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Esta semana, as revistas francesas destacam, de forma geral, as violências policiais em França e os receios de perda de liberdades com o projecto de lei sobre a segurança global. Por sua vez, a Jeune Afrique titula, na primeira página, “África em busca de uma nova liderança” e entrevistou o Presidente francês que defende que “entre França e África deve ser uma história de amor”.
Em manchete na primeira página da Jeune Afrique, “África em busca de uma nova liderança”, com a legenda “Que distantes parecem os tempos dos Senghor, Houphoët, Sankara, Bourguiba e Mandela. Confrontada com desafios cada vez mais complexos, África precisa mais do que nunca de dirigentes visionários, íntegros e corajosos.”
Em chamada de capa, uma entrevista ao Presidente francês, Emmanuel Macron, e a citação “Entre França e África deve ser uma história de amor”. Três anos depois do discurso que pronunciou em Ouagadougou, o chefe de Estado francês lembra que iniciou um tema tabu: a restituição de obras de arte africanas, nomeadamente ao Senegal, Benim e Madagáscar. Fala ainda na reforma do franco CFA, na plataforma Digital Africa, na Cimeira de Financiamento para África que vai ser organizada em Maio, em Paris, e na Cimeira África-França, em Julho, em Montpellier.
Questionado sobre o sentimento anti-francês que se desenvolveu em alguns países francófonos, Emmanuel Macron disse que durante anos a França manteve uma relação institucional com África, criando um certo ressentimento, mas também apontou o dedo à Rússia e à Turquia como dando voz aos que alimentam o ressentimento. Por isso, o Presidente francês diz que entre França e África deve ser a tal história de amor e que não se deve ficar prisioneiro do passado. Por outro lado, Macron reitera que a estratégia militar francesa no Sahel e a operação Barkhane foram solicitadas pelos países da região.
Nesta entrevista, Emmanuel Macron insiste que as suas declarações pela liberdade de expressão foram deformadas porque nunca criticou o Islão mas sim o terrorismo islamita, recordando que 80% das vítimas no mundo são muçulmanas.
A revista Express publica na primeira página uma imagem do ministro do Interior, Gérald Darmanin, com o título, “o cheiro a enxofre” e propõe uma reportagem sobre “o homem que abala a Macronia”.
A revista Vie também se questiona se “há um desvio autoritário do poder em França” explicando que os defensores das liberdades públicas estão preocupados com a lei sobre a segurança global e com as limitações à liberdade de informar com o artigo 24.
O Courrier International faz manchete com o que chama de “viragem securitária à direita” de Emmanuel Macron. A revista questiona o que é que aconteceu ao Presidente francês que era um reformador liberal e que tanto prometia? Na segurança, na gestão da pandemia, no islamismo e até na diplomacia a imagem de Macron desfocou-se. A imprensa internacional também ficou chocada com “a violência inadmissível” da polícia contra um produtor musical negro.
O Courier retoma um artigo do jornal do Burkina Faso Le Jour sobre a Etiópia intitulado “Depois da guerra, o espectro da guerrilha”. O jornal escreve que após ter lançado o assalto final contra a capital do Tigré, as autoridades anunciaram ter ganho a batalha. Mas a guerra está longe de terminada. A revista publica ainda uma vasta investigação sobre “o recuo da justiça no mundo”, dando exemplos de dissidentes perseguidos ou assassinados na Argélia, no Burundi e na África do Sul, entre muitos outros países.
A Obs também tem uma chamada de capa para as violências policiais em França. Nas páginas interiores, imagens da mega manifestação contra o projecto de lei sobre a segurança global e contra o polémico artigo 24 que impede de se filmar a polícia, um parágrafo que, segundo a revista, provocou uma crise política.
A Obs destaca ainda o papel de contra-poder dos repórteres da Web que publicam imagens das violências policiais na internet e são vistos por milhares de pessoas. Mas a revista faz capa com Anne Hidalgo, presidente da câmara de Paris, com o título “ a tentação presidencial”. A Obs escreve que Anne Hidalgo está dividida entre manter-se na presidência de Paris ou tentar a Presidência de França face às expectativas dos eleitores de esquerda.
A revista publica, ainda, uma reportagem sobre a revolta das mulheres das limpezas da Assembleia francesa que ganham muito mal e pedem o direito a um 13° mês. Entre as vozes, destaque para a cabo-verdiana Joana, para a portuguesa Manuela e para outras “mulheres invisíveis” há anos a trabalharem no Parlamento francês.
Le Point homenageia, na capa, o antigo presidente francês Valéry Giscard d’Estaing que morreu esta semana e titula “um destino, uma época, lições para a história”. A revista descreve que Giscard d’Estaing reformou a sociedade francesa e trabalhou para a construção europeia. Um longo dossier que retoma fotografias dele com personalidades marcantes, como Simone Veil, a Princesa Diana e o antigo Presidente da RCA Jean-Bedel Bokassa que remete para o famoso caso dos diamantes que dele recebeu e que marcou o início da queda daquele que também era conhecido como “Giscard, o Africano” e como “o polícia do continente africano”.
