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Existirão ligações entre a psicanálise de Freud e o materialismo dialético de Karl Marx e Friedrich Engels? Com essa pergunta inicia o psicanalista alemão Wilhelm Reich obra Materialismo dialético e psicanálise, publicada pela primeira vez em 1929, na Alemanha.
Reich foi membro do Partido Comunista Alemão e editor da revista de psicologia do partido, e além do trabalho teórico, desenvolvia também um trabalho prático relacionado ao atendimento psicológico dos trabalhadores e de sua educação sexual. Combatendo as distorções mecanicistas do marxismo da época, o qual não conseguia compreender a ascensão do fascismo devido à sua interpretação da ideologia como mero "reflexo" superestrutural de uma estrutura econômica - numa via de mão única - Reich foi importante como um dos primeiros marxistas a perceber o caráter revolucionário das descobertas de Sigmund Freud e a trabalhar em uma apropriação dialética da psicanálise pelo marxismo revolucionário.
Karl Marx e Friedrich Engels demonstram, em "A ideologia alemã", que o homem não pensa para depois entrar ou viver no mundo. Ele primeiro está no mundo, vivo, e só depois disso é que pensa. Neste episódio vamos apresentar algumas das ideias fundamentais dos autores sobre este revolucionário método de investigação e transformação da realidade que recebeu posteriormente o nome de "materialismo histórico".
O filósofo húngaro Georg Lukács, em seu artigo "A mudança de função do materialismo histórico" (1919) na obra "História e consciência de classe", reflete sobre a função do materialismo histórico sob o socialismo. Até a revolução este era uma arma espiritual com a qual o proletariado sustentou sua luta, um método científico para compreender os acontecimentos do passado em sua essência verdadeira. Depois da vitória, no entanto, era necessário investigar sobre seu papel na nova sociedade.
A tarefa principal do materialismo histórico é formular um juízo preciso sobre a ordem social capitalista e desvelar sua essência, não enquanto apenas teoria, mas também como ato, como um instrumento de luta a partir do qual o conhecimento da verdadeira essência da organização social capitalista leva o proletariado a agir de acordo com seus interesses de classe.
Lukács define o materialismo histórico, em sua forma clássica, como "o autoconhecimento da sociedade capitalista", uma teoria da sociedade burguesa e de sua estrutura econômica.
Discutir pode ser extremamente desgastante, principalmente na internet. As pessoas nem sempre pensam ou dizem a verdade, e para identificar o que torna um argumento válido ou inválido precisamos da lógica, a disciplina da filosofia formulada por Aristóteles e que estuda as leis pelas quais a razão opera.
Neste episódio apresentamos alguns dos mais comuns erros de raciocínio, também chamados de falácias. As falácias podem ser de dois tipos: formais ou informais. Vamos nos limitar a apresentar algumas das falácias informais, tais como ad hominem, tu quoque, falácia do espantalho, ad baculum, ad verecundiam, ad populum, ad ignorantiam e petição de princípio. Apresentamos também um estratagema mencionado por Schopenhauer em sua obra "A arte de ter razão", o qual consiste em dizer que algo "funciona na teoria, mas não na prática". Trazemos também algumas reflexões de Sêneca e Montaigne sobre a arte da discussão e a relação com pessoas diferentes demais de nós.
O ateísmo é popularmente definido como falta de crença em Deus. Enquanto esta definição capta algo de verdadeiro, ela é muito ampla e pouco útil para a reflexão. Definir significa delimitar, e quanto mais ampla uma definição, tanto pior.
O ateísmo é apenas uma das formas da descrença em Deus. Além disso, há vários subtipos de ateísmo. É possível ser um descrente sem ser um ateu, mas todos os ateus são descrentes. O indivíduo pode não crer, por exemplo, pelo fato de ser agnóstico. A suspensão agnóstica da crença em Deus é a posição de que a razão não é capaz de decidir sobre o assunto, resultado por exemplo da Crítica da razão pura, de Immanuel Kant.
