Malhete Podcast

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By Luiz Sérgio F. CastroHistory
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  • A RELAÇÃO ENTRE PSORÍASE E SAÚDE MENTAL


    A RELAÇÃO ENTRE PSORÍASE E SAÚDE MENTAL
    Por Giulia Granchi
    Pequenas manchas começaram a aparecer nos braços, cotovelos, joelhos e couro cabeludo de Caroline Almeida quando ela tinha 12 anos.
    Com o passar dos meses, o tamanho das marcas avermelhadas aumentou e casquinhas saíam da pele quando a jovem coçava, o que chamou atenção de sua mãe.
    Natural de Cambuí, em Minas Gerais, a família morava em São Paulo na época e procurou ajuda na rede pública.
    Caroline foi encaminhada para uma consulta com dermatologista, que retirou uma pequena amostra de pele para realizar uma biópsia.
    O resultado, que mostrava as células inflamadas, confirmou a suspeita levantada pela médica de que a jovem sofria de psoríase, uma doença de pele crônica, não contagiosa e autoimune — o que significa que o próprio sistema imunológico da pessoa ataca as células saudáveis.
    Cerca de 2,6 milhões de brasileiros sofrem com a doença, segundo estimativa levantada pela SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia). Mas, de acordo com uma pesquisa Datafolha divulgada em outubro de 2020, apenas 6% da população reconhece as lesões causadas pela psoríase.
    "Ter uma doença que todo mundo enxerga causa sofrimento para muitos", diz o psiquiatra Elson Asevedo, diretor técnico do Caism/Unifesp, hospital que sedia o Departamento de Psiquiatria da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), acrescentando que a falta de conhecimento pode levar alguns a pensarem, erroneamente, que podem ser contaminados pelos pacientes que apresentam as manchas.
    'Fui chamada de leprosa e nojenta'
    "No começo, o tratamento se resumia em opções de uso tópico, como loção para o couro cabeludo, pomadas e cremes, tudo com fórmulas manipuladas em laboratório. Resolveu por um tempo, mas na adolescência fui aos poucos deixando o cuidado de lado", conta.
    Passados alguns anos, já na adolescência, Caroline conta ter conquistado poucos amigos durante os anos de escola e sofrido bullying com comentários agressivos de colegas.
    Toda vez que um episódio de estresse ou tristeza intensa aconteciam, Caroline diz que as manifestações da psoríase pioravam. "Toda emoção negativa, se ficava muito nervosa, estressada, ou mesmo triste, a todas as emoções negativas a minha pele reagia."
    Por que emoções afetam a pele?
    Estar com os "nervos à flor da pele" ou "roxo de raiva" são expressões informais populares, mas que têm explicação biológica.
    A derme e a saúde mental estão diretamente relacionados: a pele, maior órgão do corpo humano, e o sistema nervoso, do qual o cérebro é o órgão central, têm a mesma origem durante a formação do embrião.
    Ambos são derivados ectoderma, o folheto externo do embrião, que, durante a formação, sofre uma dobra e forma o chamado tubo neural.
    "É uma linha direta entre os hormônios estressores e os receptores da pele", explica Márcia dos Santos Senra, coordenadora do Departamento de Psicodermatologia da SBD.
    Outro aspecto interessante da relação, explica o psiquiatra Elson Asevedo, é o componente imunológico.
    "Nas doenças autoimunes, como é a psoríase, o corpo produz defesa contra elementos dele mesmo - é uma desregulação. A depressão, sabemos hoje em dia, também cursa esse tipo de alteração imunológica, então há uma 'via de mão dupla' entre as doenças. Uma das principais hipóteses atuais da psiquiatra aponta que as alterações imunes para depressão aumentam risco para doença autoimunes."
    Uma influência mais direta do ponto de vista social, também afeta na relação. Se alguém com psoríase sofre episódios emocionalmente traumáticos, como abuso, violência, bullying, perda de um ente querido ou separação, há maior chance de desenvolver ansiedade, depressão ou outras condições psiquiátricas, o que por sua vez piora os quadros dermatológicos.
