Pergunta Simples

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Pergunta Simples episodes

  • Como comunicam os políticos? Domingas Carvalhosa
    Há uma coisa crítica para qualquer comunicação. Boa comunicação: o tempo.
    O tempo certo.
    Claro que o modo importa. Claro que a audiência é vital. E naturalmente a mensagem é crítica. Mas sem um bom timing, tudo pode ser perfeito e falhar redondamente.
    E, por que estou eu a falar do tempo certo para comunicar?
    Porque a última semana demonstrou como na comunicação, tal como na política, o tempo é quase tudo.
    As surpresas fazem parte da vida.
    Deve ser a isso a que se refere um conceito chamado VUCA.
    Traduzindo a sigla é sobre um mundo cada vez mais Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo.
    Mas não foi sempre assim? Parece que sim. Mas agora ficou na moda dizer que ninguém controla nada de nada.
    E isso para quem julga que manda ou contra a marcha do mundo, deve ser profundamente angustiante.
    Este programa era para ser sobre comunicação, reputação e posicionamento das organizações.
    Saber o que fazem as empresas e como trabalham as agências de comunicação e relações-públicas que as apoiam.
    Uma conversa com Domingas Carvalhosa, da empresa de comunicação Wisdom e nova presidente da APECOM, a associação do sector. Tudo a pretexto de um estudo que faz um ranking das empresas, comunicadores e jornalistas com mais popularidade no país.
    Escusado será dizer que os comunicadores ficaram continentes e vaidosos e os jornalistas irritados por serem vistos como amigos e próximos.
    Portanto, o pretexto era simples: falar de comunicação.
    E o mundo deu uma pirueta.
    O Primeiro-Ministro demitiu-se. O Presidente anunciou a dissolução do parlamento.
    E há eleições em março.
    O que significa o tiro de partida de uma longa campanha eleitoral de mais de 4 meses em pleno espaço mediático.
    É por isso o tempo em que a política e a comunicação se encontram. As ideias, os palcos e as 'personas' apresentam-se perante os olhos dos públicos eleitores.
    Esta conversa foi gravada depois da demissão e antes do anúncio da dissolução.
    Esta cronologia é importante porque nestas alturas tudo se acelera ainda mais e fica mais imprevisível.
    ÍNDICE DE TEMAS & TEMPOS:
    (00:02:51) O posicionamento estratégico do primeiro-ministro.
    (00:04:51) A emoção na comunicação do primeiro-ministro
    (00:06:51) O descontrolo na comunicação do primeiro-ministro
    (00:09:51) A estratégia de esclarecimento de António Costa.
    (00:10:51) A narrativa do vazio
    (00:13:51) A comunicação do presidente da república
    (00:14:51) Marcelo Rebelo de Sousa como uma pessoa das pessoas
    (00:17:51) O teatro público de Marcelo Rebelo de Sousa
    (00:20:51) A estratégia política do presidente Marcelo Rebelo de Sousa
    (00:22:51) A estratégia de comunicação de Luís Montenegro nas eleições
    (00:25:51) A mensagem do candidato
    (00:26:51) As soluções para os problemas
    (00:28:51) A comunicação política e a reputação
    (00:33:51) A importância da reputação
    (00:35:51) A gestão da reputação
    (00:37:51) O trabalho da reputação nas organizações
    (00:38:51) A importância do propósito nas empresas
    (00:39:51) A obrigação das empresas em cumprir normas não financeiras
    (00:42:51) A falta de regulamentação do lobbying em Portugal
    (00:46:51) A necessidade de legislação para garantir transparência
    (00:47:51) O aumento da transparência como forma de combater a corrupção
    LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO
    JORGE CORREIA (00:00:00) - Viva. Domingas Carvalhosa, comunicadora, gera neste momento uma agência de comunicação. Podemos defini la assim A Wisdom é também presidente da APC, que onde se juntam todas as organizações e agências que trabalham esta coisa da comunicação. Quando nós falamos há uns dias, a ideia desta conversa era que ela fosse precisamente sobre isto, sobre a comunicação, sobre sobre as agências, sobre o setor. E falámos sobre isto. E eis que senão o destino nos trocou as voltas por uma questão e de que maneira? Não é que por uma questão de porque os factos estão a andar muito depressa. Esta conversa foi gravada antes do Presidente da República falar ao país e, portanto, quando a maioria das pessoas ouvirem esta conversa, saberão que o presidente dirá coisas que nós não sabemos ainda o que é que vai acontecer. Mas vamos começar pelo início, que é o primeiro ministro falou e demitiu se, Apresentou se e demitiu se. Vamos olhar para esta pessoa enquanto comunicador. António Costa O que é que viu daquela comunicação?
    DOMINGAS CARVALHOSA (00:01:12) - Eu acho que António Costa esteve muito bem, não só na forma de comunicar, no timing de comunicar e também na forma de comunicar.
    DOMINGAS CARVALHOSA (00:01:23) - Ele comunicou, antes de que saíssem cá para fora quaisquer informações sobre factos de que ele pudesse eventualmente vir a ser acusado.
    JORGE CORREIA (00:01:35) - Controlou a narrativa de alguma maneira.
    DOMINGAS CARVALHOSA (00:01:37) - Totalmente a narrativa.
    JORGE CORREIA (00:01:39) - Por que isso é importante?
    DOMINGAS CARVALHOSA (00:01:41) - É muito importante controlar a narrativa sempre. Em comunicação, é importante comunicar a narrativa, porque quem controla a narrativa? Quem controla a narrativa vai com passo à frente e, portanto, o facto também de ter escolhido o momento em que não existia ainda. Como ainda não existe muitos dados sobre a. Que acusações existem sobre António Costa faz com que ele se demita numa altura em que é totalmente inocente.
    JORGE CORREIA (00:02:28) - E, portanto, cria em todos aqueles que estão na sua audiência que o prisma da história seja aquele que ele definiu.
    DOMINGAS CARVALHOSA (00:02:37) - E vítima. Enquanto não há acusação, ele é uma vítima.
    JORGE CORREIA (00:02:40) - É essa a narrativa.
    DOMINGAS CARVALHOSA (00:02:42) - Eu acho que é. Portanto, toda aquela comunicação foi uma comunicação muito emocional. E emocionou, emocionou. E as pessoas continuam a espera que, nomeadamente os meios de comunicação social, já se vê alguns meios de comunicação social a dizer então Ministério Público, onde é que estão as acusações? Como é que um governo cai, um Primeiro-Ministro cai e não há novidades sobre os factos acusatórios de um Presidente de um Primeiro-Ministro que que foi acusado.
    JORGE CORREIA (00:03:23) - Portanto, usa a narrativa, no fundo, para tirar o foco que por natureza seria sobre ele e sobre uma hipotética acusação. E devolve esse foco dizendo Olhem ali porque a causa das coisas não está deste lado, está noutro lado qualquer.
    DOMINGAS CARVALHOSA (00:03:41) - Exacto. Exato.
    JORGE CORREIA (00:03:43) - Então é o papel da empatia. Eu olho para aquela comunicação. Há dois momentos daquela comunicação. Há um momento em que o Primeiro-Ministro em funções, agora demissionário, está a ler um comunicado. Lá está, é essa, essa frase. Como é que o lê nesse momento? Depois há um segundo momento em que ele está a responder às perguntas e se calhar o tom é um bocadinho diferente. Como é que? Como é que uma comunicadora vê esse momento de geração de empatia? Diz que ele se emocionou.
    DOMINGAS CARVALHOSA (00:04:12) - Emocionou se, mas também é natural. Atenção, é natural que ele tenha emocionado. Foram oito anos da vida dele. Quando ele fala na mulher e na família, é a altura que ele mais se emociona. E eu acredito que não tenham sido rosas estes oito anos, não é? E, portanto, também é natural que haja alguma emoção.
    DOMINGAS CARVALHOSA (00:04:33) - As pessoas não são de ferro e, portanto, acredito que alguma daquela emoção tenha sido de facto sentida. Agora não tenho também a mínima das dúvidas que. A forma que estava prescrita para aquele. Aquela comunicação ao país ia ser passada de uma forma emocional calma de quem tem a consciência tranquila que tem a verdade consigo. E tudo isso e portanto. E foi isso que passou.
    JORGE CORREIA (00:05:10) - Portanto, estrategicamente, o posicionamento é um posicionamento certo para aquele tipo de comunicação.
    DOMINGAS CARVALHOSA (00:05:16) - Exactamente.
    JORGE CORREIA (00:05:17) - É quando, quando nós olhamos para os políticos, quando os vemos a falar, o que é que dá? Deste género de comunicações advém quase da honestidade da pessoa que está ali a falar. E quanto é que há do dedo de uma comunicador ou de um comunicador que por trás dele lhe possa dar algum? Enfim, alguns conselhos ou algum apontar de algum caminho?
    DOMINGAS CARVALHOSA (00:05:44) - Bom? Depende. Depende dos políticos, não é? Há políticos que têm um dom natural e que precisam um pouco. Precisam um pouco de mídia training. Podem eventualmente necessitar de alguma orientação em termos de mensagens e, enfim, da forma como devem orientar discurso.
    DOMINGAS CARVALHOSA (00:06:03) - E tudo isso porque têm um dom natural. Há outros em que isso não é assim.
    JORGE CORREIA (00:06:09) - António Costa Tem. Tem muito treino, seguramente. Tem muitos anos.
    DOMINGAS CARVALHOSA (00:06:12) - Disto. Tem que ter treino. Eu acho que ele não tem um dom muito natural, tanto que se embrulha muito com as palavras.
    JORGE CORREIA (00:06:21) - Algumas sílabas. Isso quando se irrita, tende a acelerar o seu discurso.
    DOMINGAS CARVALHOSA (00:06:26) - Tem algum descontrolo, muitas vezes tem algum descontrolo. Vê se neste neste, neste discurso de demissão em que ele estava, naquele registo de calmo, etc. Houve ele. Houve um jornalista a dizer. António Costa não esclareceu. É ele que estava naquele registo calmo. De repente diz que o que é que António Costa não esclareceu? Enfim.
    JORGE CORREIA (00:06:49) - Que é 1/2 da conversa, não é?
    DOMINGAS CARVALHOSA (00:06:50) - Descontrolou se. Viu se que houve ali um descontrolo. Quer dizer, mudou de registo muito rapidamente.
    JORGE CORREIA (00:06:58) - Porque é curioso, porque não mantém aquele tempo mais temperamento, mais calmo, a dizer não. Eu quero esclarecer, mas não é atrativo, não é? Aquilo é um momento em que em que salta sim.
    DOMINGAS CARVALHOSA (00:07:11) - E é natural que que que ele quises
    51 min
  • Estarei louco? Inês Homem de Melo
    Hoje é dia de falar da loucura.
