Pergunta Simples

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Pergunta Simples episodes

  • Márcio Barcelos | Como fazer um bom podcast?
    Hoje é dia de falar de conteúdo.
    Pode ser recheio. Pode ser enchimento. Pode ser narrativa. Podem ser boas histórias.
    No fundo, conteúdo é uma expressão da gíria da comunicação que quer dizer o que se diz, faz, pinta, fotografa, relata, escreve ou filma.
    O conteúdo é a mais importante parte de um qualquer programa ou evento.
    Gosto de lhe chamar “carninha para o assador”.
    Tenho um amigo que se refere às longas horas em que é preciso inventar, literalmente, conteúdo para ocupar tempos de televisão ou rádio com a expressão “há que alimentar o cavalo”. Entenda-se falar, falar, falar. Ocupar espaço em antena.
    No fundo, conteúdo é a base. E esse conteúdo tem depois uma forma.
    Escrevemos um livro ou fazemos um programa de televisão?
    Fazemos uma foto ou pintamos um quadro?
    Este programa pode parecer um episódio sobre ‘podcasts’.
    Mas é, de facto, uma conversa sobre como criar e alimentar a comunidade com bons conteúdos. Neste caso, conteúdos para serem ouvidos.
    Por exemplo, os ‘podcasts’ são uma forma nova de fazer rádio?
    Ou uma maneira de juntar pessoas que se interessam pelo mesmo tema de conversa?
    Estas duas perguntas navegam na conversa que mantive com Márcio Barcelos.
    Ele desenvolveu durante os últimos cinco anos um Festival chamado Podes.
    A sua vertente mais conhecida culmina na atribuição de prémios aos melhores ‘podcasts’ portugueses.
    São 15 categorias para os 15 melhores ‘podcasts’ portugueses, por votação de um júri independente e numa das categorias, pelo público.
    Por exemplo, o prémio do melhor ‘podcast’ do ano foi atribuído ao 45 graus de José Maria Pimentel.
    O tema dos ‘podcasts’ é um pretexto para falarmos de criação de conteúdos, de discussão pública e do sentido de comunidade.
    Nesta edição passamos pelos melhores entre os melhores mas também por programas com menos qualidade. Ou qualidade de som, ou, pior ainda, falta de bom conteúdo.
    Por isso e desde já arrumamos esses programas sem bom som nem boa palavra.
    Sobrando a pergunta: como se faz um bom programa? Um bom ‘podcast’.
    Os bons programas ficam sempre na memória.
    Porque são bons. Porque nos disseram algo que nos marcou.
    Porque quando estivemos a partilhar um bom conteúdo sentimos-nos especiais.
    É que para conseguir oferecer essa sensação alguém pensou entregou algo bom para o nosso ouvido. Para o nosso cérebro. Para o nosso coração.
    Festival Podes - Melhores podcasts 2023
    Podcast do Ano: 45 Graus
    Narrativa: Noite sangrenta
    Ciência, tecnologia e educação: 110 Histórias | 110 ObjetosNarrativa: Noite SangrentaEntrevista: Humor à Primeira vistaLifestyle: Cartão de Embarque:o podcast de todos os destinosRádio: Fala com ElaJogos e Passatempos: SupermegabitHumor: Duas Pessoas a conversarDesporto: MatraquilhosPolítica, Economia e Informação: 45 GrausCinema e Televisão: In VitroQuestões Sociais: O Ar é de TodosArte e Cultura: PBXPrémio Vozes: Um Género de ConversaPrémio do Público: IncompletaMente
    51 min
  • Eduardo Costa | Quanto vale a saúde?
    Estou entre a matemática das coisas e a frase “é a economia, estúpido”.
    Estas coisas dos números sempre me fascinaram. Talvez um pouco menos do que as palavras.
    É que é mais difícil encontrar poemas numa folha de cálculo.
    Quero partilhar convosco a minha difícil relação com a matemática. Com aquela matemática das letras misturadas com números, de equações nublosas e resultados incompreensíveis.
    Fascinam-me estes desenhos de contas. De representação de uma realidade que não compreendo.
    Mas deixem-me por um momento contar a pequena história da minha relação com a matemática.