    'Senti tanta dor que pedi para morrer'
    Aos 19 anos, Caroline conheceu o pai de sua filha. "No início o relacionamento era mil maravilhas, mas com o tempo ele passou a me culpar por tudo, era abusivo. Até os 7 meses de gravidez, minha psoríase não doía e e
    10 min
  • GIORDANO BRUNO E OS MUNDOS INUMERÁVEIS

    Por Daniel Rivera

    A hipótese do Pluralismo Cósmico foi popularizada durante a Revolução Copernicana, particularmente conforme defendida e propagada pelo hermetista, filósofo natural, mnemonista e teórico cosmológico Giordano Bruno (1548-1600). Durante a maior parte da Idade Média, o modelo geocêntrico do cosmos de Ptolomeu foi a visão de mundo mais popular, pois se encaixava nas ortodoxias judaico-cristãs contemporâneas sobre a singularidade da Terra; e quaisquer noções que dissessem o contrário foram consideradas heréticas e descartadas. Seguindo as observações astronômicas de Copérnico, tornou-se evidente que a Terra girava em torno do Sol.

    Bruno baseou-se nas ideias de seus predecessores, como Lucrécio, Nicolau de Cusa e Thomas Digges, para reintroduzir a hipótese de vida em outros mundos. Frances Yates observou que:

    “Bruno é celebrado principalmente nas histórias do pensamento e da ciência, não apenas por sua aceitação da teoria copernicana, mas ainda mais por seu maravilhoso salto de imaginação pelo qual ele anexou a ideia da infinitude do universo ao seu copernicanismo, um extensão da teoria que não havia sido ensinada pelo próprio Copérnico. E este universo infinito dele, Bruno povoou com inumeráveis ​​mundos, todos se movendo através do espaço infinito - assim finalmente quebrando o universo ptolomaico medieval fechado e iniciando concepções mais modernas.”[1]

    5 min
  • O ENSOMBRECER DA MAÇONARIA UNIVERSAL CONTEMPORÂNEA
    Por Dário Angelo Baggieri
    Amados irmãos, em uma palestra proferida sobre evasão Maçônica e suas consequências na Maçonaria Universal e seus efeitos sobre a Maçonaria Brasileira, foram colocados para análise, estatísticas deveras nebulosas sobre o futuro da Ordem no mundo e no Brasil. Em nosso País, ainda são registrados aumento do número de obreiros em comparação com todos os demais países, onde esse número vem paulatinamente, decrescendo. Enveredando pela análise da parapsicologia e de estudos da personalidade humana e suas correlações com as mutações da temporalidade, vemos que Jung proclama que: "Os conteúdos do inconsciente pessoal são aquisições da vida individual, enquanto aqueles do inconsciente coletivo são arquétipos que têm uma existência permanente e a priori”. Assim, a sombra é um “problema moral”. Ela coloca em jogo a globalidade da personalidade do Eu. Ninguém pode perceber a Sombra sem um emprego considerável de firmeza moral”.
    Para o maçom, evoluir ao trabalhar com as ferramentas simbólicas, ao passar progressivamente do esquadro ao compasso, sem esquecer a régua, o prumo, o nível e às vezes até mesmo o machado que fende e amaça que estimula ou esmaga, sempre significa conciliar-se consigo mesmo, reunir-se, decantar sua pessoa verdadeira para melhor engajar sua eclosão, de acordo com um método de progressão particular.
    Trata-se de se revelar para melhor se identificar com medida e discernimento. O Maçom deve trabalhar sobre si mesmo para estar na medida de se incorporar ao edifício comum.
    Consequentemente, como na análise, face a face, ratifica que a sombra está próxima do mundo dos instintos, levá-la em consideração contínua é indispensável.
    Freud, em sua análise Psicanalítica sobre a personalidade humana nos permite ratificar que o "INDIVÍDUO MAÇOM", deveria simultaneamente escolher subjugar OS SEUS Egos e encontrar O NOSSO “Eu”. Assim deveria ser, mas temos encontrado muitas ditas Estrelas binárias, os famosos donos de lojas, que necessitam ser dominantes, e nessa dominância é onde encontramos os traços de uma pessoa – arrogância ou humildade, graciosidade ou grosseria. No equilíbrio entre as estrelas, encontramos a natureza dos gases que elas emitem. É difícil ser útil para aos seus companheiros maçons e ao mesmo tempo ser imodesto e arrogante. Há pouco espaço para os outros quando você enche a sala com o seu Ego. Talvez seja também por isso que devemos aprender a verdadeiramente subjugar as nossas paixões – as paixões do Ego – e desenvolver as paixões do Eu – a conexão com o divino. Uma estrela deve escurecer para que a outra brilhe.
