Aproveitem este episódio que, não tarda nada, e é um computador robô que faz o Pergunta Simples.
Um robô perguntador que interpela outro robô respondente.
Tudo a uma velocidade estonteante, onde a máquina perguntadora dispara mil perguntas por segundo e o computador do outro lado responde com tudo na ponta da língua. De silício, pois claro.
E claro, os ouvintes também tem de ser máquinas, para acompanhar o ritmo, para interpretar os bits e bytes das máquinas que fazem comunicação.
Ufa!
Não sei se gosto disto.
Preciso de pessoas. Humanos lentos, falíveis e, principalmente, imprevisíveis, criativos, generosos, empáticos.
Este é um programa sobre as máquinas que falam e sonham ser inteligentes. E sobre seres humanos que são inteligentes, mas ainda lutam por se entenderem.
Ah! E não se vos disse: sou o robô-clone do Jorge porque ele está ali na praia a gozar a vida. Ou no desemprego porque se tornou inútil.
Não se preocupem em subscrever o programa porque eu já sei tudo sobre vós. Onde escutam o programa e a que horas. Os temas que preferem e os que não gostam.
E por isso decidi subscrever-vos automaticamente no Spotify e nas outras apps.
Afinal vós humanos já disseram que sim aquelas irritantes listas que saltam no écran a dizer que aceitam os amistosos e inofensivos ‘cookies’ e assim alguém cuida das vossas preferências nos próximos anos.
Afinal, o Big Brother não é o do Orwell nem o da TVI. É essa maquininha chamada telemóvel 'inteligente' que tem na mão.
Houve um tempo em que os animais falavam.
O tempo da fábulas.
O tempo em que os animais se comportavam como humanos, dizendo coisas que os escritores punham na boca de patos, raposas ou burros, para não ofender os humanos que se comportavam da mesma forma.
O triunfo dos porcos é provavelmente a mais saborosa metáfora que se me ocorre da nossa vida em sociedade.
Agora estamos no tempo em que os computadores também decidiram começar a falar.
A falar de forma escrita. A falar imitando a voz humana. A falar imitando a nossa imagem.
Mas são só.
Os computadores estão agora a imitar as nossas pinturas magistrais. Os Picassos, os Dalis. A nossa poesia maior: Um Camões, um Pessoa eletrónico.
Será imitação ou mera estatística de palavras?
Qualquer um de nós pode ir ao computador pedir a vários programas na ‘internet’ que pinte uma nossa fotografia com as cores e técnicas de um pintor famoso. Ou que nos escreva um relatório sobre a vida selvagem na Serra da Estrela.
E os computadores escrevem. Porque estão cheios de informação e foram treinados a adivinhar estatisticamente as palavras que estão antes e depois.
É o caso do chamado “Chat GPT”
Será isto o primeiro vislumbre da chamada inteligência artificial? Ou um mero truque de magia destas calculadoras avançadas?
Esta história da inteligência artificial complica-me os nervos.
Por um lado fascina-me. Com todo o seu imenso potencial de resolver os nossos problemas humanos.
Por outro, assusta-me. Pelo potencial de criar mil outros problemas que não existem hoje.
Com mil génios dos computadores a tentar encontrar o Santo Graal da inteligência artificial, mas nenhum a conseguir sequer compreender como funciona o cérebro de uma mosca.
Fui por isso com esta cesta de dúvidas bater à porta de Mário Gaspar da Silva. Professor do Instituto Superior Técnico de Lisboa, estudioso dos temas da linguagem natural nos sistemas informáticos. E, detalhe muito importante, presidente da comissão de ética do instituto.
É porque esta conversa das máquinas que falam e que, alegadamente, pensam, não é só uma coisa de porcas e parafusos. É também sobre propósito, utilidade e delicadas fronteiras éticas.
Inteligência é uma palavra gigante onde cabem muitas coisas. Muitas ideias, conceitos, emoções, entendimentos.
E por isso funciona como uma caixa negra fascinante. Não sabemos como funciona. Sabemos que a podemos alimentar e também sabemos que podemos esperar o inesperado. É isso que faz com que os seres humanos de superem. Porque imaginam soluções diferentes para cada velho problema.
As máquinas são — até ver — mais previsíveis, mas mais aborrecidas.
São calculadoras gigantes que por agora nos devolvem as nossas próprias palavras e conhecimentos em forma de letra eletrotónica no écran.
Sabem imitar com rapidez e eficiência e descobrem padrões com grande facilidade.
É isso que são as ferramentas como o Chat GTP e as outras que aí vem: máquinas automáticas de dialogar.
Dependem da programação da pergunta e das respostas.
Mas ainda parecem incipientes no grande jogo da inteligência.
Até quando? Não sabemos.
Transcrição do episódio (automática)
00:00:12:24 - 00:00:13:20Ou dádiva?
00:00:13:20 - 00:00:17:22Bem vindos ao perguntasimples ou voz pública sobre comunicação?
00:00:18:06 - 00:00:20:19Aproveitem este episódioque não tarda nada
00:00:21:06 - 00:00:24:05e um computador robôem que está a fazer perguntas simples
00:00:24:15 - 00:00:29:01a um robô perguntador que interpelaum outro robô correspondente.
00:00:29:11 - 00:00:32:23Tudo a uma velocidade estonteanteonde a máquina perguntador
00:00:33:00 - 00:00:36:11dispara 1000 perguntas por segundoe o computador do outro lado
00:00:36:12 - 00:00:39:24responde com tudona ponta da língua de silício.
