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No começo do ano, durante uma viagem de férias, eu descobri que eu amo coentro. Quero dizer, eu passei a vida inteira amando coentro, mas sem saber que o nome daquilo que eu gostava era, de fato, coentro. Fato é que eu voltei da viagem e passei a comprar coentro em quase toda minha ida ao hortifruti. E isso que poderia ser só uma experiência gastronômica, acabou virando muito mais do que isso, porque me lembrou que nomear as coisas não muda as coisas, mas muda o jeito que a gente pode se aproximar ou se afastar das coisas.
Enquanto eu não sabia o nome daquilo que eu gostava, eu não podia comprar aquilo. Ou pedir aquilo. Ou me aproximar daquilo. Ou falar: “coloca mais”. O contrário também vale, também é verdadeiro, quantos pratos a gente joga fora ou quantas experiências que poderiam ser boas se tornam ruins porque a gente não sabe o nome do que incomoda, do que faz mal? Nomear é importante não para definir, mas para libertar.
É por aí que vai a nossa mesa de bar, nessa quarta-feira, no @spotify Cê vem?
edição: @valdersouza1 identidade visual: @amandafogaca
texto: @natyops
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Esses dias, depois de viver uma situação em que eu topei a vulnerabilidade de peito aberto, meu inconsciente trouxe a imagem do sofá branco que tinha lá em casa. Por anos ele foi um sonho da minha mãe. Daqueles que ela ficava olhando nas revistas de móvel, enquanto juntava dinheiro pra um dia, quem sabe, ter um igual.
Um dia esse grande dia chegou. Ela conseguiu entrar na loja e trazer o sofá branco para casa. Mas assim que ela segurou a porta pro montador colocar ele no meio da sala, o medo de manchar, de estragar, de perder o sofá sentou ali, com a gente, junto. Ao realizar o sonho, ao se abrir para aquela felicidade, ela também se abriu para a vida do jeito que ela é - um tanto incontrolável. E topou isso, porque minha mãe era dessas.
Mas passados anos dessa memória, fiquei pensando nesse cruzamento de informações e imagens - de sofá e vulnerabilidade - que o meu inconsciente estava trazendo ao passo que eu pensava se tinha valido a pena, mesmo, assumir meu peito aberto naquele dia.
Até que entendi: não existe felicidade sem vulnerabilidade. Viver aberto é ter algum nível de desconforto. Algum nível de risco. Abrir mão disso, é abrir mão, em alguma medida, da gente também. Era o que eu não queria. Fiz, então, o que eu precisava.
edição: @valdersouza1 identidade visual: @amandafogaca
texto: @natyops
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“Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro”. Eu gosto muito dessa frase da Clarice Lispector. E gosto, porque ela me lembra uma conversa que eu tive com o meu sogro dias atrás sobre hortas. Sobre o processo de ter calma e generosidade ao olhar para as coisas, ao olhar para dentro, antes de decidir jogar fora. Antes de excluir o que nos disseram ser ruim. Qualidades e defeitos, muitas vezes, são a face de uma mesma moeda. E não coisas opostas. E é preciso atenção para não jogar tudo fora.
Me vê dois Copos é um quadro do Para dar Nome às Coisas, em vídeo, a cada quinze dias. Os episódios tradicionais de quarta-feira seguem sendo publicados semanalmente, as quartas-feiras.
edição, captação e identidade visual: @amandafogaca texto: @natyops
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“Sabe quando a gente sente que se perdeu tanto de si que já não
sabe como voltar, ao que voltar? Quando chegamos naquele ponto do
processo em que entendemos que temos que voltar para nós, que é
impossível ser feliz fora, mas a gente não sabe mais quem foi, quem é?”
Semana passada eu recebi essa mensagem de uma pessoa que senta aqui na nossa mesa de bar. E a minha resposta para ela foi: já, já passei por isso. Nesse episódio 200 do “Para dar Nome às Coisas” eu te conto das vezes que eu me perdi e das minhas tentativas de me encontrar.
nessa quarta no @spotify
edição: @valdersouza1 identidade visual: @amandafogaca
texto: @natyops
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Eu estava esperando meu café chegar, quando uma cena na mesa da frente me chamou a atenção. Duas pessoas, que pareciam irmãos, estavam dividindo
um petit gateau. Perto de acabar o doce, uma das pessoas disse: "você sempre pega um pedaço grande quando o bolo tá no fim". No que o outro responde: "no lugar de me vigiar, pega um pedaço grande você também, ué". O que era quase a mesma coisa do que dizer: para de controlar o meu desejo e vai realizar o seu.
