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Quando falamos sobre religião na psicanálise, a análise se volta, na maioria das vezes, para investigar os mecanismos psíquicos responsáveis pela origem e pela sustentação da crença em um ser superior. Neste episódio vamos mostrar um outro aspecto menos conhecido: o de que também o ateísmo, ou a descrença em Deus, pode ser explicado pelas mesmas categorias psicanalíticas.
Os dois textos de Sigmund Freud que servem de base para estas reflexões são O futuro de uma ilusão e Uma experiência de conversão religiosa.
A infância é uma construção histórica e está desaparecendo. Esta é a tese de Neil Postman em sua obra O desaparecimento da infância, publicada em 1982 e com uma segunda edição em 1994.
A infância a que ele se refere não é aquela biológica, pois enquanto houver seres humanos neste planeta, tal fase de desenvolvimento continuará existindo. Seu argumento é mais refinado e se refere àquela construção social que teve início com o surgimento da imprensa, no século XV, e foi ganhando corpo nos séculos seguintes. É esta infância que está desaparecendo e criando o que ele chama de “crianças adultizadas” e “adultos infantilizados”, e os principais catalizadores deste movimento são os novos meios de comunicação.
As parapraxias, ou atos falhos (Fehlleistungen), são manifestações de intenções perturbadoras do inconsciente em nossa atividade consciente. Ocorrem geralmente para evitar o desprazer, e são sempre sintomas de algum tipo de conflito psíquico, atuando como uma espécie de compromisso. De certo modo, podemos dizer que um ato falho é também um ato bem-sucedido, pois é quando um desejo inconsciente consegue alcançar seu objetivo de forma manifesta.
Os atos falhos são um dos principais meios de introdução à psicanálise, pois são mais simples de interpretar do que os sonhos e se manifestam em todos os indivíduos, não apenas em neuróticos. Não é por acaso que Freud escolheu este tema como o primeiro de suas Conferências Introdutórias sobre Psicanálise. Os atos falhos são uma clara manifestação de nossa psicopatologia da vida cotidiana, uma demonstração bem acessível da natureza contraditória e conflituosa que torna cada um de nós mais ou menos neurótico.
Tanto Beethoven quanto Hegel nasceram no ano de 1770. Ambos compartilharam o mesmo Zeitgeist, e Georg Lukács afirma que, no período do idealismo alemão, a dialética “estava no ar”. Não é nenhuma coincidência, portanto, que a dialética marque presença também na estrutura das próprias músicas de Beethoven.
Ludwig van Beethoven nasceu em 17 de dezembro de 1770, na cidade de Bonn, Reino da Prússia (atual Renânia do Norte, na Alemanha), na segunda metade de um século conturbado e de grandes transformações. Karl Marx afirma que nem sempre os períodos de grande florescimento artístico estão conformes ao desenvolvimento geral da sociedade, mas a época em que Beethoven desenvolveu seu trabalho foi testemunha de grandes revoluções também no campo social, e isso aparece refletido em sua obra.
A ética pode ser definida como o estudo filosófico da moralidade. O termo tem suas raízes no substantivo grego "ethos", e um de seus significados expressa o rol de costumes que regem a vida de um grupo social, diferenciando-se do ethos animal, o qual é delimitado pela physis (natureza).
O utilitarismo é a teoria ética de grande parte dos sistemas econômicos e políticos modernos. Enquanto doutrina, ele tenta orientar a vida em sociedade fornecendo critérios sobre o que fazer, o que admirar ou como viver, tendo sempre em vista a maximização da felicidade.
Este episódio foi originalmente publicado em 2022. Mais informações logo abaixo.*
Theodor Adorno apontou em sua obra Aspekte des neuen Rechtsradikalismus ("Aspectos do novo radicalismo de direita") diversas características da nova direita, a qual vinha ganhando cada vez mais espaço na Alemanha em 1967. Inicialmente uma palestra na Universidade de Viena, sua transcrição se tornou livro em 2019 e ganhou seis edições logo em seu primeiro ano, o que é índice de sua extrema importância e atualidade.
Em seguida vamos nos apoiar na obra Radikalisierter Konservatismus, de Natascha Strobl, a fim de compreender o que a autora chama de "conservadorismo radicalizado". Natascha aponta mais seis características deste movimento político, o qual conta com representantes tais como Donald Trump e Jair Bolsonaro.
* Tivemos que editar o conteúdo e remover a pausa musical. O algoritmo do Spotify tem confundido as gravações que utilizamos com outras similares que estão sob direitos autorais. Para evitar processos desgastantes de verificação de conteúdo, o caminho mais rápido é editar o episódio e publicá-lo novamente.
O conceito de banalidade do mal foi empregado por Hannah Arendt em sua análise de Adolf Eichmann, responsável pela deportação e morte de aproximadamente 6 milhões de pessoas. Vamos trazer as reflexões da filósofa alemã para o nosso tempo e para nossas relações mais próximas a fim de perceber que pessoas que defendem pautas políticas terríveis, discriminatórias e excludentes podem até ser boas pessoas em sua intimidade.
A análise de Hannah Arendt se encontra na obra Eichmann em Jerusalém: um relato sobre a banalidade do mal.
O que de fato é o capitalismo? Como ele prepara as condições para uma transição ao socialismo? E o que seria a ditadura do proletariado? Estes são os três principais temas que esboçamos neste episódio.
O revolucionário e teórico russo Vladimir Lênin resumiu assim a questão: "Denomina-se capitalismo a organização da sociedade em que a terra, as fábricas, os instrumentos de produção, etc. pertencem a um pequeno número de latifundiários e capitalistas, enquanto a massa do povo não possui nenhuma ou quase nenhuma propriedade e deve, por isso, alugar sua força de trabalho."
Em seu artigo Eine Teufelsneurose im siebzehnten Jahrhundert (1923), Sigmund Freud analisa um caso de possessão demoníaca resultante de um pacto com o diabo. Esta não foi uma análise direta de Freud, realizada em um paciente. Assim como no famoso caso Schreber, Freud trabalhou aqui com os relatos dos eventos ocorridos com o pintor Christoph Haitzmann no século XVII.
Veremos neste episódio que algumas das características deste caso encontram aplicação universal. Não obstante diversos aspectos da neurose deste pintor serem específicas de seu caso, há alguns aspectos mais gerais que podem nos ajudar a compreender a possessão demoníaca e os casos de exorcismo em geral, tais como os encontramos principalmente em comunidades mais pobres e com forte presença de igrejas neopentecostais.
Que certeza podemos ter de que o mundo que percebemos à nossa volta realmente existe? Se respondermos dizendo que podemos ver, sentir ou ouvir coisas que parecem externas à nossa própria consciência, isso levanta outra pergunta: seriam os nossos sentidos uma fonte segura de conhecimento?
A pergunta pela existência do mundo é essencialmente filosófica no sentido de que suscita inúmeras outras questões relevantes presentes também em vários outros problemas teóricos. Neste episódio nos apoiamos nas reflexões de René Descartes, George Berkeley, Immanuel Kant e Arthur Schopenhauer sobre o tema.
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Venha aprender sobre filosofia, política e psicanálise! Podcast produzido na Alemanha por Glauber Ataide, mestre e bacharel em Filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com especializações em Teoria Psicanalítica e Aconselhamento Filosófico. Atualmente também discente do programa de pós-graduação em Philosophische Praxis na Universidade de Viena, na Áustria.
Para cursos, livros e outras redes sociais, acesse este link: bio.site/filosofiavermelha

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