    No sentido mais amplo do mundo.
    Da saúde mental, da boa saúde, dos médicos psiquiatras, das dores de alma dos doentes, das famílias e dos seus vínculos.
    Com a médica psiquiatra Inês Homem de Melo
    TÓPICOS DE CONVERSA:
    [00:00:13] Loucura, Saúde, Arte Na Psiquiatria
    [00:07:22] Diagnóstico E Fronteira Da Normalidade
    [00:12:39] Síndrome do Impostor e Transtorno do Défice de Atenção com Hiperactividade TDAH
    [00:17:33] Psicodrama
    [00:29:30] Emoções Intensas E Doença Mental
    [00:39:40] Intervenção Precoce Na Saúde Mental
    [00:48:43] Relações De Vinculação E os seus Impactos
    [00:59:40] O Tempo É Relativo
    É uma sopa rica de temas.
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    1 hr 2 min
  • Qual é o som perfeito? Manuel Faria
    Procuro o som perfeito.
    O som que nos inspira. Que nos faz sentir bem. Que nos envolve.
    Pode ser uma música, pode ser uma voz rica com o timbre mais bonito que ouvimos alguma vez. Pode ser o vento, a chuva ou o mar.
    Num mundo onde há bombas a cair, gritos de quem sofre ou silêncio de quem não sobreviveu, celebro os sons bons.
    Do choro da criança que nasce, da voz que se embarga de alegria, da música, do fado e folclore que nos explica esta coisa de ser português.
    Da voz que nos acalma na ansiedade ou nos incita para a próxima conquista.
    Este episódio é uma dança entre o silêncio e o som.
    De onde vem o som?
    Vem todo o lado. Vem ter connosco a todo o momento.
    Até estranhamos quando não vem de lado nenhum.
    Quando há o silêncio.
    A ausência de som.
    Que até nos pode incomodar. Que nos obriga a preencher esse vazio.
    Uma das técnicas de entrevista que sempre gostei de usar é a de guardar um par de segundos de silêncio quando pressinto que a pessoa com quem falo está prestes a dizer-me precisamente o era obrigatório dizer. O silêncio apenas criou espaço para isso.
    Depois há o som. Omnipresente. Vem de frente, de trás, dos lados, de baixo, de dentro de nós, da nossa garganta ou do centro do ouvido.
    O som imersivo. Que se poder recriar em estúdio usando uns curiosos microfones em forma de orelhas humanas. Para nos sentirmos ainda mais dentro do som.
    Som que pode pintar espaços com ambientes sonoros. Quem não se lembra do eco das salas grandes ou da surdez das casas com muitas alcatifas, ou cortinados pesados.
    Ou da vibração sonora no estádio de futebol. Do centro comercial em hora de ponta.
    Ou do cantor, à capela, nas ruas da cidade, ou no terreiro da aldeia, ao desafio, apenas com uma concertina.
    São tudo sons da nossa vida. E dentro deles o da voz humana. O mais belo instrumento.
    Atentem nos primeiros segundos à voz que vos apresento.
    É de Manuel Faria, um arquiteto do som. Um criador de ambientes sonoros.
    Façam silencio. Subam o volume. Este programa é para degustar.
    Então e quais são os sons da sua vida?
    Quais são os que preenchem a banda sonora da sua existência?
    Há uma música especial? Talvez aquela que tocada no mais mágico dos momentos.
    Ou será o marulhar das ondas do mar de verão?
    Ou da ventania da tempestade de inverno?
    E as vozes? De quem é a voz que guardam no momento em que vos disse algo ao ouvido. Daquelas vozes que parecem carregadas de eletricidade. Que dizem palavras com poder infinito de nos emocionarem.
    Pensem nisso. Liguem a essa pessoa, com a voz mais significativa do mundo e digam-lhe que gostam dela.
    Da voz e da pessoa.
    Se houver um pequeno silêncio a seguir, sorvam-no com lentidão.
    É um silêncio dos bons.
    Respirem fundo. Escutem atentamente. Permitam-se perder-se nas melodias que envolvem a sua vida.
    Existem sons que transcendem o tempo, que ecoam na trilha sonora da sua jornada.
    Existe uma canção especial? Talvez aquela que tocou no momento mais mágico da sua vida.
    Ou será o som das ondas num calmo mar de verão?
    Ou o vento furioso de uma tempestade de inverno?
    E as vozes? De quem é aquela voz que ainda ecoa nos seus ouvidos? Aquela voz que parece carregar uma eletricidade única, capaz de emocionar profundamente.
    Pensem nisso. Conectem-se com essa pessoa, com a voz mais significativa do mundo, e digam-lhe que a amam.
    Amem a voz e a pessoa.
    Se houver um breve silêncio depois disso, saboreiem-no com calma.
    É um silêncio que traz paz.
    CAPÍTULOS:
    [00:00:00] Abertura
    [00:01:21] Explorando o Universo do Som - Produção De Som E Áudio Imersivo
    [00:15:37] Desvendando os Mistérios do Som Binaural e a Música Cultural - Cantar E Dançar Na Cultura Ocidental
    [00:27:55] A Arte Sonora Descomplicada - Importância Da Voz E Técnica Na Música
    [00:44:05] Áudio Imersivo: Uma Viagem pelo Mundo do Som - Importância Do Call Center, Ruído Música, Som e Emoção: Som e Cultura: Descobrindo Novos Horizontes; Decifrando o Som: Uma Jornada pelo Áudio Imersivo
    [00:54:30] O Som Mais Bonito do Mundo:
    LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO
    00:00:12:22 - 00:00:39:09
    JORGE CORREIA
    Vivam bem-vindos ao pergunta simples ou voz pública sobre comunicação? Nunca é demais agradecer vos. O programa fez 150 episódios. Estamos no episódio 151 da contagem. Neste exato programa são mais de 5000 ouvintes regulares que merecem este encontro semanal. Para falarmos de comunicação nas suas múltiplas vertentes. Uma desculpa como outra qualquer para nos encontrarmos e falarmos da vida.
    00:00:39:18 - 00:01:01:22
    JORGE CORREIA
    Do que nos apaixona. Do que desejamos e do que nos dói. Obrigado pela escuta. Obrigado por partilharem com o vosso círculo de amigos a pergunta simples. Na última semana fui em busca da felicidade. Em bom rigor, fui procurar saber o que nos torna felizes e por isso, nesta semana vou em busca de nada mais, nada menos do que o som perfeito.
    00:01:02:10 - 00:01:40:11
    JORGE CORREIA
    Ouviram? Bem, procuro o som perfeito, o som que nos inspira, que nos faz sentir bem, que nos envolve. Pode ser uma música, pode ser uma voz rica, com um timbre mais bonito que ouvimos. Pode ser o vento, pode ser a chuva ou o mar. Num mundo onde há bombas a cair, gritos de quem sofre e silêncio de quem não sobreviveu, celebro os sons bons do suor da criança que nasce da voz que se embarga de alegria, da música, do fado, do folclore, que nos explica esta coisa de ser português, da voz que nos acalma na ansiedade ou que nos incita para a próxima conquista.
    00:01:41:04 - 00:02:23:22
    JORGE CORREIA
    E este episódio é uma dança entre o silêncio e o som. De onde vem o som. Vêm de todo o lado, vêm ter connosco a todo o momento. Até estranhamos quando não vem de lado nenhum. Quando há o silêncio, a ausência de som até pode incomodar, o que nos obriga a preencher esse vazio. Uma das técnicas de entrevista que sempre gostei de usar e de guardar um par de segundos de silêncio quando pressinto que a pessoa com quem fala está prestes a dizer me precisamente o que era obrigatório dizer.
    00:02:24:09 - 00:02:51:00
    JORGE CORREIA
    O silêncio apenas criou esse espaço. Depois as pessoas falam. Depois há o som omnipresente. Vem na frente de trás dos lados, de cima de baixo da nossa garganta, do centro do nosso ouvido. O som imersivo que se pode recriar em estúdio, usando uns curiosos microfones em forma de orelhas humanas para nos sentirmos ainda mais dentro do som. O som que pode pintar espaços com ambientes sonoros.
    00:02:51:10 - 00:03:17:00
    JORGE CORREIA
    Quem não se lembra do eco das salas grandes ou de surdez das casas com muitas alcatifas ou cortinados pesados? Ou da vibração sonora de um estádio de futebol do centro comercial à hora de ponta ou do cantor à capela, nas ruas da cidade ou no terreiro da aldeia, ao desafio apenas com uma concertina. São tudo sons da nossa vida e, dentro deles, o da voz humana, o mais belo dos instrumentos.
    00:03:17:12 - 00:04:01:14
    JORGE CORREIA
    Atenta nos primeiros segundos a voz que vos vou apresentar é a de Manuel Faria, um arquiteto de sons, um criador de ambientes sonoros. Façam silêncio sobre o volume. Este programa é para degustar. Viva Manuel Faria, músico, compositor, produtor. Todos o conhecemos como uma das pessoas que iniciou o Trovante. Eu peço desculpa, mas para mim será sempre os Trovante no é que temos aqui a alguém que batizou no fundo a banda antes de ser obrigado por me receber aqui estamos no seu estúdio, no estúdio Indigo.
    00:04:02:06 - 00:04:09:20
    JORGE CORREIA
    Para quem não está habituado nestas coisas do som, é aqui que se criam spots publicitários. É aqui que se faz a magia do som. O que se faz aqui.
    00:04:10:09 - 00:04:36:06
    MANUEL FARIA
    Faz se muita coisa, não se fazem só spots publicitários. Gravamos música, música para cinema, música para televisão, música para teatro. Gravamos também discos de artistas, de alguns artistas que com quais trabalhamos e fazemos muita pesquisa em duas áreas fundamentais na área do audio branding e na área do áudio imersivo.
    00:04:36:20 - 00:04:55:15
    JORGE CORREIA
    E para quem não sabe nada sobre estas coisas do áudio? O que é isso? Já vimos ali há bocadinho um auscultador que tem literalmente orelhas, orelhas onde há um microfone, um microfone e verdade. Que serve para quê? Para que serve um microfone com orelhas certas?
    00:04:55:15 - 00:05:22:05
    MANUEL FARIA
    Fazer gravações binaural? O que é que é uma gravação binaural? Nós, quando ouvimos a maneira como nós ouvimos os sons, nós ouvimos numa esfera à nossa volta. Não é a nós. Não é como os nossos olhos, que têm um ângulo pequeno de 120 graus. Nós temos 360 graus e os nossos ouvidos estão habituados a interpretar a direção de onde o som vem através das vibrações.
    00:05:23:00 - 00:05:25:10
    MANUEL FARIA
    Nestes pequenos lóbulos que as nossas orelhas têm.
    00:05:25:23 - 00:05:31:05
    JORGE CORREIA
    É quase um ato mecânico. É quase um pequeno eco que acontece dentro de pequenas reflexões.
