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Arquicast episodes

  • Arquicast 173 – 20 Anos da Expo Revestir

    A Expo Revestir, a maior feira de revestimentos e acabamentos da América Latina, completou 20 anos em 2022. E nós, do Arquicast, não ficaríamos de fora dessa festa! O episódio 173 é sobre este fundamental evento para a construção civil. Além da exposição em si, acontece em paralelo o Fórum internacional de Arquitetura, Design e Construção, com foco na renovação de conhecimento e, claro, na criação de um ambiente propício às trocas e negócios entre diferentes profissionais que fazem parte deste universo. Quem nos conta sobre o evento, seus bastidores e o que de melhor aconteceu nessa última edição é Simões Neto, jornalista e assessor de imprensa da Expo.

    A Expo Revestir é um projeto que já nasceu grande. Desde a primeira edição, em 2003, a feira já ocupava três pavilhões do Transamérica Expo Center, um dos centros de convenções mais importantes de São Paulo. Nesta edição histórica, foram 7 os pavilhões reservados para os expositores e para a programação presencial.

    Além das novidades na indústria de revestimentos e acabamentos, a inovação também marca o formato do da feira. Retomando experiências bem-sucedidas nos anos anteriores, os organizadores ofereceram duas modalidades de participação, uma presencial e outra digital, investindo na condição mais democrática que o formato híbrido permite.

    O Fórum, por sua vez, se manteve 100% digital e permitiu a colaboração de palestrantes nacionais e internacionais, trazendo uma perspectiva atual e global do mercado para toda a cadeia produtiva da construção civil.

    Por trás da idealização e organização da Expo está a Associação Nacional dos Fabricantes de Cerâmica para Revestimentos, Louças Sanitárias e Congêneres (ANFACER). A entidade representa a indústria de cerâmica brasileira há 35 anos e é peça fundamental na consolidação do evento como o maior da América Latina em seu setor. Tamanho investimento em inovação, networking e conhecimento se reflete na excelente posição do Brasil entre os maiores produtores, consumidores e exportadores de produtos cerâmicos no mercado mundial.

    No ano de 2023, a feira promete trazer novidades. Uma delas é a mudança do local, já que ela será realizada no São Paulo Expo, com mais conforto para os expositores e visitantes. A próxima edição acontece de 14 a 17 de março de 2023. E, para saber ainda mais sobre o que move essa indústria e os bastidores de um evento desta magnitude, escute o episódio.

    Até a próxima!

    Dicas e comentados no episódio:

    • Site ofical ExpoRevestir | https://www.exporevestir.com.br/
    • Série: | “Diários de Andy Warhol” | Netflix |  https://www.netflix.com/br/title/81026142
    • Livro: “Clarice Lispector – todos os contos” | Amazon (capa dura)
    • Livro: ” A Boa-vida” | Inaki Abalos | Amazon | Estante Virtual
    • Canal You Tube | “Corredor 5” | Entrevista Ney | Entrevista Kamila Fialho
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      53 min
    • Arquicast 172 – Arquitetura e Cinema: The Batman (2022)

      E hoje vamos de cinema! O filme do momento faz parte de uma consagrada franquia que tem a cidade como um de seus principais personagens. O grande protagonista é um dos nossos super-heróis favoritos, mas não dá para falar em Batman sem falar de Gotham City! Neste episódio, conversamos sobre a versão mais recente da saga do homem-morcego em sua jornada para salvar Gotham das mãos do crime organizado e restabelecer algum sentido de cidadania que traga união e esperança para a desigual e maltratada população da cidade.

      Os elementos chave da trama estão todos lá: os vilões, a mocinha – nada indefesa – o mordomo Alfred, o Batmóvel e, claro, o eterno parceiro Inspetor Gordon. Mas quem brilha mesmo em quase todas as cenas é ela, Gotham! Uma mistura de várias cidades que conhecemos e mais atual do que gostaríamos! Os arquitetos Bernardo Vieira e Gustavo Novais, figuras frequentes no Arquicast, participam com a gente da conversa.

      A mística a respeito de Gotham nasce já nas diferentes versões sobre a sua origem. Para alguns, a inspiração clara é a cidade de Nova York, sua imagem metropolitana e seu símbolo como um lugar de disputa entre diferentes povos. Já para outros, o nome da cidade e a caracterização de uma sociedade à beira de um surto coletivo, são emprestados de uma pequena vila na Inglaterra que, há mais de 800 anos, ficou conhecida pela astúcia de seus moradores – e certo talento para a dramatização – ao enganar o rei, burlar a lei e evitar a cobrança de impostos.

