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O mundo de hoje é desafiador para a imprensa em geral. Com muitas discussões acontecendo sobre o consumo de notícias e o jornalismo, o mercado editorial em arquitetura não fica para trás nessa questão. Numa profissão onde as imagens importam, a mudança de cenário – da mídia impressa para a digital – vieram muitos desafios, acirrando a competição pela audiência. As redes sociais se tornaram o meio pelo qual as pessoas não só consomem, mas produzem conteúdo.
Nesse episódio, a equipe do Arquicast e convidados conversam sobre esse novo cenário, as necessidades de adaptação e, além disso, especulam sobre como ser cada vez mais relevante para um público altamente criterioso e sedento por novidades. Participam a jornalista Tiana Ribeiro, diretora editorial da Revista Habitare e também Daniela Bueno Elston, arquiteta e urbanista que atua na curadoria e edição de noticiário, mídias sociais e obras da Revista Projeto. Complementam a mesa, Rapha, Adilson e André Ribeiro, CEO da Revista Habitare.
Foi discutida a grande mudança que ocorreu do desenvolvimento das plataformas digitais e como isso afetou a indústria das revistas de arquitetura. Com muito “saudosismo”, alguns relataram como era incrível a experiência de receber a publicação, abrir e descobrir o que havia sido selecionado para os assinantes naquele mês.
Toda essa transformação modificou não só a estrutura das equipes como também o conteúdo publicado. O poder da imagem impulsionado pelas redes, além da profusão da informação disponível, fez com que a dimensão da curadoria ganhasse ainda mais relevância na jornada de produção de conteúdo. A audiência quer sempre algo mais, como bons textos, fotos exclusivas, entre outros aspectos que as redes sociais não entregam totalmente. De certa forma, a mídia podcast é um bom exemplo de como foram amplificadas as possibilidades de formatos comunicativos.
Há um certo consenso sobre como os ramos editoriais em arquitetura se desenvolverão. Cada vez mais nichos serão explorados e expandidos, como por exemplo o da técnica construtiva, o do faça você mesmo (DIY), os especializados em projeto de interiores, o nicho das publicações sobre o universo de empreendedorismo da profissão, enfim, são muitas as possibilidades.
Nos acompanhe nessa conversa e conheça um pouco mais sobre esse mercado em plena mutação! Bom episódio!
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Como foi o ano de 2022 para os alunos e professores das instituições que voltaram a ter aulas presenciais? Depois de dois anos a experiência de retornar ao ensino na sala de aula nos transformou para o processo de ensino e aprendizado? As aulas remotas contribuíram para a evolução de alguma metodologia, ou não? O Arquicast dessa semana conversou com professores e alunos sobre todas as experiências que passamos, e mais, como está sendo o retorno para as aulas.
Participaram da conversa Gabriel Pessoa, aluno de Recife que está no 4º período da UNICAP (Universidade Católica de Pernambuco), e iniciou seu curso remotamente. Beatriz Sousa, de São Paulo, da Universidade Cruzeiro do Sul, estudou metade de toda a sua formação remotamente. Para fechar a roda de conversa, Maressa Fonseca, professora do Centro Universitário de Viçosa (Univiçosa) e doutoranda na UFV. Ela ingressou na docência um mês antes da pandemia começar. Rapha e Adilson conversaram também sobre como foi durante o período entre aulas, projetos e gravações de episódios do Arquicast.
A rotina de adaptação foi bem diferente para cada um dos participantes. A grande questão estava em renunciar ao encontro de processos analógicos, como o desenho, as visitas e as experiências com os materiais e processos. A rotinas eram sempre pautadas pelo tempo de tela, muitas vezes eliminando a verdadeira interação necessária entre aluno e professor. Por outro lado, algumas ferramentas auxiliaram no processo de organização de conteúdos e processos avaliativos, sobretudo quando o assunto era a economia nas impressões, era tudo entregue em arquivos digitais.
