Pergunta Simples

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Pergunta Simples episodes

  • José Gameiro | O psiquiatra ajuda a resolver as crises?
    Hoje é dia de ir ao psiquiatra.
    Revisitámos uma conversa com José Gameiro, a meados de setembro de 2021.
    E lembrei-me deste episódio por causa do último livro que escreveu, o “Ser Psiquiatra” com um retrato subjetivo dos seus 40 anos de profissão.
    José Gameiro ouve, todos os dias, pessoas que sofrem.
    Pessoas que lhe entram no consultório com pedidos de ajuda.
    Com demandas para ser guia de um certo regresso à felicidade.
    Ou pelo menos a alguma harmonia.
    A ideia romântica do que somos ou queremos ser persegue-nos sempre. E o choque com a realidade acorda-nos.
    O dia em que gravámos coincidiu com a semana em que deixamos de usar as máscaras cirúrgicas populares na pandemia. E as máscaras foram um bom mote
    No jogo das máscaras que todos jogamos uns com os outros há terrenos férteis para imaginários, felicidades e dores.
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    TRANSCRIÇÃO AUTOMÁTICA
    0:00:00 - JORGE CORREIA
    Houve o quê, o que que é que a gente quer dizer que houve Coiso de tudo. Por que que o procuram?
    0:00:06 - JOSÉ GAMEIRO
    Porque estão a se fornecer, ou seja. O seforimento pode ser uma doença psiquiátrica com o rótulo, com o diagnóstico, ou pode ser um seforimento de relação com alguém, um seforimento interior que não tem relação direta com ninguém, mas que é interno. As pessoas só vão. A ideia é que havia que as pessoas vão ao psiquiátra, ao psiquiátra sobretudo por lá, cá, aquela pália, um pequeno luxo, é mentira. É mentira A psiquiátrica quando estão a se fornecer, quando estão a se fornecer, quando acham que não conseguem ultrapassar porque às vezes já exageram o tempo que deixam estar sem procurar ajuda E aquilo vai inquistando, que tudo vai inquistando, não é? E portanto a ideia é que isso não é verdade. As pessoas procuram, quando estão a se fornecer, e querem, querem, por um lado, alviar o seforimento e, por outro lado, que o seforimento faça algum sentido na sua história, ou seja perceber um bocadinho o que é que está a passar. Não é Perceber um bocadinho o que está a passar porque às vezes é possível.
    Às vezes é mais difícil.
    0:01:00 - JORGE CORREIA
    E consegue se tipificar o tipo de sofrimentos ou Nem psiquiatria ou os diagnósticos.
    0:01:06 - JOSÉ GAMEIRO
    Seja bem. Seja bem, pois é. Boa parte da clínica não será de diagnósticos, provavelmente ditos. Não posso pôr um conto nas pessoas, mas consegue se perceber o que é, que é uma pessoa que está ansiosa, que é uma pessoa que está triste, uma pessoa que está deprimida, uma pessoa que prefere num caso extremo psicótico e atreverante, etc. Eu trabalho muito com casais, portanto as coisas são um pouquinho diferentes. Que é o sofrimento da relação e o programa da relação, mas é sempre o sofrimento. Em casos raros não há sofrimento. A pessoa vai ao psiquiatra porque é pressionada para ir por coisas comportamentais e não há sofrimento. E um bocado, ao contrário. Temos que levar a pessoa até ao sofrimento. É um bocadinho às vezes.
    0:01:42 - JORGE CORREIA
    Terá de ter uma autoconsciência do que é que aconteceu, do que é que causou, outro É o que é que causou outro, e ir até ao sofrimento e provocar.
    0:01:49 - JOSÉ GAMEIRO
    Se é possível dizer a palavra na própria pessoa, alguma pessoa de sofrimento está a provocar nos outros, que às vezes não existe.
    0:01:54 - JORGE CORREIA
    Como é que se escutam as pessoas? Tem uma caixinha com empatia, com o tempo para ouvir.
    0:02:01 - JOSÉ GAMEIRO
    Tempo. Tenho Primeiro consulto. Eu sou muito rigido com as horas. Sou um bocado germânico.
    0:02:07 - JORGE CORREIA
    Comece a hora certa acaba a hora certa. Posso te perguntar porquê?
    0:02:12 - JOSÉ GAMEIRO
    Não sei, sempre fui assim. Aquilo que eu encontro mais próximo a minha mãe era uma pessoa muito rigorosa. Elas são as horas, por exemplo. A minha família era muito rigorosa, meu pai não, mas o lado da minha mãe sobretudo deve ter ficado daí, mas não sei porquê, porque a minha irmã, por exemplo, faleceu há um ano e tal, e que era também psiquiatra. Não era nada rigorosa com as horas E eu sou completamente a minha mulher, que costuma dizer tu é o gajo menos interessante do mundo porque chega às acaso e repara uma hora.
    Se não der sá assim vão tirar a engrafada. Eu sei que elas tu vais chegar, é previsível. Agora já não faço até às 10,. Agora a pandemia de Ruzi. Eu não faço até às 10, mas eu fazia consultórios até às 10 para às 8. O quarto para às 8, acho que a última se consultará cheia de ter noite. Eu faço, se é uma primeira, uma hora, se é uma segunda é uma dizinha de minuto E portanto eu acabo sem mamão. Agora é como a noite de moto a toda a vida. Eu chegava à casa 20 minutos depois.
    0:03:03 - JORGE CORREIA
    Rápido e só um minuto 45 dessa segunda consulta estiverem a pessoa.
    0:03:10 - JOSÉ GAMEIRO
    Eu sei que essa pergunta faz todo sentido. As pessoas são avisadas quando marcam uma consulta. Se não me conhecem, são avisadas para secretar e que eu sou super pontual. Primeira coisa E, ao contrário do que se pensa, quando as pessoas, quando os médicos são claros, têm a tradição de se atrasar muito e eu acho que isso é inacreditável. Mas enfim, está a mudar. Mas está a mudar de fagherinho. Quando os clientes são avisados com médica é pontual, as pessoas também são pontuais, eu não sei em caso de assinamento.
    0:03:35 - JORGE CORREIA
    A consulta começa a hora.
    0:03:36 - JOSÉ GAMEIRO
    A consulta começa a hora E depois eu digo-lhes na primeira vez quanto tempo aquelas têm para falar. E quando a pessoa sabe quanto tempo vai falar, ou seja aquela vai acabar, o pensamento molda-se um pouco em sempre. Como é que Ajusta-se, ajusta-se isso? Um dos problemas das reuniões em Portugal é o problema de não saber a hora de fim e começarem sempre atrasadas E vão andando, e vão andando e as pessoas não se calam, são um pouco sintétricas.
    0:03:59 - JORGE CORREIA
    Querem falar, querem se ouvir.
    0:04:00 - JOSÉ GAMEIRO
    E portanto aqui nunca mais acabem As reuniões. quando era chefe de serviço no hospital, as pessoas já sabiam que começava a hora e acabavam de trabalhar a hora, e aquilo funcionava.
