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É a história de um elefante que aparece no meio da cidade. Ninguém nunca
viu um elefante nesse lugar e o boato que tem um animal grande por ali
se espalha e chega na casa de uma menina que é muito curiosa. Ela vai até
lá, olha o animal, e quando chega em casa diz: 'ele tem uma barriga muito grande'.
O vizinho dela faz a mesma coisa e quando chega em casa diz: 'ele tem a pata muito grande'.
Duas ruas acima, uma senhora vai lá e constata: 'ele tem um rabo muito grande'.
Todo mundo viu o mesmo animal, mas cada pessoa viu um pedaço diferente dele. Meu processo de entender, acolher e cuidar da minha ansiedade se parece com isso. Com uma única diferença: eu sou todas essas pessoas, a depender da fase da vida, olhando e reconhecendo mais uma parte
desse bicho muito grande.
Nessa fase, nesse episódio, eu te conto mais uma parte dessa minha compreensão que passa por reconhecer a ansiedade e depois mergulhar num processo de autocuidado e generosidade.
edição: @valdersouza1 identidade visual: @amandafogaca
texto: @natyops
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Eu estava conversando com um rapaz sobre
um livro que ele tinha lido e que quase
todo mundo no meu ciclo leu também. Ele
me dizia que tinha amado e me perguntou:
você leu?" Eu disse que era o próximo que
eu leria.
Então ele falou: "tem gente que
ama e tem gente que odeia. Quem não gosta,
não gosta do final. Eu amo porque,
sobretudo, eu entendo que aquela história é
a história daquela autora. E eu acho que ela
só podia tomar as decisões que eram dela,
não as que eu achava que ela tinha que tomar."
Essa conversa colou no meu corpo e me levou
pela mão para sete anos atrás quando algo
parecido aconteceu comigo.
É por aí que vai a nossa mesa de bar dessa semana. Cê vem?
edição: @valdersouza1 identidade visual: @amandafogaca
texto: @natyops
Trilha sonora: The Wind - Cat Stevens
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“Como lidar com a sensação de que todo mundo está avançando menos você? No fim, como lidar com a inveja?”
Dia desses uma amiga nossa de bar me fez essa pergunta. E entre todas as que eu recebi nos últimos tempos foi a que eu mais gostei.
Eu gosto de falar de inveja. Acho um sentimento genuíno, verdadeiro e que ensina muito quem quer aprender de si.
É uma pena, só, que a gente pare na vergonha e na culpa de sentir. É uma pena que a gente tenha tanto medo dele.
Reconhecer a inveja pode ser um caminho pra encontrar várias coisas escondidas dentro da gente. Há caminhos que surgem nesse momento. Não que não seja desconfortável, mas não qje não seja libertador também.
É por aí que vai o episódio dessa semana, cê vem?
edição: @valdersouza1 identidade visual: @amandafogaca
texto: @natyops
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É a história de uma mulher que, em determinado momento da vida, decide tentar realizar o sonho de ser musicista. A irmã dela, vendo esse movimento, pergunta: "mas e se você não conseguir tirar nada disso? E se o sucesso nunca vier? E se você passar a vida tentando e nada acontecer?" No que ela responde: "se você não consegue perceber o que eu já estou tirando disso nenhuma explicação será suficiente."
Há algo que acontece antes do acontecimento visível. Há algo que se transforma antes do resultado concreto. Há algo que cresce antes do fim. E esse algo importa tanto quanto a própria coisa.
O 'Me vê dois Copos' é um quadro em vídeo do 'Para dar Nome às Coisas'. Assista ou ouça inteirinho no @spotify
edição e captação de imagem @amandafogaca texto @natyops
o diálogo acima é do livro 'A grande magia' da Elizabeth Gilbert
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Teaser episódio
Eram duas pessoas sentadas numa muretinha de uma cidade praiana. Uma delas dizia que tinha terminado uma relação há algum tempo, mas ainda não conseguia fechar a porta. Aquela que existia do lado de dentro.
O amigo, depois de escutar a história, tirava um bloco de notas do bolso e pedia para ela escrever tudo que estava difícil de deixar pra trás. Ela fazia. Então eles iam para casa de um deles e colocava fogo no papel. Era um ritual de despedida.
Lembro de ver essa cena e primeiro achar bonito e significativo. Depois de alguns anos achar raso e superficial, porque ninguém desapega por queimar um papel. E por último achar que aquilo era a representação de um primeiro passo.
Ritualizar não muda o cenário, mas muda a intenção. Muda a clareza. Eu não percebi isso vendo o filme, mas ouvindo a minha intuição que um dia - anos mais tarde - disse: “escreve uma carta e guarda no fundo da gaveta. Só abre se isso que você teme
acontecer.” Naquele dia levantei do sofá com coragem.
edição @valdersouza1 identidade visual @amandafogaca texto @natyops
Eu lembro da sensação de fugir do que eu tava sentindo, porque eu tinha um medo enorme de nunca mais conseguir sair daquele lugar.