Abrimos esta Imprensa africana, com o semanário JEUNE AFRIQUE, que na sua edição online destaca uma entrevista com o politólogo e escritor africano, Achille Mbembe, que se interroga se o Presidente francês, Emmanuel Macron, pesou bem a perda de influência de França em África.
O Presidente francês, encara a África com cinismo e engana-se no diagnóstico que faz sobre as questões essenciais, agravando as incompreensões, afirma o intelectual camaronês, Achille Mbembe.
O conhecido politólogo, historiador e escritor, Mbembe, um conhecedor da França, a exemplo de outros intelectuais africanos, criticam na JEUNE AFRIQUE, a sua postura de dois pesos e duas medidas de Macron em relação a chefes de Estado africanos.
L'EXPRESS, titula em capa, o enigma Macron. Quem conhece Macron? pergunta o livro, um Presidente confiscador da jornalista, Corinne Lhaïk. Macron é um confiscador. Será a vingança da História, estar ele prisioneiro de três crises sanitária, económica, terrorista?
Nalgumas páginas do livro reproduzidas pelo L'EXPRESS, lê-se que não foi apenas a eleição de Macron que tomou tonalidades de um roubo do século, é todo o seu mandato que coloca o incumbente do Eliseu numa posição de roubar as ideias dos outros sem que se saiba se as integra verdadeiramente ou se é uma postura para neutralizar os seus adversários.
Não é pois de estranhar a insegurança que assaltou mesmo seus eleitores de 2017 que têm dificuldades em reconhecer o que campeão que então escolheram, cita L'EXPRESS.
Ciência sem credibilidade devido à Covid e Google e Facebook que querem controlar mentes
Por seu lado, COURRIER INTERNATIONAL, pergunta em capa como é que a ciência nos pode ajudar? Com a pandemia de coronavírus, os peritos perderam a sua credibilidade. Ora a ciência e o conhecimento são essenciais para comprendermos a complexidade do mundo e travar as teorias da conspiração.
Na corrente veio o fluxo de informações inerente a esse tipo de fenómeno mundial e inédito que provocou inevitavelmente o seu corolário que é uma desinformação também exponencial.
Os investigadores convocados de todas as partes acabaram por perder em credibilidade devido às suas contradições e as reviravoltas da Organização mundial da Saúde, nomeadamente, sobre o uso da máscara, não ajudaram em nada, acrescenta, COURRIER INTERNATIONAL.
CHALLENGE's, destaca a incrível corrida a vacinas contra a Covid, como a última batalha de EEstados, industriais e filatropos investindo biliões de dólares em pesquisas laboratoriais..
L'OBS, destaca em capa, o escândalo Scouarnec, itinerário de um predator. Joël Le Scouarnec, era um médico respeitado, um cavalheiro em aparência, um bom marido e um bom pai de família.
Ora, durante 30 anos, o cirurgião Jonziac que registava metodicamente seus actos pedófilos em diários íntimos, terá abusado de mais de 300 crianças. Todos os alertas que foram lançados não resultaram até um dia que uma menina rompeu o silêncio, que desembocou no julgamento deste médico perverso por agressões sexuais que começa dentro de dias, nota, L'OBS.
Somos escravos do Amazon, Google, Facebook?,pergunta, em capa, LE POINT. Reinam sobre as nossas vidas impondo as suas leis. Mark Zurckerberg, do Facebook, sonha poder ditar um texto ao telemóvel mentalmente, Jeff Bezos, fundador do Amazon, investiu num leite articificial a partir de raízes de chicória e couve concentrado, enquanto a inteligência artifical do Google acaba de disponibilizar o código de uma rede neuronal simulando o comportamento de electrões, nota, LE POINT.
Vencedor das eleições presidenciais logo na primeira volta, com mais de 57% dos votos, o Presidente do Burkina Faso, Roch Kaboré, que poderá não ter uma maioria absoluta nas legislativas lança um apelo à reconciliação nacional.
O Presidente do Burkina Faso, Roch Kaboré, que poderá não ter uma maioria absoluta nas legislativas lança um apelo à reconciliação nacional.
A reconciliação nacional é primordial, considerou, Achile Tapsoba, director-adjunto de campanha do candidato presidencial, Eddie Komboïgo.
Rapidamente, Clément Sawadogo, 1° vice-presidente do partido presidencial, MPP e porta-voz, do chefe de Estado reeleito, Kaboré, precisou que essa reconciliação se fará porque o presidente prometeu realizar uma conferência nesse sentido.
Mas é uma equação complexa pois o antigo Presidente, Blaise Compaoré, deposto em 2014, por uma revolta, divide a população sobre o seu regresso ao país.