    00:05:32:10 - 00:06:03:21
    MANUEL FARIA
    As orelhas têm assim uma forma estranha. Se nós analisarmos com cuidado, tem uma parte que é o sargos, o antigo sargos, tem todas estas partes e está em nomes. E cada parte desenha destas. Serve para produzir reflexões que nós, desde muito bebés, nos habituámos a perceber que aquele tipo de som é um som que vem de trás. Portanto, nós arranjamos um par de microfones que também tenham orelhas.
    00:06:03:21 - 00:06:11:04
    MANUEL FARIA
    O quando eles captam o som capta o som com essas vibrações, com essas pequenas reflexões incluídas no som.
    00:06:11:11 - 00:06:23:21
    JORGE CORREIA
    Portanto, nós, no fundo, sem saber, programamos o nosso cérebro, porque é lá que estão interpretados a nossa capacidade de ouvir a perceber que um determinado som, através da maneira como reverbera, da maneira como.
    00:06:24:02 - 00:06:25:20
    MANUEL FARIA
    O reflete,...
    1 hr 1 min
  • Como ser feliz? | Jorge Humberto Dias
    Hoje meto-me numa grande empreitada:
    Descobrir os caminhos para a felicidade.
    E não, não é um ‘podcast’ de autoajuda, não vende livros “seja feliz em 10 passos”, ou sequer arrisca dar algum conselho sobre o tema.
    Prometo boa ciência, maneiras de ouvir as pessoas e uma suave mistura entre expectativas e resultados.
    Encontrar a felicidade parece uma busca interminável.
    Começando pela definição de felicidade.
    O que é “ser-se feliz?”
    A pergunta só tem uma resposta subjetiva. Cada um define para si próprio o que é ser feliz. E após definir o conceito há que contar com as expectativas.
    Se formos uns perfecionistas encartados, a felicidade pode estar sempre num nível difícil de atingir.
    Tal como a inveja da felicidade alheia pode afinal ter um efeito de ricochete.
    Invejar é muito diferente de desejar.
    Com Jorge Humberto Dias, filósofo, professor de ética e estudioso da felicidade, percorro os matizes da felicidade.
    Por exemplo, a relação entre bem-estar e felicidade, explorando a ideia de que sem satisfação do bem-estar, a felicidade fica difícil de ser alcançada.
    E sobre receitas infalíveis para se ser mais feliz. Por exemplo, o amor e a amizade como elementos universais e o direito humano à felicidade.
    E viajamos até ao coração das organizações, das escolas e das empresas.
    As mais avançadas avaliam o coeficiente de felicidade de líderes, trabalhadores, professores e alunos.
    Mas não esquecemos os pais. Que ora exigem tudo das escolas.
    Ora passam os fins de semana a insultar os árbitros em jogos de futebol juvenil.
    A diferença entre felicidade e frustração é cada vez mais volátil.
    O mal-estar na vida pessoal ou profissional passa uma fatura alta.
    E nesta edição tenho em vista perceber causas e consequências.
    Escolhendo alguém que se assume como feliz.
    A ideia de felicidade pode ser mais simples do que parece.
    Ainda que possa ser transitória.
    Mas se fizermos o que gostamos, se gostarmos de quem gosta de nós e tivermos uma autoestima sem grandes remendos, então o caminho fica muito mais fácil.
    Capítulos e Pontos-Chave
    (0:00:00) - Felicidade E Inveja
    (0:06:39) - Bem-Estar, Felicidade E Trabalho Na Atualidade
    (0:20:29) - Gestão E Desempenho Nas Organizações
    (0:28:08) - Reciclagem De Traços Da Personalidade
    (0:33:03) - Influência Negativa Dos Pais No Desporto Jovem
    Em detalhe
    (0:00:00) - Felicidade E Inveja
    A consciência, avaliação, objeto da avaliação, expectativa e inveja como fatores da felicidade.
    (0:06:39) - Bem-Estar, Felicidade E Trabalho Na Atualidade
    Bem-estar, fatores infelizes, amor e amizade são discutidos como fundamentos da felicidade.
    (0:20:29) - Gestão E Desempenho Nas Organizações
    Gestão equilibrada, treino social, psicológico e mental, metodologia mista, cooperação, Seleção Nacional de Portugal e Real Madrid são discutidos para entrega de resultados.
    (0:28:08) - Reciclagem De Traços Da Personalidade
    Discutimos como equilibrar e melhorar a personalidade, a felicidade no trabalho, autonomia, ferramentas de agilidade e confiança.
    (0:33:03) - Influência Negativa Dos Pais No Desporto Jovem
    Missão, valores, códigos de ética e conduta afetam desempenho, produtividade e estabilidade emocional e psicológica no futebol juvenil, exigindo dos clubes soluções para auxiliar os pais.
    LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO
    00:00:13:03 - 00:00:39:13
    Jorge Correia
    Ora vivam! bem vindos ao Pergunta sSimples a voz. Podcasts sobre comunicação. Hoje meto me numa grande empreitada descobrir os caminhos para a felicidade. E não, não é um caso de autoajuda. Não vende livros. Seja feliz para sempre. Dez passos ou sequer arrisca dar algum conselho sobre o tema? Prometo, sim, boa ciência, maneiras de ouvir as pessoas e uma suave mistura entre as expectativas e os resultados.
    00:00:39:26 - 00:00:52:18
    Jorge Correia
    E conto com uma boa ajuda para isso. Vamos ao programa. Vamos a isso.
    00:00:55:09 - 00:01:27:16
    Jorge Correia
    Encontrar a felicidade parece uma busca interminável. Começando pela definição de felicidade, o que é ser feliz? A pergunta só tenho uma resposta subjectiva cada um de nós define para si próprio o que é ser feliz. E depois de definir o conceito, há ainda que contar com as expectativas, com as nossas expectativas e com as expectativas dos outros. Se formos os perfeccionistas encartados, a felicidade pode estar sempre num nível difícil de atingir, tal como a inveja da felicidade alheia pode, afinal, ter um efeito de crescente.
    00:01:28:04 - 00:01:52:07
    Jorge Correia
    Invejar é muito diferente de desejar. Com o Jorge Alberto Dias, filósofo, professor de ética e estudioso da felicidade, percorre os matizes desta coisa a que chamamos felicidade. Por exemplo, a relação entre bem estar e felicidade, explorando a ideia de que, sem satisfação do bem estar, a felicidade fica mais difícil de ser alcançada. E sobre as receitas infalíveis para ser mais feliz.
    00:01:52:18 - 00:02:18:27
    Jorge Correia
    Por exemplo, o amor e a amizade são elementos universais e centrais do direito humano à felicidade. E viajamos até ao coração das organizações, das escolas e das empresas às mais avançadas. Avaliam o coeficiente de felicidade dos líderes, dos trabalhadores, dos professores e dos alunos. E não esqueçamos os pais que ora exigem as escolas, ora passam os fins de semana a insultar os árbitros em jogos de futebol juvenil.
    00:02:19:16 - 00:02:38:22
    Jorge Correia
    A diferença entre felicidade e frustração é cada vez mais tênue e volátil. O mal estar na vida pessoal ou profissional passa uma fatura alta. E, nesta edição, procurou perceber causas e consequências, escolhendo alguém que se diz feliz.
    00:02:39:04 - 00:02:42:12
    Jorge Humberto Dias
    Ora, sou fantasticamente feliz, eu diria 90%.
    00:02:42:19 - 00:02:43:10
    Jorge Correia
    90%.
    00:02:43:23 - 00:02:46:17
    Jorge Humberto Dias
    Gosto de deixar as ideias para o resto que me falta ainda de viver.
    00:02:46:24 - 00:02:49:27
    Jorge Correia
    Como é que nós podemos definir a felicidade?
    00:02:50:04 - 00:03:26:07
    Jorge Humberto Dias
    Eu tenho trabalhado essa definição e dá sempre um debate engraçado. Nos vários eventos onde participo, porque as pessoas questionam logo as palavra chave, então eu tenho três palavras chave. A primeira é a consciência, portanto, tudo acontece na consciência. A segunda é a avaliação e a terceira é o objeto da avaliação, que são os projetos. Portanto, eu tenho consciência de que estou a viver um conteúdo de uma determinada forma e vou avaliando se consigo ter uma concretização positiva ou não.
    00:03:26:23 - 00:03:29:17
    Jorge Correia
    Então isso depende muito da expectativa.
    00:03:30:12 - 00:03:37:26
    Jorge Humberto Dias
    Sim, a expectativa é muito importante para mim, principalmente para preparar o futuro. O futuro, que é decisivo.
    00:03:38:25 - 00:03:58:20
    Jorge Correia
    Olhando quando, quando nós olhamos para lá, está para essa ideia de felicidade e a minha ideia é que nós, os portugueses, estamos sempre a recusar a tu. Como é que tu vais? Olha, nunca pior. Olha, dê cabo de um pé depois, ainda bem. E olhando a cabo não temos problemas. Mas podia ter sido a perna também.
    00:04:00:21 - 00:04:09:06
    Jorge Correia
    Estamos calibrados para para não felicidade. Como é que é? Como é que é? Como é que? Como é que um filósofo olha nos, olha ao Espanha?
    00:04:09:24 - 00:04:15:13
    Jorge Humberto Dias
    Bom, eu conseguiria a um filósofo arranjar argumentos para um lado e para o outro.
    00:04:15:18 - 00:04:19:11
    Jorge Correia
    Então vamos lá que queremos começar para um todo negativo. Pelo positivo.
    00:04:20:03 - 00:04:22:23
    Jorge Humberto Dias
    Temos e pelo planeta. E para acabarmos em bom.
    00:04:23:14 - 00:04:27:20
    Jorge Correia
    Lá está mais uma vez a expectativa. Vamos de menor ou maior, já vamos ganhar qualquer coisa.
    00:04:28:05 - 00:04:38:05
    Jorge Humberto Dias
    Parece uma boa estratégia. Então o negativo eu podia socorrer. Mantido por surgiu, tenho um livro que eu gosto imenso, que em Portugal hoje o medo de existir.
    00:04:38:16 - 00:04:53:21
    Jorge Correia
    Seja ele um filósofo português. É verdade que ainda por cima é fácil, relativamente fácil de ler para um leigo, depois entender tudo o que lá está escrito. Vamos lá ver o que é que o que diz o professor José Gil sobre sobre esse nosso medo de existir? Somos nós que temos medo.
    00:04:53:25 - 00:05:14:23
    Jorge Humberto Dias
    É verdade, é verdade ele. Ele diz que nós vivemos num contexto que proporciona precisamente esse negativo e um dos principais negativos que eu aquele salienta é a inveja. E, portanto, aqui podia talvez levar a nossa conversa para a inveja como um obstáculo ao processo. Felicidade.
