comunicação em Estádios CheiosTítulo: Desafios da Comunicação em JogosResumo: Helena fala sobre as dificuldades de se comunicar com jogadores em estádios cheios e a importância da comunicação não verbal.
    [28:50] O Papel dos Líderes em CampoTítulo: Definindo Líderes no FutebolResumo: Discussão sobre as características que definem um líder dentro de campo e a importância da personalidade.
    [30:00] Lidar com Jogadores EstrelasTítulo: Gerindo Jogadores EstrelasResumo: Helena compartilha a sua experiência em lidar com jogadores que têm um status elevado e como a liderança é crucial nesse contexto.
    [32:00] A Criação do Futebol Feminino no QatarTítulo: Desafios de Criar uma Seleção FemininaResumo: Helena fala sobre a experiência de criar uma seleção feminina do zero no Qatar e os desafios enfrentados.
    [36:00] A Importância da EmpatiaTítulo: A Empatia na LiderançaResumo: A importância de criar um ambiente empático e próximo para motivar e desenvolver jogadoras.
    [39:00] A Comunicação na TelevisãoTítulo: A Experiência como ComentadoraResumo: Helena discute a sua experiência como comentadora de futebol e a importância de comunicar de forma acessível para todos os públicos.
    [42:00] O Futuro do Futebol FemininoTítulo: Expectativas para o Futebol FemininoResumo: Conversa sobre o crescimento do futebol feminino e as expectativas para o futuro, incluindo a possibilidade de sucesso em campeonatos mundiais.
    [44:00] Conclusão e Reflexões FinaisTítulo: Reflexões sobre o Futebol e a ComunicaçãoResumo: O apresentador encerra o episódio refletindo sobre as lições aprendidas com a conversa, destacando a importância da comunicação e da conexão humana no desporto.
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    JORGE CORREIA 00:00:12 Ora viva! Bem vindos ao Pergunta Simples o vosso Podcasts sobre comunicação, onde exploramos como nos ligamos uns aos outros através das palavras e das acções? Dizem que no mundo há três linguagens universais a música, a matemática e o desporto. E dentro do desporto, o futebol destaca se como a língua franca mais consensual e um idioma que todos parecemos entender, independentemente da idade, do género ou da geografia. São 11 jogadores contra O111 campo, uma bola e tudo o que fazem parece ser compreendido por toda a gente. Do José Mourinho ao adepto mais comum da bancada ou em casa, todos sabemos quando era penálti e quando vemos a genialidade de um passe ou o golo, ou sentimos que o falhanço podia ter sido o nosso. Mesmo que só joguemos no sofá. Mas o futebol é um paradoxo de comunicação, da simplicidade absoluta de marcar um golo. A complexidade táctica de uma equipa que joga rápido, bem e em harmonia. O futebol é emoção cujo treinador é o melhor do mundo. Amanhã deveria ser despedido sem pestanejar. E tudo depende de uma coisa tão simples como a bola entrar ou não entrar de uma baliza.
    JORGE CORREIA 00:01:35 Mas será que o futebol é só isto emoções e golos? Para entendermos melhor a linguagem deste jogo universal, convidei uma das melhores treinadoras portuguesas da atualidade Helena Costa. Atualmente, Helena Costa não é só treinadora, mas aparece também como comentadora na televisão. Aparece nos grandes estádios da Europa, explica nos os jogos como poucos conseguem de forma simples, acessível e directa. Até eu consigo entender o jogo. Helena tem no seu currículo momentos extraordinários. Ela, por exemplo, participou na formação de talentos de elite como Bernardo Silva, quando treinava nas escolinhas do Benfica. Aceitou depois o desafio de ir até o Qatar para criar do zero uma seleção nacional feminina e foi até ao Irão, o país onde a cultura e a condição feminina levantam barreiras que poucos ousam enfrentar. Esta conversa é sobre comunicação no desporto de alta competição, mas também é sobre talento,...
    56 min
  • Como usar a comunicação para influenciar? Pedro Coelho dos Santos
    Pedro Coelho dos Santos revela como a comunicação estratégica pode moldar percepções, inspirar ações e influenciar decisões. Descubra técnicas práticas, histórias reais e lições que transformam líderes em comunicadores eficazes. Uma conversa imperdível sobre empatia, simplicidade e impacto.
    Uma conversa sobre liderança e técnicas de comunicação usadas por todos os melhores e mais visionários líderes do mundo. Assim como por cá.
