Malhete Podcast

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By Luiz Sérgio F. CastroHistory
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Malhete Podcast episodes

  • SCHIBBOLETH UM CONTEÚDO SIMBÓLICO DESCONHECIDO E AINDA RELEVANTE!


    Por Mateo Simoita
    Os rituais maçônicos estão repletos de palavras emprestadas de histórias bíblicas. Shibboleth é um exemplo entre muitos. Gerações de maçons e maçons se imbuíram de uma interpretação, no geral bastante simplista, ao reduzi-la a uma senha que permite provar que quem a usava era de fato um companheiro. E se houvesse outro significado, muito mais consistente?
    Bem, sim, e é isso que vou tentar mostrar a você.
    Mas primeiro, vamos voltar à história bíblica:
    É no “Livro dos Juízes” que Shibboleth é mencionado. Em nenhum outro lugar você pode encontrá-lo.
    Lembre-se de que “O Livro dos Juízes” faz parte do Antigo Testamento; ele narra de forma lendária o período, por volta de 1130 aC, quando as tribos semitas eram consideradas desrespeitadoras dos mandamentos divinos. Os “juízes” eram chefes militares, heróis das batalhas com os cananeus, midianitas e filisteus. A referência a Shibboleth é mencionada no versículo 6 do capítulo 12, dedicado à história de Jefté. Jefté foi escolhido como o "juiz" dos homens de Gileade. Ele terá que enfrentar a Tribo de Efraim conforme contado no capítulo 12.
    1. Os homens de Efraim se reuniram, partiram para o norte e disseram a Jefté: Por que você foi lutar contra os filhos de Amom sem nos chamar para ir com você? Queremos queimar sua casa e queimar você com ela.
    2. Jefté respondeu-lhes: Temos tido grandes contendas, eu e o meu povo, com os filhos de Amom; e quando te chamei, não me livraste das mãos deles.
    3. Vendo que você não viria em meu auxílio, arrisquei minha vida e fui contra os filhos de Amon. O Senhor os entregou em minhas mãos. Por que você sobe contra mim hoje para fazer guerra contra mim?
    4. Jefté reuniu todos os homens de Gileade e lutou contra Efraim. Os homens de Gileade derrotaram Efraim, porque os efraimitas disseram: Vocês são fugitivos de Efraim! Gileade fica no meio de Efraim, no meio de Manassés!
    5. Gileade capturou os vaus do Jordão do lado de Efraim. E quando um dos fugitivos de Efraim disse: Deixe-me passar! perguntaram-lhe os homens de Gileade: És tu efraimita? Ele respondeu: Não.
    6. Eles então diriam a ele: Bem, diga Shibboleth. E ele disse Sibboleth, porque não conseguia pronunciá-lo bem. Então os homens de Gileade o agarraram e cortaram sua garganta junto aos vaus do Jordão. Quarenta e dois mil homens de Efraim morreram naquela época.
    Como esclarece o texto bíblico, a palavra "Sibboleth" foi usada pelos homens de Gileade por causa de sua pronúncia específica para identificar fugitivos da tribo de Efraim que foram tentados a usá-la para atravessar o rio Jordão e voltar para sua tribo.
    Sabendo que essas tribos eram ambas tribos judaicas, é de fato uma guerra fratricida.
    Na história da humanidade, essa técnica de identificar um inimigo foi usada muitas vezes, de modo que "Sibboleth" (ou shibboleth) também se tornou uma palavra comum. Vários shibboleths tornaram-se famosos, particularmente em 1282 durante as "Vésperas sicilianas" por ocasião da revolta contra o duque de Anjou, com o uso de um shibboleth siciliano, ciciri.
    Shibboleth e Maçonaria
    Parece que a referência a Schibboleth aparece em rituais maçônicos por volta da década de 1740. São rituais de 2º grau, nos quais Schibboleth se torna a senha para os irmãos, usada principalmente para garantir o posto de postulante antes de passar pela elevação ao posto de mestre. Isso diz respeito a quase todos os ritos maçônicos.
    Como exemplo do Rito Escocês Antigo e Aceito praticado no GODF, a palavra Schibboleth aparece no ritual de instrução do acompanhante:
    Pedido: Forneça-me a senha do acompanhante.
    Resposta: S...
    D.: O que significa?
    R.: II significa "espiga" e é representado por uma espiga de trigo junto a um riacho, alusão a um episódio relatado pela Bíblia no Livro dos Juízes (XII-5-6).
    Este episódio, interpretado simbolicamente, pode significar que não basta conhecer as palavras maçônicas para ser verdadeiros iniciados.
    Trata-se de penetrar em seu profundo significado porque quem só conhece as
    9 min
  • CANCER DE PRÓSTATA: UM ALERTA
    Por Terry McCallum
    Quantas vezes você já ouviu o termo câncer de próstata (retórico)? Vamos acertar a palavra; 'prostrado' significa que você está deitado no chão e 'próstata' significa ... bem, continue lendo.
    Dificilmente poderia haver uma plataforma melhor para falar sobre câncer de próstata do que esta revista. E, no entanto, algo tão totalmente masculino geralmente não é discutido até que afete você pessoalmente. Sim, eu sei - é uma coisa de homem. Somos todos invencíveis! Isso é até descobrirmos que não somos.
    Afinal, o que é a próstata?
    É um órgão circular (como uma rosquinha bem pequena) que fica logo abaixo da bexiga, envolvendo o tubo (uretra) que vai da bexiga até a ‘saída’. Sua principal função é produzir o fluido que alimenta e transporta nosso fluido seminal (sêmen). Há também uma função muscular associada que auxilia no fator ‘estouro’.
    À medida que envelhecemos, perdemos elasticidade em tantos lugares e coisas. A próstata tende a inchar um pouco à medida que cresce com o tempo, diminuindo assim o espaço disponível para a passagem da urina ao sair da bexiga. Isso resulta em fluxo reduzido e/ou intermitente, bem como aumento da frequência na necessidade de urinar.
    A condição é chamada de Hiperplasia Prostática Benigna (BPH). De acordo com o Instituto Nacional de Diabetes e Doenças Digestivas e Renais, cerca de cinquenta por cento dos homens com mais de cinquenta anos têm HBP. Aos oitenta anos, esse número sobe para quase noventa por cento.
    Esse aumento da próstata é muito comum e existe cirurgia de rotina e medicamentos que podem remediar, removendo parte do material obstrutivo. Este procedimento tornou-se carinhosamente referido como "re-bore".
    No entanto, tendo removido parte da próstata, sua função torna-se proporcionalmente diminuída. Sim - você está mijando como um cavalo de novo, mas não sem alguma redução do serviço em outras áreas. Há uma adorável e alegre canção do falecido Max Bygraves intitulada Fings Ain't Wot They Used T'Be. A música não é sobre problemas de próstata, mas o título é notavelmente relevante.
    O aumento da próstata não é tão ruim por si só. Sendo de natureza benigna, geralmente não é motivo de grande preocupação. Mas outra condição que pode ser muito mais grave é, obviamente, o câncer de próstata.
    O câncer em qualquer lugar nunca é bom, mas alguns tipos de câncer são mais tratáveis do que outros, o que significa que, se detectado e tratado precocemente, o prognóstico geralmente é favorável. O câncer de próstata se enquadra nessa categoria.
    O que deveríamos fazer?
    Como a maioria das condições médicas – particularmente o câncer – quanto mais cedo for detectado, melhor será o prognóstico. Então... FAÇA TESTE REGULARMENTE! Existem dois tipos principais de testes primários disponíveis, sendo um um pouco menos confortável que o outro. Um é um exame de sangue (PSA) e o outro envolve uma luva de borracha (DRE).
    O exame de sangue: PSA (Prostate Specific Antigen)
    Este exame de sangue é um guia mais do que razoável para saber se seu corpo está reagindo à presença de câncer de próstata. Se o PSA mostrar um resultado anormal, ou se algum sinal/sintoma estiver presente, você pode ser encaminhado a um urologista, que pode realizar um DRE.
    O PSA está presente em nosso sangue o tempo todo. O nível dela pode ser elevado pela presença de câncer de próstata, embora existam outras condições que também podem fazer isso. Portanto, recomenda-se que os homens façam o teste do nível de PSA regularmente assim que passarem dos cinqüenta anos, ou dos quarenta, se houver histórico familiar de câncer de próstata. Isso independe da presença ou não de qualquer sinal ou sintoma.
    LEMBRE-SE: Um teste de PSA é apenas um guia.
    Não há nível específico normal ou anormal de PSA no sangue. Como um guia muito geral, um nível de PSA de 3,0 ng/mL e inferior é geralmente considerado normal. No entanto, descobriu-se que alguns com níveis mais baixos têm câncer de próstata e muitos com mais de 4 - até 10 ng/mL - não têm câncer de
    10 min
  • UMA PROVÁVEL RELAÇÃO DOS ARTÍFICES DIONISÍACOS COM A CONSTRUÇÃO DO TEMPLO DE SALOMÃO - Parte 1