      A história de Bruce Wayne antecede a criação da cidade nos quadrinhos. Mas, desde que foi mencionada pela primeira vez, Gotham acompanha a evolução dos personagens e já foi objeto de interpretação artística de vários autores e, posteriormente, diretores de cinema.

      Diferentemente de outros super-heróis, os desafios e os inimigos enfrentados por Batman são extremamente factíveis, surpreendentemente contemporâneos e essencialmente urbanos. As questões éticas e morais que costumam embalar as tramas são constantemente explicitadas no dilema dos personagens, mas também nos cenários, na imagem da cidade que é um reflexo da sua sociedade. E as diferentes versões apresentadas ao longo dos anos por Tim Burton, Joel Schumacher e Christopher Nolan exemplificam bem o potencial imagético e as nuances da relação do herói com a cidade que precisa salvar.

      Pelas mãos de Matt Reeves, diretor da mais recente adaptação, Gotham é vista pelo ponto de vista de Batman, uma cidade explorada ao nível do térreo, entre luzes vermelhas, chuva e sobretudo sombras. Um olhar inovador, lançado sobre uma história clássica. Vale a pena conferir o filme, e, claro, nosso episódio!

      Bom cast e até a próxima!

      Dicas e comentados no episódio:

      • Documentário “Batman e Bill” | Resenha NerdCast
      • Quadrinhos | Batman Ano1 | A Piada Mortal | Batman: Silêncio
      • Batman: The Destroyer | DC Data
      • Filme: “Batman Ninja” | Netflix: https://www.netflix.com/ca/title/80244455 
      • Artigo ArchDaily | Dia Internacional da Mulher | “Dia Internacional da Mulher 2022: sobre o reequilíbrio das forças e o ajuste das narrativas”
      • Série animada “Injustice: Gods Among Us” | Trailer YouTube
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        1 hr 23 min
      • Arquicast 171 – Habitação de Interesse Social

        Todos os temas urbanos estão ligados, direta ou indiretamente, à moradia: seja nos deslocamentos do dia a dia, na construção de identidades locais, nas formas de ocupação do território e até nos programas de financiamento. Mas, quando falamos em habitação social, nos referimos a um debate presente no país há mais de um século e cuja viabilização se deu de variadas formas, envolvendo agentes públicos e privados e à luz de diferentes agendas políticas. Cada uma delas tentou, da sua maneira, diminuir o déficit habitacional, mas poucas foram bem-sucedidas e, mesmo assim, por curto espaço de tempo. Quem nos ajuda a compreender essa questão é a arquiteta Maristela Siolari, doutora em Teoria e História da arquitetura e urbanismo e professora da UFV (Universidade Federal de Viçosa).

        Qualquer tentativa de sintetizar a história da habitação de interesse social no Brasil corre o risco de simplificar demasiadamente a compreensão do problema. Mas uma abordagem cronológica ajuda a organizar temporalmente alguns conjuntos de experiências que, por suas diretrizes norteadoras, definiram a produção de moradia em distintos momentos do Brasil urbano. O final do século XIX é considerado um desses marcos e dá início ao debate que se estende até hoje. E uma de suas principais características é a presença da iniciativa privada como o agente promotor da habitação.

        A boa qualidade de muitas vilas operárias construídas neste período, que incluía a oferta de equipamentos comunitários essenciais à constituição das famílias nos arredores do local de trabalho, não impediu, entretanto, o estabelecimento de uma relação de dependência entre patrão e empregado, onde o segundo é sempre subjugado aos interesses do primeiro. A presença do Estado como agente mediador e equilibrador das dinâmicas de oferta e demanda só ocorre de forma efetiva a partir de 1930. E é neste período que os arquitetos começam mais fortemente a participar desse processo.

        O crescimento demográfico sem precedentes que o século XX presenciou foi acompanhado pela industrialização da construção civil, favorecendo um período de produção acelerada de equipamentos voltados à habitação social, porém, através de parcerias entre o Estado e as instituições de classe. O primeiro programa público habitacional voltado exclusivamente para a população em geral foi o da Fundação da Casa Popular, de 1946. Entretanto, nasce também com este programa um modelo de produção de moradia estruturado em alguns pilares que acabaram por moldar uma cultura de política pública que impôs desafios à busca de justiça social através da transformação do espaço urbano.

