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Silas representou a Seleção Nacional em cinco ocasiões, onde teve oportunidade de jogar com Luís Figo: “Foi o mais talentoso que apanhei”, confessa. “A primeira coisa que me chamou a atenção é que ele nunca perdia uma bola e tomava sempre boas decisões.” Silas estava no Ceuta, em Espanha, na altura em que Figo brilhava no Barcelona e essa parte também serviu de inspiração: “Nessa altura, ele era o melhor jogador que estava em Espanha.” De uma forma diferente, Silas recorda também Ricardo Quaresma com o qual privou, igualmente, na Seleção: “O Cristiano não apanhei, só joguei contra ele. Mas o Quaresma era um daqueles que eu via e achava que poderia ter atingido um patamar ainda melhor. Era mágico. A seguir ao Figo, foi o mais talentoso que vi. Figo estava num patamar diferente porque tinha um grande compromisso defensivo. Quaresma não era assim. Ele próprio diz que para trás, mandava os outros. Já o Figo, nos seus melhores anos, foi o melhor jogador que vi em toda a minha vida.” Ouça a história de Jorge Manuel Rebelo Fernandes, mais conhecido como Silas, neste episódio de Ontem Já Era Tarde.
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Noutros países, há o hábito de ver escritores consagrados entrar, pelo menos uma vez, num livro sobre futebol. Eduardo Galeano (“Futebol ao sol e à sombra”), Javier Marías (“Selvagens e sentimentais”) ou Nick Hornby (“Febre no estádio”) são alguns exemplos. Por cá, não são muitos os autores de literatura que se aventuram na crónica de futebol e a publicam em livro. Bruno Vieira Amaral escreve há seis anos para o Tribuna Expresso crónicas de futebol e preenche essa lacuna, mas aponta algumas exceções: “O António Lobo Antunes tem crónicas sobre futebol maravilhosas. Dinis Machado escreveu crónicas de futebol e estão publicadas num pequeno livro chamado “Liberdade do drible.” Fernando Assis Pacheco foi outro caso.” Apesar dos exemplos, Bruno Vieira Amaral acredita que “ainda se mantém um certo preconceito intelectual da literatura em relação ao futebol e a tudo o que seja entertenimento de massas”. O autor revela que, para ele, é precisamente o contrário. “Há muita coisa que o escritor pode ir buscar ao futebol. Há a parte da emoção, das pequenas histórias dos treinadores e adeptos ou até de uma ida ao estádio”. Ouça o novo episódio de Ontem Já Era Tarde.
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O jornalista Rui Miguel Tovar considera-se um saudosista do futebol de outros tempos e garante que há muita coisa que o irrita na forma como a modalidade é organizada nos dias de hoje. “O FC Porto é campeão europeu no dia 27 de Maio de 1987, a uma quarta-feira, frente ao Bayern. Antes disso, a 24 de Maio, joga contra o Farense para o campeonato e até perde, com um golo de Paco Fortes.” Tovar dá este exemplo para criticar os calendários atuais e o hábito de se anteciparem jogos de campeonato por causa das competições europeias. “Nessa altura, o Porto jogou três dias antes de uma final europeia. Agora que o futebol tem mais jogadores, mais departamentos, mais tudo, é que somos mariquinhas e temos de antecipar jogos? Antes eram homens de verdade, homens de barba rija. É o Bayern, é o Bayern, vamos embora.”
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O músico recorda o FC Porto-Benfica de 2012/13 decidido no último minuto com golo de Kelvin que deu a vitória aos dragões por 2-1: “Lembro-me que estava a tocar em Torres Vedras e quando entrámos para o palco, o Benfica estava a ganhar 1-0 com o golo do Lima.” Depois o FC Porto empata perto do intervalo e já nos descontos vem o barulho da celebração azul e branca ao qual Zambujo não conseguiu ficar indiferente: “Tinha pedido aos meus músicos, alguns deles portistas, para não se manifestarem, mas num golo daqueles, que decide o campeonato, é impossível”. Ouça o novo episódio de Ontem Já Era Tarde.
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Marco Caneira não tem dúvidas: “Os agentes têm muito peso, tanto nos cubes como nas seleções.” O antigo internacional, formado no Sporting, passou pelo Benfica, por empréstimo do Inter, e houve interesse em prolongar a ligação, mas os clubes acabaram por não alcançar o entendimento: “Nessa altura, tive uma reunião com um funcionário do agente José Veiga em que este me disse que só ficaria no Benfica se mudasse de empresário. Disse-lhe que não. O meu agente era o Paulo Barbosa, com quem tenho uma grande relação, e não iria mudar.” Marco Caneira diz que estas situações são “normais no futebol” e mostram a tentativa de influência que alguns empresários querem ter. Apesar deste episódio, o antigo defesa acredita que não foi por esse motivo que não continuou nas águias. “Financeiramente, era difícil para o Benfica chegar aos números pretendidos pelo Inter.”
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Depois de ter sido presidente da autarquia de Sintra, vereador em Lisboa e candidato em Odivelas, Fernando Seara assume que a sua carreira política está terminada. O mesmo não diz sobre um eventual regresso à televisão para falar sobre futebol: “Tenho imensas saudades desse tempo, do convívio, da disputa, da preparação. Acima de tudo, tenho saudades da racionalidade do debate com paixão.” Fernando Seara fez parte foi comentador afeto ao Benfica nos programas Jogo Falado (RTP), O Dia Seguinte (SIC Notícias) e Prolongamento (TVI 24). Ouça o novo episódio de Ontem Já Era Tarde.