Cada um teve uma reação diferente no retorno para as salas de aula, a possibilidade do encontro, os imprevistos que voltam para a rotina da vivência em coletividade. Chama a atenção as lacunas evidenciadas em alguns conteúdos, em especial, os de representação gráfica. A ausência do papel limitou o aprofundamento nas questões técnicas de leitura gráfica. As disciplinas teóricas parecem que sofreram menos, muitas vezes porque são pautadas em materiais previamente organizados em slides e textos. Porém, a aula no ambiente digital trouxe a possibilidade do hiperlink e das conexões instantâneas de referências, tornando as aulas, quando síncronas, mais dinâmicas em poucos casos do que as aulas presenciais.
A questão da saúde mental também foi abordada, durante todo período, mas especialmente agora, no retorno ao presencial, nos demos conta de que somos muito melhores juntos e misturados. Quer saber mais sobre essa conversa? Escute o episódio completo aqui.
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E em mais um episódio de entrevistas, trazemos um dos escritórios mais renomados e consolidados da arquitetura brasileira.
Comemorando 60 anos em 2022 e baseado na cidade de São Paulo, a sua prática acompanha a evolução arquitetônica nacional. E tem, desde sempre, uma preocupação com o empenho em edificações, no uso da mais avançada tecnologia disponível e na prática sustentável, onde edifícios mais antigos ganharam certificações internacionais.
Sua prática, mesmo com identificação com a capital paulista pelos projetos de edifícios icônicos, tem trabalhos espalhados pelo Brasil e no exterior. E, no seu currículo, coleciona uma série de premiações e concursos vencidos, com muito profissionalismo e inovação.
Estamos hoje com Roberto Aflalo e Grazzieli Gomes Rocha, diretores da aflalo/gasperini arquitetos!
Até a próxima e bom cast!
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Para mais um episódio da série sobre Habitação de Interesse Social (HIS) do Arquicast, selecionamos um recorte importantíssimo da nossa história recente: o Programa Minha Casa Minha Vida (MCMV). A ideia da conversa foi discutir as bases e os fundamentos do chamado déficit habitacional, e assim conversaremos a respeito do programa, seus avanços e mazelas. Falaremos como essa política de alcance nacional eclipsou parte das ações para o combate à falta de moradia e acesso à cidade.
No primeiro episódio, o Arquicast 171, fizemos um breve apanhado da história da produção de HIS no Brasil. Pudemos passar rapidamente pelo entendimento dessa prática que evolui em paralelo aos fenômenos de migração para as cidades no século XX. Participam desse novo episódio a professora Maristela Siolari e Thiago Augusto Cunha, ambos professores da UFV (Universidade Federal de Viçosa), com trabalhos na área.
A metodologia mais conhecida para construir o cenário da moradia no Brasil é a desenvolvida pela Fundação João Pinheiro, logo no início dos anos de 1990, definindo dois segmentos distintos para a análise: (1) o déficit habitacional e (2) a inadequação de moradias. Como déficit habitacional entende-se a as unidades que devem ser repostas, com incremento do estoque e resultantes da coabitação familiar, da moradia em imóveis construídos com fins não residenciais, da categoria chamada de domicílios rústicos, da depreciação e do ônus excessivo com aluguel.
Já o conceito de inadequação reflete os problemas na qualidade de vida dos moradores, e estão relacionados à causas “indiretas” em relação ao estoque de habitação, problemas como carência de infraestrutura, adensamento excessivo, questões de natureza fundiária, alto grau de depreciação e ausência de unidade sanitária domiciliar exclusiva.
Antes do PMCMV, prezava-se principalmente a regularização fundiária e a intervenção em assentamentos precários. O PLANHAB foi também uma importante conquista do período, mais atenta à realidade nacional. Mas a partir de 2008, como estratégia anticíclica, o programa acabou eclipsando as medidas anteriores de promoção à habitação. Lembrando que a aprovação do Estatuto da Cidade e a própria criação do Ministério das Cidades deram um novo rumo nacional à questão habitacional.
Parte da crítica ao PMCMV deve-se à sua implementação e os mecanismos de controle da terra urbanizada que não acompanharam os processos de reposição de estoque, como consequência veio a dispersão no território, a ineficiência construtiva dos conjuntos, a falta de caracterização regional e adequação às distintas culturas do morar no Brasil continental.
Conversamos também sobre as possibilidades e entraves dos modelos de financiamento habitacional e um pouco sobre o atual programa Casa Verde Amarela. Quer saber mais? Escute aqui o episódio e bons estudos!
