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By RFI Brasil
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  • Feito à mão, desejado no mundo: conheça o artesanato por trás do luxo francês

    "Você sabe o que faz os produtos de luxo franceses serem admirados e reconhecidos no mundo inteiro?" Em parte, é porque essa indústria se apoia na originalidade e em um forte trabalho artesanal. Essa fonte inesgotável de criatividade e expertise tornou-se um símbolo de sofisticação e elegância atemporal. Porém, há uma escassez de mão de obra no setor, e as empresas tentam atrair novos interessados. Um evento que vai até domingo (5), no Grand Palais, em Paris, permite ao público conhecer essa verdadeira arte, transmitida de geração em geração.

    Maria Paula Carvalho, da RFI em Paris.

    Em um mundo globalizado, onde a produção em massa ganha cada vez mais espaço, o artesanato continua sendo um pilar essencial da indústria do luxo na França. Aqui, os artesãos que dominam técnicas tradicionais são os guardiões de uma herança em que cada gesto é executado com paixão, em busca da perfeição.

    É o que explica Fabien Lauch, que trocou o antigo emprego em comunicação para esculpir cristais: "É preciso ser delicado, minucioso, paciente, mas o resultado final é magnífico. E cada vez que vemos o resultado, nós dizemos: é realmente uma profissão bonita."

    Ele utiliza uma lixa especial para fazer os diferentes motivos que decoram os copos da marca St-Louis, que tem 430 anos de história.

    Fabien conheceu a profissão por intermédio de um amigo e decidiu seguir a carreira: "Desde pequeno eu sou bastante manual. Então, eu fiz uma reconversão. Antes eu era agente de comunicação e quis fazer alguma coisa com as minhas mãos."

    Magalie Yin ensina os pontos de costura usados na marca de sapatos J.M. Weston, fundada em 1891. Para confeccionar um modelo da marca, são necessárias 180 etapas. "Eu adoro trabalhar com as mãos, tocar a textura do couro, fabricar coisas", ela diz em entrevista à RFI. "O que me deixa orgulhosa é ver o resultado final do trabalho."

    A famosa porcelana de Limoges toma forma nos moldes manuseados por Antoine Bouby, artesão da empresa Bernardaud, fundada em 1863.

    "E agora nós tiramos do molde e aí está. Temos uma flor, você pode ver que o gesso absorveu toda a água da porcelana, o que faz com que possamos manipulá-la", mostra à reportagem. "Nos trabalhos manuais como este, é preciso ter paixão. É algo que só se faz com o coração."

    Depois, a peça vai ao forno e é pintada. "Isso que estamos mostrando é uma ínfima ideia de tudo o que podemos fazer com porcelana", diz ele, que não sente que está trabalhando, mas sim desfrutando do que faz. "Quando trabalhamos um longo tempo num projeto — dois meses, seis meses, até um ano ou dois — e vemos a peça sair do forno, é uma sensação incrível."

    Antoine conta que o trabalho de artesão chegou a ser "denegrido" há 20 ou 30 anos, como algo destinado a quem não tinha formação acadêmica. Hoje, a situação é outra: "No fim do dia, nós fizemos alguma coisa, é concreto", ele diz. "Há gente que fez grandes estudos e agora retorna aos ateliês."

    Um mercado que precisa recrutar

    Seja na criação de louças, roupas ou acessórios, o trabalho manual está presente em tudo. No mercado do luxo, os profissionais usam as mãos para criar peças únicas e sob medida. Bordadeiras, chapeleiras... todos trazem um toque de elegância artesanal a cada criação.

    Essas tradições são cuidadosamente preservadas para garantir a qualidade excepcional dos produtos acabados.

    Ao todo, 32 empresas exibem seus ateliês no Grand Palais, em Paris, assim como 18 escolas de excelência da França nas áreas de Moda, Artesanato e Design.

    Sob a cúpula de vidro deste monumento do fim do século XIX, centenas de artesãos demonstram sua destreza diante dos olhos atentos do público.

    "O evento Les Deux Mains du Luxe é destinado a provocar a vocação nos jovens e adultos em reconversão, porque faltam 20 mil artesãos na França para os próximos cinco anos", explica Bénédicte Epinay, diretora do Comitê Colbert.

    "É importante dizer que estas profissões não são exercidas por falta de opção, mas por escolha", completa a executiva do grupo que reúne 98 marcas de luxo e organiza o evento. "O artesanato de arte é a coluna vertebral da indústria do luxo que o mundo inteiro deseja."

    Bénédicte Epinay explica que a média de idade dos artesãos atualmente é de 55 anos. Mas ela alerta: para assumir um posto numa empresa de luxo, são necessários de cinco a dez anos de formação. "O artesanato de arte é a coluna vertebral da indústria do luxo que o mundo inteiro quer. Sem o artesanato, não há indústria do luxo. Então é preciso preservar essas profissões."

    "A maioria das Maisons do Comitê Colbert nasceu no começo do século XIX. Já passaram por crises econômicas, guerras e novas invenções. É nossa responsabilidade hoje transmitir novamente essas técnicas aos jovens que chegam ao mercado de trabalho."

    A RFI conversou com Lou Stepnewisky, estudante, sobre o interesse dos jovens nesse tipo de profissão. "Infelizmente, eu não acho que o artesanato interesse muito aos jovens hoje em dia", diz. "É muito legal ver eventos como este, em que podemos ver como eles trabalham e visitar tantos ateliês."

    Patrimônio francês

    Apurar uma fragrância ou fazer um simples laço no frasco de um perfume clássico exige técnica, como explica Didy Duchesme, artesã da perfumaria Guerlain. Ela mostra os detalhes da embalagem do centenário Shalimar: "Queremos mostrar aos jovens que estes trabalhos existem, que podemos lhes transmitir e tentamos passar o gosto e o interesse de exercer essas profissões que fazem parte do patrimônio francês."

    Antes, ela trabalhava na hotelaria, mas também decidiu fazer uma reconversão profissional e, oito anos depois, não se arrepende: "Eu aprendi um bom trabalho que me dá muito prazer e eu tento ser fiel aos meus clientes."

    As casas de luxo estão divididas em sete áreas temáticas: Louças, Couro, Decoração, Gastronomia e Hospitalidade, Joias e Relógios, Moda, Perfumes e Cosméticos.

    "Na Hermès, a maior parte das técnicas é feita à mão", explica Alice, que trabalhava com couro para confeccionar bolsas famosas diante dos olhos curiosos do público. "Não é difícil, nós temos as boas ferramentas e a formação completa, mas tem que amar esse trabalho com couro."

    Em parceria com o jornal Le Monde, o evento também oferece uma série de conferências que enriquecem a experiência da visitação com depoimentos, master classes e debates sobre design, o futuro das profissões de luxo, formação e trajetórias de carreira.

    Ao preservar essa herança artesanal, a moda francesa continua a inspirar e surpreender o mundo.

    6 min
  • Fotografia brasileira é destaque em festival francês que explora o tema 'Habitar'

    A fotografia brasileira é um dos principais destaques da 22ª edição do festival de fotografia Photaumnales, que reúne mais de 50 exposições em Beauvais e na região de Hauts-de-France, ao norte de Paris. O tema “Habitar” convida à reflexão sobre a complexidade da moradia, transcendendo o simples ato de residir para abordar questões como sentido, memória e vínculo com um lugar.