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Fernando Pereira era um estudante adolescente quando ouviu falar da Revolução na manhã de 25 de Abril de 1974. Rapidamente se dirigiu para o centro dos acontecimentos com outros colegas de escola e sobreviveu a um episódio que jamais esquecerá: “Eu estava exatamente no local para onde a PIDE disparou umas rajadas [cinco mortos e mais de 40 feridos]. Levei um tiro no braço. Tive de ir para o hospital e tiraram-me a bala que tinha ficado alojado no pulso. Felizmente, não me deixou com danos. Mas depois a PIDE foi buscar-me ao hospital e levaram-me para o governo civil. E aí levei um enxerto de porrada. Só saí na madrugada de dia 26 de Abril quando a tropa tomou conta daquela parte e libertou a malta que lá estava.” Fernando Pereira brinca com a situação e diz que o tiro é o seu verdadeiro “atestado de anti-fascista”. Ouça esta e outras histórias do cantor neste Ontem Já Era Tarde.
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Artur Fernandes foi internacional de várias seleções jovens portuguesas onde jogou ao lado de alguns dos nomes da geração de ouro do futebol português, como Luís Figo, Rui Costa ou João Vieira Pinto. As lesões roubaram-lhe a possibilidade de ter uma carreira profissional ao alto nível. Quando decidiu deixar de jogar, queria ser treinador: “Era esse o meu objetivo. Nunca quis ser empresário”, lembra. Mas a oportunidade surgiu no ano 2000, por causa das eleições do Benfica que colocaram frente a frente João Vale e Azevedo, então presidente, e o candidato Manuel Vilarinho: “Era amigo de Vilarinho e de algumas pessoas da lista. Na altura, uma pessoa mostrou-me uns vídeos de um jogador que era conhecido como o novo menino do Rio. Era o Roger [médio criativo que representou o Benfica].” O médio criativo brasileiro era um dos trunfos eleitoriais de Vilarinho que acabaria por ganhar as eleições: “Fiz essa transferência e, a partir daí, não havia marcha-atrás para ser treinador.” Apesar de ter começado com um grande negócio, Artur Fernandes lembra que depois teve de fazer todo o caminho de “operações mais pequenas até chegar ao mercado dos grandes clubes”. Já há novo episódio do podcast Ontem Já Era Tarde.
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Sebastião Bugalho não conhece Rúben Amorim, mas admite gostar muito do treinador do Sporting: “Fazem falta mais como ele. As pessoas gostam dele e respeitam-no, tem essas características de fazer inveja a muitos políticos. Os bons líderes têm aquele equilíbrio. Aquela ideia de ‘eu ia para a guerra contigo, mas não era só por acreditar em ti, é também por gostar de ti’. O Rúben Amorim consegue fazer isso.” Apesar de ser adepto do Benfica, Bugalho gosta do momento atual do Sporting e prefere a forma como o plantel foi montado para esta época por oposição aos encarnados. “Sou um benfiquista ecuménico e também gosto muito deste momento do Sporting. Fez um bom mercado e tem um plantel equilibrado e consistente. Já o plantel do Benfica parece um bocadinho colado a cuspo”, refere. Apesar de preferir a empatia de Rúben Amorim, o comentador de política admite que gostava de entrevistar Sérgio Conceição: “Ele tem um lado mais furioso, mas consegue mobilizar soldados. Muitos adeptos do FC Porto são hoje mais adeptos de Sérgio Conceição. Há ali algo nele difícil de entender e, por isso, gostava de lhe fazer uma entrevista. Cabe ao jornalismo tentar explicar aquilo que não está à vista. É uma personalidade fascinante”. Ouça o novo episódio de Ontem Já Era Tarde com Sebastião Bugalho.
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Na SIC desde 1994, Nuno Luz tem uma longa carreira no jornalismo desportivo que o levou a conhecer algumas das maiores figuras da história do futebol. Confessa que estar, a partir de certa altura, na presença de certos craques torna-se natural e não provoca qualquer agitação, mas houve um caso especial: “A figura que mais me impressionou foi Maradona. Lembro-me dele no seu auge. Quando o conheci, teve muito impacto.” Nuno Luz estava na casa do empresário Jorge Mendes, em Madrid, a fazer um documentário sobre José Mourinho, quando foi surpreendido: “Estávamos a almoçar, o Jorge Mendes não tinha dito nada a ninguém, tocam à campainha e, de repente, quando olhas, é o Maradona.” O espanto, porém, não fez com que o jornalista da SIC perdesse a oportunidade de gravar algumas declarações do astro argentino: “O Jorge Mendes levantou-se. Eu e o Paulo Cepa, repórter de imagem da SIC, ficámos a conviver com o Maradona na sala. O Jorge conhece-me e já me tinha dito para não chatear o Maradona nem tentar entrevistá-lo. ‘Se o chateias, eu mato-te’, disse-me. Mas o Maradona perguntou-me o que eu estava ali a fazer. Expliquei-lhe que era um trabalho sobre José Mourinho e ele disse-me que queria entrar.” De repente, o Mendes voltou à sala e viu-nos já a entrevistar o Maradona. Chamou-me tudo, mas a culpa não foi minha [risos]. Foi o Maradona que pediu para entrar pela grande consideração que tinha por Mourinho.” Ouça o novo episódio do podcast Ontem Já Era Tarde.
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