Pergunta Simples

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Pergunta Simples episodes

  • Como alimentar corpo e alma? Linda Ferreira
    Quem conhece a Linda da Tasquinha da Linda? Quem ainda não conhece vai adorar. Uma conversa sobre comida, pessoas, afetos e risos. Um episódio épico. Uma conversa única.
    Pode a vida moldar a nossa forma de comunicar com o mundo?
    E a mentalidade pode fazer com que o caminho do sucesso seja mais claro?
    Esta semana viajamos até Viana do Castelo onde ouvimos o percurso de uma mulher nascida em criada na ribeira, a trabalhar desde os 9 anos e que hoje lidera negócios de sucesso na área do peixe e restauração.
    Uma conversa inimitável onde se usam todas as palavras.
    Mesmo todas.
    Hoje estou em Viana do Castelo.
    É o regresso simbólico a casa.
    À cidade onde nasci.
    E onde permanece a minha alma de alto-minhoto.
    Alma que permanece na voz do povo, do meu povo, da sua maneira de falar, da sua maneira de entender o mundo.
    Ouve-se a cada momento.
    Expressa-se na comida. Na fala. No olhar.
    E posso resumir essa forma de estar no mundo com a frase: é preciso fazer, ninguém faz por nós, vamos fazer.
    No fundo, é uma energia gigante partilhada por todos naquele pedaço de terra.
    Quero deixar um pequeno alerta para os ouvidos mais sensíveis: a maneira de falar à Viana incluiu palavras que podemos definir como do vernáculo, palavrões ou asneiras.
    Mas essas palavras são parte da forma de falar. Não são ditas de forma gratuita nem ofensiva. São uma forma de incluir a energia transformadora na fala.
    E este programa tem um par de momentos em que essas palavras são ditas. E bem ditas.
    Por isso decidi mantê-las sem as apagar ou esconder num piiii castrador.
    Estão todos avisados e assim podem decidir se querem continuar a ouvir.
    Mas digo-vos: vale mesmo a pena.
    As coincidências marcam a minha vida.
    A vossa também?
    A sucessão de bons acasos sempre me guiou.
    Posso chamar-lhes intuição, sorte, possibilidades, ofertas.
    E este episódio nasceu assim: de uma sorte.
    Não só sorte, mas seguramente uma conjugação inesperada.
    E dessa sorte apareceu esta conversa, gravada num sábado de manhã, com chuva lá fora, na doca de Viana do Castelo.
    Estamos sentados na Tasquinha da Linda.
    A Linda, ela própria, e eu.
    Vazio das pessoas que hão de vir almoçar e ainda com os vapores da comida que ontem se serviu aos que aqui vieram.
    Na sexta-feira de véspera cheguei a Viana com a ideia de gravar uma conversa com Augusto Canário, mestre do canto ao desafio. Não tarda partilho esta conversa também.
    Bom, cheguei a Viana, com passagem rápida por Carreço, onde está a origem dos meus genes, de onde levei os meus pais e tios a comer à Tasquinha.
    Na minha cabeça havia um robalo do mar, escalado, pintado de sal e grelhado.
    Tão simples. Tão fresco. Tão sublime.
    Podia ser uma sopa de peixe, uma cataplana, ou um marisco.
    Mas dessa noite levei mais do que o meu apetite saciado. Levei o rumor da alma do Minho comigo.
    Nessa noite conheci esta voz que vão ouvir.
    E fiquei fascinado.
    Já vão perceber o porquê
    Combinei gravar a conversa no dia seguinte. Esta conversa.
    Não revelarei muito. Gostava que seguissem o seu ritmo, a sua fala, as suas alegrias, as suas cicatrizes.
    Esta é uma conversa sobre comida, sobre pessoas, sobre liderança, sobre subir a pulso na vida. Mas vai sempre, a cada minuto, tornando-se mais profunda, mais pessoal e, ao mesmo tempo mais universal.
    Está tudo aqui. Da comida que só se serve absolutamente fresca, das pessoas que vem não só para comer, mas para falar com ela. Do início de vida difícil, com trabalho duro desde os 9 anos, até à gravidez juvenil. Dos momentos de alegria e de tristeza, a relação com santos e deuses e um sorriso grande de acolhimento.
    Podia ficar horas a falar da forma como comunica. E como usa todas as palavras. Todas mesmo. Ficam avisados.
    Apresento-vos a Linda, da Tasquinha da Linda de Viana, a mulher para quem as palavras contam, um sério aviso para não confundir tasca com tasquinha.
    47 min
  • Adalberto Campos Fernandes | Como decidir a política de saúde?
    Esta semana navegamos no mar da política, da maneira como tomamos decisões e dos clubes do poder.
    Um mergulho na maneira como escolhemos os nossos líderes e como tomam eles as melhores ou piores decisões.
    Tudo num palco mediático gigante, com julgamentos ao minuto nas redes sociais e frases ditas para criar agenda ou espalhafato.
    O mágico momento em que a política, a comunicação e povo de encontram na praça pública para definir o futuro.
    Sim, falámos de saúde.
    Claro que falamos de saúde.
    E sim, falámos de política.
    Mas falamos principalmente da maneira como decidimos fazer as coisas.
    Como levamos o mundo para a frente ou jogamos para o empate.
    É um diálogo sobre liderança.
    Sobre grandes ideias congeladas por falta de dinheiro ou ideias desastrosas levadas avante por causa de agendas políticas, ou egos gigantes.
    Esta conversa dura há vários anos.
    Adalberto Campos Fernandes e eu falamos destas coisas há muito tempo.
    Sem microfones. Sem gravador.
    Apenas pelo gozo de interpretar, especular e medir a temperatura dos verdadeiros donos disto tudo.
    Antes dele ser ministro, depois dele ser ministro. Durante o tempo em que, também ele foi, à sua maneira, um dono disto tudo.
    Teve ideias, formou equipas, tomou decisões.
    Foi elogiado e metaforicamente espancado no palco político.
    No campo da saúde, todos os ministros e ministras podem fazer o melhor trabalho do mundo durante meses, mas estão sempre na linha de risco da popularidade medida nas sondagens. O doente que não teve consulta. Que não consegue a cirurgia. A ambulância que não chegou. O hospital que não respondeu.
    Em dezenas de milhões de atos em saúde, em todo o país, 24 horas por dia, 365 dias por anos, há sempre algo que não correu bem.
    E basta um momento para que o Primeiro-ministro decida refrescar a equipa, remodelar, repensar, dar um novo rumo.
    Até ao próximo acaso ou tempestade real, ou mediática.
    A saúde é demasiado importante e por isso a nossa exigência é máxima.
    Quis por isso, nesta semana do dia mundial da saúde, mergulhar na maneira como se tomam decisões políticas neste campo.
    Mas não só. Quis saber como funcionam os clubes do poder.
    As escolhas, as pessoas, as dinâmicas.
    Saber quem e como se tomam as decisões que mexem na nossa vida.
    Siga o pensamento de Adalberto Campos Fernandes aqui.
    45 min
  • Steven Gouveia | A inteligência artificial é boa médica?
    As máquinas espertas são cada vez mais espertas.
    E cada vez mais inevitáveis.
    O limiar da chegada de uma qualquer forma de inteligência artificial parece cada vez mais realista.
    E as máquinas podem começar a fazer as coisas de forma melhor e mais consistente do que os seres humanos.
    No fundo, atravessar a fronteira entre serem umas calculadoras rápidas com muita informação para uns bichos eletrónicos capazes de criar sozinhos soluções melhores para os problemas atuais.