    Patrícia Moribe, enviada especial ao festival Photaumnales

    Em plena temporada França-Brasil 2025, o diálogo com o Brasil é privilegiado no festival Photaumnales, com várias exposições de artistas brasileiros — ou franceses, como o renomado Lucien Clergue, que documentou a nova capital Brasília no início da década de 1960.

    As imagens do nascimento da capital dividem espaço no Parc du Châtellier, em Clermont-de-l'Oise, com as fachadas coloridas de casas térreas registradas por Anna Mariani (1935–2022), que construiu um rico acervo de arquitetura popular de todo o Brasil, reunido na série “Pinturas e Platibandas”. O trabalho de Mariani ganhou projeção internacional após ser exposto na Bienal de São Paulo de 1987. Sua filha, Denise Moreau, veio apresentar a obra da mãe ao público francês. “Acho importante essa redescoberta. É um trabalho muito relevante, que tem mais de 40 anos”, explica.

    Ainda no mesmo espaço verde, Mateus Gomes expõe “Escombros”, que aborda os impactos da exploração de minério de ferro e petróleo em Campos dos Goytacazes, no norte do Rio de Janeiro. “É um trabalho em que retorno com esses agricultores e seus familiares aos lugares onde moravam e de onde foram desapropriados por meio de uma lei válida, mas aplicada de forma equivocada.” Para o artista, era importante dar visibilidade ao descaso do poder público.

    “Na época, Sérgio Cabral, então governador do estado do Rio de Janeiro, e Eike Batista, dono do porto, chegaram a ser presos e admitiram que houve corrupção.” Mateus Gomes usou as fotografias como apoio ao seu trabalho de conclusão de curso em Direito. “Existe uma interdisciplinaridade entre a fotografia e várias áreas do conhecimento, como psicologia, sociologia, geografia e direito”, explica, enfatizando a “importância da pesquisa nas ciências sociais para desenvolver um trabalho artístico relevante”.

    Japão, Brasil, Bolívia, França

    Com uma abordagem distinta, Tatewaki Nio apresenta seu projeto “Neo-Andina” em Beauvais, focalizando a arquitetura de El Alto, na Bolívia, especialmente os edifícios conhecidos como "cholets". Nio explicou que sua intenção, ao documentar essas casas de eventos, majoritariamente construídas pelos Aimaras, é ir além da estética. “Meu interesse não é focar apenas no exotismo, mas trazer o aspecto econômico, fotografar as casas decoradas no meio dessas construções de tijolos vermelhos ao redor.”

    Nio nasceu no Japão, mas se considera um “fotógrafo brasileiro”, pois foi no Brasil — onde vive há quase 27 anos — que passou a exercer a fotografia de forma profissional. Seu projeto “Neo-Andina” recebeu o conceituado prêmio de fotografia do Museu do Quai Branly, em Paris, em 2016. Uma imagem da série foi escolhida para ilustrar a edição deste ano do Photaumnales, em cartazes e panfletos.

    A fotógrafa catarinense Andrea Eichenberger também participa das Photaumnales com duas exposições: “Translitorânea”, em Erquery, e “Pequena Enciclopédia Sociopolítica Ilustrada do Brasil Contemporâneo”, em Noyon.

    O festival tem direção artística de Fred Boucher, curadoria associada de Emmanuelle Halkin e colaboração da associação Iandé, dedicada ao apoio à fotografia brasileira na Europa.

    7 min
  • França-Brasil 2025: Feira de Arte Urbana e Contemporânea homenageia galerias e artistas brasileiros

    A primeira edição da Feira Internacional de Arte Urbana e Contemporânea Spera é realizada no espaço Beffroi de Montrouge, ao sul de Paris, até este domingo (5). Dentro da Temporada França-Brasil 2025, a cena artística brasileira é homenageada no evento, que acolhe célebres galerias e representantes do street art nacional.

    Daniella Franco, da RFI em Paris

    No total, 40 galerias e mais de 100 artistas vindos do mundo inteiro se encontram neste espaço de mais 1.000 m2 de exposição, entre eles as galerias Alma de Rua e A7MA, além de nomes como Tinho, Enivo, Andre Mogle, Rafael Sliks, Fefe Talavera, célebres representantes da arte urbana nacional.

    A ideia de criar o evento nasceu há cerca de três anos, quando um dos idealizadores da Spera, Gary Laporte, fundador da agência Naga Creativo, pensou em uma feira que fosse além do objetivo da aquisição de obras. "Eu tinha esta sensação de ser um objeto numa caixa. Então, eu queria criar algo novo, que quebrasse o código das feiras tradicionais, onde os participantes não estão lá só para vender mas também para viver uma experiência coletiva", diz.

    Uma das galerias representantes do Brasil na Spera é a Alma da Rua, do curador e colecionador Tito Bertolucci, que trouxe obras de sete artistas brasileiros. Para ele, este tipo de evento ajuda a internacionalizar a arte urbana do país. "Há uma expectativa muito grande de podermos nos comparar com grandes artistas da street art já renomados. A gente quer se igualar a eles e chegar nesse topo internacional", afirma.

    Entre os brasileiros representados pela galeria Alma de Rua na Spera está o grafiteiro paulistano Pardal é um dos artistas representados pela galeria Alma de Rua, que não esconde seu entusiasmo com a participação no evento. "O sentimento é de muita gratidão. É a primeira vez que eu venho para cá e eu sinto essa importância da amizade entre o Brasil e a França através da arte", destaca. "Cada vez mais a gente tem que se unir, abrir oportunidade para outros artistas, expandir esses conhecimentos e espalhar o amor, que é o mais importante", reitera.

    Conexão entre a França e o Brasil

    Vários artistas brasileiros escolheram trazer para a Spera obras que abordem aspectos da cultura nacional mas que possam se conectar com o público francês. É o caso de Enivo, cofundador da galeria A7MA, que comercializa na feira peças que façam uma ponte entre São Paulo e Paris.

    "Eu trouxe minha produção atual, que é uma produção mais lúdica, ligada à cidade, ao afrofuturismo, à cultura periférica, a visões de futuras civilizações, que é algo que surgiu na pandemia. Apresento aqui algumas obras que têm cenas de São Paulo, como a praça Roosevelt e a praça da República, e que lembram também um pouco do cenário parisiense", diz.

    Fefe Talavera, outra representante do Brasil no evento, diz acreditar que, apesar das diferenças entre a arte de rua do Brasil e da França, o público francês absorve facilmente as obras dos artistas nacionais. "Acho que toda a arte vai se conectar, independentemente de ser de lá ou daqui", avalia. "Eu gosto que as pessoas aqui não veem apenas o lado exótico do Brasil, mas elas gostam de entender sobre o que trata o nosso trabalho, de conhecer a história por trás dele, e eu acho isso muito interessante", comemora.  

    Colaboração celebra amizade

    Para celebrar os laços Brasil-França a primeira edição da Spera também apresenta uma mostra realizada em colaboração entre dois famosos artistas: o francês Seth e Tinho, pioneiro do grafite brasileiro. As obras que compõem a exposição foram criadas especialmente para o evento e celebram também a amizade deste dois gigantes da arte urbana.

