Pergunta Simples

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Pergunta Simples episodes

  • Como explicar a guerra? Mendes Dias
    Guerra.
    Dizer a palavra arranha-me a garganta.
    Fui tentar compreender a guerra.
    Rapidamente percebi que o nevoeiro da guerra nos impede de saber muitas coisas importantes.
    Num conflito a verdade é sempre uma vítima.
    As partes envolvidas tem objetivos, narrativas, caras, ações e intenções.
    A informação, contrainformação e a propaganda são armas usadas deliberadamente na contenda.
    A conversa de hoje tenta chegar a um modo de visão mais alargada, menos emocional.
    O que é difícil.
    A guerra na Ucrânia é uma guerra em casa.
    Isso choca-nos.
    A destruição. A morte de pessoas. Os refugiados.
    Por que razão a guerra aparece sempre desde tempos imemoriais quando os homens não se entendem?
    O convidado desta edição é um militar com sólida formação em assuntos de geoestratégia global, em relações internacionais e ciências Sociais.
    É o Coronel Mendes Dias.
    Ele esteve na guerra da Bósnia, a última antes desta.
    A ideia inicial da conversa era falar da maneira como a comunicação é usada num conflito.
    Mas tudo se alargou a uma lição de geografia e sede de poder ao longo da história.
    A zona da Ucrânia e da Polónia foi sempre palco central da cobiça de vários impérios.
    Dos Vikings, aos Romanos e otomanos, aos nazis e aos russos. Aquelas fronteiras foram mil vezes redesenhadas. Milhões de pessoas sofreram.
    Mas agora vemos o conflito ao vivo e em direto.
    Nas redes sociais. Na televisão.
    Por isso a pergunta que mais me inquieta: como explicamos a guerra às nossas crianças?
    Logo agora que todos lhes tínhamos prometido paz, educação, prosperidade e felicidade.
    A pergunta que me sobra não tem resposta fácil.
    Como se resolve este problema?
    Como se calam as armas?
    Como se protegem os indefesos?
    Como voltamos a algo parecido com a normalidade?
    Quatro perguntas ao invés de uma.
    A diplomacia e a comunicação tem agora um papel-chave.
    59 min
  • Filipe Duarte Santos | Como explicar a ameaça do clima?
    As alterações climáticas são um tema sério e sentido diariamente.
    Apesar de tudo, fingimos preocupação, mas pouco fazemos pessoalmente.
    Por que razão não estão as mensagens do clima a ser eficazes?
    Neste inverno em que faz sol.
    Demasiado sol.
    E quase nada de chuva.
    Vemos a consequência: seca.
    Com isso começamos a perceber melhor aquilo a que os mais entendidos chamam alterações climáticas.
    O tema é sério. E pouco falamos dele.
    Ou melhor, falar, falámos. Mas mudar hábitos ou comportamentos é francamente mais difícil.
    Falar de alterações climáticas é falar da vida dos nossos netos.
    Assim dito até parece estranho.
    Mas se pensarmos que abusar do carro, consumir e deitar fora sem regra ou desperdiçar sem freio tem um impacto nas próximas gerações, então podemos começar a ficar angustiados.
    Quando combinei esta conversa com Filipe Duarte Santos tinha uma ideia de pergunta inicial para abrir o caminho: por que razão num tema tão importante, as mensagens não passam?
    Sim, todos vemos os efeitos do aquecimento global.
    Sim, todos estamos a sentir, a ver a olhos vistos, as barragens a secar , as florestas a arder e o mar a subir.
    Sim, aqui, em Portugal.
    Não num sítio longínquo. Não noutro povo.
    E, todavia todos continuamos na mesma vidinha.
    É um facto que vamos reciclando. Que os sacos plásticos do supermercado já tem alternativas reutilizáveis. Que os passes dos transportes públicos são agora mais acessíveis.
    Mas o uso do automóvel é permanente. Cada vez há mais carros. Mais estradas boas e cidades com demasiadas pessoas concentradas.
    A agricultura consegue produzir alimentos em vários ciclos anuais, com consumos de água astronómicos e a industrialização, por exemplo, da eletrónica inventa aparelhos que se cansam num par de anos, porque há outro novo na loja.
    E porque não ligamos as duas coisas na nossa cabeça? As nossas escolhas enquanto sociedade e os efeitos que eles têm no planeta-casa-terra?
    36 min
  • Duarte Cordeiro | Como ganhar uma maioria absoluta?