    Contudo, esta evolução não é moralmente inócua.
    Li num estudo que ouve especialistas em programação avançada de computadores que eles assumem um risco de que os computadores inteligentes possam decidir de forma autónoma destruir os seres humanos era de 5%.
    Mas pior do que isto é que estes mesmos especialistas consideram que o caminho da evolução é imparável e por isso nem vale a pena pensar no risco.
    E esta parte parece-me francamente assustadora: os seres humanos mais inteligentes a programar máquinas parecem demitir-se da sua responsabilidade de prevenir o risco, nem que fosse forçando o abrandar do comboio tecnológico ou até criando um botão de pânico “desliga tudo agora”
    Portanto, demitiram o seu pensamento moral sobre as coisas.
    Na conversa desta edição falo com o filósofo Steven Gouveia.
    Ele dedica-se a pensar no impacto da tecnologia dita inteligente em áreas como a medicina.
    Por exemplo sobre o problema da máquina do futuro que é ao mesmo tempo, mais eficiente que um médico a tratar um doente e a aprender rapidamente a tratar melhor, mas que ninguém compreende como funciona.
    É uma caixa negra esperta.
    E quando algum dia errar ninguém entende porquê. Nem sabe corrigir o que aconteceu porque tudo está encerrado dentro da calculadora.
    E o médico também não conseguiria explicar ao doente o que aconteceu.
    Tudo isto num ambiente onde a inteligência artificial não está programada escalas de valores moralmente aceitáveis.
    É fria, neutra, eficiente e desumana, no mais puro dos significados.
    Fará parte de uma lista futura dos perigos da inteligência artificial?
    Recorro por isso ao Steven Gouveia, um filósofo. A profissão que se dedica a pensar por todos nós.
    Para o ouvir sobre a inteligência artificial, as suas vantagens e desvantagens.
    E bem que precisamos de pensamento crítico.
    As decisões individuais acabam sempre por influenciar o futuro coletivo.
    Embora eu saia desta edição menos otimista.
    Perceber que as máquinas podem ultrapassar o nosso julgamento moral ou que a democracia afinal é um jogo de resultado pré-determinado deixam-me com uma desagradável sensação de asfixia.
    Será que a liberdade de expressão também pode afinal ser um jogo de fantasia?
    Vale a pena passarem na página de Steven Gouveia e verem alguns dos seus cursos de filosofia para o público em geral. São boas ferramentas para a aprender a pensar.
    Se tem interesse no tema da inteligência artificial aproveite para ouvir também este episódio:
    MÁRIO GASPAR DA SILVA | CHEGOU A ERA DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL?
    LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO
    Transcrição automática do episódio
    00:00:00:02 - 00:00:06:21
    Steven Gouveia
    Professor Stephan Gouveia, filósofo e filósofo, é uma profissão. O que é que faz um filósofo.
    00:00:07:20 - 00:00:32:09
    Steven Gouveia
    Um filósofo? Coisas que quase não faz? Não faz porque acha que é uma. É uma capacidade ou uma profissão que se calhar não é relevante e nós podemos resumir muito da atividade de um filósofo. Ou pensa ao pensar ou pensar sobre diversos objetos e realidades do mundo que talvez não interessam ou não interessem a grande parte das pessoas.
    00:00:32:09 - 00:00:40:10
    Steven Gouveia
    Mas é talvez também porque não são interessantes para o dia a dia, digamos assim, da vivência de acordar, comer, dormir.
    00:00:40:27 - 00:00:43:21
    Jorge Correia
    Então delegamos nos filósofos que pensem por nós.
    00:00:44:28 - 00:01:20:03
    Steven Gouveia
    A uma espécie de acordo tácito entre a sociedade e este grupo muito específico de seres humanos, em que a sociedade delega para essas pessoas o tempo e a energia para pensarem sobre assuntos diversos, enquanto que nós, sociedade, continuamos o nosso caminho para sul, para outras culturas, outros afazeres e outras profissões. Mas acho que o importante do papel do filósofo é pensar que o filósofo é um ser que tem uma expertise muito específica e que mais nenhuma profissão ou mais de um ser humano tem.
    00:01:20:09 - 00:01:28:13
    Jorge Correia
    Então, quais são as caixas de ferramentas que um filósofo tem para responder exatamente a essas, essas angústias da sociedade e essas perguntas?
    00:01:29:08 - 00:01:59:17
    Steven Gouveia
    Mas o filósofo é uma pessoa treinada normalmente na academia, mas isso não precisa de ser. Não é uma condição, digamos assim, suficiente para aproximar o filósofo. É uma condição necessária, pelo menos estudo das necessidades, primeiro. E, curiosamente, como é que grandes gênios da humanidade cometeram erros muito básicos sobre diversos assuntos, desde tentar definir o que é justiça, tentar definir o que é o bem, tentar definir o que é verdade ou, por exemplo, o que é uma obra de arte.
    00:02:00:21 - 00:02:24:00
    Steven Gouveia
    O primeiro aspecto da formação filosófica é, então, estudar os gênios da humanidade que cometeram erros muito básicos. E isso ajuda nos porque ajudam os primeiro e de forma mais óbvia, a não cometer esses mesmos erros, certo? Mas depois também dá nos as ferramentas para, pelo menos custo. Conseguimos construir outras teorias sobre o mundo sem cometer esses erros falaciosos.
    00:02:24:14 - 00:02:47:17
    Steven Gouveia
    Imagine, por exemplo, que o filósofo é uma espécie de construtor de navios, digamos assim. É a história da filosofia e a história do construtor de navios que começaram a construí la com folhas, por exemplo, e depois perceberam que não havia possibilidade de navegação com folhas e depois pintaram o papel e os criaram e também não resultou. Depois lá foram para a madeira escrava.
    00:02:47:17 - 00:02:58:24
    Steven Gouveia
    Voltou melhor, mas mesmo assim tinha bastantes restrições e hoje em dia os pilotos estão mais capacitados para navegar com o ferro e tentar evitar os naufrágios, digamos assim.
    00:02:59:25 - 00:03:16:07
    Jorge Correia
    Que possam fazer uma coisa aí para quebrar, para sufocar. Então quer dizer que os filósofos se dedicam a escarafunchar nos nossos erros e isso é essa. É esse o trabalho principal da profissão do filósofo?
    00:03:17:29 - 00:03:39:09
    Steven Gouveia
    Eu acho que muitas vezes as pessoas têm uma noção de que a filosofia, que é a arte de fazer perguntas, e eu percebo por que a maioria das ruas pensa essa forma. Mas eu, porque eu acho que é exatamente o oposto, mas que trabalha a filosofia mesmo, dar respostas e não fazer perguntas, embora elas estejam associadas, não é?
    00:03:39:26 - 00:04:07:25
    Steven Gouveia
    Mas é o exemplo dos inteligentes, afinal, é um excelente exemplo, porque, por exemplo, nós temos tecnologias neste momento muito específicas e inovadoras e que colocam respostas que colocam perguntas desculpa, por exemplo, perguntas éticas, não é? Será que devemos usar determinadas tecnologias para melhorar, por exemplo, a eficácia da medicina, que é um problema muito importante em termos políticos? Porque.
    00:04:08:25 - 00:04:10:21
    Jorge Correia
    Em princípio, sim.