    A Maçonaria Universal proclama aos seus iniciados que tenham um compromisso de ética e de respeito na observância dos valores morais existentes, assim este compromisso estará acima de qualquer tipo de política ou agremiação. Por isso que nos é possível afirmar neste contexto que o maçom faz, a Ordem apenas observa.
    O próprio cosmopolitismo que é inerente à maçonaria, permite tais fatos.
    A Maçonaria ao deter um caráter universalista e progressista, que ultrapassa qualquer fronteira e por se regular por valores de igualdade, fraternidade e de solidariedade entre os seus membros, propiciou que as ações dos seus afiliados no mundo profano sejam um reflexo dos seus próprios valores.
    E como os valores maçônicos são transversais e inerentes à sociedade e ao mundo em si, não existe um lugar onde um maçom não possa se encontrar ou que esteja impossibilitado de agir, sempre pautando seus atos e atitudes dentro de parâmetros Éticos, Morais e Alvissareiros, na prática desinteressada de suas virtudes cardeais.
    Assim, ao ter a Maçonaria criado as bases para o diálogo e para o debate de ideias nas suas lojas e posteriormente implementando e transferido estas competências também para a Sociedade Civil Organizada, fizeram com que as lojas maçônicas fossem consideradas como centros formadores de opinião e de lideranças e que no espaço público, fomentassem a busca do progresso de forma co
    10 min
  • Clique aqui para ouvir : A MISSÃO DA MAÇONARIA - Por João Anatalino
    Por João Anatalino
    O porquê da Inglaterra - A Maçonaria, como prática operativa- A Maçonaria como prática especulativa - A Maçonaria dos “Cavalheiros” -A ideia -A prática- A Instituição- A utopia maçônica - A ambiguidade da Maçonaria - Uma especulação necessária.
    O porquê da Inglaterra
    Como instituição, a Maçonaria só passou a existir no início do século XVIII, a partir da constituição que lhe foi dada pelos maçons ingleses, liderados pelo pastor anglicano James Anderson. Mas antes disso, seus membros já se reuniam em “Lojas” para praticar alguma coisa parecida com a ideia que anima todas as tradições utópicas. No que consistia essa Maçonaria anterior às Constituições de Anderson? Como eram os maçons operativos que construíram as grandes catedrais medievais, e depois, os especulativos que os sucederam?
    As Constituições de Anderson apareceram em 1723 como exteriorização da Ordem maçônica, expondo a ideia de que a “Confraria dos Obreiros da Arte Real” era uma instituição universal, unificada em suas práticas, em sua filosofia e em seus objetivos. E como bem dizia Langlóis, essa visão global da Maçonaria institucionalizada correspondia exatamente à estrutura política da Inglaterra dos inícios do século XVIII, onde a liberdade não era um mero anseio e o liberalismo econômico rompia as barreiras sociais, linguísticas e religiosas, alargando os horizontes geográficos e intelectuais do mundo, tendo a nação inglesa como principal núcleo dessa realização. [1]
    A Inglaterra do início do século XVIII era a pátria de todos os espíritos que sonhavam com a liberdade e com o fim das mazelas sociais. Por isso não é estranho que a secularização da prática maçônica tenha surgido exatamente entre os maçons ingleses como forma de realização de um sonho que antes medrava apenas em alguns espíritos, como esperança de realização ascética do indivíduo, mas não como um projeto para toda a humanidade.