"A questão não se esgota na pessoa de Blaise Compaoré, porque é preciso não esquecer que houve tumultos, mortes, e portanto, não é apenas um simples arranjo de regresso de Compaoré", sublinhou, ainda Clément Clément Sawadogo, porta-voz presidencial.
Mas do lado da equipa do candidato Komboïgo, que ficou em 2° lugar nas presidenciais, com mais de 15% dos votos, é verdade que a "reconciliação não se restringe à figura de Compaoré, mas não poderá ser feita sem a sua contribuição.
A ver vamos!
Abrimos com LE POINT, que faz a sua capa com o incrível destino de Joe Biden e porque é que que uma vez mais Trump foi subestimado. Como vice-presidente, Biden, tem Kamala Harris, o sonho americano. É a primeira negra e com orgulho eleita para a vice-presidência.
Desde começos de 1973 que Biden não esconde a sua ambição suprema de chegar à sala oval da Casa Branca. Em 2016 por exemplo queria disputar a investidura da Hillary Clinton, mas foi impedido, pela morte do filho, Beau, fulminado por um tumor no cérebro.
Quatro anos depois é o triunfo, depois duma campanha difícil devido à epidemia do coronavírus, Biden, consegue ganhar dificilmente contra Donald Trump. Como vice-presidente, Biden, tem Kamala Harris, o sonho americano. É a primeira negra e com orgulho eleita para a vice-presidência.
Do outro lado, Trump, que perdeu a eleição presidencial, mas que foi subestimado, porque segundo LE POINT, os meios de comunicação social americanos vivem num mundo fechado elitista desconhecendo o eleitorado americano que vota pelo ainda presidente. New York Times, Washington Post, Boston Globe, CNN, MSNBC, entre outros, dirigem-se a uma elite isolada da realidade da população.
A esmagadora maioria dos jornalistas desses meios de comunicação social nunca encontrou em carne e osso um eleitor americano que vota Trump. O episódio Trump, deixa entender que a nossa profissão odeia a informação. O fenómeno Trump, é a grande falência dos meios de comunicação social, afirma, o editorial, do semanário, LE POINT.
Joe Biden, terá dificuldades para reconciliar os Estados Unidos
Também, CHALLENGEs faz a sua capa com o mundo novo de Joe Biden. O Presidente eleito terá dificuldades para reconciliar os Estados Unidos e implementar um programa digno do "new deal". Para já tudo começou mal. Um presidente cessante que recusa a realidade das urnas, um partido republicano paralizado que recusa desautorizar Trump. Um Senado que poderá cortar a estrada ao novo eleito, é este o retrato da América de Joe Biden.
Noutra passagem CHALLENGEs, refere-se à desinformação à imagem de Trump, com notícias falsas a correr o mundo. Trump já tinha preparado há muito tempo o seu eleitorado sobre o que ele chama "fraude", repetindo desde 3 de novembro que a eleição presidencial lhe foi roubada. Também em França há adeptos de Trump que propagam essas informações falsas, prometendo que haverá um inquérito sobre o plano de "comunistas para roubar a América", nota, CHALLENGEs.
Por seu lado, COURRIER INTERNATIONAL, destaca Adeus, Trump é hora da União Joe, que será o 46° Presidente dos Estados Unidos, tendo ao seu lado, Kamala Harris, primeira mulher, uma negra, a chegar à vice-presidência. Histórico!
Pode Biden, curar a América? pergunta, em capa, L'OBS. Em breve, 78 anos, Joe Biden, não era seguramente o candidato ideal. Com Kamala Harris, primeira mulher a ocupar o posto de vice-presidente, ele vai provavelmente ter de trabalhar com um Senado hostil. Com um país crispado ao meio, um eleitorado republicano gangrenado pela extrema direita e a conspiração e uma crise sanitária e económica devastadora, será que Biden, conseguirá sarar as feridas da América?
Ele tinha um programa tão ambicioso como o New deal de Roosevelt, mas terá de se contentar com um poder limitado. Joe Biden não conseguiu a grande vitória que sonhou. Ele corre o risco de governar com um Senado hosti, um Donald Trump presente e uma América assaltada pela conspiração, nota, L'OBS.
Enfim, "good luck", boa sorte, destaca, L''EXPERSS, referência, a Biden, futuro presidente que quer unificar a América, mas a margem de manobra é estreita.
Donald Trump, resmunga, pela simples razão de que 75 milhões de americanos acabam de lhe dizer não, preferindo escolher Joe Robinette Biden, 77 anos, como 46° Presidente eleito dos Estados Unidos. Sábado, 7 de novembro, após 5 dias de suspense, os meios de comunicação social confirmaram o avanço definitivo de 5 milhões de votos do candidato democrata sobre o presidente cessante, acrescenta, L'EXPRESS.
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