    00:04:10:21 - 00:04:35:28
    Steven Gouveia
    Em princípio devemos usar tecnologia para tornar melhor a medicina. Agora depende exatamente aquilo que nós queremos dizer por melhor. É aí que os filósofos ainda por que os filósofos tentam dar uma resposta ou dar várias respostas a esta definição muito específica do melhor? O que significa melhor? Neste caso, será melhor porque forma será melhor eficácia, mas esta eficácia é cega, ou seja, não tem em conta diversos aspectos que se calhar precisam de ser considerados.
    00:04:36:19 - 00:04:44:01
    Steven Gouveia
    Ou o melhor. É, por exemplo, que o que é que aquilo que é mais justo, mesmo que isso implique uma menor eficácia, é, por exemplo, para mim.
    00:04:44:15 - 00:05:02:23
    Jorge Correia
    Se olhar para a tecnologia e pensar num robô, por exemplo, que consegue operar uma determinada cirurgia de uma forma que pode ser mais precisa, com menos dano para o meu corpo, desde que lá esteja. O cirurgião com a mão no comando e tendo a confiar que a tecnologia vai ser boa para mim, ok.
    00:05:03:14 - 00:05:15:12
    Steven Gouveia
    Esse exemplo é interessante para algumas coisas do exemplo que dá, que é o jogo de fazer a salvaguarda de que o cirurgião tem que ter a mão em cima do mecanismo robótico que que estão.
    00:05:15:13 - 00:05:16:14
    Jorge Correia
    A minha confiança é a menor.
    00:05:17:00 - 00:05:43:27
    Steven Gouveia
    Pois e isso é muito interessante. Mas eu gostava de dar outro exemplo que problematiza melhor aquilo que o que eu estava dizendo que é basicamente, por exemplo, é a utilização de diversos algoritmos de Bachelor para detecção de cancro de pele. Então sabemos que estes algoritmos são muito mais eficazes que um outro grupo que também faz de deteção de cancro de pele, nomeadamente um grupo de seres humanos chamados médicos.
    00:05:44:08 - 00:05:49:07
    Jorge Correia
    Treinados, seres humanos treinados, versos, máquina com um com capacidade de aprender também.
    00:05:49:20 - 00:06:00:02
    Steven Gouveia
    É, mas quando nós temos que são mais eficazes. A referência implícita que está e a um grupo de seres humanos, ou seja, as máquinas são mais eficazes de detetar o cancro de pele do que os seres humanos.
    00:06:00:02 - 00:06:01:21
    Jorge Correia
    Porque detetam micróbios ladrões.
    00:06:02:26 - 00:06:10:04
    Steven Gouveia
    Porque até têm uma incorporadas, mas principalmente porque são baseados em milhões de dados que nenhum ser humano ou grupo de seres humanos consegue com alguém que.
    00:06:10:13 - 00:06:22:15
    Jorge Correia
    ...
    1 hr 3 min
  • Márcia Tiburi | Como pensar um mundo novo?
    Hoje é tempo de falar de filosofia.
    Isso mesmo: de usar a cabeça e pensar sobre a maneira como pensamos.
    O que nem sempre acontece.
    E por isso importa saber por quê.
    Afinal a mais difícil das perguntas: o porquê das coisas.
    A convidada é Marcia Tiburi, filósofa, professora e artista plástica brasileira.
    Ela desafia-nos a ter um pensamento mais progressivo e aberto sobre o mundo em que vivemos.
    E a sua forma apaixonada e frontal valeu-lhe ameaças de morte e uma fuga para a Europa em busca de um lugar mais seguro para pensar.
    O pensamento subjetivo é uma das maiores armas do diálogo democrático.
    Cada um pode pensar e partilhar o que pensa.
    E esse pensamento tem pelo menos duas avenidas:
    A primeira é aquilo a que gosto de chamar o pensamento especulativo. A segunda é um pensamento mais operacional. No meu desenho mental, o pensamento especulativo são aquelas reflexões que o pensamento faz sobre si próprio. Porque pensamos da maneira como pensamos? O que nos levou a este caminho? É legítimo ou ético pensar isto desta forma?
    Na avenida do pensamento operacional vem a resposta à pergunta “e se?…”
    E se eu fizesse assim? E se eu fosse por aqui ou por ali?
    Uma forma de pensamento que nos devolve a capacidade de decidir quem somos e o que queremos ser ou fazer?
    É uma forma de autoconsciência.
    Ora, toda a conversa com Márcia Tiburi é sobre isto.
    Sobre as razões que nos levam conscientemente a autodeterminar-mo-nos.
    A dizer o que somos e como somos.
    Ao invés de aceitar as etiquetas que nos colam à pele.
    Entre o ruído do mundo moderno há que parar para pensar.
    Pensar no pensamento e pensar no que somos, queremos e fazemos.
    E alguns grupos mais progressistas já o fazem de uma forma mais sistemática e desafiante em relação ao status quo.
    Quem tem poder normalmente não gosta muito destes desafios porque eles representam a capacidade de perguntar e principalmente de decidir a resposta certa.
    O mundo novo tem uma fórmula de pensamento muito própria.
    Onde os conceitos da ecologia, da igualdade e de uma justiça mais ampla tem um peso maior do que os caminhos do mundo antigo.
    A cooperação entre seres humanos para uma nova plataforma de bem comum está de alguma maneira já a sussurrar nas novas formas de dizer.
    Seja nas palavras, seja nos atos.
    Mas há uma batalha surda em curso: entre anestesia social e a pulsão do grito de revolta.
    Estaremos nós a entender o que está a acontecer?
    38 min
  • José Avillez | O que vamos comer hoje?
    Hoje é dia de ficar com água na boca.
    De experimentar a gula a todo o vapor.
    De ler nas texturas dos alimentos.
    De cheirar. De provar. De depenicar. De petiscar. De empanturrar barriga e olhos das mais belas iguarias.
    Com um mestre, um chef, José Avillez, português, mas sempre na lista dos 100 melhores cozinheiros do mundo.
    Este programa é sobre comida, alimentos, ingredientes, povos e culturas.
    E sobre como conjugar uma disciplina quase militar a uma criatividade quase divina.
    A cozinha está aberta. A mesa posta. E os cheiros enchem a casa.
    Tudo está prestes a começar.
    Os clientes que reservaram mesa começam a chegar Mais os outros que nem se deram ao trabalho, mas tem fome.
    Do casal de namorados da mesa do canto ao trio que fecha um negócio, passando pelos turistas que estão a aprender Portugal pelos cheiros e sabores.
    Será que algum deles é crítico gastronómico? Ou tem a decisão final de atribuir mais uma estrela Michelin?
    Seja como for e neste preciso momento, todos são iguais. Tem fome. Tem vontade de comer. Tem expectativas. Tem desejo, gula e ansiedade nas papilas gustativas.
    Para além daquele balcão do fundo, com vista para a cozinha, há uma dezena de criadores de comida. São um misto de arquitetos, artistas se circo, pintores em pratos, recreadores de alimentos frescos ou reinventados, ou desconstruidos. As marinadas, temperos, cozeduras a tempos precisos, tempos de descanso e de fogo. Tudo para que a comunicação pela comida chegue na perfeição aos clientes.
    Mas nem tudo é arte. Há cronómetro. O sincronismo entre pratos. Entre pedaços de cada interpretação daqueles alimentos pelo chefe de cozinha. É um bailado quase militar. Uma conjugação de movimentos de equipa. Entre a rapidez e a precisão absoluta.
    Entre a cozinha e a mesa o chefe prova, embeleza, limpa o prato da pinga que caiu ao lado. Que raramente caiu ao lado. E logo de seguida canta o prato a sair ou o pedido a chegar.
    A criação é colocada a usufruto pelos comensais.