    As máquinas eleitorais são uma das coisas que mais me fascinam. São na prática organizações políticas, com ideias e pessoas que querem convencer os seus concidadãos que tem uma forma melhor de resolver os problemas de todos.A máquina pode ser quase unipessoal, com a das candidaturas às juntas de freguesia. Como o candidato, a mulher, os filhos e pouco mais.Ou ser grande, nacional e envolver milhares de pessoas. Desde militantes, quadros do partido e fornecedores.Quem teve de organizar uma dessas máquinas complexas foi Duarte Cordeiro, coordenador da campanha do PS nas últimas eleições.Conquistar o poder é o objetivo de qualquer partido político.Conseguir uma maioria absoluta é o pináculo desse sonho.É que com uma maioria absoluta o partido que a conquista conseguirá aplicar sem ter de fazer grandes concessões o programa eleitoral com que se candidatou.O sistema eleitoral português está feito para dificultar a conquista de maiorias absolutas.A começar pela forma de distribuição proporcional de deputados eleitos por círculo. Ao contrário de outros sistemas onde o partido vencedor de um círculo elege um representante e os outros nada.Nas últimas eleições o partido vencedor conquistou 41,5% e até agora 119 deputados. Faltam atribuir os 2 mandatos do círculo europeu.O homem escolhido por António Costa para organizar a campanha eleitoral foi Duarte Cordeiro.Ele passou os últimos anos na posição de Secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares como negociador entre os partidos e o governo. Em particular a dura negociação do orçamento do estado.Mas não só. Tinha outra missão: perguntar aos ministros se cumpriam o acordado com os partidos da oposição.Esta conversa é também sobre negociação. Entre agendas, pessoas, objetivos e sobre sincronismo.
    56 min
  • Luís Paixão Martins | Como perder uma eleição?
    Ganhar três maiorias absolutas é obra.E o feito não está no currículo de nenhum político, mas sim de um homem da comunicação. Luís Paixão Martins era o estratega da comunicação do PS e do candidato António Costa nas últimas eleições.Dirá ele, entre a sua visão da verdade, alguma humildade e uma fina ironia, que apenas foi o consultor.Como se alguém, que não ele, criasse o plano de batalha de comunicação que levou à maioria absoluta socialista.Sim, a campanha era dirigida pessoalmente pelo candidato e experiente político, mas também "marketeer" António Costa, mas por alguma razão o reeleito primeiro-ministro o foi buscar à pacata reforma em Idanha-a-nova. Luís Paixão Martins tem um histórico,  esteve no papel do estratega de comunicação na segunda eleição de Cavaco Silva como Presidente da República e com José Sócrates na primeira maioria de sempre do PS. Agora esteve na maioria de António Costa.Mas a política é apenas uma parte do seu percurso. Locutor e jornalista desde 1971 e relações-públicas a partir de 1986 ele cria a LPM uma empresa que introduz o conceito de comunicação híbrida entre organizações e grande público.Mas finda a campanha, aproveitei o pretexto para ver por dentro os segredos  de uma batalha eleitoral, mas não só.Esta conversa tem uma metalinguagem. Tem que é dito, o não dito e o sugerido.É sobre boa comunicação, controlo da mensagem e motivações.
    55 min
  • Duarte Nuno Vieira | Os mortos falam?
    Hoje vamos falar muito do silêncio.De fazer perguntas a quem já não consegue responder de viva voz.Mas dá respostas. E essas respostas são pistas para descobrir a verdade.Caminhos que explicam o que aconteceu a alguém num determinado momento.Sim, hoje vamos falar de ouvir os mortos.Mas não só.Todos já vimos as séries com os CSI nas televisões.O trabalho da polícia cientifica é muito esse: descobrir pistas, contextos, tempos e factos que ajudem a esclarecer um crime.E aqui a medicina legal e forense dá uma grande ajuda.Duarte Nuno Vieira é um especialista nesta área com trabalho feito em meio fundo.Da autópsia mais simples, se é que há isso de autópsia simples, até à investigação de casos de tortura algures no globo terrestre.E a minha curiosidade em pulgas para saber como se interrogam aqueles de quem já não podem usar as palavras.Os mortos falam?
    49 min
  • Desidério Murcho | Lógica ou falácia?
    Saber a causa das coisas é um dos principais motores da curiosidade humana.As dúvidas filosóficas são uma maneira de organizar o nosso mundo.Quem somos?De onde viemos?Para aonde vamos?Mas convidar um filósofo para esta edição teve uma motivação inicial:Saber se estamos a usar bem as ferramentas do entendimento e decisão para construir um país melhor. Um mundo melhor.
    E chegamos a dois temas em que o filósofo Desidério Murcho tem pensamento e fala habitualmente.Estou a falar da lógica, pois claro, da lógica, do raciocínio lógico.E das falácias.Sim, isso mesmo.Das coisas que se dizem e nos parecem verdadeiras, mas são falsas.Sim, declarações que juntam a retórica com retalhos de lógica, pouco lógica.No fundo, comunicação pouco verdadeira ou com intenção de manipular.
    36 min
  • Isabel Nery | O que sentimos ao ler reportagens escritas como livros?
