Malhete Podcast

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By Luiz Sérgio F. CastroHistory
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  • Os Quatro Fantasmas de Bacon # 345
    Por José Carlos Serufo
    Quando se trata de estabelecer ou verificar um axioma, o exemplo negativo tem mais peso. Ave, Francis!
    A história da ciência matiza luz e sangue. Muitos se transformaram em heróis com suas descobertas, outros perderam suas vidas ao defendê-las. Obstáculos, verdadeiros fantasmas, nevoeiros densos opõem-se à busca do conhecimento. Ao contrário do dístico introdutório, sabe-se que o exemplo negativo pode conter vieses e não ter mais peso do que outros, mas o encontro de um fato negativo refuta a confirmação da hipótese.
    Não é pretensão deste ensaio discutir a evolução da filosofia e os caminhos da epistemologia. Pretende-se apresentar parte do trabalho excepcional, pois escrito há 500 anos, que deu um norte arrazoado à experimentação científica nos séculos seguintes. O renomado filósofo Karl Popper, no século XX, relatou que devia muito a Francis Bacon.
    Francis Bacon (1561-1626), formado em advocacia em 1576, em Cambridge, contestou a afirmação medieval de que a verdade poderia ser elucidada por meio de pouca observação e farto raciocínio. Nomeado Barão de Verulan, em 1618, e Visconde de St. Albans, em 1621, considerado o “Pai do Método Experimental”, formulou as teorias que fundamentaram a ciência moderna. Esse rosacruziano, grande chanceler do Rei maçom James I da Inglaterra, descreveu, no seu livro Novum Organum (1620), os quatro grandes abantesmas:
    Idola Tribus. Fantasmas da raça ou da tribo. É o mal maior da família humana. Ligado à natureza humana, o antropocentrismo, inato ao homem, submete todas as coisas ao seu juízo. Generaliza o que lhe é favorável e omite o desfavorável. Salienta que o intelecto humano é um espelho tortuoso que reflete desigualmente as imagens das coisas.
    Idola Specus. Fantasmas da caverna. Remetem ao sujeito individual volátil, psicologicozinho, no sentido moderno, voltado para as profundezas das suas furnas, marca tudo com seu selo pessoal. Urina nos recantos da mente. Semelhante à República de Platão, cada pessoa habita sua própria caverna. Se sai desta, a luz do sol ofusca a visão do real. Se espera, consegue ver a realidade do que antes eram sombras. Aí, o real aproxima-se da verdade. Ao voltar à caverna, o inverso ocorre, e o conflito se instala. O conflito entre a verdade do seu agora real e a “verdade da sombra”. A defesa da “nova face verdade” poderá destruí-lo. O comportamento humano é sujeito a múltiplas perturbações e, até mesmo, ao acaso. Por útil, distorce o real, ajustando-o ao seu imaginário. Por fim, sem saída, vê-se obrigado a optar, por questão de sobrevivência, entre o rótulo e a realidade... Ou a loucura.
    Idola Fori. Fantasmas da praça pública. Nascidos do comércio e da associação entre os homens, da linguagem com que se comunicam: perdem-se em nomenclaturas, em equívocos, em expressões vulgares. Desgarram-se na obscuridade de um discurso fútil, “proporcional à inteligência dos espíritos inferiores”. Perturbações e crenças alojam-se no intelecto, resistem aos conceitos e às fórmulas. Nem as explicações de homens doutos restituem as coisas ao seu lugar. Como exemplo, o medo de morrer de uma determinada doença, socialmente rotulada, pode ser tão intenso, que o imunizado cognitivo acaba morrendo de outra doença, insidiosa à sua percepção, porém factível de prevenção ou de tratamento oportuno. O indivíduo em pânico ouve e escuta apenas aqueles que reforçam sua crença. Outro exemplo, a mulher deve vestir-se sobriamente em público, a ponto de ser, em certas praças, obrigada a cobrir-se totalmente, sob o argumento de que não pode despertar outros homens. Acaba assim por se anular e sequer despertar seu próprio marido. Ainda há lugares em que a mulher não pode estudar e frequentar encontros sociais. O mundo segue desigual na busca da igualdade.
    Idola Theatri. Fantasmas do teatro. Representam o cenário mundano das filosofias baratas, onde são montados para buscar credulidade geral, são peças forjadas, representações que se movimentam de boca em boca, cujo únic
    24 min
  • A PARTICIPAÇÃO DA MAÇONARIA NA PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA #344
    Waldir Ferraz de Camargo
    A Maçonaria esteve presente em todos os principais acontecimentos históricos do Brasil e que culminaram no país que hoje vivemos. Diferente não poderia ser a sua participação na Proclamação da República. "A partir de hoje, 15 de Novembro de 1889, o Brasil entra em nova fase, podendo se considerar finda a Monarquia, passando a regime francamente democrático com todas as consequências da liberdade." Assim iniciava o editorial da Gazeta da Tarde, da edição do dia 15, anunciando o levante político-militar que instaurou a forma republicana presidencialista de governo no Brasil, pondo fim à soberania do imperador D. Pedro II.
    Esse fato histórico, talvez o mais importante do país, teve como líderes e idealizadores maçons ilustres que hoje figuram nos livros de História, tais como Marechal Deodoro da Fonseca, Benjamim Constante, Rui Barbosa, Silva Jardim, Campos Sales, Quintino Bocaiuva, Prudente de Morais, Aristides Lobo e muitos outros.
