Malhete Podcast

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By Luiz Sérgio F. CastroHistory
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Malhete Podcast episodes

  • DA IMORTALIDADE DA ALMA
    O que deve ser entendido corretamente, em um sentido metafísico, pela imortalidade da alma?
    O termo sânscrito "ARMITA" se traduz literalmente como IMORTALIDADE, mas deve ser aplicado exclusivamente a um estado de estar acima de todas as mudanças e, consequentemente, a ideia de MORTE se refere a todas as mudanças: o exemplo da morte e renascimento no 1º grau é um exemplo, pois com a Iniciação entra-se numa nova POSSIBILIDADE, impossível na existência anterior, concluída com a superação das provas iniciáticas. O exemplo é ainda mais claro com uma referência à iniciação do 3º grau que não podemos tratar aqui.
    No Ocidente, por outro lado, há o costume de considerar a morte apenas a conclusão definitiva da experiência terrena. Este hábito deriva claramente da influência do dualismo cartesiano, que exigia irremediavelmente a concepção do UNIVERSO neste mundo e no outro mundo.
    A metafísica pura, por outro lado, concebe o Universo como uma série indefinida e hierárquica de mundos (ou seja, "estados" e não "lugares") e em que o nosso se insere sem ter maior ou menor importância que os outros, sempre sob uma perspectiva ou hierarquia.
    É claro que somente nesta perspectiva, a ideia cristã de um “Juízo Universal” transposto para o fim dos tempos, adquire um significado muito preciso (e muito diferente do que fazemos atualmente).
    Isso também esclarece uma clara distinção entre Místico e Iniciado: o Místico confunde Perpetuidade com Imortalidade. Para ser claro: para a metafísica, a imortalidade diz respeito à personalidade transcendente, enquanto para o sentido filosófico ocidental diz respeito à Individualidade Humana. Desenvolver a distinção entre Personalidade e Individualidade requer um estudo à parte, mas para evitar confusões tipicamente dualista-ocidentais, deve-se afirmar claramente que essas duas concepções não se contradizem ou se excluem, pois pertencem a duas ordens completamente diferentes. No Universo há lugar para todas as Possibilidades, desde que se saiba colocá-las em seu devido lugar. Elementos psíquicos e extensões do indivíduo podem permanecer ativos após sua morte. Esses elementos psíquicos podem ser incorporados a outro indivíduo, é o que afirmam os órficos e os pitagóricos, que chamaram esses eventos de "metampsicose".
    Coisas semelhantes fazem parte dos ritos relacionados ao culto dos ancestrais na China e na Roma antiga ao culto dos Lares. Os Vedas, por outro lado, falam da Transmigração das Almas.
    Tudo isso nada tem a ver com o conceito de reencarnação, como já se disse "teoria" nascida depois de 1848, então enriquecida no último quarto de século por ocultistas, teosofistas, neo-espiritualistas, etc..., que prevê o retorno, através de um novo corpo, para o estado em que já se encontrava.
    A transmigração das almas no sentido védico, de fato, prevê a possibilidade de passagem para outros estados de ser, que nada têm a ver com a condição humana, exceto a posição ocupada na hierarquia dos múltiplos estados de ser. A única semelhança reside no fato de que, tratando-se de estados individuais, eles são necessariamente cobertos por uma forma, que, no entanto, não pode dar origem a qualquer representação espacial ou outra modelada mais ou menos na forma corpórea.
    Quando se trata de transmigração é sempre uma mudança de fato, caso contrário seria migração.
    Segundo a visão da metempsicose, o fato de que, após a morte do indivíduo, alguns de seus elementos psíquicos possam passar a outros seres vivos, homens ou animais, não é muito mais importante do que o fato de que, após a dissolução do corpo, elementos constitutivos do próprio corpo humano, servem para construir outros corpos: todos sabemos que a carniça são excelentes fertilizantes, que o óleo é feito de matéria orgânica transformada ao longo dos milênios, etc.
    Tanto no caso dos elementos "psíquicos" quanto no caso dos elementos corporais, estamos falando de partes não imperecíveis do ser real, que não fica minimamente orbitado por essas mudanças póstumas. O que é impor
    6 min
  • TEILHARD DE CHARDIN E O ESTRUTURALISMO CÓSMICO.
    Por Irmão João Anatalino.
    Entre os modernos gnósticos, o jesuíta francês Pierre TEILHARD DE CHARDÂN brilha como uma estrela de máxima grandeza, por isso julgamos de fundamental importância fazer uma pequena síntese do seu pensamento, porque ele encontra, em nossa opinião, muitos paralelos com as descobertas da moderna física quântica e se enquadra nos temas que informam o ensinamento maçônico.