    Este é um programa cheio de histórias e narrativas cruzadas.Não fora a convidada uma jornalista, escritora e investigadora do jornalismo que se faz.Isabel Nery escreveu, por exemplo, a biografia de Sophia de Mello Breyner e como doente, súbita e urgente, descreveu o que sentiu deitada numa maca, sem ninguém acertar com o diagnóstico.Durante vários anos escreveu na Visão.E escreveu num modo que junta factos, dos quais os jornalistas são escravos, com uma escrita praticamente literária.Estes rios de experiências, formas de ver e contar o mundo, redundaram na tese de doutoramento que defendeu recentemente.A tese avalia o impacto que os textos jornalísticos têm em nós.Comparando textos escritos da forma mais comum, das notícias do dia-a-dia, com textos do chamado jornalismo literário.São, por exemplo, as crónicas escritas em grandes reportagens.Se leram Ernest Hemingwey está lá tudo.Todavia não são romances. São descrições de factos e emoções reais.Neste caso usando uma das mais belas descrições de um dos mais terríveis acontecimentos da humanidade: o retrato da vida dos sobreviventes (e vítimas) da bomba atómica em Hiroxima, no Japão.Este é um programa sobre a honestidade subjetiva da fórmula jornalística moderna.
    A foto de Isabel Nery foi tirada por Marcos Borga
    1 hr 3 min
  • Como Contar Histórias Difíceis com Dignidade? Cláudia Pinto
    Como entrevistar alguém que está a sofrer? Como ouvir histórias de luto, doença ou superação — e transformá-las em jornalismo digno? Qual é o impacto real de uma boa pergunta?
    Neste episódio do Pergunta Simples, converso com a jornalista Cláudia Pinto, autora do livro O Intervalo da Vida e uma das vozes mais humanas do jornalismo português. A Cláudia escreve sobre saúde, doença, esperança, luto, saúde mental e tudo aquilo que fica nas entrelinhas de uma história difícil — mas necessária.
    Falamos da arte de ouvir, da dor de perder entrevistados, da pressão dos editores, da saúde mental dos jornalistas e dos dilemas éticos de quem escreve sobre vidas reais.
    🎧 TEMAS EM DESTAQUE NESTE EPISÓDIO
    Como se faz uma entrevista em contexto de fragilidade
    O papel das perguntas difíceis (e quando não as fazer)
    A diferença entre empatia e sensacionalismo
    O impacto dos títulos e da edição nos media
    O peso emocional de entrevistar quem está doente
    Jornalismo freelancer: desafios, limites e liberdade
    O que ainda falta contar sobre saúde mental em Portugal
    As histórias que a Cláudia gostaria de poder noticiar um dia
    📌 VÊ E OUVE O PERGUNTA SIMPLES EM TODAS AS PLATAFORMAS
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    🌐 Website oficial: https://www.perguntasimples.com
    O jornalismo de causas é um género pouco praticado por cá.São histórias de pessoas que de forma tantas vezes heróica conseguem superar-se dia a após dia.
    As histórias de superação são sempre atrativas para qualquer audiência.Tem sempre um condimento de vulnerabilidade extrema a par da superação.
    E nem todas acabam bem. Ou sequer ganham espaço na imprensa.
    Para conversar sobre estas histórias convidei uma boa amiga, jornalista "freelance", e uma das pessoas que mais conta este tipo de histórias.
    Cláudia Pinto não tem um emprego com secretária numa redação principal de um jornal.O que faz é encontrar boas histórias e depois propo-las aos editores de várias publicações.
    Ou então transformar essas histórias em livros, ou diretos no Instagram com a marca “No intervalo da vida”.
    Muitas destas histórias são sobre casos de saúde.E algumas deixaram cicatrizes fundas em quem as escreveu. Afinal escrever notícias implica honestidade, mas nem sempre neutralidade asséptica.
    As grandes histórias estão sempre aí para serem descobertas e contadas.E vale aprender algumas das técnicas que ouvimos neste programa.Ouvir os outros, fazer parte da sua história e contar com emoção o que levamos de cada conversa.Já imaginaram se conseguíssemos fazer isso em todo e qualquer momento da nossa vida?Adeus monólogos aborrecidos.Adeus reuniões monocórdicas.Adeus pessoas vazias de sentido e poesia.
    É como as grandes histórias: são utopias para perseguir todos os dias.
    Pensem nisso quando tiverem que falar a outras pessoas.Criem um momento único e inspirador.
    52 min
  • António Costa Pinto | O que nos dizem os políticos?
    Este é o mês da campanha eleitoral.Dia 30 de janeiro vamos a votos.São as eleições legislativas.Vamos eleger 230 deputados.E desta eleição nasce o apoio ao governo escolhido para os próximos 4 anos.
    Então, o que nos dizem os políticos?O que nos dizem os candidatos?Os partidos?As correntes ideológicas?
    Os partidos políticos têm como objectivo principal chegar ao poder.E para isso precisam de conquistar votos dos eleitores.Para isso tem narrativas.A maneira como nos contam a sua história.Como se apresentam na busca da confiança dos eleitores.Além das ideias, oferecem candidatos.Aqueles que querem merecer a confiança dos cidadãos.É dessa mistura de pessoas e ideias que se faz os projetos de poder e governação.Esta edição serve para entender melhor a maneira como os políticos comunicam connosco e como nós entendemos as suas mensagens
    41 min

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