    A idéia republicana já era antiga no Brasil: nós a vemos na Guerra dos Mascates (1710), na Inconfidência Mineira (1789), na Revolução Pernambucana (1817), na Confederação do Equador (1824) e na Revolução Farroupilha (1835). O país clamava pela República e sua proclamação era uma questão de tempo. O Império estava desgastado e vagarosamente ruía, principalmente após a Guerra do Paraguai (1870) onde o Brasil mesmo sendo vitorioso não soube valorizar o Exército, seu principal agente, causando grande descontentamento na classe militar. A Igreja, por sua vez, queria a liberdade, pois se encontrava submetida ao padroado imperial.
    Outro fato importante que fez com o Império perdesse sua sustentação foram as leis antiescravistas: Ventre Livre (1871), Sexagenários (1885) e Áurea (1888), fervorosamente defendidas nas Lojas Maçônicas. Entrelaçando esses e outros fatos a Maçonaria, através das Lojas Vigilância de São Borja (RS) e Independência e Regeneração (ambas de Campinas), aprovaram um manifesto contrário ao advento de um terceiro reinado e enviaram a todas as de demais lojas do Brasil, para que tomassem conhecimento e apoiassem essa causa. Mais uma vez a Maçonaria estava à frente liderando um movimento democrático.
    Em 10 de novembro, na casa de Benjamim Constante, diversos maçons se reuniram, entre eles Francisco Glicério e Campos Sales, decidindo marcar para o dia 20 a tomada do poder, tendo à frente o militar de mais alta patente, o marechal Deodoro da Fonseca, que seria o primeiro presidente da República. A data teve de ser antecipada face a um boato ardilosamente arquitetado de que o governo havia mandado prender Deodoro da Fonseca. Confirmado depois que se tratava realmente de um boato.
    Assim, na manhã do dia 15, Deodoro, que estava doente em sua casa, atravessou o Campo de Santana e do outro lado do parque conclamou os demais revolucionários ali aquartelados. Ofereceram-lhe um cavalo que nele montou e, segundo testemunhas, tirou o chapéu e gritou: "Viva a República!". Depois apeou, atravessou o parque e voltou para sua residência. Na tarde do mesmo dia o ato foi confirmado na Câmara Municipal do Rio de Janeiro e oficialmente proclamada a República do Brasil.
    Faz-se necessário aqui uma justiça ao imperador D. Pedro II, um homem culto, ponderado, também maçom, que, contrariando a opinião pública, não lutou pelo trono, pois não queria ver derramamento de sangue, reconhecendo que para o Brasil este seria seu novo e melhor destino. Numa atmosfera que se desenhou entre o pasmo e o temor dos monarquistas e admiração dos sensatos, passados apenas dois dias o imperador parte com toda sua família para a Europa, levando com ele meio século de história do Brasil Imperial, deixando renovadas as esperanças de se construir uma nova nação, com bases nos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, cercada pela bonança esperançosa da paz.
    O autor é licenciado em história, funcionário público estadual e membro da Loja Maçônica "Deus, Pátria e Família" de Bauru
    6 min
  • A ORIGEM DA EXPRESSÃO MAÇÔNICA “JUSTO E PERFEITO”
    Por Charleston Sperandio de Souza
    A expressão “Justo e Perfeito” é utilizada nas reuniões maçônicas, principalmente quando o Irmão Orador faz ao final de uma sessão, uma análise dos trabalhos realizados, e declara que a sessão foi justa e perfeita.
    Recorrendo à língua nativa, o português, o vocábulo “Justo” significa conforme à justiça, à equidade, à razão; ou ainda, imparcial, íntegro ou exato e preciso (MAÇONARIA E SUA SABEDORIA).
    Já o “Perfeito” exprime um tempo de verbo, no pretérito, ou seja, no passado, e é também um adjetivo a indicar a reunião “de todas as qualidades concebíveis, ou a superação do mais alto grau numa escala de valores” (MAÇONARIA E SUA SABEDORIA). É um adjetivo que não tem defeitos; ideal, impecável; excelente. Que está terminado; sem falhas, lacunas; completo, absoluto, total. Que se sobressai por ser excepcional; magistral, de aspecto belo; em que há elegância; bonito.
    Nessa linha, a expressão “está tudo Justo e Perfeito”, também é utilizada como cumprimento e reconhecimento entre os Maçons, pois, na maçonaria a sua filosofia é eterna, bem como seus ensinamentos (MARCELO LUIZ, 2012).
    Para conhecermos a origem da expressão “Justo e Perfeito”, temos que aprofundar na história bíblica no Antigo Testamento, precisamente no livro de Gênesis 6:9-14, que faz narrativas sobre Noé; os seus filhos; que a Terra estava cheia de violência; fala da destruição da Terra e da Arca.
    Ainda em Gênesis 6:9, relata que “Noé, era homem Justo e Perfeito em suas gerações, e andava com Deus”. Então, surge biblicamente nesse momento a expressão “Justo e Perfeito” (BÍBLIA SAGRADA).
    Mais adiante, ainda no Livro da Lei em Gênesis, diz que Noé gerou três filhos: Sem, Cam e Jafé. A terra, porém, estava corrompida diante de Deus, e cheia de violência. Deus viu a Terra, e eis que estava corrompida; porque toda a carne havia corrompido o seu caminho sobre a Terra (BÍBLIA SAGRADA).