    0:04:07 - JORGE CORREIA
    Então, em que vai que se resolve o síndrome do último minuto, o último minuto resolve-se.
    0:04:11 - JOSÉ GAMEIRO
    obviamente, se a pessoa tiver alguma coisa, alguma coisa, eu já vou atrás de cinco minutos para a consulta seguinte, mas é pouco frequente, porque cinco minutos antes digo vamos ter que acabar, Temos cinco minutos. Está dá um sinal de que Está dá um sinal de que É para mexer E depois, à medida que as pessoas já me conhecem e vão lá mais vezes, já sabem E portanto são as próprias pessoas às vezes que dizem ''Ah, temos que acabar, não temos''. Pronto.
    0:04:32 - JORGE CORREIA
    Está dá uma disciplina na fala, está dá uma disciplina E não é um problema.
    0:04:36 - JOSÉ GAMEIRO
    O contrário, acho que ajuda as pessoas a serem mais sintéticas, e eu sou muito ativo nas consultas. Não sou nada daqueles estilos que me consta a ouvir.
    Não fala, não, não, não Falo. ponho questões, provoco, sou um bocado provocador. Portanto provocou-te um incentivo de pôr as pessoas a pensar e tal Como é que se fazem perguntas. A primeira pergunta que eu faço a primeira vez é o que é que o traz cá, a pergunta clássica, e a pessoa começa a falar e eu começo a interagir com a pessoa E depois o processo vai andando se mostrar assim como é que é um processo terapêutico, a varia de tanta pessoa para pessoa, de uma situação que é muito difícil de dizer como é que é um processo terapêutico. A imagem que eu tenho é que eu é uma bocada, imagem da cirurgia. Eu sou um nostalgia que na medicina que estava a ter que eu sou uma medicina e não sou sobruxo, enfim.
    0:05:25 - JORGE CORREIA
    Porque os psiquiatras não sentem-se médico? Não, eu sou de medicina.
    0:05:28 - JOSÉ GAMEIRO
    Estou brincando, mas eu gostava muito de medicina interna, de medicina de urgência, exitei muito.
    0:05:33 - JORGE CORREIA
    De mexer nas entranhas de ver o sangue.
    0:05:35 - JOSÉ GAMEIRO
    Cirogia também firma. não, Não era mais de medicina de urgência sem armazém. A medicina de urgência, A medicina de banco, são os Zé.
    0:05:42 - JORGE CORREIA
    O super-herói que vai salvar alguém no último minuto.
    0:05:44 - JOSÉ GAMEIRO
    Essa ideia é um bocadinho da juventude médica. não é Da minha juventude médica. Depois acabei quase com o escuto. ninguém nem foi extensão, nem face nada, nem toco nos doentes. Depois acabei nisto Toca por dentro. Não toco, mas a imagem que me vê muito à cabeça é uma imagem de cirurgia, que é quando você abre a barriga a alguém, você abre por planos e não se pode esquecer de fechar por planos também. não é Tanta capas, há capas. Quer dizer, eu aprendi com o meu colega, o meu chão Roud, que eu gostei muito e acho que fiz um filme sobre ele com o João dos Santos, que era psiquiátrico infantil e psicanalista. Eu aprendi muito que é preciso respeitar os tempos para as pessoas falarem. quer dizer, a pessoa não pode falar logo tudo na pré-consoluta Se estão sentindo-se no e depois não me quero continuar.
    0:06:28 - JORGE CORREIA
    Já disse tudo ou posso ter vergonha na próxima vez que vier cá? Posso ter vergonha sobretudo a promedas de vergonha. Porque não se criou uma?
    0:06:33 - JOSÉ GAMEIRO
    confiança Porque falei demais com uma pessoa que não conhece lá nenhum, com um estranho, com um estranho em quem confio, em quem tem referências, em quem sabe. Eu sei que não vai falar com ninguém, mas há um timing para as coisas. Iriam acontecendo. Há uma imagem curiosa eu tinha vários doentes mulheres na altura da história da Maddie, que não continuam falando de o José Fentyu E me falaram a partir daí, tiveram de tunador, tiveram de tunador e conseguiram falar de coisas dos pais, dos tibos, dos primos que tinham abusado, etc. De 23 ou 24 casas E portanto nunca meiam falado E está bom comigo há um tempo já não é. Nunca meiam falado disso.
    0:07:08 - JORGE CORREIA
    ...
    37 min
  • Catarina Furtado | Quanto vale a empatia?
    Meio de agosto já lá vai e setembro está à porta.
    Não tarda nada e começamos o novo ciclo anual de trabalho.
    Reabrem as escolas, regressam os adultos também ao trabalho.
    E por isso lembrei-me desta conversa com Catarina Furtado que reedito hoje.
    A raz...
    47 min
  • Pereira de Almeida | Deus Existe?
    Estamos no pós-jornadas mundiais da juventude e até para um não crente é impossível não observar toda uma sequência de momentos, palavras e emoções que criaram um acontecimento único na cidade de Lisboa.
    Na perspetiva da comunicação, o Papa é detentor de uma poesia muito própria na sua linguagem. Não são só as palavras. São as pausas. São os olhares.
    Para os crentes há um olhar sobre a sua fé. Para os outros um olhar sobre a sua humanidade.
    O Papa que fala a centenas de milhares de pessoas em Lisboa é o mesmo que falou — sem dizer uma única palavra — para uma Praça de S. Pedro vazia no tempo da pandemia.
    Este aparente contraste faz-me ir recuperar uma conversa tida com José Manuel Pereira de Almeida em fins de maio de 2020, mesmo na saída de um dos confinamentos da COVID 19.
    Pereira de Almeida é professor de ética, padre e médico.
    E se a parte da conversa sobre a pandemia sabe, felizmente, a um tempo antigo, todas as outras palavras são de uma atualidade permanente.
    Gostei em particular do momento em que partilha connosco a importância de acolher o outro, de sorrir, de ouvir.
    Uma linguagem universal que ajuda a perceber uma forma de viver ao serviço dos outros.
    Talvez algo ainda mais importante do que a certeza ou dúvida que sempre paira sobre a existência de deus.
    Mas a curiosidade existe e vale sempre a pena fazer a pergunta “Deus Existe?”
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    Transcrição automática
    0:00:11 - JORGE CORREIA
    sOra Viva-o. Bem-vindos à segunda edição do podcast Pregunta Simples. Depois de passar pela televisão com Clara de SouSa, é tempo de ouvir palavras que vêm do púlpito de um altar. As igrejas têm normalmente uma excelente acústica, um som característico com um ecoinimitável, mas também podem ser palavras de cátodara, de um mestre que ensina teologia na universidade, ou de um médico que sabe ler pedaços da nossa carne, chama-lhe tecidos, mas que intui o espírito das pessoas num piscar de olhos. Chama-se José Manuel Pereira de Almeida e é o convidado desta edição. É médico, é padre, é professor, mas estes são rótulos mais formais. Lá dentro tem muito mais coisas para mostrar. Conhecemos-nos numa Comissão Diética. Todos nessa Comissão sabiam muito do tema da Eética. Acheto eu.