Corta para anos depois, e eu tô ali percebendo que, paradoxalmente, a coisa só passou quando eu fui ao encontro daqueles sentimentos, quando eu os escutei, quando eu entendi o que meu corpo tava dizendo e quando eu dimensionei o que era. Quando eu dei o devido tamanho.
De tudo ficou o aprendizado que às vezes a gente foge das coisas porque acha que elas não vão passar. Vão. A vida é ciclo. A gente é ciclo. E passar por momentos ruins, não significa que a gente vai ter que morar lá. Não mesmo.
É por aí que vai a nossa mesa de bar dessa semana. Cê vem?
edição: @valdersouza1 identidade visual: @amandafogaca
texto: @natyops
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“Não é problema meu.” Isso é uma coisa que eu tenho treinado dizer o tempo todo pra mim mesma, depois de me pegar várias vezes engajando em coisas que não fazem sentido algum no fim do dia. Sabe?
Ah o que o outro disse, o que ela fez, o que fulano mostrou, aquela notícia medonha, aquela história bizarra, aquela conta no tik tok. Tanta coisa que não é problema meu, mas que eu tô lá dando minha energia, sem consciência e autonomia, e no final não sobra pros assuntos do meu cercadinho, que realmente importam, sabe?
Ando treinando essa frase de saída: “não é problema meu”, para sobrar tempo e energia pro que é.
Te vejo no “Me vê dois copos?” quadro em vídeo do podcast no @spotify
Edição, captação e identidade visual: @amandafogaca texto: @natyops
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Recentemente, uma amiga nossa de bar me perguntou se tinha algum episódio sobre sobre criar expectativas. Ela, na verdade, me dizia que era uma pessoa que criava expectativas demais e que achava isso nem sempre bom. Respondi para ela que não lembrava de ter gravado algo nesse sentido, trocamos algumas mensagens sobre esse assunto, e levantei do sofá para fazer arroz.
Acontece que na hora que o alho e cebola se juntaram no fundo da panela quente, meu corpo me transportou para os domingos dos anos 90 na casa dos meus pais. Quando minha mãe cozinhava demorado e eu ficava vidrada na frente da tevê, esperando o momento em que o Gugu, apresentador do programa da época, ia fazer aquela gincana que sempre terminava com um caminhão de brinquedos estacionado na frente do portão da pessoa.
Eu sonhava que um dia isso ia acontecer lá em casa. Sonhava que um dia seria comigo. Mas nunca foi, porque eu nunca mandei a carta me inscrevendo. Ele não sabia quem eu era, eu nunca me apresentei, não tinha fio nenhum me conectando aquela possibilidade. Era só uma fantasia. E passou. Até que essa memória voltou, quando eu pensava sobre aquela mensagem que tinha chegado mais cedo e me ajudou a lembrar que é fundamental diferenciar expectativa de fantasia para gente poder se movimentar e esperar coisas boas em paz.
É por aí que vai a nossa mesa de bar dessa semana. Cê vem?
edição: @valdersouza1 identidade visual: @amandafogaca
texto: @natyops
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Dia desses eu tava lembrando de uma coisa que sempre acontecia na casa de uma amiga na adolescência. Sempre que ela ia sair e colocava uma roupa bonita, a mãe dela enfiava a mão dentro de uma gaveta da cômoda da sala e tirava de lá uma máquina de fotografar analógica.
Ela pedia para minha amiga se posicionar no meio da sala e tirava uma foto, porque sabia que aquele momento era, em alguma medida, um momento especial. Um momento extraordinário. Um momento que não acontecia sempre.
Anos depois, enquanto eu organizava meu guarda-roupa num sábado a noite, enquanto o bar da rua apelava com uma playlist maravilhosa, eu lembrei dessa história. E sei que lembrei porque uma parte em mim tava sentindo que tinha algo de errado com meu fim de semana. Alguma coisa errada em estar no chão, dobrando roupas, e não enfiada em alguma festa muito legal.
Foi, no entanto, uma sensação que durou pouco. Porque logo lembrei da minha amiga. Lembrei daquele hábito dela de se deixar fotografar num dia que era extraordinário porque logo depois viriam dias muito comuns. Lembrei, junto com isso, de como é feita a vida: extraordinária um tanto mas infinitamente mais cotidiana do que extraordinária. E fiquei em paz com a realidade e com essa liberdade de não precisar lutar contra isso.
edição: @valdersouza1 identidade visual: @amandafogaca
texto: @natyops
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Livro/tarô citado: Palavra de Criança (Patricia Gebrim)
Dias desses, saí para tomar uma cerveja com alguns amigos uma pergunta começou rolar na mesa: “o que é inteireza para você?” Não lembro do que respondi na hora, mas se fosse hoje, certamente responderia: inteireza para mim é me permitir ser em tudo que eu sou. Me deixar ser ridícula, não admirável, tosca. Não precisa negar de mim
parte alguma.
Edição, captação e identidade visual: @amandafogaca texto: @natyops
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