    56 min
  • A MÁQUINA DAS PERCEPÇÕES: QUER SABER A MAGIA? SUSANA SALGADO
    Hoje falamos da mais profissional, eficaz e eficiente máquina de criação e gestão das expectativas: a política.
    Usando as ferramentas da comunicação, os políticos de todo o mundo criam percepções favoráveis às suas causas.
    São essas percepções que permitem um suporte da opinião pública para as posições e decisões que os políticos tomam no nosso nome.
    E essa máquina das percepções obedece a regras e estratégias muito bem definidas.
    Pelo menos assim era no tempo dos ‘media’ tradicionais.
    Agora há um novo mapa a ser desenhado: o mundo alimentado pelas redes sociais.
    Trocaram-se os editores e jornalistas por robôs e algoritmos.
    E a comunicação política repensou a sua forma de fazer o que sempre fez: influenciar o pensamento da opinião pública.
    Com um refrescado conceito chamado polarização. Não é novo. Mas está na moda.
    Do telejornal às manchetes dos jornais.
    Da voz na manhã da telefonia até aos programas de debate.
    Do contacto direto com os cidadãos até à transmissão em direto de eventos criados precisamente para serem transmitidos.
    E agora as redes sociais: o velhinho Facebook onde todos continuamos a estar.
    O Twitter agora batizado de X, por onde correm as mais disputadas e virulentas discussões políticas e sociais. Ou mesmo o Instagram e o TikTok, lançados para criar atenção pela beleza da foto-autorretrato ou da dança da moda, entretanto transformadas em máquinas de ‘marketing’ directo.
    Estes dois mundos são o palco do mundo moderno.
    E quem deseja mandar no mundo, no planeta, do país, município, aldeia ou grupo sabe que tem de usar estes canais e criar receitas que nos agradem.
    Este programa é sobre o cruzamento da arte da comunicação com o da política.
    Numa frase: a comunicação política e a política na comunicação.
    A convidada é Susana Salgado, investigadora deste campo do saber no Instituto das Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.
    Exploramos como os media e as redes sociais desempenham um papel crucial na maneira como as pessoas entendem a política e tomam decisões.
    A conversa aborda temas como a polarização, o efeito dos algoritmos das redes sociais e o impacto dos preconceitos cognitivos, que criam uma espécie de “bolha” em que cada um de nós vive, condicionando como recebemos e interpretamos as mensagens políticas.
    Um dos principais pontos de reflexão neste episódio é o impacto da comunicação polarizadora. Segundo ela, a política contemporânea tende a afastar os cidadãos do debate e a empurrá-los para os extremos, limitando a capacidade de entendimento e troca de ideias. Ela explora como, muitas vezes, os temas mais sensíveis ou “incómodos” são excluídos da discussão pública, não por falta de relevância, mas por uma espécie de censura social.
    Isso faz com que pessoas que partilham de opiniões não convencionais sejam empurradas para a margem, onde encontram espaço em movimentos ou partidos mais radicais.
    Esse fenómeno é reforçado pelas redes sociais, onde o anonimato e a liberdade de expressão permitem que as pessoas exponham visões mais extremas do que fariam em interações presenciais.
    Nesta conversa aprendi muito sobre o conceito de criação de agendas públicas.
    Em particular, como criar estratégias para colocar o nosso tema na agenda e criar percepções favoráveis ao nosso ponto de vista.
    Criar agenda, enquadrar factos e apontar o foco de luz para o que mais no interessa.
    Ou criar distrações para desviar a atenção geral para o que não nos interessa discutir.
    Susana Salgado explica como estas estratégias ajudam a moldar as perceções dos cidadãos, enfatizando certos temas e desviando a atenção de outros.
    Estes mecanismos são, segundo ela, particularmente eficazes para criar uma “máquina de perceções” onde o que ganha é visibilidade mediática, interpretada como sendo mais relevante, muitas vezes à custa de temas de interesse real para a população.
    Real ou percebido como real?
    Nem sempre a resposta é directa e fácil.
    E podemos sempre citar a frase um político que diz “em política o que parece é”
    Sabendo destes mecanismos do uso da comunicação poderemos conhecer melhor como funciona a opinião pública. Como reage. Como suporta ou nega propostas de decisão, ou ideias políticas.
    Sabendo que muitas das mais importantes decisões são muitas vezes mal percepcionadas. E outras, muito vistosas, são pouco relevantes.
    Há uma coisa onde política e a comunicação tem em comum: o tempo, o timng.
    Não adianta ter razão antes do tempo ou explicar tarde demais.