        Durante as próximas décadas o Brasil coloca em prática, como solução de estado quase que exclusiva para o complexo problema do déficit habitacional, a produção em massa de novas moradias unifamiliares, em contextos pouco infra estruturados e através do financiamento de imóvel próprio. O extinto BNH (Banco Nacional de Habitação) é um exemplo desse modelo.

        Até chegamos ao desenho mais recente de políticas públicas habitacionais, como o Minha Casa Minha Vida (2008) e o atual programa Casa Verde Amarela (2020), foram 20 anos de pouca coesão entre diferentes iniciativas, mas de muita experimentação e avanço em termos de novas práticas projetuais, processos participativos e consolidação de movimentos populares pelo direito à moradia e à cidade. São esforços importantes, mas que, infelizmente, parecem ficar em segundo plano diante dos resultados numéricos expressivos alcançados com o MCMV, apesar das críticas contundentes ao modelo.

        Estes são os tópicos que percorremos com interesse e muita informação, para começar uma conversa sobre Habitação de Interesse Social no contexto brasileiro. Até a próxima!

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        1 hr 12 min
      • Arquicast 170 – Rua, Cidade e Carnaval

        E como disse o grande Jorge Ben Jor: em fevereiro tem carnaval! Mesmo quem não é fã da folia não consegue deixar de ser impactado pelas festas de rua. A cidade se transforma! E as pessoas, também!

        Mas fantasias e alegorias sozinhas, não fazem um carnaval. A maior festa de rua do planeta só é possível porque envolve um consenso coletivo, uma vontade social que consegue mobilizar agentes políticos e econômicos na transformação de espaços públicos e da paisagem! Pena que só dure 4 dias…

        E sabe o que carnaval e festas de rua tem a ver com arquitetura e urbanismo? TUDO! Quem nos ajuda a entender o porquê é uma autoridade no assunto. Está aqui com a gente o Luiz Antônio Simas: Escritor, professor, historiador, compositor e um dos mais renomados pesquisadores de samba do país.

        Dentre os livros que escreveu, destacamos “Pedrinhas miudunhas: ensaios sobre ruas, aldeias e  terreiros” (2013), “O Corpo Encantado das Ruas” (2019) e “Dicionário da História Social do Samba” (2015), que ganhou o Prêmio Jabuti de Livro do Ano de não ficção, com Nei Lopes.

        Bom carnaval!

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        1 hr 6 min
      • Arquicast 169 – Mobilidade Urbana

        Neste episódio damos início a uma série de conversas que terá a Mobilidade Urbana como tema principal. Basta uma pesquisa rápida para percebermos que há muito “pano pra manga” em termos de conhecimento, experiências e novidades no universo que envolve a mobilidade nos centros urbanos e entre cidades. E para nos acompanhar nesta aguardada estréia convidamos dois especialistas no assunto: o arquiteto Fernando Lima e Rodrigo Tortoriello.

        A intenção neste cast foi introduzir alguns tópicos que iremos aprofundar ao longo e outros episódios. E nos pareceu pertinente começar do princípio: o que significa, de fato, isso que chamamos de mobilidade? A necessidade de circular e distribuir está diretamente ligada à própria origem da cidade e a forma como nossa sociedade se organizou ao longo dos séculos. O desejo de reunião e concentração que caracteriza e justifica os primeiros núcleos urbanos impôs também uma organização espacial que permitisse o melhor desenvolvimento das atividades e das trocas entre as pessoas.

        Na medida em que as cidades foram crescendo, horizontal e verticalmente, a lógica de fluxos e conexões foi se tornando cada vez mais complexa e falar em mobilidade hoje envolve muito mais que pensar em sistema viário. É um dos principais desafios para a manutenção da qualidade nas grandes cidades contemporâneas e elemento chave no planejamento de diferentes regiões.

        Dentro deste universo, há vários pontos de vista que precisam ser levados em conta. O transporte público é um dos elementos principais e está diretamente ligado à questões de desigualdades sociais espacialmente identificáveis. Aliás, as políticas de mobilidade muito têm a contribuir nesse sentido. Assim como uma necessária mudança de paradigma na cultura do automóvel que marca a história das cidades latino-americanas em geral.