    Então Deus disse a Noé: O fim de toda carne é chegado perante Mim; porque a Terra está cheia da violência dos homens; eis que os destruirei juntamente com a terra. Faze para ti uma arca de madeira [...] (BÍBLIA SAGRADA)
    Continuando em Gênesis, precisamente no capítulo 7:1, Deus se manifesta “Depois disse o SENHOR a Noé: Entra tu e toda a tua casa na arca, porque tenho visto que és Justo diante de mim nesta geração. Assim fez Noé; segundo tudo o que Deus lhe mandou (BÍBLIA SAGRADA).
    Dessa forma, Noé tornara-se Perfeito, mas não como quem não possuía defeitos, e sim como alguém íntegro e reto de coração, ou seja, era Perfeito porque possuía os princípios eternos de Deus implantados nele.
    A palavra hebraica “Tamim" que geralmente é traduzida para o português como "Perfeito", ela tem o mesmo sentido da palavra “sincero" e “íntegro”, a qual se opõe ao que é enganoso, fingido e vaidoso (MARRA, 2020).
    Agora, se tem uma ligeira compreensão geral de quem foi Noé, depois de ler essas passagens, e que tipo de pessoa era Noé.
    Então, nessa linha, pode-se questionar de acordo com a compreensão das pessoas modernas: que tipo de pessoa era um “homem Justo” naquela época? Um homem Justo deveria ser um homem Perfeito.
    Assim, pode-se fazer outro questionamento: Nós sabemos se esse homem Perfeito era Perfeito aos olhos do homem ou Perfeito aos olhos de Deus?
    Sem dúvida, esse homem Perfeito era um homem Perfeito aos olhos de Deus, e não aos olhos do homem, isso porque, o homem se torna cego e não consegue enxergar a plenitude do mundo, e somente Deus observa toda a Terra e cada pessoa, e só Deus sabia que Noé era um homem Perfeito.
    Portanto, o plano de Deus para destruir o mundo com um dilúvio começou a partir do momento em que Ele chamou Noé.
    Aos olhos de Deus, Noé era um homem Justo; tudo que Deus lhe instruísse a fazer, ele fazia desse jeito. Em outras palavras, Noé estava disposto a fazer tudo que Deus lhe mandasse fazer.
    Desta forma, Noé era o único homem Justo aos olhos de Deus durante aquele tempo, o que implica que nem sua esposa nem seus filhos e noras eram pesso
    8 min
  • DAS ORIGENS DA GEOMETRIA E INFLUÊNCIAS NO SIMBOLISMO MAÇÓNICO (IV) #342
    Por Irmão José Ronaldo Viega Alves
    COMENTÁRIOS INICIAIS:
    No capítulo anterior conhecemos um pouco mais detalhadamente o conteúdo desses dois outros importantes documentos da Maçonaria em seu período Operativo, o Manuscrito Cooke (1450) e o Manuscrito da Grande Loja Nº 1 (1583), que juntamente com o Manuscrito Regius (vide o capítulo II) compuseram uma mostra acerca dos três documentos considerados mais antigos dentro do que se convencionou chamar de Old Charges. No âmbito da apresentação toda, ficamos conhecendo detalhes as suas origens, assim como, quais as referências que constavam no corpo desses documentos relacionadas à Geometria.
    Ainda no capítulo anterior, conhecemos aspectos também que diziam respeito ao uso da expressão Grande Arquiteto do Universo pela Maçonaria, eis que, num primeiro momento, o nome parece remeter à própria arte da construção, e por conseguinte, à Geometria conforme alguns dos conceitos que estavam em voga na época. Isso fez com que, buscássemos maiores informações acerca das suas origens, sendo que, uma das constatações mais importantes foi a de que, há muito tempo o nome já vinha sendo utilizado (bem antes dele aportar na Maçonaria), por homens de ciência, filósofos, etc. A expressão Grande Arquiteto do Universo ou sua nomenclatura parece reforçar algumas ideias surgidas na Idade Média de que a Astronomia e a Geometria eram ciências que estavam diretamente ligadas à Divindade, assim como, à ideia de que Deus ao criar o mundo, se utilizou de princípios que essencialmente são associados à Geometria.
    Tal como a metáfora essa que passou a ser utilizada, onde a divindade teria criado o universo com base em princípios harmônicos e geométricos, os trabalhadores medievais ligados à arte da construção, os pedreiros, os Maçons, os construtores de catedrais também acreditaram que as suas construções poderiam conter e ostentar os mesmos princípios, já que sua nobre missão envolvia erigir templos com o objetivo de que eles pudessem servir de morada de Deus aqui nesse mundo, ainda que, na Maçonaria propriamente a expressão foi mesmo colocada em evidência a partir das Constituições de Anderson (1723). Até então, havia um conceito do Deus trinitário, que era o conceito da Igreja Católica especificamente, aliás, a Maçonaria surgiu do seio da igreja católica.
    É de considerarmos também que, a expressão Grande Arquiteto do Universo, conforme alguns estudiosos pode ter uma origem alquímica rosa-cruz, eis que, L’Andrea a teria utilizado em um trabalho no ano de 1623. (Fadista, 2002, pág. 140)
    Conforme o Irmão Nicola Aslan, havia uma história lendária da Maçonaria, com referências à Arquitetura, às edificações e à Geometria, sendo que, esta última era entendida conforme o pensamento da época.
