Para dar nome às coisas

Para dar nome às coisas

By Natália SousaSociety & Culture
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    37 min

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Para dar nome às coisas episodes

  • S03EP84 - Isso também passa

    Muitas pessoas que já me incomodaram profundamente, hoje são só uma fotografia desbotada no fundo do armário. Várias paixões que eu achei que fossem me engolir, hoje forçam a minha memória: qual era mesmo o nome? Várias amigos com quem dividi o choro e ri a mesma alegria, hoje não sei como estão. Várias situações que pareciam ondas de dois metros, hoje não passam de poças d'água.  A vida passa, a gente passa, e tudo passa também. Ver as minhas fotos antigas me faz olhar com mais ternura para o presente. E saber: isso aqui - tudo isso aqui - um dia vai passar também. Que bom. E que pena. 

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    35 min
  • S03EP83 - O que alimenta as suas decisões

    Teve um tempo em que eu dizia “não” para muitas coisas, porque eu sempre achava que eu não estava pronta. E aí teve um dia que eu comecei a me dar conta dessas armadilhas que eu mesma criava para mim e, ao longo de um processo intenso de autoconhecimento que nunca acaba, eu comecei a dizer “sim” para as coisas que antes eu dizia “não’. Só que aí, eu percebi que tinha um terceiro degrau dessa escada, que era o melhor de todos. O terceiro degrau é aquele em que a gente sai da imposição do “sim” e do “não” para viver a liberdade que mora entre essas duas palavras. No terceiro degrau, a gente tem a chance de discernir o que a gente, realmente, quer encarar, viver, elaborar, dizer sim e aquilo que, mesmo que tenha uma torcida a favor, a nossa resposta é “não”. Mas eu levei um tempo para entender isso. E a busca por essa compreensão, me fez encontrar várias outras coisas nessa escada.

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    29 min
  • S03EP82 - Quando eu me descobri bissexual (sendo cristã)

    Se eu fizesse uma lista dos temas mais pedidos nesta mesa de bar, esse, certamente, estaria entre os cinco. e a verdade é que eu sempre considerei trazê-lo aqui, mas eu estava esperando o tempo da piscina. Você sabe como é o tempo da piscina? Ele tem a ver com aquela imagem de um dia de verão. Dentro da piscina tá a vizinha de cima, o vizinho de baixo, o seu primo de terceiro grau, a sua amiga da escola, aquela colega de trabalho. Para eles, a água tá na barriga, na canela, no ombro, no cotovelo, mas para você, não dá pé. 


    E aí – sentado na beirada da piscina – você tem que fazer uma coisa que é difícil – e importante: olhar para a sua própria história e assumir que o teu processo é único. E que o tempo dele também é. Para fazer esse episódio, eu fiz uma escolha bonita: eu esperei o tempo da piscina. Eu esperei a água bater na minha barriga. Eu esperei dar pé. E deu. E agora, eu quero te fazer companhia nessa espera, independentemente de qual seja o teu processo ou teu lugar na piscina. Cê vem?

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    42 min
  • S03EP81 - Quando a culpa paralisa

    Eu não sei o que acontece na Marginal Tietê, eu só sei que quando o trânsito parou, a minha cabeça parou junto. Eu estava de novo abrindo o microfone, pedindo a palavra e falando uma coisa que, minutos depois, eu ia me arrepender. E ia, não pelo que eu tinha dito, mas pela sensação de inadequação gigante que ia tomar o meu peito no instante seguinte. A verdade é que eu tinha calculado mal a profundidade. Eu achei que o chão estava muito mais para baixo do que ele realmente estava. E aí a sensação que veio foi aquela da piada que a gente conta e ninguém ri. Ou daquela declaração de amor que a gente faz e fica no vácuo. Ou ainda daquela coisa profunda que a gente sente, capta compartilha, mas ninguém entende. A sensação foi a de ter dito uma coisa na certeza de que aquilo ia encontrar conexão, mas o que rolou foi só um eco. E deu vontade de apagar, editar, recortar e apagar aquele momento. Mas não deu. E foi só porque não deu que eu consegui traçar um caminho libertador em meio a minha culpa. 