    Junta escola, e saúde.
    Eu era um bom aluno a matemática. Adorava aquilo. Fazia questão em resolver problemas em contra-relógio e tudo na matemática me fascinava.
    No fundo, dominava o código. Sabia daquilo.
    E de súbito o meu pequeno apêndice, uma espécie de pequena tripa aqui em baixo na barriga, do lado direito, decidiu inflamar.
    A mais clássica, típica e popular apendicite.
    O resto da história é o da viagem para o hospital de Viana do Castelo, uma bateria de análises e palpações, uma roda de médicos e um cirurgião a anunciar que eu ia direto e de imediato para a tábua cirúrgica onde as suas mãos munidas de um bisturi me iam salvar a pele.
    E assim fui. Contrariado e assustado.
    Talvez este momento tenha contribuído fortemente para a minha hipocondria. E, por isso, dediquei-me, mais tarde, ao estudo da política e da comunicação em saúde.
    Mas isso interessa pouco.
    Volto aos meus 12 anos, salvo pelo SNS e internado por uma semana no hospital. E depois mais uns dias sem escola, para recuperar, vestido com uma faixa tipo toureiro para me salvar de alguma hérnia.
    Esses 15 dias e uma perda de capacidade de me concentrar durante um par de meses foram fatais para a minha relação com a disciplina da matemática.
    Passei a ser, quase, o pior aluno do planeta.
    E a matemática uma ciência oculta para mim.
    Pelo menos a grande matemática. Das equações, modelos e engenharias financeiras várias.
    Esta pequena história cruza educação com saúde.
    Na educação, quando um aluno perde o pé, tem mais dificuldade ou simplesmente tira más notas, ganha uma etiqueta invisível de “não vale a pena investir nele”. Um bom aluno, pelo contrário, merece sempre mais apoio, estímulo e caminho.
    E já repararam como estes dois sistemas se comportam de forma completamente inversa na sua relação com os utilizadores:
    A educação investe mais nos bons alunos e menos nos piores.
    Na saúde a regra é a contrária: quanto pior está o doente, mais o SNS investe para o salvar.
    E quando custa esta solidariedade?
    Esta filosofia de lutar por todos e cada um? De investir na vida, na saúde, na batalha contra o fim.
    Uma balança emocional e técnica, de medicina e cuidados especializados, mas também de custos e benefícios.
    Para o cidadão e para a sociedade.
    É sobre isto este programa.
    Com Eduardo Costa cumpro a minha missão de tentar descodificar o orçamento da saúde.
    Quando gastamos, em que gastamos e para que gastamos.
    Só há uma certeza: quem paga a conta somos nós.
    Eduardo Costa é economista e professor na Nova SBE e um especialista em economia da saúde.
    Portanto, domina a explosiva arte que junta saúde com dinheiro. Uma conversa sem preço, mas de valor.
    58 min
  • Joana Azevedo | Como falar ao ouvido?
    Nesta edição mergulhamos de cabeça na rádio em direto.
    Na mágica mistura da empatia, fluidez de discurso e criação permanente de uma relação entre quem fala e quem escuta.
    A fala da rádio é vertiginosa, inspiradora e entra-nos no ouvido.
    Mas aquilo que parece uma fala informal, com traços de quase improviso, esconde uma cuidada preparação e anos de experiência.
    Mas isso não chega.
    É preciso ter uma avassaladora paixão pela rádio e pela comunicação ante de dominar as regras do ofício.
    Nesta edição converso com Joana Azevedo uma das mais populares radialistas portuguesas. Podemos segui-la, diariamente, ao fim da tarde, na mais ouvida estação de rádio nacional: a rádio comercial.
    O que é surpreendente durante toda esta conversa é a mistura que a Joana Azevedo empresta ao seu olhar sobre a comunicação.
    A ideia do que se pode dizer ou deve evitar-se. Da relação que se cria com a audiência ou da maneira absolutamente desarmante como confessa que os erros são uma matéria-prima da fala pública.
    A viagem passa pelos podcasts, pela química no ar com Diogo Beja e com a mais contagiante gargalhada que ouvirão aqui.
    Ter a felicidade do trabalho ser uma paixão uma grande vantagem na vida.