    Que só pensam em saborear algo que demorou dias a criar e anos a aperfeiçoar.
    Este programa é sobre este momento perfeito, de meter comida à boca, fechar os olhos e saborear.
    No balcão do fundo está alguém a observar e a pensar: missão cumprida.
    Este programa é conduzido pelo Chef José Avillez, um dos mais célebres e galardoados cozinheiros portugueses.
    E é muito mais do que um programa sobre comida.
    A comida é um dos melhores pretextos para celebrar a vida.
    E para encontros ou reencontros.
    Ou será que conhecem algum povo no mundo que ao almoço esteja a pensar no que vai comer ao jantar?
    A gastronomia é uma poderosa forma de comunicar. De cuidados dos outros. De compartilhar experiências.
    https://www.bairrodoavillez.pt/pt/
    https://www.facebook.com/ChefJoseAvillez
    LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO
    Transcrição automática do episódio
    00:00:12:22 - 00:00:37:24
    Ora viva! Bem vindos ao pergunta. Simples o vosso podcasts sobre comunicação. Hoje é dia de ficar com a boca cheia de água e experimentar a gula a todo o vapor. De ler nas texturas dos alimentos, de cheirar, de provar, de duplicar, de petiscar, de empanturrar a barriga e os olhos das mais belas iguarias com o mestre, o chef José Avillez, português, mas sempre na lista dos 100 melhores cozinheiros do mundo.
    00:00:38:08 - 00:01:07:16
    JC
    Este programa é sobre comida, alimentos, ingredientes, povos e culturas e sobre como conjugar uma disciplina quase militar com uma criatividade quase divina. Se gostarem da comida e do programa, subscrevam em pergunta simples ponto como é que isso ajuda a convencer grandes convidados a falarem para si? Uma boa ideia, não acha? Vamos ao programa, vamos a isso.
    00:01:11:11 - 00:01:30:24
    JC
    A cozinha está aberta, a mesa está posta e os cheiros enchem a casa. Tudo está prestes a começar. Os clientes que reservaram mesa começam a chegar, mas os outros que nem se deram ao trabalho, mas têm fome na mesma do casal de namorados, da mesa no canto. Ao trio que fecha ali o negócio, passando pelos turistas que estão a aprender Portugal pelos cheiros e sabores.
    00:01:31:08 - 00:01:54:00
    JC
    Será que algum deles é o crítico gastronómico ou tem a decisão final de atribuir mais uma estrela Michelin? Seja como for, e neste preciso momento, todos são iguais. Têm fome, têm vontade de comer. Tem expectativas, tem desejos, gula e ansiedade nas papilas gustativas. Para além daquele balcão, ali no fundo, com vista para a cozinha, há uma dezena de criadores de comida.
    00:01:54:00 - 00:02:30:01
    JC
    São um misto de arquitetos, artistas de circo, pintores em pratos recriados de alimentos frescos ou reinventados ou desconstruídos, como se diz agora na linguagem moderna. As marinadas, os temperos, as culturas a tempo preciso, tempos de descanso e tempos de fogo. Tudo para que a comunicação pela comida chegue na perfeição aos clientes. Mas nem tudo é arte. Ao cronómetro, o sincronismo entre pratos, entre pedaços de cada interpretação daqueles alimentos pelos chefes de cozinha é um bailado quase militar, uma conjugação de movimentos de equipa entre a rapidez e a precisão absoluta.
    00:02:30:10 - 00:03:01:02
    JC
    Entre a cozinha e a mesa, o chefe prova em beleza limpa o prato da pinga que caiu ao lado, que raramente caiu ao lado e logo de seguida canta o prato para que ele saia ou canta o pedido para a comida que há de sair. A criação é colocada a usufruto dos comensais, que só pensam em saborear algo que demorou dias ou horas a criar e anos a aperfeiçoar este programa é sobre o momento perfeito de meter a comida à boca, de fechar os olhos, de saborear.
    00:03:01:14 - 00:03:34:24
    JC
    No balcão do fundo está alguém, o chefe, a observar e a pensar. Missão cumprida. Este programa é conduzido pelo chef José Avillez, um dos mais célebres e galardoados cozinheiros portugueses, e é muito mais do que um programa só sobre comida. José Avillez chefe. Se preferirem cozinheiro, eu prefiro o cozinheiro. Várias estrelas Michelin, as desejadas estrelas Michelin dadas aos melhores restaurantes do mundo, quer dizer, aos melhores chefes do mundo, aos melhores cozinheiros do mundo de facto.
    00:03:35:09 - 00:03:42:12
    JC
    Presença regular no top 100 dos melhores cozinheiros do mundo. O que é que faz de ti um dos um dos melhores do mundo?
    00:03:44:07 - 00:04:11:14
    José Avillez
    Acho que a minha equipa, principalmente sem equipa, não somos nada em quase nada do que fazemos, principalmente numa área como esta, principalmente eu, que me divido entre muitos projetos. A equipa é o que faz de mim o que sou hoje. Mas também, de alguma maneira, a minha vontade de ir mais além e a vontade de fazer melhor, fazer mais.
    00:04:11:16 - 00:04:16:01
    José Avillez
    Fazer diferente e essa equipa acompanhar me nessa aventura.
    00:04:16:12 - 00:04:36:19
    JC
    Estamos aqui, no entanto, ao lado do Belcanto, duas estrelas Michelin, e também no restaurante vegetariano que levou uma estrela. O que é? O que? Porque é que se tem estrelas Michelin? Uma curiosidade que o que eu tenho. O que faz com que o restaurante receba uma estrela Michelin ou que ainda não receba uma estrela Michelin?
    00:04:38:02 - 00:05:03:21
    José Avillez
    Nisso é um. Além de ser uma fábrica de pneus, é um veículo de Deus. E é mesmo pronto, começou. Depois começou um guia que premiava o que distingue os melhores restaurantes do mundo para viajarem mais, como em França. Pessoas viajarem mais para gastar mais pneus. Na verdade, começa assim e depois começa a ganhar. E o amigo já tem mais de 100 anos e começa a ganhar ser uma referência de máxima referência na área.
    00:05:04:08 - 00:05:27:23
    José Avillez
    Ganhou fama e ganhou fama e não só fama. Ganhou. As pessoas de facto respeitam e é algo que viaja o mundo inteiro, muitas vezes a procura das estrelas Michelin. Há uma série de critérios que não sei, todos de cor, mas é pela qualidade de cozinha, uma primeira estrela, a consistência dessa mesma qualidade, a qualidade dos ingredientes.
    00:05:27:23 - 00:05:31:14
    JC
    Não é só naquele dia em que vem. Aqui, o crítico tem que se manter a consistência.
    00:05:31:14 - 00:05:36:03
    José Avillez
    Porque, na verdade, eles fazem sempre várias visitas anuais e por isso essa consciência para eles é muito importante.
    00:05:36:05 - 00:05:41:02
    JC
    E anunciam se, dizem Olá Avillez, eu estou aqui, sou eu. Sou crítico da estrela.
    00:05:41:02 - 00:06:05:00
    José Avillez
    Vamos lá às vezes, uma vez por ano, de dois em dois anos, há alguém que se apresenta já no final da refeição, já depois de ter pago para perguntar se há alguma alteração mais de fundo, agilizar. Gostam de perguntar quanto tempo é que ao nosso contrato de arrendamento gostam de perguntar coisas dessas? Sim, para perceber. É isso mesmo, a consistência.
    00:06:05:04 - 00:06:09:02
    José Avillez
    Projetos que de repente fazem um restaurante que tem um contrato de arrendamento de três anos.
