Pergunta Simples

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Pergunta Simples episodes

  • A palavra ódio mata? Carlos Alberto Poiares
    A linguagem tem um efeito sobre as pessoas.
    E as palavras, mesmo que pareçam inócuas, entram na nossa cabeça e produzem uma influência.
    Afinal, pensamos através das palavras. Os rótulos que metemos na realidade.
    Palavras, imagens, gestos.
    Tudo é comunicação.
    Quando as palavras e as ações se conjugam para o mal, assistimos a crimes que dificilmente conseguimos perceber.
    É nesse momento em que a justiça e a psicologia se juntam.
    Para julgar e para entender as circunstâncias particulares desse crime.
    Os crimes com motivações de ódio estão nesta grande caixa do horror humano.
    Portugal pode estar a deixar de ser a exceção e a tornar-se mais um a ter de lidar com os fenómenos mais básicos da falta de respeito pela vida humana.
    Esta edição é uma busca incessante à pergunta: porquê?
    TÓPICOS & TEMPOS
    00:00:00 Início
    00:00:12 O efeito da linguagem na disseminação do ódioDiscussão sobre como as palavras e ações podem contribuir para crimes de ódio e a responsabilidade social associada.
    00:01:30 Crimes de ódio em PortugalAnálise dos recentes casos de crimes de ódio em Portugal, incluindo propaganda nazista e violência contra pessoas vulneráveis e imigrantes.
    00:02:38 Motivações por trás dos crimesExploração das possíveis motivações por trás dos crimes de ódio, incluindo a influência da ideologia totalitária nazista.
    00:06:43 Aspectos políticos associados à violênciaDiscussão sobre a associação da violência com ideologias políticas e a responsabilidade política e social em lidar com esses crimes.
    00:11:34 Comunicação, política e justiçaAnálise da interligação entre política, justiça e comunicação, e a influência da comunicação na disseminação de propaganda e ódio.
    00:13:22 Desafios na comunicação da justiçaReflexão sobre os desafios da comunicação na área da justiça, incluindo a importância da precisão e autenticidade das informações.
    00:15:26 Avaliação psicológica em casos de crimeDiscussão sobre a necessidade de avaliação psicológica em casos criminais para compreender a personalidade e motivações dos envolvidos.
    00:16:02 O papel da avaliação psicológicaDiscussão sobre a importância da avaliação psicológica em casos criminais e a necessidade de psicólogos especializados.
    00:19:04 A importância da individualização das penasExploração do papel da personalidade do arguido na fixação da pena e a necessidade de individualização das penas.
    00:21:15 A análise do comportamento criminosoReflexão sobre a importância de compreender as razões e interações por trás de um crime e a necessidade de perguntas fundamentais.
    00:24:10 A neutralidade da psicologia forenseDiscussão sobre a neutralidade da psicologia forense e seu papel em compreender os comportamentos criminosos.
    00:26:25 A importância do diálogo entre psicologia e direitoExploração da necessidade de diálogo entre psicologia e direito, e a importância da comunicação acessível a todos os envolvidos.
    00:30:08 Facilitando o diálogo entre psicologia e direitoDiscussão sobre a necessidade de guias para psicólogos e juristas e a importância do diálogo entre as duas áreas.
    00:31:20 O papel do psicólogo no sistema judicialDiscussão sobre a importância do papel do psicólogo como perito em processos judiciais.
    00:32:30 A interseção entre direito e psicologiaExploração da importância da interseção entre direito e psicologia na compreensão de casos criminais.
    00:33:32 A evolução da abordagem à doença mental na justiçaAnálise da evolução da abordagem à doença mental na justiça ao longo do tempo.
    00:37:10 A responsabilidade em casos de inimputabilidadeDiscussão sobre a responsabilidade de indivíduos com doenças mentais em casos criminais.
    00:44:03 O impacto do discurso securitário na sociedadeAbordagem sobre o impacto do discurso securitário na sociedade e na mediatização do crime.
    00:47:29 Manipulação da percepção da criminalidadeDiscussão sobre a manipulação e distorção da percepção da criminalidade na sociedade.
    00:47:49 Discurso político e segurançaDiscussão sobre a manipulação política através do discurso populista e propaganda.
    00:49:55 Aumento da criminalidade e leitura dos dadosAnálise da interpretação errada dos dados de criminalidade durante a pandemia.
    00:50:58 Casos sem solução na justiçaReflexão sobre casos sem solução e a produção de conhecimento para futuras gerações.
    00:53:40 Verdade judicial e históricaAnálise da diferença entre a verdade judicial e a verdade histórica em casos judiciais.
    As notícias ainda me ecoam na cabeça.
    A primeira informa que um jovem menor, do Porto, terá sido, alegadamente, o mandante de um crime no outro lado do atlântico, no Brasil.
    Uma rapariga de 17 anos morreu, em S Paulo.
    Há ainda mais 5 casos em investigação, na forma tentada.
    O traço comum destes casos é que foi usada uma rede social para espalhar propaganda nazi com forte componente de ódio.
    Com um apelo ao recurso a massacres violentos tal como são vistos a miúde nos Estados Unidos.
    Nos últioms dias aconteceram mais dois casos de violência em Portugal contra pessoas vulneráveis e migrantes em Portugal.
    O mesmo padrão: o ódio, a violência, a ausência de empatia e humanidade mínima.
    Quando este tipo de caso é investigado e chega a tribunal entram em cena os psicólogos forenses.
    Cabe-lhes explicar o que está na cabeça destas pessoas.
    O porque fizeram o que fizeram. O para o que fizeram.
    Carlos Alberto Poiares é jurista, licenciado em direito e doutor em Psicologia.
    Junta os saberes da lei e da psicologia e estuda os fenómenos de exclusão social e delinquência juvenil.
    Fui em busca dos porquês. A começar pelo caso do jovem do Porto.
    LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO
    JORGE CORREIA (00:00:12) - Ora viva um. Bem vindos ao Pergunta Simples o vosso Podcasts sobre Comunicação. A linguagem tem um efeito sobre as pessoas e as palavras, mesmo aquelas que nos pareçam mais inócuas, entram na nossa cabeça e produzem alguma influência. Afinal, pensamos através das palavras, os rótulos que metemos na realidade palavras, imagens, gestos, tudo isto é comunicação. Quando as palavras e as acções se conjugam para o mal, assistimos a crimes que mal conseguimos perceber. É nesse momento em que a justiça e a psicologia se juntam para julgar e para entender as circunstâncias particulares desse crime. Os crimes com motivações de ódio estão nesta grande caixa do horror humano. E Portugal pode estar a deixar de ser a exceção e a tornar se mais um, a ter de lidar com os fenómenos mais básicos da falta de respeito pela vida humana. Esta edição é uma busca incessante à pergunta por que? As notícias dos últimos dias ainda me ecoam na cabeça. A primeira informa que um jovem menor do Porto terá sido, alegadamente, o mandante de um crime no outro lado do Atlântico, no Brasil.
    JORGE CORREIA (00:01:30) - Uma rapariga de 17 anos morreu em São Paulo. E há ainda mais cinco casos a investigação na sua forma tentada. O traço comum nestes casos é que foi usado uma rede social para espalhar propaganda nazi com forte componente de ódio, com um apelo ao recurso a massacres violentos, tal como são vistos em miúdo nos Estados Unidos. Nos últimos dias aconteceram mais dois casos de violência em Portugal contra pessoas vulneráveis e imigrantes. O mesmo padrão o ódio, a violência, a ausência de empatia e humanidade. Quando este tipo de caso é investigado e chega a tribunal, entram em cena os psicólogos forenses. Cabe lhes tentar explicar o que está dentro da cabeça destas pessoas, porque fizeram o que fizeram e para que é que o fizeram. Carlos Alberto Poiares é jurista e licenciado em Direito e doutor em Psicologia. Ele junta os saberes da lei e da psicologia e estuda os fenómenos da exclusão social e da delinquência juvenil. Fui em busca dos porquês, a começar pelo caso do jovem do Porto. Trata se daqueles fenómenos que.
    CARLOS ALBERTO POIARES (00:02:38) - Felizmente, no nosso país não estamos habituados a ver.
    CARLOS ALBERTO POIARES (00:02:42) - São mais notícias que vêm dos Estados Unidos ou de outros pontos que achamos sempre muito distantes do nosso. Mas de vez em quando isto também nos cai dentro de casa. E este é um exemplo, primeiro lugar, do que é a capacidade organizativa de uma pessoa muito jovem, utilizando as tecnologias que tem, como todas, a vantagens e inconvenientes. Aqui eu uso a tecnologia para criar uma parceria, para se afirmar também porque há sempre um desejo de reconhecimento social quando estes casos aparecem com nome assinatura, ainda por cima quando se prevê a transmissão em directo que paga, ainda para mais como forma de divulgar os seus feitos, feitos esses que, tendo sido gorado o segundo, que era o assassínio de um sem abrigo, de uma pessoa muito vulnerável, o que ainda agrava mais a responsabilidade, mas já tinha sido usado e levou à morte de uma rapariga. Portanto, nós estamos aqui a assistir a um panorama incomum em Portugal, infelizmente já vulgarizado noutras paragens, que tem uma base de crime de ódio subjacente. Repare quando isto passa de uma situação de uma rapariga, eu não sei quais seriam os alguns aspetos específicos que houvesse ou não dessa rapariga, mas agora estamos a falar de um crime contra uma pessoa extremamente fragilizada, sem condições de defesa, vivendo em condições de miséria e no fundo era o grande gáudio.
    CARLOS ALBERTO POIARES (00:04:24) - Era conseguir matar com requintes de crueldade. Ou seja, matar já é muito mau. Mas aqui ainda fazendo acrescer a factores que reforçassem a dureza da dos atos criminais.
    JORGE CORREIA (00:04:39) - Na minha percepção, é um fenómeno de violência gratuita, porque estas pessoas não se conhecem. Portanto, não há, em princípio, um móbil, uma vontade, 1A1.
    CARLOS ALBERTO POIARES (00:04:51) - Motivação que é que é doentia. Nós estamos a falar de situações em que as pessoas
    57 min
  • Como aprendemos? Paula Marques
    As perguntas e as respostas fazem parte da nossa vida.
    E são o motor fundamental para aprendermos coisas novas.
    Esta edição é sobre os talentos que precisamos de ter para enfrentar o mundo onde nenhuma resposta explica tudo e todas as perguntas valem muito mais que essas respostas.
    Afinal como aprendemos coisas novas?
    A nossa maneira de aprender é um dos tópicos que mais investigação tem merecido nos últimos anos.
    E com o advento do mundo volátil e sem certezas absolutas a única coisa certa é que precisamos de aprender sempre. Todos os dias. De forma contínua.
    Mas não foi sempre assim?
    Provavelmente sim. Mas agora o tema parece ter-se tornado um mantra das organizações e grupos mais inovadores.
    TÓPICOS & TEMPOS
    (00:00:00) - (00:03:42) - Introdução e Importância da Aprendizagem Contínua
    Jorge Correia apresenta o ‘podcast’, focando na relevância do aprendizado contínuo num mundo incerto. Paula Marques é introduzida como especialista em novas formas de trabalho.