    00:05:14:25 - 00:05:15:21
    Jorge Correia
    A inveja do outro.
    00:05:16:12 - 00:05:26:10
    Jorge Humberto Dias
    É exatamente a inveja daquilo que o outro é a inveja no sentido de aquilo que o outro é. Faz com que eu me sinta pior.
    00:05:26:16 - 00:05:49:01
    Jorge Correia
    Mas isso não era suposto. Vamos pensar na inveja, numa lógica muito prosaica que é se o meu vizinho comprar um carro novo, extraordinário, a inveja deveria motivar me a dizer Bom, olha, eu também vou, vou esmifrar me aqui também. O que se valoriza? Um carro novo, um carro bonito é tentar conseguir também. A inveja pode funcionar ao contrário.
    00:05:50:02 - 00:06:15:02
    Jorge Humberto Dias
    Pois esse aqui a que estão normalmente as pessoas que se entregam mais a este processo da inveja, provavelmente direi eu, não conseguiram esses objectivos e portanto não conseguirem seus objetivos, faz com que eu sinta talvez me inferiores a são relativamente aqueles que conseguem. No fundo, a inveja acaba por ser mais forte em situações de sucesso.
    00:06:15:09 - 00:06:20:19
    Jorge Correia
    Claramente, e isso, parece me, é uma espiral de mediocridade.
    00:06:22:01 - 00:06:38:20
    Jorge Humberto Dias
    ...
    55 min
  • Porque precisamos de certezas? | Francisco Miranda Rodrigues
    Os tempos não estão fáceis.
    Há uma sensação permanente de imprevisibilidade.
    Não sentem isso?
    O terrível sentimento de que não controlamos nada.
    Nada de nada.
    Em bom rigor sabemos que a incerteza é a única regra que vale na existência.
    Mas ter a certeza da incerteza pesa na nossa cabeça.
    E a saúde mental está ficar com umas valentes nódoas negras.
    A pandemia está a passar a fatura.
    Mais a guerra, a inflação, os juros, o preço das casas, a metrologia louca.
    Vivemos uma espécie de efervescência. Uma espécie de jogo de forças que nos desgasta a cada passo.
    É esse moer do dia a dia que aproveita todas as entradas da nossa vulnerabilidade.
    Sobra a ansiedade, o sono turbulento, as depressões escondidas para não se notar no emprego ou entre os amigos.
    O que fazemos para contrariar isto?
    Vou em busca de respostas com Francisco Miranda Rodrigues. Psicólogo. Atual bastonário dos psicólogos.
    É uma conversa carregada de labirintos, sombras e luzes.
    Das organizações e as suas lideranças.
    Das pessoas e das suas dores e ressurreições de alma.
    Falámos de profissionais à beira de um ataque de nervos. E de como será difícil curar esta gigante ferida social.
    Pedir auxílio no tempo certo é porventura um dos mais sensatos conselhos que podemos receber.
    Sim, elas podem não matar, mas moem.
    E enquanto na dor física é tido como normal ir à procura de ajuda, nas dores emocionais o caminho é menos direto.
    Ora porque desvalorizamos. Ora porque não nos levam a sério.
    E algumas destas pessoas em sofrimento podem escolher um caminho mais radical.
    Lemos nas redes sociais que se suicidaram, que descompassaram e atacaram alguém ou simplesmente fecham-se numa concha escura de desesperança e ruidoso silencio.
    Vale estar atento e apoiar o que nos rodeiam. Se suspeitarem que alguém tem a mente a doer, fiquem de olho, liguem os ouvidos e estendam a mão.
    Resumo dos Capítulos (TIMESTAMPS):
    Capítulo 1
    [00:02:14] Saúde mental na pandemia A pandemia trouxe consigo uma onda de incertezas, que levou a um aumento expressivo dos casos de ansiedade e depressão.
    [00:07:14] Francisco Miranda Rodrigues, psicólogo e Bastonário dos Psicólogos, nos guia através desta realidade alarmante.
    Capítulo 2
    [00:12:14] Incerteza e medo Com a constante mudança da situação global, os meios de comunicação desempenham um papel crucial na disseminação de informações.
    [00:17:14] No entanto, a incerteza e o medo que acompanham as constantes atualizações podem ser prejudiciais para a nossa saúde mental.
    Capítulo 3
    [00:22:14] Mobilização em tempos de crise Como a sociedade se mobiliza durante uma crise?
    [00:27:14] O aumento de teorias da conspiração
    [00:32:14] está se tornando uma preocupação cada vez maior.
    [00:37:14] A capacidade de discernir entre informações verídicas e falsas é essencial.
    [00:42:14] Especialistas estão a trabalhar incansavelmente para combater a desinformação.
    [00:47:14] Uma abordagem proativa e informada é vital para a nossa saúde mental e bem-estar durante estes tempos incertos.
    LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO
    0:00:00 - JORGE CORREIA FRANCISCO MIRANDA RODRIGUES psicólogo agora na função no papel de bastonário dos psicólogos.
    É um especialista em psicologia do trabalho, em psicologia social e das organizações e bem precisamos Francisco. Como é que está a nossa saúde mental? É?
    0:01:47 - FRANCISCO MIRANDA RODRIGUES pergunta clássica a saúde mental no geral dos portugueses, como a de muitos outros cidadãos de outros países, ficou agravada depois da pandemia que passamos?
    0:02:08 - JORGE CORREIA o que é que nos fez a pandemia.
    0:02:10 - FRANCISCO MIRANDA RODRIGUES pandemia colocou nos desafios com os quais nós não nos deparávamos. Provavelmente muitos de nós nunca nos tínhamos deparado, mesmo alguns, alguns, se calhar já mais velhos, se calhar terem tido alguns outros desafios semelhantes ou pelo menos semelhantes na grandeza de desafio. E nós somos uns seres que não nos damos assim tão bem quanto isso com a incerteza e portanto gostamos muito de poder saber o que é que vai acontecer e dar isso como garantido, mesmo que não seja nada garantido.
    0:02:51 - JORGE CORREIA Se nós virmos isso como garantido, ficamos segados dar-nos um conforto se alguém nos disser lá está a frase, vai tudo correr bem que é uma promessa desgraçada é uma promessa desgraçada.
    0:03:06 - FRANCISCO MIRANDA RODRIGUESEntende-se que nos primeiros momentos tenha havido uma tentação de o fazer. Como é evidente, não era fácil para quem tinha que lidar com uma gestão à escala global e à escala do país, e portanto é natural. Mas para a pandemia, claramente, que começa logo pela questão de incerteza, começa pela questão dos riscos associados, os primeiros que eles têm que ver com a própria saúde física e com a sobrevivência, e havia imagens muito impactantes disso e portanto não era uma coisa das nossas cabeças, não estávamos a inventar nada, havia riscos não pensando à distância.
    0:03:45 - JORGE CORREIA Essa fórmula de comunicação, essas imagens fizeram-nos bem ou fizeram-nos mal mostrar aquela realidade, mostrar no fundo as ambulâncias à porta dos hospitais, as pessoas ligadas nos ventiladores dentro do hospital isto é certamente um objetivo na altura de preparar as autoridades de saúde, e esse objetivo tinha que ver com nós.
    0:04:11 - FRANCISCO MIRANDA RODRIGUESEstamos parando de tomar ameaça séria, vamos ter que tomar medidas drásticas, que provavelmente ninguém que está a viver entre nós teve que lidar com elas, e nós sabemos que para conseguirmos mobilizar pessoas de uma forma coletiva, ainda por cima sem muitas possibilidades de resistência, e que pudesse ser feita rapidamente. O medo é uma emoção importante. E aquelas imagens e eu não estou com isto a afirmar que as imagens foram passadas com qualquer tipo de objetivo, acho que as imagens foram passadas porque a comunicação social relatava que estava a passar, porque existiam, existiam mais nada. Mas se quisessemos ter esse tipo de objetivo, necessariamente o medo ajuda. O medo é uma emoção muito protetora, uma emoção muito importante para nos mobilizar para a ação, mesmo que a ação seja ficar em casa, mas é uma ação e nós vamos fazer mesmo isto na minha cabeça apareceu aqui uma associação livre.
    0:05:36 - JORGE CORREIA Os psicólogos gostam das associações livres. Que apareceu a palavra não gostam da associação livre, alguns gostam, alguns gostam das associações livres. Não a por ser uma palavra manipulação, foi uma forma de manipulação social é como lhe disse.
    0:05:52 - FRANCISCO MIRANDA RODRIGUESEu não sei se foi porque, não sei se essas imagens foram utilizadas propositadamente com esse sentido. Se poderiam ter sido, poderiam ter sido. Mas parece-me outra coisa mais importante, porque a minha ser real não era inventada.
    E só isso já nos dá um princípio de realidade, sim, sim, e acho que nós às vezes esquecemos disso, porque às vezes e outra coisa que foi muito comum durante a pandemia foi o crescimento das tirias da conspiração, e o medo também, infelizmente, tem a sua trolata, também também pode ser um municiador, criar o terreno ideal para que as tirias da conspiração floreçam. Porque nós precisamos lá está, nós precisamos de certezas, mesmo que as certezas sejam ficções, mas se forem certezas, muitos de nós têm a necessidade de se agarrar imensa a elas. E na verdade, sabe-se que, embora todos nós possamos cair em desinformação, todos nós podemos acreditar em fake news, todos nós podemos acreditar em algumas teorias da conspiração, inclusivemente Adiz. Isso não é uma coisa dos ignorantes, não é uma coisa das pessoas que têm problemas da saúde mental.
    0:07:18 - JORGE CORREIA Tem alguma tese para tentar explicar por que é que nós temos essa apetência de comprar essas fantasias?
    0:07:27 - FRANCISCO MIRANDA RODRIGUESQuer dizer, não tenho uma tese minha, mas a ciência psicológica estuda isso há bastantes anos e portanto há de facto investigação que nos traz aqui o que é o conhecimento sobre porque que as pessoas têm essa necessidade ou porque que algumas pessoas são mais vulneráveis. Inclusivemente sente que essas algumas pessoas que são mais vulneráveis não são por natureza mais vulneráveis. São mais vulneráveis em determinadas circunstâncias. São mais vulneráveis quando estão em determinadas condições e depois existe alguma confluência. Também existem algumas variáveis, alguns estudos que demonstram que certo tipo de traço de personalidade também podem, na conjunção com o contexto, podem ajudar a que algumas pessoas acreditem mais facilmente a interés da conspiração do que do que outras.