    00:06:09:08 - 00:06:10:01
    JC
    Não é de agora.
    00:06:10:14 - 00:06:22:16
    José Avillez
    Eles têm medo de ser uma coisa que abre e fecha. E como isto tem sempre aqui um tempo que tem que dar à estrela e depois é publicado e publicado referente ao ano seguinte. Eles têm de perceber a consistência.
    00:06:22:19 - 00:06:33:18
    JC
    Tem que ter a certeza que o restaurante está aberto para as empresas, seguindo a semana para não gastar pneus lá está. Quer dizer, a essa diferença é porque pensei que eles perguntavam mais sobre onde é que compra as cenouras, de onde é que vêm as batatas e se.
    00:06:34:14 - 00:06:53:13
    José Avillez
    Nos falamos também sobre fornecedores, sobre a opinião de clientes. Mas são sempre conversas. Na verdade bastante curtas e muito técnicas. Às vezes é só saber quais burocrática, quem é o chefe de cozinha, que é o subchefe, que é o escanção.
    00:06:53:13 - 00:06:54:04
    JC
    Fazer uma ficha.
    00:06:54:04 - 00:06:54:24
    José Avillez
    Técnica, uma ficha.
    ...
    57 min
  • Mário Gaspar da Silva | Chegou a era da inteligência artificial?
    Aproveitem este episódio que, não tarda nada, e é um computador robô que faz o Pergunta Simples.
    Um robô perguntador que interpela outro robô respondente.
    Tudo a uma velocidade estonteante, onde a máquina perguntadora dispara mil perguntas por segundo e o computador do outro lado responde com tudo na ponta da língua. De silício, pois claro.
    E claro, os ouvintes também tem de ser máquinas, para acompanhar o ritmo, para interpretar os bits e bytes das máquinas que fazem comunicação.
    Ufa!
    Não sei se gosto disto.
    Preciso de pessoas. Humanos lentos, falíveis e, principalmente, imprevisíveis, criativos, generosos, empáticos.
    Este é um programa sobre as máquinas que falam e sonham ser inteligentes. E sobre seres humanos que são inteligentes, mas ainda lutam por se entenderem.
    Ah! E não se vos disse: sou o robô-clone do Jorge porque ele está ali na praia a gozar a vida. Ou no desemprego porque se tornou inútil.
    Não se preocupem em subscrever o programa porque eu já sei tudo sobre vós. Onde escutam o programa e a que horas. Os temas que preferem e os que não gostam.
    E por isso decidi subscrever-vos automaticamente no Spotify e nas outras apps.
    Afinal vós humanos já disseram que sim aquelas irritantes listas que saltam no écran a dizer que aceitam os amistosos e inofensivos ‘cookies’ e assim alguém cuida das vossas preferências nos próximos anos.
    Afinal, o Big Brother não é o do Orwell nem o da TVI. É essa maquininha chamada telemóvel 'inteligente' que tem na mão.
    Houve um tempo em que os animais falavam.
    O tempo da fábulas.
    O tempo em que os animais se comportavam como humanos, dizendo coisas que os escritores punham na boca de patos, raposas ou burros, para não ofender os humanos que se comportavam da mesma forma.
    O triunfo dos porcos é provavelmente a mais saborosa metáfora que se me ocorre da nossa vida em sociedade.
    Agora estamos no tempo em que os computadores também decidiram começar a falar.
    A falar de forma escrita. A falar imitando a voz humana. A falar imitando a nossa imagem.
    Mas são só.
    Os computadores estão agora a imitar as nossas pinturas magistrais. Os Picassos, os Dalis. A nossa poesia maior: Um Camões, um Pessoa eletrónico.
    Será imitação ou mera estatística de palavras?
    Qualquer um de nós pode ir ao computador pedir a vários programas na ‘internet’ que pinte uma nossa fotografia com as cores e técnicas de um pintor famoso. Ou que nos escreva um relatório sobre a vida selvagem na Serra da Estrela.
    E os computadores escrevem. Porque estão cheios de informação e foram treinados a adivinhar estatisticamente as palavras que estão antes e depois.
    É o caso do chamado “Chat GPT”
    Será isto o primeiro vislumbre da chamada inteligência artificial? Ou um mero truque de magia destas calculadoras avançadas?
    Esta história da inteligência artificial complica-me os nervos.
    Por um lado fascina-me. Com todo o seu imenso potencial de resolver os nossos problemas humanos.
    Por outro, assusta-me. Pelo potencial de criar mil outros problemas que não existem hoje.
    Com mil génios dos computadores a tentar encontrar o Santo Graal da inteligência artificial, mas nenhum a conseguir sequer compreender como funciona o cérebro de uma mosca.
    Fui por isso com esta cesta de dúvidas bater à porta de Mário Gaspar da Silva. Professor do Instituto Superior Técnico de Lisboa, estudioso dos temas da linguagem natural nos sistemas informáticos. E, detalhe muito importante, presidente da comissão de ética do instituto.
    É porque esta conversa das máquinas que falam e que, alegadamente, pensam, não é só uma coisa de porcas e parafusos. É também sobre propósito, utilidade e delicadas fronteiras éticas.
    Inteligência é uma palavra gigante onde cabem muitas coisas. Muitas ideias, conceitos, emoções, entendimentos.
    E por isso funciona como uma caixa negra fascinante. Não sabemos como funciona. Sabemos que a podemos alimentar e também sabemos que podemos esperar o inesperado. É isso que faz com que os seres humanos de superem. Porque imaginam soluções diferentes para cada velho problema.
    As máquinas são — até ver — mais previsíveis, mas mais aborrecidas.
    São calculadoras gigantes que por agora nos devolvem as nossas próprias palavras e conhecimentos em forma de letra eletrotónica no écran.
    Sabem imitar com rapidez e eficiência e descobrem padrões com grande facilidade.
    É isso que são as ferramentas como o Chat GTP e as outras que aí vem: máquinas automáticas de dialogar.
    Dependem da programação da pergunta e das respostas.
    Mas ainda parecem incipientes no grande jogo da inteligência.
    Até quando? Não sabemos.
    Transcrição do episódio (automática)
    00:00:12:24 - 00:00:13:20Ou dádiva?
    00:00:13:20 - 00:00:17:22Bem vindos ao perguntasimples ou voz pública sobre comunicação?
    00:00:18:06 - 00:00:20:19Aproveitem este episódioque não tarda nada
    00:00:21:06 - 00:00:24:05e um computador robôem que está a fazer perguntas simples
    00:00:24:15 - 00:00:29:01a um robô perguntador que interpelaum outro robô correspondente.
    00:00:29:11 - 00:00:32:23Tudo a uma velocidade estonteanteonde a máquina perguntador
    00:00:33:00 - 00:00:36:11dispara 1000 perguntas por segundoe o computador do outro lado
    00:00:36:12 - 00:00:39:24responde com tudona ponta da língua de silício.
    00:00:40:00 - 00:00:44:19Pois claro e claro, os ouvintes também têmde ser máquinas para acompanhar o ritmo,
    00:00:44:19 - 00:00:48:12para interpretar bits e bytesdas máquinas que fazem comunicação.
    00:00:49:15 - 00:00:51:21Ufa! Não sei se gosto disto.
    00:00:51:21 - 00:00:55:10Preciso de pessoas de humanoslentos, falíveis e, principalmente,
    00:00:55:10 - 00:00:59:01imprevisíveis, criativos,generosos e empáticos.
