Pergunta Simples

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Pergunta Simples episodes

  • João Proença | Como fazer um bom acordo?
    Este programa é sobre uma mesa de negociações.
    Já pensou que passamos a nossa vida a negociar coisas com outras pessoas.
    A negociar guloseimas quando somos crianças.
    A negociar saídas à noite na adolescência.
    A negociar… se calhar a palavra é errada… a negociar com os nossos amores os termos do nosso futuro amor. Do casamento. Do número de filhos.
    A negociar as condições de um novo emprego.
    A compra do carro da família.
    O empréstimo da casa.
    Das coisas muito grandes e importantes até às mais singelas e básicas.
    É sobre tudo isto e sou guiado pela voz de um dos mais experientes negociadores portugueses.
    Negociar é uma arte.
    E uma necessidade.
    Mas não raras vezes muitas negociações não conseguem um bom final porque há quem acredite que para eu ganhar tu tens de perder.
    E os grandes negociadores sabem que um bom acordo tem de ser relevante para todas as partes e oferecer ganhos e compromissos mútuos.
    No fundo, uma negociação acontece quando as partes acreditam num caminho comum, mas tem de esbater as diferenças entre ambos.
    Negociar é seguramente um exercício mais de cooperação para resolver um problema comum do que uma competição para quem ganha e quem perde.
    Há em Portugal uma mesa de negociações com grande influência na nossa vida: é conhecida como a “concertação social”. Uma mesa onde se sentam o governo, os patrões e as centrais sindicais.
    É por natureza um palco de consensos após semanas de troca de pontos de vista. Das grandes diferenças ao grande acordo.
    Salários, impostos, leis do trabalho, pensões de reforma, prestações sociais… tudo está na mesa.
    João Proença dedicou grande parte da sua vida política como negociador do lado da UGT.
    Hoje é Presidente do Conselho Geral e de Supervisão da ADSE. Também falamos deste importante sistema de apoio na saúde dos funcionários públicos.
    Começamos a conversa pelo trabalho que há que garantir antes de partir para a negociação.
    É preciso ler e estudar bem os temas.
    Por isso gravamos numa sala cheia de livros e arquivos com milhares de páginas de informação útil.
    Os bons acordos são robustos.
    Os bons acordos garantem ganhos para todos.
    Os bons acordos perduram no tempo.
    O pior do mundo é não conseguir chegar a acordo.
    Normalmente uma rutura negocial representa uma perda para todos.
    Um bom acordo exige boa e aturada comunicação.
    Ouvir o outro e construir, cooperar, desenvolver soluções boas para todos.
    É um processo que exige estudo, preparação e vontade.
    E treino. Muito treino.
    53 min
  • Nuno Artur Silva | Qual é o lado cómico disto?
    Qual é o lado cómico disto?
    Esta pergunta explica toda a conversa com Nuno Artur Silva.
    Ele passa pela vida munido de um perigoso bloco de notas e de uma letal caneta.
    Mas o mais perigoso nele é um cérebro treinado para ver o lado cómico da vida.
    E o resultado é um espelho onde todos nos revemos.
    Este é um programa sobre a liberdade.
    Sobre a sagrada liberdade de expressão.
    E sobre vários choques entre a liberdade e os arautos da mordaça.
    Sejam mais visíveis e vocais, sejam mais obscuros e silenciosos.
    Nuno Artur Silva encheu os atores de palavras escritas. E recebeu de volta interpretações que agitaram o mundo. Que alargaram os limites da liberdade.
    Nos intervalos formou uma escola por onde todos os históricos argumentistas portugueses de nova geração passaram: as Produções Fictícias.
    Ricardo Araújo Pereira, Nuno Markl, Eduardo Madeira, João Quadros.
    E muitos outros aprenderam nesta forma sem fronteiras e limites.
    Foram aspergidos pela água benta laica dos limites do humor.
    Neste caso da falta de limites.
    Nuno Artur Silva está a escrever o seu novo espetáculo, cena em janeiro.
    Com recurso ao seu bloco de notas, e a duas viagens de estudo.