    Teilhard vê o mundo ordenado numa série de grandezas distribuídas ao longo de uma escala, que é o eixo do espaço-tempo. Essas grandezas se distribuem em duas direções: uma, que é aquela que vai do ínfimo para o imenso, representada por um universo em constante expansão, formando os planetas, os astros, as galáxias, as grandes massas estelares; essa expansão originou-se num ponto ínfimo de máxima densidade energética, que justamente por hospedar essa inconcebível concentração de energia, um dia vazou para além de si mesma. Esse “vazamento” pode ser identificado na grande explosão que os cientistas chamam de Big-Bang.
    ;A outra direção é aquela que parte do imenso para o ínfimo, representada pela tendência da energia presente nas massas físicas, de enrolar-se sobre si mesma, criando camadas energéticas cada vez mais densas, concentradas em pontos cada vez menores. Essa é a direção que o espírito humano percorre. E assim é em virtude do fenômeno da complexificação cada vez maior dos processos organizacionais, um dos quais, o mais complexo, é o pensamento humano.
    ;Na escala do imenso, que são as grandezas cósmicas, domina a relatividade. As massas estelares se formam por dispersão, partindo de um ínfimo inicial. Por isso, a organização dos corpos materiais é simples. Neles são realizadas combinações atômicas primárias e as realidades materiais vão surgindo a partir delas, povoando o nada cósmico. Na escala do ínfimo, porém, ocorre um processo inverso. Neste domina o quanta.
    ;Nessa escala ocorre uma concentração energética no interior dos elementos, e dela resultam estruturas cada vez mais complexas, quanto mais a energia se concentra sobre si mesma. Foi essa concentração energética em uma molécula, que produziu, um dia, o primeiro organismo vivo, o qual evoluiu até desembocar no homem.
    Por isso, na psique humana convivem as noções de ínfimo e imenso. Situado no ponto mínimo da grandeza cósmica, e no ponto máximo da complexidade material, o homem debate-se entre a glória de ser o organismo mais perfeito que a natureza criou e a angústia de ser tão pequeno entre as grandezas cósmicas, comparado a um grão de poeira perdido na imensidão do universo.
    É assim que, pressionado entre o ser (complexidade/consciência), e o nada (que são os vazios do conhecimento que tem que preencher), ele sente o arrebatamento do espírito que perscruta a imensidão do universo e sofre pela limitação que a matéria lhe impõe, pois esta não lhe permite mover-se além dos estreitos limites de si mesmo. Esse é o grande conflito que o homem enfrenta; uma eterna luta entre as forças que o constroem.
    Os seres vivos, ensina Teilhard, podem ser grandes ou pequenos. Um dia já foram maiores, mas a necessidade de adaptar-se às condições de vida na terra, (resultantes da compressão em um espaço limitado), forçou-os a diminuir de tamanho.
    Mais importante que suas conformações externas, porém, é o fato de eles serem simples ou complexos em suas estruturas, pois é a complexidade dos arranjos que as moléculas fazem para compor um organismo que determina o grau de sua evolução. Dessa forma, um micróbio, por possuir na sua estrutura física uma complexidade maior do que a de uma galáxia de estrelas dispersas, ocupa um lugar mais proeminente na escala da evolução do que essa imensidade cósmica, por infinita que ela seja. Isso porque, no micróbio a matéria já se organizou de tal forma que a vida se fez presente, coisa que uma galáxia ainda não conseguiu.
    Nos seres infinitamente simples, unicelulares, nada se constata além de mero determinismo. Neles, tudo se comporta conforme as leis da esta
    13 min
  • GRANDES MAESTROS MAÇONS - WOLFGANG AMADEUS MOZART (1756-1791)
    por Francesco Attesti
    Wolfgang Amadeus Mozart (1756 - 1791) é unanimemente reconhecido como um gênio absoluto no campo musical, talvez "o maior" de todos, aliás, enquanto outros compositores são lembrados por terem se tornado imortais por uma determinada composição (sinfonia, sonata, concerto , ópera, etc.), Mozart é o único que deixou uma obra-prima em qualquer gênero musical decodificado.
    A abordagem de Mozart à Maçonaria remonta a 1778, quando, aos vinte e dois anos, compôs a Sinfonia nº. 31 em Ré maior K 297 chamado “Parisier Sinfonie” (Sinfonia de Paris). A Sinfonia foi encomendada por Legros para o "Concerto Spirituels" e estreou em 12 de junho de 1778 em um concerto privado na casa do Conde Karl Heinrich Joseph von Sickingen, a primeira apresentação pública, no entanto, ocorreu seis dias depois.