    Por Irmão José Ronaldo Viega Alves

    “É fato conhecido a existência, já antes da construção do Templo de Salomão, na Ásia Menor, de uma sociedade de arquitetos com o privilégio de erigir edifícios públicos. Tal associação se denominava de Fraternidade de Artesões Dionisianos. Quando da construção do Templo foram os Dionisianos, não só pela sua especialidade, mas, pela necessidade, admitidos na obra. É de se crer, hajam iniciado em seus Mistérios outros participantes da construção que passaram a ter seus privilégios e benefícios. Ao término das obras se dispersaram, indo empregar os seus conhecimentos em outros orientes.” (Girardi, 2008, pág. 390)


    INTRODUÇÃO
    O tema que dá título a este o artigo, vinha sendo desenvolvido há algum tempo, num processo bem lento até. Mas, um fato importante e bem recente, veio a fazer com que eu retomasse de vez o assunto com o propósito de concluí-lo.
    Vamos ao começo dessa história: meses atrás fui convidado para elaborar um trabalho, o qual foi apresentado depois num encontro das Lojas dessa região maçônica. Para a ocasião, havia escolhido o seguinte tema: as origens da Maçonaria. Tema debatido e batido, confesso, mas, a dedicação às pesquisas, assim como, as fontes utilizadas, me levaram por caminhos que me permitiram não cair no pecado da mesmice. E foi na busca constante por informações com o propósito de enriquecer ao máximo esse tema, de trazer ao conhecimento dos Irmãos essa variedade de grupos, associações, confrarias e corporações de ofício que tiveram seus nomes associados às origens da Maçonaria Operativa ou à Maçonaria que antecedeu à Maçonaria Especulativa, que acabei me deparando com o nome dos Artífices Dionisíacos, sendo que, até então não havia lido praticamente nada a respeito deles. No decorrer da palestra pude comprovar que eu não estava sozinho sobre ignorar a história dos Artífices e sua relação com o passado primitivo da Maçonaria.
    No fragmento que aparece acima, logo após o título, extraído do “Vade-Mécum Maçônico”, do Ir.’. João Ivo Girardi, pude perceber uma das poucas referências com relação aos Artífices com a qual, então, eu me depararia num primeiro momento: um grupo de artesãos que teria existido num passado distante e longínquo. Tão longínquo que fui encontrá-los no conteúdo pertinente ao verbete MAÇONARIA PRIMITIVA, tal como o que foi transcrito no trecho acima, ou seja: ”Fraternidade de Artesões Dionisianos”, que como já deu perceber, é equivalente ao termo “Artífices Dionisíacos”, este último o nome que encontraremos mais comumente.
    Quanto ao fato recente que teria acontecido é o seguinte: ao abrir o meu email, há alguns dias, me deparei com a capa de um livro intitulado “Esboço para a História dos Artífices Dionisíacos”, da autoria de Hyppolito Joseph da Costa, numa tradução do Ir.’. José Filardo.
    Diante da notícia, e o livro vem em boa hora mesmo, encomendei o meu exemplar de imediato, tendo a seguir mudado um pouco acerca do meu plano originai: o que eu havia pesquisado, o que eu havia descoberto, enfim, o que já estava pronto, com algumas alterações de última hora, é o que vai constar nessa que será a Parte 1 desse trabalho. Haverá uma Parte 2 ou Parte Final, onde as informações e comentários serão as que obterei durante a leitura do exemplar encomendado (o livro tem somente 84 páginas, na verdade, é uma tese) e daqui a alguns dias deverei estar com ele em mãos.
    Não optei por interromper o trabalho que já vinha desenvolvendo, tanto que, ele poderá ficar como uma espécie de introdução ao assunto. Quem sabe, poder despertar naquele que o lê, um interesse maior, ou até mesmo convencê-lo de que esse tipo de leitura é fundamental para o Maçom, pois, é conhecendo melhor o passado da Maçonaria que podemos entender melhor o seu presente.
    Acho que o assunto, para quem gosta de ler e estudar sobre a história da Maçonaria, é simplesmente fascinante, assim como, vai estimular, vai instigar a nossa imaginação, a nossa sede de conhecime
    20 min
  • ALQUIMIA E ROSICRUCIANISMO NA MAÇONARIA
    Jaime Paul Lamb
    Tanto a tradição alquímica quanto o rosacrucianismo podem ser contados entre os muitos tributários do que se tornaria a Maçonaria especulativa moderna. Prova disso pode ser encontrada no trabalho dos órgãos anexos da Fraternidade, como o Rito Escocês e a Societas Rosicruciana, e em certos rituais maçônicos que não são mais trabalhados, como o Rito Egípcio de Cagliostro. É o propósito deste artigo enumerar brevemente algumas das maneiras pelas quais nossa Fraternidade, em seu aspecto especulativo, foi afetada e/ou contribuiu para as tradições rosacruzes e alquímicas. Trataremos primeiro deste último.