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Hoje o assunto é sobre a maior e mais completa mostra de arquitetura, design de interiores e paisagismo das Américas. Nessa edição comemorativa dos 35 anos, a CASACOR São Paulo levará muita criatividade, inovação e beleza para o coração de São Paulo. O Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, importante edifício moderno do arquiteto David Libeskind, foi escolhido para sediar o evento, e será mais um grande protagonista dessa grande celebração.
Participaram da conversa Lívia Pedreira, jornalista e Presidente do Conselho Curador CASACOR, e Pedro Ariel Santana, atual Diretor de Conteúdo e Relacionamento do evento. A mostra começou em 1987 na Rua Dinamarca e foi, ao longo de todo esse período, se adaptando às demandas do mundo do design e às agendas sociais. Idealizada por Yolanda Figueiredo e Angélica Rueda, a mostra surgiu com o intuito de ser também um evento social, cultural e benemérito.
A exposição era itinerante, acontecendo em diversos endereços, até que em 2006 o Jockey Club de São Paulo se tornou a sede oficial da mostra, permitindo o aprimoramento da estrutura e do negócio, até que em 2020, com a COVID-19, o evento precisou se adaptar, foi então que o projeto Janelas CASACOR que, por meio de vitrines instaladas em contêineres, ocupou praças, parques e ruas de 11 cidades brasileiras onde a marca mantém suas franquias.
Esse formato de evento permitiu que a mostra fosse para outros estados, como Tocantins, além de possibilitar que a marca ampliasse, mesmo em tempos de isolamento, seu público, levando exposições gratuitas para algumas novas comunidades. Esse formato consolidou a presença física e digital da marca, abrindo um novo panorama para o segmento de eventos.
Em 2021, a mostra ocupou o Parque Mirante, espaço anexo ao Allianz Parque, voltando novamente para o formato itinerante, e agora, em comemoração aos 35 anos a mostra acontecerá no Edifício Conjunto Nacional na Avenida Paulista em São Paulo.
A CASA COR, ao longo desses anos, revelou diversos profissionais de relevância para o mercado. A curadoria é feita de forma a equilibrar a presença de grandes nomes e a identificação de novas promessas. Com isso, é nítida a contribuição da mostra para a modelagem desse nicho de mercado, pois em paralelo, a indústria também fica atenta às inovações e proposições presentes nos ambientes da mostra, retroalimentando seu planejamento, o que mostra a importância desse tipo de evento para a evolução do mercado de arquitetura, design de interiores, design de produto e paisagismo.
A mostra acontecerá entre 5 de julho e 11 de setembro de 2022, com a novidade de utilização de mais duas operações de alimentação na cobertura do edifício, estendendo o horário de funcionamento até às 1h da manhã. Se você quer saber um pouco mais sobre, basta ouvir o episódio aqui. Até a próxima e bom divertimento!
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A conversa de hoje foi motivada pelo belíssimo documentário “From the Ground Up: The Architecture of Tetro”, com lançamento previsto para 26 de junho de 2022, que retrata a trajetória do escritório mineiro Tetro Arquitetura, em especial, da Casa Açucena em Nova Lima (MG). A película foi dirigida por um dos maiores nomes do mercado mundial de conteúdo audiovisual para arquitetura, o diretor Augusto Custódio. O documentário fará parte do acervo de uma nova plataforma de streaming, a “Gallery Originals”, que pretende se tornar referência global na produção e exibição de conteúdos de cultura, arte e “lifestyle”.
Nos últimos anos, é notável o aumento na oferta de conteúdos de arquitetura em vídeo, tanto na TV aberta quanto no ambiente digital. Não estamos nos referindo às “produções caseiras” ou às “lives” que proliferaram nas redes em tempos de distanciamento social. Estamos falando de uma abordagem artística, dinâmica e super bem-produzida, criando uma experiência fílmica poética das obras, bem como um relato audacioso sobre as pessoas responsáveis por elas.
E os protagonistas dessa história nos deram a honra de participar de uma conversa especial com o Arquicast. Igor Macedo e Carlos Maia, arquitetos da Tetro, e o diretor de criação e produtor, Augusto Custódio, contaram sobre a produção dessa peça especial para a arquitetura brasileira, dado à relevância mundial de outros nomes que também fazem parte do mesmo projeto, como Álvaro Siza Vieira e Manuel Aires Mateus.