    00:00:59:11 - 00:01:03:22Este é um programa sobre as máquinasque falam e sonham ser inteligentes
    00:01:03:22 - 00:01:05:09e sobre os seres humanos
    00:01:05:09 - 00:01:08:20que são inteligentes,mas que ainda lutam por se entenderem.
    00:01:10:05 - 00:01:12:15E não vos diz Eu sou o robô
    00:01:12:15 - 00:01:16:07clone do Jorge, porque ele está alina praia a gozar a vida.
    00:01:16:23 - 00:01:19:02Ou então no desemprego,porque se tornou inútil.
    00:01:19:19 - 00:01:23:11Não se preocupem em subscrever o programaporque eu já sei tudo sobre voz,
    00:01:23:18 - 00:01:27:02onde escutam um programa, que horasos temas preferem, os que não gostam
    00:01:27:07 - 00:01:30:12e por isso decidi subscrevervos automaticamente no Spotify.
    00:01:30:12 - 00:01:31:23Mas outras aplicações?
    00:01:31:23 - 00:01:34:12Afinal, vós humanos, já disseram que sim.
    00:01:34:12 - 00:01:37:07Aquelas irritantes listasque saltam no ecrã
    00:01:37:18 - 00:01:40:19a dizer que aceitam os amistosose inofensivos cookies
    00:01:41:10 - 00:01:44:11e assimalguém cuida das nossas preferências
    00:01:44:11 - 00:01:47:13nos próximos anos,sabendo tudo sobre a vossa vida.
    00:01:48:04 - 00:01:52:02Afinal, o migradas não é o download,também não é o da TVI.
    00:01:52:14 - 00:01:55:05E essa maquininha chamada telemóvel
    00:01:55:05 - 00:01:57:13inteligente que tem agora na sua mão.
    00:01:58:07 - 00:01:58:19Parabéns!
    00:01:59:18 - 00:02:01:22O episódio é assuste.
    00:02:02:06 - 00:02:03:11O anime se
    00:02:13:08 - 00:02:13:22houve um tempo
    00:02:13:22 - 00:02:16:22em que os animaisfalavam o tempo das fábulas,
    00:02:17:05 - 00:02:19:17o tempo em que os animais se comportavamcomo humanos,
    00:02:20:03 - 00:02:21:10dizendo coisas que os escritores
    00:02:21:10 - 00:02:24:10punham na sua boca, na boca dos patos,das raposas, dos burros,
    00:02:24:21 - 00:02:27:23para não ofender os humanosque se comportavam da mesma forma.
    00:02:28:10 - 00:02:31:11O triunfo dos porcosé provavelmente a mais saborosa
    00:02:31:11 - 00:02:34:01metáfora que me ocorre da nossa vidaem sociedade.
    00:02:34:17 - 00:02:36:00Isto no mundo das fábulas.
    00:02:36:00 - 00:02:38:20Agora estamos no tempoem que os computadores também decidiram
    00:02:38:20 - 00:02:41:14começar a falar e falar na forma escrita,
    00:02:41:21 - 00:02:45:16a falar, imitando a voz humana,a falar, imitando a nossa imagem.
    00:02:45:16 - 00:02:46:20Mas não só.
    00:02:46:20 - 00:02:49:23Os computadores estão agoraa imitar as nossas pinturas magistrais.
    00:02:49:23 - 00:02:51:20Os Picassos, os da Alice.
    00:02:51:20 - 00:02:53:16É o nosso poesia maior, um Camões.
    00:02:53:16 - 00:02:55:01Um som eletrônico.
    00:02:55:01 - 00:02:59:11Será imitaçãoou mera estatística de palavras e cores?
    00:02:59:19 - 00:03:02:12Qualquer um de nós pode ir a um computadore pedir
    00:03:02:21 - 00:03:06:09a esses vários programas de internetque por agora aparecem, que pinte
    00:03:06:16 - 00:03:09:21a nossa fotografiacom cores e técnicas de um pintor famoso.
    00:03:10:02 - 00:03:13:18O Picasso pode ser o que nos escrevaum relatório sobre a vida selvagem
    00:03:13:18 - 00:03:15:04na Serra da Estrela.
    00:03:15:04 - 00:03:18:14E os computadores escrevemporque estão cheios de informação
    00:03:18:24 - 00:03:21:23e porque foram treinados a adivinharestatisticamente
    00:03:22:07 - 00:03:26:01as palavras que estão antese depois daquela que escreveu.
    00:03:26:07 - 00:03:29:24É o caso do chamadoe agora popular chato CGTP.
    00:03:30:09 - 00:03:33:20Será isto o primeiro vislumbre da chamadainteligência artificial
    00:03:34:03 - 00:03:38:03ou um mero truque de magiadestas calculadoras avançadas?
    00:03:38:20 - 00:03:41:16Esta história da inteligência artificialestá a complicar me os nervos.
    00:03:42:01 - 00:03:44:20Por um lado, fascinacom todo o seu imenso potencial
    00:03:44:20 - 00:03:47:19de resolver os nossos velhos problemashumanos.
    00:03:48:03 - 00:03:52:05Por outro lado, assusta me pelo potencialde criar 1000 outros problemas
    00:03:52:14 - 00:03:55:16que não existem hoje em dia,com 1000 génios nos computadores
    ...
    1 hr 15 min
  • Isabel Galriça Neto | Quem tem medo de morrer?
    Esta edição é sobre um tema tabu.
    Um tema de que não se fala. Que não se pensa.
    Que se reprime nos pensamentos.
    Que se foge enquanto se pode.
    Hoje falamos da morte. Do prazo de validade.
    E por isso falámos da vida.
    Da vida vivida intensamente.
    Da vida vivida com propósito.
    Vivida com sentido.
    Afinal, quem tem medo de morrer?
    E quem fala disso?
    Quem tem fome de viver?
    E que cumpre o que promete na resposta a esta pergunta.
    A condição humana impõe-nos um prazo.
    Essa espada de Damocles permanece sempre sob a nossa cabeça durante toda a vida.
    Mas raramente olhamos para cima. Fingindo que não existe. Que é uma fantasia longínqua.
    Se calhar é um esquecimento necessário para continuar a viver.
    Este episódio tem tudo a ver com isto. E nada a ver com isto.
    Gravei esta conversa com a médica Isabel Galriça Neto em busca de saber as vozes que ouviu ao longo de anos da boca de pessoas no limiar do fim de vida.
    De mais de 8 mil pessoas. De mais de 8 mil famílias.
    Todos a precisar de cuidados paliativos. De conforto. De humanização. De comunicação. De paz.
    Em Portugal vive-se em fulgurante desenrascar e morre-se em chocante desumanidade.
    Os hospitais inventados para tratar doentes agudos ou crónicos em movimento tem pouca vocação para paliar o sofrimento.
    As famílias encolheram, sobrevivem sem condições de suporte social próximo.
    E as unidades de acolhimento, cuidados continuados ou paliativos são escassas. Muito escassas.
    Mas este programa — o mais duro e difícil de gravar — é sobre a condição humana.
    Sobre os remorsos e arrependimentos do fim de vida, mas, principalmente, sobre os grandes feitos e afetos que deram sentido à nossa vida.
    Uma vida bem vivida é uma sucessão de dias bons.
    Mas todos sabemos que esta viagem inclui momentos difíceis, derrotas ou sentimentos de vazio.
    E nesse ondular existencial a comunicação tem um papel.
    Chamo-lhe modelar as expectativas..
    O simples repetir dentro da nossa cabeça uma série de frases ora de optimismo, ora de resistência pode ter grandes efeitos.