    Embora Mozart ainda não tivesse sido iniciado na maçonaria, ele se juntará a ela apenas seis anos depois, em 14 de dezembro de 1784, é interessante notar que os instrumentos de sopro típicos das reuniões da loggia são usados na sinfonia; flautas, oboés, clarinetes, fagotes, trompas e trombetas.
    Precisamente esses sons se tornarão típicos das composições maçônicas do músico de Salzburgo com predominância de instrumentos de sopro e vozes masculinas.
    Sua música mostrará não apenas uma adesão formal, mas uma profunda convicção espiritual e esotérica; além do incomparável simbolismo da Flauta Mágica, é importante lembrar o Freimaurer kantate em Dó Maior K 623 (Cantata Maçônica) cuja finalização ocorre em terças paralelas como se simbolizasse uma corrente entre irmãos.
    Toda a música maçônica de Mozart está imbuída de virtuosidades gráficas semelhantes; De fato, a prevalência da tonalidade com três sustenidos (lá maior) ou, melhor, com três bemóis (mi bemol ou dó menor) junto com acordes de terça e sexta não é coincidência.
    Podemos dizer sem medo de negação que Mozart foi provavelmente o músico mais intimamente ligado à Maçonaria e que mais fortemente traduziu suas intenções, símbolos e ideais na música.
    O apego de Mozart à Maçonaria foi muito além das razões de conveniência; a possibilidade de estar livre de qualquer dogmatismo e, ao mesmo tempo, a possibilidade de se elevar espiritualmente, provocou um fascínio irresistível no músico de Salzburgo.
    Deste período maçônico parece ter permanecido uma grande produção referente ao primeiro ano após a entrada na Maçonaria, 1785, com obras como a Cantata K 471, o Adágio para dois clarinetes e três trompas de basset K 411 e a música fúnebre maçônica K 477, enquanto outra grande parte de sua produção se refere ao último ano de sua vida, 1791 com o já mencionado Freimeurerkantate K 623, a Flauta Mágica e, se preferir, correspondendo em sentido amplo aos ideais maçônicos também com a obra Clemenza di Tito.
    . Finalmente, a cantata para tenor e piano Die ihr des unermeßlichen Weltalls Schöpfer ehrt ("Você que honra o criador do universo infinito") K 619, baseada em um texto de Franz Heinrich Ziegenhagen, representa uma espécie de manifesto do Iluminismo radical e igualitário ; o texto (musificado por Mozart em julho de 1791) é um apelo apaixonado a favor da tolerância religiosa, contra o fanatismo, contra o militarismo e a favor da paz entre os povos. A prática de execução da época geralmente exigia que o compositor também fosse o intérprete ou diretor de sua própria música.
    Assim, Mozart não apenas conduzia rotineiramente suas próprias sinfonias, mas também frequentemente aparecia no duplo papel de solista e maestro em seus concertos dirigindo diretamente do piano.
    Deve-se notar, no entanto, que na música de câmara e orquestra do século XVIII, geralmente era um membro do conjunto que tomava o lugar do maestro, às vezes era o primeiro violino que usava o arco como batuta. Para as peças que tinham uma parte de baixo contínuo, era costume dirigir do cravo.
    Na presença do compositor cuja peça estava a ser executada, era o próprio autor que fazia o concerto e a direcção, geralmente sentado ao cravo
    7 min
  • O LIVRO DE RUTE - 322
    Por Brad Kohanke
    Há apenas um Livro específico das Escrituras mencionado em todo o catecismo ritualístico da Maçonaria. Você lembra qual é? A menção dele em nosso ritual fez você querer lê-lo? Você leu isso? O que isso significa pra você?
    Este mês quero falar um pouco sobre o Livro de Rute. Para a maioria dos estudiosos religiosos, bem como para os membros da Estrela do Oriente, este é um livro para e sobre mulheres. Resumindo a história: Belém estava passando fome. Um casal israelita (Elimelec e Noemi) junto com seus dois filhos saem em busca de comida e acabam em Moabe, onde se estabeleceram. Eventualmente, seus filhos se casam com mulheres moabitas locais, Rute e Orfa. Um por um, Elimeleque e seus filhos morrem, deixando Noemi e suas noras sem maridos. Noemi decide voltar para Belém e diz a Rute e Orfa que fiquem em Moabe. Orfa fica, mas Rute se recusa a abandonar sua sogra. Sua declaração a Noemi se tornou uma das mais belas citações do Antigo Testamento e é central para as crenças mantidas por cristãos, judeus e a Estrela do Oriente sobre lealdade, amizade e o que significa realmente ter fé. Ela diz: “Não me incite a deixá-lo ou deixar de segui-lo; pois onde você for, eu irei, e onde você se hospedar, eu me hospedarei. O teu povo será o meu povo, e o teu Deus, o meu Deus.