    Tópicos e Tempos
    [00:00:00] Introdução à Comunicação Política
    • Assunto: Susana Salgado apresenta-se e introduz a importância da comunicação para políticos, que usam estratégias para moldar perceções públicas.
    • Resumo: A comunicação é essencial para os políticos, mas não basta transmitir mensagens; é preciso conectar-se com as preocupações reais do público.
    [00:01:22] Qualidades de um Bom Comunicador Político
    • Assunto: Discute-se o que faz um bom comunicador e a necessidade de uma comunicação adaptada ao público e ao contexto.
    • Resumo: Um bom comunicador sabe ouvir e ajustar as suas mensagens, mas cada indivíduo as recebe de forma única, influenciado pela sua experiência e contexto social.
    [00:03:15] O Conceito das “Bolhas Cognitivas”
    • Assunto: Introduz-se a ideia de bolhas onde cada pessoa filtra a informação de acordo com suas crenças e experiências, criando uma visão limitada.
    • Resumo: As “bolhas” cognitivas moldam como as mensagens são interpretadas, pois cada pessoa exclui automaticamente o que desafia a sua visão do mundo.
    [00:09:19] O Politicamente Correto e a Exclusão do Debate
    • Assunto: Explora-se como o politicamente correto limita o debate ao rotular opiniões dissidentes, afastando as pessoas para extremismos.
    • Resumo: A exclusão de temas considerados “incómodos” na política pode silenciar vozes e empurrar opiniões divergentes para margens radicais.
    [00:15:09] Impacto dos Algoritmos e Redes Sociais
    • Assunto: Discutem-se os algoritmos nas redes sociais, que amplificam o conflito e o choque para manter a atenção dos utilizadores.
    • Resumo: As redes sociais favorecem conteúdos que geram reações intensas, alimentando a polarização e prolongando o tempo de permanência dos utilizadores.
    [00:27:09] Credibilidade e Papel dos Media
    • Assunto: Aborda-se a crise de credibilidade dos ‘media’ e como a ausência de filtros abre espaço para uma comunicação polarizada e populista.
    • Resumo: Com a queda da credibilidade dos ‘media’ tradicionais, as redes sociais e a falta de mediadores fiáveis aumentam a polarização.
    [00:18:02] Desconfiança nas Instituições e na Democracia
    • Assunto: Análise sobre como as novas gerações perdem fé nas instituições democráticas, procurando alternativas aos partidos tradicionais.
    • Resumo: A falta de representação e transparência na política leva os jovens a desconfiar do sistema democrático, criando espaço para novas forças políticas.
    [00:22:07] Estratégias de Manipulação: Agenda Setting, Framing e Priming
    • Assunto: Susana descreve técnicas usadas para influenciar perceções públicas, como a escolha de temas e o foco nos ‘media’.
    • Resumo: Técnicas como agenda setting e framing são usadas para guiar o público a ver certos temas como mais importantes, manipulando perceções.
    [00:25:05] Polarização e a Cultura do Conflito
    • Assunto: Explora-se como programas de debate e conteúdos polarizadores captam a atenção através do conflito e da emoção.
    • Resumo: A polarização torna-se uma estratégia comum nos ‘media’ para manter o público envolvido, alimentando a divisão e a hostilidade.
    [00:31:04] Encerramento e Reflexão sobre a Comunicação Política
    • Assunto: Susana reflete sobre a complexidade da comunicação política e como cada líder deve estar atento ao ambiente e ao público.
    • Resumo: No encerramento, enfatiza-se a importância da adaptação e do entendimento do ambiente político para uma comunicação eficaz.
    Livros & Leituras
    1. “Comunicação Pública e Política: Pesquisas e Práticas”
    • Fonte: Academia.edu
    • Link: (Academia.edu)
    • Descrição: Este livro reúne artigos de diversos autores que refletem sobre as bases teóricas e práticas da comunicação pública, explorando as interações entre sociedade, meios de comunicação e Estado.
    2. “Conceitos de Comunicação Política”
    • Fonte: LabCom
    • Link: (Labcom)
    • Descrição: Esta obra aborda a interdisciplinaridade entre as Ciências da Comunicação e a Ciência Política, apresentando textos inspirados por diversas áreas, como Teoria Política, Filosofia Política e Sociologia.
    3. “Comunicação Política e Democracia”
    • Autor: João Pissarra Esteves
    • Fonte: Repositório Aberto da Universidade do Porto
    • Link: (Repositório Aberto)
    • Descrição: Este livro explora a relação entre comunicação política e democracia, analisando como a comunicação influencia os processos democráticos.