    O meu papel nessa Comissão era o de Preguntador Ignorante. Seguramente fui convidado porque nada sabia de nada. Não me dei mal na função ao longo da vida não saber nada de nada e perguntar sobre tudo. Desde esses tempos ouvi-o sempre com atenção, muito por aquilo que sabia e tanto por aquilo que dizia. Não saber ou duvidar E assumir isso só está ao alcance dos sábios ou dos mestres. Este é um podcast sobre comunicação e o convidado desta edição usa a palavra e o silêncio para comunicar. Começamos com a mais óbvia e fácil das perguntas E Deus existe.
    0:01:56 - PEREIRA DE ALMEIDA
    Para muitos pode ser uma pergunta, creio mesmo que para aqueles que defendem que não existe, será mesmo a pergunta da vida.
    Neste tempo que é o nosso, creio que para os cristãos recebemos de Paulo VI uma e do patriarcto Atenágoras ao tempo, na visita à Jerusalém, em que ele reconhecia o texto é conjunto e editem francês, porque a língua internacional que é o Espírito Santo fala às nossas igrejas, portanto à igreja oriental e à igreja ocidental, através do ateísmo dos nossos irmãos e irmãs. E portanto, isto para dizer, se calhar, estamos todos nessa procura, alguns mais conscientes, outros menos, uns pela negação, outros pela convicção de que, a partir de uma determinada via, há uma procura de sentido que faz denominar alguém de Deus eu estou a dizer alguém, porque é a tradição cristã e que diz que Deus é pai ou mãe de todo somado, mas estamos lá no seu coração, ou seja que Deus mora no nosso coração, mas sínteme, particularmente próximo daqueles que sobre isto não sabem dizer nada. Há uma tradição importante da teologia cristã que é a teologia negativa, quer dizer que nós fazemos melhor serviço a Deus não dizendo nada do que dizendo as tontices que às vezes em algumas teologias aparece.
    0:04:04 - JORGE CORREIA
    Como é que é ser padre e subitamente os fiéis desapareceram da igreja. Imagine que desapareceram.
    0:04:11 - PEREIRA DE ALMEIDA
    Claro que desapareceram E como desaparecemos todos de todo lado. é da convivialidade e portanto para o padre, é essa da igreja vazia ou, naquela imagem tão difundida e que eu creio que atingiu a todos, falou da mesma maneira crentes e não crentes do Papa numa praça de São Pedro Vazia. É uma imagem fortíssima, digo eu.
    0:04:39 - JORGE CORREIA
    Como é que viu esse momento.
    0:04:41 - PEREIRA DE ALMEIDA
    Sim, como profecia, no que diz respeito a poder comungar da dor e da aflição em tantos outros sítios diferentes, que se haviam confinados que é agora um termo que a gente também aprendeu numa intimidade não querida, numa escolha de uma closura não desejada.
    E portanto, o que é um padre e uma igreja vazia é outra vez tomar a consciência de que claro que nós somos, na tradição cristã, a assembleia que é conta, não é O sujeito que reza, que escuta a palavra que é assembleia E portanto, na ausência física de uma assembleia, é perceber que eu Caristia, no caso vulgarmente diz missa, é a missa, é celebrada por todos os que estejam, quer ou não, a uma obra pequenina de Art Chardinck que é intitulada A Missa Sobre o Mundo. E a ideia de facto de retirar o aspecto consumista das missas, a vulso e a todas as horas e como se vai ao supermercado. E portanto queramos, que quer ou não, ou se quer que nós também resbalamos para estas ideias feitas que no ocidente versam as ideias do consumismo. E esta hipótese, que não nos foi proposta, que não foi escolhida por ninguém, foi também a ocasião de repararmos que há coisas que há para lá daquilo que é imediato e há relações que perduram para lá daquilo que é imediato.
    0:07:07 - JORGE CORREIA
    Quer dizer que, apesar das pessoas não se reunirem na comunidade nessa altura da missa, a comunidade se mantive perci, ainda que psicologicamente, a se sentir de união.
    0:07:17 - PEREIRA DE ALMEIDA
    Eu creio que sim, que aquela ideia do estarmos perto ainda que longe, estarmos próximos ainda que distantes, isso de resto foi facilitado porque poderia não ser exatamente ali à volta, não é De resto isso nas cidades já não estava tão à volta, assim a mobilidade.
    0:07:42 - JORGE CORREIA
    No Maldém a missa é uma coisa importante, em particular a ideia de ir no domingo a missa dominical ainda é uma coisa.
    0:07:50 - PEREIRA DE ALMEIDA
    Eu acho que ainda marca. Não é Até para aqueles que não vão e que ficam no café zinho à frente. Mas até isso faltou. Não é O cafézinho da frente da igreja.
    0:08:00 - JORGE CORREIA
    Se nós olhamos para aquilo que são ritos religiosos, mas estão bem muito ritos culturais. Estou a pensar nos casamentos que pararam, nos batiismos que foram adiados e nos funerais inadiáveis, mas onde não estava ninguém.
    0:08:18 - PEREIRA DE ALMEIDA
    Pois isso durante eu tive funerais todo esse tempo, pois está claro, e nas primeiras circunstâncias situações podiam ser Mesmo assim. Na cidade é diferente, como tu dizias, podiam ser mais penosas. Isso mudou muito a partir de miados desta temporada, quando se disse não há limite para os familiares. E claro que nas famílias grandes o limite depois dizia respeito a. De cada um. Depois há a circunstância objetiva do espaço, mas Como eram esses funerais sem pessoas?
    Com quatro pessoas. Sim, pessoas, sim eram, podiam ser. Eu tive boas experiências, mas acho que outras circunstâncias não foram boas experiências, sobretudo aquelas em que vivem o afeto muito à flor da pele. Não é Porque não há abraços, não há Tanto, foi tudo muito sóbrio nós aqui, se calhar, já somos mais sóbrios do que em outras bandez do mundo e portanto acabava por ser uma dor muito vivida. Sem partilha não é, e portanto sem o espaço do acompanhamento humano que torna mais humana a dor ou eventualmente vivível.
    0:09:47 - JORGE CORREIA
    Qual é a importância do toque nesses momentos?
    0:09:51 - PEREIRA DE ALMEIDA
    Pois é, é tanto e nesta altura nada e mais. E a expressão com a máscara a expressão também muda muito e portanto a gente só vê os olhos e não sabe nada o que é que se passa abaixo. Às vezes os olhos falam, mas não dizem tudo.
