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Reportagem episodes

  • 50 anos da independência da Guiné-Bissau: a luta de câmara em punho
    A Guiné-Bissau comemora no próximo dia 24 de Setembro os 50 anos da sua independência. Neste quadro, a RFI propõe desde esta segunda-feira e até domingo uma série de reportagens e entrevistas alusivas à História do país e em particular ao período da luta de libertação. Hoje, no oitavo episódio desta série, debruçamo-nos sobre a importância da comunicação, através do cinema documentário.
    20 min
  • Cabo Verde: São Vicente diversifica oferta hoteleira

    A ilha de São Vicente, no barlavento cabo-verdiano, tem registado forte aposta no aumento da oferta hoteleira. A reportagem da RFI esteve a apurar as novas receitas do sector turístico.

    A oferta turística do mercado da ilha São Vicente é dividida em quatro eixos: natural, gastronómico, histórico-cultural e património imaterial (festividades).

    O centro histórico do Mindelo, as diferentes arquitecturas que se encontram espalhadas pela cidade, os festivais de música e de teatro, o artesanato, a arte, as feiras entre outras manifestações que fazem parte da temática cultural são alguns dos atractivos que motivam a deslocação do turista à ilha de São Vicente.

    E isto para além dos recursos naturais como: a  Baía do Porto Grande, considerada uma das baías mais lindas do mundo  e faz parte do exclusivo clube das 27 baías mais lindas do mundo; o Monte Cara, que faz lembrar o perfil de um rosto humano a olhar para céu e que integra o conjunto das Sete Maravilhas de Cabo Verde; o Monte Verde, ponto mais alto da ilha, um miradouro natural, que constitui também uma área protegida albergando algumas espécies endémicas, sendo um local para a prática do trekking e de outras actividades de lazer na natureza, bem como as inúmeras praias, cada uma diferente da outra.

    Aliado aos atractivos de São Vicente, nos últimos anos houve um forte investimento em construção de estabelecimentos hoteleiros, em que de 2018 ao primeiro semestre deste ano entraram em funcionamento sete  estabelecimentos hoteleiros e oito estão em construção. 

    A Cabo Verde Trade Invest, que gere o balcão único do investidor onde os projectos são tramitados, destaca o impacto que os hotéis vão ter na ilha de São Vicente. A RFI falou com José Almada Dias, Presidente do Conselho de Administração da Cabo Verde TradeInvest.

    Neste momento, no centro histórico da cidade do Mindelo, há vários hotéis boutique. A poucos passos da praia da Laginha, encontra-se em funcionamento desde Setembro do ano passado, o Luna Boutique Hotel Morna Concept. A sócia-gerente, Elisa Oliveira explica que a ideia de construir o estabelecimento hoteleiro surgiu primeiro da falta de camas em São Vicente.

    Há nove meses em funcionamento está o Santa Cruz Boutique Hotel, no centro comercial de Mindelo, que durante o dia tem muito movimento por causa do comércio, mas à noite é um dos locais mais tranquilos da ilha de São Vicente. 

    O Santa Cruz Boutique Hotel é um investimento privado que transformou o antigo edifício comercial da Casa Serradas numa unidade hoteleira.

    A responsável pelo projecto é a arquitecta Analisa Santos, que é também sócia-administradora do Santa Cruz Boutique Hotel, que avança as razões de apostar no mercado turístico emergente de São Vicente.

    O maior hotel de capital 100% cabo-verdiano, com 130 quartos foi construído na cidade do Mindelo, na Avenida de Marginal em frente à Baía do Porto Grande, uma das baías mais lindas do mundo.

    Uma aposta do Ouril Hotels, que no dia 30 de Agosto inaugurou o quinto e o maior hotel do grupo –Ouril Hotel Mindelo. Um grupo hoteleiro com mais de 30 anos de experiência nas ilhas do Sal e da Boa Vista e que agora chega a São Vicente. Carina Mendes, administradora do Ouril hotels, disse que a construção do hotel na cidade do Mindelo é a materialização de um sonho concretizado com o desafio lançado pelo governo de Cabo Verde.

    Na avenida marginal do Mindelo estão em construção mais três hotéis, dois são investimentos de cabo-verdianos e um de um grupo internacional.