    Considerando que a alquimia pode ser dividida em denominações operativas (práticas) e especulativas (teóricas) – uma distinção que também é evidenciada na Maçonaria – pode-se entender como esses dois sistemas seriam sinérgicos, particularmente no que diz respeito aos seus métodos comuns de simbolização e alegorizando seu trabalho. A alquimia e a maçonaria estão repletas de elaborados conjuntos de símbolos e prosa alegórica ou dramatizações que representam certos processos específicos do ofício. Além disso, o trabalho de ambas as tradições compartilha uma crença em um princípio hermético central centrado nas simpatias entre o microcosmo e o macrocosmo, em que uma operação realizada em um domínio particular pode ter um efeito causal em outro domínio correspondente – uma característica central de magia simpática. Embora o caso tenha sido esquecido durante a maior parte do século passado, a dinâmica entre a alquimia e a Maçonaria voltou a receber a atenção necessária no pensamento e na literatura maçônica do século XXI. Qualquer irmão interessado neste fascinante campo de investigação deve consultar o trabalho do irmão P.D. Newman, um psiconauta operativo, que em seu excelente Alchemically Stoned: The Psychedelic Secret of Freemasonry (The Laudable Pursuit, 2017) desenvolve e apresenta uma das teses mais inovadoras da literatura maçônica moderna, referente ao simbolismo da acácia no ritual e o simbolismo da Maçonaria e sua possível ligação com a Pedra Filosofal dos alquimistas e, assim, com as propriedades enteogênicas da planta. Para uma visão mais ampla, consulte Alchemical Keys to Masonic Ritual (Lulu Press, 2007) do irmão Timothy Hogan, cujo trabalho fez muito para abrir as comportas da investigação alquímica da perspectiva da Maçonaria. Há um enorme valor para o maçom de hoje em desenvolver essa perspectiva alquímica crítica.
    Se em nenhuma outra forma senão nominalmente, o Rosacrucianismo também foi perpetuado na Maçonaria especulativa e seus órgãos anexos, como os graus Rosa-Cruz no Rito Escocês Antigo e Aceito e na Societas Rosicruciana, ou Sociedade Maçônica Rosacruz; o último de cujos graus são padronizados nos da Orden der Gold und Rosenkreuzer (alemão, Ordem da Cruz Dourada e Rosa-Cruz). Formada por Samuel Richter em 1710 dC e reconstituída em meados do século 18 por Hermann Fictuld, a Orden der Gold und Rosenkreuzer era uma sociedade Rosacruz alemã povoada exclusivamente por maçons e alquimistas. A estrutura de grau sequenciada cabalisticamente da Ordem seria adotada por muitas ordens Rosacruzes e herméticas a seguir, incluindo a Maçônica Societas Rosicruciana e, através delas, a Ordem Hermética da Golden Dawn. No entanto, argumentos foram feitos no sentido de atribuir a origem da Maçonaria como proveniente do meio do rosacrucianismo europeu. [De Quincey, “Inquérito histórico-crítico sobre a origem dos rosacruzes e dos maçons”, Confissões de um comedor de ópio inglês, Londres: Walter Scott, 1886] Uma coisa é clara: exceto talvez o trabalho dos neoplatônicos florentinos de No Renascimento, o furor Rosacruz do início do século XVII foi, ostensivamente, a síntese mais desenvolvida do Cristianismo esotérico, Hermetismo, alquimia, astrologia, magia simpática e pensamento cabalístico no início da era moderna – e, talvez não por coincidência, todos esses desde então, os assuntos foram considerados quanto à sua rel
    6 min
  • JUSTO E PERFEITO
    Ir.’. Valerio de Oliveira Mazzuoli
    A expressão “Justo e Perfeito” que empregamos na liturgia maçônica é bíblica e vem utilizada pelo Livro Sagrado em importantes passagens. A primeira está no Livro de Gênesis, Capítulo 6, Versículo 9, quando refere: “Noé era um homem justo e perfeito no meio dos homens de sua geração”. A segunda consta do Livro de Jó, Capítulo 14, Versículo 4, ao dizer: “Eu sou motivo de riso para os meus amigos; eu, que invoco a Deus, e ele me responde; o justo e perfeito serve de zombaria”. A mesma significação também é encontrada – com variação de tradução, mas de idêntico sentido – no Deuteronômio, Capítulo 32, Versículo 4, quando afirma: “Deus é a verdade, e não há nele injustiça; justo e reto é”.
    Na Maçonaria Operativa a expressão “Justo e Perfeito” parece encontrar fundamento no ofício empreendido nas Guildas da Idade Média, quando se aferia a perfeição da obra pela horizontalidade (com o Nível) e pela perpendicularidade (com o Prumo) dos objetos trabalhados. Tais objetos passavam por rígida fiscalização de Vigilantes que, ao final do dia, atestavam ao chefe imediato da obra (o Mestre) se tudo estava ou não “Justo e Perfeito”. É por tal razão que as joias dos cargos de 1º e 2º Vigilantes são, respectivamente, o Nível e o Prumo. De fato, a rigidez dos trabalhos empreendidos por aqueles pedreiros livres fez vir à luz a construção de catedrais e templos suntuosos por toda a Europa, repletos de detalhes e ornamentos que jamais deixaram de atrair a admiração de todos.
    Ao Mestre da obra era transmitida a informação, pelos Vigilantes, de se as peças analisadas (por exemplo, as pedras trabalhadas) perfaziam os padrões de exatidão exigidos, tanto na horizontalidade (no nível) quanto na perpendicularidade (no prumo). Estando cada peça ou objeto de acordo, o labor nos canteiros de obras deveria prosseguir, porque o respectivo trabalho estava “Justo e Perfeito”. Ademais, para se evitar o ingresso de impostores e fraudadores criaram-se sinais e palavras de reconhecimento naquelas corporações profissionais, mantendo-se a coesão entre os obreiros.