    0:10:08 - JORGE CORREIA
    E o poder da palavra, alguém com a experiência que tem com enfim, com muitos anos a acompanhar comunidades e nesses momentos hora de grande felicidade, como o caso dos casamentos ou batismos, hora de grande tristeza e luto, como um funeral de um entre querido Como é que escolha as palavras? Prepara-se para isso, pensa sobre isso, escreve sobre isso, ou é um ato natural e de empatia nesta conversa?
    0:10:43 - PEREIRA DE ALMEIDA
    Eu diria que a gente sim, que arreza sobre isso, e durante muito tempo, e continua a ser um desafio no geral. Para as coisas importantes, que é de alegria, que é de tristeza, as palavras nunca chegam e portanto nós temos as palavras que dizem na tradição cristã, a palavra que é o próprio Jesus. Portanto a gente espera que de alguma maneira isso passe através dos nossos pobres termos e dos gestos, que aqui são mais austeres depois e que a pouco e pouco, como as pessoas também conhecem a palavra e são essa que Deus, nos dirijem, jesus, que viveu uma vida humana até ao fim, não excluindo o sofrimento e a morte, podem elas próprias anunciar-nos essa mesma palavra, ou seja. Acreditamos que não há uma comunicação única, quer dizer, as pessoas não são únicamente destinatárias, eles também são protagonistas, são habitados por mesma palavra e podem, na melhor das hipóteses, evangelizar os padres.
    0:12:09 - JORGE CORREIA
    Então há um diálogo entre as pessoas.
    0:12:12 - PEREIRA DE ALMEIDA
    Sim, mesmo quando não é dito.
    0:12:15 - JORGE CORREIA
    Ocorre-se-me agora provavelmente dos diálogos mais íntimos que pode ter tido a questão do confecionário for
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  • Ágata Roquette | Como vencer a balança?
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  • Os teus olhos gostam de mim? Dulce Bouça
    O programa de hoje é uma viagem sobre a fala do corpo e as dores da alma.
    Fala de profundas contradições e de estranhos equilíbrios.
    Fala de seres humanos e ser-se humano.
    Se vos disser que é uma edição sobre comportamento alimentar, doenças, causas e ...
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  • Joana Rita Sousa | Como se aprende a perguntar?
    Hoje sinto-me na idade dos porquês.
    Porque? Porquê? Porquê?
    Porque sim!
    Porque sim não é resposta, dir-nos-à qualquer criança munida de mil perguntas difíceis para fazer.
    Nesta edição é convidada a filósofa e perguntóloga Joana Rita Sousa.
    Mestre na ar...
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  • Como se conta uma boa história? João Tordo
    Ler um livro é das coisas que mais prazer me dá.
    Acontece convosco o mesmo?
    Quando entramos num livro passamos a habitar num mundo novo.
    Um mundo construindo entre as palavras do escritor e a nossa imaginação.
    Esta edição roda à volta das palavras.
    As escritas em livros. As escritas para serem ditas por atores no teatro, filme ou série.
    E por isso hoje em um dia muito especial.
    O convidado desta edição é um dos mais conhecidos e premiados escritores portugueses de nova geração.
    João Tordo, autor de 19 livros, entre romances, ensaios e policiais.
    E co-argumentista da série Rabo de Peixe.
    João Tordo é um confesso leitor compulsivo.
    E um documentado autor prolixo.
    Escreve em abundância e qualidade.
    E por isso não fiquei surpreendido quando me disse que a folha em branco não lhe causa nenhuma angústia.
    É um escritor matinal e um leitor noctívago.
    E deu para falar de tudo.
    Da maneira como escreveu Rabo de Peixe.
    Como se preparou. Como juntou ideias com os outros co-autores e como desenhou a uma das mais animadas cenas da série: o assalto à cabana de 'Uncle' Joe por Arruda. Um embate entre Pepe Rapazote e Albano Jerónimo.
    Uma oportunidade para falar de livros e de personagens que amiúde contrariam o autor. Das conversas com os leitores com pedidos para escrever mais sobre algum personagem.
    E o autor faz-lhes a vontade, continuando a saga dos personagens mais queridos.
    No caso de Rabo de Peixe vem aí a segunda temporada e João Tordo pode continuar a escrever para o reviver da história.
    Já agora sabiam que ao se escrever uma série como Rabo de Peixe há mesmo uma “Sala de Escritores”?
    Isso mesmo, a sala onde os argumentistas trocam as ideias mais loucas e radicais, desenham as cenas e escrevem as falas dos actores.
    Escrever não deve ser um exercício sem efeitos secundários.
    E este alívio ao entregar o manuscrito para publicação dá uma dimensão desse misto de dor e de alívio.
    Mas se o leitor e escritor João Tordo aceita essa compulsão das palavras só podemos seguir a torrente e ler o que escreve.
    Dos seus viciantes policiais até aos ensaios que nos colocam perante o espelho da condição humana.
    É essa condição, humana e insular, que espero ver no Rabo de Peixe, segunda temporada.
    Entretanto, entretenho-me a ler o seu livro “Felicidade”. Uma história de um amor que mete trigémeas.
    Preciso de dizer mais alguma coisa?
    TÓPICOS
    [00:00:00] . Sobre livros e a escrita da série Rabo de Peixe nos Açores.
    [00:06:44] Plataformas pagavam impostos nos EUA, ICA favorecia cinema português.
    [00:11:08] Cinema português precisa de mais apoio financeiro.
    [00:18:42] Tripulante escapa da prisão e história morre.
    [00:21:49] Arruda, antagonista de Eduardo, personagem interessante.
    [00:27:05] Obsessão pelos livros desde criança, desvio para outras áreas, volta à escrita ficcional.
    [00:35:54] Recentemente, comecei a gostar das minhas palavras.
    [00:40:52] Lendo diversos livros diferentes e interessantes.
    [00:46:03] Traçar fronteiras e limites é difícil. Crescimento pessoal requer enfrentar conflitos e amadurecer. Aceitar o sofrimento transforma em aceitação.
    [00:53:39] Personagem contraria-se e altera os planos. Criatividade nasce da incompatibilidade com a realidade. Infância marcada por turbulência familiar.
    [00:59:46] Mãe lê os meus livros e somos próximos. Troco viagens por almoços em família. Títulos de livros são difíceis de escolher. Ajuda colaborativa é importante.
    [01:02:38] Escrever é como usar sapatos apertados.
    LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO
    TRANSCRIÇÃO AUTOMÁTICA
    Jorge Correia [00:00:00]:
    ♪ Ora vivam, bem-vindos ao Pergunta Simples, o vosso podcast sobre comunicação. Ler um livro é das coisas que mais prazer me dá. Acontece o mesmo convosco? Quando entramos num livro passamos a habitar num mundo novo. Um mundo construído entre as palavras do escritor e a nossa própria imaginação. Toda esta edição roda à volta das palavras, as escritas em livros, as escritas para serem ditas por atores no teatro, nos filmes ou em séries. E por isso mesmo, hoje é um dia especial. O convidado desta edição é um dos mais conhecidos e premiados escritores portugueses de nova geração. João Tordo, autor de 19 livros, entre romances, ensaios e policiais, e co-argumentista da série Rabo de peixe. Vamos ao programa? Vamos a isso. João Tordão confesse-se o leitor compulsivo e um documentado autor prolixo. Ele escreve em abundância e escreve em qualidade. Por isso não fiquei surpreendido quando me disse que a Folha em Branco não lhe causa nenhuma angústia. É um escritor matinal e um leitor nótivago. E deu para falar de tudo. Da maneira como escreveu Rabo de Peixe, como se preparou, como juntou ideias com outros co-autores e como desenhou uma das mais animadas e fantásticas cenas da série, o assalto à cabana do Oncle Joe, pelo Arruda, um embate entre Pepe Rapazotti e Albano Jerónimo, dois autores dentro das suas personagens. Uma oportunidade também hoje para falar de livros e de personagens que a miúde contrariam o autor. Das conversas com os leitores competidos especiais, para escrever mais sobre algum personagem, e o autor faz desavontade, continuando a saga dos personagens mais queridos. No caso de Rabo de Peixe, vem aí uma segunda temporada e João Tordo pode continuar a escrever para o reviver da história. Já agora, sabiam que quando se escreve uma série como Rabo de Peixe há uma espécie de sala de escritores? Isso mesmo, Uma sala onde os argumentistas trocam as ideias mais loucas e radicais e desenham as cenas escrevendo as falas dos atores. É isso mesmo que aconteceu no Rabo de Peixe 1 e que volta a acontecer para a segunda parte desta série. Viva João Tordo! Olá! Escritor, músico nas horas vagas, já vamos falar sobre isso, co-autor da série da moda, que é Rabo de Peixe. Eu quero começar por aqui, como é que se escreve rabo de peixe? Conta-me como é que foi o processo, tu pegaste nas tuas malas e foste para os Açores ou ficaste aqui em Lisboa a ler coisas sobre os Açores e depois é que foste para lá?
    João Tordo [00:03:14]:
    Olá, obrigado pelo convite. Não teve nada a ver com isso. Quer dizer, teria graça se tivesse sido assim, mas foi um convite do Augusto Fraga. Eu estava embranhado noutros projetos na altura e o Augusto ligou-me a dizer que gostava de falar comigo e eu já sabia que ele tinha vencido o concurso da Netflix e por isso havia três projetos que a Netflix tinha premiado, um deles era o Rápido Peixe e tive uma conversa com ele, assim, bastante simpática e depois o Augusto disse olha gostava que viesses trabalhar comigo para escrevermos a série. Acontecia que nós estávamos em pandemia e portanto foi um processo invulgar porque o que aconteceu foi que eu o Augusto e o Gonçalves e depois também com a ajuda de outras duas pessoas, o Francisco Lopes e o Fernando acabámos por nos juntar numa sala de escritores todos os dias durante cinco, creio que foram cinco meses de janeiro até janeiro, fevereiro, março, abril, maio. O que é que é uma sala de escritores? É uma sala de pessoas esquisitas, a pensar em coisas esquisitas. Basicamente é o que os americanos e os ingleses chamam de writer's room. É uma coisa que eles fazem quando escrevem uma série de televisão. Uma série de televisão raramente é escrita por uma pessoa só. Tens alguns casos, assim, tens talvez o David Simon faça isso algumas vezes, escrever uma série sozinho. Aumenta a produtividade? Aumentam as ideias? É mais fácil? Aumentam as ideias, sim. Nós neste caso éramos três a escrever, eu, Augusto e Hugo e os outros dois estavam em módulos de ajudar e aconselhar e arrebatar ideias, etc. E é uma coisa muito nova cá, não se costuma trabalhar assim e por isso é que acho que o resultado depois também foi diferente do que é habitual, porque nós tínhamos ali esses cinco meses entre... Todas as manhãs reuníamos e depois eu e o Hugo começámos a escrever os guiões e depois de tudo ia passando uns pelos outros e os personagens, e essas ideias e esses acontecimentos. Então no mesmo sítio, fisicamente? Não, nós estávamos em pandemia, foi em 2021, janeiro de 2021, o segundo confinamento, o segundo grande confinamento, não te lembras que foi por três meses e meio ou quatro,
    Jorge Correia [00:05:25]:
    janeiro até abril. A nossa memória faz o favor de apagar essas coisinhas.
    João Tordo [00:05:30]:
    Foi bem duro, foi bem duro. E eu no zoomo todos os dias com esta malta E pronto, eu acho que o Augusto teve esse grande... Para além de ter um tipo extraordinariamente humilde e muito talentoso, soube rodear-se das pessoas certas. Ou seja, ao invés de fazer aquela coisa de eu vou fazer isto tudo sozinho, que é muitas vezes o que... Eu sou o grande realizador que tive uma grande ideia e ganhei um prémio e agora vou fazer o quê? Vou escrever também o argumento e vou não sei o quê. E ele pensou, ok, eu sou realizador, tenho estas competências, ele de facto é muito talentoso no que faz. Vocês já se conheciam? Não. Mas não sou escritor. E o que o Augusto fez foi ir buscar dois escritores de profissão, eu e o Hugo, andamos a fazer isto há décadas e, portanto, sou o auspício e a direcção do Augusto, que foi sempre muito voltada para eu quero fazer uma série que seja para toda a gente.
    Jorge Correia [00:06:30]:
    E isso é o que eu gosto. Eu também gosto de escrever livros que sejam para toda a gente. Que não seja uma coisa elitista, que seja neste caso um cinema de autor daqueles que o plano fica parado três quartos de hora e nós não conseguimos perceber exatamente o que é que aquele personagem está ali a fazer.
    João Tordo [00:06:44]:
    Sim, é engraçado que Estás a falar disso porque uma das grandes... Enfim, eu assisti à discussão da lei do cinema há uns anos, quando se discutiu aqui em Portugal que as plataformas tinham de começar a deixar parte dos seus lucros
    1 hr 5 min
  • Nuno Sousa | Cérebro, mente ou alma?
    Hoje viajamos pelo universo do cérebro.
    Pela maneira como comunicamos, como aprendemos, como sabemos quem somos e como somos.
    Ou pelo menos sabemos qualquer coisa, do tanto que ignoramos.
    Já imaginaram que a nossa máquina de pensar tem 86 mil milhões de neurónios? E 16 mil milhões são uma espécie de células VIP, vivendo numa assoalhada chamada córtex cerebral?
    Já que estamos em modo de curiosidade enciclopédica, descobri que o cérebro, apesar de ter apenas 2% do peso do corpo, consome 25% da energia total.
    O que me dá uma boa desculpa para comer muito.
    Afinal é comida para o pensamento.
    Agora a sério, este é um programa sobre a casa do pensamento. Aqui em cima, na cabeça.
    Embora haja neurónios espalhados até pelo tubo digestivo.