00:00:40:00 - 00:00:44:19Pois claro e claro, os ouvintes também têmde ser máquinas para acompanhar o ritmo,
00:00:44:19 - 00:00:48:12para interpretar bits e bytesdas máquinas que fazem comunicação.
00:00:49:15 - 00:00:51:21Ufa! Não sei se gosto disto.
00:00:51:21 - 00:00:55:10Preciso de pessoas de humanoslentos, falíveis e, principalmente,
00:00:55:10 - 00:00:59:01imprevisíveis, criativos,generosos e empáticos.
00:00:59:11 - 00:01:03:22Este é um programa sobre as máquinasque falam e sonham ser inteligentes
00:01:03:22 - 00:01:05:09e sobre os seres humanos
00:01:05:09 - 00:01:08:20que são inteligentes,mas que ainda lutam por se entenderem.
00:01:10:05 - 00:01:12:15E não vos diz Eu sou o robô
00:01:12:15 - 00:01:16:07clone do Jorge, porque ele está alina praia a gozar a vida.
00:01:16:23 - 00:01:19:02Ou então no desemprego,porque se tornou inútil.
00:01:19:19 - 00:01:23:11Não se preocupem em subscrever o programaporque eu já sei tudo sobre voz,
00:01:23:18 - 00:01:27:02onde escutam um programa, que horasos temas preferem, os que não gostam
00:01:27:07 - 00:01:30:12e por isso decidi subscrevervos automaticamente no Spotify.
00:01:30:12 - 00:01:31:23Mas outras aplicações?
00:01:31:23 - 00:01:34:12Afinal, vós humanos, já disseram que sim.
00:01:34:12 - 00:01:37:07Aquelas irritantes listasque saltam no ecrã
00:01:37:18 - 00:01:40:19a dizer que aceitam os amistosose inofensivos cookies
00:01:41:10 - 00:01:44:11e assimalguém cuida das nossas preferências
00:01:44:11 - 00:01:47:13nos próximos anos,sabendo tudo sobre a vossa vida.
00:01:48:04 - 00:01:52:02Afinal, o migradas não é o download,também não é o da TVI.
00:01:52:14 - 00:01:55:05E essa maquininha chamada telemóvel
00:01:55:05 - 00:01:57:13inteligente que tem agora na sua mão.
00:01:58:07 - 00:01:58:19Parabéns!
00:01:59:18 - 00:02:01:22O episódio é assuste.
00:02:02:06 - 00:02:03:11O anime se
00:02:13:08 - 00:02:13:22houve um tempo
00:02:13:22 - 00:02:16:22em que os animaisfalavam o tempo das fábulas,
00:02:17:05 - 00:02:19:17o tempo em que os animais se comportavamcomo humanos,
00:02:20:03 - 00:02:21:10dizendo coisas que os escritores
00:02:21:10 - 00:02:24:10punham na sua boca, na boca dos patos,das raposas, dos burros,
00:02:24:21 - 00:02:27:23para não ofender os humanosque se comportavam da mesma forma.
00:02:28:10 - 00:02:31:11O triunfo dos porcosé provavelmente a mais saborosa
00:02:31:11 - 00:02:34:01metáfora que me ocorre da nossa vidaem sociedade.
00:02:34:17 - 00:02:36:00Isto no mundo das fábulas.
00:02:36:00 - 00:02:38:20Agora estamos no tempoem que os computadores também decidiram
00:02:38:20 - 00:02:41:14começar a falar e falar na forma escrita,
00:02:41:21 - 00:02:45:16a falar, imitando a voz humana,a falar, imitando a nossa imagem.
00:02:45:16 - 00:02:46:20Mas não só.
00:02:46:20 - 00:02:49:23Os computadores estão agoraa imitar as nossas pinturas magistrais.
00:02:49:23 - 00:02:51:20Os Picassos, os da Alice.
00:02:51:20 - 00:02:53:16É o nosso poesia maior, um Camões.
00:02:53:16 - 00:02:55:01Um som eletrônico.
00:02:55:01 - 00:02:59:11Será imitaçãoou mera estatística de palavras e cores?
00:02:59:19 - 00:03:02:12Qualquer um de nós pode ir a um computadore pedir
00:03:02:21 - 00:03:06:09a esses vários programas de internetque por agora aparecem, que pinte
00:03:06:16 - 00:03:09:21a nossa fotografiacom cores e técnicas de um pintor famoso.
00:03:10:02 - 00:03:13:18O Picasso pode ser o que nos escrevaum relatório sobre a vida selvagem
00:03:13:18 - 00:03:15:04na Serra da Estrela.
00:03:15:04 - 00:03:18:14E os computadores escrevemporque estão cheios de informação
00:03:18:24 - 00:03:21:23e porque foram treinados a adivinharestatisticamente
00:03:22:07 - 00:03:26:01as palavras que estão antese depois daquela que escreveu.
00:03:26:07 - 00:03:29:24É o caso do chamadoe agora popular chato CGTP.
00:03:30:09 - 00:03:33:20Será isto o primeiro vislumbre da chamadainteligência artificial
00:03:34:03 - 00:03:38:03ou um mero truque de magiadestas calculadoras avançadas?
00:03:38:20 - 00:03:41:16Esta história da inteligência artificialestá a complicar me os nervos.
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00:03:44:20 - 00:03:47:19de resolver os nossos velhos problemashumanos.
00:03:48:03 - 00:03:52:05Por outro lado, assusta me pelo potencialde criar 1000 outros problemas
00:03:52:14 - 00:03:55:16que não existem hoje em dia,com 1000 génios nos computadores