    (00:03:42) - (00:07:24) - O Futuro do Trabalho e a Liderança
    Discussão sobre o futuro do trabalho, enfatizando a necessidade de líderes que valorizam perguntas em vez de respostas rápidas.
    (00:07:24) - (00:11:06) - Transformações no Trabalho
    Análise das mudanças no ambiente de trabalho e como as organizações estão se adaptando para enfrentar novos desafios num contexto global volátil.
    (00:11:06) - (00:14:48) - Identidade e Trabalho
    Reflexão sobre a ligação entre trabalho e identidade pessoal, e o impacto da reforma nessa relação.
    (00:14:48) - (00:18:30) - Tecnologia e Desemprego
    Exploração do impacto da automação e tecnologia nos empregos e a necessidade de requalificação dos trabalhadores.
    (00:18:30) - (00:22:12) - Educação e Preparação para o Futuro
    Discussão sobre como o sistema educativo pode preparar melhor os jovens para um mercado de trabalho em transformação.
    (00:22:12) - (00:25:54) - Desafios para a Juventude
    Análise dos desafios que os jovens enfrentam ao escolher carreiras e como alinhar as suas paixões com as oportunidades de mercado.
    (00:25:54) - (00:29:36) - O Papel das Perguntas no Desenvolvimento Profissional
    Debate sobre a importância de fazer perguntas certas para o desenvolvimento profissional e pessoal num contexto de rápidas mudanças.
    (00:29:36) - (00:33:18) - Impacto da Cultura Organizacional na Inovação
    Análise de como a cultura organizacional afeta a inovação das empresas e a importância de cultivar uma cultura que valorize a curiosidade e aprendizagem contínua.
    (00:33:18) - (00:37:00) - Conclusão e Reflexões Finais
    Quis aprofundar o tema com Paula Marques uma investigadora da Nova SBE com a missão de investigar as formas de trabalho do futuro.
    E de treinar os melhores líderes a fazer mais perguntas do que a dar respostas na ponta da língua.
    Mas acima de tudo este episódio é uma navegação sem bússola nem mapa ao futuro do mundo.
    Talvez a única fórmula com uma promessa de resposta é o uso intensivo das perguntas.
    E eu a pensar aqui para os meu botões: “tu queres ver que eu afinal ainda tenho futuro com o perguntador?”
    Venham daí. Oiçam, subscrevam, comentem.
    Façam perguntas. Todas as perguntas do mundo.
    Se houvesse uma partícula de deus da curiosidade infinita teríamos todo um mudo melhor.
    Nessa partícula das perguntas, do que querer saber, estaria a nossa forma eterna de aprender.
    No meu imaginário a partícula dos perguntadores criaria aquela centelha de brilho no olhar das crianças quando descobrem uma coisa nova.
    E tu, ai desse lado, no conforto da escuta, já perguntaste algo, hoje, que exija uma nova e criativa resposta?
    Então vai. Vai perguntar. É mágico e funciona.
    Até para quem tem todas as respostas.
    LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO
    TRANSCRIÇÃO AUTOMÁTICA
    00:00:13:14 - 00:00:37:18
    Jorge Correia
    Bem vindos ao Perguntas Simples a vosso podcasts sobre comunicação. As perguntas e as respostas fazem parte da nossa vida e são o motor fundamental para aprendermos coisas novas. Esta edição é sobre os talentos que precisamos para ter de enfrentar todo um mundo onde nenhuma resposta explica tudo e todas as perguntas valem muito mais do que essas respostas. Vamos ao episódio.
    00:00:37:20 - 00:00:48:21
    Jorge Correia
    Vamos a isso.
    00:00:48:23 - 00:01:16:07
    Jorge Correia
    Afinal, como aprendemos coisas novas? A nossa maneira de aprender é um dos tópicos que mais investigação tem merecido nos últimos anos. E com o advento do mundo volátil e sem certezas absolutas, a única coisa certa é que precisamos de aprender sempre, todos os dias e de forma contínua. Mas não foi sempre assim? Provavelmente sim. Mas agora o mantra parece ter se tornado moda das organizações e dos grupos mais inovadores.
    00:01:16:09 - 00:01:39:12
    Jorge Correia
    Quis aprofundar o tema com Paula Marques. Ela é uma investigadora da nova SB com a missão de investigar novas formas de trabalho lá no futuro, no futuro que pode ser amanhã de manhã e de treinar os melhores líderes a fazer mais perguntas do que dar respostas na ponta da língua. Difícil, não é? Mas, acima de tudo, este episódio é uma navegação sem bússola nem mapa no futuro do mundo.
    00:01:39:16 - 00:02:05:17
    Jorge Correia
    Talvez a única fórmula com uma promessa de resposta e o uso intensivo das perguntas. E eu a pensar aqui para os meus botões tu queres ver que eu afinal ainda tenho futuro como perguntador? Ora, é fácil e barato. Basta apenas ter curiosidade e perguntar sobre as coisas sem fazer perguntas incómodas, fazer perguntas difíceis, fazer perguntas encantadoras, mas fazer sempre perguntas.
    00:02:05:19 - 00:02:21:16
    Jorge Correia
    Venham daí. Oiçam, subscrevam, comentem, partilhem este episódio com alguém que precisa de saber que é importante perguntar e façam perguntas todas as perguntas do mundo. Depois de ouvir este episódio.
    00:02:21:18 - 00:02:23:18
    Jorge Correia
    Paula Marques, Como é que eu te apresento?
    00:02:23:22 - 00:02:24:18
    Paula Marques
    Como tu quiseres.
    00:02:24:20 - 00:02:26:03
    Jorge Correia
    E porque.
    00:02:26:05 - 00:02:26:16
    Paula Marques
    Marques.
    00:02:26:16 - 00:02:40:00
    Jorge Correia
    É o. Quando vou à procura nos, nos nos LinkedIn, nos desta vida e nos currículos, aparecem lá coisas bonitas da directora, diz esta information. E eu pensei sim, mas eu sou algo assim. Mas não gostei, não continua a ser a mesma coisa.
    00:02:40:01 - 00:02:49:01
    Paula Marques
    Que já nem se quer, que já nem sequer está atualizada. Eu agora dirijo aqui a área do futuro, porque o futuro do trabalho, se quiseres podes me apresentar de forma mais simples. E o que.
    00:02:49:01 - 00:02:52:09
    Jorge Correia
    É que faz alguém que discute o futuro do.
    00:02:52:09 - 00:03:19:21
    Paula Marques
    Trabalho? O que fazemos aqui é tentar encontrar os sinais que da forma como estamos a organizar o trabalho e nas organizações. E é isso que fazemos todos os dias. Falamos com pessoas também organizações, fazemos focus group, tentamos observar a forma como o trabalho, que é só mais uma forma de social, nos organizarmos. O que está a acontecer que nos está a levar a entregar valor de forma diferente, claramente ao modelo que está a chegar ao fim.
    00:03:19:23 - 00:03:38:22
    Paula Marques
    E nós queremos perceber de uma forma um bocadinho baseada em evidências sem serem bolas de cristal e sem ser novidade ou só remoto. E vamos trabalhar fora, dentro. Queremos ser um bocadinho mais de rigor porque somos uma universidade, somos uma escola e queremos perceber afinal, quais são as coisas estão a emergir para esse futuro trabalho.
    00:03:38:22 - 00:03:48:17
    Jorge Correia
    E eu quero falar sobre isso. Mas então aquela coisa que o filósofo Agostinho da Silva nos prometeu que nós tínhamos nascido para o lazer e não para o trabalho, Afinal, estar.
    00:03:48:17 - 00:04:12:07
    Paula Marques
    Longe é super difícil. Adoro. Agostinho da Silva, é um dos meus filósofos preferidos nos meus pensadores preferidos. Aliás, tem uma filosofia de vida que eu sigo, que é quando algo tu descubras, algo que funciona para ti. Jorge, guarda para ti. Não tentes convencer igual, porque o pregador é impossível. Eu também considero o pregador impossível e odeio dar conselhos ou até e não gosto que me dêem sermões e conselhos.
    00:04:12:09 - 00:04:35:00
    Paula Marques
    Mas obviamente o filósofo eu penso que estava um pouco enganado, porque nós estudamos a história do trabalho, percebemos que os seres humanos trabalharam sempre por dois motivos. O primeiro é porque precisamos para pagar as contas, para ter dinheiro, para ter recursos. E o segundo é porque adoramos trabalhar e o trabalho faz parte também da própria identidade dos seres humanos.
    00:04:35:00 - 00:04:43:15
    Paula Marques
    Aliás, há colegas aqui na Nova. Estão a fazer um estudo super interessante como a idade da reforma impacta a minha identidade e a forma como eu me vejo e os outros me veem.
    00:04:43:17 - 00:04:49:02
    Jorge Correia
    Então, quando nós deixamos o trabalho, algumas pessoas que ficam com um vazio E agora, como é que eu faço? O que é que eu faço? O que é que eu sou?
    00:04:49:02 - 00:05:10:18
    Paula Marques
    Até a minha identidade é que eu era aquele nome que estava no LinkedIn. Ou era aquele? Era professor, era engenheiro ou era médico? E agora, o que é que eu sou? O trabalho faz parte da nossa identidade, Não tanto. E, obviamente, precisamos trabalhar até morrer como o caraças como japoneses. Mas obviamente, o trabalho faz nos sentir úteis, faz nos sentir se estou a trabalhar ou dar algo a alguém.
    00:05:10:19 - 00:05:31:09
    Paula Marques
    Tu servir alguém. E é muito filosófico também não é? Não tem a ver quem o diz, são os historiadores do trabalho. Não sou eu que o digo. São gente que estuda ou trabalha, desde os caçadores recolectores até à atualidade, que dizem cuidado....
    55 min
  • O que perguntar ao médico? António Vaz Carneiro
    Senhor doutor, o que tenho eu?
    Senhor doutor, o que me vai acontecer?
    Em linguagem médica pedimos sempre um diagnóstico. O resumo da nossa condição.
    E principalmente um prognóstico: com o que posso contar para o futuro.
    Implicitamente as duas perguntas incorporam uma expectativa, um pedido de ajuda e uma esperança.
    As duas perguntas resumem-se ao apelo: Senhor doutor "safe-me" lá desta maleita.
    Claro que as respostas nem sempre são assim tão diretas e simples como gostaríamos.
    TÓPICOS DE CONVERSA
    Início (00:00:00)
    A importância dos grandes números na saúde (00:00:12) Discussão sobre a relevância dos dados recolhidos pelo sistema de saúde e as perguntas a serem feitas.
    Comunicação médico-paciente (00:01:25) Exploração da importância da comunicação na relação médico-doente e das perguntas frequentes feitas pelos doentes.
    Motivação para ser médico (00:03:57) António Vaz Carneiro a compartilha a sua motivação para seguir a carreira médica.