    Uma à RTP e outra ao Governo.
    E volta com histórias, sempre novas histórias.
    As histórias da nossa vida.
    O conta-me como foi que enche o nosso imaginário e dá um sentido de comunidade de pertença.
    É essa mitologia feita de histórias, personagens e jornadas heroicas que reforça esse sentimento de identidade.
    As palavras escritas e ditas oferecem esse conforto de pertencer.
    E muitas das melhores palavras são organizadas em textos de escritores, poetas, argumentistas, dramaturgos ou artistas de variedades.
    Precisamos tanto de todos eles como de médicos, engenheiros ou economistas.
    E de liberdade, sempre de liberdade.
    Este programa foi gravado na Pousada de Palmela, a quem agradeço o acolhimento e o espaço.
    56 min
  • Marta Rebelo | O algoritmo, o cérebro e nós. Quem manda nisto?
    Por esta altura o Grande Irmão que tudo vê, tudo ouve e tudo calcula já sabe que gostam de ouvir podcasts.
    E que a comunicação é um tema interessante no vosso mapa de gostos.
    Se isso não vos preocupa, continuem a ouvir.
    Em alternativa apaguem já este programa.
    Apaguem a luz.
    Não vão ao facebook. Não vejam o twitter. Não publiquem ou interajam com o instagram. Muito menos com o TikTok.
    Se forem, vão por vossa conta e risco.
    E se quiserem arriscar tudo subscrevam o Pergunta Simples no Spotify, no Apple Podcast ou no Google.
    Assim ficam todos a saber.
    Todos os algoritmos. Os big brothers. A inteligência artificial que tudo processa.
    Vocês é que sabem. Afinal já foram apanhados.
    Na rede. Fomos todos. O mal está feito.
    Os algoritmos são sequências de raciocínios encadeados que servem para resolver problemas.
    Foram enunciados por um matemático árabe no século IX.
    E hoje estão na ordem do dia.
    São uma base principal da maneira como funcionam os computadores.
    E por maioria de razão são também parte central da maneira como funcionam as redes sociais.
    São redes de ligação entre seres humanos.
    Só que o algoritmo não é neutro.
    Pouco a pouco começamos a vislumbrar que o algoritmo sabe de mais. Não só sabe como usa esse conhecimento para nos manipular. Para manipular de forma muito subliminar a nossa vontade. Seja para controlar ou estimular os nossos ímpetos básicos de consumo, seja até para interferir na maneira como votamos.
    As eleições norte-americanas ou o Brexit britânico foram palco do uso deste tipo de ferramentas. E desconfio que não sabemos da missa nem pela metade.
    É sobre isto esta conversa com Marta Rebelo.
    Ela é comunicadora, estratega de posicionamento e aconselhamento de presença em redes sociais, ativista social e criadora de agenda públicas.
    Falamos de algoritmos digitais, das fórmulas da chamada inteligência artificial.
    Mas não só. Falamos da nossa máquina de pensar. Do nosso cérebro e mente. Do tempo em que todos falam tanto de inteligência artificial e parece que cada vez de se usa menos a inteligência natural.
    E claro, há a felicidade.
    A felicidade vem das coisas simples, mas cheias de significado.
    É essa energia emocional a que provavelmente os algoritmos digitais são míopes.
    Pare ser humano, pensar humano e sentir humano não basta amontoar e processar milhares de dados sobre os nossos comportamentos. Há a memória, as emoções, a empatia e a criatividade.
    Ainda temos tempo. Basta desligar a máquina e ligar a um amigo.
    Para falar. Para ouvir. Para ser humano.
    Vale ler o aviso de Yoshua Bengio: “Há inteligência dos humanos que não queremos ter nas máquinas”
    Yoshua Bengio é um cientista canadiano conhecido pelos seus estudos sobre no mundo da inteligência artificial. Vale a pena conhecê-lo e ao seu pensamento. Assim como ouvir Noam Chomsky, sobre os riscos da inteligência artificial no campo da linguística e do contacto humano.