        Mas há vários outros elementos desta complexa dinâmica do ir e vir. O lugar do veículo privado e áreas de estacionamento; as tecnologias e sua relação com a criação e a operação de novos modais de transporte; a caminhabilidade como opção efetiva de deslocamento urbano; bicicletas, patinetes e suas redes de apoio; a experiência da mobilidade vista por diferentes atores sociais, incluindo crianças, idosos e jovens; e muito mais.

        Dá ou não dá uma série? Então acompanhe a gente nesta primeira edição e nos ajude a construir as próximas pautas.

        Bom Cast!

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        1 hr 9 min
      • Arquicast 168 – Tendências para o Mercado de Arquitetura em 2022

        No episódio que fecha o mês de janeiro e dá o pontapé inicial no calendário de eventos da nossa área, conversamos sobre algumas tendências para 2022, construídas a partir da visão de três especialistas e parceiros do Arquicast ao longo do ano passado. Participam com a gente Christie Silva Schulka, que é especialista em Neurociência com ênfase em Neuromarketing Digital pela UP e Head de Marketing da Roca Brasil Cerâmica; o arquiteto e urbanista Felipe Guerra, que é sócio do Jaime Lerner Arquitetos Associados, além de cenógrafo e diretor de arte para diversas empresas e festivais; e fechando a trica o arquiteto Carlos Bianco, sócio fundador da Arquitecto, consultor da Roca Brasil Cerâmica. e com 15 anos de experiência na área de design retail em parceria com grandes empresas.

        A conversa passa por temas que centralizaram os debates em arquitetura ao longo de 2021 e como essas questões estão orientando as expectativas do nosso mercado para este novo ano. Sustentabilidade, inovação, tecnologia e cultura de trabalho estão entre os conceitos abordados e que, de alguma forma, parecem centrais às mudanças que 2022 anuncia!

        Perpassa por todos estes temas a questão da qualidade e da natureza do relacionamento entre empresas, funcionários e clientes. E a palavra transparência aparece como aquela que melhor caracteriza a busca dos diferentes atores da indústria da construção civil empenhados em implementar as adequações necessárias para se manter à frente de seu tempo e indicar os rumos futuros do nosso campo. Transparência na comunicação entre as partes; transparência nos objetivos e valores das empresas; transparência nos processos de produção; transparência quanto aos desejos e demandas do público em geral.

        Também um desejo de humanização das relações e dos ambientes parece imperativo, após dois anos de distanciamento social e isolamento trazidos pela pandemia de covid-19. A tecnologia proporcionou a continuidade de uma série de atividades, mas artificializou processos e trocas interpessoais. Entretanto, como nossos convidados nos apontam, a mesma tecnologia parece oferecer alternativas mais sensíveis à experiência sensorial que tanta falta nos tem feito na ausência do contato presencial com o outro.

        O ambiente virtual do Metaverso, uma rede social em 3D nas palavras de Felipe Guerra, pretende explorar virtualmente experiências de trocas mais imersivas entre as pessoas. Na impossibilidade de grandes feiras internacionais, esta plataforma pretende recriar com uma riqueza impressionante de detalhes, os espaços e o público que costumam figurar nos tradicionais ambientes destes eventos, como estandes e showrooms.

        A Roca Cerâmica Brasil, em uma estratégia inovadora, apresenta em 2022 o seu tradicional evento de lançamento, a Avant Premiére, no ambiente Metaverso da Roca, criado por arquitetos e programadores para entreter, reunir e, claro, permitir oportunidades de negócios, a todos os convidados.

        Para saber mais sobre esta novidade e sobre como ela é representativa dos valores que colocamos inicialmente, clique abaixo e ouça nosso papo. Até a próxima!

        Oferecimento: 

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        51 min
      • Arquicast 167 – Palácio Gustavo Capanema

        Lembrança imperativa para o momento atual, em que a cultura vem perdendo lugar físico e simbólico como prioridade de Estado, conhecer um pouco dessa história pode nos ajudar a traçar estratégias para o presente. Para ouvir, basta acessar aqui (link). Até a próxima!O projeto para o então denominado Ministério da Educação e Saúde Pública foi elaborado no decorrer do ano de 1936 pela equipe integrada pelos arquitetos Oscar Niemeyer, Afonso Reidy, Jorge Moreira, Carlos Leão e Ernani Vasconcelos, sob coordenação de Lúcio Costa. A pedido do então Ministro Gustavo Capanema e com orientação de Le Corbusier, a equipe de jovens modernistas brasileiros ficou incumbida de dar identidade nacional ao edifício que viria a se tornar um dos maiores ícones de nossa arquitetura, em frontal oposição à estética dominante. A não contratação do projeto original, vencedor do concurso público realizado para este fim, é apenas uma parte desta incrível história, que a gente conta no mais novo episódio do Arquicast.