    "Eu conheci o Seth no Brasil, há um bom tempo atrás. Desde lá a gente já começou a se conectar. A gente pintou muito junto lá. Depois que ele voltou para a França, a gente ainda se encontrou em vários outros projetos na China, na Tunísia, em outros lugares", conta. "Sempre foi uma alegria encontrar com ele, a gente sempre teve uma boa amizade. Acho que essa conexão de tanto tempo, de tanta amizade, facilitou bastante para a gente conseguir fazer um trabalho em colaboração", diz. 

    12 min
  • Aumento da demanda por apoio psicológico entre migrantes gera novas frentes em saúde mental

    A busca por serviços de saúde mental e apoio psicossocial tem crescido de forma significativa, nos últimos anos, entre brasileiros migrantes no exterior e refugiados que vivem no Brasil. O aumento reflete os múltiplos fatores de vulnerabilidade que afetam essas populações — desde os traumas e pressões anteriores à migração até os desafios enfrentados após o deslocamento.

    Luiza Ramos, da RFI, em Paris

    Somente no Instagram, tags como #terapiaonline e #terapiaonlineinternacional acumulam juntas quase 6 milhões de menções. Perfis de profissionais brasileiros de saúde mental nas redes sociais com atendimento voltado especificamente para pessoas migrantes e terapia intercultural também são encontrados com cada vez mais frequência, demonstrando uma demanda real crescente.

    O grupo de apoio emocional HarmoniosaMente nasceu em 2023, sem o foco em migrantes. No entanto, a produtora cultural carioca Kenya Maeda, idealizadora do grupo, notou que cerca de 70% a 80% das pessoas interessadas no apoio eram de brasileiros no exterior e explica sua percepção sobre este fluxo e as dificuldades enfrentadas por aqueles que decidem mudar de país.

    “Eu acho que a grande questão da imigração são todos os fatores de pressão que você adiciona sobre a jornada. Primeiro, você tem que se desligar da família e da sua rede de apoio, dos seus amigos, que são às vezes amigos de infância, mesmo que seja o seu maior desejo morar no exterior ou viver uma experiência nova”, enumera.

    Ela aponta ainda os fatores práticos: “há todas as questões legais da imigração, os custos e decisões grandes como se você vende ou não o patrimônio que você tem no seu país de origem. Nem sempre você consegue recomeçar na sua área de trabalho. Muitas vezes você começa numa área completamente diferente, geralmente uma área inferior”.

    Kenya lembra ainda pontos como adaptação à nova cultura, novas pessoas e às vezes uma língua diferente. Para ela, há uma pressão muito grande sobre o imigrante, “sem falar nas questões muitas vezes de racismo, de isolamento social, que essa pessoa pode sentir eu chegar em um novo país”.

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    Grupos de apoio surgem como uma resposta à demanda crescente

    Kenya Maeda, que atua ao lado da psicóloga Jaqueline Costa e da médica Anna Paloma Ribeiro, defende a criação de grupos de apoio com base em sua vivência pessoal como imigrante no Japão e, atualmente, em Portugal. Ela acredita que partilhar experiências migratórias em um ambiente de pessoas que vivem situações parecidas é mais adequado do que se abrir com um profissional que às vezes não tem as mesmas percepções.

    “Eu tive uma percepção clara de que, mesmo conversando com profissionais da área da saúde, muitas vezes o profissional te trata apenas como um número ou como um diagnóstico. Não te acolhe, não te ajuda a se situar. Um grupo de apoio funciona de forma diferente de uma terapia em grupo. Nós levamos um tema — uma dor que seja comum à maioria das pessoas do grupo — e cada um faz sua partilha, fala das suas questões, das suas dificuldades ou dos seus acertos”, explica Kenya Maeda.

    Rima Awada Zahra, psicóloga especialista em migração do Conselho Federal de Psicologia, aprova a criação de grupos de apoio emocional nesse campo, desde que haja a mediação de pelo menos um profissional de saúde mental.

    Especialização para psicólogos 

    Rima também é membro do Psimigra, coletivo com cerca de 300 profissionais, criado em 2019 para atender à alta procura por atendimento psicológico por brasileiros emigrantes — o que desencadeou na abertura da primeira especialização na área há três anos, evidenciando uma necessidade atual de letramento dos profissionais. 

    “A partir do Psimigra nasce a primeira especialização em psicologia e migração do Brasil. A gente percebia esse vácuo, essa lacuna de formação para os nossos profissionais da psicologia”, afirma Rima Awada Zahra, que é coordenadora do curso online pela PUC Minas.

    O Psimigra é um núcleo de psicólogos que trabalham com brasileiros no exterior que possuem uma demanda intercultural. Mas não só isso, segundo a psicóloga também há psicólogos que trabalham diretamente na linha de frente com refugiados, em situações mais críticas, inclusive genocídio.

    “Temos os profissionais que já atendem, estudantes, profissionais que fazem parte do Médicos Sem Fronteiras, Cruz Vermelha, profissionais que estão dentro e fora do Brasil, mas que falam o português”, diz. 

    Estrangeiros no Brasil também buscam apoio 

    Além disso, Rima Awada, que nasceu no Líbano, também contou à RFI sobre uma demanda inversa: o aumento de imigrantes árabes no Brasil devido aos requerimentos de asilo decorrentes dos conflitos no Oriente Médio. Ela conta que esse fluxo fez surgir outro núcleo a partir do Psimigra, o Sout Vozes em Movimento, para atender refugiados no Brasil.

    “A gente está reunindo psicólogos e psiquiatras voluntários que consigam falar ou árabe, ou inglês. Esse grupo surgiu e em menos de dois meses pipocou de gente. A gente está em um país, com uma grande comunidade libanesa, árabe. A gente foi 'caçando' essas pessoas e nasceu esse coletivo lindo”, destaca.

    Segundo os especialistas, migrantes e refugiados enfrentam taxas mais elevadas de transtornos mentais, como depressão, ansiedade e estresse pós-traumático, em comparação com a população geral. As demandas cada vez mais altas, que vêm levando a criação de grupos, núcleos profissionais e especialização, demonstram que o cuidado com a saúde mental é essencial para garantir a dignidade, a inclusão e o bem-estar também dos migrantes.

    6 min
  • Paris: Fórum do Amanhã promove diálogo entre especialistas brasileiros e franceses para futuro sustentável

    Durante dois dias, especialistas brasileiros e franceses se reúnem no Fórum do Amanhã Paris 2025, aberto nesta segunda-feira (29), no Hôtel de l'Industrie, no centro da capital francesa. O evento discute temas como biodiversidade, mudanças climáticas, saúde, povos indígenas e movimentos sociais. A troca de experiências visa ampliar a cooperação entre os dois países, por meio de conferências, apresentações de pesquisas, livros, exposições, filmes e shows. 

    Maria Paula Carvalho, da RFI em Paris

    Os convidados são profissionais que celebram a relação de mais de duzentos anos entre o Brasil e a França, como explica Sophie Tzitzichvili, fundadora da Associação "Os Aprendizes da Esperança" e diretora artística do Fórum do Amanhã Paris. 