    Com a transição da Maçonaria de Ofício para a Maçonaria Especulativa as lições tomadas nas associações de construtores passaram a compor a mística que hoje se conhece e se estuda nas Lojas simbólicas, deixando as construções de serem reais para se tornar ilustrativas e dotadas de uma significação filosófica que está à base da maçonaria a partir de então. Daquele momento em diante, o que se visou “construir” ou “edificar” é, essencialmente, o templo interior de cada qual, com todos os percalços e dificuldades atinentes à sua perfeita concretização.
    As dificuldades operacionais para a construção de um templo também se fazem presentes no que tange ao nosso templo íntimo, a exemplo da lapidação de nossa Pedra Bruta, da constância da vida no prumo das virtudes e do fortalecimento de nossas colunas íntimas. Se houve dificuldades e desafios para a edificação daquelas obras monumentais, também para a construção de nossa casa interna (nosso Eu interior) tais percalços se apresentam, sendo o desafio de vencê-los aquele posto à consideração de todos os maçons ao redor do mundo.
    No R.’.E.’.A.’.A.’., estando tudo Justo e Perfeito em ambas as colunas, o Venerável Mestre invoca o auxílio do Grande Arquiteto do Universo para abrir a Loja, momento a partir do qual tudo deve ser tratado sob os influxos da moral e da razão, não sendo a nenhum Irmão permitido falar ou passar de uma para outra coluna sem obter permissão, nem ocupar-se de assuntos proibidos pelas leis maçônicas. Ao final dos trabalhos, o Orador, assim entendendo por bem, afirma que tudo transcorreu segundo os princípios e leis maçônicos e dá a sessão por “Justa e Perfeita”.
    “Justo e Perfeito”, portanto, é expressão altamente significativa no mundo maçônico, especialmente pelo seu fundamento bíblico, a indicar que os trabalhos em Loja devem ser conduzidos e transcorrer segundo os princípios da justiça e da perfeição; e que o noss
    8 min
  • REFLEXÃO É A VIDA DA ALMA!
    Queridos Irmãos!!!
    Iniciamos mais uma Jornada. Mais um ano começa e tudo se renova.
    Sempre no final de um ano e início de outro comemoramos, nos confraternizamos, agradecemos e celebramos as conquistas. Mas especialmente é tempo de refletir.
    A reflexão é a vida da Alma.
    Além de agradecer pelo ano que se encerra e comemorarmos, precisamos tirar um tempo para pensar, questionar, rever o caminho percorrido, os acertos, os erros, onde podemos melhorar, nos conhecermos melhor, saber dos nossos limites, medos, bem como das nossas qualidades.
    Muitas vezes as pessoas, pela correria diária e também por esquecimento, não param para refletir sobre sua vida, suas ações, enfim, sobre si mesma.
    É fundamental essa parada periodicamente, para fazer esse “exercício” para o corpo e especialmente para a Alma.
    Quem eu sou? Não se canse de fazer essa pergunta. Se pretende encarar e vencer os desafios que a vida nos proporciona, vai precisar olhar para dentro de si, descobrir seus desejos, medos, interesses e seus limites.
    O médico indiano Deepak Chopra, tem uma frase que me agrada muito: “Quando você descobre sua natureza essencial, quando sabe realmente quem é, encontra toda a sua potencialidade”.
    Muitas pessoas passam a vida “malhando em ferro frio”, porque simplesmente não se conhecem. Não sabem o que querem. Não sabem aonde estão e para onde querem ir. Ficam vagando de um lado para outro. E o tempo vai passando. Ele não para esperando sua decisão. O tempo é inexorável.
    Vamos aproveitar esse momento do corte (final de um e começo de outro ano) para fazer essa reflexão.
    Vamos rever o caminho percorrido em 2022, nos seus diversos aspectos da vida: Familiar, profissional, pessoal, social, nas dimensões, mental (intelectual e emocional), física e espiritual. Fazendo esse “exercício”, pense e planeje seu ano de 2023: Seus objetivos, metas e sonhos.
    Mas temos e devemos ter atitudes, ações; executar, trabalhar, afinal, 5% do sucesso é talento, o restante, ou seja, 95% é suor. Citando Og Mandino, trago uma frase que é fundamental para realizar nossas metas: “A ação é o alimento e a bebida que nutrirá o meu êxito.”
    Nossos instrumentos de trabalho, simbolicamente nos ensinam:
    A RÉGUA, a medir e delinear o trabalho, nos ensina a apreciar as 24 horas do dia, aplicando com critério na meditação, no trabalho e no descanso físico e espiritual.
    O MAÇO nos ensina quem sem a força e determinação nenhuma obra poderá ser acabada. Nos ensina que o trabalho é uma obrigação do homem. Será inútil se o coração conceber; o cérebro projetar, mas se a mão não estiver pronta para executar o trabalho.
    O CINZEL. Por ele aprendemos que a educação e perseverança são necessárias para ser buscar a perfeição. Por seu incansável emprego se adquire o hábito da virtude, a iluminação da inteligência e a purificação da alma.