    4. “Comunicação e Política: Conceitos e Abordagens”
    • Fonte: Academia.edu
    • Link: (Academia.edu)
    • Descrição: Este livro analisa as realidades da América Latina nos últimos anos, com base em pesquisas científicas focadas nas políticas de comunicação.
    5. “A Comunicação Política na Era da Internet”
    • Autor: João Canavilhas
    • Fonte: Universidade da Beira Interior
    • Link: (Ubibliorum)
    • Descrição: Este trabalho discute a evolução do conceito de comunicação política, especialmente no contexto da internet e das novas tecnologias.
    6. “Comunicação Política e Comunicação Pública”
    • Fonte: Revista Organicom
    • Link: (Revistas USP)
    • Descrição: Este artigo analisa a Comunicação Pública como uma vertente da Comunicação Política, discutindo o conceito por sua natureza multipolar, comunicativa, política e de mercado.
    7. “Comunicação Pública e Política – Pesquisas e Práticas”
    • Fonte: SciELO Brasil
    • Link: (SciELO)
    ...
    38 min
  • COMO SUPERAR O MEDO DE DANÇAR? BRUNO RODRIGUES
    Hoje vamos dançar.
    A forma mais natural em que acertamos o nosso movimento ao ritmo dos sons ou até dos pensamentos.
    Sim, hoje acertamos os passo na arte humana da dança.
    Dos mais talentosos dos bailarinos ao mais descoordenado dos seres.
    Eu pecador de confesso. E por isso convidei o actor, coreógrafo e bailarino Bruno Rodrigues para me ensinar sobre o movimento do corpo.
    Sou o mais descoordenado dos seres a habitar sobre a terra.
    Poderia dizer que tenho dois pés esquerdos, o que até poderia ser elogioso porque até se dá o caso de eu ser canhoto.
    Por isso simplifico: não tenho jeitinho nenhum para dançar.
    O que me angustia porque o meu sentido de ritmo é bom. Acho eu. Sinto que sim. Ritmo dentro da minha cabeça. Depois os braços e as pernas é que não acompanham. Parecem ter vida própria, lançando no espaço pernas e braços num louco, levemente assustador e definitivamente esquisito movimento.
    E um dia conheci o Bruno.
    Num evento experimental sobre o movimento.
    E aprendi que todos temos uma espécie de biblioteca de movimentos. E nessa biblioteca estão os livros de instruções para nos mexermos. É só ler esses livros. Embora muitos de nós nem sequer nos atrevemos a pegar neles. Nos livros. Nas ancas, rótulas, ombros ou pescoço. Volto ao movimento.
    Basta respirar, diz ele, o Bruno, e o movimento aparece naturalmente.
    Esta conversa é sobre isso.
    Sobre o movimento. Sobre a maneira como dançamos.
    Na conversa saberemos como alguém descobre que a sua vocação, como experimenta e aprende sobre a arte da dança.
    Hoje é coreógrafo, actor e formador na área do movimento.
    Naturalmente falámos da maneira como o nosso corpo fala, como comunica.
    E de como a dança pode ser uma ferramenta social de inclusão e partilha.
    Aprendi que todos podemos dançar.
    E sabemos dançar. À nossa maneira, mas é uma maneira tão certa como qualquer outra. Saia lá daí, da frente do espelho. E liberte-se.
    Claro que depois há o bailado, como expressão plástica maior.
    A expressão do belo e do sublime.
    Afinal o uso do corpo para nos fazer sentir as emoções.
    O corpo como espelho da alma.
    O movimento e a dança como uma forma universal de nos entontarmos mutuamente.
    De olhos nos olhos.
    De mão na mão.
    Num compasso certo dos pés que seguem num movimento síncrono. Isto nas danças a dois.
    Mas também valem os grupos que dançam num concerto.
    Ou até aquele que dança sozinho na praia, sem música, apenas ao ritmo dos pensamentos.
    E tudo se move. E tudo dança. Até os planetas à volta do sol.
    Ou o sentir. Ao ritmo dos batimentos do coração.
    O ritmo primordial da dança da vida.
    Da Química à Dança: O Início da Jornada
    Inicialmente estudante de Engenharia Química, Bruno descobriu a dança por acaso, quando uma colega o convidou a experimentar uma aula. Essa experiência revelou-lhe um novo caminho, onde se sentiu verdadeiramente “em casa”. O que começou como uma simples curiosidade tornou-se rapidamente a sua paixão e carreira. No episódio, ele descreve o momento inicial, numa sexta-feira de outubro, que marcou o encontro com a dança. A sensação de “pertença” era tão intensa que ele a lembra com detalhes, incluindo as cores, os cheiros e a música daquela primeira aula.