    Evolução da carreira médica (00:04:18) António Vaz Carneiro fala sobre a evolução das suas especialidades médicas ao longo da carreira.
    Comunicação eficaz na prática clínica (00:06:50) Discussão sobre a importância da linguagem adaptada na comunicação médico-doente.
    Prognóstico e envolvimento do doente (00:08:37) Exploração do envolvimento do doente no tratamento e a importância do prognóstico positivo.
    Casos raros e avanços médicos (00:11:47) Relato de casos raros de recuperação de cancros avançados.
    Relação entre doenças cardiovasculares e oncológicas (00:13:01) Análise da relação entre a diminuição de doenças cardiovasculares e o aumento das doenças oncológicas.
    Importância dos grandes números de dados na área da saúde (00:14:26) Discussão sobre a disponibilização e interpretação dos dados clínicos para melhorar a prática médica.
    Benefícios dos dados para os doentes (00:14:48) Exploração dos impactos positivos dos dados na melhoria do tratamento e cuidado dos doentes.
    Utilização de dados clínicos na prática médica (00:15:10) Análise da disponibilidade e utilização de dados clínicos na prática médica diária.
    Monitorização da qualidade dos dados clínicos (00:16:23) Explicação da importância da monitorização da qualidade dos dados clínicos e o seu impacto na prática médica.
    Formação e educação baseadas em dados (00:17:35) Discussão sobre como os dados clínicos podem contribuir para a formação e educação médica.
    Segurança dos dados clínicos (00:18:24) Exploração da segurança e proteção dos dados clínicos dos doentes.
    Utilização de dados para a investigação científica (00:19:10) Análise do uso dos dados clínicos na pesquisa científica e na identificação de padrões de tratamento.
    Medicina de precisão e personalização do tratamento (00:18:05) Discussão sobre a importância dos dados na personalização e precisão do tratamento médico.
    Impacto da informação na prática clínica (00:24:13) Reflexão sobre como a informação influencia a prática clínica e o comportamento dos médicos.
    Organização e utilização prática da informação (00:25:03) Exploração da importância da organização e utilização imediata da informação clínica na prática médica.
    Inteligência Artificial e Medicina (00:26:32) Discussão sobre o papel da inteligência artificial na análise de grandes quantidades de dados biomédicos.
    Erro Médico e Reflexão (00:29:12) Reflexão sobre erros médicos e a necessidade de corrigi-los, com o impacto emocional envolvido.
    Informação e Desinformação na Saúde (00:31:09) Abordagem sobre a propagação de fake news na saúde e os perigos associados à desinformação.
    Impacto da Pandemia na Saúde (00:34:02) Análise do impacto da pandemia na saúde, incluindo o abandono de tratamentos e a gestão dos sistemas de saúde.
    Consequências Geracionais da Pandemia (00:38:24) Discussão sobre o impacto da pandemia na educação e desenvolvimento das crianças, com reflexão sobre as consequências a longo prazo.
    O medo na tomada de decisão (00:39:37) Discussão sobre a reação de medo e a dificuldade na tomada de decisões durante a pandemia.
    Desafios na tomada de decisões políticas na saúde (00:40:11) Abordagem sobre a complexidade e desafios na tomada de decisões políticas na área da saúde.
    Prioridades e gestão dos serviços de saúde (00:41:29) Discussão sobre a priorização e gestão dos serviços de saúde, incluindo a perceção das urgências hospitalares.
    Falsa urgência nos serviços de saúde (00:43:24) Reflexão sobre a perceção da urgência nos serviços de saúde e a necessidade de uma abordagem mais racional.
    Impacto ambiental do sistema de saúde (00:47:20) Análise do impacto ambiental do sistema de saúde e a necessidade de repensar práticas para reduzir a pegada ecológica.
    Reflexão sobre a evolução da medicina (00:51:45) Visão sobre a transformação do papel do médico e a gestão avançada da informação na medicina do futuro.
    A evolução das profissões de saúde (00:52:20) Discussão sobre a mudança no papel dos profissionais de saúde e a gestão de informação integrada.
    O futuro da medicina (00:52:38) Reflexão sobre o impacto do conhecimento e da informação na prática médica, e a necessidade de mais humanidade.
    Ao longo dos anos fui exercitando a minha tarefa de perguntador em múltiplas conversas com este médico que se multiplica por várias áreas: é especialista em medicina interna, em nefrologia e em farmacologia clínica.
    E insiste sempre em estudar as evidências para responder aos seus doentes.
    Mesmo quando algum caso individual decide contrariar toda a estatística.
    Vaz Carneiro tem uma lupa gigante para avaliar series de grandes números. E um microscópio afinado para avaliar aquele doente uno e particular que tem de ajudar.
    E responder às perguntas.
    O que tenho, doutor?
    Como é o futuro?
    Perguntas simples em busca da tradução da complexidade em poucas respostas.
    Num mundo em contradição onde lutam as evidências cientificas com a arte de acreditar nas histórias mais mirabolantes.
    Uma batalha entre os factos verificáveis e a desinformação mais irracional. Todavia, coexistem.
    Esta é uma conversa carregada de possibilidades e esperança. A gigante quantidade de informação vai finalmente começar a ser de grande utilidade para cada um de nós. É um tempo novo.
    O que nos dizem os grandes números da saúde?
    O que podemos ler na gigantesca quantidade de dados que o nosso sistema de saúde recolhe, todos os dias dos seus doentes?
    Que perguntas temos de fazer?
    E que respostas queremos obter?
    Esta edição é muito otimista e carregada de esperança.
    Numa conversa com António Vaz Carneiro, Professor e médico por vocação e para ter liberdade.
    Liberdade para fazer e para auxiliar as outras pessoas.
    Nos próximos minutos percorremos os caminhos da medicina moderna.
    Que cada vez sabe mais, mas nem sempre tem as respostas todas.
    No limiar de uma anunciada revolução do conhecimento: a recolha e o entendimento dos chamados dados da vida real.
    Os grandes dados onde cada um de nós é um ponto na escala.
    Como as mesmas perguntas de sempre. Haverá respostas para nós?
    As perguntas são as mesmas de sempre.
    Que pode trazer nova luz sobre velhas perguntas.
    A profissão que decide se estamos vivos ou mortos está para ficar.
    Mas o acervo de informação e conhecimento pode inspirar novas formas de fazer medicina.
    Mas conhecimento oferecerá seguramente melhor capacidade de reconhecer as melhores práticas.
    Mas, suspeito, trará consigo muito mais perguntas.
    Algumas precisam de mais dados.
    Outras, simplesmente, de mais humanidade.
    LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO
    TRANSCRIÇÃO AUTOMÁTICA
    Jorge Correia (00:00:12) - Ora viva! Bem vindos ao Pergunta Simples o vosso Podcasts sobre Comunicação. O que nos dizem os grandes números da saúde? Não, não estou a falar das consultas, das cirurgias, das urgências. Estou a falar dos nossos números pessoais particulares, todos juntos. O que podemos ler na gigantesca quantidade de dados que o nosso sistema de saúde recolhe todos os dias dos seus doentes, isto é, de nós próprios? Que perguntas temos de fazer e que respostas queremos obter destes dados? Esta é uma edição muito otimista e carregada de esperança. Numa conversa com António Vaz Carneiro, professor e médico por vocação e para ter liberdade, diz ele. Liberdade para fazer e liberdade para ajudar outras pessoas. Nos próximos minutos percorremos os caminhos da medicina moderna, que cada vez sabe mais, mas nem sempre tem as respostas todas. Será que alguma vez vai acontecer no limiar de uma anunciada revolução do conhecimento? A recolha e o entendimento dos chamados dados da vida real, os grandes dados onde cada um de nós é um ponto na escala. Mas nós, seres humanos, mantemos as mesmas perguntas de sempre.
    Jorge Correia (00:01:25) - Haverá respostas para nós? Vamos ao programa? Vamos a isso. As perguntas, as perguntas, as perguntas são as mesmas de sempre Senhor doutor, o que tenho eu? Senhor doutor? O que é que me vai acontecer? Em linguagem médica, pedimos sempre um diagnóstico, um resumo da nossa condição e, principalmente, um prognóstico. Com o que é que posso contar para o futuro? Implicitamente, as duas perguntas incorporam uma expectativa, um pedido de ajuda e uma esperança. As duas perguntas resumem se ao apelo Senhor doutor, safei me lá desta maleita. Claro que as respostas nem sempre são assim tão diretas e simples como gostaríamos, mas continuamos a fazer sempre as mesmas perguntas. Ao longo dos anos eu fui exercitando a minha tarefa de perguntador profissional em múltiplas conversas com este médico que se multiplica por várias áreas. Vaz Carneiro, especialista em Medicina Interna, em Nefrologia e em Farmacologia Clínica, e insiste sempre em estudar as evidências para responder aos seus doentes,...
    54 min
  • O cliente tem sempre razão? Gisele Paula
    Hoje falamos sobre a relação entre as empresas e os seus clientes.
    A maneira como dialoga.
    Se é que dialogam.
    Olhando para um mercado, as empresas criam e vendem produtos.
    E os consumidores compram e usam.
    Mas esta relação é bastante mais complexa que a mera transação.
    É uma relação emocional que vive de expectativas, de felicidades ou de amuos.
    Salvará a comunicação esta relação?
    O cliente tem sempre razão?
    Ou o dito é apenas uma boa desculpa retórica para reparar algo que correu mal?
    A relação com os clientes é um tópico capaz de encher muitos livros de conselhos e saberes.
    Mas nem sempre a teoria e a prática se juntam.
    Por exemplo, na forma como as organizações escutam ou descuram uma reclamação de um cliente.
    Há canais para ouvir o cliente ou apenas um enfadonho endereço de correio eletrónico ou um asséptico formulário com promessa de resposta sem prazo nem compromisso?
    Agora nesta relação empresa-cliente apareceram também os robôs automáticos com capacidade de responder às nossas perguntas.
    E esse diálogo acaba muitas vezes na ligação a uma página de perguntas e respostas que por coincidência ou o meu azar pessoal, tem raramente a resposta que queria ter à minha pergunta.
    E isso gera frustração. Por má comunicação. Por ausência de comunicação. Por lentidão no processo.
    Em busca de boas respostas, mais felicidade, decidi gravar uma conversa com Gisele Paula que lidera o Instituto Cliente Feliz e o sítio web Reclame Aqui.
    Portanto, cobre todas as possibilidades: a de tentar deixar o cliente feliz e de acolher a sua reclamação.
    Ela defende que só ouvindo os clientes em permanência, de preferência até com conselhos de clientes dentro da organização, é que se pode evoluir.
    E que em cada reclamação há uma boa oportunidade de melhorar.
    De tornar o cliente feliz.
    O tempo conta.
    E as expectativas também.
    Saber que as organizações nos ouvem e oferecem-nos mais do que produtos é um bom sentimento.
    Que consideram o que dizemos, que reparam o que correu mal imediatamente e que mudam o rumo aceitando sugestões.
    Só me sobra uma pergunta: se é assim tão óbvio porque raio de razão só as melhores empresa e organizações seguem a receita?