    Ou seja: O Conhecimento baseado na exatidão, ajudado pelo trabalho e efetivado pela perseverança, vencerá todas as dificuldades, extinguindo as trevas da ignorância e espargindo a felicidade no caminho da vida.
    Se volvermos o passado e compararmos ao presente, veremos que alguma coisa de eternamente belo e admirável existe no homem. Nós temos que ver o homem não como um ser degenerado, preso à terra pelo egoísmo de seus sentimentos, rastejando nos círculos dos preconceitos e seguindo aos velhos erros hereditários, mas sim, como um ser superior aos demais, consciente de seus deveres e de seus direitos, para chegar ao apogeu a que é destinado.
    O mal existe por toda parte, com atrações tentadoras, mas, por toda parte, está igualmente o bem. O mal não é um princípio desconhecido, nem uma causa sem origem; é o lado fraco de nossa natureza. Não é justo que sacrifiquemos nossa dignidade e nossa força moral aos apetites da vida material. Não precisamos falar sobre o bem, precisamos PRATICAR o bem.
    Por isso que somos recebidos e maneira diferente na Maçonaria, nós renascemos na busca de ser uma pessoa melhor, de cultivar a praticar o bem. Somos chamados
    7 min
  • CAMPANHA JANEIRO BRANCO
    2023 está aqui! E o primeiro mês deste novo ano traz a campanha Janeiro Branco, que busca conscientizar a população sobre a importância da saúde mental e os cuidados necessários para garantir o bem-estar emocional. A iniciativa também tem o intuito de desmistificar certos tabus que cercam o tema, por meio da divulgação de informações e do incentivo ao diálogo.
    A campanha foi idealizada pelo psicólogo Leonardo Abrahão e colocada em prática em janeiro de 2014, quando profissionais de psicologia da cidade de Uberlândia, Minas Gerais, foram às ruas e veículos de comunicação locais para conversar com a população sobre Saúde Mental e Emocional.
    O mês de janeiro foi escolhido justamente pelo seu significado cultural, visto que, muitas pessoas tendem a começar um novo ano carregando as frustrações das metas não cumpridas no ano que passou. Essas frustrações podem desencadear respostas emocionais negativas, como baixa autoestima e sentimentos de dúvida, resultando em crises existenciais que podem levar à ansiedade ou depressão. A cor da campanha também carrega significado, sendo o branco alusivo a “uma 'folha ou tela em branco', onde todos podem se inspirar para escrever ou reescrever suas próprias histórias de vida”.
    Dessa forma, o janeiro branco funciona como um alerta para começar este novo capítulo com uma visão mais saudável e positiva, deixando de lado qualquer falha do passado para focar nas muitas oportunidades do futuro. Mais do que isso, a iniciativa visa estimular as pessoas a buscarem uma vida melhor, por meio da realização de ações sociais que fomentem uma cultura direcionada à educação preventiva e construção de ideias que valorizam a saúde mental.
    As ações incluem palestras, palestras relâmpagos, workshops, cursos, oficinas, entrevistas na mídia, caminhadas, rodas de conversa e abordagem em todos os locais onde as pessoas estão: ruas, praças, igrejas, empresas, residências, academias, shoppings, hospitais, prefeituras, e muitos outros.
    A campanha tenta mostrar para as pessoas que apresentam problemas relacionados à saúde mental não é sinônimo de fraqueza pessoal, muito menos frescura, e que as questões emocionais e psicológicas devem ser tratadas com o mesmo nível de importância que um distúrbio ou doença física. Assim, o janeiro branco tenta quebrar o estigma que envolve o ato de procurar ajuda profissional, incentivando tratamentos, como a terapia, para resolver os problemas enfrentados.
    De acordo com o "National Institute of Mental Health" (NIH), "a saúde mental inclui o bem-estar emocional, psicológico e social. [...] A saúde mental é mais do que a ausência de uma doença mental - é essencial para o seu bem-estar geral, saúde e qualidade de vida”.
    Nesse caso, o autocuidado tem um papel muito importante na manutenção da sua saúde mental, além de auxiliar no tratamento e na recuperação de quem sofre de algum transtorno mental. Abaixo está uma lista, feita pelo NIH, de ações de autocuidado que podem ajudar a aliviar a mente em momentos de estresse e alta intensidade.
    Fazer exercícios regularmente
    Comer refeições saudáveis e regulares
    Manter-se hidratado
    Fazer do sono uma prioridade
    Experimentar uma atividade relaxante
    Definir metas e prioridades
    Praticar a gratidão
    Focar na positividade
    Estar presente nos momentos da vida
    O GOSP apoia esta campanha e incentiva os Irmãos a fazerem o mesmo, falando sobre o tema em suas Lojas, comunidades e famílias, bem como praticando o autocuidado e buscando ajuda profissional, se necessário. Lembre-se, nossa saúde, física e mental, é extremamente importante e devemos fazer o possível para zelar por ela.
    Para mais informações, acessem o site: janeirobranco.com.br
    5 min
  • POR QUE RITO ESCOCES ANTIGO E ACEITO? O QUE A ESCÓCIA OU O ESCOCÊS TEM A VER COM ISSO?