    Mas basicamente o que nós fazemos é era o que dizia nós temos uma necessidade de ter certezas e portanto não interessa se essas certezas são verdadeiras ou não. Isso é uma confusão da nossa parte, porque nós associamos a certeza e a segurança. É como se fizessemos uma associação automática que contamos a falar em certeza e segurança e significa qualquer coisa que é verdade, que é um facto. Mas isso é um jumping no conclujante, porque na verdade nós podemos ter certezas sobre mentiras. Não há nenhuma obrigação de só termos certezas sobre verdadeiras.
    Ninguém nos é em pé de acertizar de uma boa mentira. E portanto o essencial de tudo é nós deficarmos tranquilos que a história que justifica qualquer coisa é esta Porque, rapaz, no caso de pandemias, nós estamos a falar de agentes patogênicos que nós não vemos, que muitas das pessoas até nem compreendem muito bem como é que ele funciona, como é que é possível. É algo que nos cria uma sensação de insegurança, tal ordem que é muito mais fácil de nós lidarmos com isso para algumas das pessoas. É muito mais fácil de nós lidarmos com isso se nós criarmos uma história que justifica tudo isto e que nos permite
    52 min
  • Como ser criativo? Fernando Alvim
    Será que o politicamente correto está a ganhar a luta contra as almas livres?
    Estarão as almas mais criativas a ficar resignadas?
    Este é o resumo desta conversa sobre comunicação e ideias loucas.
    Sobre humor e grandes histórias.
    E sobre o peso da opinião da fervorosa horda dos 'canceladores' digitais anónimos das redes sociais na tribo dos pensadores mais livres.
    Como o Fernando Alvim que aceitou estar no programa.
    Fernando Alvim é uma das pessoas mais criativas e loucas que conheço.
    É um livre-pensador e um ávido executor das mais loucas ideias de comunicação.
    Seja na telefonia, com algumas das mais míticas perguntas, sem filtro, ouvidas na rádio, seja nos eventos que inventa para provar simplesmente que é possível.
    Não é preciso dizer que Fernando Alvim advoga sempre pela necessidade de espaço para ideias inovadoras e bizarras e como o politicamente correto está a moldar a nossa sociedade e criatividade.
    E, o mais preocupante, é que ele admite que já pensa duas vezes antes de publicar algo que admite poder criar alguma turbulência.
    Será que esta autocensura é um risco real à liberdade de expressão e à criatividade?
    Claro que Alvim é sempre Alvim.
    E por isso podemos continuar a acompanhar o seu festival Monstros do Ano, para celebrar o bizarro e o insólito.
    LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO
    TRANSCRIÇÃO AUTOMÁTICA
    0:02:11
    FerdandO Alvim, radialista, comunicador, mestre de ideias loucas, e eu quero falar sobre isso contigo. Quem é o Ferdand Alvin? Quem é este? tu, de verdade, Não sei bem. Sei que toda a minha vida dediquei à comunicação. Com treze anos Eu posso dizer que sou o pequeno soulo da Rábia A Mestracha, onde Comecei numa Rábia Pirata.
    Uma Rábia Pirata Numa Rábia Pirata, que foi a que comecei, e depois profissionalizei-me. Passado uns três, quatro anos, comecei a ganhar dinheiro e de repente percebi que ela ia ser a minha atividade principal. Curiosamente, passados muitos anos, sem qualquer tipo de discurso demagógico, eu diria que faria o que faço hoje sem que pagassem. Escusa-te-se, eu diria que nunca diria isto às minhas imediatas. Que faça mais, mas não deixe-te ser muito curioso. Fazemos aquilo que nós gostamos. É logo o clique para fazer a coisa bem feita. Acho que é uma sorte. Acho que é uma sorte para começar. Nós temos essa possibilidade de fazer aquilo que nós gostamos E, sim, acho que é uma vantagem enorme desde logo em relação a todos os outros que fazem aquilo que não gostam. Não é.
    Você pensa que o que gostas a partir da traz um desempenho melhor, melhor. Isto não é liquido. E não tens tempos de cansaída, unestamente não. Então tu começaste com 13. E agora tens, tenho 50. Pronto, então eu tenho. Mas é que me sei Genéricamente. Tu tens 40 anos de carreira. Sim, eu tenho um livro que editei a cerca de 20 e que se chamava 50 anos de carreira. Aliás, foi a Simona da Líbera que eu apresentasse.
    Faz parte da tua forma. O que é que foi o clique, o que é que te levou a tu sentir que Ok, este é o meu mundo, este é é uma coisa que te descompes aos 13 anos ou é uma coisa que vem de tráse? o pequeno Alvin já era, será alguém que queria falar com as pessoas. Não, eu acho que era, era um mídico que gostava de comunicar, mas ainda assim estaria longe de perceber que a minha atividade ia ser essa, ia ser justamente a comunicação. Eu acho que foi a partir do momento é que comecei a ler os livros de Micheal Esteves Cardoso, que percebi que era para ali, que eu queria ir. Os livros do Mac, o que é que está a fazer os livros do Mac, a causa das coisas, os meus problemas, todas as influências que ele me deixou. O Mac era grande apreciador do Backat e ao acosta dele descobri todo a obra do Backat, também da Acostina Bessa-Louis, todo o movimento do surrealismo com a Derebra, tom e coisas assim.
    Tive uma revista literária durante muitos anos, que era 365. E depois percebi que aquilo que gostava mesmo era de comunicar e divertir. E percebi também que o humor era uma extraordinária arma de comunicação, não é? E que isso me fazia aproximar das pessoas que queria conquistar. Olha nomeadamente de alguém que eu tivesse apaixonado, por exemplo, se eu tivesse humor era mais fácil. Era a tua porta de entrada. Sim, eu descobri o humor.
    Eu acho que isso, seguramente uma das vertentes do humor é essa, é poder se reduzir de uma forma mais eficaz. Que porta é que abre esse humor? Porque ensinar o humor é praticamente impossível e há vários humoristas profissionais, todos conhecemos. Tu tens uma carteira de amigos que são precisamente humoristas, pessoas que escrevem exatamente para o humor. Mas o teu brote das veias, o teu é automático, ele está lá e tu disparas quando tu precisas, e não são nada metódico nem esquemático. Portanto, eu diria que se eu faço a pretensão, é isso que acontece Agora, nem todos os dias o meu humor está apurado.
    Há uma coisa que eu gosto de ter como característica É sei que não tenho sempre piada, mas sei, quando não tenho piada, como é que tu lidas com ele? Como é que há alguém. É terrível quando não se tem piada. É terrível, ficas frustrado, não ficas, não fico, não fico, não fico. Para começar, tento sempre salvar a coisa. Não tenho piada, o que pode ser ainda pior, mas assumidamente não é uma coisa que eu fico. Eu não tenho piada porque pode ter só uma passagem, pode ser só um dia, é um que se lixe.
    Eu acho que a pior ocupação seria se, repetidas vezes, eu não tivesse humor. Espera aí, calma, lá Estamos agora. As pessoas não se riem. Já estou a fazer isto há um mês e as pessoas continuam a não se riem. Será que é melhor nos amigos botar? E a Deus, é um síndrome de quase de não estão a gostar de mim. Não está a funcionar. Acho que todas as pessoas gostam de ser amadas, mas neste meio, para além de gostarmos de ser amados. Eu acho que queremos ser muito apreciados, muito mimados. Um humorista tem que entrar num sítio e sentir ali que as pessoas já se estão a rir.
    Lembro-me sempre, há muitos anos, o Jim Carrey tinha um filme que se chamava Liar Liar. Mais uma vez, a versão portuguesa de. A versão foi para Mentiroso, compulsivo, e esse filme era só o Jim Carrey com os braços abertos, como se fosse Jesus Cristo. Era assim o cartaz. Não me perguntei agora porque é que o cartaz era assim, mas era assim. E nesse ano o Jim Carrey foi a ser irmã dos Orcas da Olívete e foi entregar um prémio E quando ele chegou a palco não disse uma única palavra.
    Chegou a palco e só abriu os braços. Isto é fazendo publicidade em direta. Ó seu fesso, me quero isso que ele queria fazer. E criando uma comunicação, um ato de comunicação, um ato de comunicação extraordinário em que as pessoas todas se riram bastante, assim Como é que é possível, é a capacidade de comicidade desta pessoa que não disse uma única palavra, só abriu os braços e está toda a gente arrastar frente a ele.
    É um Jim Carrey diferente àquele do atual. Né É o senhor mais pesado, menos É mais pesado, mais gaste, se calhar não é. Também há aqui uma coisa que é importante, que é eu defino muito mais como comunicador, como humorista. Mas é muito curioso. Nós percebermos depois como é que numa entrevista para uma revista ou para um jornal, como é que te vi, hein? É muita vezes radio lista. Pois se eu lanço um livro, escritor nunca fui escritor na vida, né Escrevo livros que você vê livros a uma casa.
    Totalmente diferente de ser um escritor, depois apresentador de televisão. Se eu tiver apresentado a programação de televisão, já sou apresentador de televisão. Tu sente-te apresentador de televisão? Também me sinto apresentador de televisão, mas mais de radio. Claro, mas não não por culpa minha. Eu até gostava de ser apresentador de radio e televisão. Era assim que eu gostava, mas a televisão bandona mais vezes do que a de caráter. A gente nunca vah bandona.
    A televisão é uma amante, sabe, aquela amante fria e calculista E cara Cara, não caparrai, não é. Mas a verdade é essa que não nos deixa. Passa, passa um Ryan Gosling da vida e vai com ele. É isso que é a televisão. Voltei bem à aparece, voltei bem a roubar-te e vimos-te no ecran. É sim, sim, e isso vai acontecer agora outra vez.
    Então Vai, vou ter um novo programa na RTP. Vais fazer o quê? Eu vou fazer um programa que vocês vão se chamar Iroen Assinal. Iroen Assinal, vais à procura dos Irais Nacionales. Semmm, muito, não sei nem, mas de uma forma bastante cómica Os mortos, os vivos.
    Quero os vivos. Os vivos, sim, são mais interessantes e estão. Os mortos normalmente não falam. E eu preciso falar com os heróis Se eles não responder. É, não é. E sabes que quando eu estive aqui a pensar e preparar a nossa conversa, eu comia que na realidade terei-te apresentado.
    Tu tens esses papéis todos, era minhas penhasas e meus senhores. Fernando Alvin o idiota, oh, te diria, não me importava nada disso. Oh, louco, como queiram, eu gosto dessa fama, é uma fama que gosto. O que Como é, que é o teu processo criativo? Onde, é que tu vais buscar as ideias.