    Esta é realmente uma bela história, mas é apenas o primeiro de quatro capítulos. Para mim, os três capítulos subsequentes são onde se encontram as lições centrais dos ensinamentos da Maçonaria. Finalizando a história: As duas viúvas, Noemi e Rute, chegam de volta a Belém, mas não têm como se sustentar. Ruth sugere que ela vá para os campos de grãos que já foram colhidos e pegue o extra que foi deixado para trás. Acontece que ela está pegando o grão extra de um campo que pertencia a um parente de seu sogro, Elimeleque. Seu nome é Boaz (onde eu ouvi esse nome antes?). Quando ele a vê no campo, ele diz a seus homens não apenas que eles devem permitir que ela pegue o extra, mas os instrui a deixar grãos adicionais para ela e até mesmo permitir que ela tire dos feixes colhidos. Rute pergunta a Boaz por que ele está sendo tão gentil com ela, e ele diz a ela que ouviu como ela ficou com Noemi e deixou seu povo para seguir os ensinamentos do Deus de Israel. Boaz até a convida para compartilhar pão e vinho com eles. Quando Noemi soube que Rute havia sido tão bem tratada por Boaz, ela disse: “O Senhor o abençoe. Ele não parou de mostrar sua bondade para com os vivos e os mortos”. Noemi então diz a Rute que Boaz é parente e para continuar trabalhando apenas em seus campos, para que ela não seja prejudicada por outros.
    Noemi então diz a Rute que ela deveria se aproximar de Boaz como um “Redentor de Parentes”. Havia um costume na época de que uma viúva poderia ser tomada como esposa pelo parente masculino remanescente mais próximo, se ele comprasse a terra que anteriormente pertencia ao marido falecido da viúva. Boaz fica muito honrado que Rute o escolheu em vez dos homens mais jovens e ricos, mas diz a ela que há outro parente mais próximo que ele e, portanto, teve o primeiro direito de comprar a terra e se casar com ela. Ele a envia de volta a Noemi com grãos adicionais e diz a ela que falará com o outro homem no dia seguinte.
    Boaz encontrou o outro homem nos portões da cidade junto com os anciãos e disse-lhe que tinha o direito de comprar a propriedade de Noemi, mas se o fizesse também deveria tomar Rute como esposa. O outro homem não queria se casar, então ele concedeu a propriedade a Boaz e a Rute, e para significar a legalidade da transação tirou a sandália e a entregou a Boaz. Boaz levantou para todos verem e anunciou sua intenção de comprar a terra e tomar Rute como esposa. Boaz e Rute tiveram um filho chamado Obede, que era avô do rei Davi – pai do rei Salomão.
    Então, como você pode ver, o Livro de Rute não apenas explica o significado por trás da remoção de uma sandália, mas também ensina lições muito valiosas sobre honestidade, integridade e como devemos
    5 min
  • SODOMA E GOMORRA - HOMOSSEXUALISMO E INCESTO NA BÍBLIA -321
    Por João Anatalino
    Ao ler a história do sujeito que manteve sua filha prisioneira durante vários anos e abusou dela nesse tempo todo, tendo com ela vários filhos, e depois vendo que isso também acontece amiúde no Brasil, lembrei-me da história das Filhas de Lot, contada no episódio bíblico de Sodoma e Gomorra. E não sei porque, de Niezstche, com a sua maluca idéia do eterno retorno.
    Lot era sobrinho de Abraão, o patriarca hebreu que fundou a nação dos israelitas. Essa história está na Bíblia e tudo que escrevemos aqui não é invenção da nossa cabeça.
    A Bíblia não explica a verdadeira razão de Abraão ter deixado a Mesopotâmea, terra dos caldeus, para se mudar, com sua família e todos os seus agregados para a Palestina. Mas lendo Flávio Josefo, um historiador judeu dos tempos de Jesus Cristo, ficamos sabendo que Abraão, na verdade, era um sacerdote caldeu que um dia descobriu que havia uma força no universo que fazia com que tudo obedecesse a uma certa lei. E era por conta dessa força que o sol brilhava durante o dia e se escondia durante a noite. Por isso, igualmente, a lua substituía o sol, á noite, quando ele se ausentava, e dava força às marés. E também influenciava todos os fluxos líquidos da terra, inclusive aquele que acontece às mulheres pelo menos uma vez por mês.
    Com isso ele começou a imaginar que se havia um processo que regulava os caminhos dos astros no céu, deveria haver também algo semelhante para regular a vida dos homens na terra, E por traz disso devia haver uma Vontade a presidir tudo, ou seja, um Deus que controlava esse processo, e por sua atuação, tudo acontecia ou deixava de acontecer na terra e no céu.