    Por Tom Lamb

    Introdução

    Sempre me interessei por história, originalmente pelo Império Britânico, depois pela Marinha Real e, mais recentemente, pela Maçonaria. Meu interesse pela Maçonaria Escocesa e pelo Rito Escocês foi obviamente intensificado por minha formação escocesa. Além disso, como estava no título, acreditei que deveria haver alguma conexão.

    Fiquei farto de todos os escritores que se esforçam para dizer que a Escócia não tem nada a ver com a formação do Rito Escocês. Sério? Acredito que se não houvesse Maçonaria Escocesa ou Maçons Escoceses (Jacobitas) exilados na França, não haveria Rito Escocês.

    Portanto, minha breve história do Rito Escocês Antigo e Aceito da Maçonaria se concentrará nos primeiros dias das atividades que seriam sua fundação e mostrará que havia uma forte influência escocesa.

    Obviamente, existem pedreiros desde que o primeiro edifício de pedra foi construído. Há documentação dos Maçons Compagnonnage franceses que mostram que eles tinham rituais baseados em um Hiram, o construtor do Templo de Salomão, e usavam muitos dos mesmos símbolos que usamos hoje, como o Esquadro e o Compasso. Acredita-se que alguns deles foram trazidos para a Escócia para construir a Abadia de Melrose no século XI.