        Mais do que um simples edifício público com funções administrativas, o Palácio Capanema, nome que hoje batiza o complexo, é um verdadeiro acervo do que de melhor produziu nossa cultura artística no início do século XX. Fazem parte de sua inovadora espacialidade esculturas de artistas como Lipchitz, Giorgi, Menezes e Adriana Janacopulos, pinturas, afrescos e painéis de azulejos de Portinari e paisagismo de Roberto Burle Marx. Mas tamanho manifesto de modernidade não aconteceu sem antes nutrir disputas políticas e expor diferenças ideológicas entre os principais intelectuais do país.

        Parte do tumultuado contexto político das décadas de 20 e 30, a ideia da construção do ministério se deu no auge do movimento cultural da Semana de 22, quando os debates sobre a imagem e identidade nacionais ganharam a contribuição dos artistas modernistas em diferentes campos de atuação. Num esforço coletivo de se superar paradigmas culturais, até o próprio campo da educação foi objeto de disputa de narrativa: o famoso embate público entre José Mariano Filho e Lúcio Costa quanto ao futuro da formação em Arquitetura, na Escola Nacional de Belas Artes, foi exemplar da conjunção de forças necessárias para realizar mudanças estruturais em nossa sociedade.

        Também, a implantação do edifício na Esplanada do Castelo e o posterior reconhecimento de sua excepcionalidade no contexto das demais quadras de ocupação tradicional, é, por si só, uma história de confrontos ideológicos. Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional/IPHAN em 1948, o conjunto edificado objeto do processo preserva, além do edifício em si, todo o partido de implantação da quadra, as áreas livres e a quadra fronteira ao Palácio, considerando a necessária preservação de sua perspectiva monumental.

        As alterações feitas no projeto inicial da equipe brasileira, pelos próprios arquitetos e ao longo do seu processo de desenvolvimento, mostram a busca pelo equilíbrio entre as premissas da linguagem moderna internacional e a atenção às especificidades locais, climáticas, morfológicas e sociais. A busca pela garantia das funções de interesse coletivo e culturais sempre acompanhou os esforços projetuais e os posteriores momentos de ocupação do edifício, em face às mudanças políticas do país, como a mudança da capital para Brasília.

        Bom Cast! Até a próxima!

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        1 hr 12 min
      • Arquicast 166 – Entrevista: Indio da Costa A.U.D.T.

        Quando pensamos em escritório de arquitetura, nos vem à cabeça a elaboração e desenvolvimento de projetos de variada complexidade e escala, mas tradicionalmente associados ao espaço vivenciado. Seja este espaço para atividades habitacionais, comerciais, institucionais, dentre tantas outras que caracterizam nosso modo de vida urbano. Portanto, é natural o estranhamento ao nos depararmos com um portfólio contendo, ao mesmo tempo, residências, equipamentos náuticos, sistema de transporte público e eletro portáteis, tais como ventiladores de teto, purificadores de ar e espremedor de fruta.

        O que o escritório Indio da Costa A.U.D.T. nos ajuda a perceber é que não existe limite para mentes criativas focadas no desenvolvimento de soluções que aprimorem nossa relação com o espaço. Como o próprio nome do escritório denuncia, Arquitetura, Urbanismo, Design e Transporte são partes indissociáveis do universo de criação onde transitam os diferentes profissionais que compõe esta equipe. Neste episódio conversamos com o consagrado arquiteto carioca Luiz Eduardo Indio da Costa e com seu filho e sócio, o premiado designer Guto Indio da Costa.

        A trajetória de Indio da Costa é marcada por distintos momentos, entre o serviço público e a prática privada, entre a escala urbana e a residencial. Entretanto, desde sua formação, na década de 60, até os dias atuais, o arquiteto sempre permitiu que a ocasião guiasse seu caminho, sem traçar metas precisas sobre onde gostaria de chegar profissionalmente. Muito talento e paixão pelo que faz foram fundamentais para que pudesse conduzir a carreira com tranquilidade e sucesso incomuns. Mas, além disso, a inteligência de reconhecer oportunidades de trabalho e novos campos profissionais para serem explorados, estando muitas vezes no lugar certo e na hora certa.