    E daí a descobrir que Ele tinha um propósito para a raça humana, foi apenas mais um passo. Esse propósito era uma idéia de aperfeiçoamento contínuo das faculdades espirituais do homem, até que ele mesmo se igualasse aos seus próprios construtores, que eram os anjos(os chamados elohins). Essa é a tese defendida pelo Talmud e pelo Zohar, o místico livro da Cabala, que começou a ser escrita pelo próprio Abraão, quando ele teve essas iluminações. Mas para que isso acontecesse, pensou Abraão, era preciso que Deus separasse entre os povos existentes naquela época uma matriz que pudesse ser trabalhada segundo esse modelo.
    Ora, a antiga religião dos caldeus pregava que o mundo era obra de uma infinidade de deuses. Havia o deus da chuva e o deus que promovia a seca; o deus que trazia a doença e o deus que fazia a cura; o deus que representava a luz e o deus que simbolizava as trevas; o deus do doce e o deus do azedo, o deus que dizia sim e o deus que dizia não.
    Abraão, de posse desse novo conhecimento concluiu: tudo isso é uma grande besteira. Só há um único Deus. Ele é que fez tudo e controla tudo. Ele é o próprio universo, ou seja, um poema de verso único, embora tenha uma multiplicidade de faces e muitas interpretações.
    Mas em Ur, onde ele vivia, e na Babilônia, Assur, Nínive e outras cidades da Mesopotâmia, havia um grande número de pessoas que viviam da prática da religião. Sempre foi assim. Dizem que a prostituição é a mais antiga profissão do mundo, mas não é verdade. O exercício do sacerdócio e a exploração da crendice popular são atividades bem mais antigas. O comércio da fé é um negócio que nasceu praticamente junto com a invenção da linguagem. E sempre se mostrou muito lucrativo. Até hoje é. Houve um tempo em todas as famílias importantes queriam ter uma padre, ou um sacerdote, fosse qual fosse a religião, no clã. Ser padre era mais importante do que ser médico, advogado, engenheiro, politico ou militar. Além das boas rendas que proporcionava a carreira, ainda tinha aquela prerrogativa de se ter um bom intermediário em casa para negociar os pecados da familia quando chegasse a hora de fazer a contabilidade com Deus. Mas então sucedeu que com essa idéia de que só havia um único Deus, Abraão prejudicou o ganha pão de muita gente na Mesopotâmea dos grandes magos, e por isso ele foi expulso daquela terra. A
    18 min
  • PROTESTANTISMO E MAÇONARIA


    Existe incompatibilidade entre o Protestantismo em suas diferentes formas e a Maçonaria?

    Deve ser lembrado que em 1721, foi um pastor da Igreja Presbiteriana Escocesa, James Anderson (1674-1739), que foi comissionado pelo Grão-Mestre da Grande Loja de Londres para compilar as Antigas Obrigações dos maçons operativos e escrever novas "Constituições". Jean-Théophile Désaguliers (1683-1739 ou 1744), o verdadeiro artífice desta obra, foi ministro da Igreja Anglicana e capelão do Príncipe de Gales. Consequentemente, os protestantes nunca deixaram de estar presentes na Maçonaria.

    No entanto, o protestantismo não é monolítico. Não há um protestantismo e uma igreja protestante, mas protestantismos e igrejas protestantes que se situam entre dois polos radicalmente diferentes: o protestantismo liberal e o protestantismo fundamentalista. O protestantismo liberal se define pela total liberdade de pensamento, abertura à cultura e desconfiança da instituição eclesiástica e suas pretensões normativas; são tolerantes e acolhem as críticas bíblicas e buscam pontos de união no conhecimento profano. Portanto, as condenações dessas Igrejas Protestantes à Maçonaria são muito excepcionais.

    O protestantismo fundamentalista, ao contrário, procura convencer os outros de seu erro para convertê-los ao que consideram "a única Verdade", condenam o modernismo, pregam uma moral rigorosa com posições éticas bem definidas; são hostis ao clericalismo; muitas vezes milenar. Nessas igrejas, o anti-maçonismo geralmente não é falado.

    Foi o livro Maçonaria . A Religion , escrito em 1987 pelo reverendo John Lawrence, que causou a criação de uma Comissão de Inquérito no Sínodo Geral da Igreja Anglicana. Esta Comissão levou em conta que a Grande Loja, no ano de 1813, havia declarado que "o Real Arco fazia parte integrante do terceiro grau" e por isso decidiu investigar este grau em detalhes. Neste grau os maçons fingem revelar o verdadeiro nome de Deus a partir de uma "sopa de alfabetos" então a Comissão decidiu que este grau era uma blasfêmia e também condenou a Maçonaria em geral por ser "uma religião".