Augusto Custódio aponta que todo processo, mesmo aberto às imprevisibilidades naturais de um produto artístico, conta com um planejamento muito estruturado incluindo, dentre diversos levantamentos, uma visita técnica ao escritório para melhor entendimento das rotinas e metodologias. Depois de todo roteiro elaborado e ajustes de produção, a equipe mergulhou durante uma semana nas gravações. Intensidade que é facilmente percebida nos momentos emocionantes da narrativa.
Toda essa dedicação é possível ser vista na tela, em um documentário que extrapola a descrição de uma belíssima obra de arquitetura, revelando a sinergia de três profissionais que conseguiram encontrar um caminho fértil entre a imaginação e a consistência técnica, quase que disruptiva, nas palavras do próprio Augusto.
A Tetro já é conhecida da nossa audiência, no Arquicast #160 fizemos uma entrevista com o trio, dentre as muitas curiosidades, descobrimos que os altos e baixos da profissão moldaram a posição de cada um dentro dos processos internos de projeto, além de revelar o devido cuidado dado à cada elemento na sua concepção, sua representação e tectônica.
Esperamos que vocês gostem dessa conversa e estejam preparados para essa experiência fílmica incrível, que nos ajuda a compreender melhor o porquê da Tetro estar, hoje, entre os grandes nomes da arquitetura mundial. Para ouvir toda a conversa, basta acessar aqui. Até a próxima e bom divertimento!
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Formado pelos arquitetos João Gabriel Rosa, Martin Kaufer Goic, Eron Costin, Emerson Vidigal, Fabio Henrique Faria, o Estúdio 41 possui um trabalho muito diversificado, tanto em escala quanto em programas. Essa característica foi conquistada ao longo de mais de 10 anos investidos na participação de concursos nacionais e internacionais de arquitetura, com presença marcante entre os finalistas e as menções honrosas, além das vitórias expressivas, como no edital para a reconstrução da Estação Antártica Comandante Ferraz em 2013.
Essa postura ativa dedicada ao risco e ao desafio também permitiu à equipe, nos últimos anos, contribuir na prática para o pensamento teórico que norteiam suas inquietações. Além da Estação Comandante Ferraz, a equipe também venceu o concurso para a sede da Fecomércio, Sesc e Senac do Rio Grande do Sul em 2011. Foi ali, segundo Eron, nosso entrevistado, depois de 7 anos de tentativas, a grande virada para a consolidação dessa estratégia de participação contínua em concursos, objetivando ampliar as possibilidades de trabalho em um mercado competitivo.
Com sede em Curitiba, o Estúdio 41 acredita em uma influência natural do ambiente da cidade para as reflexões exercidas nos seus projetos, como indica o próprio texto de apresentação da equipe em seu site: “boas cidades são construídas também pelos seus bons edifícios, e bons edifícios são aqueles que estabelecem relações francas com os espaços públicos”.
O escritório é conhecido por ganhar importantes concursos, mas essa história é não é constituída apenas de vitórias, muito pelo contrário, das quase 50 propostas desenvolvidas ao longo desses anos de formação do escritório, a equipe venceu “apenas” 8 delas, ou seja, 16% de taxa de sucesso. Isso mostra a resiliência do grupo e, acima de tudo, uma vontade de continuar aprendendo através dessa experiência, além de pragmaticamente proporcionar a ampliação do portifólio da empresa.
Atualmente o Estúdio 41 está passando por uma nova fase, pois dos 8 projetos vencedores dos concursos, 6 deles tornaram-se contratos, ou seja, 75% dos concursos vencidos se desdobraram em contratações subsequentes, número que o arquiteto comemora diante de um cenário de incertezas nacional.
Constituído por arquitetos de gerações distintas da UFPR (Universidade Federal do Paraná), entre 1997 e 2013, além dos diversos colaboradores que já passaram pelo escritório, é possível notar, no conjunto de suas obras, uma variação estética em seus projetos, evidenciando que a identidade de trabalho emerge não de uma filiação plástica, mas sim de um método de trabalho horizontal onde a opinião de cada projetista é importante e, no caso dos concursos, deve sempre passar pelo crivo de toda a equipe, produzindo uma arquitetura que consegue ser competitiva no cenário das disputas dos editais.
