Malhete Podcast

Malhete Podcast

By Luiz Sérgio F. CastroHistory
Download on the App Store

Malhete Podcast episodes

  • AS DIFICULDADES DA MAÇONARIA NA CHINA
    Por Carlos Francisco Ortiz
    A Maçonaria na China passou por muitas provações e tribulações, muitos irmãos foram perseguidos e mortos por buscar a luz do livre pensamento e da verdade.
    Tentar escrever sobre a Maçonaria na China não é fácil, pois não há uma história documentada abrangente da Maçonaria para a região desde o seu início.
    O Irmão George W. Chen, PGM, um ilustre maçom e grande estudioso da Maçonaria na China, esclarece que qualquer pessoa que deseje aprofundar o estudo da história Maçônica da Grande China, em geral, pode fazê-lo. divisão em três períodos, a saber:
    O primeiro período vai de 1767 a 1949, estudando principalmente a existência de lojas na China que funcionavam sob jurisdições estrangeiras.
    O segundo de 1930 a 1949, cujo estudo se concentra no desenvolvimento da Maçonaria entre o povo chinês.
    O terceiro período é a partir de 1949 e destaca o estudo da ocupação e tomada do poder pelo comunismo e suas ações em relação à Maçonaria.
    A cultura chinesa, com milhares de anos de sabedoria, nos dá um vislumbre de como o trabalho dos grandes e veneráveis irmãos Maçônicos ajudou a manter viva a luz da Maçonaria universal.
    Grande Loja da China
    A criação da Grande Loja da China foi realizada sob o patrocínio da Grande Loja das Filipinas, consagrada em 18 de março de 1949 em Xangai.
    Para a existência e funcionamento da Grande Loja da China, seis Lojas até então constituídas e subordinadas à Grande Loja das Filipinas foram entregues e realocadas sob sua jurisdição, a saber:
    Amity Lodge nº 1
    Nanquim Lodge
    Pearl River Lodge nº 3
    Loge Szechwan nº 4
    West Lake Lodge nº 5
    Sol Lodge nº 6
    Com a criação da Grande Loja da China, as Lojas Americanas, Inglesas, Escocesas e Irlandesas existentes no leste do país, abordaram-na para solicitar permissão que lhes permitisse continuar a funcionar, a qual lhes foi concedida sob a condição de que eles não aceitam que nenhum cidadão chinês seja iniciado ou afiliado aos seus graus Maçônicos.
    A Grande Loja da China teve uma breve existência em Xangai até 1951, pois com a chegada ao poder do Comunismo a Grande Loja da China foi forçada a deixar de funcionar, sendo seu Grão-Mestre na época o Irmão TF Wie.
    A Grande Loja da China mudou-se para Hong Kong transportando furtivamente registros e insígnias com sucesso, tudo graças aos esforços de quem foi seu primeiro Grão-Mestre o Irmão David K. Au.
    Os registros e regalias foram trazidos para Taiwan em 1954, e a Grande Loja da China foi reativada em Taipei em 1955.
    É historicamente interessante notar que, além da Grande Loja da China e suas seis Lojas subordinadas, a formação de um Square & Compasses Club também foi estabelecida em Taiwan no início de 1951, por iniciativa de um grupo de Irmãos Maçônicos.
    Seu jantar inaugural contou com a presença de mais de trinta Mestres Maçons, tornando-se a primeira organização Maçônica em Taiwan, que pode muito bem ser chamada de "Berço do Maçom", como uma fortaleza da China Livre.
    O Irmão Oliver Todd, Gerente Sênior do International Lodge, Peiping, tornou-se o primeiro Presidente da Square & Compasses.
    Anos depois, os clubes Square & Compasses foram formados em lugares como Tainan em 1956 e em Taichung em 1965.
    Como atividade Maçônica do Square & Compasses Club, destaca-se a aprovação unânime de seus membros para o estabelecimento de uma loja em Taiwan, uma iniciativa de Q∴H∴ Herbert Schenck (Chefe da USAID, Taiwan).
    Este pedido foi enviado à Grande Loja da China e Grão-Mestre Irmão TF Wei, junto com outros ilustres e poderosos irmãos, chegaram a Taipei vindos de Hong Kong em agosto de 1952, para consagrar a Loja que seria chamada Liberty Lodge Nº 7, que recebeu sua Carta em 17 de novembro de 1956.
    Liberty Lodge Nº 7 teve suas primeiras iniciações em 1953; seu primeiro iniciado o Irmão TT Tuan.
    No ano de 1961, um grupo de irmãos Maçônicos comentou sobre a importância e necessidade de traduzir o ritual Maçônico dos três primeiros graus para a língua chinesa, o que foi alcançado com sucesso após uma árdua tarefa
    11 min
  • O MAÇOM DO MUNDO GLOBALIZADO PERDEU A HUMILDADE?
    Por Irmão Dário Ângelo Baggieri
    Tema deveras polemizado, que fomenta discussões hercúleas nas Searas da Maçonaria atual.
    Extremamente complicado qualquer explanação sem embasamento técnico, ratificado por extensos e profundos estudos exegéticos comparativos.
    Mas afinal o que seria a verdadeira humildade maçônica?
    Ser humilde não significa fraqueza, mas, sim, comportar-nos com bondade e amabilidade, mostrando força, serenidade, amor próprio e autocontrole. A mansidão foi um dos atributos mais abundantes na vida do Salvador. Ele próprio ensinou a Seus discípulos: “Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração”.
    Humildade maçônica é uma qualidade daquele irmão que age com simplicidade, uma característica que os verdadeiros maçons que sabem assumir as suas responsabilidades, sem arrogância, prepotência ou soberba. Como está difícil encontrarmos esses abnegados irmãos hoje em dia!!
    É difícil ser humilde, “quando se é perfeito de todos os jeitos”. É claro, uma quantidade apreciável de irmãos acham que são perfeitos em tudo. Mas ainda pode ser bastante difícil ser humilde, especialmente se você vive numa sociedade que encoraja a competição e a individualidade. Ainda assim, mesmo em tal cultura, a humildade continua sendo uma importante virtude. Aprender a ser humilde é de suma importância na maioria das tradições espirituais. Acima de tudo, a humildade pode ajudá-lo a desenvolver relacionamentos mais completos e ricos com os outros irmãos
    Independentemente do quão talentoso você seja, sempre haverá alguém melhor em algum aspecto. Olhe essas pessoas iluminadas e melhores espiritualmente e veja como você pode aprimorar certos atributos seus.
    Mesmo que você seja o melhor do mundo em determinada coisa, sempre há atividades fora do alcance de suas habilidades. Talvez você nunca consiga fazer tais coisas.
    Reconhecer suas limitações não significa abandonar seus sonhos. Também não significa desistir de aprender coisas novas ou melhorar suas habilidades existentes.
    Nós, como seres humanos, julgamos os outros irmãos, amigos, colegas de trabalho familiares, por ser muito mais fácil fazer isso do que julgarmos a nós mesmos. Infelizmente, isso é completamente pouco produtivo e, em muitos casos, prejudicial. Julgar os outros pode prejudicar relacionamentos e impedir que novos laços se formem. Talvez pior: isso impede que tentemos melhorar.
    Julgamos os outros o tempo todo, normalmente sem ao menos perceber isso. Como exercício prático, tente detectar seus julgamentos relativos a pessoas ou grupos. Sempre que o fizer, julgue-se. Considere como você pode “se” melhorar.
    Trabalhe para abordar suas falhas. Lembre-se de que o crescimento e as melhorias são processos que levam uma vida inteira.
    Gandhi dizia que Parte de ser humilde é compreender que você cometerá erros. Compreenda isso e entenda que todos cometem erros – um fardo pesadíssimo sairá de seus ombros. Qualquer pessoa sabe apenas pequenos fragmentos e pedaços de um tremendo conhecimento, que se acumulou no passado.
    Além do mais, cada pessoa experimenta apenas pouquíssima coisa do presente e sabe quase nada sobre o futuro.
    Vemos pavões de avental, falando de quão incríveis são suas conquistas: se você realmente fosse tão bom, as outras pessoas reconheceriam seus esforços e o elogiarão por eles. Não fale sobre sua incrível promoção, da "coisa" inacreditável que acabou de terminar ou da sensação maravilhosa de ter terminado uma maratona. Claro, essas coisas são incríveis, mas gabar-se por elas apenas fará com que você pareça centrado em si mesmo e impressionará muito menos as pessoas. O ser humano e aqui entram as pessoas comuns e os irmãos, ficam impressionados quando DESCOBREM que você é incrível.
    Isso não significa que você deve mentir sobre ter conquistado algo: se alguém perguntar se você correu uma maratona, diga sim. Apenas não comece a inventar coisas ao ponto de dizer que fez e aconteceu, se gabando de ações auto promotoras de suas vaidades pessoais.
    O verdadeiro mestre se desafia
    11 min
  • O PODER DA PALAVRA