    Temos de falar sobre isto.
    TÓPICOS DE CONVERSA
    A importância da satisfação do cliente (00:00:00) Giselle Paula destaca a relevância da satisfação do cliente para o crescimento e prosperidade dos negócios.
    Trabalhando em três pilares (00:01:41) Giselle explica a necessidade das empresas trabalharem em três pilares: pessoas, processos e estrutura, para proporcionar uma experiência positiva ao cliente.
    Ouvindo atentamente os clientes (00:04:04) Giselle fala sobre a importância de ouvir atentamente os clientes, inclusive quando estão insatisfeitos, e de encarar as reclamações como oportunidades de melhoria.
    Criando um conselho do cliente (00:07:36) Giselle explica a criação de um conselho do cliente para trazer a perspectiva do cliente para o dia a dia da empresa.
    A reclamação como oportunidade de melhoria (00:13:12)
    Giselle ressalta que a reclamação é uma oportunidade para a empresa melhorar e uma forma de obter feedback valioso dos clientes.
    Importância de ouvir reclamações (00:16:14)
    Giselle destaca a importância de ouvir reclamações, mesmo que representem uma pequena parte dos clientes.
    Desafios do uso de chatbots (00:18:20)
    Discussão sobre o uso equivocado de chatbots e a importância de compreender quando os clientes desejam interagir com humanos.
    Relação emocional com o cliente (00:20:09)
    Giselle enfatiza a natureza emocional da relação com o cliente, mesmo em interações digitais.
    Impacto do mau atendimento (00:21:36)
    Destaque para o impacto negativo do mau atendimento, levando à perda de clientes e lucratividade.
    Interseção entre tecnologia e interação humana (00:23:17)
    Discussão sobre a importância de equilibrar a automação com a interação humana para atender às necessidades dos clientes.
    Cultura de atendimento ao cliente (00:27:11)
    Ênfase na importância da cultura organizacional e do papel da alta liderança na transformação da relação com o cliente.
    Convencendo os CEOs (00:28:02)
    Abordagem sobre a necessidade de falar a linguagem dos CEOs ao discutir a importância da experiência do cliente.
    Feedback e satisfação do cliente (00:29:45)
    Giselle compartilha sua abordagem como consumidora, enfatizando a importância do feedback e da busca por melhorias.
    Valorização do baixo esforço do cliente (00:31:18) Discussão sobre a valorização do tempo e da agilidade no atendimento ao cliente.
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    Esta transcrição foi gerada automaticamente. Por isso, ela pode não estar totalmente precisa.
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    Ora vivão, bem -vindos ao Pregunta Simples, o vosso podcast sobre comunicação. Hoje
    falamos sobre a relação entre as empresas e os seus clientes, a maneira como dialogam. Se
    é que dialogam? Como
    é que dialogam? Olhando
    para, o mercado as empresas criam e vendem produtos e os consumidores compram e usam. Mas,
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    esta relação é bastante mais complexa do que uma mera transação. É
    uma relação emocional que vive de expectativas, de felicidades ou de amores. Salvará
    a comunicação? Esta
    relação? Vamos
    ao episódio. Vamos
    a isso. O
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    cliente tem sempre razão ou dito é apenas uma boda, desculpa retórica para reparar algo que correu mal. A
    relação com os clientes é um tópico capaz de encher muitos livros de conselhos e saberes, mas nem sempre a teoria e a prática se juntam. Por
    exemplo, na forma como as organizações escutam ou discuram uma reclamação de um cliente. Há
    1:17
    canais para ouvir o cliente ou apenas um disfarce, um infadonho, endereço de e -mail ou um acético formulário com promessa de resposta sem prazo nem compromisso. Agora,
    nesta relação, a empresa cliente apareceu também os robôs automáticos, conhecidos como Chatbot, com a capacidade de responder às nossas perguntas. Mas
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    esse diálogo acaba muitas vezes na ligação a uma página de perguntas e respostas que por usar ao coincidência quase nunca tenha resposta que eu queria para a minha pergunta. E
    isso gera frustração por má comunicação, por ausência de comunicação, por lentidão no processo. Em
    1:53
    busca de boas respostas e de mais felicidade pessoal, gravei uma conversa com o Giselle Paula, que lidera o Instituto Cliente Feliz e o site Reclamaqui. Portanto,
    cobra todas as possibilidades de tentar deixar o cliente feliz e de acolher a sua reclamação. Ela
    2:08
    defende que só ouvindo os clientes em permanência, de preferência até com o conselho de clientes dentro das organizações, é que se pode evoluir. E
    que em cada reclamação há sempre uma boa oportunidade de melhorar. E
    de tornar o cliente mais feliz. Viva!
    2:27
    Giselle
    Paula é a CEO do Instituto Cliente Feliz, é também confundadora de uma plataforma chamada Reclamaqui e, além disso, escreveu um livro, aconselho a todos a poderem ler, chamado Cliente Feliz da Lucro. Giselle,
    2:42
    o que é isto num cliente feliz? Muito
    bem. Primeiro,
    Jorge, agradecer o convite de estar com você hoje aqui para falar de um tema que é tão relevante para nós como consumidores, porque vivemos todos os dias em relações de consumo. E
    2:59
    se fala muito pouco de como está a satisfação dos clientes. E
    a satisfação dos clientes hoje é fundamental para que os negócios continuem crescendo e prosperando. Então
    o cliente feliz, eu costumo dizer, que não é fazer tudo o que o cliente quer. E
    3:18
    sim fazer aquilo que ele precisa e proporcionar para ele um efeito que ele não espera. Então
    uma empresa que realiza o básico bem feito, entrega para o cliente que o que ele precisa, ela já ganha muitos pontos com ele. Porque
    3:35
    o cliente hoje vive um desafio muito grande para quando ele precisa resolver um problema com uma empresa. Então
    hoje dentro da nossa empresa, que é o Instituto Cliente Feliz, nós atuamos trabalhando dentro de grandes companhias, implementando a experiência do cliente, ensinando a fazer e refazendo os processos dela para que esses processos sejam condizentes com uma experiência mais fluida para o cliente. Então
    4:06
    o que é que faz? O
    que é que ensina? O
    que é que treina as empresas com quem trabalha para essa relação com o cliente? O
    que é que uma empresa precisa de ter de uma forma consciente na sua relação com os seus clientes? Legal,
    4:21
    Jorge. A
    empresa precisa trabalhar em três pilares. O
    Pilar de Pessoas, então treinar essas pessoas para que elas possam realizar uma prestação de serviço adequada para os clientes. O
    segundo pilar é de processos. Então
    4:38
    os processos dela tem que estar condizentes para que a experiência do cliente seja fluida, ou seja, se ela tiver muitas burocracias, problemas que o cliente enfrenta ali para poder retirar, por exemplo, uma segunda via de um boleto ou eliminar ali uma questão de uma dúvida ou um suporte. Os
    5:01
    processos dela tem que estar orientados para reduzir o esforço do cliente, ter um acesso mais fluido, menos burocracia. Para
    essa experiência funcionar melhor e gerar assim mais rapidões, mais eficiência operacional. E
    5:21
    o terceiro pilar é o pilar de estrutura, em que você embarca ali uma tecnologia nova, um processo de automação, inteligência artificial, para que a gente possa usar a tecnologia para oferecer uma experiência melhor para o cliente. Porém,
    5:41
    se você não trabalha essas três frentes de atuação, uma delas, se não tiver bem feita, ela corrompe as outras. Não
    adianta ter uma boa tecnologia, uma inteligência artificial maravilhosa para atender o cliente, se quando ele precisa falar com uma pessoa, ele é maltratado, por exemplo. Então,
    6:03
    quando a gente entra na empresa, a gente trabalha essas três frentes de atuação, esses três pilares. Mas
    muito com o olhar, Jorge, de trazer uma boa experiência para o cliente. Então,
    ...
    35 min
  • Como fotografar o momento certo? João Porfírio
    Tirar uma fotografia para documentar um momento importante da vida é uma experiência que todos temos.
    Antigamente apenas fazíamos fotografias de momentos mesmo muito importantes.
    Como um casamento ou baptizado, como o baile debutante ou o militar fardado em idade de ir à tropa.
    Era momentos raros. Tinham rituais próprios, que incluíam ir ao fotógrafo ou retratista profissional, vestir as melhores roupas e fazer os melhores penteados.
    Era o tempo das fotografias analógicas. De chapa ou de rolo de película.
    Tinham de ser reveladas antes de as vermos.
    Hoje vivemos o tempo click digital. Rápido, preciso, visto logo que feita a foto.
    Pronta para enviar, por mensagem ou rede social.
    Mas há algo que não mudou. Mudaram os equipamentos e as tecnologias, mas a filosofia do fotojornalismo e a sua essência não mudou.
    É estar no sítio certo, à hora certa, e fotografar, como testemunha, um acontecimento relevante para as nossas vidas.
    Este programa é sobre essa arte do retrato da actualidade.
    Da política à guerra, da intimidade da imagem pessoal aos grandes movimentos que nos interpelam.
    TÓPICOS DE CONVERSA
    Início (00:00:00) 
    Eleição do Presidente da Assembleia da República (00:04:38) João Porfírio fala sobre a eleição do presidente da Assembleia da República e a cobertura fotográfica do evento.
    Relação com Aguiar-Branco (00:06:42) João Porfírio discute sua interação com Aguiar-Branco e a abordagem fotográfica durante a eleição.
     Expressões e Emoções (00:08:51) João Porfírio fala sobre a busca por expressões faciais e corporais durante eventos políticos e eleições.
    Técnica Fotográfica (00:11:31) João Porfírio explica sua abordagem à escolha de ângulos e posicionamento para capturar as melhores imagens durante eventos políticos.
     Narrativa Fotográfica (00:13:53) João Porfírio discute a importância de capturar a perspectiva fidedigna das emoções dos políticos durante eventos políticos.
    A sorte do fotógrafo (00:13:56) João Porfírio fala sobre um momento inesperado durante a cobertura de um evento político.
    A presença de seguranças (00:16:35) Discussão sobre a presença de seguranças em eventos políticos e a influência na fotografia.
    A imagem pública de Pedro Nuno Santos (00:18:17) João Porfírio comenta sobre a imagem pública e a personalidade do político Pedro Nuno Santos.
    A imagem do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa (00:19:36) Análise da relação do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa com o público e a fotografia.
    Neutralidade do fotógrafo (00:21:49) Discussão sobre a neutralidade emocional do fotógrafo em diferentes contextos de cobertura.
    Fotografando a emoção (00:23:42) João Porfírio fala sobre a abordagem para capturar emoções em suas fotografias.
    A guerra da Ucrânia (00:24:48) João Porfírio compartilha a sua experiência inesperada durante a cobertura da guerra na Ucrânia.
    Preparação para a Ucrânia (00:25:13) João Porfírio fala sobre a decisão de ir para a Ucrânia antes da invasão e a urgência em chegar lá.