    A Dança Como Forma de Comunicação e Intervenção
    Bruno vê a dança como uma linguagem universal, acessível a todos e não apenas a quem se dedica profissionalmente a esta arte. Para ele, todos dançam a partir do momento em que respiram, pois a base do movimento é a respiração. Ele explora a ideia de que a dança está presente nos pequenos gestos do dia a dia e que cada movimento entre duas poses ou “fotografias” forma uma coreografia única.
    O Movimento do Corpo e a Relação com a Identidade
    A entrevista toca em questões profundas sobre como o movimento expressa a relação de cada um consigo mesmo. Bruno reflete sobre a relação entre corpo e identidade, afirmando que a maneira como nos movemos espelha a nossa auto perceção e até as nossas cicatrizes emocionais. Para ele, o corpo manifesta tudo o que está “cá dentro”, e cuidar dele é uma forma de cuidar da nossa própria história. Este ponto é enfatizado com um exemplo de um workshop que conduziu com jovens bailarinos cegos, onde observou como o movimento pode ajudar a superar limitações e abrir novas possibilidades de expressão.
    Desafios do Teatro Imersivo
    Bruno também fala sobre as suas experiências em teatro imersivo, onde os atores e o público compartilham o mesmo espaço físico e a interação vai além da palavra. Um exemplo é o espetáculo “E Morreram Felizes Para Sempre”, realizado no Hospital Júlio de Matos, em Lisboa. Neste tipo de teatro, o público movimenta-se livremente entre os atores, e isso exige uma preparação intensa dos performers, que precisam estar preparados para atuar em 360 graus, sem uma “quarta parede” convencional. Bruno partilha como a atenção aos detalhes e a criação de rituais auxiliam os atores a manter-se fiéis às suas personagens, mesmo sob pressão e proximidade do público.
    Da Técnica à Emoção: A Expressão Completa do Artista
    No final do episódio, Bruno reflete sobre o que distingue um grande bailarino. Para ele, não é apenas a técnica, mas a capacidade de transmitir verdade e autenticidade. Ele defende que o essencial para o artista é “incorporar” o movimento, ou seja, apropriar-se dele de forma única, sem se limitar a copiá-lo. Essa ideia estende-se à sua abordagem ao ensino, especialmente em workshops de curta duração, onde se sente mais à vontade para ajudar jovens e adultos a descobrir o seu potencial criativo, sem a pressão de uma avaliação técnica rígida.
    A Observação como Ferramenta de Aprendizagem
    Uma das práticas que Bruno destaca é a observação atenta dos movimentos e comportamentos das pessoas em espaços públicos, como praças e estações de metro. Esses momentos servem-lhe de inspiração para criar coreografias que refletem o dia a dia. Ele enfatiza a diferença entre “ver” e “observar”, onde esta última implica uma conexão mais profunda e ativa com o que se analisa. Para Bruno, a observação cuidadosa permite entender a essência do movimento e traz uma nova dimensão para a criação artística.
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    Transcrito Automaticamente Com Podsqueeze
    JORGE CORREIA 00:00:13 Viva. Bem vindos ao Pergunta Simples o vosso Podcasts sobre Comunicação. Hoje vamos dançar a forma mais natural em que acertamos o nosso movimento ao ritmo dos sons ou até dos pensamentos. Sim, hoje acertamos os passos da arte humana, da dança dos mais talentosos, dos bailarinos aos mais descoordenados dos seres. Eu, pecador, me confesso, e por isso convidei o ator, coreógrafo e bailarino Bruno Rodrigues para me ensinar sobre o movimento do corpo. Sou o mais descoordenado dos seres que habitam sobre a Terra. Poderia dizer que tenho dois pés esquerdos, que até poderia ser elogioso, até porque se dá o caso de eu ser canhoto. Por isso vou simplificar. Não tenho jeitinho nenhum para dançar, o que me angustia, porque o meu sentido de ritmo é bom, acho eu. Sinto que sim. Ritmo dentro da minha cabeça. Depois os braços e as pernas é que não acompanham, parecem ter vida própria, lançando no espaço pernas para um lado, braços para o outro como um louco levemente assustador e definitivamente promovendo um esquisito movimento.