    Por Irmão Valdir Massucatti

    Trago neste artigo para reflexão dos Irmãos, a fábula de Esopo, sobre a Língua.

    A palavra, depois do exemplo, é, sem dúvida, a grande alavanca dos ideais.

    Daí, Esopo, o maior fabulista grego, empregá-la com muita preciosidade em suas famosas fábulas de ensinamentos.

    “Certa vez, chegando em sua residência, o senhor, virando-se para seu criado Esopo, ordenou fosse-lhe preparado para o almoço o melhor prato por ele conhecido. O criado, obediente, assim fez e, na hora aprazada, lá estava a mesa posta com apenas uma tigela mediana. Descobrindo a tigela, viu o senhor, conter, apenas, um guisado de língua, e, inquirido, o criado explicou:

    ‘Senhor, a língua é, realmente, o melhor prato; com ela tem-se a possibilidade de fala e com esta, da expressão. Pode-se, com a língua, portanto, iluminar, edificar, convencer, e converter para bem as criaturas; a palavra, que expressa a verdade, nenhum poder a detém nem há força que a neutralize. A boca dos canhões, vomitando fogo, não apavora os redutos da iniquidade quanto a boca do homem proclamando a verdade. Com ela, constroem-se os perfeitos seres de bem. Com a língua, finalizou, podemos cantar, namorar, ensinar, ninar nossas crianças e tantos atributos bons, que a considero o melhor prato.’

    O amo e senhor muito impressionado, virou-se e pediu-lhe: ‘Já que o fizeste o melhor prato para o almoço, desejo provar o pior para o jantar.’