    Falar com os outros não é um mero cumular de palavras organizadas em frases.
    Falar com os outros é uma forma de relação.
    Em cada palavra seguem emoções, sentimentos, ideias e oportunidades de continuar a conversa.
    Na dúvida, riam-se.
    Uma boa gargalhada é como uma janela aberta.
    Entra ar fresco, luz e abre-nos o mundo.
    45 min
  • Paulo Pena | Verdade ou consequência?
    Como vai a vossa verdade?A minha vai bem, obrigado.A edição de hoje resume o conceito de verdades diferentes.É estranho, não é?Verdades diferentes. Factos diferentes.Sem prova nem demonstração.São assim porque alguém os declara como existentes.Podia ser uma rábula, mas é um sintoma dos dias de hoje.E expressa-se na comunicação global.Preparem-se assim para defender verdades mil.Afinal, a verdade é um conceito elástico no mundo moderno.
    Navegamos por entre muita informação, talvez demasiada informação, e uma aparente transparência que esconde muitas coisas.Estamos na era da informação e da desinformação.As duas coisas em simultâneo.Até agora os factos eram os factos, as opiniões eram as opiniões.Agora vivemos uma espécie de distopia informativa.A cada novo virar de página da realidade aparece alguém a reclamar que tem a sua verdade. Não a sua opinião ou perspetiva. Reclama a sua verdade. Que pode diferir da verdade dos outros.A verdade tornou-se assim um conceito fluído. Uma pós-verdade onde se misturam factos, perceções, intuições e convicções.É o terreno fértil para toda a cultura da desinformação. Das “fake-news” as falsas notícias. Numa contradição extrema rotulando de falso o que é, por definição, verdadeiro. Ou pelo menos honesto.Esta conversa é sobre estes fenómenos mas também sobre um antídoto chamado bom jornalismo. Sobre a importância de ter uma opinião pública mais bem informada e consciente. Com menos dogmas. Com menos viés. Com menos crendice cega e mais cidadania.Paulo Pena é cofundador de um projeto de jornalismo de investigação internacional. Junta jornalistas europeus de 11 países. Para melhor entender e explicar este nosso mundo.
    Do mais verdadeiro ao mais lunático.
    54 min
  • Inês Meneses | Há uma arte de escutar?
    Viva 2023! Chegou o Ano Novo.
    E merece ser celebrado.
    Quem inventou esta coisa da passagem de ano, da renovação do ciclo das coisas, foi um génio.
    Já imaginaram: alguém inventou um calendário, com um dia final de ano e outro, imediatamente a seguir, a que chamou primeiro dia do ano novo.
    Como este simples passo de magia, tudo parece mudar.
    Desejamos coisas para o novo ano. Juramos mudar comportamentos. Acreditamos que agora é que vai ser.
    E isso funciona. Pelo menos na nossa cabeça.
    É um sintoma muito parecido com o que me acontece quando ouço a voz de Inês Meneses. Não é só o timbre, nem as palavras alinhadas e esteticamente polidas.
    É o resto. É uma espécie de pirilampo de energia existencial.
    E exerce esse magnetismo escutando pessoas.
    Que feitiço tem Inês?
    Pede para que falem com ela e desconfio que muitos dos seus entrevistados se descobrem no meio das conversas.
    A arte de escutar tem muitas regras escritas e outras tantas informais ou implícitas.
    Desde logo estar calado para ouvir.
    Mas imediatamente indagar para participar na troca que ideias.
    O bom perguntador, neste caso a boa perguntadora, tem uma arte e uma regra rígida. A arte é movida pelo combustível da curiosidade insaciável. É isso que a faz querer saber tudo do outro. A regra postula que o importante na conversa que conduz são os entrevistados.
    Ouvir é assim um ato de curiosidade humilde.
    Só assim as conversas são um serviço aos outros. E cumprem-se sendo significativas.
    Autora do programa “Fala com Ela”, agora em forma de livro, contraponto de Júlio Machado Vaz no “O amor é”, da nossa psicanálise coletiva.
    Mas hoje é a Inês que fala comigo. E conversa é uma série de ‘matrioskas’, com dezenas de camadas.