    55 min
  • Luis Mateus | Vamos ser campeões do mundo de futebol?
    Além da música e, talvez, da matemática, o futebol é uma linguagem universal.
    Hoje no programa ouvimos as falas da bola.
    Da tática mais erudita à paixão cega do adepto mais efervescente.
    Rola a bola… chuta Ronaldo!
    O mundial de futebol começa este mês.
    E Portugal jogará esse mundial, no Qatar.
    Como sempre apuramo-nos com sobressalto, resmungamos contra a tática de Fernando Santos, elogiamos jogadores e preocupado-nos com Cristiano Ronaldo.
    O facto é que os deuses acabaram por ajudar e por isso metade dos portugueses acreditam de fé cega que agora é que vamos ser campeões do mundo e outra metade acha que nem de matraquilhos quanto mais num mundial.
    O futebol é terreno fértil de paixões. E de fortes correntes de comunicação pura.
    Sejam as declarações de jogadores e treinadores, seja a maneira como cada intérprete cria a tática, fala com as bolas nos pés ou contraria as leis da física num golo que juramos impossível.
    É sobre tudo isto a conversa com Luís Mateus, jornalista de desporto que acompanha o fenómeno do futebol há muitos anos.
    Ele decidiu olhar para os 21 mundiais de futebol e sublinhar os momentos mágicos que os jogadores de outro mundo nos ofereceram. E também das táticas e jogos mentais que os treinadores jogam ainda antes da bola rolar na relva.
    Sim, falamos do Cristiano Ronaldo, de Messi, de Mbappé ou Haaland.
    E celebramos Maradona, Pelé ou Cruijff.
    Porque ficamos fascinados pela maneira como estas pessoas trataram uma bola, 11 contra 11, num campo de futebol? Não sei. Mas também eu me confesso apaixonado pelo jogo. Pelas coleções de cromos. Pelos passes de 50 metros, pelo calcanhar do Madjer, pelos golos infinitos do Cristiano e pelo golo do Éder. Que chegou marcou um golo de campeão europeu e foi-se embora. Efémero e belo. Como o futebol.
    O campeonato do mundo está à porta.
    Fernando Santos escolherá os 26 portugueses que nos vão representar e inventar uma forma de jogar e ganhar às outras equipas.
    Veremos bom futebol ou iremos de empate em empate até à vitória final?
    No fundo pouco interessa a tática, a teoria, a dinâmica e outros pensamentos profundos.
    A mim interessa-me a beleza do jogo. Das defesas impossíveis aos golos jamais desenhados.
    Mas também acho divertidos os jogos mentais à José Mourinho e à possibilidade sempre presente de uma equipa mais fraca ganhar à mais poderosa.
    É essa incerteza que a bola é mesmo redonda.
    O livro "O Campeonato do Mundo": A História e as Estórias" é um livro do jornalista Luís Mateus onde o leitor tem acesso a informação detalhada sobre cada um dos 21 Mundiais já realizados, a todos os resultados e marcadores e ao seu enquadramento histórico, e ainda à antevisão do que será o Qatar-2022, o primeiro a realizar-se no inverno. Conhecerá todos os heróis das fases finais, a evolução tática que acompanhou o jogo e as estórias imperdíveis de cada torneio. Luís Mateus é jornalista desde 1996. Coordenador Geral e comentador d' A Bola TV, é ainda atualmente colunista do jornal A Bola. Foi diretor do jornal MaisFutebol e comentador residente do programa televisivo com o mesmo nome na TVI24, além de editor de desporto da TVI e da TVI24. Colaborou com os jornais Expresso e Público, e com o site zerozero, e foi analista desportivo na TSF e na Eleven Sports, com comentários de jogos em direto das principais ligas e outras participações. É autor do espaço de crónicas "Era Capaz de Viver na Bombonera" e um apaixonado pelo lado mais puro do futebol e do desporto.
    53 min
  • Afonso Borges | A ética desapareceu?
    Hoje cruzamos o atlântico para redescobrir o Brasil.
    Para colher a voz de um perguntador: “E aí Brasil, como vai você?”