    Almoçou, saiu, e ao retornar, depois de um bom banho e repouso passageiro, dirigiu-se ao salão de refeições para provar o que havia pedido a Esopo. Qual não foi a sua surpresa, por lá encontrar a mesma tigela do almoço. Curioso, destampando-a, encontrou no interior o mesmo guisado de língua servido no almoço.

    ‘- Ora! Esopo – exclamou. Disseste-me ser a língua o melhor prato e agora mo serve como o pior?’

    E o servo, pacientemente, se explicou: ‘ - Senhor, a língua é, realmente, o melhor prato, mas, também, é o pior. É o pior porque com ela nós mentimos, injuriamos, ofendemos, destruímos amizades com palavras ofensivas, com ela nós blasfemamos contra o Criador, despejamos a inveja e ódio sobre os nossos vizinhos. O filho engana o pai, o pai a mãe e a mãe ao filho num verdadeiro e ferino círculo de grosserias humanas. Assim, a língua é instrumento de tudo de bom que possamos fazer aos outros, mas é, também, um poderoso agente da destruição.’

    O senhor meditou e, calado, lembrou de modificar a sua forma de falar. Só falando a verdade, construindo seu futuro no bem, assim seria feliz.” (Fonte SEI – Raimundo Dias Paes).

    Vamos usar nossa Língua para o Bem, e quando necessário. Uma palavra emitida é como uma flecha lançada, não tem volta. Vamos pensar antes de emitir palavras.

    Valdir MASSUCATTI. Grão-Mestre eleito da Muito Respeitável Grande Loja Maçônica do Estado do Espírito Santo.