    Aliado ao forte investimento privado em estabelecimentos hoteleiros, o Ministério do Turismo e Transportes, através do Instituto do Turismo de Cabo Verde (ITCV), desafiou o sector do turismo a desenvolver experiências turísticas locais em São Vicente como mais atrativos para a ilha. E vários membros da Associação dos Guias de Turismo de São Vicente desenvolveram experiências turísticas como o Mindelo By Night e o snorkeling/ mergulho na enseada de corais na praia da laginha, como explica o presidente da Associação dos Guias de Turismo de São Vicente, Rúben Moreira.

    De acordo com o Inventário Anual de Estabelecimentos Hoteleiros, feito pelo Instituto Nacional de Estatística, em 2022, a ilha de São Vicente tinha em funcionamento 47 estabelecimentos de alojamento turístico.

    12 min
  • Portugal: Ilha da Madeira e desafios das alterações climáticas

    O clima ameno da Madeira é um dos argumentos tradicionais para fazer a sua divulgação como destino turístico no mundo.

    No entanto o território situado no Atlântico Norte, ao largo das costas de Marrocos, tem vindo a padecer nos últimos anos de vagas de calor, com registo de recordes de temperatura até há pouco invulgares.
     

    Victor Prior é o delegado local do Instituto português do mar e da atmosfera. No final de Junho, em plena vaga de calor na Madeira, com registo de temperaturas na ordem dos 39 graus centígrados, um recorde, ele dava-nos conta da evolução térmica e do estado do tempo nos últimos anos no território.

    2020 foi o ano mais quente de sempre na Madeira com 20,8° [centígrados] e em 2021 baixou para 20,6. Portanto nos últimos anos podemos dizer que há recordes em tudo ! Naquilo que se refere à precipitação, no que se refere às temperaturas máximas, temperaturas médias ! Mesmo a temperatura da água do mar este ano em Março, Abril, Maio os valores da temperatura média registados no Funchal, portanto, na Pontinha, foram os maiores valores de sempre ! Portanto é este o panorama, é esta a situação em que vivemos. E, com certeza, temos que, no fundo, lutar e adaptarmo-nos a este tipo de situações, que são bastante críticas para a Madeira.

    Interrogado quanto a se tratar de efeitos das alterações climáticas este responsável conformou esse cenário.

    Tudo isto é resultado das alterações climáticas presentes, e que estamos a viver. E com uma velocidade cada vez maior ! Episódios que, aparentemente, se previa ocorrerem daqui por umas décadas estão a acontecer agora.

    Têm havido crises cíclicas de incêndios a consumirem parte da área arborizada. Confrontado com tal situação sobre se a floresta tem, também, que ser vigiada de perto Victor Prior refere:

    Em termos de meteorologia acompanhamos todas as situações: episódios de precipitação forte, de agitação marítima forte, de vento forte e temperatura... vagas de calor, como aquela que está agora a ocorrer aqui, na Madeira [em Junho de 2023]. Em 2016 tivemos valores de temperatura máxima, no Funchal, da ordem dos 38°. Num dos dias a temperatura mínima do ar foi de 29°. E 29° é um valor abrasador ! E eu recordo-me dessa noite ! O recorde anterior era 25°, portanto foi um recorde que foi ultrapassado em 4° ! Portanto embora a temperatura máxima tenha sido semelhante àquela que já tinha sido registada em 1976 a temperatura mínima foi muito mais alta ! É evidente que, nessa situação, ocorreram incêndios devastadores na Madeira, e em especial nas zonas altas da Madeira. Mas já tinha acontecido, também, em 2013 incêndios gigantescos ! Todas as autoridades regionais: Serviço regional de protecção civil, governo, em geral, portanto... todas as entidades estão atentas a esta situação e, como é lógico, fazem o máximo para que os impactos sejam o menos possível. Nestes dias muito quentes, hoje [26 de Junho de 2023] já foram registados 30° aqui, no Funchal. Todas as autoridades estão, portanto, em alerta e a vigiar a floresta na Madeira.

    A Madeira tem também vindo a sofrer de uma publicidade menos abonatória para a sua imagem de destino turístico. 

    No caso a velocidade do vento que obriga ao cancelamento com relativa frequência dos voos no seu aeroporto.

    Em que medida é que a intensificação deste fenómeno se ficaria a dever também às alterações climáticas ?

    Eis as respostas de Victor Prior.