    Estavas a fazer essa pergunta e há uns anos eu fui convidado pelas quintas de leitura no Porto, que são feitos por um grupo de pessoas, ainda que o meu amigo me ocorre um gesto que é um programador extraordinário E ele teve a ideia de eu entrar nessa noite, que era o contexto dos meus, que eu escrevi não é Entrar numa ambulância, numa maca, e a ambulância entrava no palco do teatro, abria-se essa parte da ambulância, a maca saía, era lançada e eu saí aos revolões pelo jão. Isto foi há cinco anos no féssico E eu adorei ter que o gesto tivesse essa ideia. pensassem-me para executar. Você pensava que esta ideia é tão estúpida que eu tenho que aparecer nela. Sim, e sobretudo a forma. Como as pessoas sabem que eu não levarei. Eu acharei aquilo muito divertido E isso é ótimo. Isso é ótimo.
    As pessoas perceberem que eu tenho essa tolerância E tu tens o olho para perceber que uma determ
    39 min
  • Como se entendem os bebés? Maria do Céu Machado
    Como entendem os pediatras os bebés?
    É uma pergunta que sempre me fascinou.
    Afinal a criança muito pequena não fala. Apenas chora, resumia, ri, come ou dorme.
    Todavia, os pediatras têm uma espécie de caixinha tradutora de tipos de choros, esgares ou movimentos do corpo que serve de tradutor simultâneo.
    Já agora nesse exercício de comunicação sobra sempre um olhar para os pais ansiosos, ali ao lado.
    Então se forem pais de primeira filho…
    Nesta edição converso com a médica pediatra Maria do Céu Machado.
    E falámos de crianças, de adolescentes e dos pais deles.
    De saber que os pais perguntam o que se dá de comer ao novo ser ou que os adolescentes vão espreitar ao Doutor Google para depois argumentarem com os médicos.
    Como este é um ‘podcast’ sobre comunicação, fiquei a saber como se dizem as más notícias, como é difícil fazer prognósticos e como muitas das queixas de doentes contra os médicos tem como base a má comunicação.
    Conheço Maria do Céu Machado há muitos anos e um dia fizemos um curso de treino de fala pública e mediática. No fundo, um manual prático de como se movem e o que procuram os jornalistas. E de como se devem comportar os oficiais públicos que tem de responder às perguntas mais difíceis.
    Um treino de choque.
    LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO
    TRANSCRIÇÃO AUTOMÁTICA
    0:00:13 - JORGE CORREIA
    Ora Viva-o. Bem-vindos ao Pregunto a simples, o vosso podcast sobre comunicação. Nesta edição falamos de saúde, de comunicação em saúde, de vida e de morte, os médicos e os doentes, os que sofrem e os que tentam ajudar. Da linguagem há calibração de expectativas, da relação médico-doente, dos prognósticos até aos influenciadores digitais. Tudo cabe nesta conversa, tudo cabe nesta edição. Vamos ao programa, vamos a isso. Como entendem os pediatras dos bebés? É uma pergunta que sempre me fascinou. Afinal, a criança muito pequena não fala, apenas chora, resmunga, ri, come ou dorma. E todavia, os pediatras têm uma espécie de caixinha tradutora de tipos de choro, de desgarros ou de movimentos do corpo que servem de tradutor simultâneo. Já agora, neste exercício de comunicação, sobra sempre um olhar para os pais ansiosos ali ao lado. Então, se forem pais de primeira água, de primeiro filho, então é que é Nesta edição conversa com uma médica, pediatra, marido, são Machado, e falamos de crianças, de adolescentes e dos pais deles, de saber que os pais perguntam ainda o que é que se está a ver ao novo ser ou ao novo bebê, do que os adolescentes vão espretar ao Dr. Google para depois argumentarem com os seus médicos.
    Como este é um podcast sobre comunicação, fiquei a saber como se dizem as mais notícias, como é difícil fazer prognósticos e como muitas das queixas contra os médicos afinal assentam numa má comunicação. Conheço marido São Machado há muitos anos e um dia fizemos um curso de treino de fala pública e de política, no fundo um manual prático de como se movem e o que procuram os jornalistas e de como se devem comportar os oficiais públicos que têm de responder às perguntas mais difíceis. Foi um treino de choque. A experiência do media training foi assim, uma experiência tão radical. Ai foi completamente.
    0:02:25 - MARIA DO CÉU MACHADO
    Contamos às pessoas o que aconteceu Então a nossa assessora de comunicação, a minha professora da Sul que é Isabel, propôs-nos, aos dirigentes que eram eu e os dois altos comissários adjunto Rita Magalhães Colasso, que agora é a assessora do presidente, e o José Maria Albuquerque e os coordenadores dos programas prioritais do Plano Nacional de Saúde, fazer um media training. Nós tossemos todos o nariz porque achamos que nós sabíamos falar com os avistas. não tem problema nenhum.
    0:02:56 - JORGE CORREIA
    E ela insistiu É uma coisa fácil, não é Existiu e resolvemos então dar um dia, então damos um dia.
    0:03:02 - MARIA DO CÉU MACHADO
    Lá foi marcado. Fomos para a escola de comunicação, escola superior de comunicação. Tivemos uma parte da manhã com o Jorge Correia, com o Fernando Esteves, com o Mario Mauriti, e que foi teórico, mas que nos disseram coisas engraçadíssimas. Que o seu número 2 está sempre a achar que é melhor que você, que o número 1 fazia o melhor trabalho. Por isso tenha cuidado com o número 2. Nunca mais deixei de ter cuidado com o número 2. E entretanto a minha secretária Lígame aquilo inclui ao moço, a minha secretária Lígame dizia que tinha que ir ao Ministério ensinar um papel urgentíssimo.
    O motorista já estava à porta. Ele sai porta fora, entre no carro e no turista diz-me Olha, afinal já não é preciso ir ao Ministério. Eu torno a entrar e quando torne a entrar, o Jorge Correia a correr na minha direção. Até eu olhei para trás para ver se o Ministro estava atrás de mim com o Câmara Mena atrás de si e ia dizer o que é, que acha dos cortes que a Assembleia da República fez ao leite do Tavaque? Nós tínhamos mandado e a Assembleia da República tinha feito cortes E eu fiquei completamente congelada. Eu tinha aquilo preparado porque nós já sabíamos que quando fôssemos a qualquer reunião. Era a pergunta número de um dos jornalistas preparado num Ministério.
    0:04:14 - JORGE CORREIA
    Toda a gente ia perguntar se a mulher do Tavaque era um homem.
    0:04:16 - MARIA DO CÉU MACHADO
    Exatamente e fiquei completamente congelada. Não disse nada, não disse coisa com coisa. De repente vês apareci em uma série de pessoas à minha volta, tu os arrires. Tinha sido tudo combinado, incluindo com a minha secretária. Por isso não lhe perdoei e não lhe vou probar ainda hoje.
    0:04:31 - JORGE CORREIA
    É muito perigoso ver este. Nós de facto fizemos um treino que é um treino real, de o que é que é uma crise mediática em que alguém dirigente neste caso marido Salmachado, alta comissária da Saúde e portanto tem que dar respostas. Este é o ponto. É muito engraçado como nós temos a ilusão de que, quando dominamos o assunto e mesmo estando preparados para a pergunta, apesar de tudo, aquela situação de confronto e de espelhamento e de desprecação, O inspirado é terrível.
    0:04:59 - MARIA DO CÉU MACHADO
    Não é O jornalista que surge, o inspirado, a pergunta que surge apesar de tudo e de esperado no ambiente. Mas depois, só agora, só um minuto à tarde, fizemos outro exercício que eu também nunca mais me esqueci, que era nós que tínhamos mandado um resumo curricular e cada um de nós era entrevistado numa sala isolada com o jornalista que ia comentando o nosso curriculo. E nós também achamos que aquilo era pacífico. Nós estávamos à volta. Começou uma sala de cirurgia em cima, à volta a ver o desgraçado que estava lá embaixo.
    0:05:29 - JORGE CORREIA
    E arriste, imagina não é.
    0:05:31 - MARIA DO CÉU MACHADO
    E arriste também Até tocar a nossa vez Um de nós, mas de nenhum, que não conseguisse, ao fim de cinco minutos, de ficar irritado porque vocês eram os três a fazer as entrevistas. Faziam a pergunta, depois diziam que estava assim no curriculo, mas que afinal nós tínhamos contradito, que tínhamos dito, mas um minuto depois tínhamos dito o contrário e a certa altura nós já estávamos, tínhamos perdido completamente o controle também.
    0:05:55 - JORGE CORREIA
    A experiência real, todavía, da relação com os mídias e com os jornalistas, e depois tem a presidência de um infarmeda, depois tem, antes disso, direção de serviço de pediatria, mesmo durante algumas crises vamos falar sobre isso crises difíceis em que há pessoas a sofrer, neste caso crianças a sofrer. Apesar tudo, depois, essa experiência real com os mídias é uma experiência muito mais tranquila, ou não?
    0:06:22 - MARIA DO CÉU MACHADO
    Não foi, mas porque aquilo foi um choque. Não é, e de um jeito, de um jeito Até hoje E portanto, quer dizer, aprendemos uma série de coisas. Outro aspecto que eu nunca mais me esqueci, que me serviu no Hospital da Amadora, que eu fui diretor da Clínica, também quando era de gestão privada, nós tivemos lá uma mini pandemia na Amadora, a DEN, ao VIRS, que morreram, que chegamos a ter 70 crianças internadas com mortes, etc. O.
    0:06:48 - JORGE CORREIA
    DEN ao VIRS mata.
    0:06:49 - MARIA DO CÉU MACHADO
    Ah, sim, sim, há uns serotipos, do Aden ao VIRS. Há três serotipos que dão uma pneumonia grave e que podem matar.
    0:06:54 - JORGE CORREIA
    Crianças muito pequenas, muito frágeis, tudo bem vejo normalmente sim.
    0:07:00 - MARIA DO CÉU MACHADO
    E é engraçado que eu lembrava-me desse mídiate training e, por exemplo, lembrava-me de uma coisa, um aspecto engraçado que era vocês tinham pensado a mensagem seguinte que, por exemplo, quando alguém, quando um hospital, alguém num hospital tem que responder um jornalista porque há um VIP internado ou porque há uma situação de crise no hospital, porque a urgência está com 15 horas de espera, ou porque me realga na urgência, enfim, seja o que for, que é sempre melhor uma mulher de que um homem, mesmo que seja feia. nunca mais esqueci disso.
    0:07:37 - JORGE CORREIA
    Por causa da empatia não é Por causa da empatia. É ideia de humanidade, ideia de maternalidade.
    0:07:43 - MARIA DO CÉU MACHADO
    A mulher está sempre, mesmo que a notícia seja má e que seja problemática, é sempre menos agressiva, é sempre mais humana. Então, mas era que depois eu fui diretor da clínica tanto da madora como do Hospital Santa Maria, e punho sempre uma mulher a fazer esse papel.
    0:08:05 - JORGE CORREIA
    No caso do AD, no vírus já não lembrava de ele. Lembrava que tinha havido uma crise, mas como é que se gera?