    "Nós somos estrangeiros, e o estrangeiro vai ser sempre visto como um colonizador. Não há a menor dúvida. Porém, é uma questão de consciência, de respeito e de postura: de se colocar à disposição das populações, e não o contrário." 

     

    O impacto social de empresas francesas no Brasil e a cooperação bilateral em ensino superior estiveram entre os temas de destaque. Uma das mesas-redondas tratou da formação de jovens pesquisadores. 

    Doutor em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Everton Viera Barbosa é pesquisador na Universidade Sorbonne Paris-Nord. "Eu vim falar sobre um projeto do qual faço parte, chamado 'Arquétipo Transatlântico', submetido no ano passado por uma equipe brasileira e francesa de pesquisadores e historiadores de diversas universidades, no quadro de um projeto do CAPES-COFECUB", explica em entrevista à RFI. 

    "É um projeto que começou este ano e que trata das relações entre intelectuais brasileiros e franceses em relação à História, dentro da Escola dos Annales e de Frankfurt. Então, há uma relação entre França, Brasil e Alemanha, no período que vai de 1945, após a Segunda Guerra Mundial, até 1968, quando ocorreram as manifestações estudantis de maio na França e, no Brasil, o AI-5, durante a Ditadura Militar", diz. 

    Estatisticamente, há mais estudantes brasileiros em universidades francesas do que o contrário. No período 2023-2024, eram 5.527 brasileiros no ensino superior na França, contra 238 franceses em instituições de educação brasileiras. 

    Em 2020, a França foi o sétimo país mais procurado por estudantes brasileiros. No topo da lista estão Argentina, Portugal e Estados Unidos. 

    Entre as dificuldades para o intercâmbio acadêmico estão o financiamento, os custos de logística e mobilidade, os vistos e as diferenças linguísticas. 

    Os temas mais abordados por pesquisadores brasileiros na França são biodiversidade, mudanças climáticas, gestão de recursos naturais, agricultura e saúde. 

    Serge Borg, ex-adido de cooperação linguística e educativa da Francofonia no Brasil e professor da Universidade Marie e Louis Pasteur, de Besançon, destaca que França e Brasil  têm uma parceria sólida e duradoura.  "É uma cooperação ampla, rica, sustentada pelas Secretarias de Educação de cada estado. Temos vários programas de promoção, bolsas acadêmicas e, por enquanto, a francofonia no Brasil está em ótima posição, apesar da concorrência com o espanhol e o inglês", diz. 

    "Não podemos esquecer que o país com o qual a França tem a maior fronteira é o Brasil, com a Amazônia. Então, há problemáticas conjuntas dos dois lados da fronteira, e esta é uma parceria durável", acrescenta Serge Borg. 

    .Outro painel foi dedicado às parcerias em inovação tecnológica e fitoterapia. O encontro explorou o potencial da medicina brasileira, nascida do encontro entre povos indígenas, europeus e africanos, integrando plantas medicinais, rituais e experiência cotidiana. 

    Entre as empresas participantes está o laboratório francês Apis Flora, que produz própolis em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, desde 2017, tornando-se o principal produtor desse produto originário de abelhas no Brasil. O grupo que atua em quase 40 países, tem um faturamento anual de R$ 120 milhões no Brasil, onde a empresa cresceu 160% nos últimos três anos. 

    "O Brasil, hoje em dia, é uma filial e um país muito importante, que nos permite ter um abastecimento de matéria-prima e plantas que são especialidades do grupo", disse Stéphane Lehning, presidente do laboratório Apis Flora, em entrevista à RFI.

    A empresa Meu Amour Brasil produz peças com uso do Capim Dourado, que nasce no Jalapão. "É um artesanato que preserva a natureza e que é um tesouro do Brasil, que tem que ser conhecido pelo mundo", diz a fundadora da empresa, Isabela Cardoso. 

    As discussões ao longo desses dois dias resultarão em um documento destacando os principais temas e desafios para o futuro, que poderá ser compartilhado com órgãos públicos e privados. O encontro ganha mais relevância às vésperas da COP 30 no Brasil. 

    Um desfile de moda e um concerto de choro encerram a programação do Fórum do Amanhã Paris 2025. 

    7 min
  • Pesquisadores gaúchos fazem performance artística em Paris para lembrar tragédia das enchentes no RS

    Mais de um ano depois das enchentes históricas que assolaram o Rio Grande do Sul, algumas marcas e traumas da catástrofe continuam presentes. Para refletir e preservar a memória deste triste episódio, os artistas e pesquisadores gaúchos Marta Haas e Pedro Isaias Lucas iniciaram um trabalho conjunto de registros das consequências e das marcas deixadas pelas inundações, que aconteceram em maio de 2024.

    Renan Tolentino, da RFI, em Paris

    Os dois pesquisadores brasileiros vieram a Paris para mostrar o resultado de meses de pesquisa. A apresentação em solo francês faz parte da programação cultural do Ano do Brasil na França, que visa fortalecer os laços diplomáticos entre os dois países. No trabalho, Marta e Pedro abordam a temática da memória nas artes cênicas e no audiovisual.

    “A ideia da pesquisa surgiu a partir de uma conversa com a nossa orientadora acadêmica, professora Graça dos Santos. A partir daí, a gente resolveu trabalhar com as nossas impressões e vivências da enchente, levantar dados, buscar testemunhos e marcas na cidade (Porto Alegre). O objetivo era fazer uma coleta de informações e de imagens para formar um corpo de testemunho para as pessoas que não viveram essa catástrofe climática”, explica Pedro.

    Formados também em artes cênicas, eles aliaram os registros audiovisuais a uma palestra-performance intitulada "Anotações sobre uma enchente e suas marcas", para apresentar a pesquisa ao público de uma forma mais sensível e reflexiva.

    “A gente já tinha trabalhado com esse formato da palestra-performance antes, quando a gente esteve aqui em Paris apresentando outro trabalho, que fazia um paralelo sobre as ditaduras brasileira e portuguesa. Então, a gente pensou que este mesmo formato, no qual a gente traz esses dados da pesquisa, aliado a esse momento mais performático, no qual a gente traz a presença, traz o corpo e a encenação. Isso potencializa o impacto no público, como o público percebe as informações que a gente está apresentando”, complementa Marta.

    Leia tambémCientistas relacionam mudanças climáticas a quase 18 mil mortes durante verão de 2025 na Europa

    Na terça-feira (16), os dois estiveram na Universidade Paris Nanterre e, nesta quarta (17), apresentaram a palestra-performance na Casa Portugal, na Cidade Universitária, sob os olhares atentos dos alunos do Colégio Montaigne.

    “Foi marcante e impressionante, para mim, ouvir sobre essas inundações através do trabalho deles. Também foi interessante ouvir o relato dos moradores contando sobre como fizeram para sobreviver”, reflete a estudante franco-brasileira Madeleine Machado, que vive em Paris com a família.

    Uma terceira apresentação ocorrerá nesta quinta-feira (18), às 19h, na Casa Brasil, que também fica na Cidade Universitária.

    Cidade marcada pela inundação

    Imagens coletadas por Marta e Pedro em fachadas de imóveis mostram as marcas deixadas pela água, meses depois da tragédia. Pedro conta que foram feitas quase uma centena de imagens em diversos locais de Porto Alegre, onde a pesquisa se concentrou.