    Entrando na Ucrânia (00:25:50) João Porfírio descreve a sua chegada à Ucrânia e a importância jornalística de entrar no país naquele dia.
    Contratação de um Fixer (00:27:53) João Porfírio explica o processo de recrutamento de um fixer e os custos envolvidos na cobertura de guerra.
    Vantagens de ser Português na Ucrânia (00:31:43) João Porfírio destaca as vantagens de ser português na Ucrânia e a empatia das pessoas em relação a Portugal.
    Impacto da Guerra em Kiev (00:34:22) João Porfírio descreve a sensação de guerra em Kiev e as restrições impostas durante o recolher obrigatório.
    Medo em Kiev (00:36:25) João Porfírio fala sobre o seu medo em Kiev e a sensação de segurança em comparação com outras regiões.
    Edição e Omissão (00:38:51) Discussão sobre a seleção e edição de fotos em zonas de conflito, equilibrando informação e dignidade humana.
    Crise de Refugiados (00:43:16) Comparação entre a crise de refugiados na Europa e a situação dos refugiados em zonas de guerra.
    Realidade nos EUA (00:46:42) A percepção da realidade nos EUA e a tensão racial e política na América profunda.
    Violência Policial (00:48:25) Descrição de um evento de violência policial nos EUA, resultando em tensões e confrontos.
    Acesso a candidatos políticos (00:49:21) Discussão sobre o acesso e a distância física ao fotografar candidatos políticos em comparação com Joe Biden.
    Segurança de candidatos (00:49:32) Comparação da segurança de Joe Biden e Donald Trump, incluindo o acesso a aeronaves e carros blindados.
    Definição de uma grande fotografia (00:50:42) João Porfírio discute o que para ele constitui uma grande fotografia e a sua abordagem jornalística à fotografia.
    João Porfírio é fotojornalista.
    Um dos mais premiados jovens fotojornalistas portugueses.
    Diz sentir-se mais jornalista que fotografo.
    Mas é recorrendo a uma câmara fotográfica que documenta o nosso mundo.
    Esta conversa é sobre fotografias de momentos que mudam o nosso mundo.
    O pretexto inicial foi o trabalho que fez recentemente na cobertura da última campanha eleitoral. A maneira como fotografou políticos e povo numa osmose repetida nestes momentos de apelo ao voto.
    Os comícios, as arruadas, os discursos inflamados, as palmas ou os protestos de ocasião. Os momentos de coreografia ensaiada ou da surpresa absoluta, com o do caso da tinta que ativistas pelo clima, despejaram na cabeça do candidato e agora primeiro-ministro Luís Montenegro.
    As fotos documentem e contam uma história muito própria do momento da vida.
    Talvez o momento em que mais se sinta essa suspensão do momento da vida é nas grandes crises: com as guerras ou os momentos dos refugiados.
    João Porfírio fotografou ambos os cenários.
    Os migrantes que fogem da guerra ou da pobreza e chegam à Europa rica, mas de muros altos.
    E o do regresso da guerra à Europa, na Ucrânia, com fotos que se tiram, mas não se podem mostrar, tal é sua violência.
    Ele cobriu as campanhas eleitorais nos Estados Unidos, com Trump e Biden na corrida, tal como a de Bolsonaro no Brasil.
    Nos últimos dias combinamos gravar esta conversa por duas vezes. Mas a actualidade, sempre a actualidade mudou-nos os planos.
    Ele estava escalado para fotografar o dia 1 do novo parlamento.
    Com a eleição do novo Presidente da Assembleia da República.
    Um acto habitualmente sem sobressaltos, mas que acabou por se arrastar por 30 horas.
    53 min
  • Como sonhar uma marca? Carlos Coelho
    Fazer uma marca é mergulhar fundo na organização que a carrega.
    É por isso tudo menos cosmética.
    Sim, a cosmética moderna, o ‘marketing’, aparece para embelezar a marca.
    Mas o importante é o que está dentro.
    No fundo, a marca é a expressão comunicativa da identidade.
    Carlos Coelho tem um curioso método para decantar e libertar as marcas.
    Ele vai, nalguns casos, literalmente, viver e dormir nas organizações ou entidades que o contratam.
    Vai beber o ar que se respira. Cheirar o ambiente. Ouvir o ruminar das conversas.
    Falar, ouvir, comer, beber, estar, fazer parte, entender, ver e devolver uma fotografia.
    É com esse retrato que se funda marca.
    E que cores tem essa fotografia: algumas óbvias e evidentes: que cultura tem aquela organização, empresa ou região. Que missão reclama para si. E como planeia realizar essa missão no mundo.
    TÓPICOS DE CONVERSA
    (00:00:00) Início
    (00:00:12) A importância das marcas Discussão sobre a importância das marcas na identidade e filosofia de pessoas e entidades.
    (00:01:24) O método de imersão de Carlos Coelho Descrição do método de imersão de Carlos Coelho nas organizações para compreender a sua cultura e identidade.
    (00:02:40) Construção de marcas como edifícios e árvores Comparação da construção de marcas com edifícios e árvores, destacando a importância de pilares, raízes, imaginação e ambição.
    (00:03:57) A criação e desenvolvimento de marcas Exploração da metáfora de edifícios e árvores para explicar o processo de criação e desenvolvimento de marcas.
    (00:07:29) A intimidade com a marca Discussão sobre a importância de conhecer uma marca na intimidade, exemplificada com a experiência de dormir na livraria Lello.
    (00:09:19) Os cinco pilares da estrutura de uma marca Exploração dos pilares de patrimônio, ideologia, imagem, ambição e imaginação na estrutura de uma marca.
    (00:12:10) A importância da cultura na construção de marcas Discussão sobre a importância da cultura e identidade da organização na construção de marcas.
    (00:14:36) A falta de imaginação nas empresas Abordagem da falta de imaginação e ambição nas empresas na construção de marcas.
    (00:15:31) A importância da imaginação Discussão sobre a importância da imaginação e ambição na construção de marcas de sucesso.
    (00:16:21) Imersão nas organizações Exploração do método de imersão nas organizações para compreender a sua cultura e identidade.
    (00:17:37) Visão do futuro Reflexão sobre a importância de sonhar o futuro e a resistência em relação à imaginação.
    (00:19:50) Liderança na imaginação Discussão sobre a importância de ser líder na imaginação para inspirar e inovar.
    (00:24:20) Marcas políticas vs comerciais Comparação entre marcas políticas e comerciais e a importância da identidade e estrutura.
    (00:28:13) Cosmética de comunicação Reflexão sobre a ineficácia da cosmética tática na construção de marcas fortes.
    (00:28:56) Exemplo da TAP Abordagem sobre a resistência e resiliência da marca TAP ao longo dos anos.
    (00:29:32) A relação com a marca TAP Discussão sobre a relação de confiança e exigência com a marca TAP.
    (00:32:50) Marcas estrangeiras vs. marcas portuguesas Ênfase na preferência por marcas portuguesas e a importância de valorizar a marca Portugal.
    (00:33:36) Reputação da marca Portugal Análise da reputação e visibilidade da marca Portugal e a dificuldade em monetizar essa notoriedade.
    (00:35:47) Mentalidade em relação às marcas Discussão sobre a mentalidade em relação à valorização das marcas portuguesas e a necessidade de mudança.
    (00:37:14) Desenvolvimento de marcas em Portugal Reflexão sobre a capacidade de Portugal em desenvolver marcas sólidas e duradouras.
    (00:42:07) Desafios na construção de marcas coletivas Abordagem dos desafios e benefícios na criação de marcas coletivas em Portugal.
    (00:43:05) Importância da marca e liberdade do consumidor Discussão sobre a importância da marca na garantia de qualidade e liberdade do consumidor.
    (00:43:35) A importância da qualidade intrínseca Discussão sobre a importância do esforço, paixão e qualidade intrínseca na produção de produtos de alta qualidade.
    (00:44:09) A qualidade percebida e a comunicação das marcas Exploração da diferença entre qualidade intrínseca e qualidade percebida, e a importância da comunicação na valorização das marcas.
    (00:45:08) A estrutura da Coca-Cola e a relação com os consumidores Análise da estrutura da Coca-Cola e a importância da comunicação na relação com os consumidores para garantir a continuidade do consumo da marca.
    (00:46:24) A importância da comunicação na valorização das marcas Discussão sobre a importância da capacidade de comunicar na valorização dos produtos e marcas, e a relação entre a qualidade do produto e a comunicação.
    (00:47:59) Cuidado e responsabilidade na construção da marca pessoal Reflexão sobre a responsabilidade na construção da marca pessoal e a importância de cuidar da imagem e do conteúdo compartilhado.
    (00:50:13) Exploração e conhecimento do país para a construção de marcas Ênfase na importância de explorar e conhecer o país para falar sobre marcas coletivas, destacando a necessidade de vivenciar e compreender a cultura local.
    (00:52:04) Visão e paciência na construção de marcas Abordagem sobre a frustração e paciência necessárias ao observar uma visão clara que os outros ainda não viram, e a importância da humildade e técnica para convencer os outros.
    (00:53:25) Relacionamento interpessoal na construção de marcas Discussão sobre a delicada técnica de relacionamento interpessoal na construção de marcas e a importância de ajudar a materializar visões.
    As marcas constroem-se Como os Edifícios ou as Árvores Tudo parte de pilares e raízes fortes.
    É da identidade e sentido de missão que nasce a base para trabalho de fazer coisas.
    Mas depois há dois ingredientes mágicos para fazer uma marca de sucesso:
    Imaginação e Ambição. A imaginação não é apenas para sonhadores; é uma ferramenta poderosa para construir realidades. Aprendi como a ambição e a capacidade de sonhar grande são essenciais para levar as marcas a novos e mais elevados patamares.
    Finalmente entra a comunicação. Afinal, o Pergunta Simples é sobre comunicação.
    Falo da A Arte de Comunicar a Qualidade Não basta ter um produto de qualidade; é preciso saber comunicar essa qualidade ao mundo.
    De mostrar. De criar a perceção da qualidade. No fundo, de valorizar o que fazemos e o que somos.
    Vamos por isso entrar na cozinha-laboratório da Ivity de Carlos Coelho passeando pela sua montra de marcas. E pela maneira como elas se criam, desenvolvem e mostram ao mundo.
    Os sonhadores e os fazedores.
    A mistura boa para criar uma marca forte.
    Espero ter reabilitado os sonhadores nesta edição.
    Sem sonhadores e loucos visionários, nenhum futuro diferente nasce.
    Sem fazedores persistentes ficamos só a imaginar.
    Talvez seja mais fácil dar mais espaço aos fazedores. Afinal a sua realização é palpável, é concreta, podemos medir, pesar, quantificar.
    Quando aos sonhos eles são leves, ideais, escapistas da espuma dos dias e tão transparentes e necessários como o ar que respiramos.
    Suspeito que entre fazedores e sonhadores há um leve amuo permanente.
    Sonhar e fazer.
    LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO
    JORGE CORREIA (00:00:12) - Ora vivam! Bem vindos ao Pergunta Simples o vosso Podcasts sobre Comunicação. Hoje falamos de marcas, de como as marcas são importantes para nós, como se constroem, como se criam, como se reforçam marcas que não são só identificadores de produtos, mas principalmente berços para a identidade e filosofia de pessoas ou entidades. Se eu vos perguntar um par de marcas assim de cabeça, vão seguramente aparecer de forma imediata, várias na ponta da língua. Temos a nossa cabeça cheia de marcas que usamos como rótulos para catalogar o nosso mundo. Sim, como consumidores, mas também como seres sociais que se relacionam com estas formas de identidade. E isso pode ir desde a gigantesca marca chamada Portugal à mais humilde e egocêntrica marca o eu. Jorge, uma marca unipessoal que carrega todas as minhas virtudes e todas as minhas dores. Mas eu prefiro sempre a marca deste podcast. Pergunta simples a escolha de palavras não foi aleatória e representa uma filosofia do programa. Aqui fazem se perguntas para tentar simplificar coisas complexas. Foi o que fiz nesta edição com Carlos Coelho, um dos nossos mais importantes fazedores de marcas.
    JORGE CORREIA (00:01:24) - Vamos ao programa. Vamos a isso. Fazer uma marca e mergulhar fundo na organização que a carrega. É, por isso tudo menos cosmética. Sim, a cosmética moderna, o marketing aparece depois para embelezar a marca. Mas o importante é o que está lá dentro. No fundo, a marca é a expressão comunicativa da identidade. Carlos Coelho Tenho um curioso método para decantar e libertar as marcas. Ele vai, nalguns casos, literalmente, viver e dormir dentro das organizações ou entidades que o contratam. Vai beber o ar que se respira, cheirar o ambiente, ouvir o ruminar das conversas, falar, ouvir, comer, beber, estar, fazer parte, entender, ver e devolver. Depois uma fotografia. É com esse retrato que se funda ou desenvolve a marca. E que cores tem essa fotografia? Algumas são óbvias e evidentes. Que cultura tem aquela organização e empresa ou região? Que missão reclama para si e como planeia realizar essa missão no mundo? No fundo, as marcas constroem se como os edifícios ou como as árvores.
    JORGE CORREIA (00:02:40) - Tudo parte de pilares e raízes fortes e de identidade e sentido de missão que nasce a base para o trabalho de fazer coisas. Mas depois há dois ingredientes mágicos para fazer uma marca de sucesso a imaginação e a ambição. A imaginação não é só para sonhadores,...
    56 min
  • Como se relata o melhor golo do mundo? Nuno Matos
    Minuto 109.
    Final do campeonato da Europa de 2016
    Éder chuta e a bola entra na baliza francesa, tornando Portugal campeão.
    Em Paris.
    Nenhum destas linhas faz jus à emoção de ver em directo o momento.
    Nem há emoção carregada na voz dos jornalistas e narradores desportivos dessa noite, no estádio.
    É esse momento sublime da liturgia do relato de futebol que quero fotografar nesta edição.
    TÓPICOS DE CONVERSA
    O fascínio da bola e do futebol (00:00:12) Discussão sobre o fascínio da bola e do futebol na forma narrada, destacando a emoção do jogo.
    Preparação e experiência de Nuno Matos (00:01:35) Nuno Matos partilha a sua experiência e processo de preparação para relatos de futebol, salientando a importância da relação com as fontes, a parte emocional na narração e a evolução das tecnologias utilizadas.
    Preparação para uma competição (00:03:44) Nuno Matos fala sobre como se prepara para uma competição, incluindo o acompanhamento das equipas, treinos, lesões e a importância das fontes credíveis.
    Relato de futebol e relação com as fontes (00:06:13) Discussão sobre a relação de confiança com as fontes e a importância do timing na divulgação de informações sensíveis, como a convocatória de jogadores.
    Abordagem emocional no relato de futebol (00:08:30) Nuno Matos destaca a importância de ser informativo, descritivo e emocional no relato de futebol, transportando a paixão e a emoção do jogo para os ouvintes.
    Momento mágico na história do futebol português (00:10:08) Nuno Matos recorda o momento-chave da história do futebol português, a final do campeonato da Europa de 2016, destacando a emoção e a importância desse momento.
    Preparação Técnica (00:15:40) Discussão sobre a preparação técnica para relatos desportivos, incluindo problemas com a linha e soluções.
    Relatos em Condições Adversas (00:16:04) Narrador partilha experiências de relatos em condições adversas e a importância da confiança e profissionalismo.
    Ligação com os Ouvintes (00:18:11) Discussão sobre a importância da ligação com os ouvintes e a interação através das redes sociais.
    Emoção na Narração (00:19:58) Exploração da relação emocional do narrador com os clubes e a seleção, e a importância da imparcialidade no jornalismo desportivo.
    A Importância da Narração (00:21:09) Reflexão sobre a importância da narração desportiva e a responsabilidade de capturar momentos únicos.
    Impacto do Desporto na Imprensa (00:22:42) Análise do papel do desporto na imprensa e o impacto dos narradores desportivos na vida das pessoas.
    Momento Crucial no Futebol (00:25:36) Discussão sobre o momento crucial da lesão de Cristiano Ronaldo durante a final do campeonato europeu.
    Entrevistas no Jornalismo Desportivo (00:28:04) Reflexão sobre a profundidade das entrevistas no jornalismo desportivo e a busca por ângulos diferentes.
    Formação de Jornalistas (00:29:15) Análise da formação de jornalistas e a importância de procurar abordagens originais nas reportagens.
    O problema da comunicação nos clubes (00:30:05) Discussão sobre a má comunicação dos clubes e a falta de disponibilidade dos jogadores e treinadores para falar.
    Bernardo Silva e outros heróis do desporto (00:30:46) Elogio à capacidade de comunicação de Bernardo Silva e a importância de reconhecer heróis de outros desportos.
    Mudança de paradigma na cobertura desportiva (00:32:11) Reflexão sobre a mudança na cobertura dos jornais desportivos e a necessidade de valorizar outros desportos.
    Os treinadores no futebol português (00:33:01) Análise dos treinadores de futebol português, destacando as diferentes abordagens comunicativas de cada um.
    Trabalho emocional e mental no futebol (00:36:09) Ênfase na importância do trabalho emocional e mental dos jogadores e treinadores no futebol.
    Comunicação dos treinadores e seleção nacional (00:41:50) Discussão sobre a comunicação dos treinadores e a liderança na seleção nacional, com destaque para Roberto Martínez.
    Problemas nos jogos juvenis (00:42:54) Preocupação com o comportamento dos pais nos jogos juvenis e o impacto negativo na carreira dos jovens jogadores.
    00:44:31 - Jogadores em destaque Discussão sobre jogadores promissores em clubes portugueses e o seu potencial de transferência internacional.
    00:47:04 - Fadiga pós-jogo Nuno Matos fala sobre o seu estado físico e emocional após narrar intensamente durante um jogo.
    00:47:52 - Reconhecimento internacional Nuno Matos menciona prémios e reconhecimento internacional pelo seu trabalho de narração desportiva.
    00:49:02 - Cuidados pessoais e agradecimento Nuno Matos fala sobre a sua saúde e a importância da entrega emocional na sua narração, agradecendo o apoio do público.
    00:50:15 - Conexão com os ouvintes no exterior Nuno Matos destaca a importância da rádio em aproximar os ouvintes no exterior com Portugal e o seu trabalho como narrador desportivo.
    00:51:48 - Reconhecimento e humildade Nuno Matos menciona o reconhecimento de figuras importantes e destaca a importância de tratar todos os ouvintes com igualdade.
    00:52:13 - Força do futebol e da rádio Nuno Matos fala sobre a força do futebol e da rádio em unir as pessoas e destaca a importância da dedicação diária ao trabalho de narração desportiva.
    00:52:53 - Reconhecimento dos erros Nuno Matos aborda a importância de reconhecer e corrigir os erros durante a narração desportiva, enfatizando o ser genuíno e apostar na ligação com o público.
    Nuno Matos. Há 35 anos descreve-nos o que está a acontecer em momentos desportivos-chave.
    E não é só futebol.
    Nas palavras carrega o descritivo dos factos que vê mas, principalmente, o sonho do herói.
    O carregamento emocional da grande vitória ou da mais humilhante das derrotas.
    Sempre entre o céu e o inferno.
    Entre o mais improvável dos heróis, como Éder na final do europeu, ou a mítica história do deus grego que por acaso nasceu português chamado Cristiano Ronaldo.
    Talvez o futebol não seja só futebol.
    E a voz carrega essa narrativa da superação permanente.
    Não sei se vos acontece, mas por mais mágicas que sejam as imagens de um jogo de futebol da televisão, não há emoção que supere um relato na rádio.
    Essa fala ao ouvido, ora descritiva, ora emocional, é torrencial.
    Essa voz é uma marca de verdades impossível de esquecer ou apagar.
    Num relato temos o privilégio de estar lá, no meio do campo, apenas guiados pelo som.
    Isto é comunicação.
    LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO
    JORGE CORREIA (00:00:12) - Cor Viva um Bem vindos ao Pergunta Simples o vosso Podcasts sobre comunicação. O fascínio que uma bola exerce sobre uma criança é das coisas mais curiosas do mundo. O que tem de mágico? O rolar de uma bola? O que provoca nas nossas mentes infantis ou até nos mais crescidos? Esta edição é toda sobre o mágico mundo da bola. O futebol na sua forma narrada. Sim, vamos ligar nos às vozes de rádio que nos trazem a emoção do jogo ao minuto, o relato de futebol. Mas o relato do futebol é muito mais do que um simples descrever de 22 pessoas atrás de uma bola. É toda uma estética emocional e toda a mitologia dos heróis que me interessa. E sobre isso esta edição. Minuto 109, final do Campeonato da Europa de 2016, Éder chuta a bola que entra na baliza francesa, tornando Portugal campeão em Paris, logo em Paris. Nenhuma destas linhas faz jus à emoção de ver em directo o momento, nem a emoção carregada na voz dos jornalistas e narradores que nessa noite no estádio, nos contaram o golo de Éder e esse momento sublime da liturgia do relato de futebol que quero fotografar nesta edição.
    JORGE CORREIA (00:01:35) - Sigo pela voz de um companheiro de sempre nas lides da telefonia, Nuno Matos, há 35 anos, a descrever nos o que está a acontecer em momentos desportivos chave. E não é só futebol. Nas palavras carrega o descritivo dos factos que vê, mas principalmente o sonho do herói, o carregamento emocional da grande vitória ou da mais humilhante das derrotas de sempre entre o céu e o inferno, entre o mais improvável dos heróis como o Éder na final do Europeu ou a mítica história do deus grego que por acaso nasceu português, o Cristiano Ronaldo. Talvez o futebol não seja só futebol e a voz carrega essa narrativa da superação permanente. Viva! Nuno Matos.
    NUNO MATOS (00:02:23) - Prazer é meu.
    JORGE CORREIA (00:02:24) - Camarada.
    NUNO MATOS (00:02:25) - Encontro.