    Enfim, com esses três documentos citados pudemos captar a essência dos Antigos Deveres (Old Charges). Sem esquecer aqui que esses documentos também são o melhor registro dos passos iniciais da Ritualística maçônica, pois, além da mistura essa que consistia de duas orações, uma no início e outra no final, algumas lendas ingênuas, contos simplórios e os deveres que deveriam ser cumpridos, o documento era lido na íntegra para todos aqueles que seriam admitidos como membros de uma Loja, o que significa dizer, por ocasião da cerimônia realizada na sua recepção. (Aslan, 2015, pág. 10)
    Nossos estudos prosseguem então, não sem antes lembrar que: à época, a Geometria que era uma das Sete Ciências, possuía o status de “fonte de todo o conhecimento”.
    O GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO OU O GRANDE GEÔMETRA?
    Lembrem que ao comentarmos a influência de alguns filósofos gregos (Capítulo I) que se destacaram e também muito contribuíram para a ciência da Geometria, foi citada esta que é uma das suas frases mais famosas atribuídas a Platão, a qual constava no pórtico que dava entrada à sua Academia, onde se lia:
    “Que ninguém que não seja geômetra entre aqui”.
    Pois é, sobre o nome de Deus estar associado à Geometria, parece que na Maçonaria vamos
    23 min
  • SUBINDO A ESCADA DE JACÓ #341
    Por J. Winfield Cline, MM
    Um dos símbolos mais interessantes do Primeiro Grau, mas que não recebe muita atenção, é a Escada de Jacó. O ritual diz que "a cobertura de uma Loja não é menos do que o céu estrelado, onde todos os bons maçons esperam finalmente chegar com a ajuda daquela escada teológica que Jacó em sua visão viu estendendo-se da terra para o céu, cujas três rodadas principais são denominadas Fé, Esperança e Caridade, e nos admoesta a ter Fé em Deus, Esperança na imortalidade e Caridade para todos os homens”. É isso. Não há mais menção à Escada de Jacó. No entanto, para a mente inquiridora, este símbolo é rico em significado e tem uma interpretação maçônica impressionante.
    A história da Escada de Jacó é encontrada em Gênesis 28. Mas a história do próprio Jacó começa alguns capítulos antes, quando ele e seu irmão gêmeo, Esaú, nascem de Isaque e Rebeca. Esaú era o favorito de Isaque; Jacó era o favorito de Rebeca. Esaú nasceu primeiro e, portanto, deveria ter desfrutado dos privilégios de um filho primogênito. Um dia, porém, quando Esaú voltava dos campos, encontrou Jacó, que estava fazendo uma sopa de lentilhas. Doendo de fome, Esaú perguntou a seu irmão se ele poderia ter um pouco, ao que Jacó respondeu que poderia se estivesse disposto a desistir de seu direito de primogenitura. Seu julgamento nublado pela fome, concordou Esaú, o que fez de Jacó o primogênito aos olhos da lei.
    Anos mais tarde, quando Isaque estava chegando ao fim de sua vida e ficando cego, ele disse a Esaú que se ele matasse alguns animais selvagens, fizesse deles uma refeição saborosa e os trouxesse diante dele, ele (Isaque) daria a Esaú sua bênção, mesmo que ele não fosse mais o filho primogênito. Ao ouvir isso, Rebeca e Jacó conspiraram para obter a bênção para Jacó. Enquanto Esaú estava caçando Jacó iria matar algumas ovelhas, então Rebeca faria a saborosa refeição, e Jacó a levaria para seu pai cego, fingindo ser Esaú. O plano funcionou, e Jacó recebeu a bênção de seu pai no leito de morte. Esaú, tendo cumprido as tarefas como deveriam, não obteve nada. Essa foi a gota d'água para Esaú. Tendo sido roubado de seu direito de primogenitura e da bênção de seu pai, ele estava determinado a matar seu irmão.
    Forçado a fugir para a casa de seu tio em uma cidade a poucos dias de viagem, Jacó deixou sua casa. Uma noite, enquanto dormia no chão, com uma pedra como travesseiro, teve em seu sonho a visão de uma escada, cujo pé repousava na terra e cujo topo alcançava o céu. Os anjos subiam e desciam continuamente a escada, e a voz de Deus prometeu a Jacó a terra ao redor e disse que ele se multiplicaria e estabeleceria uma grande nação. Quando Jacó acordou, consagrou o local como a casa de Deus.
    Qualquer leitor crítico ou homens de boa moral deve ter uma pergunta neste momento. Por que, visto que Jacó era, segundo todos os relatos, um irmão e filho enganador e não confiável, Deus o recompensa com a promessa de uma posteridade rica? Parece que se alguém teve a visão de uma escada, deveria ter sido Esaú, que foi injustiçado por seu irmão mais novo. Então o que está acontecendo aqui?
    Antes de prosseguir, há dois conceitos sobre a Maçonaria que precisamos ter em mente. Em primeiro lugar, Albert Pike, em seu ensaio "Os compassos e o esquadro", aponta que o esquadro pode ser interpretado como um símbolo de assuntos mundanos e materiais. Os Compassos, por outro lado, simbolizam assuntos espirituais ou celestiais. Assim, tanto esta vida quanto a próxima são representadas no emparelhamento dessas duas Grandes Luzes.
    Segundo, nos é dito no ritual que os três graus da Maçonaria são emblemáticos dos três estágios da vida - juventude, maturidade e velhice - e que a progressão de um homem através dos graus é emblemática de sua progressão ao longo da vida. O candidato, então, representa um homem percorrendo o mundo. Lembre-se, a Loja representa o mundo, estendendo-se “de leste a oeste e de norte a sul”.