Documentário citado: "Eu maior" - tem disponível no Youtube
edição: @valdersouza1 identidade visual: @amandafogaca
texto: @natyops
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Eu acho que o processo de dor é parecido com um quarto escuro, quando você tá num quarto escuro, o escuro suga tudo. Você não consegue ver a bola de basquete que te lembra o quanto você ama jogar, nem consegue enxergar o porta-retrato que te lembra o quanto você é amado. De repente tudo é dor. E escuro.
Mas o escuro, e a dor, não duram para sempre. Porque a cura é tipo um quarto que amanhece gradativamente. Vai entrando luz e alívio devagar e aos poucos, até que a gente se sente pronto pra mudar daquele lugar - dentro e fora.
É por aí que vai esse episódio do “Me vê dois Copos” - um quadro em vídeo e sem roteiro do “Para dar Nome às Coisas”.
A gente vem de uma construção e de uma narrativa histórica que vende o amor e as relações como um encontro entre duas almas que se completam.
E aí dentro dessa narrativa não existe solitude, não existe eu casal e eu sozinha, você casal e você sozinho, porque tudo o que eu preciso eu encontro em você, e tudo que você precisa você encontra em mim.
E aí acho que o amor começa quando a gente sai dessa idealização. Sai dessa ideia irreal de completude. E vê o outro. E vê a gente. E vê o encontro como aquilo que é suficientemente bom, apesar do que falta. Porque vai faltar.
Me parece que é só saindo da lógica da completude que dá pra pensar no amor, no encontro e na solitude assim - junto. E, portanto, a gente também.
edição: @valdersouza1 identidade visual: @amandafogaca
texto: @natyops
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É fácil não reconhecer e não validar nossos cansaços nos tempos atuais, porque nos tempos atuais a gente se sente cada vez mais devendo. A gente sente que tá sempre falhando em alguma coisa. E se a gente tá o tempo todo com a sensação de que tá falhando em alguma coisa, de que a gente podia tá fazendo mais, ou que alguma coisa ficou pra traz, descansar parece imerecido. E aí vira um ciclo vicioso, porque se eu sinto que eu tô sempre devendo, eu tô sempre olhando pro que falta, e como meu olhar tá na dívida, eu me desconecto completamente do que eu já fiz e, portanto, não valido e nem reconheço o meu cansaço. E aí é isso, apagão. Contra essa lógica, uma das coisas que o meu corpo mais tenta me mostrar nos últimos anos é que: se tem cansaço, tem um histórico. Melhor ouvir.
edição: @valdersouza1 identidade visual: @amandafogaca
texto: @natyops
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“Em bons roteiros, em boas histórias, o personagem principal parte rumo a um lugar em que ele, finalmente, se torna o personagem principal da própria história”. Ouvi essa frase esses dias. Nesse episódio, te conto como ela me bateu e como me levou para uma reflexão sobre alguns aspectos da minha própria vida.
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A Juliana acha que as pessoas sempre gostam dela por um fio, por um triz, por um descuido. Ela tem a sensação ser ligada às pessoas por uma espécie de um laço de cetim que, a qualquer momento, pode se desfazer.
Ela não vai ter essa sensação para sempre, depois de um tempo ela vai mergulhar num processo de autoconhecimento profundo, que nada mais é do que se abrir pra vida e pra as experiências se fazendo perguntas, tolerando a busca por respostas e sendo honesta consigo. E isso vai mudar. Essa sensação do laço de cetim vai mudar.
Mas por enquanto a gente tá naquela sala dos anos 90. E guiada por um desejo inconsciente, ela vai fazer uma coisa que ela só vai entender, de verdade, anos mais tarde.
edição: @valdersouza1 identidade visual: @amandafogaca
texto: @natyops
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