    4 min
  • DE HITLER A MUSSOLINI: MAÇONS SE TORNARAM ALVO DE DITADORES - 311
    Por Eduardo Szklarz
    Muita gente pensa na maçonaria como uma das sociedades secretas mais poderosas da história. Poucos sabem, contudo, que ela também tem sido uma das mais perseguidas. Não é para menos: na Idade Média, quando o mundo era controlado a ferro e fogo por reis absolutistas e papas inquisidores, os maçons apoiavam a liberdade, a ciência, o laicismo e a tolerância religiosa.
    Questionavam qualquer dogma. Pregavam que cada indivíduo tinha livre-arbítrio em suas escolhas. E ainda mantinham suas reuniões em absoluto segredo. Natural, portanto, que esses homens de avental representassem uma ameaça para ditadores, fanáticos e defensores do pensamento único.
    “Os mais férreos perseguidores da maçonaria estavam — e ainda estão — na Igreja Católica”, diz o pesquisador argentino Guillaume Freinet, autor do livro 'Masones
    y Rosacruces '(“Maçons e Rosa-Cruzes”, sem tradução no Brasil).
    Segundo Freinet, a relação com a Santa Sé até que começou bem: reunidos em sindicatos de pedreiros, os maçons eram contratados pelo alto clero para construir catedrais Europa afora. Mas, à medida que a fraternidade deixou os tijolos de lado e se assumiu como uma sociedade secreta filosófica — ou melhor, especulativa —, no século 17, os donos do poder se sentiram ameaçados.
    Com a publicação da Constituição de Anderson (pilar da maçonaria moderna), em 1723, a Igreja rompeu definitivamente com os ex-protegidos. Em 1738, por exemplo, o papa Clemente XII emitiu uma bula proibindo os fiéis de integrar a ordem. E os tribunais da Inquisição ganharam carta branca para torturar “hereges”, acusados de satanismo.
    Foi assim com o suíço John Coustos, preso em Lisboa por ordem do governo português e levado à câmara de tortura do Santo Ofício. Forçado a jurar sobre os Evangelhos, teve de se despir e foi atado no potro, uma espécie de cama que estirava pernas e braços da vítima até arrebentá-los.
    “Eu o informei de que, se morresse durante a operação, quebrasse algum membro ou perdesse os sentidos, a culpa seria dele, e não dos senhores ministros”, relata o inquisidor Felipe de Abranches nos autos do processo. O maçom foi libertado graças à intervenção do embaixador da Inglaterra.
    Exilado em Londres, rompeu o silêncio imposto pelos bispos e contou tudo no livro 'Os Sofrimentos de John Coustos' (1745). Os papas seguintes também atacaram os maçons, entre eles Pio VII (cujo pontificado foi de 1800 a 1823), Leão XII (1823 a 1829) e Gregório XVI (1831 a 1846). Até mesmo em casos recentes, quando Bento XVI, o penúltimo papa, condenou a maçonaria.
    O mais incisivo de todos, no entanto, talvez tenha sido Leão XIII (sumo pontífice de 1878 a 1903). Na encíclica Humanum Genus, de 1884, ele dizia que “os partidários do mal” haviam se juntado numa organização de alcance mundial: a sociedade dos franco-maçons. “[Eles] tratam de arruinar e derrubar a Santa Igreja para chegar, se possível, a despojar as nações cristãs dos bens espirituais que elas recebem do Nosso Salvador Jesus Cristo”, afirmou o papa.
    Na mira de fascistas
    Na virada do século 19 para o século 20, os maçons se tornaram alvo dos partidos de direita. Durante a revolta anarquista de 1909 contra o rei espanhol Afonso XIII, por exemplo, o governo prendeu Francisco Ferrer - um maçom que tinha fundado escolas laicas e escrito livros criticando a Igreja. “Acusado de instigar a rebelião, Ferrer foi julgado por uma corte marcial e fuzilado”, escreve o historiador inglês Jasper Ridley no livro 'Le Freemasons'.
    Durante a ditadura de Getúlio Vargas, as lojas maçônicas foram obrigadas a ter personalidade jurídica própria. Para muitos historiadores, essa foi a forma que o governo encontrou de identificar os seus membros facilmente. Os templos foram fechados, mas isso não significa que Vargas reprimiu a maçonaria como um todo. “Assim como na Revolução Francesa, havia maçons dos dois lados. A maioria se contrapôs a Vargas, mas alguns o apoiaram”, diz Marcos José da Silva, grão-mestre geral do Grande Oriente do Brasil.
    Os simpati
    10 min
  • ARQUEOLOGIA MAÇÔNICA
    Por Robert J. Gorman, Jr
    Quando foi o início da Maçonaria? Foi a formação da Loja de Edimburgo (Capela de Maria), nº 1, Reino Unido em 1599 d.C.? Foi uma saída das construções das grandes catedrais da Europa? Foi a conclusão do Templo do Rei Salomão em 957 AEC? Ou poderia ser algo muito mais misterioso e ainda mais distante no tempo? Algo que antecede nossos registros históricos atuais.
    Vários autores maçônicos dos séculos XVIII, XIX e XX apresentaram a ideia de que a Maçonaria é um conglomerado de conhecimento sagrado de várias culturas antigas. Mas se isso for verdade, quais culturas e por quê? Esses autores apontaram o que parecem ser elementos do conhecimento maçónico aparentes na arte e arquitetura antigas, incluindo templos, túmulos e outros monumentos religiosos. No entanto, nenhuma dessas culturas parece ter laços diretos e coesos com a Maçonaria em outras palavras, se houver um link, está faltando.
    Agora, e se eu lhe dissesse que existe uma civilização e um local antigos que você pode ver alguns desses laços da cultura antiga com a Maçonaria moderna? Você acreditaria em mim? E se eu lhe dissesse que é a antiga cultura Khmer localizada no país asiático do Camboja?
    Eu sei que isso pode soar um pouco estranho, e eu mesmo estava incrédulo antes de ver uma prova incrível esculpida na pedra antiga. Como essa antiga cultura do Extremo Oriente pode ter algo a ver com a Maçonaria? Então eu vi - os sinais, o simbolismo, o poder esotérico de tudo - e soube imediatamente que aquele lugar era especial.
    Quando menciono sítios megalíticos e arquitetura, todos pensam imediatamente no Egito e na Mesoamérica. No entanto, a Ásia tem exemplos incríveis desse grande estilo de construção. O que diferencia o Camboja são suas esculturas em relevo detalhadas – muitas das quais codificam temas maçónicos. Essas esculturas não estão apenas em algumas paredes, elas estão literalmente em cada centímetro dos pisos, paredes e tetos dos gigantescos monumentos e seus complexos ainda maiores. Todas essas imagens contêm conhecimento e iconografia esotéricos e maçónicos antigos apenas esperando para serem vistos, decodificados e contemplados.