    JORGE CORREIA (00:02:26) - Trabalhamos muito, muito tempo, muitos anos. Europeus, de futebol, mundiais de futebol. Tu lá no bem bom e eu do lado. Eu do lado de cá, apenas e apenas ouvido. Acabas de chegar da África.
    NUNO MATOS (00:02:39) - Sim, estive na Costa do Marfim a fazer a Taça das Nações Africanas, a principal competição de seleções da África, e ainda não tinha no currículo um can.
    NUNO MATOS (00:02:50) - E foi o meu primeiro ano. Tenho já seis mundiais, vou para o meu sétimo Europeu. E foi meu o meu primeiro canto, portanto uma estreia. A minha estreia foi Sendo que quando tu.
    JORGE CORREIA (00:03:00) - Quando tu fazes uma cobertura aqui, lembro me do Europeu, da Holanda e da Bélgica. Lembro me da Alemanha. Lembro me de França, claro. Todos nos lembramos de França. É completamente diferente, não é?
    NUNO MATOS (00:03:13) - Sim, é uma competição com uma exigência diferente, até em termos de condições de trabalho. É mais difícil, mas. Mas merece a pena.
    JORGE CORREIA (00:03:21) - Estavas mal habituado.
    NUNO MATOS (00:03:22) - Eu sei que estava mal habituado, mas enfim. Mas vamos dar também uma nota positiva à Costa do Marfim, que acabou por organizar até de forma de forma superior esta Esta competição. É que eu costumo dizer quem dá o que tem a mais não é obrigado. Olha, fala.
    JORGE CORREIA (00:03:38) - Me da maneira como te preparas para para uma competição destas ou para para o Jaguar ou para os.
    ...
    56 min
  • O que diz o médico? Fernando Leal da Costa
    Estar doente é recordar o nosso estatuto de seres mortais.
    A sensação de desamparo, medo, imprevisibilidade e necessidade de ajuda é real e verdadeira.
    Quanto mais séria for a condição de saída, mais aguda é essa necessidade.
    Necessidade de reparação. Física e psicológica.
    TÓPICOS E TEMPOS
    Escutar os Doentes (00:03:15) Como escutam os médicos os seus doentes, Fernando Leal da Costa fala sobre a importância da comunicação não verbal.
    Linguagem na Comunicação Médica (00:06:34) Fernando Leal da Costa discute a importância de traduzir as informações médicas para uma linguagem compreensível e de separar o que é importante do acessório, nos relatórios médicos.
    Impacto da Internet e Inteligência Artificial (00:08:09) A discussão aborda o impacto da ‘internet’ e da inteligência artificial na medicina, salientando a necessidade de orientar os doentes e o potencial tranquilizador ou inquietante destas ferramentas.
    Medicina Baseada na Evidência e Inteligência Artificial (00:10:47) A medicina baseada na evidência e o debate sobre a capacidade atual das máquinas em substituir o diagnóstico humano.
    Responsabilidade na Era da Inteligência Artificial (00:13:22) A discussão centra-se na responsabilidade e na confiança na era da inteligência artificial, abordando o papel do médico como mediador e a importância da confiança do doente.
    Lidar com a Incerteza na Prática Médica (00:16:17) A complexidade de lidar com a incerteza na prática médica, especialmente em situações de tratamento paliativo, e a importância de ser honesto com o doente.
    A Importância da Escuta Ativa (00:18:16) O médico discute a importância de mudar a conversa para assegurar que o doente seja ouvido.
    Adaptação à Doença (00:19:26) O médico aborda diferentes mecanismos de adaptação dos doentes à doença, incluindo a negação e a procura por informações.
    A Relação entre Pensamento Positivo e Prognóstico (00:21:19) É discutida a relação entre o pensamento positivo dos doentes e o prognóstico, especialmente em casos de cancro.
    Impacto da Pandemia nos Profissionais de Saúde (00:25:56) O médico fala sobre o impacto da pandemia nos profissionais de saúde, incluindo a perda de doentes e o medo das infeções respiratórias.
    Reorganização do Sistema de Saúde (00:29:22) O médico propõe uma reorganização do sistema de saúde para ampliar a resposta e assegurar acesso a qualquer médico disponível, público ou privado.
    Custo do Tratamento do Cancro (00:31:53) É abordado o aumento do custo do tratamento do cancro em comparação com a eficácia do tratamento.
    O Custo do Sucesso (00:32:12) Discussão sobre o aumento da procura por serviços de saúde, o fenómeno das urgências e a busca por atendimento médico.
    Falta de Médicos Experientes (00:36:20) Falta de médicos mais velhos para ensinar a nova geração, consequências das decisões políticas e distribuição etária dos médicos.
    Emigração de Médicos (00:38:27) Motivos da emigração de médicos portugueses para outros países da União Europeia e as condições de trabalho.
    Desafios da Nova Geração (00:41:30) A menor tolerância da nova geração para más condições de trabalho e a procura por um equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
    Adaptação às Mudanças (00:43:53) A evolução da medicina com a introdução da tecnologia e a necessidade de tornar o sistema mais amigável para os médicos.
    A Importância da Comunicação Médico-Paciente (00:44:41) Discussão sobre a vontade de conversar dos médicos mais novos e a necessidade de apoio e estímulo.
    Mudanças no Sistema de Saúde (00:45:38) Reflexão sobre a dinâmica da evolução da medicina e a distribuição desigual de médicos e enfermeiros em Portugal.
    Participação dos Cidadãos nas Decisões de Saúde (00:46:59) Debate sobre a voz dos cidadãos na política de saúde e a necessidade de maior inclusão e responsabilidade dos eleitos.
    O Futuro da Medicina (00:50:26) Reflexão sobre a satisfação profissional enquanto médico e a expectativa de avanços tecnológicos na medicina.
    Nesta edição ouço um médico com quem aprendi muitas coisas. Falei com ele ao longo da vida, e nos seus vários papeis, dezenas de vezes.
    Médico, pensador da saúde pública, alto funcionário do SNS e até, secretário de estado e finalmente ministro da saúde.
    Falo de Fernando Leal da Costa.
    É médico especialista em hematologia e oncologia.
    De forma mais direta e muito simplifica da: trata doentes com cancro no sangue.
    O que significa ouvir muitos doentes, explicar coisas difíceis, saber que nunca se sabe de tudo a todo o tempo e cultivar uma relação de confiança com outros seres humanos em grande sofrimento.
    É sobre esse momento quase sagrado da fala e da escuta que nos debruçamos nesta edição.
    O momento da pergunta e das respostas.
    Da esperança e dos limites da possibilidade humana de resgatar o outro.
    Entre a compaixão e o caminho que ainda falta percorrer.
    Com o diálogo necessário, delicado e negociado entre o médico e o doente.
    O que quer saber tudo. O que evita saber e delega tudo.
    A comunicação não inclui só palavras. Há os gestos e os não ditos.
    LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO
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    JC (00:00:00) - Viva. Professor Fernando Leal da Costa, médico hematologista e oncologista, tem as duas especialidades. Teve um pé também pela política e al...
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    JC (00:00:00) - Viva. Professor Fernando Leal da Costa, médico hematologista e oncologista, tem as duas especialidades. Teve um pé também pela política e alguém que intervém na sociedade a refletir sobre estas coisas de saúde. Interessa muito. Para começar, é sempre uma curiosidade que eu tenho, que é como é que se escutam os doentes.
    FLC (00:00:25) - Com muita atenção. Há um conjunto de mensagens que são relativamente directas e que resultam das perguntas que nós, mais ou menos, eu diria consuetudinária mente fazemos. E depois há toda uma comunicação associada, que era a forma como as coisas são ditas, que era aquilo que não é dito, a própria mímica que nos transmite um conjunto de informações muito importantes para conhecermos aquela pessoa e de alguma forma conseguirmos adaptar progressivamente a nossa mensagem a aquilo que são, por um lado, as necessidades e, por outro lado, os desejos de quem nos escuta.
    JC (00:01:08) - Isso vê se logo desde o momento em que essa pessoa entra no consultório.
    FLC (00:01:13) - Sim, quando já temos algum treino. A forma como a pessoa se aproxima de nós se dirige até à cadeira onde se vai sentar.
    FLC (00:01:24) - O tempo que por vezes espera até decidir sentar se ou eventualmente até alguns doentes, enfim, mais tradicionais, esperarem que lhes seja indicado que se devem sentar. Tudo isso são indicações preciosas e depois a própria forma como aqueles metros são percorridos, uma vez que nós infelizmente não temos acesso a ver o doente percorrer o corredor e essa seria uma informação importante. Aqueles pequenos métodos já nos dizem muito sobre, por exemplo, a condição física da pessoa, a condição emocional e já nos prepara de alguma forma para aquilo que nós podemos. Quer em termos daquilo que são as ferramentas terapêuticas, quer em termos daquilo que são as ferramentas comunicacionais. Utilizar quer.
    JC (00:02:06) - Dizer que o corpo que o nosso corpo fala.
    FLC (00:02:09) - Muitíssimo. Muitíssimo. E essa é uma das partes mais importantes da medicina e sermos capazes de ler. Toda a comunicação que está associada à pessoa e que não depende estritamente da fala. As pessoas literalmente falam com o corpo e o corpo sendo observado. Transmite nos imensa informação de extrema utilidade para as decisões que temos que tomar em proveito dessa própria pessoa.
    JC (00:02:36) - Quando, Quando nós estamos numa situação de fragilidade, como é o caso dos doentes e em particular doentes de cancro, onde as notícias não são boas e o início da conversa, digamos, nós, pelo menos aqueles doentes que que mais, que mais cuida? Preocupa se com no fundo com o medico. Ex. Há sempre aquela quando nós abrimos um exame médico não entendemos o que é que lá está. O doente no fundo está fragilizado, está com medo, muitas vezes naturalmente, não sabe o que é, o que lhe está a acontecer, não sabe como é que é o futuro. E depois há ali um médico que que o pode ajudar, seguramente. E então ele é a linguagem.
    FLC (00:03:19) - É fundamental descodificar e traduzir para termos que sejam perceptíveis por toda a gente a informação que nós consideramos que é importante para essa pessoa. Normalmente, os relatórios dos exames têm muita informação que eventualmente até pode ser importante para o médico. Pode ser importante até como controlo de qualidade relativamente a quem lê aquilo, mas que não tem nenhum impacto clínico significativo.
    FLC (00:03:49) - É um dos trabalhos que nós temos é explicar aos doentes, separar. No fundo, não diria o trigo do joio, mas aquilo que é importante do que não é importante e, ao mesmo tempo, utilizar linguagem que qualquer pessoa seja capaz de entender.
    JC (00:04:01) - A ideia de conseguirmos fazer algum dia, de termos relatórios médicos para tótós pode fazer sentido ou é perigoso e perigoso.