Uma curiosidade: para a escolha de um concurso o escritório avalia não só a premiação, a complexidade dos temas e os prazos, mas também o perfil do júri para decidirem de devem participar ou não de determinada seleção.
Além de compartilhar sobre a dinâmica de trabalho, Eron ainda traz uma importante reflexão sobre o projeto e a autoria, evidenciando as dificuldades e benefícios de trabalhar em grupo para o aprimoramento das ideias em projeto. Para ouvir toda a entrevista, basta acessar aqui. Até a próxima e bom cast!
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Atendendo a pedidos dos nossos ouvintes, trazemos neste episódio a história de um projeto que representa o que há de melhor na produção arquitetônica modernista brasileira. Conversamos sobre o “Conjunto Residencial Prefeito Mendes de Moraes”, mais conhecido como Pedregulho, projetado pelo arquiteto Affonso Eduardo Reidy em 1947, para abrigar funcionários públicos do então Distrito Federal.
Localizado no bairro de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, o Pedregulho marca um momento de reconhecimento internacional das obras arquitetônicas e urbanísticas de Reidy, além de ser mais uma obra que mostra a grande parceria que tinha com Carmem Portinho.
O conjunto é uma daquela obras em que a arquitetura reflete claramente os anseios de uma sociedade em pleno desenvolvimento. Num momento especial da atividade profissional do arquiteto no Brasil, o Pedregulho catalisa os temas da habitação, da educação, do bem-estar e da inovação, trabalhando todos eles em sinergia em busca de uma ideal/real transformação da sociedade.
Para conversar com a gente convidamos HELGA SANTOS DA SILVA, arquiteta pela Universidade Federal Fluminense, com mestrado e doutorado no PROARQ da UFRJ. A Helga é uma das principais estudiosas do Pedregulho, inclusive morou no conjunto durante seus estudos e formação em arquitetura, do seu TFG até a finalização do doutorado.
O Pedregulho foi parte de um contexto de transformação nas diretrizes de políticas públicas voltadas à habitação. Através do Departamento de Habitações Proletárias (DHP), o Estado estruturou os mecanismos burocráticos e financeiros para viabilizar seu projeto desenvolvimentista de país, atuando, junto à profissionais gabaritados, de forma inovadora na concepção de um novo paradigma sobre as condições qualitativas do habitar urbano. A Arquitetura, nesse sentido, teve papel fundamental.
A inovação programática do conjunto, ampliando o escopo do habitar para além da moradia, foi associada a uma crescente indústria da construção civil, que fornecia os subsídios materiais à construção do ideal modernista, já consolidado na imagem do país e de sua arquitetura. A intenção era produzir em massa projetos habitacionais de grande sofisticação espacial.
A resiliência do Pedregulho, enquanto espacialidade social e arquitetônica, faz do conjunto objeto consolidado de admiração e estudo por parte de estudantes e profissionais do campo. Ao longo dos anos, tudo mudou: atividades, moradores e administradores. Mas, para nossa sorte, as premissas que orientaram as decisões de projeto à época da sua concepção, parecem ainda manter sua importância para aqueles que, hoje, se apropriam e dão sentido ao lugar.
Até a próxima!
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Neste episódio voltamos a conversar sobre nossa mais recente série, Mobilidade Urbana! E como mobilidade é também um problema de escala, a gente resolveu começar pensando grande, focando no papel da mobilidade para o planejamento da cidade.
Planejamento urbano é do interesse de todos, mas não é assunto para iniciantes. Por isso mesmo, convidamos profissionais que contribuem diretamente para o campo através de muita pesquisa e experiência prática! Participam com a gente Roberto Ghidini, engenheiro, observador urbano, fundador da Sociedad Peatonal e doutor em Urbanismo pela UPM (universidade politécnica de Madri); e João Flávio Folly, arquiteto, mestre em Urbanismo pela UFF e doutorando em mobilidade e Urbanismo pelo PROURB/UFRJ.