    A região de Angkor, localizada em Siem Reap, no Camboja, é um lugar verdadeiramente mágico. Há uma energia jovem e vibrante em toda a cidade. As pessoas são as mais amigáveis, acolhedoras e doces que já encontrei em minhas viagens pelo mundo. Embora esteja a 8.500 milhas de distância dos EUA, os visitantes americanos são recebidos como uma família. A comida é vegetal mas com sabores exóticos e picantes. É como se você voltasse para um tempo mais gentil e suave, onde tudo é possível.
    Dentro desta área do Camboja está a maior coleção de templos e locais de templos do mundo. Centenas de pirâmides megalíticas, monumentos piramidais e locais espirituais, todos construídos com geometria sagrada e aderentes aos pontos cardeais. Quando se pensa na escala de um desses templos, eles ficam humilhados. Mas quando você de repente percebe que cada templo é parte de um enorme complexo – um complexo muitas vezes cercado por um gigantesco fosso cavado à mão – você fica sem fôlego! Existem centenas desses tipos de templos e complexos para descobrir.
    À medida que você entra em cada um desses locais sagrados, um artesanato incrivelmente sofisticado – e carisma – é visível em todos os lugares. Você é afunilado por portas estreitas dentro de portões gigantes que se abrem para vastos complexos e templos de parar o coração. E, uma vez dentro de cada um desses templos, você começa a ver todos os detalhes esculpidos por toda parte. Algumas das esculturas e estruturas maiores contam histórias religiosas detalhadas, relatos da criação e batalhas dos deuses. Mas, se você olhar mais de perto, poderá ver escondido nos detalhes um grande significado maçónico por trás de tudo. E isso deve interessar e fascinar a todos nós.
    Não há como um artigo ou fotos descreverem verdadeiramente a magnificência do Camboja você realmente deve vê-lo em pessoa. O C
    6 min
  • A MAÇONARIA NA QUEDA DO IMPÉRIO.
    POR TIAGO CORDEIRO.
    No dia 7 de abril de 1831, o imperador abdicou e pegou um navio para Lisboa. Foi a senha para a imediata reorganização da maçonaria brasileira.
    A maçonaria proporcionou o palco e mobilizou os atores mais importantes para a Independência do Brasil. Sessenta e sete anos depois, lá estaria ela, de novo, dando um belo impulso para o fim do Império e o começo da República — regime sob o qual o Brasil vive até hoje.
    No meio do caminho, os maçons ainda arranjariam tempo para se envolver no processo que culminou com o fim da escravidão no país. Quando chegou ao fim 1822, a ano da independência, nada indicava que o futuro da ordem seria esse. Afinal, a maçonaria tinha sido proibida por determinação de seu próprio líder — ninguém menos que dom Pedro I, imperador do Brasil.
    Mesmo nos momentos de maior mobilização, os maçons não agiram todos do mesmo lado; o processo que levou da declaração de independência à Proclamação da República foi tão turbulento para os maçons quanto para a vida política do país.
    Em 1822, depois de romper com os homens que o ajudaram a chegar ao poder, o grão-mestre do Grande Oriente do Brasil, dom Pedro I, proibiu a existência não só da federação maçônica como de todas as lojas.
    Algumas fecharam as portas da frente, mas continuaram a se encontrar em segredo. A mais famosa entre essas foi a 6 de Março de 1817, em Recife (PE), que concentrou os líderes da Confederação do Equador — uma das muitas tentativas de romper com o governo localizado no Rio de Janeiro e fundar um novo país.
    “O movimento irrompeu em Pernambuco, que solicitou adesão das províncias vizinhas por meio da mensagem de 2 de julho assinada por [Manuel de Carvalho] Paes de Andrade, maçom e presidente da junta de governo”, escrevem José Castellani e William Almeida de Carvalho no livro 'História do Grande Oriente do Brasil' (Editora Madras).
    Outro líder do levante era o famoso frei Caneca — homem tão carismático e respeitado que, com a derrota, foi condenado à morte, mas nenhum militar teve coragem de disparar contra ele (diante de um pelotão de fuzilamento paralisado, o jeito foi enforcá-lo). Mesmo assim, a loja continuou atuante.
    O regresso.
    Em 1829, os maçons remanescentes começaram a se reorganizar secretamente em torno do líder Gonçalves Ledo. Naquele ano, surgiram no Rio de Janeiro três lojas: Educação e Moral, Amor da Ordem e uma nova versão da Comércio e Artes — aquela mesma, cuja atuação havia sido tão importante no movimento de independência. O país parecia unido, finalmente.
    Mas começava a ficar claro que dom Pedro I não duraria muito mais tempo no trono. Além dos desentendimentos internos com a base política do império, ele olhava com preocupação para os rumos que Portugal tomava. No dia 7 de abril de 1831, o imperador abdicou e pegou um navio para Lisboa.
    Foi a senha para a imediata reorganização da maçonaria: a primeira reunião oficial dos maçons cariocas ocorreu já em outubro do mesmo ano. Era o recomeço do Grande Oriente do Brasil — a entidade à qual está subordinada, até hoje, a maior parte das lojas maçônicas brasileiras. Mas as coisas não seriam mais como antes.
    Em 1830, havia surgido o Grande Oriente Nacional Brasileiro, uma federação que também se dizia herdeira da geração heroica de dez anos antes. Na medida que a década avançava, o país vivia uma grave crise de comando: dom Pedro II ainda era uma criança, e havia quem defendesse o retorno de seu pai, a instalação de um governo de regentes ou a antecipação da maioridade do novo rei.
    Os maçons também estavam divididos. E pior: completamente desorganizados. Mas alguns personagens tiveram destacada atuação individual. Um deles foi o jornalista Evaristo Ferreira da Veiga, importante porta-voz do movimento moderado, que não queria a volta de Pedro I e deixava isso muito claro em seu jornal, o Aurora Fluminense.
    Quando dom Pedro I morreu e levou a polêmica para o túmulo, em 1834, o foco da questão foi alterado; agora era preciso brigar pela antecipação da maioridade
    10 min
  • DAS ORIGENS DA GEOMETRIA E INFLUÊNCIAS NO SIMBOLISMO MAÇÔNICO (II)