    No entanto, acredito que a Maçonaria como a conhecemos hoje (não operativa) começou na Escócia quando a perna de pedreiro dos Cavaleiros Templários (uma das três formadas por maçons que se juntaram aos Cavaleiros Templários para construir primeiro seus castelos em toda a Terra Santa e depois que precisam desaparecer as magníficas catedrais em toda a Europa e Grã-Bretanha, os outros dois sendo os Guerreiros e os Monges Cistercienses) absorvidos em Lojas Operativas existentes.

    A maçonaria especulativa (ou como eles preferem na Escócia, não operativa) começou no reinado do rei Jaime II da Escócia, quando as pessoas administrativas que interagiam com os maçons foram encorajadas a ingressar nas Lojas operativas, embora existam referências anteriores à adesão de não operativos. Lojas escocesas antes disso.

    Havia uma crença comum mantida pelos maçons na Inglaterra e na Irlanda no início de 1700 de que os reis da Escócia eram desde os primeiros tempos grão-mestres hereditários da Loja de Construtores da Abadia de Kilwinning em Aryshire. Essa crença foi promovida por Anderson em suas Constituições de 1723 e por Ramsay em sua Oração de 1737 na seguinte declaração “James, Lord Steward of Scotland foi Grão-Mestre de uma Loja estabelecida em Kilwinning, no oeste da Escócia, (1286), logo após a morte de Alexandre III, rei da Escócia, e um ano antes de John Baliol se tornar rei. Este Senhor recebeu como Maçons em sua Loja os Condes de Glouster e Ulster, um inglês e outro irlandês.”
    O movimento maçônico não operativo cresceu sob sucessivos reis escoceses, incluindo James VI da Escócia, que se tornou o rei James I da Inglaterra em 1603. Existem muitos outros registros de maçons não operativos que ingressaram em Lojas na Escócia desde o início do século XVII
    A maçonaria não operativa foi introduzida da Escócia para a Inglaterra em 1608, quando o rei Jaime VI se tornou rei Jaime I da Inglaterra e trouxe muitos de seus funcionários administrativos e da aristocracia escocesa com ele, muitos dos quais eram maçons.
    A Maçonaria não operativa foi introduzida na França em 1649 pela família exilada do executado Rei Carlos I. A primeira Loja Maçônica na França (Lodge St. Germain, 1649), nomeada da cidade de St. confundido com a pessoa posterior com o nome, era apenas para os exilados jacobitas e NÃO permitia que nenhum francês se juntasse a ele.
    Depois que o rei Jaime II foi exilado na França em 1688, os jacobitas (apoiadores da causa Stuart e católica romana) usaram a organização maçônica não operativa estabelecida como um meio de sustentar sua causa na Grã-Bretanha e também se tornou uma organização de espionagem.
    Em 1725, o Conde de Derwentwater, o primo ilegítimo d
    17 min
  • PAIDEIA: MITO OU REALIDADE?
    por Raffaele Rossi.

    Quando os primeiros espécimes da raça humana "Homo" apareceram na África há cerca de 2,8 milhões de anos, é quase certo que eles não tiveram tempo, nem curiosidade, nem vontade de se perguntar de onde vieram, o motivo de sua presença naquele lugar e nem mesmo sobre como seria seu próprio futuro. Eles provavelmente estavam muito ocupados lutando contra os elementos e outras espécies animais, todos competindo por sua sobrevivência.