    Veem? Mais uma boa desculpa para comer bem.
    A magia do funcionamento do cérebro humano é hipnotizante.
    Há um infinito mistério quando tentámos compreender como um quilo e meio de células cinzentas consegue pensar tanto.
    O tamanho pode até não ser tão importante.
    Mas a capacidade de aprender, conhecer e recordar é provavelmente o segredo da inteligência humana.
    A capacidade de pensar. De imaginar. De criar algo novo. De criar relações entre coisa, pensamentos e emoções.
    Lá dentro, na caixa negra, por acaso cinzenta, há milhares de ligações, milhares de contactos.
    Ou serão milhões de sinais elétricos?
    É nesse cérebro onde guardamos as palavras que aprendemos. Que as agrupamos em frases, poemas e livros.
    Que podemos imaginar, chamar alma ou simplesmente perguntar quem somos, de onde vivos e para onde vamos.
    Cérebro onde tem provavelmente morada a consciência. E seguramente a nossa forma de ser e pensar.
    Será alma? Será biologia?
    Em busca de respostas vou em busca de um perguntador-cientista, Nuno Sousa um escutador profissional das neurociências, um hábil comunicador e tradutor simultâneo do que quer dizer a grande ciência.
    Uma conversa que me deu que pensar.
    Do nada, pouco, tanto ou tudo que podemos saber ou ignorar.
    TÓPICOS:
    O funcionamento do cérebro humano [00:00:12]Nuno Sousa discute a complexidade do cérebro humano e a sua capacidade de pensar, aprender e criar.
    A natureza do conhecimento [00:03:23]Os diferentes níveis de conhecimento e a angústia de nunca saber tudo.
    A influência das neurociências [00:06:48]Como o conhecimento das neurociências pode influenciar as nossas decisões de compra e votos políticos.
    O cérebro humano se adapta [00:09:22]Como o cérebro humano possui capacidades plásticas para se adaptar aos estímulos e ao contexto que o rodeia.
    A importância da conectividade cerebral [00:11:44]A importância da conectividade entre diferentes redes e regiões do cérebro, e como isso influencia a forma como nos comunicamos.
    A complexidade do cérebro humano [00:14:11]Sobre a complexidade do cérebro humano, que permite antecipar o futuro, ter consciência de si mesmo e criar um sistema de valores próprio.
    O funcionamento do cérebro humano [00:15:40]Neste tópico, é discutida a forma como o cérebro humano funciona, incluindo a criação de uma escala de valores pessoal e a importância de necessidades básicas como comida e frio.
    A inteligência artificial [00:17:14]Nesta parte, é abordada a temática da inteligência artificial, sendo mencionado o potencial e os limites dessa tecnologia, assim como a sua influência na sociedade.
    A influência das tecnologias na vida cotidiana [00:19:11]Neste tópico, é discutido o impacto das tecnologias, como o Google e os algoritmos de busca, na forma como as pessoas pesquisam e consomem informações, e como isso afeta a sociedade.
    O uso da tecnologia na medicina [00:23:22]Discussão sobre o uso da tecnologia na medicina e como preparar os profissionais de saúde para utilizá-la de forma adequada.
    A influência da máquina nas decisões clínicas [00:24:07]Conversa sobre a possibilidade da máquina resolver melhor os problemas de saúde e a importância de manter o controle sobre as decisões clínicas.
    A relação entre médico e paciente [00:25:52]Exploração da importância de os médicos se preocuparem com o ser humano à sua frente, além de se fascinarem com a tecnologia.
    Discriminação na escolha de modelos educacionais [00:30:56]Discussão sobre a falta de capacidade socioeconómica das famílias para proporcionar diferentes modelos educacionais aos seus filhos.
    Previsões sobre o futuro dos cuidados de saúde [00:31:18]Exploração das previsões sobre o uso da tecnologia, a sofisticação da incorporação de dados e a importância das competências comunicacionais e de trabalho em equipe.
    A importância da comunicação na área da saúde [00:35:43]Ênfase na importância da comunicação entre profissionais de saúde, pacientes e seus cuidadores, e a necessidade de desenvolver habilidades de comunicação adequadas às diferentes gerações.
    Responsabilização cultural [00:38:37]Discussão sobre a mudança cultural na responsabilização individual e a complexidade dos processos sociais.
    Inteligência coletiva [00:40:23]Exploração da expansão da inteligência coletiva e o surgimento de um cérebro coletivo através da interconexão de conhecimentos.
    Desafios da informação [00:43:10]Reflexão sobre a capacidade do cérebro de discernir a verdade diante da propagação de notícias falsas e a importância do filtro na disseminação de informações.
    LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO
    TRANSCRIÇÃO AUTOMÁTICA
    JORGE CORREIA (00:00:12) - Ora vivam! Bem vindos ao Pergunta Simples o vosso Podcasts sobre Comunicação. Hoje vamos viajar pelo universo do cérebro, pela maneira como comunicamos, como aprendemos, como sabemos quem somos e como somos. Ou pelo menos sabemos qualquer coisa do tanto que ignoramos. Já imaginaram que a nossa máquina de pensar tem 86 mil milhões de neurónios E que 16 mil milhões são uma espécie de células VIP vivendo numa assoalhada chamada córtex cerebral? Já que estamos em modo de curiosidade enciclopédica, descobri que o cérebro, apesar de ter apenas à volta de 2% do peso do corpo, consome 25% da energia total, o que me dá uma boa desculpa para comer muito, afinal, é comida para o pensamento. Agora a sério, este é um programa sobre a Casa do Pensamento. Aqui, aqui em cima, na cabeça. Embora haja neurónios espalhados até pelo tubo digestivo. Vêem mais uma boa desculpa para comer bem. A magia do funcionamento do cérebro humano é hipnotizante. Há um infinito mistério quando tentamos compreender como é que um quilo e meio de células cinzentas consegue pensar tanto.
    JORGE CORREIA (00:01:34) - O tamanho pode até não ser muito importante, mas a capacidade de aprender, de conhecer e recordar é provavelmente o segredo da inteligência humana. A capacidade de pensar, de imaginar, de criar algo novo, de criar relações entre coisas, entre pensamentos e emoções. Lá dentro, na caixa negra para casa cinzenta, há milhares de ligações, milhares de contactos ou serão milhares de milhões de sinais elétricos? E nesse cérebro, onde guardamos as palavras que aprendemos, que as agrupamos em frases, em poemas, em livros e que podemos imaginar chamar de alma. Ou simplesmente perguntar quem somos, de onde viemos e para onde vamos. Cérebro onde provavelmente tem morada. A consciência é seguramente a nossa forma de ser e de pensar. Será alma? Será biologia? Em busca de respostas, vou à procura de um pensador cientista. Não sou um escuta de profissional das neurociências. É um hábil comunicador e tradutor simultâneo do que quer dizer a grande ciência. Numa conversa que me deu que pensar do nada pouco, tanto ou tudo que podemos saber ou ignorar.