    Por Irmão José Ronaldo Viega Alves
    COMENTÁRIOS INICIAIS
    Nós Maçons podemos dizer que estamos bastante familiarizados com o uso de alguns vocábulos e expressões utilizados com o intuito de designar e de representar de forma simbólica, a figura divina, a arquitetura, a própria Maçonaria, sendo que, dentre uma gama de nomes e expressões, aos quais são feitas referências constantes em nossos Rituais, podemos aqui destacar como exemplos: o Grande Geômetra, o Grande Arquiteto do Universo, a boa geometria, geometrizar, além de outras.
    Quanto ao geometrizar, para quem nunca viu o uso deste vocábulo anteriormente, vejamos como é que ele surge:
    “Na antiguidade, a Geometria gozava de imenso prestígio. Além da célebre frase de Platão a seu respeito, Pitágoras ensinava aos seus discípulos que a Geometria no espaço é o pensamento da Energia criadora. Afirmava que a proporção matemática e o agrupamento da matéria eram as que produziam as formas geométricas e a harmonia, chegando a dizer que ‘Deus geometriza’.” (Aslan, 2012, pág. 532)
    Mas, quantos Maçons se importam realmente em pesquisar, se aprofundar, com o objetivo de saber mais sobre esses conhecimentos que antecedem nossos Rituais, nossas instruções em Loja, e que nos ajudam a entender melhor como foi que tudo começou ou como foi que chegamos até aqui.
    Para aqueles que demonstrem interesse então, pelo tema que vem sendo tratado, iniciemos por um resumo do que foi visto na sua Parte 1: foram apontados alguns dos lugares mais prováveis da Antiguidade onde teria surgido a Geometria, sendo que, por muito tempo suas origens foram tidas como situadas no Egito, muito devendo isso devido à uma teoria do historiador antigo Heródoto. Hoje, muitos pesquisadores e historiadores apontam para o uso das práticas geométricas como tendo sua gênese em outras civilizações do passado, a exemplo da Mesopotâmia, aliás, essa que é a civilização considerada pelos historiadores como sendo o berço da civilização.
    Já em relação ao lugar onde ela acabou recebendo recebeu seus maiores impulsos, onde ela encontrou seu maior número de adeptos e, portanto, o lugar onde ocorreu também, uma grande profusão de descobertas e de teorias relacionadas à Geometria, podemos apontar sim, para a Grécia antiga.
    Entre aqueles nomes considerados dos geômetras que mais se destacaram, os expoentes maiores, os que são citados com relativa frequência na elaboração dos nossos trabalhos maçônicos, dos artigos, das instruções, enfim, destacamos os seguintes nomes: Euclides, Pitágoras e Platão.
    Ainda, dentro do capítulo precedente, vimos algumas descrições sobre a disciplina Geometria, sobre a Geometria como sinônimo de Maçonaria, esta última como se pode comprovar em registros da época, de grande utilização durante o período medieval, além de uma pequena introdução a respeito desse outro significado que lhe é atribuído, o de ser considerada uma ciência sagrada. Sobre alguns dos tópicos que acabamos de mencionar, alguns desdobramentos ainda poderão vir a ocorrer durante o desenvolvimento deste e dos próximos capítulos, desde que, sejam relevantes.
    DAS ORIGENS DA GEOMETRIA NA MAÇONARIA: OS PRIMEIROS REGISTROS
    Sabemos de antemão que não haveria como fixar uma data oficial para o início da Maçonaria Operativa, mas, sabemos que é no período da Idade Média que ela resplandece, e que nesse contexto ela possui uma ligação direta com a arte da construção. Se pensarmos em provas documentais, os documentos que podem atestar fidedignamente o começo oficial da Maçonaria Operativa são os Antigos Manuscritos (Old Charges).
    Definindo as Old Charges
    No pensamento de H. L. Haywood, essas Antigas Obrigações (Old Charges), entre outros nomes, são os documentos antigos que chegaram até os nossos dias atuais, eles estão inseridos ou tem sua origem dentro do seguinte período: de 1390 até o primeiro quarto do século XVIII.
    Sobre uma ideia mais exata da importância desses documentos para a história da Maçonaria, poderemos obtê-la após a leitura desta sínte
    20 min
  • COMO DOM PEDRO I ENTROU PARA A MAÇONARIA - 308
    Por Tiago Cordeiro.
    Iniciado na maçonaria, o imperador assumiu o codinome Pedro Guatimozim, uma homenagem ao último rei asteca.
    Dom Pedro I chegou ao topo da maçonaria brasileira tão rapidamente quanto deu um fim provisório à irmandade. É fácil entender o porquê dessa mudança de atitude. Dom Pedro I recorreu à ordem para declarar a independência. Mas, assim que se tornou o primeiro imperador do Brasil, os irmãos maçons viraram um estorvo.
    A cronologia dos fatos no movimentado ano de 1822 deixa essa situação mais clara: dom Pedro foi aceito pela maçonaria no dia 13 de julho. Seu ritual de iniciação ocorreu a 2 de agosto, na loja Comércio e Artes — ele estava, segundo relato do historiador Pedro Calmon no livro 'A Vida de Dom Pedro I', “ardendo em curiosidade, a fantasia despertada pelo mistério de um rito perfumado de magia oriental”.
    Depois de iniciado, assumiu o codinome Pedro Guatimozim, uma homenagem ao último rei asteca (os integrantes da maçonaria tinham, e ainda têm, o hábito de adotar pseudônimos que os liguem a personagens antigos considerados inspiradores). E, no dia 5 de agosto, já era mestre da loja.
    Dois meses mais tarde, a 5 de outubro, Pedro tornou-se grão-mestre do Grande Oriente do Brasil. Àquela altura, a independência já estava declarada e ele era o imperador de um novo país. Depois de apenas 17 dias na condição de líder da maçonaria brasileira, renunciou ao posto e mandou fechar a entidade.
    “Como monarca, ele ficou insatisfeito com os questionamentos dos maçons e com o fato de poder ser abertamente contestado pelos irmãos”, diz o historiador Jesus Hortal Sánchez. “Quando percebeu que nem mesmo o cargo de grão-mestre garantia obediência absoluta, decidiu acabar com a ordem”.
    Não deixa de ser curioso que, depois de deixar o Brasil, em 1831, Pedro I tenha se tornado Pedro IV, imperador de Portugal e grande defensor da liberdade na Europa.
    Ao regressar para sua terra natal, ele defendeu a volta do governo constitucional àquele país, que, desde a morte de Dom João VI, em 1826, era governado com mãos de ferro por seu irmão Miguel.