    JORGE CORREIA 00:01:27 E um dia conheci o Bruno num evento experimental sobre o movimento e aprendi que todos temos uma espécie de biblioteca de movimentos e nessa biblioteca estão os livros de instruções para nos mexermos. É só ler esses livros. Embora muitos de nós nem sequer nos atrevemos a pegar neles, nos livros, nas ancas, nas rótulas, nos ombros ou no pescoço. Volto ao movimento. Volto sempre ao movimento. Com livro ou sem livro, Basta respirar, dizê lo. Bruno. O movimento aparece naturalmente. Esta conversa é sobre isso, sobre o movimento, sobre a maneira como dançamos. Na conversa, vamos saber como é que alguém descobre que a sua vocação é dançar, Como experimenta e aprende sobre a arte da dança e do movimento. Hoje ele é coreógrafo, ator e formador na área do movimento. Naturalmente, falamos da maneira como o nosso corpo fala, como comunica e de como a dança pode ser uma ferramenta social de inclusão e partilha. Aprendi que todos podemos dançar e sabemos dançar à nossa maneira, mas é uma maneira tão certa como outra qualquer.
    JORGE CORREIA 00:02:31 Saia por isso diferente do espelho e liberte se. Claro que depois há sempre o bailado, a expressão plástica maior, a expressão do belo e do sublime. Afinal, o uso do corpo para nos fazer sentir emoções. O corpo como espelho da alma, o movimento e a dança como uma forma universal de nos entendermos uns aos outros. Viva Bruno Rodrigues, bailarino, ator, intérprete, coreógrafo, professor de dança contemporânea e dança inclusiva. Alguém que decidiu começar por estudar química e acabou a fazer estas coisas da dança e do movimento. Há uma química especial Ou tu achaste que o H2O não era suficiente para te expressares?
    BRUNO RODRIGUES 00:03:19 Bem, eu acho que encontrei a dança completamente por acaso, por isso se calhar andava à procura da minha própria química. E não era, não era. Ali, naquela engenharia, encontrei uma outra engenharia, uma outra física, uma outra matemática e e a dança? A dança acaba por surgir completamente por acaso, se calhar até com muita coisa no meu. No meu percurso até profissional, como é que foi esse momento?
    JORGE CORREIA 00:03:43 Zero?
    BRUNO RODRIGUES 00:03:44 Foi do meio, do nada eu tinha, eu fazia.
    BRUNO RODRIGUES 00:03:46 Eu morava em Mafra, estava a estudar no Técnico, na Alameda, em Lisboa, e fazia o percurso diário de autocarro. E havia uma colega minha de autocarro que fazia umas aulas de dança em Mafra e um dia eu acho que para ir em Outubro mais ou menos que me....
    54 min
  • O GESTO CONTA? SOFIA FERNANDES
    O gesto é tudo. Ou quase tudo.
    No mundo onde o silêncio quase absoluto reina é o gesto que nos liga.
    Nesta edição falamos, ouvimos e gesticulamos.
    Um mergulho no mundo na língua que as pessoas surdas usam para ouvir e falar. A língua gestual portuguesa.
    Em cima de um palco, no cantinho da nossa televisão, numa aula na escola, numa consulta médica ou a responder num tribunal.
    A vida dos intérpretes de língua gestual portuguesa é uma correria entre todos os lugares do país onde alguém que não ouve, não aprendeu falar ou até a ler e escrever, precisa de entender o mundo.
    Conheci a Sofia Fernandes em cima do palco no auditório do IPO do Porto. Ela traduzia o que os vários participantes do evento diziam.
    A rapidez do gesto é fascinante. Não só das mãos.
    Todo o corpo participa. Gestos nos dedos, braços, ombros e a cara.
    Sim, as expressões faciais estão sempre a dizer qualquer coisa.
    A dizer o espanto, a dizer a alegria, a sofrer a tristeza.
    Naquele palco ouvi-a depois falar de viva voz.
    Da maneira como ajuda a comunidade das pessoas surdas a comunicar. A ouvir, se é que posso usar esta palavra, e a dizer o que quer. E o que ouvi não podia ficar só ali. Tinha de o partilhar convosco.
    Esta conversa é sobre comunicação. Todas as conversas do Pergunta Simples são sobre comunicação. Mas esta tem um nível de complexidade difícil de entender para quem ouve. Para os ouvintes regulares do ‘podcast’.
    Mas neste caso o programa não tem só áudio, ou vídeo, com legendas. Neste caso este episódio está também traduzido em lingua gestual graças à generosidade da Sofia. Pode ser visto em www.perguntasimples.com e nos YouTube desta vida.