    A performance tem diferentes camadas, com elementos informativos e lúdicos, incluindo uma representação do cavalo ilhado em Canoas, que se tornou um dos símbolos da catástrofe, lembrando o drama vivido também pelos animais.

    Ao longo da apresentação, os dois se vestem com trajes de limpeza em referência aos trabalhos pós-inundações – etapa igualmente difícil de enfrentar, segundo eles. 

    Uma boa parte do tempo é dedicada ao relato pré-gravado de moradores que vivenciaram as inundações e tiveram suas vidas afundadas na lama, com danos materiais e emocionais.

    Vivendo drama na pele

    As enchentes de maio de 2024 foram as piores já registradas no Rio Grande do Sul, atingindo 450 cidades ao longo de duas semanas, deixando mais de 180 mortes e 200 mil desabrigados.

    Naturais de Porto Alegre, Marta Haas e Pedro Isaias sentiram na pele o drama da catástrofe. A sede do grupo teatral “Oi Nóis Aqui Traveiz”, do qual os dois fazem parte, foi invadida pela água, causando grande prejuízo material.

    “O teatro onde a gente trabalha também foi alagado. Permaneceu alagado durante quase um mês. A água chegou a 1,70m de atura. Também registramos a situação quando a gente pôde reabrir. É um momento bem impactante quando a gente reabre um espaço que ficou tanto tempo debaixo d’água, ao mesmo tempo que foi um ato coletivo a reabertura do teatro, porque tinha dezenas de pessoas dispostas a ajudar a limpar. Passamos muitos dias fazendo a limpeza”, recorda Marta.

    Também presente para acompanhar a performance, a professora Graça dos Santos, orientadora dos brasileiros e coordenadora do Departamento de Estudos Lusófonos da Universidade Paris Nanterre, estava no Brasil quando as enchentes começaram. Ela relatou sua incredulidade diante da quantidade de chuva que caiu no estado e ressalta a importância do trabalho dos pesquisadores brasileiros para gerar uma reflexão sobre o ocorrido.

    “Não parou de chover o tempo todo em que estive lá (10 dias) e a água começou a subir muito. Mas também pude constatar a solidariedade das pessoas, que se dispuseram rapidamente para ajudar o próximo (...) O trabalho que a Marta e o Pedro fazem é muito importante do ponto de vista científico e artístico, pois também são artistas, o que dá uma repercussão e força ao trabalho de investigação deles”, opina Graça dos Santos.

    Percepção atual

    Passados quase 18 meses da catástrofe, Marta e Pedro relatam o temor de que algo semelhante venha a acontecer novamente e lamentam que a sensação atual é de que não houve avanço no que diz respeito à prevenção.

    “A percepção que a gente tem é que ainda estão tentando consertar o sistema antienchente, a população quer isso, porém temos gestores públicos que negam o aquecimento global, acreditam que o que aconteceu foi um caso atípico, que a natureza foi a responsável”, lamenta Pedro.

    Os dois pesquisadores trabalham para preservar a memória das terríveis consequências das enchentes de 2024 no estado. A sociedade gaúcha, por sua vez, espera que as autoridades se mobilizem para que este episódio fique só na lembrança e não volte a se repetir.

    7 min
  • Exposição na França revela dinamismo e resistência da cultura das periferias do Rio e de Paris

    Os versos “Pode crê! Mas só pra te lembrar: Periferia é periferia em qualquer lugar”, da música Periferia Brasília, do rapper GOG, abrem a exposição Les Lucioles (“Os vaga-lumes”, em português): arte, cultura e esperança nas periferias urbanas do Rio de Janeiro e de Paris. A mostra, resultado de uma pesquisa acadêmica conjunta entre França e Brasil, está em cartaz na Maison de Sciences de l’Homme, em Saint-Denis, na periferia norte de Paris.

    A exposição revela a prática e a produção de coletivos culturais das periferias do norte e oeste do Rio de Janeiro e de Paris, especialmente de Saint-Denis e Stains. Ela é fruto de uma pesquisa codirigida pelas professoras Silvia Capanema, da Universidade Sorbonne Paris Nord, e Adriana Facina, do Museu Nacional da UFRJ.

    Durante mais de dois anos, os pesquisadores observaram as formas de criação e resistência de 30 coletivos periféricos cariocas e parisienses. Com fotos, textos e vídeos acessíveis por QR Codes, a exposição destaca a produção de 14 desses grupos — metade brasileiros, metade franceses — evidenciando o caráter comparativo e dialógico da pesquisa.

     

    “Uma teoria pensada no Brasil pode ajudar a refletir sobre as periferias francesas hoje (e vice-versa). Então, mostramos essa transferência de experiências práticas e de formas de pensar as periferias”, explica Silvia Capanema.

    O estudo revelou uma dinâmica intensa e uma diversidade cultural “impressionante” nas periferias, que vai muito além do hip hop. “Quando se pensa em periferia, muitas vezes se associa apenas ao movimento hip hop. Mas há muito mais: samba, coletivos de artistas, música clássica, teatro, choro... A cultura popular é muito rica”, afirma a professora da Sorbonne Paris Nord.

    Outro ponto relevante observado foi a presença do “Sul global no Norte global”, especialmente na Europa. “Vimos isso na França, nas periferias, com forte presença de imigrantes e do Caribe francês. O Carnaval chega à França por meio do Caribe francês e das periferias”, destaca Silvia Capanema.

    Carnaval como metáfora

    O Carnaval, representado na exposição por três coletivos — os brasileiros Loucura Suburbana e Barracão da Mangueira, e o francês Action Créole — aparece como uma metáfora poderosa dessa dinâmica.

    A antropóloga Patricia Birman, da UERJ, participou da jornada de estudos que inaugurou a exposição em 12 de setembro, falando sobre o Carnaval no Brasil e na França. Segundo ela, “o que une é a festa. Qualquer festa pode ter um sentido carnavalesco. E a música — a potência da música nos grupos é essencial”.

    Adriana Facina, que estuda há anos o coletivo Loucura Suburbana, destaca que os coletivos não fazem apenas cultura: “Para eles, cultura é trabalho”.

    Um bom exemplo é o Carnaval carioca. Sthefanye Paz, que defendeu uma tese de doutorado sobre a Mangueira, lembra que a importância do Carnaval para a comunidade vai muito além dos quatro dias de festa.

    “O Carnaval funciona com uma base de trabalho de cerca de dez meses por ano, não é só aquela única semana. São muitas pessoas envolvidas, correndo atrás dos seus sonhos para que o Carnaval aconteça nas ruas. Minha pesquisa faz essa relação entre a festa e o trabalho das pessoas que a constroem”, relata a pesquisadora, que também participa da cadeia produtiva da escola de samba desenvolvendo enredos.

     

    Formas contemporâneas de movimentos sociais

    A precariedade de sobrevivência e a luta por reconhecimento e estabilidade são semelhanças estruturais entre as periferias dos dois países. Os coletivos culturais têm papel central na vida das comunidades e atuam como formas contemporâneas de movimentos sociais.