    O conflito familiar, entretanto, acabaria levando Pedro a buscar o exílio. Sua postura provocava revolta entre as monarquias conservadoras de Rússia, Áustria e Prússia, mas fazia sucesso na França, que buscava se tornar mais liberal. E foi em Paris que Pedro decidiu se estabelecer, enquanto organizava a resistência contra Miguel.
    Passagem histórica.
    Em 1834, liderando apenas 7 mil homens, seguiu para Portugal, pegou em armas e derrotou o próprio irmão. Depois do feito militar, conseguiu que sua filha Maria assumisse o trono e, como Maria II, desse continuidade a seu projeto. A rainha lideraria a transição para a monarquia constitucional.
    A atitude de Pedro era coerente com a do jovem príncipe que anos antes, em 1821, tinha ficado no Rio de Janeiro, ao que tudo indica, porque causava insegurança ao pai — dom João VI temia que o filho apoiasse o movimento constitucionalista que, em Portugal, pedia a limitação dos poderes reais. Mesmo ficando no Brasil, Pedro conseguiu que o pai aceitasse assinar uma constituição que restringia seus próprios poderes.
    Por que, então, dom Pedro não se revelou um liberal enquanto foi o primeiro imperador do Brasil? Porque temia que o poder da Assembleia Constituinte, eleita em 1823, ameaçasse seu governo e levasse o império à mesma fragmentação sofrida pelas ex-colônias espanholas vizinhas.
    Desafiado pelos parlamentares da oposição (entre os quais estariam vários maçons, que se mantinham muito atuantes politicamente, apesar do fim do Grande Oriente), Pedro acabaria dissolvendo a Assembleia em novembro de 1823. E, em março do ano seguinte, outorgaria uma Constituição criada por um conselho de dez pessoas que ele mesmo indicara.
    Apesar do autoritarismo na forma de governar, a Constituição elaborada sob medida pelo imperador incluía direitos raros para a época, em especial a liberdade de crença e culto. Por outro lado, dom Pedro promoveu uma tremenda centralizaç
    6 min
  • FRAGMENTOS DA HISTÓRIA DE RIO CLARO, SÃO PAULO E DO BRASIL! 1822 a 1896
    Por Marco Antonio Peres
    Loja Maçônica Fraternidade III e o Grande Líder e idealista Thomaz Carlos de Molina.
    Já naquela época se fazia sentir que a Maçonaria era necessária; desde de que existam dominadores e oprimidos, desde de que se apresentam opressores e escravos, porque em fim era ela – a Entidade e os maçons – os únicos elementos consolador, misericordioso e de caridade, capaz de proteger o fraco, combater o forte e consolar os aflitos.
    Rio Claro é um município brasileiro, incrustado no cento do interior do estado de São Paulo.
    Constituído na mesma época das atuais cidades de Limeira e Piracicaba. Na época com grande Influência do Senador Vergueiro
    Nicolau Pereira de Campos Vergueiro, Grão Mestre do Grande Oriente Brasileiro: 1831-1836.
    Senador Vergueiro, advogado, maçom, republicano. Nasceu dia 20 de dezembro de 1778, Val da Porca, Portugal, filho de Luiz Bernardo Pereira Vergueiro e Clara Maria Borges Campos. Bacharelou-se em direito pela Universidade de Coimbra em 1801. O jovem mudou-se para o Brasil, com 25 anos, e rapidamente ingressou nos âmbitos políticos e econômicos mais importantes da província de São Paulo. Em 2 de agosto de 1804, casou-se na Catedral da Sé com Maria Angélica de Vasconcellos, filha do Capitão José de Andrade e Vasconcellos. Exerceu a função de advogado no fórum de São Paulo, cargo que ocupou até 1815. Paralelamente, em 1807, Vergueiro adquiriu, em parceria com o sogro, uma sesmaria de duas léguas em quadra, em Piracicaba, onde fundou o Engenho do Limoeiro, cujo primeiro administrador foi seu irmão João Manuel Vergueiro. Sete anos depois, adquiriu nova sesmaria em sociedade com o sogro. Com dimensões de três léguas de testada e uma de fundo, Monjolinho se localizava nos Campos de Araraquara e foi destinada à criação de gado. Algum tempo depois, tornou-se o único proprietário das duas terras. Em 1813, foi nomeado vereador da Câmara Municipal de São Paulo. Foi juiz das sesmarias até 1816 quando se mudou para Piracicaba, adquiriu em sociedade com o brigadeiro Luís Antônio de Sousa, terras na região de Rio Claro. Em 1821, às vésperas da independência do Brasil, tornou-se membro do governo provisório da província de São Paulo. Exerceu outros cargos nas províncias de São Paulo e Minas Gerais. Participante da constituinte de 1823 como representante da província de São Paulo, como os irmãos Antônio Carlos Ribeiro de Andrada e José Bonifácio de Andrada e Silva e Martim Francisco Ribeiro de Andrada, que foi preso após a dissolução da constituinte. Era senador e, com a abdicação de dom Pedro I, integrou a Regência Trina provisória em 1831, representando o setor agro exportador durante a menoridade de dom Pedro II. Integrou o gabinete de 13 de setembro de 1832, assumindo a pasta do Império até 23 de maio de 1833, e a da Fazenda até 14 de dezembro de 1832. Ocupou a pasta da Justiça no gabinete de 22 de maio, organizado por Manuel Alves Branco, Segundo Visconde de Caravelas, e, interinamente, a do Império. Foi senador durante dez legislaturas consecutivas. Como parlamentar, sempre defendeu posições liberais e antiescravistas. Nas décadas de 1840 e 1850, foi pioneiro na introdução de imigrantes europeus em suas fazendas de café em Limeira e a Fazenda Angélica, que recebeu este nome em homenagem a esposa de Vergueiro. A partir de 1847, o Senador Vergueiro, estimulou a vinda de famílias europeias para trabalharem em sua fazenda de café em Limeira, São Paulo. Na maçonaria foi o fundador do Grande Oriente Nacional Brasileiro conhecido como Grande Oriente do Passeio, sendo seu primeiro Grão Mestre e Grande Comendador da Ordem. O Senador Vergueiro faleceu em 18 de setembro de 1859, no Rio de Janeiro, seu corpo foi sepultado no Cemitério São João Batista no Rio de Janeiro.
    A cidade de Rio Claro foi fundada com o nome de "São João Batista de Rio Claro", por Decreto Imperial, em 9 de dezembro de 1830, subordinado ao município de Piracicaba. Emancipado com a denominação de São João do Rio Claro, pela Lei Provincia
    22 min
  • CATECISMO DO APRENDIZ ADMITIDO NO RITO DE YORK

