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Com a anunciada dissolução do Parlamento esta quarta-feira, dia 19, já surgiu uma polémica desnecessária: os partidos de esquerda alertaram que, apesar da dissolução, tem de haver cerimónia comemorativa no 25 de Abril, enquanto PSD, CDS e Chega ficaram em silêncio, na dúvida sobre o que fazer. À direita, só a Iniciativa Liberal defendeu a sessão solene.
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O almirante na reserva Henrique Gouveia e Melo rejeita "emprestar a farda a extremos" e tese de que apenas "políticos de carreira" podem participar na política. "Há que também ter cuidado com a ideia de que na política só políticos experientes, entre aspas, ou de carreira, podem fazer política. Porque isso é a negação da própria abertura de um sistema que deve ser aberto para incorporar não só conhecimento como ideias diversas", defendeu o antigo chefe do Estado-Maior da Armada.
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O país vai a eleições legislativas no dia 18 de Maio para contornar uma crise política "inesperada", anunciou o Presidente da República, que pediu que nos próximos dois meses se faça um "debate eleitoral frontal, claro e esclarecedor, mas sereno, digno, elevado, tolerante, respeitador da diferença e do pluralismo", que "fortaleça e não enfraqueça a democracia". Marcelo Rebelo de Sousa insta os partidos a que não se abra "ainda mais a porta a experiências que se sabe como começam e se sabe como acabam”, num aviso sobre derivas populistas e extremistas.
Procurando explicar o cerne da questão, o Presidente apontou que o choque que leva a este desfecho "não era tanto sobre políticas", mas mais "sobre a confiabilidade, ou seja, a ética da pessoa exercendo a função de primeiro-ministro". Marcelo soube gerir bem esta crise política?
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Está desenhada a explicação simples para a Aliança Democrática defender na campanha eleitoral às legislativas de Maio: a grande razão que levou a maior parte dos partidos da oposição a derrubarem o executivo foi "o sucesso do actual Governo e a popularidade do primeiro-ministro". O PSD está a ver como mais complicado ganhar as eleições depois da popularidade de Luís Montenegro estar em queda?
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Um dia depois da queda do Governo, o Presidente da República recebeu os partidos para audiências em Belém, dando, assim, o primeiro passo que lhe permite marcar eleições antecipadas. É o cenário dado como certo por todas as forças políticas, que querem ver a ida às urnas acontecer "o mais rápido possível" e já começam a fazer cenários para o pós-eleições. O mais "provável" é que as eleições aconteçam a 11 de Maio, data para a qual existem "todas as condições" e o Presidente está "mais tendente", segundo os líderes partidários.
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Foi um debate de pressão até ao fim, sob acusações de intransigência, falta de transparência e condicionamento. Apesar das tentativas do Governo de negociação com o PS para alterar a duração da comissão parlamentar de inquérito (CPI) à conduta do primeiro-ministro, o desfecho foi o adivinhado há uma semana: o país vai mesmo para eleições dentro de dois meses e nesse caminho não faltarão acusações mútuas de quem caminhou até à beira do precipício, quem deu o passo em frente ou até quem empurrou. Com o voto contra do PS, Chega, Bloco, PCP, Livre e PAN, a moção de confiança foi chumbada e o Governo saiu da Assembleia da República a argumentar que "tentou tudo". Montenegro tentou mesmo não forçar umas eleições ou o debate não passou de uma encenação de passa-culpas?
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O antigo ministro e líder do CDS Paulo Portas defende que a sondagem da Pitagórica mostra que os eleitores não vislumbram “uma alternativa credível” ao actual Governo e que, por isso, não querem mudar de executivo. Considerando que a actual crise política “não é irremediável”, Paulo Portas vê como improvável um cenário que não passe por eleições antecipadas. Nesse sentido, defende que a AD se alie à IL numa coligação pré-eleitoral. E à esquerda será possível um entendimento? A análise neste Soundbite, na véspera do debate da moção de confiança ao Governo de Luís Montenegro.
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Depois de um dia em que o Governo falou a duas vozes sobre a sua estratégia em relação à moção de confiança, o PS preferiu manter-se em silêncio a assistir às contradições de ministros. Leitão Amaro mantém a responsabilidade de uma crise política na oposição e garante que “o tema essencial não é nem nunca foi” o pedido do PS para a criação de uma comissão parlamentar de inquérito. A crise política está a revelar a incapacidade do Governo falar a uma só voz.
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O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, afirmou, em entrevista ao Observador, que a instabilidade política tem sido causada "pelas acções do Chega e do PS nos últimos 15 dias". Rangel aponta para a maioria absoluta: "Claro que gostávamos de ter maioria absoluta, e acho que a merecemos". Sobre se a AD viabilizaria um governo do PS, Rangel refere uma vez mais o sentido de responsabilidade: "É muito difícil que não haja a capacidade de se formar um governo, até porque os portugueses voltam às urnas um mês depois. Não podem passar a vida em eleições". Será possível?
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O Presidente da República afirma que vai adiar a visita de Estado à Estónia, durante a próxima semana, prevendo que a moção de confiança possa ser discutida no Parlamento na quarta-feira, dia 12, já que, como Montenegro amanhã estará no Conselho Europeu, o Conselho de Ministros poderá ser na sexta-feira. Tendo em conta que as moções têm que ser discutidas três dias depois, Marcelo acredita que a moção do executivo “provavelmente poderá ser agendada para quarta-feira”. Marcelo Rebelo de Sousa admite que, caso a moção de confiança venha a ser rejeitada, as eleições antecipadas deverão decorrer em Maio, com a "primeira data possível entre 11 e 18 de Maio".
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Os sons que marcam o dia político em análise por Ana Sá Lopes e Helena Pereira, num podcast do PÚBLICO com moderação de Ruben Martins.

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