    Cintilante é uma forma perfeita de descrever esta conversa.
    A arte da escuta implica empatia para compreender e aceitar o outro.
    Mas também exige que ofereçamos aos outros o nosso sentido da vida.
    No fundo, uma conversa é uma espécie de fusão das páginas dos diários de duas ou mais almas.
    E por isso tem de ser cintilante. Tem de ser significativo. Ter de ser humano.
    Há que cultivar essa generosidade porque ela é multiplicadora.
    Falei com ela e ouvi tudo.
    Está inaugurado o ano novo.
    Bom ano de 2023
    50 min
  • Pedro Lourenço | Vale a pena reclamar?
    Quero reclamar.
    Quero reclamar contra o ano 2022
    Quero reclamar contra a guerra.
    Quero reclamar contra a inflação.
    Que dizem ser de 9%, mas a comida encareceu bastante mais.
    Quero reclamar contra a subida dos juros.
    Contra o aumento da prestação da casa.
    Quero reclamar contra a apatia geral.
    Contra a fúria binária dos utilizadores raivosos das redes sociais.
    Contra os populismos interesseiros.
    Quero reclamar contra a corrupção.
    Esta reclamação parece populista.
    Retiro esta reclamação
    Mas continuo a ter razão.
    Há tantas reclamações para fazer que só me apetece reclamar contra mim mesmo.
    Reclamar porque não reclamo o suficiente.
    Porque reclamo da boca para fora, mas menos com a caneta no papel.
    Porque os livros de reclamação são tantas vezes não lidos por funcionários robôs que escrevem respostas-tipo.
    Apesar de tudo, os portugueses tem reclamado mais.
    E as marcas começaram a levar a sério a opinião dos seus clientes. Coisa que não acontecia há poucos anos. E até os reguladores formais parecem ter acordado.
    Hoje os consumidores mergulham em portais de opiniões e reclamações mesmo antes de fazer a sua compra.
    É uma nova forma do exercício da cidadania. Fazer valer a sua voz.
    De uma forma rápida e digital.
    O convidado desta edição é Pedro Lourenço que em 2009 criou o Portal da Queixa.
    E hoje há mais de 2 milhões de consumidores por mês que lá passam, principalmente para procurar informação sobre produtos ou serviços que querem comprar.
    Portanto, as 15 mil reclamações que lá são escritas por mês servem de base informativa para as decisões de futuros clientes.
    E as melhores marcas das 10 mil citadas no portal passaram a levar a sério a voz dos clientes e as suas dores.
    Porque afinal reclamar é um instinto natural.
    Todos temos histórias com os nossos "bolycaos" particulares.
    Normalmente o que mais nos irrita nestes episódios nem é tanto o facto de algo ter corrido mal.
    Mas a sensação de que não nos ligaram nenhuma quando ensaiamos o nosso protesto.
    Ou que os mecanismos de reparação são frágeis.
    E isso faz com que nos sintamos todos frágeis.
    Ou pior, que fiquemos com a sensação de que somos uma espécie de objetos, chamados consumidores, e que logo que a venda fique fechada já não interessamos para nada.
    É o sintoma do mundo transacional. Do mundo antigo.
    E eu como consumidor, cidadão, pessoa ou reclamante quero mais do que isso.
    Quero ter uma relação. Que tem de gerar vantagens mútuas e não exclusivamente de compra e venda.
    Qualquer bom vendedor sabe disso.
    Os consumidores descobrem pouco a pouco que podem mudar o mundo.
    Simplesmente falando.
    46 min
  • Nuno Rosário Fernandes | Deus existe?
    Esta é uma conversa sobre Deus.
    E sobre a condição humana.
    Tempo para falar do acto de ouvir.
    De escutar o outro.
    Para acolher. Para entender. E, principalmente, não julgar.
    Em semana do Natal é tempo de falar de Deus.
    De vocação. De gratidão. De amor.
    Na importância do silêncio.
    E de perguntar “para quê?” ao invés do “porquê?”
    Esta é a conversa entre dois amigos, que começaram juntos a sua carreira de jornalista, na rádio pública há mais de 30 anos.
    Um crente. Que descobriu a sua vocação e o mistério da fé.