    Estudos que foram feitos recentemente, principalmente pela Faculdade de ciências da Universidade de Lisboa referem que são situações cíclicas que ocorrem na Madeira. Depois de 2014 ou 2015, se não estou em erro, registou-se em termos médios um aumento da intensidade do vento em toda a parte desde o [Pico do] Areeiro até ao Caniçal [a leste], incluindo o Aeroporto. No ano passado estas situações não foram tão frequentes e, este ano, recomeçam outra vez, com alguma frequência. Quando o vento é de Norte ou de Nordeste, acima de determinados limites, há situações (nem todas) que geram alguma turbulência. Mas são situações que devem ser estudadas, devem ser postas com alguma urgência na mesa dos decisores para resolver esta situação que começa a ser incomportável. 

    Estas situações de condicionalismos, nomeadamente no funcionamento do Aeroporto da Madeira, não deixam de ter impacto económico.

    António Jardim Fernandes é responsável pelo turismo no seio da ACIF, Associação comercial e industrial do Funchal / Câmara de comércio e indústria da Madeira.

    Ele tem defendido, mesmo, que o aeroporto da ilha vizinha do Porto Santo venha a ser utilizado, em caso de inoperacionalidade do da Madeira, com uma consequente linha marítima rápida entre as duas ilhas. O vice-presidente da direcção da ACIF admite que a situação actual acarreta riscos para a actividade turística.

    Nós consideramos que é, se calhar, um dos factores de risco relativamente à indústria do turismo porque acaba por acrescer custos, quer aos operadores, às companhias aéreas. Sempre que há inoperacionalidade acarreta sempre uma série de custos. Isto tem a ver até com o Anticiclone dos Açores que está-se a deslocar um pouco mais a Sul. E nos últimos 100 anos tem-se notado um aumento da intensidade e da sua dimensão e que provoca, com mais intensidade, ventos e calor. E, portanto, a tendência é aumentar esse fenómeno. Portanto deveríamo-nos preparar para isso. Nós, obviamente, pautamo-nos pela segurança no Aeroporto. Defendemos, o que já está a ser feito, portanto, a aquisição de equipamentos modernos, para a leitura em tempo real de toda a informação para que os pilotos possam tomar as melhores decisões possíveis, e com segurança. O que sabemos, hoje em dia, é que a Madeira é o único aeroporto do mundo onde os limites [da velocidade do vento] não são recomendáveis, mas são obrigatórios. Portanto fecha mesmo, não podem [fazer-se à pista] ! Em qualquer outro aeroporto do mundo é uma decisão do comandante. Até porque não é só a variável vento ! Há uma série de variáveis e o comandante tem que estar consciente dessas variáveis todas ! Mas aqui temos esta obrigatoriedade que está desde que o aeroporto foi construído em 1964. Nós temos, por um lado, esta obrigatoriedade. Por outro lado os limites que foram [fixados] na altura, em 1964, com uma pista significativamente menor, com tecnologia de [19]64 e não de hoje em dia. Mas, obviamente, o que defendemos é ter agora equipamentos modernos que permitam aos pilotos actuarem com segurança. E, nesse sentido, pode ser que permita, ou deixar a obrigatoriedade, ou que seja revisto. Mas aí têm que ser estudos muito bem feitos, cientificamente muito bem fundamentados. Tendo esta informação com estes aparelhos modernos possam, depois, inclusive reavaliar esses limites, ou pelo menos revisitar: se fazem sentido, se devem ser reajustados. Se não essa é também outra linha que poderia aliviar. Só para ter a informação bastavam 5 milhas por hora porque já 80% dos casos de inoperacionalidade desapareciam da Madeira. Não haveria essa condicionante. 

    As alterações climáticos e seu impacto quanto às vagas de calor na Madeira ou aos ventos fortes na zona do aeroporto, nomeadamente... pois num arquipélago celebrizado também pela exuberância da sua vegetação.

     

    O geógrafo Raimundo Quintal é uma figura emblemática da preservação ambiental.

    Ele está por detrás do Campo de Educação Ambiental Eva e Américo Durão do Santo da Serra que aposta na luta contra espécies invasoras e pelo regresso à flora da Laurissivila, a floresta de loureiros endémica.

    Ele elucida-nos sobre o impacto que as alterações climáticas estão a ter ao nível das espécies da flora local.