    Combinando esses dois conceitos vemos que na preocupação dos jovens
    13 min
  • MEXEU COM UM, MEXEU COM TODOS! #340
    Por Irmão Sérgio Quirino
    Esta é a mentalidade que faz muitos povos entrarem em conflito.
    Em 1202, cidadãos de toda a Europa caminharam até Veneza durante a Quarta Cruzada, afim de embarcarem para a Terra Santa para matar os infiéis Mouros, inspirados em preceitos religiosos de líderes, nem tão santos, com o intuito de fazer o que se julgava como certo.
    Como faltaram recursos para alugar navios que os levassem a Jerusalém, fizeram um acordo com o então governante de Veneza, Enrico Dandolo. Ele financiaria a viagem se os soldados cristãos, antes de irem para a batalha contra os mulçumanos, lutassem ao seu lado contra o Rei Emérico, seu inimigo pessoal na cidade cristã de Zara.
    Zara era um porto comercial na Croácia, cujos laços de amizade com Veneza iam bem até 1183 quando, por problemas sucessórios e comerciais, o Doge Enrico Dandolo, mesmo aos 95 anos de idade e suposta experiência de vida, ordenou saquear a cidade, num terrível derramamento de sangue e arregimentou os vizinhos para cortarem as cabeças dos irmãos, episódio conhecido na História do Cristianismo como “O Cerco de Zara”
    Sim. Para matar Irmãos. Irmãos em Cristo, cidadãos de Zara, que não queriam guerra contra Enrico Dandolo, por entenderem que se tratava de uma questão pessoal. Mas o Doge foi implacável. - Se não está do nosso lado, cortem-lhes o pescoço.
    Ao avistarem as tropas vindas de Veneza, os croatas se identificavam com o sinal da cruz, mostravam o Livro Sagrado, erguiam Crucifixos com símbolos de sua fraternidade, mas seus Irmãos cristãos vindos de Veneza ouviam apenas o comando: São espúrios!
    O resultado foram vidas perdidas, famílias de cristãos que não podiam mais se reunir e a semente da discórdia plantada definitivamente gerou frutos que alimentaram muitas gerações, mesmo após a morte de Enrico Dandolo.
    Mas, por que esta história?
    Para provocar nos Irmãos a reflexão sobre a máxima de Aristóteles, proferida há mais de 2.500 anos:
    O TODO É MAIOR QUE A SOMA DE SUAS PARTES.
    Diante de eventuais conflitos maçônicos precisamos ser pontuais e cirúrgicos. Quando houver desarmonia entre Irmãos, a questão deve ser resolvida entre Irmãos.
    Infelizmente, assistimos Lojas tomando partido em litígios pessoais. O Obreiro José das Couves, da Loja Terra é noivo de uma Irmã de Antônio Batata, que é Obreiro da Loja Amanhecer. O noivado termina e o Irmão Batata exige que o Venerável da Loja Terra expulse seu desafeto.
    Não havendo nada que desabone seu Obreiro, a Loja nada faz. Mas o Batata, não satisfeito, inicia uma guerra pessoal e envolve seus Irmãos. Afinal, “Mexeu com um, mexeu com todos”. Assim, as Lojas Terra e Amanhecer, mesmo estando no mesmo Oriente, se tornam inimigas e, com o passar dos anos, cristaliza-se o estigma da proibição de intervisitação.
    Como resolver isto? Simples. Há uma Lei que todos nós conhecemos: Não podemos usar nosso avental em uma Loja onde se encontra alguém com quem estamos em desarmonia.
    A depender de onde estamos, simplesmente nós nos retiramos ou pedimos para o outro se retirar. Um Irmão nunca terá valor maior do que o de uma Loja e uma Loja nunca poderá ser qualificada por conta de um Irmão.
    No filme “Gladiador”, o Comandante dos Exércitos do Norte, Maximus Decimus Meridius, General das Legiões de Felix e Servo Leal do Imperador Marcus Aurelius, diz:
    “O QUE FAZEMOS NA VIDA ECOA POR TODA A ETERNIDADE”
    Portanto, no ambiente da nossa Ordem, cada um tome sua batalha apenas para si. Lembremos que a nossa história construída hoje, nos colocará no panteão dos Pontífices ou dos Zoilos.
    Seguimos neste ­16º ano de compartilhamento de instruções maçônicas, porque acreditamos fielmente que um mundo melhor se constrói pela qualificação do artífice. Precisamos nos reanimar permanentemente para o bom uso do malho e do cinzel.
    Sinto muito, me perdoe, sou grato, te amo. Vamos em Frente!
    Fraternalmente
    Sérgio Quirino
    Grão-Mestre - GLMMG 2021/2024
    5 min
  • OS ENIGMATICOS CALENDÁRIOS MAÇÔNICOS
    Por Christopher L. Hodapp
    O folclore e as lendas maçônicas cresceram ao longo dos anos e, à medida que os rituais foram expandidos, muitos costumes também. Trago isso à tona porque vários irmãos receberam suas patentes de membro da Sociedade Maçônica, apenas para expressar sua consternação por terem datado de 6022 A..., pensando que nosso diligente Secretário/Tesoureiro havia calculado mal por 4.000 anos.