    Adriana Facina explica que o nome da exposição se inspira no conceito de “vaga-lumes” do filósofo francês Georges Didi-Huberman, que reflete sobre o papel dessas “luzes frágeis e intermitentes, que apontam caminhos alternativos em períodos muito sombrios”, como o fascismo.

    “Para nós, hoje, os movimentos culturais das periferias urbanas — especialmente em Paris e no Rio de Janeiro — são esses vaga-lumes. Eles enfrentam o racismo, a xenofobia, a extrema direita e o capitalismo em sua fase mais selvagem, marcada pela precarização e pela perda de direitos”, detalha a pesquisadora do Museu Nacional. “O que esses coletivos propõem em seus territórios aponta caminhos para transformar o mundo em outra direção”, completa.

    Orgulho suburbano

    A cultura periférica vem ganhando espaço e se tornando o centro da inovação cultural. Sandra Sá Carneiro, da UERJ, que estuda o coletivo 100% Suburbano, destaca a valorização atual da cultura suburbana.

    “Esses coletivos atuam justamente valorizando essa identidade e a cultura suburbana. Há várias manifestações culturais. O grupo que estudo trabalha com o choro, como forma de resgatar a identidade e a sociabilidade carioca. Outros coletivos atuam com cinema, teatro, Carnaval, samba... É uma grande aposta em repensar essas regiões, marcadas por forte territorialização e desigualdade social”, afirma Sandra Sá Carneiro.

    Lição brasileira de democracia

    A exposição Les Lucioles foi inaugurada no dia seguinte à condenação do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro pela trama golpista. A coincidência foi considerada simbólica pelas codiretoras da pesquisa.

    Segundo Silvia Capanema, que além de professora é deputada regional de Saint-Denis, “a França está interessada em entender que lição de democracia o Brasil está dando. Esses coletivos culturais também são frutos de processos democráticos. Sem democracia, não há cultura, não há diversidade. Eles também defendem a democracia, pois são fortemente contrários ao fascismo”.

    Adriana Facina retoma uma ideia do filósofo Paulo Arantes e fala da “brasilianização” do mundo, como a ampliação da precarização do trabalho. “Mas também há uma ‘brasilianização’ positiva, que é a potência das periferias.”

    Para ela, com a condenação de Bolsonaro, surge uma terceira comparação: “Hoje, podemos falar de uma ‘brasilianização’ do mundo no sentido de uma defesa radical da democracia. O Brasil está dando uma lição ao mundo. Espero que isso inspire outras democracias, às vezes consideradas mais fortes que a nossa”, diz.

     

    Democratização da ciência

    Em vez de encerrar a pesquisa com os tradicionais artigos e livros acadêmicos, as organizadoras optaram por uma exposição para ampliar o alcance e democratizar a ciência.

    “Sabemos que livros e artigos são muito importantes, mas não atingem um público amplo, especialmente o não especializado. Nossa ideia foi fazer da exposição um resultado acessível da pesquisa, voltado ao maior número de pessoas possível — sobretudo aos próprios participantes da pesquisa: os coletivos culturais que abriram suas portas, responderam às nossas perguntas e atuaram como cocuradores, enviando fotos e participando ativamente do processo”, compartilha Adriana Facina.

    A exposição Les Lucioles: arte, cultura e esperança nas periferias urbanas do Rio e de Paris fica em cartaz na Maison de Sciences de l’Homme, em Saint-Denis, periferia norte de Paris, até 30 de janeiro de 2026.

    10 min
  • Lavagem da Madeleine celebra o Ano do Brasil na França embalada pelo Olodum e por multidão em Paris

    As ruas de Paris ganharam um colorido baiano neste domingo (14) com a Lavagem da Igreja da Madeleine, que acontece anualmente desde 2002 na capital francesa e já faz parte do calendário oficial da prefeitura parisiense. O evento tem raízes na tradicional lavagem das escadarias da Igreja do Senhor do Bonfim, em Salvador.

    Renan Tolentino, da RFI, em Paris

    Esta 24⁠ª edição também faz parte da programação do Ano do Brasil na França, que tem o objetivo de fortalecer os laços históricos e culturais entre os dois países, em comemoração aos 200 anos de suas relações diplomáticas.

    “Para mim, é uma alegria passar a mensagem dessa história da Lavagem para a França e para o mundo afora (...) Essa edição é especial por conta do Ano do Brasil na França. Isso fortalece a difusão, também temos mais apoio. A Lavagem também faz parte do patrimônio cultural imaterial da França, isso é bom para proteger e perenizar o evento, que vai ficar no calendário. Essa relação França-Brasil vai continuar por uma longa data”, diz Robertinho Chaves, idealizador da Lavagem da Madeleine.

    “Quando começamos lá atrás, há mais de 20 anos, não imaginava que seria tão apoteótico do jeito que é hoje. Fico feliz que tenha dado certo”, comemora Robertinho.

    A modelo e apresentadora carioca Cristina Córdula, personalidade conhecida do público francês e que vive em Paris, é madrinha do evento e também celebra esse reconhecimento.

    “Sou madrinha do evento há muitos anos. Para mim é uma honra. É um movimento muito bonito, na paz, sem briga, todo mundo junto para dançar e passar um momento legal, com essa bênção final na igreja. E este ano, a Lavagem da Madeleine tem muita força por ser o Ano do Brasil na França”, pontua Cristina.

    Olodum aquece o público debaixo de chuva

    Entre diversas atrações, a programação deste ano trouxe, pela primeira vez, o grupo baiano de percussão Olodum, que animou o público ao lado de Armandinho em cima do tradicional trio-elétrico.

    “Primeira vez que o Olodum vem, sempre tive esse sonho de trazê-los e agora foi realizado. Por ser um grupo tão grande, também fortalece a divulgação e o interesse das pessoas no evento”, destaca o organizador Robertinho. 

    “É muito bom trazer a cultura da Bahia e de Salvador para Paris, com muita energia, muita elegância, com esse samba-reggae, que é uma música do mundo. Impressionante o número de pessoas que estão aqui. É muito gratificante para nós do Olodum viver essa atmosfera brasileira em Paris”, conta Thiago Silva, percussionista do grupo.

    Leia tambémJau celebra retorno a Paris na Lavagem da Madeleine ao lado do Olodum

    Nem a chuva foi capaz de esfriar a disposição das milhares de pessoas nas ruas, entre brasileiros e franceses. Para a baiana Carla Rodrigues, acompanhar a apresentação do Olodum em Paris fez reviver memórias afetivas.

    “Estou muito feliz que o Olodum está aqui hoje. Me toca muito, porque a última vez que estive no show deles foi em Salvador, junto com a minha avó, que Deus a tenha. Foi um momento muito importante para mim que não vou esquecer nunca. É uma forma também de estar perto do Brasil. Acredito que todo mundo aqui hoje está com a mesma sensação, de estar em casa, de acolhimento”, conta Carla.

    Já a pernambucana Deusamir, que vive em Paris há 17 anos, viveu uma experiência inédita, tanto na apresentação do grupo quanto na Lavagem da Madeleine.

    “É a primeira vez que venho ao evento e é a primeira vez que vou ao show do Olodum. No Brasil nunca tive oportunidade. Que maravilha, estou muito contente. A gente está aqui para dançar, sorrir e mostrar para esse povo que o Brasil está na moda”, celebrou.