Nosso deslocamento pela cidade envolve questionamentos do tipo: para onde eu quero ir, como eu vou chegar lá, se é seguro e acessível e quanto tempo vai levar! Perceber a influência de tomadas de decisão como essas na formação de hábitos de circulação da população nos indica que planejar mobilidade vai muito além de apenas desenhar um sistema de vias. Envolve conhecer as pessoas, seu estilo de vida e como se relacionam com o território! Além disso, envolve tecnologia, equipamentos de suporte, sinergia com os demais serviços urbanos e compromisso com políticas de longo prazo. Portanto, é melhor não improvisar!
A compreensão da macro escala característica do planejamento urbano nos ajuda a perceber como várias esferas do nosso cotidiano estão relacionadas. Para dar um exemplo, basta pensarmos que o perfil geográfico do território, por si só, influi diretamente no desenho das vias e na definição dos modais de transporte. Tanto o desenho viário quanto os modais influenciam as diretrizes de parcelamento do solo, impactando no dimensionamento dos lotes, os quais induzem o estabelecimento de determinados usos e atividades que, por sua vez, motivam os deslocamentos dos habitantes. Planejar a mobilidade significa dar conta dessas dinâmicas, equilibrando dados atuais e expectativas futuras.
Mas a complexidade do tema vem acompanhada por séculos e séculos de conhecimento acumulado na construção de habitats humanos cada vez mais adensados em termos populacionais. Muito já foi feito em diferentes contextos e por profissionais de diferentes campos, ampliando a gama de soluções e a troca de experiência. O que faz da mobilidade um tema fascinante e surpreendente.
Entre demandas coletivas e individuais, interesses públicos e privados e metas de médio e longo prazo, acompanhe nossa conversa em mais um episódio desta série. Bom cast e até a próxima!
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Nosso tradicional episódio sobre o Prêmio Pritzker já está disponível. Como já se sabe, o grande premiado foi o arquiteto africano Diébédo Francis Kéré, conhecido mundialmente pelo trabalho pautado na visão social da arquitetura e na prática do projeto como instrumento de inclusão e transformação. Nossos parceiros nesta conversa são Caio Dias e Bruno Sarmento, a dupla que vem nos acompanhando nas análises sobre as escolhas do júri e sua implicação para a cultura arquitetônica em geral.
A história da premiação pode ser dividida em diferentes períodos, marcados por mudanças, mais ou menos anunciadas, nos critérios levados a cabo pelo júri. Entre sua primeira edição, em 1979, até meados da década de 90, o Pritzker se caracterizou por ser uma premiação voltada a consagração de arquitetos e arquitetas cujo conjunto da obra fosse reconhecido pelo mainstream da crítica arquitetônica mundial.
Porém, na última década, temos observado um redirecionamento para a valorização de profissionais não necessariamente conhecidos ou com extensa produção, mas socialmente comprometidos com seus contextos e inovadores na abordagem que fazem dos problemas urbanos contemporâneos. Para além da criação de objetos arquitetônicos excepcionais, o processo de projeto e a geração de conhecimento a partir dele têm se destacado como características diferenciais dos últimos premiados.
Francis Kéré, nesse sentido, não poderia ser uma escolha mais acertada. Além de uma capacidade de responder de forma eficiente a demandas contemporâneas globais, como escassez de materiais e o impacto das mudanças climáticas no ambiente urbano, Kéré assume uma abordagem projetual que considera as comunidades locais como parte do processo criativo e construtivo, e a cultura material e simbólica de um lugar como ponto de partida de sua elaboração conceitual, orientando escolhas sobre as técnicas construtivas, a materialidade e espacialidade desejada.
Com bases em Burkina Faso e Berlim, Kéré e sua equipe buscam equilibrar o compromisso com o trabalho social com projetos que o ajudem a viabilizar economicamente essa escolha. Atuando incessantemente em obras em seu país de origem, conduzindo workshops e espaços de aprendizagem, interessa à Kéré produzir e compartilhar conhecimento, atuando, em suas palavras, na “intersecção entre a utopia e o pragmatismo”.
Quer saber mais sobre a obra de Kéré e como a premiação repercutiu no universo da arquitetura? Escute o episódio e até a próxima!
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