    Portanto, não só veio contar tudo o que sabe, como, no fim ainda teve de trabalhar.
    Eu disse generosidade? Acrescento uma palavra: torrencial.
    E eu aprendi como se diz com um só gesto a mais bela palavra do mundo
    O QUE APRENDI NESTE EPISÓDIO
    A interpretação é muito mais do que traduzir palavras. Entendi que a língua gestual portuguesa não pode ser feita palavra por palavra porque é uma língua com gramática própria e ‘nuances’ específicas. O trabalho do intérprete é captar o sentido e adaptar o que está a ser dito, principalmente em temas complexos ou pouco familiares.
    Adaptar-se ao momento é essencial. Percebi que, em interpretações ao vivo, como num telejornal, o intérprete precisa de uma grande agilidade para adaptar o contexto e corrigir interpretações, quando necessário. Sofia explicou que, ao não perceber uma palavra ou perder uma parte da conversa, procura “proteger-se” e transmitir algo literal até conseguir encaixar o contexto completo.
    A carga emocional nas interpretações delicadas. Nas consultas médicas ou em audiências judiciais, o intérprete é obrigado a usar a primeira pessoa, dizendo “eu”. Esta proximidade com a situação pode ser emocionalmente exigente, especialmente ao lidar com histórias de dor ou sofrimento.
    A acessibilidade continua a ser uma grande barreira. A falta de intérpretes e de recursos acessíveis é evidente, e Sofia sublinhou a dependência que muitas pessoas surdas têm de amigos e conhecidos para fazer coisas simples, como ir ao médico ou tratar de assuntos burocráticos.
    Conhecer o contexto é chave. Quanto mais o intérprete entende o contexto, melhor consegue interpretar com fidelidade. Por exemplo, Sofia menciona como recorre a amigos surdos para confirmar se usa os gestos mais adequados, tornando a interpretação mais rica e natural.
    O impacto emocional e cultural do seu trabalho. A experiência de Sofia a interpretar um hino no estádio do Dragão revelou como momentos de grande visibilidade têm um impacto emocional e fortalecem a cultura surda. Percebi que a presença de intérpretes em momentos públicos dá poder à comunidade e fortalece a sua identidade.
    A língua gestual portuguesa é uma língua própria, não uma “linguagem”. Aprendi que há uma diferença entre língua e linguagem: enquanto a linguagem gestual é mais universal, a língua gestual portuguesa é uma língua completa, com gramática e evolução cultural.
    Apoiar a comunidade surda vai além do trabalho. Sofia mostrou-me que ser intérprete não é só uma profissão, é também um compromisso com a comunidade surda. Ela ajuda os seus amigos surdos no dia a dia, seja numa urgência médica, seja numa situação burocrática. Esse apoio contínuo é essencial para a inclusão.
    Ainda há resistências nos serviços públicos e escolas. Sofia mencionou que enfrenta resistência ao interpretar em hospitais e escolas, pois nem todos entendem o papel do intérprete como facilitador da comunicação e, muitas vezes, veem-no como uma “ameaça”.
    Dedicação e formação contínua são indispensáveis. Percebi que ser um bom intérprete não se limita à habilidade técnica; é preciso ter empatia, ser dedicado e estar disposto a evoluir constantemente. A interpretação exige o domínio da cultura surda e o compromisso de servir como ponte de comunicação.
    Essas aprendizagens mostram-me o valor da interpretação na comunicação acessível e como ela é fundamental para promover uma sociedade mais inclusiva e justa.
    LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO
    00:00:00:00 - 00:00:11:14
    JORGE CORREIA
    viva. Sofia Fernandes, intérprete de Língua Gestual Portuguesa Vejo te a fazer coisas como interpretação de hinos em jogos de futebol.
    00:00:11:16 - 00:00:40:03
    JORGE CORREIA
    Vejo te também fazer coisas como os telejornais, como as notícias que nós costumamos ver. Como é que alguém vai passando o seu dia a saltar de tema para tema, de assunto para assunto e se consegue manter, no fundo, a traduzir esta realidade daqueles que conseguem ouvir. Para aqueles que não têm essa, essa faculdade, não têm essa capacidade.
    00:00:40:05 - 00:00:57:21
    SOFIA FERNANDES
    Então, antes de mais, obrigada pelo convite. É um prazer estar aqui. Em relação a essa questão, no fundo, eu sempre soube que isso me ia acontecer na vida, porque quando era mais jovem, comecei a ter que pensar no que queria fazer. Sempre disse que era já uma profissão que não fosse sempre a fazer a mesma coisa.