    A certa altura da sua evolução, o Homo sapiens terá começado, movido por uma inata sede infinita de conhecimento, a colocar-se algumas questões fundamentais como, por exemplo, qual foi o sentido da vida, qual poderá ser a origem do universo, qual a origem de todas as coisas e seu significado, qual era o destino do indivíduo após a morte, o que considerar "bom" e o porquê da existência do mal, o que é verdade.
    Questões existenciais que não possuem uma resposta certa e inequívoca; são dúvidas que dizem respeito à vida, ao nosso íntimo e ao que não podemos saber exatamente.
    O homem sente a necessidade íntima de dar resposta a estas grandes questões.
    Essas perguntas tentaram responder, de diferentes maneiras, ao mito, à religião, à filosofia, ciência.
    “Fatti non foste a viver come bruti, ma perseguir virtute e canoscenza”, quem nunca leu ou ouviu estes famosíssimos versos que o grande poeta Dante faz pronunciar Ulisses, dirigindo-se aos seus companheiros, quando, no Canto XXVI do inferno do Divino Comédia, trata de líderes e políticos que não agiram com armas e com coragem pessoal, mas com a acuidade inescrupulosa de sua própria engenhosidade. O engenho é um dom, é uma capacidade extraordinária do ser humano, mas que, por um desejo exagerado de conhecimento, pode levar à perdição, se não for guiado pela virtude moral, por aquela lei moral universal que une todos os homens de boa vontade. Esta "pequena oração", pronunciada por Ulisses para exortar os seus companheiros e incentivá-los a continuar a viagem para além das Colunas de Hércules, a última fronteira do mundo então conhecido, representa o apelo sentido contra a barbarização do ser humano e não é abordada só a eles mas a todos os homens de boa vontade para que não temam o desconhecido e se sintam obrigados a manter sempre viva a sua curiosidade e a sua sede de conhecimento. Uma frase que nos admoesta, como homens, a valorizar nossa inteligência e seguir o caminho da virtude.
    Perseguindo a "virtude e o conhecimento", ou seja, não fomos criados para viver como as pessoas que não usam a inteligência, portanto como os animais, mas para alcançar a educação no bem (virtude) e o conhecimento entendido como o despertar da consciência e, portanto, o conhecimento interior de si mesmo. Este deve ser o principal objetivo dos seres humanos. É justamente esse conhecimento, essa possibilidade de nos elevarmos, que nos distingue das bestas que vivem primitivamente, dia a dia, sem questionar os fatos do mundo e do futuro.
    Uma pessoa que não possui conhecimento é um animal um indivíduo, enquanto o conhecimento torna-se o pré-requisito para determinar o valor de uma pessoa.
    Por sua própria natureza, todos os homens desejam "saber", percorrem toda a sua existência movidos pelo ardor do conhecimento, mas este deve ser guiado por um caminho de justiça, caridade e amor fraterno.
    Não é "Conhece-te a ti mesmo" o lema que acolhe o Irmão Maçom à entrada do templo onde as obras tendem a concretizar esta exortação? Qual é a finalidade do ensino maçónico senão o aperfeiçoamento do ser humano através de um conhecimento meditado, que tem suas raízes na cultura e na sua análise, que leva ao aperfeiçoamento, tornando-se um mestre da vida, se ensina a paz, a harmonia e o amor entre povos, se puder nos guiar para uma luz ainda mais radiante e assim nos aproximar espiritualmente do Grande Arquiteto do Universo.
    Um exemplo admirável da condição humana atual nos foi dado por um filósofo do passado cuja doutrina teve e continua a ter grande influência na cultura
    21 min
  • SOMOS TODOS APRENDIZES EM UM MUNDO DE MESTRES
    Por Rosemunda Christian
    Lembre-se que a Maçonaria é uma instituição, e que nossas instituições não são medidas pela vida dos homens; lembre-se que, recentemente reorganizada e menos aceita como uma força civil viva e vigorosa, deve justificar sua existência perante a história com uma vida laboriosa e civil, lembre-se, finalmente, que como nossos anciãos nas Lojas, eles aceitaram a tarefa de reconstruir materialmente o país, então nós, se quisermos ser dignos deles, devemos aceitar reconstruí-lo moralmente.
    Ernesto Nathan
    A vida profana me fez conhecer muitas pessoas que por diversos motivos me ensinaram ou sempre quiseram me ensinar algo; muitos certamente me transmitiram muito, mas outros assumiram um direito que não tinham, seja porque não tinham o que educar - falo sério! – e porque para educar é preciso primeiro “saber”.
    A vida secular está cheia de gente que sempre tem algo a sugerir, sempre tem alguém pronto para te dizer o que fazer.
    Palavras, palavras, palavras... centenas, milhares de palavras. Conceitos jogados fora, teorias rebuscadas, pontos de vista simples.
    Oh meu Deus, quanto as pessoas falam!
    Nunca ninguém se perguntando se o outro realmente quer ouvir e aprender.
    O mundo profano tem uma tagarelice de fundo, às vezes irritante. Eu gostaria de colocar as mãos nos ouvidos, como as crianças fazem!
    Nem sempre você pode fazer isso, mas às vezes finge prestar atenção ao que o "mestre" de plantão está tentando incutir à força em você.
    Mas então, você chega no umbral da Loja, está prestes a entrar no Templo e... de repente tudo muda, não importa qual seja a sua posição, no Templo você é um Aprendiz para sempre.
    Alguém pode discordar e argumentar que se é Mestre para sempre, porque o que vale é o 3º grau, mas eu que cheguei ao 3º e além sei com certeza que sempre serei um Aprendiz.
    Assim que você cruza a porta e põe os pés no Templo, acontece algo que não acontece no mundo profano... é o maçom que tem sede de aprender. De tudo e de todos.
    Gosto do que aprendi sobre a jornada iniciática que fiz.
    Aprendes com o silêncio que te envolve no Templo quando te encontras sozinho, quando te encontras com todos os teus Irmãos, seja no meio do trabalho ou na hora do recreio.
    Você sempre aprende. Você acabou de aprender. Você aprende a aprender.
    Com os ruídos de fundo dos trabalhadores trabalhando na oficina, treinei meu ouvido para ouvir, para captar as sábias palavras de meus irmãos, principalmente os mais velhos, distinguindo o que era realmente necessário assimilar, sobretudo para meu enriquecimento espiritual e maçônico, uma espécie de “escuta seletiva”.
    Acredito que a maravilhosa experiência de ser um Aprendiz é altamente formativa para o restante da jornada maçônica.
    Cada um de nós deve ter seu próprio som pessoal e ouvi-lo deve torná-lo eufórico e vivo, ou quieto e tranquilo… Aliás, um dos sons mais importantes – e para mim som por definição – é o silêncio total, absoluto , André Kostelanetz, deu essa definição ao silêncio.
    Eu gosto de pensar que é o mesmo para nós maçons. Imagino que todo Irmão nesse Silêncio ritual, conhecido apenas por nós, encontre a força, a energia, o desejo, o entusiasmo, a teimosia e a constância de cavar dentro de si para sempre trazer à tona sua melhor parte e as palavras que ele gostaria nunca pensei em pronunciar
    Silêncio para ouvir.
    Fique em silêncio para saber o que dizer.
    Ser Aprendiz dentro do Templo para ser um Mestre digno na vida profana.
    5 min

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