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Me repito isso como mantra: é preciso resistir à tentação de personalizar as pessoas.
A gente tá num tempo em que a gente personaliza tudo, né? A gente personaliza a tela do streaming, a gente personaliza as redes sociais, a gente personaliza o app música.
O ponto é que a gente não tem parado por aí. Quando chega nas relações a gente continua buscando isso.
edição: @valdersouza1 identidade visual: @amandafogaca
texto: @natyops
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Sábado passado, eu peguei a minha caixa de primeiros socorros. Ela é um caderno que eu guardo no fundo do armário e pro qual eu recorro sempre que eu preciso trocar os quatro pneus do carro, com o carro em movimento. Ou seja, quando eu preciso equilibrar ou entender a minha própria vida.
Com o caderno no colo, eu sentei de pernas cruzadas em cima do sofá e fiz uma lista. Lista bem estar, eu chamei. E fui anotando ali tudo que me dá essa sensação. A sensação de bem estar, de estar bem. Coloquei várias coisas ali - banho no escuro, dormir cedo, samba em dia de sol, amigos. Mas a parte mais legal disso foi a hora que eu fechei o caderno e pensei: agora vamo ver como essa lista continua.
edição: @valdersouza1 identidade visual: @amandafogaca texto: @natyops
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No meio da sessão de terapia, eu me dei conta. Eu tinha levado o mesmo assunto por três vezes seguidas. E tava ali incomodada por isso, achando que eu já deveria ter entendido.
Acabei dizendo: a gente já passou por aqui, né, Renata? E ela disse “já….mas não tem problema, sabe por que? Por que provavelmente, alguma coisa ficou para trás…a gente tá voltando pra buscar.”
Achei isso lindo. Pensar o processo da terapia, do autoconhecimento, como um caminho que a gente faz muitas vezes o mesmo percurso, porque cada vez que a gente faz, a gente percebe uma outra coisa. Porque cada vez que a gente faz, a gente se sente pronto para perceber uma coisa nova.
É por aí que vai a nossa mesa de bar. Cê vem?
edição: @valdersouza1 identidade visual: @amandafogaca texto: @natyops
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Quais são as expectativas irreais que eu tenho sobre mim, mas que eu vivo dizendo que são do outro sobre mim?
É o quarto episódio do quadro "Me vê dois copos?” da nossa mesa de bar preferida. :)
Agora, o Para dar Nome às Coisas traz um episódio novo, em vídeo, a cada quinze dias. Os episódios tradicionais de quarta-feira seguem sendo publicados semanalmente.
edição: @valdersouza1 identidade visual: @amandafogaca texto: @natyops
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Eu tava varrendo embaixo da mesa, quando vi aquele quadro de novo. Ele tinha sido da minha tia e foi pra minha casa, quando ela se mudou e perguntou: alguém quer? Eu quis, era um quadro bonito.
Semanas depois, meu pai tava segurando o quadro em todas as paredes da minha casa, enquanto perguntava: e aqui, sim ou não? Era tudo não. O quadro era bonito, ficava lindo na casa da minha tia, mas não tinha lugar na minha.
Olhando pro quadro, pegando pó do lado da mesa, pensei: isso parece com o processo de autoconhecimento. É preciso saber o que parece bonito e tem valor, mas não cabe na vida da gente. Pra, a partir dessa constatação, deixar espaços abertos pro que é bonito, tem valor e cabe.
É por aí que vai a nossa mesa de bar. Cê vem?
edição: @valdersouza1 identidade visual: @amandafogaca texto: @natyops Apoie a nossa mesa de bar: https://apoia.se/paradarnomeascoisas
Esses dias, cheguei do mercado e fui guardar a água sanitária no armário. Na hora de sentar no sofá, eu vi que tinha uma mancha enorme na minha calça preferida. Tinha pingado a água sanitária ali, quando eu guardei o frasco. Entre a raiva e a aceitação, fiquei pensando em todas as roupas que eu gostaria de ter manchado no lugar daquela.
Ao mesmo tempo, me dei conta de que não tinha como, porque era aquela a minha calça preferida, era aquela a calça que eu mais usava, era ela que tava sempre comigo. Portanto, mesmo tomando todos os cuidados, eu infelizmente falharia com ela, mais do que com qualquer outra roupa que eu usasse eventualmente.
É o paradoxo das coisas preferidas. São as que a gente tem mais afeto, as que a gente mais se sente à vontade, mas também são as que a gente mais assume o risco de falhar e que geram mais angústia pelo risco de perder.
O mais difícil não é sentar à mesa para ter a conversa difícil, o mais difícil é sentar. O mais difícil não é sentar na frente do computador para escrever, o mais difícil é sentar. O mais difícil não é sentar no chão e arrumar as gavetas, o mais difícil é sentar. Li essa ideia num livro, dias desses, e gostei. Me fez sentido. Mas daí fiquei pensando na razão de isso ser o mais difícil - o sentar. A conclusão a qual cheguei eu compartilho nesse episódio.
É o terceiro episódio do quadro "Me vê dois copos?” da nossa mesa de bar preferida. :)
Agora, o Para dar Nome às Coisas traz um episódio novo, em vídeo, a cada quinze dias. Os episódios tradicionais de quarta-feira seguem sendo publicados semanalmente, as quartas-feiras.
edição: @valdersouza1 identidade visual: @amandafogaca texto: @natyops Apoie a nossa mesa de bar: https://apoia.se/paradarnomeascoisas??
nome do livro: Como superar seus limites internos: Aprenda a vencer seus bloqueios e suas batalhas interiores de criatividade -
Steven Pressfield
Eu tive um sonho muito simbólico algumas noites atrás. Era noite, eu tava sentada numa mesa de bar e contava de uma experiência que para mim fazia muito, muito sentido. Antes de terminar a frase, uma mulher, do outro lado da mesa, me interrompia para falar que aquilo que eu tava dizendo não fazia sentido algum.
um susto desconfortável me tomava o corpo, então, em resposta, eu dizia: 'mas ninguém precisa validar o que precisa fazer sentido só para você. a sua vida só precisa fazer sentido para você'. Respondia para ela, como se tentasse a convencer.
Acordei, esqueci do sonho, fui tomar café, fazer exercício, trabalhar. Fim do dia, entrei na terapia. Lembrei do sonho. Mas foi só começar a falar que me veio um detalhe que eu tinha esquecido: a mulher que me censurava era muito parecida fisicamente comigo.
na verdade, no meu sonho ela era eu. quem tentava se expressar, a partir do sentir, era eu. mas quem dizia que aquilo não fazia sentido era eu também. eu era as duas coisas.
é por aí que vai o episódio dessa semana, cê vem?
edição: @valdersouza1 identidade visual: @amandafogaca
texto: @natyops
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Algum tempo depois, eu encontrei essa minha amiga de novo. Ela tava me contando que o pós término tinha sido difícil. Mas que ela continuou caminhando porque o lugar que tinha ficado pra trás não existia mais pra ela. Não tem o que voltar, quando aquilo que ficou pra trás não cabe mais.
Ela continuou caminhando. Até que ela se encontrou na nova vida. Descobriu que era apaixonada por mostras de cinema, por andar de moto e por fazer enfeites com folhas secas.
No dia que a gente se encontrou, ela disse que um cara legal tinha aparecido, mas que ela não queria abrir a porta para ele por enquanto, porque ela tava curtindo demais esse novo lugar que ela tinha chegado.
edição: @valdersouza1 identidade visual: @amandafogaca
texto: @natyops
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