    Entre o público presente, cada participante vivencia de uma forma particular este evento multicultural. Cátia, por exemplo, aproveitou para comemorar seu aniversário.

    “Estou fazendo 50 anos hoje e vim festejar aqui, com o Olodum, na Lavagem da Madeleine”, contou a brasileira Cátia.

    Aos 74 anos, Nilza dos Santos conta que acompanha a Lavagem da Madeleine há quase 17. Quase todos os anos ela viaja de Salvador para Paris para participar do cortejo, junto com a filha, Viviane, que mora na Holanda.

    “Minha filha mora aqui na Europa há 30 anos e foi ela quem me falou desse evento. Como eu faço parte de outros movimentos culturais em Salvador, achei interessante. Aí, me encantei pela Lavagem da Madeleine. Acompanho já há 17 anos e quase todos os anos estou aqui. A integração e o encontro de pessoas é sempre bom. Isso faz bem tanto para Paris, como para Salvador e a Bahia”, diz dona Nilza.

    “Me senti como se eu estivesse participando de um evento na Bahia, de onde eu venho. É uma coisa muito impressionante fechar as ruas de Paris para que o cortejo brasileiro possa passar”, conta Viviane dos Santos.

    Manifestações políticas

    Além de festejar muito, parte do público aproveitou o evento também para se manifestar politicamente. Ao longo do cortejo, um grupo apartidário ostentava cartazes com a frase "Sem Anistia", em referência ao julgamento dos suspeitos de envolvimento na tentativa de golpe de Estado no Brasil, no ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão.

    “Somos um grupo apartidário, onde todos são bem-vindos, basta ser antifascista. Temos que entender que tudo é político, então, devemos aproveitar todos os espaços para nos manifestar. E a Lavagem tem uma visibilidade muito grande, até internacional”, explica Marcia Camargos, coordenadora do grupo Sem Anistia.

    “Neste momento, temos que unir todas as forças, as forças progressistas, de esquerda em defesa do Estado Democrático de Direito”, opina.

    Após duas horas de cortejo e muita música, a euforia dá lugar à reflexão e ao sincretismo religioso com o início da lavagem das escadarias da Madeleine, comandada pelo babalorixá Pai Pote ao lado do pároco da igreja, o monsenhor Patrick Chauvet.

    “Estamos aqui representando o povo negro, brasileiro, celebrando nossa resistência, nossa negritude, mas também estamos celebrando a paz, o amor e a alegria no mundo. Muito axé para todos”, disse Pai Pote.

    No Ano do Brasil na França, a Lavagem da Madeleine mostra que a diplomacia e a boa relação entre dois países se constrói também nas ruas, através de uma rica mistura cultural.

    6 min
  • Lisboa recebe Brasil Origem Week com gastronomia, cultura e negócios brasileiros em destaque

    Lisboa será, entre os dias 11 e 14 de setembro, palco do Brasil Origem Week, evento internacional que celebra a diversidade cultural, gastronômica e empresarial do Brasil. A programação acontece no Pátio da Galé, na Praça do Comércio, e reúne chefs renomados, empresários, autoridades e especialistas. O evento inclui workshops, fóruns, apresentações culturais e experiências gastronômicas.

    Luciana Quaresma, correspondente da RFI em Lisboa

    A gastronomia brasileira é um dos grandes destaques do evento. Entre os chefs convidados estão Márcio Ricci, que apresentará o tradicional arroz Maria Isabel; Cidália França, com receitas à base de tapioca e Natacha Fink, com seu prato inovador de camarão Uareni.

    Carol Brito conduzirá o showcooking “O Pequeno Notável da Cozinha Baiana: Acarajé”, trazendo ao público os sabores típicos da Bahia de forma criativa e contemporânea.

    Carolina Sales, conhecida por seus doces sofisticados, compartilhará a receita do “Brigadeiro de laranja: a bossa doce do Rio”. A chef carioca defende que a cozinha brasileira tem papel essencial na valorização da biodiversidade e da identidade cultural.

    Segundo ela, é importante revelar novas facetas da culinária nacional além do churrasco e da feijoada, apostando em propostas autorais e contemporâneas que serão apresentadas no evento.

    “Quero revelar uma faceta mais autoral e contemporânea da cozinha brasileira. O brigadeiro, por exemplo, pode ser reinventado com chocolate amargo e laranja, trazendo sofisticação, frescor e equilíbrio à doçura, mostrando que nossa confeitaria dialoga com a alta gastronomia”, explica Sales.

    Além da gastronomia, Raquel Lopes, da Casa Cachaça, conduzirá experiências sensoriais com a tradicional bebida brasileira, apresentando sua história e os processos de produção.

    Para a especialista e curadora, o maior desafio ainda é o desconhecimento do público em relação à bebida símbolo do Brasil. “Nossa equipe tem exatamente esse objetivo: desenvolver um trabalho pedagógico com consumidores e bartenders, mostrando a diversidade das madeiras, as possibilidades de criação de drinques e, claro, o prazer de apreciá-la pura”, explica.

    Segundo ela, a participação no Brasil Origem Week reforça esse movimento de valorização. "Já é a terceira ou quarta vez que participo, e é maravilhoso, porque o público tem contato direto com a gente. Podemos contar a história da cachaça, orientar nas degustações e até ajudar na escolha de uma garrafa para levar para casa ou oferecer de presente. Essa conexão é muito importante para o futuro da cachaça”, afirma.

    Impacto e objetivos

    Para Marco Lessa, idealizador do Brasil Origem Week, o evento vai muito além de uma feira cultural ou da promoção de produtos brasileiros. Segundo ele, trata-se de uma celebração do Brasil.

    O evento, diz, reúne diferentes setores ligados ao país, desde produtores com potencial de exportação até agentes de turismo, passando por cultura, arte e ciência. “Ele reúne vários ativos do Brasil, tanto do ponto de vista de quem mora no exterior quanto de quem produz e sabe que tem potencial para exportar, além de quem tem capacidade de receber o visitante estrangeiro e promover o turismo”, explica.

    Além de negócios e investimentos, o Brasil Origem Week promove o encontro de brasileiros residentes fora do país com visitantes internacionais. “Todo mundo se reúne para viver um pouco do Brasil”, completa.

    A estratégia do evento, segundo o organizador, é mostrar que cada aspecto da cultura e dos produtos brasileiros contribui para a reputação global do país. “Um produto brasileiro, uma característica do Brasil, um aspecto cultural transfere reputação para outro ativo e faz com que a gente tenha ganho de qualidade. Dessa forma, o Brasil pode mostrar toda a sua riqueza por meio das diversas atividades durante o evento.”

    Segundo Lessa, a promoção de destinos e produtos brasileiros não está apenas associada ao turismo. “Trata-se de construir narrativas consistentes que unem identidade, cultura, sustentabilidade e inovação. Lisboa é um ponto estratégico para apresentar o Brasil à Europa e fortalecer conexões duradouras”, afirma.

    O evento também contará com um espaço dedicado à música e aos sabores do Brasil, com apresentações ao vivo, incluindo Theodoro Nagô interpretando clássicos de Jorge Aragão, proporcionando aos visitantes uma verdadeira imersão na cultura musical brasileira.