    Um dos costumes maçônicos mais curiosos tem a ver com a forma como os maçons datam seus documentos. Agora, isso deve ser uma coisa bastante simples, porque o calendário gregoriano foi praticamente padronizado pelo Papa Gregório XIII em 1582. O mundo ocidental não católico levou mais 200 anos antes de concordar com a ideia, mas desde 1776, o mundo está praticamente na mesma página do calendário (embora a Grécia e a Rússia não tenham conseguido adotá-lo até depois da Primeira Guerra Mundial).
    É em grande parte desconhecido hoje, mas em 1658, o bispo James Ussher na Irlanda determinou o que ele afirmou ser a data exata da criação do mundo. Usando o relato bíblico junto com uma comparação das histórias do Oriente Médio, genealogia hebraica e outros eventos conhecidos, ele determinou que a Terra foi criada no domingo, 23 de outubro de 4004 a.C. Além disso, mais ou menos no mesmo período, John Lightfoot, vice-chanceler da Universidade de Cambridge, continuou a apontar que a Criação realmente aconteceu por volta das 9h da manhã.
    Ussher, em particular, não era intelectualmente desleixado. Ele era arcebispo de Armagh, primaz de toda a Irlanda e vice-chanceler do Trinity College em Dublin, e tinha o que se dizia ser a maior coleção particular de livros do mundo.
    Ele não estava apenas envolvido em divagações eclesiásticas - ele realmente acreditava nisso.
    Ussher chamou seu calendário de Anno Mundi ("No Ano do Mundo"). Os cálculos de Ussher e Lightfoot eram tão acreditados que, em 1700, a data e a hora da Criação foram aceitas como fato pela maioria das denominações cristãs. A partir de 1701, As versões autorizadas da Bíblia King James foram impressas que declaravam claramente a data e a hora da Criação, logo de cara. Até as teorias evolucionárias de Charles Darwin serem popularizadas, muitos cristãos (e estudiosos judeus também) estavam convencidos de que a Terra não era mais de 6.000 anos de idade. Além disso, muitos acreditavam que os cálculos de Ussher eram parte integrante das Escrituras e, portanto, inquestionáveis.
    Na época da origem da Maçonaria moderna, a data de criação de Ussher era tão uniformemente acreditada que os maçons começaram a datar seus documentos usando 4004 a.C. como seu ano de início. O ano de 4004 a.C. era um número inconveniente de se lembrar, então os maçons realmente pegaram o ano atual e adicionaram 4.000 a ele. Assim, AD 1717 tornou-se 5717 Anno Lucius, ou A.L. Da mesma forma, AD 2022 torna-se 6022 A.L.
    "Anno Lucius?!", Eu ouço você gritando. "O ano de Lúcifer!"
    Obrigado por notar. Por favor, permaneça em seu lugar. Anno Lucis significa "No Ano da Luz" em latim. Os maçons o chamaram assim para coincidir com a passagem bíblica "E Deus disse: 'Haja luz; e houve luz". — Fizeram isso para dar à fraternidade um ar de grande e solene antiguidade. Se eles datassem seus documentos como tendo 5.717 anos, eles certamente soariam mais respeitáveis e impressionantes do que algum novo clube de bebidas que se formou na semana passada.
    Para não ficar atrás, os maçons do Real Arco calculam a passagem do tempo a partir da construção do Segundo Templo em Jerusalém, que foi erguido pelo príncipe Zorobabel, no ano de 530 a.C. Eles marcam os anos que passam como Anno Inventionis ("No Ano da Descoberta"). Maçons do Arco Real adicionam 530 anos ao ano atual; 2022 d.C. seria o ano 2552 A.I.
    Eu não acabei. Os maçons crípticos datam seus calendários maçônicos do ano em que o Templo de Salomão foi concluído, por volta de 1000 a.C. Os maçons crípticos chamam o deles de Armo Depositionis, que significa "No Ano do Depósito" (quando os
    8 min
  • INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E ÉTICA - UMA REFLEXÃO
    A sociedade humana muda ao longo do tempo e o grau de mudança aumentou imensamente, criando novas condições e novos problemas. A situação que chamamos de “Aldeia Global”, com seus modernos meios de comunicação, sem dúvida mudou muitos aspectos de nossa vida. No entanto, os princípios básicos da moralidade permaneceram inalterados, embora seus usos possam ter mudado ao longo do tempo, o que significa que a necessidade de discutir questões morais com outras pessoas permaneceu inalterada. A Maçonaria é um sistema de moralidade que nos ajuda a nos reformar de acordo com os princípios morais ideais. Fazendo o que Sócrates chamava de "viver a boa vida", que significa: a única vida que vale a pena ser vivida, uma vida em conformidade com os princípios morais de cada um. Somos todos bem sucedidos? Certamente não! Como seres humanos, temos nossas fraquezas humanas. Nem sempre conseguimos o que esperamos, mas pelo menos pretendemos chegar o mais próximo possível desse objetivo.
    É interessante notar que a Maçonaria floresce em sociedades onde os homens têm crenças profundamente enraizadas e uma propensão ao compromisso. Um ambiente luta pelas causas em que acredita. A Maçonaria não pode prosperar em uma sociedade em que há uma atmosfera de apatia devido à crença de que nada pode ser feito para mudar as injustiças e na qual o ser humano se sente alienado.