    O que terá acontecido para fazer com que filósofos racionalistas, como Voltaire e Montesquieu, por exemplo, ou religiosos ortodoxos, como os pastores Anderson e Désaguliers, se associassem com o jacobita André Michel de Ramsay, amigo do Bispo Fénelon e da família de Godofredo de Boillon, o místico comandante da primeira cruzada, para disseminar pela Europa toda uma prática considerada como herética pelas religiões oficiais, e conspiratória para muitos governos? [2]
    A Maçonaria operativa
    É certo que a Maçonaria, como ideia e como atividade profissional é anterior às Constituições de Anderson. Mas, ao que parece, nos seus primórdios ela se identificava com uma prática pára-religiosa que se confinava a alguns grupos sensíveis ao apelo do romantismo esotérico contido na mensagem da arquitetura. Com efeito, para os maçons que antecederam a fusão das Lojas londrinas, a arquitetura se assemelhava à uma mensagem dos deuses, que era inteligível apenas aos espíritos sensíveis que acreditavam na unidade do universo. Assim, os “arquitetos do espírito”, como chamavam a si mesmos os maçons institucionais, repetiam na atividade especulativa aquilo que seus antecessores medievais haviam feito operativamente na construção das grandes catedrais. Os maçons operativos, diziam estes novos “arquitetos”, haviam deixado a mensagem divina na linguagem das pedras e nas formas estruturais da catedral gótica e dos grandes edifícios públicos. A sabedoria arcana (a sabedoria secreta) fora disfarçada por eles em símbolos arquitetônicos representados por ogivas, arcobotantes, anjos, gárgulas e vampiros (os famosos grifos) colunas, pináculos e abóbadas, tudo constituindo uma verdadeira enciclopédia do saber universal só inteligível aos iniciados. [3]
    Fulcanelli diz que a arte gótica (art goth) é uma deformação ortográfica do vocábulo argot, que significa “linguagem particular”, ou língua falada através de alegorias. Seria uma espécie de cabala falada, derivada da tradição dos argonautas, os míticos caçadores do famoso Tosão de Ouro da lenda grega. [4] Essa mensagem argótica era mensa
    24 min
  • A MAÇONARIA NÃO APOIA GOLPISMO
    Por Hélmiton Prateado
    “O maçom deve ser pessoa pacífica, submeter-se às leis do país onde estiver, e não tomar parte nem deixar se arrastar nos motins ou conspirações deflagrados contra a paz e a prosperidade do povo, nem mostrar-se rebelde à autoridade inferior, porque a guerra, o derramamento de sangue e as perturbações da ordem, têm sido sempre funestos para a Maçonaria”. Constituição de Anderson.
    O Brasil passou por eleições gerais nesse ano e a maioria dos eleitores escolheu um novo mandatário para o país, patenteando a democracia e o pleno funcionamento das instituições. A Justiça Eleitoral atuou fortemente contra a disseminação de fake news, combateu o abuso do poder político e econômico, deu transparência sobre todo o processo de votação e apuração sob o monitoramento de instituições internacionais e órgãos de acompanhamento nacionais. A democracia venceu e tudo caminha para a normalidade.
    Infelizmente persistem focos de descontentamento com o resultado do pleito, todavia, o que tem motivado preocupação sobre os passos seguintes para a pacificação do país. Parcela ideologicamente identificada com os segmentos derrotados nas urnas se movimentam desde que foi proclamado o resultado e agitam o cenário político com pedidos fora do contexto democrático. Questionam a lisura das eleições, criticam a Justiça Eleitoral, colocam sob suspeita a legitimidade das urnas eletrônicas e tecem ilações sobre o direito de candidatos e eleitos serem empossados.
    Mas, o pior segue em outro nível após os questionamentos. Acampados nas portas de quartéis eles insatisfeitos pedem intervenção das Forças Armadas, alegam haver um risco do Brasil ser tomado por “comunistas” e que “as esquerdas” vão implantar um regime no Brasil. Imploram por democracia, liberdade e defesa de valores patrióticos e da família. Como se não bastassem os militantes de candidaturas derrotadas, esses recebem a adesão de maçons ativos e regulares que não se intimidam em se vestir a caráter como se fossem para sessões ritualísticas e ostentam faixas se dizendo representantes da defesa do Direito e da Justiça e que a “maçonaria” também aspira por uma intervenção militar.
    Os que insistem nessa tentativa de golpe contra a estabilidade política atentam contra toda a população e patenteiam uma dificuldade para viver em paz e harmonia, não sabendo conviver com diferenças. Pior ainda quando homens que se intitulam “livres e de bons costumes” recorrem à pregação de insubordinação às leis e à ordem para tentar outorgar uma situação que não conseguiram através do convencimento.
    A maçonaria, terminantemente não defende golpes e não pactua com intervenções, quarteladas, ditaduras e imposições de força se sobrepondo ao debate de ideias. A Constituição de Anderson, publicada em 1723 – portanto perto de completar 300 anos – foi escrita por James Anderson, Mestre Maçom da Grande Loja de Londres e é adotada como principal base legal e código de conduta da Maçonaria Universal desde então. O ditame nela inscrito em seu Artigo II é cristalino e de fácil compreensão, principalmente no que se refere ao cumprimento das leis e à proibição de não se envolver em conspirações ou complôs.