    FLC (00:04:09) - É preferível utilizar a linguagem convencional na comunicação entre médicos e depois entregar ao profissional o trabalho de descodificar essa linguagem. E é curioso que os médicos, se o fizerem bem feito, ao fim de algum tempo, assistimos aos doentes a discutirem connosco, quase que em pé de igualdade, as análises clínicas e os exames, porque nós ensinamos lhes eles saberem interpretar aquilo. Isto é extremamente importante para que o doente, ele próprio, seja capaz de fazer uma avaliação do seu, do seu estado, da sua resposta,...
    53 min
  • Como fotografar a Liberdade? Eduardo Gageiro
    O 25 de abril de 1974. Celebramos, este ano, os 50 anos da Revolução dos Cravos
    O ano do advento da Liberdade.
    Esse dia foi retratado por um dos mais célebres e premiados fotojornalistas portugueses: Eduardo Gageiro.
    Encontrei-o num sábado na exposição de múltiplas fotografias que tirou desde 1957.
    Exposição na Cordoaria Nacional aberta e gratuita até 5 de maio.
    Esta conversa tem luz e sombra.
    É desse contraste que se faz a narrativa do Portugal contemporâneo.
    Esta edição é um testemunho da história.
    Viva a Liberdade
    TÓPICOS E TEMPOS
    (00:05:27) Convocado para a Revolução Eduardo Gageiro é convocado para fotografar a revolução.
    (00:06:50) Encontro com Salgueiro Maia Eduardo Gageiro conhece o comandante Salgueiro Maia.
    (00:07:49) Tensões e negociações Eduardo Gageiro testemunha negociações e tensões durante a revolução.
    (00:09:34) Medo e experiência anterior com a PIDE Gageiro relembra o seu medo e a sua experiência anterior com a PIDE.
    (00:12:44) Momento de confronto Descrição do momento de confronto entre Salgueiro Maia e a cavalaria sete.
    (00:14:39) A possibilidade de disparo evitada Eduardo Gageiro descreve o momento em que a possibilidade de alguém disparar um tiro foi evitada.
    (00:15:52) Exposição em Barcelos Eduardo Gageiro fala sobre uma exposição e um colóquio com participantes do 25 de abril.
    (00:17:26) O momento decisivo Conversa sobre um momento crucial da revolução e a relação pessoal entre dois homens.
    (00:18:53) Fotografando Salgueiro Maia Eduardo Gageiro descreve a sua experiência fotografando Salgueiro Maia durante o 25 de abril.
    (00:20:42) Desaparecimento das fotografias Discussão sobre o desaparecimento de fotografias importantes do 25 de abril.
    (00:22:52) Fotografia simbólica Eduardo Gageiro descreve uma fotografia simbólica do Salazar na sede da PIDE.
    (00:25:02) Paixão pela fotografia Eduardo Gageiro fala sobre a sua paixão pela fotografia desde jovem e sua influência social.
    (00:27:22) O mundo desconhecido Eduardo Gageiro descreve a perplexidade ao descobrir a corrupção na distribuição de alimentos durante a sua infância.
    (00:29:27) Influência e politização Gageiro fala sobre a influência de pessoas e livros na sua politização e formação como fotógrafo.
    (00:30:30) Início na fotografia Gageiro conta como começou a fotografar e recebeu orientações de um mentor sobre composição e técnica.
    (00:35:30) Primeiros prémios Gageiro relata a sua experiência ao ganhar o seu primeiro concurso de fotografia e o impacto disso na sua carreira.
    (00:39:00) Reconhecimento internacional Gageiro discute a importância dos prémios na sua carreira e como isso o levou a ser reconhecido internacionalmente.
    (00:39:20) Mudanças após o 25 de abril Eduardo fala sobre como a sua visibilidade mudou após a revolução.
    (00:40:46) Viagens e prémios internacionais Eduardo descreve as suas viagens pela China, Índia e outros países, e seus prémios.
    (00:43:23) Prêmio do Pravda Eduardo conta sobre o prémio que ganhou do jornal oficial do partido comunista russo.
    (00:45:16) Persona non grata Eduardo fala sobre como se tornou "persona non grata" após se filiar a um partido.
    (00:46:39) Documentando Portugal Eduardo explica a sua preferência por fotografar o ser humano e as lutas do país.
    (00:47:54) Fotografia de Salazar Eduardo compartilha a história por trás de uma fotografia que tirou de Salazar.
    (00:50:26) Estética na fotografia Eduardo discute a importância da estética e do equilíbrio na fotografia.
    (00:51:51) Fotografando o caixão de Salazar Eduardo Gageiro descreve a sua experiência fotografando o caixão de Salazar e a reação das autoridades.
    (00:55:53) Retratos de personalidades Gageiro fala sobre a importância da confiança para capturar retratos autênticos e destaca o retrato de Champalimaud.
    (00:58:36) Fotografando o presidente Gageiro descreve a sessão de fotos com o presidente, incluindo a persuasão para usar luvas de boxe.
    (01:01:12) Desafios na sessão de fotos Gageiro conta como convenceu o presidente a usar luvas de boxe e a interação durante a sessão de fotos.
    (01:04:36) A luta pela publicação das fotografias Eduardo Gageiro fala sobre o esforço para convencer a senhora a publicar as suas fotografias.
    (01:05:43) Histórias engraçadas e desagradáveis O fotógrafo compartilha experiências divertidas e desagradáveis ao fotografar personalidades.
    (01:06:33) O desafio de fotografar um político Gageiro revela a dificuldade em capturar a essência de um político durante uma sessão de fotos.
    (01:07:29) A força da fotografia de Amália Rodrigues O fotógrafo destaca a intensidade e a expressão da famosa fadista portuguesa nas suas fotografias.
    (01:09:08) Fotografando com energia e emoção Gageiro descreve o processo de fotografar Amália Rodrigues com intensidade e emoção.
    (01:09:46) Reflexões sobre o futuro de Portugal Eduardo Gageiro expressa as suas preocupações e desejos para um Portugal melhor e reflete sobre questões políticas globais.
    Liberdade.
    Subitamente passaram 50 anos.
    Para quem nasceu em finais de 1971 o 25 de abril é vivido pela memória dos familiares e dos amigos mais velhos. Depois lido em livros, recortes de jornais na hemeroteca por alturas do curso de jornalismo.
    Há ainda as memórias do antes.
    Da vida censurada e sem liberdade de expressão. O medo dos bufos e da PIDE, Do risco ou realidade de ir parar a guerra colónial. Das fugas a salto para emigrar para a França ou Alemanha.
    Em busca de uma vida melhor.
    E depois, o dia da celebração da Liberdade.
    É desse dia que me ficam os relatos e retratos das testemunhas profissionais: os jornalistas e os fotojornalistas.
    As reportagens com a voz de Adelino Gomes, que retratou na palavra o pulsar desde dia. Do 25 de abril de 1974, na rádio.
    E das eternas e mágicas fotografias de Eduardo Gageiro.
    Captando o olhar de Salgueiro Maia. Ou o seu morder do lábio para não chorar.
    Seria medo? Seria alegria?
    Estas fotos tem tudo. Do mais humilde ao mais grandioso. Há uma portugalidade intrínseca e emanente nessas imagens.
    Tal como estão expressas nas reportagens fotográficas do Portugal muito pobre do antes. As imagens inesquecíveis das crianças sujas e descalças no meio de caminhos duros e casas cinzentas.
    O retrato do Portugal escondido. Da desigualdade estrema.
    Gageiro viu os operários sem sapatos da fábrica de Sacavem e os visitantes nocturnos vindos do casino, homens bem-vestidos e acompanhados pelas suas amantes, a quem o pai organizava banquetes onde havia todos os sabores e alimentos que inversamente eram negados aos que não pertenciam ao clube.
    Havia o bacalhau do contrabando e sabe deus mais o quê. Havia tudo do bom e do melhor, mas apenas para alguns.
    Essa desigualdade ainda preocupa Gageiro.
    O fotografo que também retratou o glamour dos nossos maiores: há Amália, há Eusébio, há os poetas, os politicos, os poderosos, o povo.
    Os muito ricos. Os muito pobres. Os intelectuais. Os trabalhadores da força de braços. Os músicos e os escritores. Será esta mistura um vislumbre da alma na não portuguesa?
    Há Sofia de Mello Breyner que escreve em 4 estrofes tudo sobre o 25 de abril:
    “Esta é a madrugada que eu esperava
    O dia inicial inteiro e limpo
    Onde emergimos da noite e do silêncio
    E livres habitamos a substância do tempo.”
    Esta conversa foi para mim um privilégio.
    E um gosto poder partilhá-la com todos.
    Espero ter conseguido entender tudo o que me disse
    LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO
    TRANSCRIÇÃO AUTOMÁTICA
    0:12
    Ora vivam.
    Bem-vindos ao pergunta simples o vosso podcast sobre comunicação, sobre comunicação e, sobretudo, o resto sobre a vida, sobre as histórias, sobre a história, logo este ano em que celebramos 50 anos do 25/04/1974, o ano do advento da Liberdade.
    0:32
    Este dia foi retratado por um dos mais célebres e premiados fotojornalistas portugueses, Eduardo gageiro encontrei-o num sábado na sua exposição de múltiplas fotografias, que tirou desde 1957 exposição na cordadoria nacional.
    Está aberta até 5 de maio e é de entrada gratuita.
    0:49
    Esta conversa tem luz e sombra.
    É deste contraste que se faz a narrativa do Portugal contemporâneo.
    Esta edição é um testemunho da história.
    Viva Liberdade.
    1:14
    Liberdade subidamente passaram 50 anos para quem nasceu em finais de 1971.
    O 25 de abril é vivido pela memória dos familiares e dos amigos mais velhos e depois lido em livros ou em recortes de jornais, na embroteca por alturas do curso de jornalismo.
    Mas há ainda as memórias do ano.
    1:35
    Da vida censurada e sem Liberdade de expressão, do medo dos bufos e da pide, do risco da realidade de ir parar à guerra colonial, das fugas assalto para emigrar para a França ou para a Alemanha em busca de uma vida melhor e depois o dia da celebração da Liberdade.
    1:53
    É desse dia que me ficam os relatos de retratos, de testemunhas profissionais pelos jornalistas e os fotojornalistas, as reportagens com a voz de Adelino Gomes, que retratou na palavra.
    O pulsar desse dia do 25/04/1974.
    2:10
    Na rádio e das eternas e mágicas fotografias de Eduardo gageiro, captando o olhar de Salgueiro Maia, Oo seu morder de lábio para não chorar seria medo, seria Alegria.
    Estas fotos têm tudo, do mais humilde ao mais grandioso.
    2:30
    Há uma portugalidade intrínseca e imanente nessas imagens, tal como estão expressas noutras portagens fotográficas que fiz do Portugal, muito pobre do antes, as imagens inesquecíveis das crianças.
    Sujas e descalças, no meio de caminhos duros e casas cinzentas, o retrato do Portugal escondido da vergonha da desigualdade gageiro, viu e mostrou-nos essa desigualdade Extrema viu nos operários, sem sapatos da fábrica de sacavém, ou nos visitantes noturnos vindos do Casino, homens bem vestidos e acompanhados pelas suas amantes,...
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    Talvez seja por isso que quando algum decisor é percecionad...
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