    Comigo funciona.
    Não muda nada na realidade, mas muda tudo na perspetiva.
    E como sabemos, quase tudo é subjetivo, mesmo a mais objetiva das realidades.
    58 min
  • Miguel Crespo | Informar ou desinformar?
    Tenho boas e más notícias.
    Os portugueses estão a consumir notícias. Boa notícia.
    Os portugueses sentem que estão a ser manipulados. E muitas vezes. Péssima notícia.
    Os portugueses têm milhares de fontes de informação. O que quer dizer diversidade. O que quer dizer informação mais localizada ou mais nacional. Excelente notícia.
    Mas quase 90% mesmo grupo de portugueses que respondeu a um inquérito do Observatório Ibérico IBERIFIER que estuda o fenómeno da desinformação e o seu impacto na sociedade, confessa que vê as notícias nas redes sociais.
    Será uma boa ou má notícia?
    São ambas: por um lado as redes sociais garantem acesso mais alargado, por outro as fontes nem sempre são fiáveis.
    Estamos a falar do Facebook da RTP, Expresso ou Antena 1?
    Ou contamos com as últimas publicações da tia Amélia, que adora cães, detesta a prima Ana e acredita em OVNI´s, milagres e nos produtos de televendas, embora faça um leite-creme divinal?
    Por isso não é de admirar que 97% dos respondentes dizem ter visto desinformação no último mês. E os temas da política e do futebol são estrelas neste campo. Além da publicidade que se faz passar por notícia para atrair cliques e visitantes aos sítios ‘web’ de vendas.
    A qualidade da informação tem muito a ver com a fonte. E 25% do território nacional não tem sequer uma publicação local a falar sobre as notícias da terra.
    Logo as fontes são tudo menos fiáveis, factuais ou neutras.
    Miguel Crespo é investigador do fenómeno da desinformação e no comportamento dos média e dos cidadãos. E o observatório de que faz parte tem agora uma fotografia da perceção dos cidadãos e um mapa.
    As notícias são feitas por pessoas e para pessoas.
    O que implica desde logo uma subjetividade.
    Por exemplo, na maneira como se escolhem os temas para dar notícia.
    E que ângulo, titulo ou forma damos ao contar uma história.
    Finalmente, e mesmo que tudo seja feito de forma honesta e equilibrada, tudo depende da forma como os leitores, ouvintes ou telespectadores recebem a informação e a interpretam.
    E essa passagem é todo um mundo novo. A mesma notícia é vista com lentes diferentes conforme o contexto dos recetores. As suas crenças, a sua condição social, as suas ideias, as ansiedades e desejos.
    É tudo menos matemático.
    Talvez isso explique o sucesso da informação que explora os temas mais populistas. O crime, o sexo, o poder.
    São temas populares, mas parece que estamos todos sempre a vê-los pelo buraco da fechadura.
    Também é uma maneira de olhar o mundo.
    Fiquem com os principais dados do estudo e ouçam um outra conversa com Miguel Crespo aqui:
    MIGUEL CRESPO | COMO COMBATER AS ‘FAKE NEWS’?
    “O Impacto da Desinformação na Indústria de Media em Portugal e Espanha”Estudo IBERIFIER87% dos inquiridos contacta com notícias através das redes sociais.37% depara-se com desinformação várias vezes por dia.97% detetou desinformação no último mês.77,6% identifica a fraca qualidade do jornalismo, nomeadamente erros factuais, cobertura simplista, como principal problema na desinformação.72,1% sublinha o problema dos factos parcialmente manipulados.48,5% destaca as peças que imitam notícias, mas que são, afinal, anúncios.71,3% aponta a política como o tema mais visado na desinformação.59,2% é a quantidade de respostas que sublinham o assunto guerra e conflito armado como o tema mais tratado sob efeito da desinformação.84% elege a política como o tema em que a desinformação mais preocupa.72% declara que deixou de confiar num meio de comunicação depois de ter detetado nele desinformação.23% diz que não se pode confiar nas notícias a maior parte das vezes.77,2% declara que não pode confiar na maior parte da informação das redes sociais.78,7% escolhe os cientistas e 56,2% os jornalistas como as fontes em quemais confiam.
    IBERIFIER
    LER A TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO
    0:13
    Ora, vivam.
    Bem-vindos ao pergunta simples ou voz podcast sobre comunicação, isto é, o episódio 116 e vamos falar sobre informação sobre como nós nos informamos, de onde bebemos a informação que os jornais, que rádios que a televisões, o que Facebook, Twitter e afins usamos para saber como vai o mundo.
    0:33
    Se gostarem do episódio, partilhem com amigos que queiram ouvir ou pensar sobre estas coisas da comunicação subscreva gratuitamente na página perguntasempre.com ou no Spotify desta vida se é a primeira vez que está a ouvir este programa, aproveite e espreite outros episódios anteriores a lá.
    0:50
    Muitas conversas interessantes vamos ao programa, vamos a isso.
    1:05
    Tenho boas e más notícias.
    Os portugueses estão a consumir notícias.
    Boa notícia, os portugueses sentem que estão a ser manipulados e muitas vezes, péssima notícia.
    Os portugueses têm milhares de Fontes de informação, o que quer dizer diversidade, o que quer dizer informação mais localizada ou mais nacional?
    1:27
    Slant notícia, mas quase 90%, o mesmo grupo de portugueses que respondeu ao inquérito do Observatório ibérico que estuda o fenômeno da desinformação e o seu impacto na sociedade, confessa que vê as notícias nas redes sociais.
    1:43
    Será isto uma boa ou uma má notícia?
    Sombras por um lado, as redes sociais garantem o acesso mais alargado.
    Por outro, as Fontes nem sempre são fiáveis.
    Estamos a falar do Facebook, da RTP, do expresso da antena 1.
    1:59
    Ou estamos a contar com as últimas publicações da tia Amélia, que adora cães, de testar a primeira e acredita em ovnis, Milagres e nos produtos das televendas?
    Embora façam leite creme divinal.
    Por isso não é de admirar que 97% dos respondentes dizem ter visto desinformação no último mês.
    2:19
    É que a vana Amélia partilha tudo aquilo que acha graça nas redes e os temas da política e do futebol são as estrelas neste campo.
    No campo da desinformação, além da publicidade que se faz passar por notícias para atrair cliques e visitantes ao site do vendas, a qualidade da informação tem muito a ver com a fonte e 25% do território nacional não tem sequer uma publicação local.
    2:44
    É falar sobre as notícias da Terra, uma publicação jornalística, logo as Fontes são tudo, menos fiáveis, factuais ou neutras.
    Miguel crespo é investigador do fenômeno da desinformação e do comportamento dos média e dos cidadãos, e o Observatório do que faz parte tem agora uma fotografia da precessão dos cidadãos e um mapa do Tesouro com os Fontes digitais de informação.
    3:12
    O Observatório foi formalmente lançado ainda em tempo de pandemia em setembro de 2021.
    E agora que estamos no início de 2023, estamos a começar a ter resultados, resultados.
    Nós tem de 1 dia para o outro.
    A ciência demora tempo pra fazer é dá muito trabalho.
    Às vezes parece que é muito fácil por ser com resultado, mas demora tempo e nós apresentamos agora, digamos, os 2 primeiros grandes projetos, fechados de tudo aquilo que nos propusemos fazer no âmbito deste.
    3:42
    Texto Observatório é um deles.