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    31 min
  • S03EP80 - Os dois pés no agora

    Esses dias eu peguei o meu caderno no fundo do armário e percebi que a folha de adesivos, aquela que tem na primeira página, está quase inteira, eu não usei. E isso me levou pra adolescência, porque na adolescência ninguém usava os adesivos da primeira folha, tinha que ter um momento especial. Acontece que quase sempre esse momento especial – que tinha a cobrança de ser muito especial – não acontecia ou quando acontecia, a gente esquecia que era especial e não colava o adesivo lá, na folha. E aí chegava o fim do ano e o caderno ia para gaveta ou pro armário ou para embaixo da cama e a gente perdia todos os adesivos especiais, sem perceber o momento de usá-los. E dava uma sensação de desperdício, de atraso, de pq eu não colei antes? quase sempre. Eu tenho pensado demais nos meus adesivos. Nesses que a gente vai adiando a hora de usar e, quando percebe, já passou o tempo. E é por causa disso que o episódio de hoje é um convite para você fincar comigo os dois pés no agora. 

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    31 min
  • S03EP79 - Um encontro com a paciência

    Esses dias, tomada por um cansaço existencial, eu fiz uma lista das coisas que eu queria me desprender. Enquanto escrevia, eu escutei um sussurro que dizia: "agora coloca esse papel em um copo com água." Levantei e fui para cozinha, sem saber exatamente o porquê. O copo seguiu intacto e eu demorei três dias para entender. O papel não se dissolve no primeiro contato com a água. As minhas ânsias, os meus desejos, as minhas pressas, angústias e ansiedades também não. Para algo rígido se desfazer, leva tempo. A gente também. 

    30 min
  • S03EP77 - O que a gente quer do amor?

    Nossa ideia de amor adora uma fantasia. E com ela é muito melhor sonhar com alguém que vai chegar num cavalo branco, num exame de DNA ou numa promessa de almas entrelaçadas do que arregaçar as mangas e tentar construir uma relação com quem tá ali.


    Histórias mágicas negligenciam uma verdade simples, mas decisiva: relações saudáveis são muito parecidas com plantas vivas, elas demandam atenção, cuidado, paciência e vontade, coisas que a sombra de um amor produzido nos contos de fadas não permite a gente assumir.


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    37 min
  • S03EP76 - Onde mora o teu silêncio?

    Me dou alguns silêncios. É sempre na ânsia de calar a minha voz interna, mas sempre acontece o contrário. Depois de um tempo, escuto mais. É aquela coisa do quarto escuro. Quando a gente entra, parece muito, muito escuro, mas depois as coisas vão ganhando formas. A cadeira, a cômoda, o armário. Tudo sempre esteve ali, mas no escuro e no barulho, a gente não vê. e não ouve. tudo parece breu. então é preciso tirar um tempo interno para conseguir enxergar as coisas que sempre estiveram ali, mas se perderam no barulho. o silêncio é assim para mim, tipo um quarto escuro, mas clareia.

    26 min
  • S03EP75 - Quando a gente guarda a capa do herói

    A primeira vez que eu senti aquela frustração eu tinha uns dez anos. Eu estava brincando na gangorra e sopraram no meu ouvido que a Gabriela tava chorando. Antes de entender exatamente o motivo, eu saí correndo, largando a minha brincadeira, e fui ao encontro dela, decidida a “resolver” aquela tristeza. Ela tava sentada no banco da quadra e me contou que tinha brigado feio com o irmão e, por isso, tava muito triste. Eu ouvi tudo e despejei todas as boas palavras que eu tinha para cumprir a missão Impossível que eu me dei antes de descer do balanço: arrancar um sorriso do rosto da Gabriela. Mas mesmo depois de me sentir esgotada, ela ainda continuou triste e eu, de um jeito novo, frustrada. A minha versão de dez anos não sabia, mas a mesma cena aconteceria algumas vezes anos mais tarde para que eu percebesse o lado não dito da jornada dos heróis:  eles não reconhecem os próprios limites.

    47 min

About Para dar nome às coisas

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Oi, meu nome é Natália Sousa, sou jornalista, roteirista, escritora e comunicadora. Viciada em autoconhecimento, conversas profundas e mergulhos internos (mesmo quando desconfortáveis), criei o Para…

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