    O problema é que muitos maçons se recusam terminantemente a ler e estudar, sendo avessos a ler até mesmo orelhas de livros, o que é inadmissível em se tratando de uma fraternidade que busca o aprimoramento moral, espiritual e intelectual do homem. O “desbastar da pedra bruta” passa obrigatoriamente pelo estudo constante e o respeito às nossas tradições e regulamentos e o conhecimento da Constituição de Anderson é premissa básica para prosseguir na Sublime Ordem Maçónica. Combater a tirania, os preconceitos e os erros deve ser uma prática constante e mantida sob vigilância para não permitir o desvirtuamento da prática democrática e tampouco provocar a instabilidade da nação. O que não se admite é incentivar ou defender a tirania, a ditadura e a intervenção militar.
    Pregar a destituição de um Poder legitimamente insta
    5 min
  • DAS ORIGENS DA GEOMETRIA E INFLUÊNCIAS NO SIMBOLISMO MAÇÔNICO (FINAL)
    Irmão José Ronaldo Viega Alves
    Depois de tratarmos nos capítulos antecedentes uma série de assuntos relacionados ao universo da Geometria e da Maçonaria, dos quais podemos citar os mais importantes: as origens da Geometria (Egito, Grécia e Mesopotâmia), os filósofos-matemáticos-geômetras gregos e o impulso à ciência da Geometria, o termo Geometria como sinônimo de Maçonaria, os documentos antigos da Maçonaria Operativa e as referências à Geometria, as Sete Artes Liberais (Poema Regius, Manuscrito Cooke e Manuscrito da Grande Loja Nº 1), o conceito de Grande Arquiteto do Universo & Grande Geômetra, a Arte da Construção, Geometria Sagrada e a Geometrização das Catedrais, chegamos agora ao nosso capítulo final, onde teremos mais dois assuntos como focos principais: a Letra G na Maçonaria e qual seria a herança da Geometria para a Maçonaria Especulativa.
    Com tudo o que foi apresentado e acrescentados os temas estes que foram citados por último, a nossa expectativa é a de que os leitores puderam ao longo deste trabalho obter um panorama geral da história envolvendo as origens da Geometria e as influências diversas que chegara até a Maçonaria. Temos consciência, porém, que nenhum dos assuntos mencionados nesta série podem ser vistos como esgotados. Entretanto, se alguns deles tiveram o poder suficiente de despertar em alguns dos leitores uma curiosidade e uma vontade de saber mais através de leituras complementares, o objetivo maior deste trabalho poderá ser considerado cumprido.
    A LETRA G SIGNIFICA “GEOMETRIA”, OU...?
    As origens
    Sabe-se que os operativos não conheciam esse símbolo e que ele somente foi aparecer na Maçonaria, a partir da segunda metade do século XVIII. Já o surgimento de novos significados para a letra G, ocorreu entre os séculos XVIII e XIX. Conforme o Irmão Kennyo Ismail, teria ocorrido o seguinte:
    “... os intelectuais maçons da época, achando a simbologia maçônica de certa forma simplista, começam a inventar significados considerados por eles mais profundos e adequados para os símbolos maçônicos e pegar emprestado símbolos de outras fontes (astrologia, alquimia, cabala, templários, etc.), criando novos rituais e ritos.” (Ismail, 2012, pág. 42)
    Os significados
    Um assunto que sempre deu muito pano para manga é esse que se refere à origem e aos significados da letra G na Maçonaria, portanto, em primeiro lugar, vamos ver como foi que este símbolo veio parar na Maçonaria.
    Um dos significados que lhe são atribuídos e que tem alimentado muitas discussões se refere ao G de God (Deus em inglês). Se por um lado, há os que acham que o seu significado pode ser este último, há aqueles que não concordam pelo simples fato de que o nome Deus, em muitas línguas, não começa com a letra G.