Assim como a crença em Deus pode ser psicologicamente motivada, há um tipo de ateísmo para o qual a psicanálise também pode nos fornecer uma explicação. Conceitos como o de desemparo, como desenvolvido em O futuro de uma ilusão, de Sigmund Freud, e o de Complexo de Édipo podem nos auxiliar a compreender uma das modalidades da descrença.
Dizer que "contra fatos não há argumentos" parece ser uma afirmação devastadora. Quem usa este clichê geralmente pretende encerrar a discussão como seu vencedor inconteste. A ideia é que uma referência à "realidade" seria capaz de provar a validade do que se está debatendo, pondo fim a meras e frágeis especulações teóricas.
Este recurso tem alguma força, contudo, apenas em um debate entre "consciências ingênuas", como afirmava o filósofo alemão George Wilhelm Friedrich Hegel. Seus leitores sabem que os "fatos", na verdade, não são tão "fatos" assim.
Afirmar que "contra fatos não há argumentos" pressupõe que é possível ter acesso direto à realidade, de forma imediata (sem mediações). Este nível de consciência é tão elementar que, em sua "Fenomenologia do Espírito", obra que descreve a "experiência da consciência" em sucessivos estágios, Hegel lhe coloca logo no primeiro capítulo.
Ao final, indicamos também uma obra de Theodor Adorno na qual ele discute em vários pontos a oposição entre dialética e positivismo, mostrando que os "fatos", embora ingenuamente considerados tão "concretos", são na verdade abstratos. O termo "abstrato", em Hegel, significa não aquilo o que geralmente se entende no cotidiano, como algo imaterial, por exemplo, mas sim aquilo que é isolado, que ainda não foi refletido, que não foi considerado em suas contradições internas e em sua relação com o todo.
A ciência trata de fenômenos da experiência, e Deus, o principal objeto da religião, não é dado na experiência. Qual área da ciência poderia dizer qualquer coisa sobre Deus? A física? A química? A biologia? A astronomia? Nenhuma delas. Qual área da ciência poderia "refutar" os principais postulados metafísicos da religião? Ora, se são metafísicos, isso significa que estão além da experiência, e a ciência simplesmente não pode dizer nada sobre o que está além da experiência.
O trabalho de refutação dos postulados metafísicos da religião só pode se dar através de uma crítica da metafísica, e isso é tarefa da filosofia, não da ciência. Ademais, este trabalho só pode ser negativo, já que não é possível provar a inexistência de qualquer coisa. É necessário mostrar, como fez Kant, os limites do que é possível conhecer, a arquitetônica de nossa razão e por que somos levados a formular determinados conceitos devido à estrutura da razão e do entendimento. Por que, por exemplo postulamos o sistema de causa e efeito, por que nossa razão leva necessariamente a uma ideia de absoluto, etc.
A luta entre ciência e religião é como uma luta entre um ser material e um fantasma: as armas da ciência atravessam o espectro da religião sem atingi-la. Aqueles que defendem a "vitória" da ciência sobre a religião ainda não entenderam a natureza do debate, e sua adesão à ciência não é menos dogmática que a de seu oponente à religião.
A aposta de Pascal é um argumento pragmático que busca decidir qual a melhor escolha a fazer quanto à existência de Deus.
Forte crítico do racionalismo cartesiano, Blaise Pascal (1623-1662) afirmava que a razão não é capaz de decidir sobre a existência ou a não-existência de Deus, de modo que devemos simplesmente apostar. Tendo em vista o que podemos perder e o que podemos ganhar, o filósofo e matemático francês vai afirmar que a melhor opção é a de que Deus existe, pois se ele de fato existir e fizermos a escolha certa, nosso ganho será infinito. Se apostarmos, ao contrário, que ele não existe e perdermos, nosso prejuízo será infinito (perda da salvação, inferno).