    Em uma sociedade em que o desenvolvimento tecnológico ocorre rapidamente, mesmo os cidadãos “globais” devem se adaptar em tempos de reação às ameaças que os sistemas tecnológicos desenvolvem em relação aos seus direitos. Vamos pensar, por exemplo, na Inteligência Artificial (IA). Os sistemas de inteligência artificial podem obscurecer os dados para criar informações distorcidas dependendo dos valores dos sujeitos que inserem fisicamente os dados na fonte. Por exemplo, um algoritmo desenvolvido a partir de dados de empréstimos hipotecários poderia incluir uma variável sobre a expectativa dos proprietários de pagar a dívida. Pode haver um viés se uma ou mais localizações geográficas estiverem listadas ou classificadas no topo da escala de risco para problemas de reembolso no passado. Essas áreas podem incluir em grande parte grupos minoritários. Mas esta prevenção está correta simplesmente porque houve problemas com certas pessoas no passado? Em outras palavras, uma pessoa deveria sofrer as consequências de ter um empréstimo recusado porque as pessoas que moravam lá tiveram problemas para pagar a hipoteca no passado?
    Ultimamente, tem havido muita discussão sobre se a inteligência artificial (IA) pode ser usada de forma ética e responsável. A IA deve ser usada para facilitar nossas vidas, mas deve fazê-lo com responsabilidade e ética. Os vários escândalos sobre o uso de dados pessoais nas mídias sociais pelo Facebook e pela Cambridge Analytica trouxeram à tona considerações éticas. Como os aplicativos de IA exigem quantidades crescentes de dados para ajudar as máquinas a aprender e executar tarefas anteriormente reservadas para humanos, as empresas enfrentam um novo escrutínio público. Tesla e Uber pararam no desenvolvimento de veículos autônomos após o número de acidentes.
    Como podemos garantir um uso ético e responsável da IA? Como podemos trazer maior atenção e conscientização para essa responsabilidade na ausência de um padrão global de IA?
    É importante que esses valores incluam a transparência, a redução do risco de causar danos previsíveis ou não intencionais, monitorando a IA para prevenir ou reduzir preconceitos; também seria aconselhável enfatizar o conceito de responsabilidade dos envolvidos no desenvolvimento de sistemas de IA. Acima de tudo, é necessário que o sistema de inteligência artificial ética promova a privacidade tanto como valor a ser defendido quanto como direito a ser protegido. Além disso, é necessária a máxima transparência e divulgação sobre como as máquinas de IA produzem dados e tomam decisões, como esses dados são usados e quais são os resultados desse uso para
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  • DEÍSMO E RACIONALISMO
    Por Venerável Irmão Melki-Tsedek
    Alguns aspectos sobre a primeira constituição da grande loja de Londres, hoje chamada de constituição de Anderson, embora tenha sido feita com a ajuda de outras pessoas...
    Com o protagonismo palpável do Pastor Anderson, o novo projeto de Constituição nasceu em 1723, com intenções marcantes de descristianizar a Maçonaria -por um lado-, e -por outro, colocá-la a serviço e congenialidade com os interesses imperialistas da monarquia constitucional inglesa, que foi apoiada pela Santa Aliança Conservadora que se formou como resultado do Golpe de Estado de William Orange em 1688, aprovando assim a Carta Magna da Grande Loja de Londres, elaborada pelo clérigo protestante presbiteriano James Anderson; o clérigo calvinista de origem francesa, Juan Teófilo Desagulliers; e a colaboração de outras pessoas como: King, Calvert, Lumley, Hadden e o próprio George Payne; com um humor marcadamente deísta, e claras influências protestantes calvinistas, donas da situação da época e relacionadas à burguesia e à nobreza gentrificada que simpatizava com o presbiterianismo e assumia o governo; assim como as influências e o pensamento científico e liberal de "John Locke" e do próprio Desaguliers, todos ligados à "British Royal Society".
    Algo sobre o deísmo…
    Deísmo (do latim deus: "deus") é uma posição filosófica que acredita na existência e natureza de divindades ou divindade através da "razão" e da experiência pessoal, e não através de elementos comuns, como religiões, revelações, fé ou "Tradições". . Em geral, um deísta é aquele que está inclinado a afirmar a existência de um deus, mas não necessariamente pratica uma religião e nega a intervenção de Deus no mundo.
    O deísmo como tal aparece na Europa durante o século XVII, como uma derivação das disputas teológicas da Reforma, o deísmo foi acusado de ser uma posição “ateísta” por seus oponentes, pois questionava até mesmo os dogmas aceitos pelas diferentes confissões religiosas da época. Exerceu sua maior influência, porém, no século seguinte, como a posição predominante entre os filósofos iluministas. A concepção mais próxima do deísmo, sem sê-lo, foi a de Epicuro que sustentava a possibilidade de conhecer os deuses pela razão e que eles habitavam um mundo sobrenatural sem cuidar da humanidade ou mesmo da Natureza. A Renascença, com seu interesse por autores clássicos, assim como pelo Humanismo e a Reforma, desafiou a crença aceita em uma fé revelada cuja custódia havia sido confiada à Igreja. Autores como "Spinoza", com seu Tratado Teológico Político, onde delineou os princípios da crítica bíblica ou Edward Herbert de Cherbury em sua obra Sobre a Verdade (De Veritate) lançam as bases do deísmo. Na época do Iluminismo, século XVII, o movimento deísta atingiu seu apogeu nos escritos de autores ingleses e franceses, como Thomas Hobbes, Jean Jacques Rousseau e Voltaire. Os princípios deístas tiveram um efeito nas estruturas políticas e religiosas nos EUA, como a separação entre Igreja e Estado e a liberdade religiosa. Com o tempo, o deísmo também levou ao desenvolvimento de grupos religiosos, como o Unitarismo, que mais tarde se tornou Unitário Universalista. Um dos principais postulados dessa posição baseia-se na consolidação de que Deus existe e criou o universo físico, mas não interfere nele. Este postulado está relacionado e se origina com uma filosofia e movimento religioso que deriva a existência e a natureza de Deus através da razão. Portanto, não toma posição sobre o que Deus faz fora do universo, em contraste com o "fideísmo" (em oposição à fé) encontrado em muitos ensinamentos do cristianismo, islamismo e judaísmo que sustentam que a religião depende da revelação. ou o testemunho de outras pessoas sem usar o intelecto racional, mas o que seria uma simples "fé". Os deístas geralmente também tendem a rejeitar milagres, profecias e interpretações de livros religiosos. Os deístas afirmam que o maior dom divino da humanidade não é a religião, mas "o capacidade de r
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  • O QUE AS CARTAS DO TARÔ TÊM A VER COM A MAÇONARIA?