    JORGE CORREIA (00:02:50) - Viva! Não sou professor catedrático, diretor de um Centro Clínico de Investigação da Universidade do Minho e do Hospital de Braga. Certo xadrezista ouvi e ouvi agora xadrezista. É sempre engraçado esta esta ideia de que esses níveis do conhecimento. Ora, nós não sabemos nada e sabemos que nada sabemos. Ora, no topo da escala sabemos tudo que dominamos tudo. O rei do problema é que nós estamos normalmente no meio, entre e entre o não saber coisa nenhuma e o saber muito. E às vezes pensamos que sabemos tudo, já sem saber.
    NUNO SOUSA (00:03:23) - Completamente correto, Jorge, O ponto é de facto o primeiro e o último nível. São estados que quase não existem porque obviamente nós sabemos sempre alguma coisa sobre alguma coisa, mas muito raramente sabemos tudo sobre alguma coisa. E, portanto, nós viajamos entre entre dois estados do conhecimento, um estado em que sabemos relativamente pouco, mas achamos que somos uns tipos que realmente dominam o assunto. Os maiores.
    JORGE CORREIA (00:03:58) - Da Cantareira.
    NUNO SOUSA (00:03:59) - Os maiores da Cantareira. É altamente perigoso em larga medida e muito pouco ansioso.
    NUNO SOUSA (00:04:06) - Médico, é bom que se diga, porque para o próprio é muito simpático.
    JORGE CORREIA (00:04:10) - E se faz uma embriaguez do conhecimento.
    NUNO SOUSA (00:04:12) - É exactamente um tipo está embriagado por achar que é, que é, que é o da Cantareira mesmo sobre aquele assunto. E depois um estado muito mais difícil, que é aquele estado em que de facto, nós já sabemos bastante sobre o assunto. Mas temos aquela dúvida metódica de que se calhar não sabemos o suficiente para para nada, para resolver nada e portanto, nunca chega.
    JORGE CORREIA (00:04:39) - Isso angustia, é isso, essa ideia de que eu nunca vou saber tudo.
    NUNO SOUSA (00:04:46) - Não me angustiava. E essa é a beleza de se ficar mais velho. E digo isto sem problema nenhum, porque tu, tu aprendes os limites da tua pessoa. Isso é espetacular.
    JORGE CORREIA (00:05:03) - Então esses tu.
    NUNO SOUSA (00:05:03) - Humildade é um exercício de humildade. Precisamente quando um tipo é jovem, tem aquela ambição de que de facto eu vou ser a última coca cola no deserto daquele assunto e cuidar de tudo junto com a experiência não tem
    48 min
  • Sandra Maximiano | Porque está cara a vida?
    Como vai a vossa carteira?
    A minha emagrece olhos vistos.
    E digo para mim mesmo “é a economia, estúpido, é a economia”
    Os salários são agora mais pequenos que as compras.
    Inflação e juros a subir,
    E uma pergunta fundamental: se Portugual está a ficar todos os anos mais rico, porque estamos nós, cidadãos e donos do país, mais pobres?
    Será só a economia?
    O meu fascínio pela matemática dos grandes números é inversamente proporcional à minha compreensão desse lado da barricada.
    Sou das letras, penso em forma de letras, palavras, frases e poemas.
    E fico hipnotizado quando me falam do PIB, da dívida pública, dos indicadores macroeconómicos e das perspetivas de crescimento.
    É uma dança de muitos mil milhões de euros, difíceis de imaginar, mas com impacto na nossa carteira.
    E aí já todos sabemos a matemática da vida real.
    Portanto esta edição não vai tentar perceber o que é uma imparidade, que nas contas dos bancos quer dizer “buraco”
    Nem tão pouco perceber os multiplicadores da economia, os rácios de divida ou inebriantes dança das flutuações cambiais do euro, dólar ou libra.
    Hoje falámos da vida real. De vidas normais. De contas de supermercado. De empréstimos para comprar a casa ou o carro.
    E até de raspadinhas, totolotos e lotarias.
    Para isso pedi a ajuda de Sandra Maximiano, professora do ISEG e colunista regular nos jornais. É que ela dedica-se a explicar a economia real e a tentar perceber como funciona a mente dos seres humanos nessa relação com o dinheiro.
    O dinheiro que temos, o que gastamos, o que devemos e o que gostaríamos de ter.
    Um caldo que mete salários, inflação, juros dos depósitos e dos empréstimos.
    E, confesso, a minha primeira intenção era tentar perceber porque está o pais cada vez mais rico, com o tal PIB a crescer, mas a nossa carteira cada vez mais magrinha
    Quem se lembrou de dizer que o dinheiro não traz felicidade?
    Se calhar deveríamos postular: Quem não tem dinheiro é menos feliz.
    Quem tem algum dinheiro e vê a inflação, gulosa, desvalorizá-lo fica ansioso.
    Esta coisa de empobrecer é uma ideia que me aborrece.
    E a equação ricos cada vez mais ricos e pobres cada vez mais pobres precisa de ser arranjada.
    Se não, a economia deixa de ser uma respeitável ciência e passa a ser uma descarada desculpa.
    LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO
    TRANSCRIÇÃO AUTOMÁTICA
    00:00:12:03 - 00:00:12:05
    JORGE CORREIA
    A.
    00:00:12:22 - 00:00:38:17
    JORGE CORREIA
    Obra viva. Um bem vindos ao pergunta simples voz, podcasts sobre comunicação. Então como é que vai a vossa carteira? A minha emagreça a olhos vistos e digo para mim mesmo é a economia, estúpido! E a economia? Os salários são agora mais pequenos do que as compras. A inflação e os juros estão a subir. E tenho uma pergunta fundamental se Portugal está a ficar todos os anos mais rico, cada vez com mais PIB.
    00:00:39:05 - 00:00:53:06
    JORGE CORREIA
    Porque estamos nós, cidadãos e donos do país, afinal mais pobres? Será só economia?
    00:00:55:19 - 00:01:22:14
    JORGE CORREIA
    O meu fascínio pela matemática dos grandes números é inversamente proporcional à minha compreensão desse lado da barricada. Nas letras, penso em forma de letras, palavras, frases e poemas e fico hipnotizado quando falam do PIB, da dívida pública, dos indicadores macroeconómicos e das perspetivas de crescimento. É uma doença de muitos 1000 milhões de euros. Difíceis de imaginar, mas com um impacto real na nossa carteira.
    00:01:23:03 - 00:01:55:23
    JORGE CORREIA
    E aí já todos sabemos a matemática da vida real. Portanto, esta edição não vai tentar perceber o que é uma imparidade nas contas dos bancos. O que quer dizer buraco? Nem tão pouco perceber os multiplicadores da economia, os rácios da dívida ou as inebriantes flutuações cambiais do euro, dólar ou da libra? Os falamos da economia real, da vida real, das vidas normais, de contas de supermercado, de empréstimos para comprar a casa ou carro e até de raspadinhas, totoloto e lotarias.