A resposta à pergunta "o que você faria se este fosse o último dia de sua vida?" revela aquilo com o que mais nos importamos, como realmente queremos viver nossas vidas. O que fazer se as próximas vinte e quatro horas forem as últimas? Andar sem roupas pelas ruas? Dizer algumas verdades ao vizinho? Passar o tempo com a família? Estudar filosofia?
O indivíduo, ao viver cada dia como se fosse o último, não perderia tempo com gestos vazios, mas se concentraria em ser ele mesmo. A sensação de iminência da morte faz com que a vida corra diante dos olhos, momento no qual a história de cada um é revista como um todo, e suas vitórias e seus fracassos são contabilizados. Ao sentir a fragilidade da vida sentimos também seu significado, de modo que a morte faz com que cada um encare a si mesmo. A certeza da morte seria, por isso, libertadora, pois livra-nos das trivialidades da vida cotidiana.
Imbricada a esta certeza da morte está a angústia, a qual possibilita uma resposta autêntica - chamada por Heidegger de Vorlaufen1 - à morte. Traduzida às vezes como "antecipação", Vorlaufen significa, literalmente, "correr antes", sendo "enfrentar", talvez, uma melhor tradução. A existência autêntica envolve encarar a mortalidade, não no sentido de se preocupar em quando o falecimento virá, mas antecipando a finitude de suas próprias possibilidades e escolhendo à luz desta finitude. Perceber que cada momento pode ser o último nos liberta das distrações e das trivialidades dos outros.
O que Nietzsche queria dizer com esta forte e polêmica imagem da morte de Deus? É óbvio que ele não dizia que o homem literalmente matou Deus, um ser metafísico - e menos ainda a facadas, como sugere o texto. O significado da afirmação da morte de Deus tem um alcance bem mais amplo do que o de exprimir uma forma de ateísmo comum.
Não foi exatamente Nietzsche quem disse que "Deus está morto". Essa frase foi proferida por um louco, um personagem de sua obra "A gaia ciência", da mesma forma que não foi Shakespeare quem disse "ser ou não ser, eis a questão", mas Hamlet, um de seus personagens.
Nietzsche se referia na verdade ao que Deus representava para a cultura europeia, à crença cultural compartilhada em Deus que no passado havia sido a característica que unia e definia a Europa. Nietzsche estava falando da Europa sem Deus. A ideia é que a noção cristã de Deus estava morta, não podia mais ser racionalmente aceita. Ele falava da decadência da metafísica no pensamento ocidental.
O conceito de indústria cultural serviu para designar, inicialmente, o complexo industrial e comercial de produção e distribuição de bens culturais na Europa e nos EUA desde a as primeiras décadas do século XX. Por este conceito não se deve compreender os dispositivos eletrônicos em si, tais como rádio ou televisão, mas sua apropriação pelo capitalismo monopolista e seu emprego através de uma lógica de produção de bens culturais.
O objetivo inicial da indústria cultural era, além de lucrar com uma ótima oportunidade de negócios, também estabelecer padrões de comportamento em massa, já que a organização dos trabalhadores, forte naquela época, representava um perigo real ao capitalismo.
Este sistema buscava não apenas influenciar a demanda por determinadas mercadorias, mas também tornar minimamente previsíveis o comportamento social e político das massas.
O principal texto em que a indústria cultural é discutida por Adorno e Horkheimer é um artigo que se encontra na obra Dialética do esclarecimento, intitulado Indústria cultural: esclarecimento como mistificação das massas.
Algumas das características da indústria cultural que abordamos neste vídeo são 1) a expropriação do esquematismo, 2) a classificação de cada indivíduo em um “estilo” e 3) o fetichismo dos bens culturais.
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Venha aprender sobre filosofia, política e psicanálise! Podcast produzido na Alemanha por Glauber Ataide, mestre e bacharel em Filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com especializações em Teoria Psicanalítica e Aconselhamento Filosófico. Atualmente também discente do programa de pós-graduação em Philosophische Praxis na Universidade de Viena, na Áustria.
Para cursos, livros e outras redes sociais, acesse este link: bio.site/filosofiavermelha

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