    No entanto, a Grande Loja da Inglaterra em 1977 já havia esclarecido em um pequeno livreto com o título Informações para a Orientação dos Membros do Ofício(p. 18) que: “Não se pode afirmar que a Maçonaria é uma religião, nem que ela queira ser uma religião, nem está em competição com a religião. A Maçonaria só quer que todos os seus membros adotem um nível de conduta aceitável para todas as religiões; mas sem intervir em seus dogmas ou em suas teologias. Portanto, a Maçonaria não está em competição com a religião, mas apenas espera ser um complemento à religião. É uma tendência básica que todos os membros da Ordem acreditem em um Ser Supremo e que todos os maçons o reverenciem. Assim, deve ser evidente para todos os homens (exceto aqueles que são deliberadamente "cegos") que a Maçonaria só quer apoiar a religião,

    A referida Comissão publicou as suas conclusões em Parecer. Esta opinião foi debatida pelo Sínodo Geral da Igreja Anglicana. E depois disso nada mais foi ouvido sobre este assunto.

    Fonte: Jean-Louis Cornez e Rev. Fred Harwood, em José A. Ferrer Benimeli (dir.) Maçonaria e religião: convergências, oposição, incompatibilidade? , Madri, 1996.

    5 min
  • A SABEDORIA, A FORÇA E A BELEZA - 319
    Por Dário Angelo Baggieri
    Esse trio tão declamado em nossa ritualística e tão pouco praticado em nosso cotidiano, segundo o amado Irmão Chico Trolha. Porque tamanho disparate, inquiriu o sábio irmão. Vejamos uma análise " digamos ecumênica" à luz do simbolismo, do filosofismo e do esoterismo.
    Salomão em seu esplendor glorioso, nos mostra nos livros de sua autoria, descritos no Livro da Lei, toda essa essência nestas três searas.
    Cada verso dos Provérbios de Salomão. São comentários provocativos, impactantes, atuais e espirituais.
    Quanto os irmãos pagariam para o homem mais sábio do mundo responder perfeitamente as perguntas para todos os seus problemas???
    Teria preço materialmente falando?
    Vejamos: “O homem que tem muitos amigos pode congratular-se, mas há amigo mais chegado do que um irmão?” Analisem em profundidade essa afirmação do maior sábio que já existiu no mundo!. Anda com os sábios e serás sábio, mas o companheiro dos tolos será afligido.
    Em todo o tempo ama o amigo; e na angústia nasce o irmão.
    O irmão ofendido é mais difícil de conquistar do que uma cidade forte; e as contendas são como ferrolhos de um palácio.
    Os insensatos, os escarnecedores e os sábios são conhecidos pelas suas maneiras de falar. A fala revela caráter e indica o futuro. O coração é conhecido se prestar atenção o que a pessoa fala. As palavras comprovam a honestidade ou a falsidade; elas transmitem saúde ou dor aos outros; elas cortam ou curam; fazem com que reis se tornam seus amigos ou que seus inferiores o rejeitem. Na multidão de palavras não falta transgressão, mas o que modera os seus lábios é prudente.
    Vemos sempre a máxima reflexão: “O coração do justo medita o que há de responder, mas a boca dos ímpios derrama em abundância coisas más, pois a resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira"
    Quanta sabedoria inserida em uma só pessoa!!!
    Sabedoria é o poder do julgamento certo – a habilidade de discernir qualquer situação e saber o que precisa ser feito. Imagine a alegria e o sucesso que você poderia ter com uma boa dose dela. Imagine quantas outras pessoas viriam a você em busca de aconselhamento quando descobrem que você possui aquilo que eles não têm. As duas bênçãos ser-lhe-ão dadas gratuitamente.
    O que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa de praticá-las, alcançará misericórdia.
    Continuando nossa viagem avaliaremos a Força nesse mesmo contexto.
    Ser feliz é encontrar força no perdão, esperanças nas batalhas, segurança no palco do medo, amor nos desencontros. É agradecer a Deus, o Grande Arquiteto do Universo, a cada minuto pelo milagre da vida. Algumas vezes, ser forte na vida significa apenas silenciar-se envolvendo-se na confiança em si próprio, mas é preciso muita coragem para suportar o silencio daqueles que são seus irmãos e entender e aceitar, o contraditório. Essa Força é a verdadeira, e não a força da opressão, da discórdia, da Ganância.
    As adversidades, lutas e provações só servem para nos forjarem, nos moldar e nos tornar pessoas melhores.
    A forma como encaramos os desafios da vida, dizem muito sobre nós, como maçons e como seres iluminados.