        A parceria bem sucedida com Guto, associando as habilidades provenientes do design industrial e de produtos, permitiu que o escopo de atuação da equipe, em franca expansão desde sua estruturação inicial, se ampliasse significativamente, alterando, inclusive, as formas de projetar do escritório. Entretanto, a abordagem interdisciplinar que hoje caracteriza vários trabalhos do grupo não foi conquistada automaticamente.

        Demorou algum tempo, como Guto mesmo nos conta, para que os diferentes saberes – arquitetura, urbanismo, design e transporte – fossem de fato compreendidos de forma íntegra e aplicados holisticamente nos projetos. Parte da herança da modernidade é exatamente a compartimentação dos saberes em campos disciplinares excessivamente demarcados e uma consequente dificuldade em colocar em prática um saber fazer tangencial a diferentes áreas de conhecimento.

        Até a próxima!

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        53 min
      • Arquicast 165 – Ruy Ohtake

        Este episódio especial presta uma homenagem a Ruy Ohtake, arquiteto paulista conhecido internacionalmente, dono de um portfólio expressivo de projetos construídos e responsável por alguns dos edifícios mais icônicos da cidade de São Paulo. Ruy faleceu em novembro de 2021 e tinha 83 anos. Para nos ajudar a contar a história de vida e a trajetória profissional deste filho de imigrantes japoneses, convidamos três grandes nomes, referências quando o assunto é a obra de Ruy, o contexto de sua atuação para a história da arquitetura brasileira e peculiaridades de sua personalidade marcante. Participam com a gente os arquitetos Abílio Guerra, Renato Anelli e Rodrigo Queiroz.

        Filho da artista nipo-brasileira Tomie Ohtake, figura singular nas artes plásticas e referência fundamental em sua educação intelectual e expressiva, Ruy se forma pela FAU-USP em 1960. Neste contexto, seu pensamento sobre arquitetura, como vários artigos apontam, teve influência primordial de Vilanova Artigas, do qual foi aluno, e do amigo Oscar Niemeyer, com o qual pode conviver e trocar percepções de mundo.

        Apesar de pertencente à geração modernista e ser considerado, sem dúvida, um homem de seu tempo, Ruy soube assimilar as diferentes dimensões da arquitetura moderna a partir de uma interpretação toda própria dos trabalhos de mestres e colegas. As diferentes fases que marcam sua produção arquitetônica e urbana são um exemplo de sua sensibilidade ao contexto e da investigação projetual voltada à beleza das formas. Tanto o rigor técnico e construtivo da escola paulista, quanto o exercício de liberdade plástica “niemeyeriano”, podem ser encontrados em várias de suas obras.

        A visibilidade que o arquiteto foi adquirindo, em função de uma atividade projetual intensa ao longo dos anos – há centenas de projetos construídos de sua autoria – por vezes não veio acompanhada do reconhecimento entre seus pares. Ruy, de certa forma, sofreu as consequências de um ambiente acadêmico e profissional muito engessado pelo dogmatismo moderno e de um campo crítico ainda em formação, o qual só recentemente parece ter construído um ferramental teórico adequado para uma análise ampla de sua obra.

        De toda forma, o elenco de seus projetos fala por si só, assim como os gestos e croquis que costumavam acompanhar suas muitas entrevistas e palestras mundo afora. O jeito simpático e simples que encantava quem convivia com ele era também uma forma de retórica, parte da inteligente argumentação que acrescentava ainda mais valor à sua forma de ver e fazer no mundo.

        Para participar desta histórica conversa e conhecer um pouco mais sobre o mestre Ruy Ohtake, basta ouvir.

        Até a próxima!