    Nós vamos constatando e registando alterações nos períodos de floração, de frutificação. O caso mais notável é o do Vaccinium padifolium, a Uveira da Serra: um arbusto endémico que produz frutos fantásticos, riquíssimos em vitamina A ! E que são excelentes para produzir compota. Nós inclusivamente produzimos compota e é uma das fontes de receita da associação. Mas estamos a constatar isto. Estamos a constatar que outras espécies que floririam lá para Setembro começam a florir, estou-me a lembrar do tangeirão bravo. Ele já está a desenvolver [em Junho de 2023] as inflorescências. Em Julho vai estar florido, estamos atentos a essa situação.

    A Madeira às voltas com condicionantes meteorológicas, sejam elas as vagas de calor e os ventos fortes... estes últimos obrigando ao cancelamento de muitos voos de e para a ilha enquanto as vagas de calor têm beliscado, de certa forma, a imagem do território, tido até recentemente como particularmente ameno. Esta é uma reportagem efectuada neste verão europeu na Pérola do Atlântico.

    10 min
  • Portugal: Aeroporto da Madeira e o quebra-cabeças do vento

    A Madeira, região autónoma portuguesa, embora não muito afastada das costas de Marrocos não tem ligações marítimas regulares com nenhum porto, seja ele nacional ou internacional fora do arquipélago.

    Daí ser imprescindível viajar de avião pelo que o aeroporto é uma passagem obrigatória para ligar o território ao mundo. Um aeroporto cujos condicionalismos são um quebra-cabeças para as autoridades.
     

    Aterrrar na Madeira é, para muitos, uma experiência que fica por muito tempo na memória. Devido aos ventos que, regularmente, se fazem sentir sobre a pista, tendo esta sido conquistada em parte ao mar.

    Este é mesmo o único aeroporto do mundo onde a velocidade dos ventos fica limitada a 15 nós... obrigando a muitas interrupções do tráfego aéreo e a grandes constrangimentos para operadores e passageiros. 

    Victor Prior dirige o gabinete local do Instituto português do mar e da atmosfera. No final de Junho ele descrevia-nos o cenário observado no Aeroporto da Madeira, com alguns dias de grandes condicionamentos e, mesmo, de encerramento da aerogare, quando noutras zonas da ilha o vento quase nem se fazia sentir.

    O vento médio no aeroporto era 40 quilómetros por hora e no Funchal era 4 quilómetros por hora. Temos aqui algumas montanhas, mas bem mais baixas do que o [Pico do] Areeiro que, no fundo, protege parte da costa Sul, principalmente o Funchal. É uma zona que está desabrigada, não tem praticamente nada a proteger destes ventos de Norte ou Nordeste.

    O aeroporto tem 59 anos e já foi ampliado por duas vezes, a pista mede actualmente quase 2 800 metros de comprimento.

    Os cancelamentos de voos obrigam regularmente a reagendamentos e a custos para companhias aéreas e ou passageiros, com registo de muitos prejuízos económicos e de atrasos para passageiros e agentes económicos.

    Carla Berenguer é jurista na delegação local da DECO, Associação de defesa do consumidor.

    Ela admite que nem sempre é óbvio para os utentes fazer valer os seus direitos, em caso de cancelamento do respectivo voo.

    Quando há um cancelamento de uma viagem que seja por um facto imputável à transportadora, o consumidor tem direito a uma indemnização que vai entre o valor de 250 euros a 600 euros. No entanto, quando a companhia conseguir comprovar que o tal cancelamento da viagem deu-se relativamente a causas naturais, por exemplo ventos fortes, [a companhia] não tem de proceder com uma indemnização. No entanto, os consumidores têm outros direitos, nomeadamente a assistência, ou reembolso da viagem ou reencaminhamento para outro voo. Mas estes últimos três direitos têm que ser sempre assegurados.

     

    A ACIF, Associação comercial e industrial do Funchal / Câmara de comércio e indústria da Madeira preconiza que esta situação seja resolvida com base na utilização a prazo do aeroporto da ilha vizinha do Porto Santo, com ligação, em seguida, num barco rápido até à Madeira.

    António Fernandes é responsável pelo turismo no seio desta estrutura.