    Em nossas leituras, dependendo da variedade de autores, que tenhamos pesquisado, possivelmente, vamos deparar-nos com muitos significados. O Irmão Kennyo Ismail cita alguns deles: God, GADU, Grande Geômetra, Ghimel, Geração, Gênio, Gnose, Gomel, Glória, Gibur, Gibraltar..., alguns deles, na opinião desse sábio Irmão, são verdadeiros absurdos. (Ismail, 2012, pág. 41)
    Há um livro publicado no ano de 1775, de autoria do Maçom, antiquário, e escritor inglês William Hutchinson com o título de “O Espírito da Maçonaria” (Spirit of Masonry), onde Hutchinson revela de maneira convicta que o verdadeiro significado da letra G é o de Geometria.
    COMENTÁRIOS:
    Aqui podemos perceber que esse que é atribuído como o significado verdadeiro por Hutchinson, remete aos Antigos Documentos ou Antigos Manuscritos, onde a palavra Geometria, possuía entre os seus sinônimos mais utilizados, o de Maçonaria. Um outro era o de Arquitetura.
    Alec Mellor em seu “Dicionário da Franco-Maçonaria e dos Franco-Maçons”, se referindo a Hutchinson, registrou o que este último citou da obra de A. Mackey, outro grande estudioso, sobre a letra G:
    ”Essa palavra era, antigamente, sinônimo de arquitetura, e deveria continuar sendo no sentido maçônico.” (Mellor, 1989, pág. 121)
    A
    11 min
  • MAÇONS PARADOS NO MEIO DO CAMINHO
    Por Peter Bu
    A Maçonaria Moderna foi inventada por grandes pensadores dos séculos XVII e XVIII para reunir todos os homens de qualidade, “ isto é, homens verdadeiros e bons, ou homens de honra e honestidade, independentemente do nome ou crença que os distingam”. Eles deveriam se tornar o “centro de união” independentemente de suas diferenças, sem negá-las e sem apagá-las. (A ausência de mulheres neste projeto correspondia à situação social da época, elas foram incluídas posteriormente.)
    A Constituição de Anderson - e de Désagueliers - não especifica o objetivo desta "união" mas, logicamente, deveria tender para a coexistência pacífica de todos os seres humanos.
    Para possibilitar a aproximação desses “homens verdadeiros e bons” que, de outra forma, “ deveriam ter sido mantidos para sempre à distância ”, os fundadores da primeira obediência maçônica moderna distanciaram religiões e igrejas de suas oficinas. Cerca de dez anos depois, eles se reintroduziram lá através dos esforços dos maçons tradicionalistas da Escócia que viviam em Londres e eram católicos devotos.
    É sob esta influência que a ideia da “união ” de “ homens de honra e honestidade ” se transformou em “ fraternidade universal ”? Talvez porque os cristãos se consideram “irmãos”. Felizmente, essa influência da Igreja não apagou da Maçonaria o ideal de tolerância.
    Os cristãos são “irmãos” porque acreditam ter o mesmo “pai”. Pertencem à mesma “família” e dela só podem fazer parte aqueles que partilham esta visão do mundo. Os maçons escolheram ser "irmãos" livremente, fora de qualquer vínculo pré-estabelecido.
    Os cristãos querem acreditar que fraternidade é sinônimo de amor. Pode ser, esse é o ideal, mas acima de tudo fraternidade significa interdependência visceral. Quem tem irmãos e/ou irmãs sabe o quanto eles são ligados, apesar da infinita variedade de personagens, comportamentos e interesses que podem ser totalmente opostos.
    É possível que, graças às descobertas científicas acumuladas desde o Renascimento, os membros da Royal Academy of Sciences de Londres suspeitassem da interdependência dos humanos e de todas as outras formas de vida. Neste caso, o " centro de união " pode ser considerado como o de todo o reino da vida. Isso corresponde às ideias da ecologia humanista hoje.
    A formidável "mecânica" da Maçonaria moderna consegue criar um sentimento de fraternidade, simpatia e amor entre os membros das lojas, mesmo que sejam muito diferentes entre si. Este sentimento pode estender-se a toda a sua obediência, às vezes a várias obediências. Mas nunca os abrange a todos, apesar das repetidas e omnipresentes proclamações de pertença à "fraternidade universal".
    A construção do “centro sindical” não está, portanto, concluída. Sem completar este trabalho, a Maçonaria não está em condições de construir o "templo de um mundo fraterno" que, no entanto, é sua última razão de ser. Isso explica, pelo menos em parte, por que no século 20 perdeu mais da metade de seus adeptos (especialmente nos Estados Unidos, mas não só)?