        Dicas e comentado no episódio:

        • Podcast Amplitudes| Instituto Tomie Ohtake: https://www.institutotomieohtake.org.br/participe/interna/podcast-amplitudes
        • Exposições Tomie Ohtake: https://www.institutotomieohtake.org.br/exposicoes
        • Dissertação Mestrado Alexandre Leitão Santos | “Paisagem útil: o Rio Tietê e a urbanização paulistana (1966 – 1986)” | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/102/102132/tde-20012015-093731/pt-br.php
        • Visita ao Parque ecológico Tietê | https://www.saopaulo.sp.gov.br/conhecasp/parques-e-reservas-naturais/parque-ecologico-do-tiete/
        • Luiz Nassif | GNN | https://jornalggn.com.br/luisnassif/
        • Exposição Artacho Jurado | https://casacor.abril.com.br/arte/exposicao-artacho-jurado/
        • Livro: Ruy Ohtake Arquiteto | https://www.archdaily.com.br/br/965415/ruy-ohtake-ganha-livro-monografico-pela-romano-guerra-editora
        • Textos Portal Vitruvius sobre Ruy Ohtake | https://vitruvius.com.br/revistas/read/drops/22.170/8328 | https://vitruvius.com.br/revistas/read/resenhasonline/20.239/8331
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          1 hr 28 min
        • Arquicast 164 – Livros Clássicos: Lições de Arquitetura

          Este episódio retoma nossa série sobre livros clássicos da Arquitetura e do Urbanismo, trazendo uma obra que é referência quando falamos das diferentes dimensões envolvidas na relação entre espaços públicos e privados. Fazendo uso de exemplos de lugares e projetos reais e com uma linguagem gráfica e textual bastante acessível, a obra se tornou indispensável na educação de arquitetas e arquitetos, fazendo por merecer o título que tem. Estamos nos referindo ao aclamado Lições de Arquitetura, do arquiteto holandês Herman Hertzberger.

          Como convidado dessa agradável conversa, participa conosco novamente o arquiteto Klaus Chaves Alberto. Klaus é professor associado do curso de Arquitetura e Urbanismo e do Programa de Pós-graduação em Ambiente Construído da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF, além de Doutor em Urbanismo (PROURB-UFRJ) e PhD como Visiting Scholar na Graduate School of Architecture, Planning and Preservation (GSAPP), da Columbia University.

          Nascido em Amsterdã em 1932, Hertzberger conclui sua formação em Arquitetura pela Delft University of Technology, em 1958. E é nesta mesma escola onde irá atuar como professor até 1999. A carreira docente sempre acompanhou sua prática projetual em arquitetura e ambas demonstram uma sinergia impressionante, no que diz respeito aos preceitos que orientam sua visão sobre a profissão.

          Pertencente à geração influenciada diretamente pelos preceitos modernistas e sua característica abordagem funcionalista da arquitetura, Hertzberger sempre esteve mais interessado nas maneiras como as pessoas usam os espaços e em como os elementos arquitetônicos podem estimular as diferentes interações humanas. Mais do que um abrigo, ele vê a arquitetura como um agente ativo na dinâmica social e sua espacialização.

          A postura investigativa que aplica ao processo de projeto o levou a desenvolver estratégias espaciais que partem de conceitos como centralidade dos elementos de circulação, flexibilidade funcional e adaptabilidade formal à diferentes culturas e temporalidades. Temas que na contemporaneidade nos parecem familiar, mas que foram desenvolvidos exaustivamente por Hertzberger ao longo de décadas de atividade profissional, projetual e acadêmica.

          Dentre seus projetos mais conhecidos, os quais são objeto de análise em suas muitas publicações, podemos citar a Montessori School Delft (1966) e o Centraal Beheer Offices, em Apeldoorn (1972). Ambos os projetos partem da compreensão de unidades de convivência, agrupadas em diferentes arranjos que, quando articulados por elementos de circulação vertical e/ou horizontal, permitem a configuração de espacialidades de diferentes naturezas, como áreas de transição entre domínios público e privado. Lógica que facilita futuras adaptações de uso sem perda da identidade formal do conjunto.

          Estes e outros aspectos são explorados ao longo deste bate-papo imperdível! Até a próxima!

          Dicas e comentado no episódio:

          • Site | J. Habraken: https://www.habraken.com/
          • Livro |  “Tadao Ando Arquiteto”: https://bei.com.br/livro/tadao-ando-arquiteto/97
          • Série | “The Chosen” | App: https://play.google.com/store/apps/details?id=com.vidangel.thechosen&hl=pt_BR&gl=US
          • Série | “O Caso Evandro” | GloboPlay: https://globoplay.globo.com/o-caso-evandro/t/1z5m5PxLkK/
          • Apoio: 

            http://www.rocaceramica.com.br/

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