    0:08:14 - MARIA DO CÉU MACHADO
    Foi complicado porque a situação foi aquilo era uma população complicada. Não é Isto passa-se ali à volta do ano 2003, 2004, que tivemos um pico de imigração, que era uma imigração africana, não é. É portanto muito diferente agora da imigração atual, que era muito da Guiné, da Angola a Cape Verde principalmente. Destes três países Viviam muitas em condições complicadas e tinham muitas os bebés,...
    56 min
  • Como comunicar com o público? Aline Castro
    Hoje vamos mesmo falar em exclusivo sobre comunicação.
    Sobre os dilemas de comunicação que se levantam nas instituições, empresas, organizações ou grupos sociais quando toca a vez de falarem aos cidadãos.
    Neste episódio poderá ouvir sobre:
    A importância da comunicação orientada para o público em geral [00:00:12] Comunicar para o público em geral é nobre e útil, abrindo-se à sociedade e garantindo que os cidadãos estejam informados.
    A utilidade e compreensão na linguagem utilizada [00:01:37] A comunicação deve ser útil e evitar o uso de jargões profissionais, utilizando uma linguagem simples e clara.
    A criação de canais de comunicação para ouvir a reação do público [00:02:54] É importante criar canais para ouvir a reação do público, mesmo que seja uma reação negativa, pois é melhor do que o silêncio absoluto.
    A importância da linguagem acessível [00:07:54] Discute-se a resistência em simplificar a linguagem técnica e a necessidade de aproximar as pessoas.
    A confusão entre comunicação pública e comunicação privada [00:10:41] Aborda-se a visão antiga de que a comunicação pública é apenas para promover autoridades e como lidar com essa confusão.
    A necessidade de comunicação orientada para o interesse público [00:12:00] Explora-se a importância de comunicar de forma compreensível e útil para ganhar imagem e reputação.
    Reações do público [00:15:00] Como o público reage quando a comunicação não é de interesse público e a importância do engajamento.
    Indignação e mau uso da comunicação [00:16:19] Eles falam sobre a indignação do público e como lidar com as críticas, além de abordar o mau uso da comunicação.
    O papel do porta-voz [00:20:26] Discutem as características de um porta voz ideal, aquele que se conecta com a audiência e transmite humanidade.
    A importância do recetor na comunicação [00:22:11] A comunicação só existe quando o receptor entende e absorve a mensagem, minimizando ruídos e facilitando a compreensão.
    Mudando a lógica da comunicação organizacional [00:25:08] A necessidade de colocar o outro em primeiro lugar na comunicação pública, mostrando como os serviços e procedimentos podem realmente mudar a vida das pessoas.
    O trabalho estratégico de comunicação [00:26:23] A importância de fazer um trabalho estratégico de comunicação, parando a "máquina da pastelaria" para ter tempo de pensar e refletir sobre o que está a ser feito.
    A ilusão dos likes e a expectativa de viralização [00:29:53] Discutem a expectativa de que um conteúdo viralize nas redes sociais e a realidade de que isso raramente acontece.
    As consequências de um viral negativo [00:30:40] Abordam como os cancelamentos e críticas nas redes sociais podem gerar crises de comunicação e reverberar mais rápido do que conteúdos de utilidade pública.
    A importância de facilitar o acesso à informação [00:31:35] Aline fala sobre a gratificação de receber feedbacks positivos e agradecimentos por fornecer informações acessíveis e úteis às pessoas.
    Vamos até ao Brasil, até São Paulo com a Aline Castro, uma comunicadora e autora de um interessante ‘podcast’ sobre comunicação pública. Chama-se precisamente “Comunicação Pública - Guia de Sobrevivência” e mostra muitas das dores de alma e pequenas vitórias dos comunicadores nas organizações que servem.
    Comunicar para o público em geral é das coisas mais nobres e úteis que um a organização pode levar a cabo.
    Significa abrir-se à sociedade, garantir que os cidadãos estão informados e criar condições para acolher o ponto de vista do público na organização.
    No fundo, a comunicação quer criar elos de ligação entre pessoas.
    E por isso deve ser sempre orientada por dois princípios fundamenta: as utilidade e o entendimento.
    Dou um exemplo: se a comunicação for apenas um veículo de propaganda e de massagem do ego da organização e a sua liderança, ela não funciona. O público é inteligente e rapidamente esse tipo de comunicação torna-se irrelevante ou mesmo contraproducente.
    Por isso a primeira pergunta que um comunicador colocar é: para que serve isto aos olhos do público que aspiramos atingir.
    É uma informação útil?
    Vai ajudar o público a decidir melhor?
    A saber o que fazer?
    E depois há a segunda parte: a linguagem.
    Como tornar a informação facilmente percebida. Fugindo do jargão, da linguagem técnica ou de todas as palavras ou frases que são vazias ou, pura e simplesmente, impossíveis de entender por todos.
    Finalmente há que criar boas condições para que se crie uma ligação, que haja canais para ouvir a reação do público.
    É que mesmo uma reação menos simpática ou irada é melhor que o silêncio absoluto.
    A Aline Castro tem essa experiência. Nos últimos 14 anos esteve a liderar a comunicação de um tribunal em S. Paulo no Brasil.
    Mas os seus dilemas e arte para os resolver não se esgotam apenas no universo judiciário.
    Se pensarem bem, a linguagem da boa comunicação estende-se por todos os organismos que fazem serviço público ou prestam serviços ao público.
    E em caso de emergência socorram-se de um bóia de salvamento
    LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO
    TRANSCRIÇÃO AUTOMÁTICA
    00:00:00:01 - 00:00:21:08
    JORGE CORREIA
    Aline Castro, comunicadora pública, jornalista e também podcaster, tenha um podcasts que é o Comunicação Pública e Guia de Sobrevivência. Aline, precisamos nós, os comunicadores de uma Bahia Dilma, de um guia para sobrevivermos esta nossa tarefa de comunicar com o mundo.
    00:00:22:13 - 00:01:00:12
    ALINE CASTRO
    Pois Jorge, como vai, tudo vem. Bom, acredito que uma boia pode ajudar um pouquinho. De vez em quando, um guia, como eu costumo dizer. Fazer comunicação não é fácil. Fazer comunicação pública no serviço público é ainda mais difícil. Os comunicadores públicos enfrentam muitos desafios, que vão desde uma incompreensão do papel, que é realmente que eles devem desenvolver dentro das organizações, até a multiplicidade de tarefas, a overdose de informação que eles têm que gerenciar, o fluxo de informação.
    00:01:00:18 - 00:01:13:03
    ALINE CASTRO
    Completamente maluco muitas vezes. Então, o guia nasceu justamente para tentar orientá los nesse mundo absurdo e cheio de coisas que é a comunicação.
    00:01:13:17 - 00:01:34:14
    JORGE CORREIA
    Olha, vamos já falar das dificuldades, mas eu antes prefiro começar pelo aquilo que é muito bom, que o que tu definiria como sendo grande comunicação, o que que algo que dissesse sim, olha aquilo que nós estamos a fazer aqui hoje. O que fizemos hoje aqui é grande comunicação e nós conseguimos sucesso. Podemos definir esse sucesso?
    00:01:35:18 - 00:01:53:18
    ALINE CASTRO
    Eu acho que é aquilo que toca as pessoas e eu usaria. Gosto de usar muito uma palavra que é interesse público. Quando a gente fala de comunicação pública, a gente está naturalmente falando de interesse público. É aquilo que realmente vai fazer diferença na vida das pessoas. Eu começaria por aí.
    00:01:54:15 - 00:02:12:10
    JORGE CORREIA
    O que é o interesse público, que não é fácil de definir o que é que é o interesse público. O meu interesse particular ou teu interesse particular? É fácil para nós definir, mas o público é assim, uma entidade abstrata, grande, de um conjunto de muitas pessoas que têm muitos interesses muito diferentes.
    00:02:13:14 - 00:02:56:11
    ALINE CASTRO
    A verdade não é fácil. Eu acho que a gente tem que pensar o que atinge mesmo o coletivo e o que pode fazer com que nós, enquanto grupo, enquanto sociedade, enquanto uma cidade ou até mesmo dentro de uma organização menor, o que pode facilitar a nossa convivência e a nossa realidade de uma forma. Então, acho que o grande papel da comunicação pública é saber realmente diferenciar o que as informações que vão facilitar, que vão fazer com que as pessoas realmente possam conviver melhor e exercitar os seus papel, os seus papéis dentro de uma organização, no caso de uma, de uma maneira melhor.
    00:02:57:21 - 00:02:58:11
    JORGE CORREIA
    Quer dizer, por.
    00:02:58:11 - 00:02:59:16
    ALINE CASTRO
    Exemplo, a facilitação.
    00:03:00:06 - 00:03:19:22
    JORGE CORREIA
    Em sentar, sendo que o público sinta que aquela comunicação está a ser útil. Se for de um hospital saber como é que pode recorrer ao hospital, se for no tribunal, tu tens essa experiência. No caso de um tribunal, como é que ele funciona? Para quê que ele serve na experiência portuguesa? Normalmente, os tribunais não explicam quase nada, não explicam as decisões.
    00:03:19:22 - 00:03:36:21
    JORGE CORREIA
    Nós conhecemos apenas aquilo que o tribunal decidiu na sentença ou no acórdão final, mas não há essa interação com o público. Como é que é? Como é que no Brasil também? E também é a mesma fórmula? Ou, pelo contrário, o sistema judiciário está mais aberto e admite falar com o público em geral sobre aquilo que está a fazer.
    00:03:37:17 - 00:04:13:06
    ALINE CASTRO
    Não é tão diferente. Jorge Existe um movimento grande para que isso se altere e seja para que a justiça seja mais acessível mesmo, seja mais próxima das pessoas. Eu, inclusive, sou isso tudo, muito o movimento da linguagem simples em linguagem que tem muito esse papel de traduzir o juridiquês. E para que as pessoas, qualquer pessoa, independente do nível educacional, do local da origem, consiga entender pelo -1 pouco mais ali do do sistema de justiça, das decisões judiciais e tudo mais.
    00:04:13:18 - 00:04:43:20
    ALINE CASTRO
    A gente ainda está engatinhando nisso. Essa é uma das minhas causas, uma das minhas lutas. Eu acho que a gente não precisa. Não é questão de deixar as decisões judiciais rasas e muito simplórias, não é isso. É simplesmente a gente ter noção de que a sociedade, para que ela possa realmente avançar como sociedade, as pessoas precisam e têm direito de ter mais clareza do que de como a Justiça opera seus direitos e das suas responsabilidades.
    00:04:45:00 - 00:05:10:17
    JORGE CORREIA
    ...
    34 min
  • Sabe pela vida? José Avillez
    Já voltaram de férias? Foram boas?
    Divertiram-se? Comeram e beberam?
    Riram-se e abraçaram?