    Não são muitos dias por ano, mas já é significativo os custos que isto acarreta. Isto leva a competitividade porque acabam por aumentar os preços para cobrir esse risco e esse custo. Há também o custo reputacional, que é um custo grande quando acontece e acaba por afectar a região. Nós aqui na ACIF defendemos, pelo menos a meio-prazo, que deveríamos caminhar para uma solução de infraestruturas aeroportuárias na Madeira e Porto Santo. Devíamos não só melhorar as capacidades dos dois aeroportos como ter uma interligação muito forte através de transporte marítimo ou de um ferry rápido entre as duas [ilhas]. Isto, para podermos contar com o crescimento que haverá ao longo dos anos como também, o Porto Santo poder servir de contingência e de aeroporto de saída e de entrada no arquipélago para não ficarmos isolados. O que se sabe com as alterações climáticas é que a tendência é aumentar o número de dias de inoperacionalidade.  

    Miguel Albuquerque, presidente do governo regional, apela a que um comité de peritos se debruce sobre a questão, lembrando que o aeroporto actual não tem muito a ver com o que tinha sido inaugurado em 1964.

    Ninguém toma decisões políticas num assunto com a complexidade técnica da questão dos ventos do aeroporto. Não é isso que está em questão ! O que está em questão é o seguinte: nós temos que tomar uma decisão política, no sentido de criar... desse corpo técnico chegar a um estudo exaustivo sobre as novas condições que estão criadas. No sentido de tecnicamente,  e com toda a segurança, tirar novas conclusões. A Região [autónoma da Madeira] investiu 550 milhões de euros no novo aeoporto. O novo aeroporto tem o dobro da pista que existia anteriormente. O novo aeroporto está posicionado numa situação completamente diferente da do aeroporto antigo ! E estes cálculos técnicos de segurança de aproximação [à pista em função da velocidade do vento] têm de ser feitos não em função daquilo que existia em 1964, mas naquilo que existe hoje.

    De acordo com um comité técnico 80% dos voos que não podem aterrar na Madeira dizem respeito a dias em que a velocidade do vento está situada em apenas 3 nós acima do limite.

    A partir de Maio de 2024 será implementado todo um equipamento visando avaliar a situação no local ao longo de um ano.

    Uma decisão sobre a alteração dos limites de vento no Aeroporto só deverá ser anunciada, porém, em 2026.

    Enquanto isso uma viagem à Madeira ou a partir da ilha pode ser sinónimo de voos cancelados devido à velocidade do vento.

    As aterragens na pista à beira-mar geram, frequentemente, alguma ansiedade junto dos passageiros devido à turbulência... precisamento no momento em que o avião se prepara para pousar na pista do Aeroporto que, desde 2017, tem o nome da lenda local e mundial do futebol: Cristiano Ronaldo.

    8 min
  • Lisboa reúne o Mundo no Festival TODOS

    Há quinze anos que o festival TODOS acontece ininterruptamente em Lisboa. São 15 edições dedicadas a uma "caminhada de culturas", a viajar pelo Mundo sem sair da capital portuguesa.

    O evento parte da ideia central de avançar de uma multiculturalidade, de uma cidade de guetos, em direcção à interculturalidade, estimulando a descoberta e a convivialidade.
     

    O Festival TODOS propõe-se inquietar e, até 10 de Setembro, apresentar diferentes eventos e iniciativas em vários espaços da Freguesia de Santa Clara .

    Com um programa repleto de momentos imperdíveis, o TODOS junta intervenientes de Portugal, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Moçambique, Angola, Brasil, Colômbia, Congo, Síria, Turquia, Itália ou França, para mencionar apenas alguns.

    Os eventos podem ser, por exemplo, de música, teatro, gastronomia, fotografia, performance ou dança, mas também podem ganhar a forma de uma conversa sobre desafios climáticos ou uma oficina de construção de instrumentos a partir do lixo.

     

    O festival promovido entre a Academia de Produtores Culturais e a Câmara Municipal de Lisboa é um convite ao convívio entre culturas.

    Para nos ajudar a descobrir o festival que derruba barreiras, a RFI falou com o director do festival TODOS, Miguel Abreu.

    12 min
  • Moçambique: "Não se pode desprezar a paz"

    João Mário chegou à cidade de Quelimane em 1972 para estudar. Na altura, com apenas 12 anos, a cidade de Quelimane "era bem mais pequena", conta-nos. Entre 1980 e 1984 foi "soldado do governo", um combatente na guerra civil cuja "responsabilidade foi de se manter vivo para defender o país". 