    O que dizem os intelectuais, os escritores, os músicos.
    O que se percebe do povo em vésperas de eleições.
    Faltam poucos dias para que os brasileiros escolham o seu presidente.
    É já na segunda-feira dia 30 que 156 milhões de eleitores escolhem entre Jair Bolsonaro e Lula da Silva.
    Uma eleição que, segundo as sondagens, parte ao meio o Brasil.
    A comunicação entre candidatos e apoiantes é agressiva.
    E o uso de palavras ofensivas é o pão nosso de cada dia.
    Na televisão. Nos debates. Nas entrevistas. E pior, nas redes sociais, sem curadoria, sem freio nem bom senso. É o quase vale tudo.
    As acusações de mentir, de corrupção, de comportamentos antidemocráticos é moeda de troca em todos os choques entre facções.
    Ainda assim quis tentar perceber o que se passa no Brasil. Para além do óbvio. E da agressividade verbal.
    Recorri a Afonso Borges, brasileiro, jornalista, escritor, gestor cultural.
    Ele cria festivais literários.
    É um recordista de entrevistas a escritores, músicos e intelectuais de todo o mundo.
    O seu “Sempre um Papo” tem 30 anos e mais de 600 programas gravados.
    Falámos de comunicação, de ética e do silêncio.
    39 min
  • Sandra Fernandes | Quando acaba a guerra?
    O medo do nuclear, a derrota de Putin, a propaganda e o jogo dos espiões.
    Um olhar sobre a dinâmica e a comunicação da guerra na Ucrânia. A maneira como as forças em confronto usam a comunicação para influenciar o curso da guerra. Sandra Fernandes é professora de Relações Internacionais e estudiosa da Rússia e saberes na área da guerra híbrida que hoje vivemos.
    O mundo está incerto.
    O discurso público é cada vez mais um sinal dessa incerteza.
    Dessa dúvida. Desse não dito.
    Como se não dizer apagasse os factos.
    O mentir fosse uma nova forma de fingir verdades enganadoras.
    Nesta edição voltamos olhar a guerra.
    A tentar antever para além do fumo e da poeira.
    A poeira real e a percecionada.
    Vamos às perguntas?
    Quando acaba a guerra?
    Como acaba a guerra?
    Quando voltamos a ter paz?
    Como este é um ‘podcast’ de perguntas simples hoje dedico-me a fazer as mais diretas, fáceis e óbvias.
    As respostas podem ser mais complicadas.
    Ficou-me por estes dias uma frase do historiador Timothy Snyder citado por Teresa de Sousa no jornal Público.
    “No princípio, ninguém conseguia imaginar que a guerra entre a Rússia e a Ucrânia poderia começar. E, no entanto, começou. E agora ninguém consegue imaginar como é que vai acabar. E, no entanto, acabará.”Timothy Snyder
    As guerras começam sempre por uma decisão política e terminam exatamente da mesma forma.
    Seja por acordo, seja por rendição.
    A história está repleta de exemplos desta dinâmica.
    Na edição de hoje falámos de comunicação, de propaganda, de verdade e de perceções.
    Tudo misturado.
    Os discursos políticos sobre a guerra vão variando conforme a situação no terreno. O que está a acontecer ou não está a acontecer é sempre objeto de uma cuidadosa e sistemática manipulação comunicacional.
    Seja pela divulgação ou pela ocultação de factos.
    Seja pela inclusão de fórmulas de retórica, ameaça ou diminuição do outro lado.
    Com tanta incerteza floresce a ciência certa da propaganda, das notícias falsas ou claramente tendenciosas.
    Proponho que percam uns minutos a ler a opinião dos jornais ou os comentadores de televisão. Escolham os mais aguerridos. Os mais próximos ou opostos de um determinado facto.
    E ouçam com atenção. Não com vontade de contrariar ou seguir a tese do comentador, ou líder.
    Ouçam com pensamento crítico. Verifiquem os factos lendo peças jornalísticas de jornais de referência.
    E muitos dos factos jurados como reais são afinal tigres de papel usadas para criar perceções nos mais distraídos.