    DIGA O FRACO: EU SOU FORTE." (Joel 3:10) A expressão “diga o fraco eu sou forte” significa que a nossa força vem de Deus, não de nós. Nós somos fracos e limitados, mas Deus é Forte e habita em nós. Logo, somos fortes Nele. o Livro da Lei Diz: "Se te mostrares fraco no dia da angústia, é que a tua força é pequena." (Provérbios 24. 10). Quanta Sabedoria está contida nessa assertiva.
    A alma de um guerreiro e sua honra não se conquistam em apenas uma batalha.
    Sem Sabedoria, Força torna-se uma violência improdutiva; Honra, uma falsificação da vaidade; e Coragem, uma impetuosidade infantil. Lembre-se meu amado irmão que VOCÊ PASSARÁ, MAS SUAS ATITUDES FICARÃO PELA ETERNIDADE....
    FORÇA E HONRA !!!!!!!!!!! Sempre! E onde entra a Beleza neste contexto?
    Tarde te amei, Beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Tu estavas dentro de mim e e
    9 min
  • ORIGEM: DA PRE-HISTÓRIA A MAÇONARIA MODERNA - 318
    Por Irmão Gilberto Madeira
    Ainda na adolescência, quando li pela primeira vez o livro Eram os Deuses Astronautas?, de Erich Von Däniken, algumas questões de cunho filosófico, religioso e físico têm me feito refletir sobre a origem das coisas com as quais me deparo. Sempre me pergunto: Será que somos os únicos habitantes do Universo? Terá sido o Big Bang, como diz a Física, a origem desse imenso Universo, ou o correto é o relato bíblico? Voltaremos ao pó do qual viemos ou somos realmente seres imortais com uma missão aqui na Terra? O que há nos “bastidores” dessa ou daquela narrativa?
    Há muito o que ser decifrado ainda, porque “agora vemos como por espelho, em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei plenamente, como também sou plenamente conhecido” (BÍBLIA, I Coríntios, cap. 13, ver. 12)
    Assim, com essa mesma curiosidade e desejo de saber, entrei para a Maçonaria. Cada símbolo, cada significado me impulsiona a ir mais fundo para o meu melhor entendimento. Entendo que cada um anda na luz que tem, e as narrativas são construídas a partir dessa luz que cada um angariou no decorrer de sua vida. Além do que, nossa zona de conforto é, comumente, um obstáculo para que nos embrenhemos em terrenos desconhecidos. É mais fácil nos mantermos no mundo que nos é familiar do que sairmos para explorar o passado, na tentativa de descobrir quais mistérios estão na raiz das explicações presentes e construir uma visão de futuro.
    Contudo, a Maçonaria nos motiva a estudar, “[…] porque a ignorância é a mãe de todos os vícios e seu princípio é nada saber; saber mal o que se sabe e saber coisas outras além do que deve saber. […]” (GLESP, p.90).
    Quando li a trilogia de livros de Laurentino Gomes – 1808, 1822 e 1889 –, muitos dos relatos apresentados me causaram impacto frente ao que me havia sido ensinado na escola. As narrativas glamorosas dos livros de História caíram por terra. Como exemplo, cito os registros do Padre Belchior Pinheiro de Oliveira, que teria virado testemunha do grito do Ipiranga por acaso. Vigário da cidade mineira de Pitangui, era maçom e sobrinho de José Bonifácio de Andrada e Silva, e assim escreveu Gomes:
    “[…] Prostrado pelos problemas intestinais, o príncipe refugiou-se na modesta estalagem situada à beira do porto. Maria do Couto, responsável pelo estabelecimento, preparou-lhe um chá de folhas de goiabeira, remédio ancestral usado no Brasil contra diarreia. […]” (GOMES, p.344).
    Bem diferente daquele relato que nos fizeram acreditar – um príncipe garboso e altivo, montado num cavalo de grande porte, como pintado por Pedro Américo. Não há nada de errado no fato de o Príncipe Regente Dom Pedro estar doente com diarreia. O que não é digno é a necessidade de se fazer narrativas não verdadeiras, pois criam imagens distorcidas da realidade.
    Dentro dessa linha de raciocínio, de procurar a verdade oculta por trás de narrativas, tenho me dedicado a encontrar os tesouros maçônicos escondidos sob a areia do tempo.
    Desde que ouvi que a Maçonaria Moderna havia sido estabelecida em 1717, passei a me perguntar – e o que existe antes daquela data? Como era a Maçonaria Operativa? Qual a real origem da Maçonaria? A única resposta que eu tenho – e que considero verdadeira – é a que me faz acreditar que há um conhecimento ancestral no âmago da história e dos rituais maçônicos. E isso nos é afirmado na 1ª Instrução de Aprendiz que diz:
    “[…] a Maçonaria, no século XVIII, restabeleceu dentro de nossas Lojas a tradição dos ensinamentos esotéricos ministrados nos Santuários Egípcios […]” (GLESP, p. 67).