    Fóruns e workshops temáticos

    O Brasil Origem Week vai oferecer uma série de fóruns e workshops especializados. Entre eles, está o workshop de internacionalização, voltado para estratégias que permitam a empresas brasileiras expandirem suas operações para Portugal e outros países da Europa.

    O Fórum Mulher abordará a atuação feminina nos negócios e na cultura, enquanto o Fórum Brasil-Portugal discutirá oportunidades de cooperação internacional, intercâmbio e fortalecimento das relações comerciais entre os dois países.

    Larissa Abreu, uma das palestrantes do evento, destacou como sua identidade luso-brasileira molda a forma de comunicar no ambiente digital e levará o tema ao público presente. “No Brasil, temos intensidade, calor humano. Em Portugal, encontramos profundidade e tradição. No digital, a mágica acontece quando conseguimos juntar as duas coisas”, afirmou.

    Segundo ela, sua palestra será um convite para repensar a maneira de vender serviços. “Quero mostrar como gerar desejo pelo seu serviço sem cair no óbvio, sem ser chato. Porque vender não é insistir. É despertar curiosidade e criar conexão.”

    Larissa reforça que suas estratégias se adaptam tanto ao público português quanto ao brasileiro, sempre com autenticidade. “No fim, comunicar é sobre encantar, não apenas convencer. É isso que eu levo comigo: um pedacinho do Brasil, um pedacinho de Portugal e a certeza de que, quando contamos nossa história de verdade, as pessoas não só escutam, elas desejam fazer parte.”

    A abertura oficial do evento contará com o workshop internacional de turismo, com a presença de representantes do Governo da Bahia, do turismo de Ilhéus e de Maricá, além de especialistas em estratégias de promoção internacional de destinos. O painel terá como tema “Brasil: Um País, Tantos Destinos – Diversidade, Sustentabilidade e Estratégias para a Promoção Internacional”.

    Cultura e experiências imersivas

    O Brasil Origem Week também busca impulsionar oportunidades de negócios e intercâmbio, destacando o Brasil como um país plural e inovador, capaz de gerar experiências culturais, gastronômicas e comerciais de relevância internacional.

    A curadoria do evento, segundo Frederico Pimentel, um dos organizadores, foi pensada para refletir a riqueza e a pluralidade da gastronomia brasileira, unindo ingredientes, histórias e territórios de diferentes biomas.

    Ele destaca que a seleção de chefs e produtores priorizou autenticidade, tradição e inovação, trazendo tanto os clássicos da cozinha nacional em sua forma original quanto releituras criativas. “Nosso objetivo é projetar o Brasil como um país de criatividade, diversidade e excelência gastronômica, fortalecendo a imagem do país junto ao público europeu”, afirma.

    Para ele, a gastronomia é uma forma de arte e comunicação cultural, capaz de transmitir identidade e contemporaneidade, criando pontes entre cultura, turismo e negócios.

    Nesse sentido, o Brasil Origem Week se consolida como uma plataforma de encontros, onde produtores apresentam produtos de origem com valor agregado, chefs reinterpretam tradições e o público vive experiências sensoriais únicas. “A tradição aparece nos pratos e nas histórias, enquanto a inovação surge nas técnicas e conexões criadas, projetando um Brasil contemporâneo e autêntico”, completa.

    6 min
  • Dia da Amazônia: representantes de povos indígenas criticam acordo entre Mercosul e UE durante ato em Paris

    Paris se transformou em um terreno de debate e conscientização ambiental no Dia Internacional da Amazônia, celebrado nesta sexta-feira, 5 de setembro. Para marcar a data, o Greenpeace França realizou em frente à prefeitura da capital um evento de mobilização em defesa da maior floresta tropical do mundo, com a participação de representantes da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).

    Renan Tolentino, da RFI, em Paris

    Para Luana Kaingang, que integra a Apib, esta é uma oportunidade de levar à comunidade internacional as reivindicações dos povos originários, que têm uma relação de subsistência com a Amazônia.

    “A gente vem construindo esse espaço há muitos anos. A gente costuma dizer que é uma luta para poder fazer a preservação dos biomas brasileiros e poder também garantir o futuro dos nossos filhos”, reflete Luana Kaingang.

    O objetivo principal do evento é alertar governantes e a população em geral sobre a urgência de agir para evitar a destruição do ecossistema da Floresta Amazônica, que atualmente tem mais 17% de território degradado, segundo dados do Greenpeace e de outros órgãos que fazem esse monitoramento.

    Efeitos do acordo entre Mercosul e UE

    Entre as principais pautas está o acordo de livre comércio entre os países sul-americanos do Mercosul e a União Europeia (UE). Os representantes da Apib se posicionam contra o tratado por temerem que ele contribua para o aumento da degradação florestal.

    Por isso, pedem também que a Regulamentação da União Europeia sobre Desmatamento (EUDR, na sigla em inglês) se estenda ao Brasil. Essa lei visa impedir a entrada em países da UE de produtos que contribuem para a degradação ambiental em sua produção.

    “Aqui em Paris, a gente vem para afirmar que somos contra o acordo entre a União Europeia e o Mercosul e também exigir que a EUDR seja assinada. "A proteção dos nossos territórios depende do acordo não ocorrer e essa regulamentação também ser aprovada”, explica Luana.

    Também representante dos povos indígenas no evento em Paris, Otacir Pereira, da etnia Terena, avalia que o acordo entre os dois blocos pode enfraquecer a proteção sobre áreas demarcadas para atender ao aumento da demanda de mercado.

    “O acordo entre o Mercosul e a União Europeia traz um fortalecimento do aumento da produção. Para aumentar a produção precisa aumentar sua área de capacidade de produção de milho, de gado, de carne bovina, de soja, entre outros. E isso está ligado diretamente às áreas indígenas”, argumenta.

    “Os problemas de exploração ambiental dentro dos territórios indígenas são generalizados para todo o Brasil. Todas as áreas indígenas estão sujeitas a serem exploradas pela legislação de hoje”, critica Otacir.

    Cenário preocupante 

    A Floresta Amazônica se estende por oito países, mais a Guiana Francesa, com uma área de quase 7 milhões de quilômetros quadrados. A maior parte deste território, 60%, está no Brasil.

    Mas a preocupação é global, já que a floresta é importante para a estabilidade climática do planeta. No entanto, essa função é profundamente prejudicada pelo desmatamento, que libera uma grande quantidade de gás carbônico na atmosfera, contribuindo para o aumento do efeito estufa.

    Leia tambémIncêndios na Amazônia comprometem qualidade do ar em outros países, aponta relatório

    Questões que poderão ser debatidas na próxima COP30, que será realizada em Belém, no Brasil, em novembro.

    “Esperamos que a COP30 não seja apenas um palanque de publicidade do clima. Esperamos resultados de fato, que os países façam valer o papel do Acordo de Paris — assinado em 2015 para combater as mudanças climáticas”, projeta Otacir.

    Apesar da falta perspectiva, os representantes dos povos indígenas e ativistas esperam que o Dia da Amazônia não seja só mais uma data no calendário, mas que, através de ações e debates, contribua para uma virada de chave no combate ao desmatamento florestal.

    5 min

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