    E outro, eu, um discreto agnóstico, com mais dúvidas que certezas.
    Ambos somos apaixonados pela comunicação e por escutar os outros.
    E tendo a concordar que o único Deus que existe é aquele que se expressa no amor.
    Um bom tema nesta semana do natal.
    Com o padre e jornalista Nuno Rosário Fernandes
    Os natais são sempre lugares de cheiros.
    Quem não se lembra do cheiro da cozinha nos dias de natal.
    Do frenesim das panelas a bufar vapor.
    Da ansiedade pela hora que nunca mais chegava para abrir as prendas.
    Dos abraços e beijos de toda a família.
    Do sentido de comunhão.
    Do estar em família.
    O natal será sempre um momento de restauro da humanidade.
    Feliz Natal!
    45 min
  • Luís Cristóvão | Futebol, Portugal, Ronaldo e mais 10?
    Portugal perdeu.
    Ainda não desta que somos campeões do mundo de futebol.
    Habituámo-nos mal com o europeu de 2016.
    Pior ainda, perdemos com Marrocos a jogar precisamente da mesma maneira como jogávamos nessa conquista. Fechados atrás, oportunistas na frente.
    Nesta edição viajamos no fascinante mundo da comunicação à volta do mais popular desporto do mundo.
    O futebol desperta paixões. As palavras têm sempre um peso emocional demasiado grande. E até sobre os factos cada claque tem verdades diferentes.
    Eu disse verdades diferentes?
    Pois, é um facto. Se concordaram, claro.
    E neste mundo pós-moderno aparentemente os factos e a verdade podem ser variados, podem ser alternativos, podem ser até contraditórios.
    Portanto, uma vitória da narrativa, por mais lunática que ela seja, sobre a realidade.
    No futebol poucos estudamos ou sequer vemos jogos suficientes para aprender. Mas todos nos sentimos aptos para sermos o próximo selecionador nacional.
    E com alguma sorte, ou falta de noção, ainda acreditamos que sabemos tudo sobre todos os assuntos, vendo uns resumos, uns vídeos e uns artigos de opinião.
    Os fragmentos da realidade ou da pós-verdade, repetidos 'ad-nauseum', muitos deles plantados nas redes sociais, limitam a nossa capacidade de pensar.
    E o futebol é um excelente laboratório da vida em geral.
    Esta conversa com Luís Cristóvão não é sobre futebol.
    É sobre todas as coisas. Expectativas, falas, birras, heróis e vilões.
    O futebol é um pretexto.
    Uma forma de emular a vida.
    Os nossos sonhos, o nosso esforço, a alegria das vitórias, a dor das derrotas.
    O mais fascinante neste desporto é que os heróis são sempre brilhantes e vulneráveis.
    Como todos nós.
    E na sua linguagem própria, de bola nos pés, falam-nos à alma.
    Também com palavras, abraços e lágrimas.
    São os intérpretes dos nossos desejos e fracassos.
    Falam connosco quase sem palavras.
    E como se viu neste mundial, às vezes as palavras atrapalham mais do que dominar uma bola sobre a relva.
    1 hr 6 min
  • Regina Duarte | Como encontrar um bom livro para ler?
    Ai que prazerNão cumprir um dever,Ter um livro para lerE não o fazer!Fernando Pessoa
    Assim cantava Fernando Pessoa no poema “Liberdade.
    Logo ele que tantos livros escreveu e muitos mais leu.
    Uma ironia. Uma vibrante contradição. Uma provocação. Um exercício de questionamento e prazer como são todos os poemas. Como são todos os livros.
    Os livros oferecem uma comunicação em diferido, mas presente. O Escritor escreve. Escreveu lá atrás, algures no tempo. Mas a leitura é reescrita. Cada um de nós reescreve o livro no tempo presente.
    Os livros são mágicos. Os grandes livros provocam orgasmos mentais.
    Pelo menos.
    Todos os grandes livros abrem portas a universos que nunca imaginamos. São portas que nunca mais se fecham. E os salões do nosso baile mental são cada vez maiores, com mais gente, com mais personagens, com mais histórias, com mais vida.