    Portanto, a própria Maçonaria deixa claro que há muito mais para trás. Em O Livro de Hiram (KNIGHT, LOMAS, p.27), o qual utilizo como literatura de base para escrever este texto, lê-se:
    “[…] a Maçonaria é uma enorme e não aproveitada fonte de informação a respeito do nosso passado, que corre grande risco de ser perdida para sempre. Mas perder a informação enterrada com os seus rituais, antes que sejam devidame
    16 min
  • PLATONISMO, MAÇONS E MAÇONARIA
    Por Irmão Samir Cury
    O objetivo deste texto é traçar um paralelo sobre alguns pensamentos de Platão com relação à polis grega, a Maçonaria e seus membros, a fim de contribuir de alguma forma para uma reflexão em busca de um autoconhecimento e percepção da relevância do papel do maçom na realidade que o cerca e sobre sua importância no tocante aos ideais pregados pela Ordem.
    Para Platão, os seres humanos e a polis possuíam a mesma estrutura. Ao entender que o homem era corpo e alma – está, prisioneira do corpo, era associada ao mundo inteligível e, portanto, racional, ideal e livre. Ao aprisionar-se no corpo, a alma esqueceria tudo de belo e bom que havia contemplado (teoria da reminiscência).
    Outro aspecto relativamente pouco comentado é que Platão considerava três almas ou princípios de atividades, a saber:
    1) A alma dos desejos ou do apetite, situada nas entranhas ou baixo ventre. Essa alma representaria os desejos carnais e de sobrevivência, relacionados à satisfação do corpo, seja por instinto de sobrevivência ou simplesmente pelos prazeres carnais.
    2) A alma irascível, relacionada às emoções ou à cólera, situada no peito, mais precisamente no coração. Está associada às emoções em geral e que por vezes atua no âmbito das agressões com relação aos outros humanos, bem como com o meio ambiente.
    3) A alma racional ou do intelecto, situada na cabeça, dedicada ao conhecimento verdadeiro através de método lógico, desenvolvendo assim a inteligência.
    Mediante esse enfoque das três almas, podemos fazer um paralelo entre a Maçonaria enquanto instituição e o próprio maçom. A Maçonaria também pode ser composta entre corpo e alma, sendo seu corpo a estrutura organizacional puramente verificada em seus aspectos funcionais, sua estrutura administrativa, que compreende os diversos órgãos, sendo as lojas parte fundamental desse corpo como entidades celulares primordiais.
    No entanto, assim como Platão considerava a alma o mundo ideal, onde os conceitos são puros e verdadeiros, a alma da Maçonaria pode ser vista da mesma forma, seus preceitos e seus princípios afirmam todo ideal de uma sociedade justa e perfeita, beirando a utopia.
    Relativo ao maçom, sobre as três almas, gostaria de estabelecer aqui outra reflexão sobre os três graus simbólicos:
    1) A alma dos desejos ou do apetite, situada nas entranhas ou baixo ventre. O Aprendiz Maçom vai exatamente em busca deste desprendimento do mundo físico, vencendo suas paixões ao desbastar sua pedra bruta. Aquele que souber levar uma vida pautada pela harmonia e equilíbrio, gozando dos prazeres da vida com moderação, se tornará livre de fato e, portanto, não prisioneiro nem refém dos desejos carnais e mundanos
    2) A alma irascível, relacionada às emoções ou à cólera, situada no peito, mais precisamente no coração. Aqui se encontra o Companheiro Maçom, que procura desenvolver o controle de suas emoções, principalmente daquelas tomadas por impulso que podem levar a agressões e à perda da confiança e ao distanciamento de uma verdadeira fraternidade, um dos objetivos da Ordem
    3) A alma racional ou do intelecto, situada na cabeça. O Mestre Maçom tem por objetivo justamente alcançar a sabedoria pela sabedoria, atingindo nessa fase a plena felicidade por ter vencido as etapas anteriores e por pautar sua vida com racionalidade e pleno domínio sobre as emoções e desejos destrutivos, livrando-se deles.
    Outro aspecto relacionado à polis grega, no tocante à estrutura, Platão também a dividia em três grupos de componentes:
    1) produtores, artesãos e comerciantes (destaco aqui artesãos);
    2) guardiões; e
    3) governantes
    Os primeiros seriam os que se encarregavam da subsistência, assim como os Aprendizes, são responsáveis por talhar as pedras. Os guardiões, responsáveis pela defesa da polis, seriam os Companheiros, os quais, unidos como devem ser, garantem o processo de evolução e aplainamento da pedra cúbica para que tudo e todos se encaixem perfeitamente na grande obra. Por fim, os governantes são os Mestres na qual
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