    Fonte: https://call-of-bratislava.com/fr
    4 min
  • CONHECENDO O INTERIOR DE UM VERDADEIRO INICIADO
    "Conhece-te a ti mesmo" é um aforismo grego que revela a importância do autoconhecimento, sendo uma frase bastante conhecida no ramo Filosofia. Não há certeza absoluta em relação a quem foi autor desta máxima, mas há vários autores que atribuem a autoria da frase ao sábio grego Tales de Mileto. Apesar disso, existem teorias que afirmam que a frase foi dita por Sócrates, Heráclito ou Pitágoras" Após esse preâmbulo, iniciamos esse trabalho com uma analogia comparativa entre o homem Maçom e a Realidade vivenciada na Ordem, sem retóricas, em uma dissertação confeccionada à partir de estudos da personalidade dual, daqueles que entram, permanecem ou não, não dizem a que vieram ou que mantém acessa a verdadeira luz que receberam em suas iniciações.
    Conhecer a si mesmo é um dos ditames de maior complexidade que poderia ser analisado, sob a égide da estatística formal, matemática e friamente falando, pois os indivíduos são diferentes, pensam de maneira diversa, se pronunciam com palavras que muitas vezes, vão de encontro com suas próprias atitudes e sobretudo, muitos se comportam de um modo hoje e amanhã de outro.
    Conhece-te a ti mesmo, frase emblemática, está inscrita na entrada do templo de Delfos, construído em honra a Apolo, o deus grego do sol, da beleza e da harmonia. Em grego (língua em que foi escrita), esta frase é gnōthi seauton; em latim é nosce te ipsum e em inglês é Know thyself.
    A frase completa é: "Conhece-te a ti mesmo e conhecerás os deuses e o universo."
    Esta máxima também é amplamente usada no âmbito de algumas religiões como o espiritismo, que abordam a importância do autoconhecimento.
    No decorrer dos séculos, esta frase foi usada por vários autores e pensadores, tendo por isso várias interpretações.
    Por isso estamos trazendo à baila de nossos usos e costumes, um ensaio filosófico e até mesmo esotérico comparativo. Exegeticamente, fazendo um transfer para nossos usos e costumes veremos que o primeiro passo para o verdadeiro conhecimento é nos conhecermos a nós próprios. Se queremos conhecer o mundo à nossa volta, devemos em primeiro lugar conhecer quem nós somos. O conhecimento e conhecer a nós próprios é um processo, uma busca que não tem fim e a cada dia podemos aprender mais.
    O processo de autoconhecimento muda a forma como uma pessoa interage com o mundo e com as outras pessoas, abrindo a possibilidade para conhecer e aprender novas coisas.
    Outra explicação é que é mais importante nós nos conhecermos, termos noção de quem nós somos, e não dar importância ao que as outras pessoas pensam sobre nós. Na simbologia maçônica, na prova da terra, nas profundezas de uma masmorra, nos leva a uma profunda reflexão sobres nossos valores.
    "Só sei que nada sei."
    Intrigado com a mensagem do oráculo, o filósofo procurou todos os sábios de Atenas para que esses pudessem mostrar-lhe o que era o conhecimento.
    Sócrates fazia-lhes perguntas sobre temas morais como a virtude, a coragem e a justiça, na esperança de que essas pessoas, reconhecidas pela sabedoria, pudessem ajudá-lo na busca pela verdade.
    No entanto, ele sentiu-se frustrado ao perceber que essas autoridades gregas possuíam uma visão parcial da realidade, sendo capazes, apenas, de dar exemplos de alguém virtuoso, corajoso ou justo.
    Fazendo um Transfer para o Sábio Mestre, Ele concluiu desses encontros, que esses sábios não passavam de pessoas com uma interpretação errada sobre o conhecimento, repletas de preconceitos e falsas certezas.
    Levando pela ótica Maçônica, compreendemos que a mensagem do oráculo dizia respeito ao fato dele possuir um autoconhecimento e compreender a sua própria ignorância, tornando-o mais sábio que os outros.
    Somente após abandonar os seus preconceitos que o sujeito está apto para buscar o conhecimento verdadeiro.
    A filosofia Maçônica nasce a partir da reflexão, ou seja, do olhar para dentro. Faz-se necessário refletir sobre o que significa, de fato, conhecer alguma coisa. A partir daí, construir bases para todos os tipos de conhecimento.
