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Esses dias eu percebi que não eu queria ir num show que eu tinha comprado o ingresso já fazia alguns meses. Chegou o dia e a vontade não chegou. Fiquei pensando em todas as perdas que eu teria se eu não fosse, tentando encontrar um motivo pra ir, mesmo com preguiça.
Até que uma hora, eu me dei conta: por que eu to adiando uma decisão que eu posso simplesmente fazer? Não é isso a delícia de ser adulto? Poder olhar para as coisas, poder olhar para as vantagens e as desvantagens das coisas, e bancar a nossa decisão? Não é essa a parada que faz a vida ser boa, também?
Saber que você pode escolher, saber que você pode decidir, olhar para as linhas pequenas do contrato que é viver e pensar: ótimo, entendi, quero continuar. Ou ótimo, entendi, vou pular desse barco? Ou ótimo, entendi, vou fazer novas cláusulas nesse contrato?
Cara, tem um monte de coisa que a gente não pode escolher abrir mão. Tem um monte de coisa que tá dada, mas aí quando a gente pode escolher, a gente não escolhe? A gente não escuta?
É por aí que vai o episódio dessa semana, cê vem?
edição: @valdersouza1 identidade visual: @amandafogaca
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Esse não é um manual, nem um guia, nem um tutorial sobre como dar nome àquilo que a gente sente. Mas é, certamente, uma lista com quatro coisas que eu faço e que me ajudam muito a entender o que se passa dentro do meu peito. É um episódio para você ouvir toda vez que você se perguntar: o que eu estou sentindo?
Espero que ajude você também.
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Existe um paradoxo muito interessante nos dias atuais. Que é: a gente tem tantas possibilidades de escolha, do filme ao aplicativo de comida. Do aplicativo de relacionamento aos próprios modelos de relacionamento. . Que, muitas vezes, a gente acaba esquecendo qual é a necessidade que a gente tá querendo resolver com essa escolha. A gente tá abrindo o aplicativo, e é tanta coisa, que a gente esquece do que é a nossa fome. A gente esquece qual é a nossa necessidade. A gente se desconecta do que é mais nosso, que é o nosso desejo, né?
É por aí que vai o episódio dessa semana, cê vem?
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Esses dias, eu fui fazer uma viagem a trabalho e na volta perdi o voo. Andando pelo saguão do aeroporto fiquei pensando em tudo que eu poderia ter feito diferente para as coisas darem certo. Para acontecerem como o planejado. Um turbilhão de “e se". Foi então que uma parte de mim disse: o que eu tenho é o que foi, o que eu tenho é o que é agora, e a vida sempre se reorganiza no movimento.
É por aí que vai o episódio dessa semana, cê vem?
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Eu acho que amadurecer é também fazer as pazes com a vida prática. Dar conta de si, lembrar que a batata tá estragando na gaveta da geladeira e que a gente precisa comer mais fruta. É saber que é necessário pensar racionalmente mais vezes do que a gente gostaria porque cuidar de si é uma responsabilidade nossa.
Mas eu acho acho que a gente tem que manter acessa a reivindicação do sonho. A gente precisa reivindicar o lugar do sonhar. Da beleza. Do encantamento. Das listas que só tem uma finalidade: embriagar a gente de beleza. Fazer o nosso coração quase parar de tão bonito que é aquilo que a gente tá vendo. Fazer a gente sentir - no momento presente - que a gente e a vida tá no mesmo lugar.
É sobre intenção, propósito e sonho o episódio dessa semana, cê vem?
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Era a história de uma comunidade que ficava entre duas grandes cidades. As pessoas sempre passavam por lá para chegar a algum lugar, ou para ir para algum lugar, nunca para ficar, exatamente, lá. Mas sempre tinha algum viajante que não sabia disso e decidia passar a noite ali.
Logo, então, indicavam a casa de uma família, onde ele poderia se hospedar desde que contasse o que tinha visto no mundo. Era esse o acordo. Ele teria sopa, uma lareira quentinha, uma cama aconchegante, mas precisaria contar dos maiores bichos que já tinha visto, das piores e melhores noites que já tinha passado na mata, de coisas que ele tinha tremido de medo.
Todas às noites, eles se reuniam em volta da lareira, comiam sopa e ouviam do que acontecia fora, e todo mundo ficava feliz, porque tanto as histórias, quanto a comida nutriam. E era essa a medida, para eles, que ali havia um encontro, Não havia desigualdade.
É sobre bons encontros o episódio da semana, cê vem?
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Desde que eu me mudei de casa, eu me pego pensando no tempo em que eu vou conseguir receber meu pai prum almoço toda semana. A gente sentaria pra almoçar com calma, falaria do passado e presente, e daríamos risada, como a gente faz. É um plano importante, para mim, porque ele diz sobre a minha necessidade de estar presente.
Mas corta para vida real e eu to almoçando na quinta, feliz porque sobrou arroz de segunda, e olhando pro relógio para não perder a hora de fazer a próxima coisa. E lá se vai o plano do almoço, de novo, para gaveta.
Daí que nessa semana eu me dei conta de uma coisa. Almoçar toda semana é o meu jeito ideal de fazer isso. Mas não o único jeito. Muito menos o jeito possível. Com isso em mente, eu consegui pensar em outra possibilidade. Uma forma que, inclusive, atende a mesma necessidade. É sobre fazer as coisas do jeito possível o episódio dessa semana, cê vem?
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Isso não é tudo.
Isso não é sobre mim.
Isso também passa.
Esses dias, eu me dei conta de que as frases que mais me ajudam a sair de fluxos mentais negativos começam com “i”. E é por aí que vai o episódio dessa semana. Cê vem?
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Isso não quer dizer que o vazio é bom. Mas quer dizer que o vazio quase sempre precede a mudança. Toda mudança nasce de um esvaziamento. Um esvaziamento de identidade, de sentido, de olhar, de crença. Era isso, para deixar algo novo vir, eu tinha que me esvaziar do que era antes. Ou de uma parte do que era antes.
É por aí que vai o episódio dessa semana, cê vem?
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Minha cabeça tava a milhão quando eu decidi sentar no sofá, de pernas cruzadas e fechar os olhos por dez minutos.
Um silêncio profundo e quase palpável tomou conta de toda a minha casa. É como se tudo tivesse quieto. Como se eu pudesse ouvir direito pela primeira vez.
Nessa quietude de que eu me dei conta de uma coisa muito importante. A voz crítica que tava me perseguindo - desde ontem - era minha. Só minha. Tava dentro, não fora. E essa percepção mudou tudo.
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Livros citados: Conversas Corajosas - Elisama Santos e Os quatro compromissos - Don Miguel Ruiz
Música da meditação citada: https://youtu.be/ZVAIX_bDEso?si=pY3w23htbK1QUl-l
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