    De tudo isto vem o desassossego, a angústia, as perguntas, o espelho perante a condição humana, as lágrimas e as epifanias.
    Quando se lê um grande livro é como se o universo se expandisse. Não como descrito nas ideias de Einstein, mas como desenhado na nossa cabeça pelos poetas maiores.
    A fechar, uma nota pessoal. Este é um episódio onde quero agradecer-vos. Não só porque ouvem o programa. Porque subscreveram. Porque são parte da comunidade que quer comunicar melhor.
    Mas porque o Spotify, sim, o Spotify, o gigante distribuidor de música e ‘podcasts’ acaba de me informar que o Pergunta Simples está no restrito grupo dos 10% mais partilhados pelos ouvintes, no mundo.
    O que me enche, mais do que de orgulho, de gratidão.
    Este reconhecimento é vosso, ouvintes que partilharam o programa. Obrigado.
    50 min
  • Correia de Campos | O que guarda a gaveta das reformas da saúde?
    Quão difícil é fazer reformas na saúde em Portugal?
    Será possível que algum ministro ou ministra sobreviva politicamente mais do que os dois anos e pico da praxe na pasta da saúde? Com um par de exceções conhecidas.
    A área da saúde é das mais visíveis, importantes e sensíveis da nossa vida coletiva.
    Todos vamos tolerando os atrasos nos tribunais, a má adaptação da escola à vida real ou a tirania das finanças na nossa vida, mas quando o assunto toca a saúde a música é diferente.
    Recorremos habitualmente à saúde em situação de vulnerabilidade. Quando estamos doentes. Quando estamos feridos. Quando corremos risco de vida.
    E nestas circunstâncias — nossas ou de familiares e amigos próximos — a nossa tolerância e paciência são mínimas.
    Reformar um sistema aberto 24 horas por dia, 365 dias por ano, distribuído pelo país, que custa 15 mil milhões de euros, pagos pelos contribuintes, fora os extras de cada cidadão, os seguros e a ADSE, é difícil.
    Poderia dizer, quase impossível.
    Esta conversa de hoje tem como pretexto um livro que Correia de Campos escreve.
    Ele tem o bom hábito de escrever livros a prestar contas, a explicar contextos e a abrir pistas para o futuro.
    O livro tem o título provocador de : “A gaveta de reformas”.
    Numa interpretação livre podemos ler aqui que as gavetas podem guardar muitas reformas. Reformas metidas na gaveta. Ou reformas tiradas da gaveta.
    Cada um que decida.
    A mim sempre me fascinaram os estrategas, decisores, administradores e servidores da causa pública da saúde.
    Deixo uma reflexão muito pessoal. Estas pessoas passam anos a pensar e desenhar soluções para resolver os problemas dos cidadãos. Em particular dos doentes.
    E depois preparam-se para tomar decisões. O melhor, entre várias opções. O menos mal. O melhor custo-benefício e outras tantas árvores de decisão.
    Portanto, estudam muito e sabem decidir. O melhor que podem e sabem.
    Mas no terceiro pé são menos competentes: na comunicação.
    Não, não falo de técnica ou sequer de transparência.
    Estou a falar sobre não incluir os cidadãos, a audiência e as suas expectativas no processo de comunicação. E antes disso, no processo de estudo e decisão.
    Sim, todos sabemos que a economia conta muito. Os recursos limitados. As necessidades infinitas.
    Mas um bom sistema de integração do cidadão no processo de decisão, numa medição das suas expectativas e num envolvimento na comunicação dariam uma grande ajuda.
    EstaEstá dado o meu contributo para a gaveta dos comunicados das reformas da saúde.
    Vamos ler o livro?
    Entretanto, vale anotar:
    Os ganhos em saúde são notáveis e crescentes.
    Mas muita coisa há que fazer.
    E a expectativa dos cidadãos é elevada.
    Será que os estudos sociológicos e psicológicos do sentimento da população não poderiam começar a ser parte do processo de decisão?
    E as ferramentas de audição dos utentes?
    Até podíamos ir mais longe: convidar cidadãos a ocupar lugares executivos ou consultivos nos centros de decisão.
    Assim as decisões seriam mais nossas.
    1 hr 7 min

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