    Sendo a
    9 min
  • MARC CHAGALL

    O espírito... a luz, o amor

    Iniciado em 1912, o pintor de origem judaica nascido há 135 anos na Bielorrússia deixou-nos obras-primas extraordinárias.
    Marc Chagall, um dos maiores artistas do século XX, era maçom. Uma figura que juntamente com as suas raízes judaicas e os ensinamentos da Torá emerge com força em todas as suas obras, ricas em simbolismo e espiritualidade profunda e que parecem moldadas por uma força motriz, a que ele próprio chamou de Amor, que move o homem e o mundo. Nascida em 7 de julho há 135 anos em Vitebsk, Belarus, e falecida em 28 de março de 1985 em Saint-Paul-De-Vence, Moishe Segal, seu nome verdadeiro, foi iniciada em 1912 em São Petersburgo. E não é um caso que entre as suas obras-primas está também uma homenagem àquela que é seguramente a obra maçónica por excelência de Mozart, A Flauta Mágica. A sua é aliás a última cortina utilizada para a encenação do espetáculo na edição de 1967 no Metropolitan de Nova Iorque e apenas nestes dias a ser leiloada pela Bonhams, ao mesmo tempo que outra das suas obras-primas à venda na Phillips sempre em Nova Iorque. É o retrato de Le Père, executado em 1911, uma das quinze obras roubadas pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, que o governo francês devolveu no início deste ano aos legítimos proprietários. A pintura fazia parte da coleção de David Cender, um fabricante de instrumentos musicais de Łódź, na Polônia. A obra, agora estimada em US$ 6 a US$ 8 milhões, foi expropriada da coleção em 1940, antes de Cender ser enviado para Auschwitz com sua família. Em 1966 a pintura foi recomprada pelo próprio Chagall, que tinha um carinho especial pela pintura, por retratar seu amado pai. Em 1988, o arquivo Chagall doou a pintura ao Musée national d'art moderni, Centre national d'art et de culture Georges-Pompidou em Paris.
    Para criar o cenário mozartiano, comprado em 2007 pela Sotheby's para Gerard L. Cafesjian, magnata editorial e fundador do Cafesjian Center for the Arts na Armênia, Chagall trabalhou por três anos em contato próximo com o designer russo Volodia. O artista tinha 77 anos quando concluiu o projeto, que diz respeito à cena do final triunfal de Mozart, repleta de figuras arquetípicas, anjos trompetistas, animais fantásticos, violinos flutuantes, violoncelos e bailarinos, e caracterizada por aquele vórtice sublime que constitui o verdadeira assinatura do pintor.
    Uma vida de exílio a que viveu, marcada no próprio dia em que viu a luz por um devastador pogrom cossaco, acontecimento que o levaria a repetir várias vezes "nasci morto" sob o domínio dos czares, o artista, primogênito de nove irmãos, e filho de um comerciante, teve uma infância da qual guardou doces lembranças e que muitas vezes emerge não sem nostalgia em suas obras.
    Sua carreira artística começou em 1909, quando mudou-se para São Petersburgo, cidade que deixou no ano seguinte para Paris, onde ingressou na comunidade artística de Montparnasse.
    "Nenhuma academia poderia ter me dado tudo o que descobri devorando as exposições de Paris, suas vitrines, seus museus [...] Como uma planta precisa de água, minha arte precisava desta cidade", dirá mais tarde. Aqui fez amigos com grandes gênios como Guillaume Apollinaire, Robert Delaunay, Fernand Léger e Eugeniusz Zak e entrou em contato com as vanguardas da época, especialmente o cubismo, em relação ao qual manteve, no entanto, certo ceticismo, atraído como era mais para o lado invisível da realidade do que a sua fisicalidade, um lado sem o qual, ele argumentou, "a verdade externa não é completa".
    Pintura Sobrenatural
    Nesse período pintou suas primeiras obras-primas, como À Rússia, os burros e os outros, O Santo Vetturino, Eu e a aldeia, em que o memorial está predominante.
    Apollinaire definiu sua pintura como "sobrenatural", consagrando-o ao sucesso.
    De regresso à sua terra natal, com a eclosão da Primeira Guerra Mundial e a revolução, da qual participou ativamente em 1917, aí permaneceu até 1923. Em Vitebsk, onde se reencontrou com a f
    11 min

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