    00:01:56:15 - 00:02:21:16
    JORGE CORREIA
    Para isso, pedia ajuda de Sandra Maximiano. Ela é professora do ISEG e colunista regular nos jornais. É que ela se dedica a explicar a economia real e a tentar perceber como funciona a mente dos seres humanos nesta nossa relação com o dinheiro. O dinheiro que temos. O que gastamos? O que devemos e o que gostaríamos de ter. Um caldo que mete salários, inflação e juros dos depósitos e dos empréstimos.
    00:02:21:23 - 00:02:34:02
    JORGE CORREIA
    E confesso, a minha primeira intenção era tentar perceber porque está o país cada vez mais rico, com o tal PIB a crescer. Mas a nossa carteira cada vez mais magrinha.
    00:02:35:17 - 00:02:53:13
    SANDRA MAXIMIANO
    Estamos numa altura também de grande inflação. Portanto, apesar de a inflação estar a dar algumas tréguas. Mas ainda são sem tréguas, ainda muito tímidas, no sentido em que não vemos os preços ainda a descerem. O que vimos é uma desaceleração da inflação e, portanto, eles.
    00:02:53:13 - 00:02:54:09
    JORGE CORREIA
    Continuam a crescer.
    00:02:54:18 - 00:03:39:13
    SANDRA MAXIMIANO
    E alguns preços continuam a crescer. Não é? Não é realmente um movimento muito homogéneo nem para todos os produtos. Mas há realmente ainda um crescimento de preços. Mas esse crescimento de uma forma também mais lenta, o que também é justificável. Ainda temos a guerra e não é com novos acontecimentos que nos augura um grande optimismo nesse sentido. Então é natural que temos, tenhamos o PIB, o PIB a crescer e a crescer, porque de uma pandemia com uma recessão que nos últimos anos afetou e conhecemos um crescimento que era natural, era de esperar que houvesse essa aceleração depois, depois da crise pandémica.
    00:03:39:14 - 00:03:49:04
    JORGE CORREIA
    Então quer dizer que este crescimento pode ser de alguma maneira? Não digo artificial, mas, mas estamos a comparar nos com com um buraco negro.
    00:03:50:15 - 00:04:12:22
    SANDRA MAXIMIANO
    Diria não diria um buraco, não diria um buraco negro. Porque? Porque, apesar de não ser, eu acho que se calhar, em vez de dizer artificial, diria talvez temporário, porque tem um crescimento em V que nem todos os economistas provam. Quando nós não esperaríamos que a economia portuguesa tivesse esse tipo de comportamento, então.
    00:04:12:22 - 00:04:14:16
    JORGE CORREIA
    Estava mais pessimista, estava mais pessimista.
    00:04:14:19 - 00:04:39:13
    SANDRA MAXIMIANO
    Estávamos um pouco alguns nós estávamos um pouco mais pessimistas, sim, até porque havia muito, muito essa noção de que que as preferências das pessoas iam ser muito afetadas pela pandemia e que as pessoas iam preferir algo diferente. Isso é que é um exemplo muito simples. Nós temos uma economia que é muito baseada no turismo e que vive muito à base do turismo.
    00:04:39:13 - 00:05:06:06
    SANDRA MAXIMIANO
    Todo este crescimento foi, em parte e em grande parte diria, por causa do crescimento do turismo pós pandemia. Mas o que se esperava e alguns de nós esperávamos foi era sobretudo uma alteração de preferências de que as pessoas percebessem que, se calhar, aquele consumo desenfreado que houve antes da pandemia e aquelas coisas de viajar muito, conhecer novos sítios.
    00:05:06:06 - 00:05:07:00
    JORGE CORREIA
    Não era natural.
    00:05:07:02 - 00:05:15:06
    SANDRA MAXIMIANO
    Que não era natural naquela altura que as pessoas procuravam isso, mas que depois de uma crise pandémica, que.
    00:05:15:06 - 00:05:16:01
    JORGE CORREIA
    Se está sem.
    00:05:16:13 - 00:05:29:07
    SANDRA MAXIMIANO
    Se assustar, sem mais e que outros valores, se se sobrepusesse, nomeadamente à questão de estar mais tempo com os amigos, estar mais tempo com as pessoas, tem com as pessoas que se conhece há muito tempo, estar com a família.
    00:05:29:22 - 00:05:36:15
    JORGE CORREIA
    Valorizar aquilo que era emocionalmente no fundo reprodutivo e não essa ânsia de comprar tudo.
    00:05:36:21 - 00:05:58:18
    SANDRA MAXIMIANO
    Não há sido comprar tudo e viajar e de conhecer outros sítios e outros países e outras culturas que ao fim e ao cabo é muito interessante, enquanto enquanto turista não é, mas que também não nos dá essa ligação profunda com aquela que temos, com os nossos amigos e com a família. E isso prova se um pouco que as pessoas pensassem ou começassem a preferir um outro modo de vida.
    00:06:00:02 - 00:06:21:06
    SANDRA MAXIMIANO
    Se calhar procurassem outro tipo de experiências, não tanto aquela experiência de conhecer novos mundos, mas uma experiência mais em casa. E é claro que, tendo essas expectativas, eu pelo -1 pouco também essas expectativas e que é que isso iria afetar, obviamente, o turismo e a procura de bens e serviços de turismo?
    00:06:21:19 - 00:06:25:09
    JORGE CORREIA
    REFREAR. No fundo, está assim de começou exactamente.
    00:06:25:09 - 00:06:38:08
    SANDRA MAXIMIANO
    Isso não aconteceu, não aconteceu. Portanto, o que aconteceu foi realmente também o que também não era. Não, não é uma surpresa muito, muito grande, porque nem as pessoas muito tempo fechadas em casa e com essa sensação de saída.
    00:06:38:15 - 00:06:41:22
    JORGE CORREIA
    Atravessaram assim e para já nos livramos desta. Agora vamos Masegosa.
    00:06:42:03 - 00:07:08:08
    SANDRA MAXIMIANO
    Agora vamos rezar a vida a um pouco também isso. E depois vão. Aqui tem havido um pouco Portugal estar na moda, Lisboa, Porto estarem na moda e outros outras vilas e cidades portuguesas. E acabámos por ter também tirar vantagem disso. Temos um turismo em alta, que contribuiu muito para este, para essa recuperação em vir de Portugal e o PIB a crescer muito face portanto face ao setor de exportação.
    00:07:08:08 - 00:07:18:24
    SANDRA MAXIMIANO
    Mas que é um setor de bens transacionáveis, tem basicamente o turismo e há uma redução das importações. Portanto, nós reduzimos realmente o nosso consumo interno e.
    00:07:18:24 - 00:07:22:22
    JORGE CORREIA
    Isso, em princípio, é uma boa notícia. Estamos a comprar ou estamos a ficar mais pobres e
    56 min

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