    00:00:58:02 - 00:00:59:17
    JORGE CORREIA
    Mas esta é sempre muito diferente.
    00:00:59:17 - 00:01:20:13
    SOFIA FERNANDES
    E isto é realmente muito diferente. Como é que se faz isso? Faz com faz com paixão, com amor à camisola, a participar muito na comunidade para também termos o máximo do léxico e gestos possíveis para podermos corresponder às diferentes situações. Mas depois ela terá de acontecer e acontece de forma natural. Exato, não sei explicar.
    00:01:20:13 - 00:01:45:06
    JORGE CORREIA
    Assim como olha, nós que quando, por exemplo, lemos um livro, acrescentamos sempre umas palavras às nossas, às nossas bibliotecas pessoais, palavras, contextos, perceção, aprendizagem de temas. É curioso que aquilo que tu me estás a dizer é que tu também no teu trabalho, ao acompanhar e ao fazer aquilo que é uma tradução simultânea, é disso que estamos a falar, certo?
    00:01:45:10 - 00:01:48:12
    JORGE CORREIA
    É isso que alguém que diz qualquer coisa e tu está.
    00:01:48:12 - 00:01:50:13
    SOFIA FERNANDES
    Logo uma interpretação daquilo que está a ser dito.
    00:01:50:19 - 00:02:08:01
    JORGE CORREIA
    Tu pareces naquele quadradinho ali da televisão aqui em baixo, quando aparecem pessoas que estão a dizer coisas. Tenho sempre uma curiosidade de saber se aquilo que tu estás a fazer em termos de gestos é literal. Tu estás a fazer palavra por palavra, estás a fazer uma interpretação de sentido. Como é que isso funciona?
    00:02:08:04 - 00:02:36:23
    SOFIA FERNANDES
    Então? Não dá para ser palavra por palavra, porque na realidade são duas línguas dispares. A língua gestual não nasceu da língua portuguesa. A língua gestual teve a ver com uma pessoa surda que era filha de um rei. Penso não falou Hierro que era Dom João Quarto e portanto ela teve uma aprendizagem de língua gestual da parte da Suécia também, se não estou em erro, isso é, se eu sei, tenho quase a certeza que esqueci de olhar o vocabulário E a partir daí, pronto, fomos.
    00:02:37:03 - 00:02:59:15
    SOFIA FERNANDES
    Ainda há muita história da língua gestual aqui em Portugal. Mas isto para dizer que como uma não deriva da outra, não dá para ser palavra por palavra, portanto é mesmo uma interpretação que acontece. Claro que quanto mais fidedigna ao que está a ser dito, ideal quando não é possível acompanhar em termos, lá está, a contextuais, não é o que está a ser dito.
    00:02:59:20 - 00:03:14:00
    SOFIA FERNANDES
    Vamos fazendo uma tradução mais literal, mais ok. Está a ser dito assim, deixa me dizer. Mesmo assim, quando começamos a perceber o tema já dá para fluir mais. Já dá para a língua gestual ser mais natural, mas até se tornar natural, temos que estar dentro do contexto.
    00:03:14:02 - 00:03:43:08
    JORGE CORREIA
    Olha, quando estamos a falar de coisas comuns, como são as notícias ou quando tu conheces o contexto exacto em que estás a trabalhar, imagino que consigas preparar te de uma forma claro, mais fáceis. Como é que tu funciona quando te calha na rifa teres que traduzir um tema ou muito difícil, ou que tu não dominas, ou que no meio daquela conversa tu perdeste uma palavra ou uma expressão que era críptica para perceber o resto do contexto que.
    00:03:43:10 - 00:04:06:21
    SOFIA FERNANDES
    Essa quinta essência acontece sem o que o que nós fazemos é lá estar com uma tradução simultânea e segue porque ninguém para para nós conseguirmos corrigir, nem aquilo que nós fazemos e à frente apanhamos o contexto e dependendo podemos dizer que houve falha, não é? Foi uma falha nossa. Por exemplo, numa palestra com as pessoas surdas à frente, dá para dizer olha, falhava o Era isto que eu queria ter dito.
    00:04:06:21 - 00:04:07:04
    SOFIA FERNANDES
    Não é que.
    00:04:07:06 - 00:04:07:14
    JORGE CORREIA
    Faça uma.
    00:04:07:14 - 00:04:27:03
    SOFIA FERNANDES
    Correção, exatamente uma correção sobre o que acabou de ser d
    46 min

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