    Nadaram ou fizeram boas caminhadas?
    Ou simplesmente leram um bom livro e ficaram a ver as estrelas nas noites quentes?
    Os frescas. Que este verão está a ser ventoso.
    Nesta edição falámos de alta cozinha.
    E já vamos falar do bom que é saborear grandes, frescos e suculentos alimentos cozinhados com quem sabe muito de sabores.
    Mas quero ainda deixar um pé nas férias para notar que os preços estão pela hora da morte.
    A vida está cara, mas o sector do turismo está a abusar.
    A desgraçada da inflação de 10% transforma-se como que por multiplicação dos pães em 20 a 30% na fatura dos restaurantes e hotéis.
    Os pratos mais banais, da omeleta de pouco mais que ovos ao bitoque subiram dos 10 euros para os 13. Os pratos especialidade da cada dos 12 para os 19. Com aquele detalhe irritante do acompanhamento agora vir quase sempre à parte com mais 3 ou 4 euros extra. As sobremesas cresceram em preço e diminuíram de tamanho e o café dos 70 cêntimos passou para um euro por rotina ou euro e meio para ser bebido na esplanada.
    Mas a questão dos preços no turismo não tem só a ver com euros.
    Também tem a ver com serviço.
    Notei nos últimos meses que estão a desaparecer os empregados de sempre dos nossos cafés e restaurantes. O empregado simpático, bom comunicador, conhecedor dos nossos gostos e até, às vezes, desgostos. Mas principalmente capazes de nos mimarem de ter connosco boas ainda que breves interações.
    Para onde foram estas pessoas?
    Porque vieram outras pessoas, mais mecânicas, menos comunicadoras, mais viradas para fazer o que há para fazer, e menos para cuidar, para acolher. Como se o ato de ir comer ou dormir num sítio bom fosse um mero ato burocrático, ou administrativo.
    Essa reflexão fez-me querer recuperar a conversa que o Chef José Avillez me ofereceu.
    Tudo sobre acolhimento, excelência e relação. Alta qualidade e com preços a condizer.
    Hoje é dia de ficar com a boca cheia de água.
    De experimentar a gula a todo o vapor.
    De ler nas texturas dos alimentos.
    De cheirar. De provar. De depenicar. De petiscar. De empanturrar barriga e olhos das mais belas iguarias.
    Com um mestre, um Cheff, José Avillez, português, mas sempre na lista dos 100 melhores cozinheiros do mundo.
    Este programa é sobre comida, alimentos, ingredientes, povos e culturas.
    LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO
    Esta transcrição foi gerada automaticamente. A sua exatidão pode variar.
    0:12
    Pessoa 1
    Ora, vivam.
    Bem-vindos ao pergunta simples do vosso podcast sobre comunicação, já voltaram de férias por um boas divertiram-se, comeram e beberam, riram se e abraçarão nadarão ou fizeram boas caminhadas ou simplesmente ler um bom livro.
    0:28
    Ficaram a ver as estrelas nas noites quentes.
    Ô frescas, que este verão está a ser francamente ventoso.
    Nesta edição, falamos de alta cozinha e já vamos falar do que bom no saborear de grandes, frescos, suculentos e bem cozinhados alimentos por quem sabe muito sabores.
    0:48
    Mas e o cara?
    Ainda deixaram apenas férias para notar que os preços estão plo hora da morte.
    Já notaram?
    Não é a vida destacará, mas o setor do turismo está a abusar, a desgraça da inflação de 10% transforma-se, afinal, quase como por multiplicação dos pães em 20 a 30% a mais na fatura dos restaurantes e hotéis, os pratos mais banais do muleta, que tem pouco mais que ovos, e o bitoque.
    1:15
    Subiram dos 10 para os 13 EUR e os pratos, especialidade da casa, subiram rapidamente dos 12 para os 19.
    Com aquele detalhe irritante do acompanhamento, vir agora, quase sempre à parte com mais 3 ou 4 EUR extra é sobremesas cresceram em preço e diminuíram de tamanho e o café dos tenta cêntimos passou por 1 EUR por rotina ou euro.
    1:37
    E-mail para ser bebido na Esplanada.
    Mas a questão dos preços no turismo não tem só a ver com euros.
    Tem também a ver com comunicação, tem a ver com o serviço, notei nos últimos meses que estão a desaparecer os empregados de sempre, dos nossos cafés e restaurantes.
    1:53
    O empregado simpático, bom comunicador, conhecedor dos nossos gostos e até às vezes, dos nossos desgostoso, mas principalmente capazes.
    Quando nos mimarem de terem sempre conosco boas, apesar de Breves interações, Breves conversas.
    Para onde é que foram essas pessoas e por que que vieram outras pessoas mais mecânicas, menos comunicadoras, mais viradas para fazer?
    2:15
    O que é para fazer e menos para falar, para cuidar, para acolher como se o ato de ir comer ou dormir num sítio bom fosse um mero ato burocrático administrativo, esta reflexão fez-me crer e ouvir a conversa que o chefe José avillez, me ofereceu, que é tudo o contrário disto, é tudo sobre acolhimento, sobre excelência, sobre relação alta qualidade e, claro, com preços a condizer.
    2:41
    Hoje é dia de ficar com a boca cheia dágua, de experimentar a gula a todo vapor, de ler nas texturas dos alimentos, de cheirar, de provar, de depenicar, de petiscar.
    Tem tanto RA barriga e os olhos das mais belas iguarias com o chefe José villez, o português, que está sempre no topo da lista dos 100 melhores cozinheiros do mundo.
    3:02
    Cozinheiro com estrelas Michelin.
    E aí são programas sobre comida, alimentos, ingredientes, povos e culturas e sobre como conjugar uma disciplina quase militar com uma criatividade quase divina.
    Se gostarem da comida e do programa, subscreveu.
    Pergunta, simples.com, ouça uma nova série, porque tudo isto me ajuda a convencer grandes convidados a falar para si.
    3:22
    Para a semana.
    Há já um novo episódio da nova série.
    Acabei de gravar por agora, vamos ao programa, vamos a isso.
    3:40
    A cozinha está aberta, a mesa está posta e os cheiros enchem a casa.
    Tudo está prestes a começar.
    Os clientes que reservaram mesa começam a chegar, mas os outros que nem se deram ao trabalho, mas tem fome.
    Na mesma do casal namorados da mesa no canto ao trio que faz ali um negócio, passando pelos turistas que estão a aprender Portugal pelos cheiros e sabores.
    4:00
    Será que algum deles é o crítico gastronômico ou tem a decisão final de atribuir mais uma Estrela Michelin?
    Seja como for, e neste preciso momento todos são iguais, tem fome, tem vontade de comer, tem expectativas, tem desejos, gula e ansiedade.
    4:16
    Nas papilas gustativas, para além daquilo, balcão ali no fundo, com vista para a cozinha, há uma dezena de criadores de comida.
    São um misto de arquitetos, artistas de circo, pinturas em pratos recriadores, de alimentos frescos ou reinventados ou desconstruídos.
    Como se diz agora, na linguagem Moderna, as Marina, os temperos, as cozeduras a tempo.
    4:36
    Preciso tempos de Descanso e tempos de fogo.
    Tudo para que a comunicação pela comida chegue na profissão aos clientes, mas nem do de arte.
    Ao Cronômetro, o sincronismo entre pratos e entre pedaços de cada interpretação daqueles alimentos pelo chefe de cozinha é um bailado quase militar, uma conjugação de movimentos de equipa entre a rapidez e a precisão absoluta.
    4:59
    Entre a cozinha e mesa, o chefe prova inglesa limpa o prato da pinga que caiu ao lado, que raramente caiu ao lado e logo em seguida canta o prato para que ele saia ou canta.
    O pedido para a comida que há de sair.
    A criação é colocada ao usufruto dos comensais que só pensam em saborear algo que demorou dias ou horas a criar e anos aperfeiçoaram.
    5:24
    Esse programa é sobre esse momento perfeito de manter a comida à boca, de fechar os olhos, de saborear no balcão do fundo está alguém?
    O chefe observaria pensar, missão cumprida, esse programa é conduzido pelo chefe José avillez, um dos mais célebres, e galardoados cozinhados portugueses.
    5:43
    E é muito mais do que um programa.
    Só sobre comida.
    José villez, chefe, se preferirem, cozinheiro, eu prefiro cozinheiro várias estrelas Michelin, as desejadas estrelas Michelin, dadas aos melhores restaurantes do mundo, quer dizer aos melhores chefes do mundo as melhores cozinheiras do mundo.
    6:03
    De facto, presença regular no top 100 dos melhores cozinheiros do mundo.
    Que que faz?
    Tinha um dos um dos melhores do mundo.
    6:13
    Pessoa 2
    É, acho que a minha equipa principalmente é.
    Em sem equipe, não somos nada em quase nada do que fazemos.
    É, principalmente, numa área como esta e principalmente.
    É eu que me divido, entre muitos projetos, é equipa, é o que faz de mim, é.
    6:32
    É o que sou hoje, mas também dá uma maneira.
    A minha vontade é de ir mais além.
    A vontade de fazer melhor, fazer mais, de fazer diferente é e essa equipe acompanhar nessa aventura.
    6:45
    Pessoa 1
    Um, estamos aqui no Encanto ao lado do bel canto 2 estrelas Michelin.
    Este também é um instante vegetariano também como Estrela.
    O que que, o que que.
    Por que que tem estrelas Michelin é uma.
    É uma curiosidade que o que eu tenho, o que, o que que faz com que o restaurante receba uma Estrela de Michelin ou que ou que ainda não recebeu uma Estrela Michelin?
    7:06
    Pessoa 2
    É?
    Isso vai é um além de ser uma fábrica de pneus e um produtor de pneus, é e é mesmo por onde começou.
    Depois começou um guia é que premiava ao costin guia os melhores restaurantes do mundo para as pessoas viajarem mais.
    É começa em França pessoas viajarem mais para gastar mais pneus.
    7:23
    Na verdade, começa assim e depois começar a ganhar.
    É um guia que já tem mais de 100 anos, é e começa a ganhar.
    É.
    Ser uma referência começa a ser uma referência na área.
    7:33
    Pessoa 1
    Ganhou?
    7:33
    Pessoa 2
    Família ganhou fama e.
    E não só fama, ganhou as pessoas de facto respeitam e é algo que se viaja o mundo inteiro.
    Muitas vezes, a procura das transmissões.
    É, há uma série de critérios que não sei todos de cor é, mas é pela qualidade da cozinha uma primeira Estrela, consistência dessa mesma qualidade, qualidade dos ingredientes.
    7:57
    Pessoa 1
    Não é só naquele dia em que vem aqui.
    O crítico tem que se manter a consistência.
    8:00
    Pessoa 2
    Porque na verdade,...
    59 min

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