    O discurso do uso potencial de uma arma nuclear, o corte do gás, as narrativas do tipo da guerra fria, com apelos a armar-nos até aos dentes, são bons exemplos do efeito da comunicação interessada e nada neutra na nossa vida.
    Para perceber a esta guerra, o está por de trás dela e como se encontra o caminho da paz, conversei com Sandra Fernandes, professora de Relações Internacionais e estudiosa da Rússia e saberes na área da guerra híbrida que hoje vivemos.
    Numa palavra, o conflito aberto hoje em curso na Europa trouxe uma surpresa diária.
    Como é fácil perceber Sandra Fernandes mantém contactos com colegas cientistas sociais na Rússia e por isso escolhe proteger a sua identidade e até o que muitos podem pensar, mas tem de calar.
    Talvez a coisa principal que se joga hoje na Ucrânia, tal como outrora noutros movimentos militares, é a liberdade.
    A liberdade de autodeterminação. De expressão e ter uma vida em paz.
    Sem liberdade toda a comunicação é mera caixa de ressonância.
    Ou de silencio forçado, ou cúmplice.
    E falar aberta e livremente é vital para o nosso modo de vida.
    33 min
  • Miguel Alves | Como fala um político?
    Hoje jogo em casa.
    Já vos explico porquê.
    Mas tem tudo a ver com Caminha, a minha terra.
    E tudo a ver com comunicação política.
    Uma conversa sobre comunicação, cidadãos e eleitores.
    Ser político profissional exige vários talentos. Além da empatia e de pensar propostas para os eleitores, um político depende da sua capacidade de comunicar.
    Este é um episódio sobre comunicação política. E de como conquistar eleitores.
    Não há candidato que se preze que não tenha passado por uma eleição local.
    São provas difíceis e onde a habilidade do candidato é posta à prova diariamente.
    Numa eleição para uma câmara municipal o candidato a presidente ou deputado está com os seus potenciais eleitores cara a cara.
    E depois de eleito, continua a ter de prestar contas numa base diária.
    Os eleitores estão próximos do poder. E podem em qualquer momento, formal ou informal, interpelar o seu candidato.
    Isto significa que a confiança tem um peso ainda mais relevante do que numa eleição nacional. E todas as decisões têm reação imediata.
    O convidado desta edição foi presidente da minha terra, Caminha, durante dois mandatos e meio.
    É um político da nova geração, um negociador nato com uma caixa de ferramentas de oratória com muitos instrumentos.
    Talvez estes ingredientes tenham sido chave para que o Primeiro-ministro o tenha ido buscar para seu braço direito. Para Secretário de Estado Adjunto do Primeiro-ministro.
    46 min
  • Sérgio Dias | Como fazem os cientistas perguntas?
    O que motiva uma pergunta?
    Ou o que impulsiona uma resposta.
    Um sim, um não, um talvez.
    A maioria das perguntas são automáticas e imediatas.
    Há as perguntas utilitárias:
    "Que horas são?"
    "Onde fica o café central?"2
    Vai chover?"
    E há as perguntas filosóficas:
    "Quem sou eu?"
    "De onde venho?"
    "Para onde vou?"
    No meio destes dois tipos há uma miríade de outras perguntas.
    Das mecânicas e para fazer conversa.
    Das perguntas de seguimento.
    Para manter a conversa ao lume.
    E depois as mais técnicas. Não há líder que se preze que deixe de perguntar 5 vezes porquê.
    E, por que pergunta 5 vezes? Porque leu num livro ou aprendeu num curso instantâneo que assim consegue aprofundar a conversa.
    Até pode ser verdade, mas a premissa ignora que tem de haver do outro lado alguém que queira responder por 5 vezes à mesma fórmula de pergunta sem se aborrecer.
    Para mim as perguntas tem de ter brilho nos olhos.
    Vontade de saber. Porque sim. Porque assim ficamos mais ricos.
    Mais humanos.
    As perguntas são varinhas mágicas, não colheres de pau ou calçadeiras de sapatos apertados.