    O funcionário no departamento de finanças no Conselho Municipal de Quelimane, João Mário, conta-nos que durante o regime colonial "a cidade Quelimane era pequena e com pouco movimento. Havia poucos negros, a maioria eram brancos, portugueses. Havia a questão de colonizador e do colonizado e sentíamos essa diferença. Em 1972, tinha uns 12 anos, fazia parte de uma família de assimilados".

    Durante mais de quinze anos, no período da guerra civil, não havia quase alimentos em Moçambique. "Toda a guerra é difícil, não há guerra fácil. Durante a guerra, tudo era árduo... Acordávamos a pensar 'estou vivo'. E manter-se vivo fazia com que pudéssemos defender a pátria. Foi uma guerra de discórdia. Fui soldado do governo, tratando-se de uma guerra civil todos somos família", acrescenta.

    Hoje o país não está completamente em paz, com um conflito armado no norte de Moçambique, em Cabo Delgado. "É pena haver terrorismo em Cabo Delgado porque o distrito estava a desenvolver-se e as guerras destroem infra-estruturas, tecido sociais e obrigam as pessoas a deslocar-se", concluiu.

    Um conflito armado que teve início em 2017, na província de Cabo Delgado, no norte do país. Numa luta é travada entre as forças governamentais apoiadas por forças regionais da SADC e do Ruanda e uma milícia islâmica, que reivindica lealdade ao auto-proclamado Estado Islâmico. A região de Cabo Delgado é rica em recursos naturais, incluindo gás natural e pedras preciosas, a falta de investimento nesta região por parte do governo resultou em pobreza e exclusão social.

    Quelimane, a nova “cidade das bicicletas” 

    Na província da Zambézia, os carros e autocarros foram substituídos por bicicletas, que são hoje o meio de transporte mais popular. Quelimane conta com cerca de 10 mil ciclo-taxistas e tornou-se a “cidade das bicicletas”, como nos explica o presidente da associação dos taxistas e motociclos da Zambézia, António Bernardinho.

    Em Quelimane, a quarta maior cidade de Moçambique, o sub desenvolvimento urbano e o desemprego forçam os jovens a procurar empregos alternativos. 

    11 min
  • Cacau deu a conhecer São Tomé e Príncipe ao mundo

    Água Izé foi a primeira roça de São Tomé e Príncipe, detentora de um grande património histórico e cultural. Um local escolhido em 1822 pelo precursor da cultura do cacau em S. Tomé e Príncipe, o “Barão de Água Izé”, João Maria de Sousa e Almeida. Uma cultura que deu a conhecer São Tomé e Príncipe ao mundo desde o século XIX até aos nossos dias.

    A Roça água Izé é a mais antiga roça de cacau na ilha de São Tomé e Príncipe. Perto da Roça Agua-Izé encontramos a Boca de Inferno, uma extensão de terra e rochas encravadas no mar. Conta a história que, quando o icónico Barão de Água Izé queria ir a Portugal, lançava-se com o seu cavalo branco pela Boca do Inferno, em São Tomé, e saía na Boca do Inferno, em Portugal. "É um ponto turístico em São Tomé que tem uma história fantástica. O Barão de Água Izé era o dono da roça e quando ele ia Portugal ele só viajava de cavalo. Ele entrava na boca do inferno e saia em Portugal. Ele foi o primeiro homem a trazer o cacau para São Tomé", conta Maldini Vaz, que vive na roça Água Izé.

    Água Izé foi a primeira roça de São Tomé e Príncipe, detentora de um grande património histórico e cultural. Um local escolhido em 1822 pelo precursor da cultura do cacau em S. Tomé e Príncipe, o Barão de Água Izé, João Maria de Sousa e Almeida. Uma cultura que deu a conhecer São Tomé e Príncipe ao mundo desde o século XIX até hoje. "Cacau e café é o nosso ouro aqui em São Tomé. O cacau veio do Brasil. O Barão de Água Izé vivia no Brasil, ele era jovem. Os brasileiros lutaram pela liberdade, correram com os portugueses. Eles queriam plantar cacau em Portugal, mas decidiram fazê-lo aqui", conta.

    Com cais próprio para exportação do cacau e café, e para abastecimento, com a própria Igreja que ainda existe, dois hospitais, hoje a roça Água Izé está em ruínas. Hoje vivem cerca de 2.000 pessoas na roça Agua Izé que vivem da agricultura, da criação de gado, da pesca e do turismo.

    11 min

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