    Por Jaime Paul Lamb
    Como maçons, periodicamente encontramos referências a cartas de tarô e imagens de tarô nas proximidades de assuntos maçônicos. A frequência da exposição às imagens do Tarô é muito maior entre aqueles que estão envolvidos nas avenidas mais esotéricas da pesquisa maçônica. Isso pode fazer com que o maçom se pergunte por que esse é o caso. É o propósito deste artigo elucidar quais conexões podem existir entre este estranho baralho de cartas e nosso nobre Ofício. Consideraremos de onde essas cartas vieram e como os maçons ajudaram a moldar sua evolução em quase todos os momentos cruciais de seu desenvolvimento.
    Embora se acredite que as próprias cartas de baralho tenham sido introduzidas na Europa em algum momento do início do século XIV, geralmente acredita-se que o baralho de tarô foi inventado em algum momento entre 1411 e 1425, adicionando os vinte e dois trunfos ao baralho de cartas padrão. Naquela época, as cartas de baralho tinham cinquenta e seis, não cinquenta e duas, por serem uma carta da corte adicional. A adição dos trunfos significava que um baralho de Tarô tinha setenta e oito cartas no total – quarenta pips, dezesseis cartas da corte e vinte e dois trunfos. Essas cartas adicionais, que são pictóricas em design, ficaram conhecidas como os Arcanos Maiores – uma designação concedida a eles pelo maçom Arthur Edward Waite, sobre quem discutiremos em breve. A palavra trunfo é uma anglicização da palavra italiana trionfi, que significa uma vitória ou procissão comemorativa, e compartilha essa raiz etimológica com a palavra triunfo.
    Embora o Tarô já estivesse em uso para adivinhação e adivinhação há algum tempo, o início do esoterismo do Tarô pode ser atribuído à publicação de Le Monde Primitif em 1781 pelo maçom suíço Antione De Gébelin (iniciado em 1771 na Loja Les Amis Réunis). Em seu livro, De Gébelin interpreta o simbolismo do Tarô de Marselha, concluindo que as origens do misterioso baralho remontam a antigas Tradições de Mistério, como as de Ísis e Osíris, e outros sobreviventes do simbolismo religioso arcano. De Gébelin também foi o primeiro a propor que o Tarô foi composto como uma destilação da sabedoria coletada contida na Biblioteca de Alexandria, que foi destruída pelo fogo em 48 aC, e que o baralho continha arcanos enigmáticos do mundo antigo. Este arcano, porém, estava codificado em simbolismo destinado apenas a ser decifrado por aqueles de certa realização na linguagem dos símbolos; este desafio parece ter atraído muitos maçons para a tarefa.
    Acredita-se que a atribuição das vinte e duas letras do alfabeto hebraico aos vinte e dois trunfos dos Arcanos Maiores tenha sido feita pela primeira vez por Éliphas Lévi (uma transliteração hebraica de seu nome próprio, Alphonse Louis Constant; iniciado em 1861 em Lodge Rose du Parfait Silence), um eminente ocultista, rosacruz e maçom. A magnum opus de Lévi, Dogme et Rituel de la Haute Magie (Inglês: Dogma and Ritual of High Magic, 1854 & 1856), é dividida em vinte e dois capítulos, cada um correspondendo a uma letra do alfabeto hebraico e às cartas do Tarot. Arcanos Maiores. Outras correspondências relacionadas à cabala, alquimia, astrologia, hermetismo e, claro, magia cerimonial são feitas ao longo do trabalho e atribuídas à sua carta de Tarô e letra hebraica correspondentes. O livro foi especialmente influente para Albert Pike, que criou grandes passagens não creditadas do trabalho de Lévi para inclusão em sua Morals and Dogma of the Ancient and Accepted Scottish Rite of Freemasonry (1871). O principal tradutor e comentarista de Lévi no século 19 e no século 20 foi Arthur Edward Waite – um maçom cuja sombra continua a pairar sobre o mundo do Tarô.
    O Maçom e Rosacruz Maçônico, Arthur Edward Waite (iniciado em 1901 na Loja Runymede Nº 2430) também foi membro da Ordem Hermética da Aurora Dourada – uma sociedade mágica vitoriana fundada em 1887, que tinha foco na cabala hermética, cujo currículo e os rituais eram baseados em manuscritos cifrados que
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