    Os perguntadores de que mais gosto são os cientistas.
    É verdade que eles depois complicam um bocadinho a coisa.
    Chamam às perguntas hipóteses.
    E às respostas conhecimento.
    Mas o que mais gosto é de que quando são contrariados pelos factos, quando erram no que imaginaram ser certo, voltam a formular mil outras perguntas.
    Não 5 porquês. Mas mil e um.
    É por isso que vos trago hoje um cientista desses. Sérgio Dias.
    Pergunta coisas sobre o cancro.
    E eu quero as respostas dele.
    A ciência faz-se de dúvidas e pequenos passos.
    Como os diálogos.
    E agora também quero saber como as células de um cancro invadem a nossa tubagem sanguínea.
    47 min
  • Alexandra Bento | O que vamos comer?
    Hoje temos um menu completo.Com dieta mediterrânea na mesa. E uma calculadora na mão.
    Os preços dos bens alimentares sobem radicalmente.Os cálculos apontam para uma subida de mais de 12% desde fevereiro.Os combustíveis, a guerra, afinal a inflação empurra o preço da comida para valores difíceis de comportar.Nesta semana soubemos que o leite pode subir mais 10 a 15% e a carne 15 a 30%.Será que é o fim da superabundância consumista em que estivemos mergulhados nos últimos anos?Ou uma pausa no consumo excessivo e frenético de bens e serviços das últimas gerações?Seja como for, os consumidores vão rapidamente adaptar-se. Que remédio. E a economia não tarda a travar às 4 rodas.Depois da inflação virá a recessão?E como ela o disparar do desemprego, a redução do rendimento disponível no bolso das famílias e uma espiral negativa?Não percebo nada de economia, mas estas nuvens negras ameaçam o meu otimismo crónico.O programa de hoje não é sobre isto. Mas também é sobre isto.Alexandra Bento é nutricionista e neste momento Bastonária da ordem.E é uma especialista no campo do consumo e nutrição.O episódio podia chamar-se: "fomos ao supermercado ver as prateleiras da comida."Ouçam e não se esqueçam, mandem uma mensagem no WhatsApp 932 808 117.
    43 min
  • Álvaro Beleza | Portugal tem futuro?
    O mundo está incerto.
    Está complexo.
    Está cansativo.
    Está imprevisível.
    E às vezes insuportável.
    Não sentem isso?
    Ainda se lembram da euforia do Euro 2004? Da Expo-98? Da entrada na União Europeia? Ou do Nobel do Saramago?
    Pode ser impressão minha, mas desde a crise financeira de 2008 que isto não se endireita:
    Portugal faliu.
    Levamos com a troika.
    Apertamos o cinto e suspeito que ele continua dois furos abaixo do nosso respirar.
    Agora guerra, a carestia do gás e da gasolina. O preço da eletricidade a subir em flecha e a inflação brutal a ameaçar os 10%.
    E sem nenhum vislumbre de que algo vá melhorar.
    Por isso precisei com urgência de encontrar um optimista para esta primeira edição da nova série.
    Álvaro Beleza, médico, também político, também ativista social.
    Preside à SEDES e acredita que podemos duplicar a nossa riqueza nacional em 10 anos.
    A promessa deste podcast mantém-se: falar da maneira como entendemos o mundo.
    Do efeito da linguagem para descodificar o nosso mundo.
    E o mundo é complicado. Cada vez mais complexo. Cada vez mais incerto.
    Há por isso dois caminhos para perceber o planeta:
    O primeiro é simplificar tudo. Tentar simplificar tudo. Uma espécie de régua com um sim/não, branco/preto, ligado ou desligado.
    É este o modelo sonhado pelos populistas. Acreditar e fazer acreditar os outros que há sempre uma solução fácil, rápida perfeita para problemas complexos, difíceis e duradouros.
    Normalmente corporizados por um homem ou mulher providencial que vem para nos salvar.
    Prefiro os pragmáticos e incorrigivelmente optimistas.
    Como é o caso de Álvaro Beleza.
    50 min

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