    É um mapeamento é real, efetivo, verificado daquilo que são os meios digitais em Portugal, até um mapa que está disponível online no num, num site através do site do projeto que aí verify.
    3:59
    Herói, verificar ponto é Oo, que que tem o que que tem esse mapa?
    Esse mapa tem cerca de 1000 e no caso português, portanto, o mapa tem em Portugal, Espanha, isto é sempre um projeto ibérico, mas no caso português tem mapeado cerca de 1300 meios.
    Que existem em Portugal, todo tipo de de mais que tem presença digital, tem toda a informação sobre esses meios, em que plataformas estão disponíveis, quando é que foram fundados?
    4:24
    É quando é que, quando não eram nativos digitais, aderiram à internet?
    Onde é que são as suas sedes?
    É um mapa completamente interativo, permite todo tipo de filtros, de pesquisas e é o grande conclusão.
    Nós já tínhamos essa pressão, mas agora temos dados.
    4:40
    É que mais de um quarto dos concelhos portugueses não tem nenhuma educomunicação, portanto.
    Nós podemos dizer que um quarto do território, na verdade é mais porque.
    É os os concelhos mais pequenos até tem mais mais porque são mais litorais e essa é outra das conclusões.
    4:58
    Ela vamos, é grande parte do território português.
    Não tem nenhum tipo de informação jornalística credível rigorosa sobre o que se passa no próprio conselho e isto, obviamente, portanto, são séculos.
    No fundo, não é?
    É são cegos ou ouvintes podem ser enganados facilmente por informação ou por desinformação, que não é jornalística, não é rigorosa e não é verificado, portanto, vão ver a informação que precisam.
    5:22
    É, se calhar ao butim camarário, que obviamente não tem nenhuma obrigação jornalística, ou então a volta da paróquia, que também não tem, ou então a aquilo que os vizinhos amigos e conhecidos escrevem, seja verdade ou não, seja verdade é e portanto, temos aí, obviamente, um problema que pode não ser uma coisa geral pode não acontecer em todos os lados, mas ao não existir informação que seja rigorosa, independente nesses meios, aquilo que pode facilmente passar.
    5:54
    Que aquilo que pode, em última instância, ser realmente desinformação com objetivos maliciosos, com objetivos de manipular as pessoas, com objetivos políticos e econômicos, o que for, mas é são desse ponto de vista populações que podemos dizer que são vulneráveis do ponto de vista da informação que recebem e, portanto, o escrutínio que é feito, nomeadamente para quem tem que tomar decisões públicas.
    6:20
    O presidente da Câmara, o presidente da junta, e é uns curtirem muito mais mais porque porque o debate social também pena, exatamente porque não existe.
    Ela está o jornal local, que normalmente vai mordendo sempre as canelas, é aos poderosos.
    6:35
    Assim, assim, não, não há nenhum tipo de.
    Verificação daquilo que é publicitado, digamos assim, portanto, seja o os presidentes da Câmara, sejam os partidos, sejam, é outros interesses que haja nos conselhos.
    6:53
    E nós sabemos quando estamos de fato conselhos com alguns milhar
    45 min
  • Susana Romana | Quanto vale uma boa história?
    Este é um episódio torrencial.Um record absoluto de palavras ditas por minuto.De argumentos, piadas e perplexidades.
    De cada vez que um actor fala há um autor que lhe criou um texto para dizer.De cada vez que um apresentador aparece seguro de si a olhar para a câmara e a dizer as palavras certas na hora certa, então, muito provavelmente, há um argumentista que lhe escreveu o texto.No fundo, todos os conteúdos de entretenimento como as peças de teatro, filmes ou séries, ou telenovelas tem o dedo destes escribas.Nesta edição vamos ao fundo do baú dos escritos de Susana Romana.Ela tem mil palavras no currículo. Desde o seu “Macaquinhos No Sotão” da rádio M80, ao 5 para a meia-noite ou até, a mítica série “Inspector Max”, o cão que deslindava crimes.A conversa é torrencial, aviso já. E vai em excesso de velocidade.Deu para tudo: para falar da importância das histórias na nossa vida, do valor das palavras e da falta de capacidade das pessoas interpretarem o que foi dito ou escrito.O que se presta a discussões acirradas, mas profundamente binárias sobre a causa das coisas. Do humor, do riso e do choro.De todas as histórias que nos emocionam.E que convivem com o mais básico dos básicos, como as etiquetas que nos colocam.A começar pela definição do que somos ou fazemos.
    E quem diria que um cão de nome Max se ia tornar memória viva.É um excelente exemplo da força das histórias.E d e algumas histórias que saltam barreiras de gerações.Como o dos filmes portugueses de comédia dos anos 40 ou a guerra do Raul Solnado.São palavras que levam entranhadas a mitologia da cultura de Portugal.A par da grande poesia, do folclore ou da tradição oral escondida na memória dos velhos nas aldeias mais longínquas.Tudo boas histórias. Tudo boas narrativas.Basta estar atento e ser curioso.
    53 min
  • João Goulão | As drogas têm uma linguagem?
    Nesta edição falamos das drogas que dão prazer, que anestesiam angústias ou que destroem vidas e famílias.
    As vozes sobre as drogas e o seu uso vão da exclusão proibicionista até à liberalização radical. E dessa contradição insanável entre o risco e a liberdade. Entre o prazer e a morte. Do consumidor recreativo ao traficante da rede de crime organizado.
    Num Portugal onde 1% da população chegou a ser dependente de drogas como a heroína. A somar às clássicas dependências do álcool e tabaco.
    As drogas são um dos temas a que dediquei uma parte da minha vida.
    Como observador, como perguntador profissional e como narrador de uma realidade que chegou a atingir grande parte das famílias portuguesas.
    A droga causa de mil sofrimentos.
    E de mil prazeres.
    Essa contradição cria uma tensão social, psicológica, humana.
    E isso expressa-se na linguagem.
    Nos rótulos. Nos preconceitos que cada um cola nas realidades para assim facilitar o processo de entendimento de realidades complexas.
    O fenómeno da toxicodependência tem todos esses matizes.
    Do slogan antigo “Droga, loucura e morte” do livro da minha adolescência “Os filhos da droga - Cristian F.” Até à proximidade com o fenómeno na escola secundária.
    Do mais inocente cigarro atrás do pavilhão desportivo a dramáticas histórias de amigos que acabaram no caminho da toxicodependência pesada. Da heroína injetada, da cocaína e das mil drogas sintéticas.
    E a sociedade reagiu como em tudo o mundo: ora a isolar os toxicodependentes como culpados de todos os males do mundo; ora a acolhê-los como doentes para os ajudar.
    É que as famílias descobriram rapidamente que os toxicodependentes não eram uns alienígenas marginais, mas sim os seus próprios filhos.
    É nessa linha que Portugal inventou uma fórmula de sucesso: redução de riscos, prevenção dos consumos e recuperação de pessoas.
    Descriminalizar sem despenalizar.
    Combater o tráfico, mas ver o toxicodependente como um doente crónico.
    É esse olhar que trago hoje aqui pela voz de João Goulão, médico de família e face da equipa que tornou Portugal único a responder a um problema complexo.
    Afinal, porque as drogas dão prazer e matam.
    O tempo é de reconstrução da estratégia de resposta à toxicodependência.
    Suspeito que com o agravar da crise económica o fenómeno do consumo das drogas terá um aumento significativo nos próximos anos.
    As crises criam desamparo e a algumas drogas oferecem anestesia para as dores de alma.
    É um caminho curto para se ficar dependente. Com um preço social e humano relevante.
    1 hr 4 min

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