    Por Valerio de Oliveira Mazzuoli

    “Disse Deus: Haja luz; e houve luz.” (Gênesis 1: 3)


    O aprendizado no primeiro grau é catequese eloquente e significativa que deve ser incorporada ao espírito do Aprendiz Admitido com a devida seriedade.[2] Trata-se de labor que somente pode ser levado a cabo com esmero, pois as lições ali transmitidas são dotadas de simbolismo ímpar, sempre melhor compreensíveis por aqueles que se dedicam ao estudo consciencioso do grau. Um Aprendiz Admitido bem formado será, seguramente, um Companheiro de Ofício exemplar e um Mestre Maçom responsável, como se espera devam ser todos os maçons. Por isso é que hão de conhecer os princípios fundamentais de seu grau e apreendê-los com atenção.
    É a Obrigação que torna o Aprendiz Admitido um maçom, pois esta – que em outros ritos é tida como um juramento [3] – é sempre íntima e verdadeira. Não há outro elemento que torna o Aprendiz um maçom, senão a sua Obrigação para com a Sublime Ordem. No entanto, para que essa Obrigação seja assumida, deve o Aprendiz provir do corpo de uma Loja de Maçons Livres e Aceitos legalmente constituída, devidamente reunida em um lugar representando o pavimento térreo do Templo do Rei Salomão, guarnecida com o L.S., o E. e o C., juntamente com uma Carta ou Dispensa de um Grande Corpo de jurisdição competente habilitando-a para o trabalho.
    Em sua preparação, inicialmente, o Aprendiz é despojado de todos os seus metais. Não deve, ademais, estar nem nu nem vestido, nem descalço nem calçado. Deve adentrar ao Templo com o joelho e o peito esquerdos nus, de olhos vendados e com um laço ao redor de seu pescoço. A finalidade desse simbolismo é demonstrar que as riquezas e honras terrenas pouco importam à maçonaria. Conota, ainda, que devemos ser sinceros em nossas atitudes e nos trabalhos em que nos empenhamos, que devemos compreender as belezas da maçonaria antes que nossos olhos a contemplem, e que podemos ser retirados da Loja pelo laço caso não sejamos merecedores de ser tomados pela mão como um Maçom.
    Naquela condição o Aprendiz é conduzido à porta da Loja e levado a dar um número próprio de batidas distintas, as quais são respondidas com outras tantas pelo lado de dentro. Quem vem lá?, questiona-se em Loja. São “pobres e cegos Candidatos desejosos de ter e receber uma parte dos direitos, luzes e benefícios desta Venerável Loja, erigida a Deus e dedicada à memória dos Sagrados Santos de nome João, assim como todos os Irmãos e Companheiros que trilharam este caminho antes deles”, responde com segurança o 1º Diácono. Tal é a representação do que está escrito em Mateus 7:7-8: “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e, a quem bate, abrir-se-lhe-á”. [4]
    Após declarar a sua vontade, o candidato – que é homem nascido livre, de idade legal e bem recomendado – é então recebido na devida forma, isto é, com o joelho esquerdo nu, o direito formando o ângulo de um esquadro, a mão direita sustentando e a direita descansando sobre o L.S., o E. e o C., porque demonstra depositar a sua confiança em Deus. Para vários caminhos ele é transportado, no Sul, no Oeste e, finalmente, no Leste, em busca de Luz na maçonaria, tomando a solene Obrigação na posição devida, com os instrumentos adequados e na presença do L.S. Um instrumento pontiagudo é cravado em seu peito esquerdo, fazendo-o compreender que, assim como aquele instrumento o fere a carne, da mesma forma a sua lembrança ferirá a sua mente e consciência se tentar, ilegitimamente, revelar os segredos que lhe foram (ou serão) confiados.
    Durante a Iniciação, a catequese do grau apresenta aos Aprendizes Admitidos certos SSn, um Tq, uma Pa e relembra os pontos perfeitos da Iniciação (isto é, o Peitoral, representativo da Fortitude; o Manual, representativo da Prudência; o Gutural, que conota a Temperança; e o Pedal, que conota a Justiça). São elementos que compõem os SSn do aprendizado neste grau (i) o
    13 min

About Malhete Podcast

From the publisher's feed

Informativo Maçônico, Político e Cultural