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Inveja, ansiedade, controle, medo de não ser suficiente, fracasso, autosabotagem. Quantas vezes você conseguiu falar abertamente sobre esses sentimentos? Aqui no “Para Dar Nome Às Coisas” a Natália Sousa assume esse desafio toda quarta-feira. Suas experiências reais com sentimentos difíceis são acompanhadas de uma trilha sonora envolvente, levando o ouvinte a uma viagem interna transformadora. Com uma narrativa leve e honesta é impossível não dizer, ao final de cada episódio, uma das frases mais famosas do podcast: “caramba, Naty, eu sinto isso também”. Então puxa a sua cadeira que o “Para Dar Nome às Coisas” abre a sua mesa de bar exclusivamente no Spotify. Para escutar é de graça e a sensação de não se sentir só não tem preço.
Inveja, ansiedade, controle, medo de não ser suficiente, fracasso, autosabotagem. Quantas vezes você conseguiu falar abertamente sobre esses sentimentos? Aqui no “Para Dar Nome Às Coisas” a Natália Sousa assume esse desafio toda quarta-feira. Suas experiências reais com sentimentos difíceis são acompanhadas de uma trilha sonora envolvente, levando o ouvinte a uma viagem interna transformadora. Com uma narrativa leve e honesta é impossível não dizer, ao final de cada episódio, uma das frases mais famosas do podcast: “caramba, Naty, eu sinto isso também”. Então puxa a sua cadeira que o “Para Dar Nome às Coisas” abre a sua mesa de bar exclusivamente no Spotify. Para escutar é de graça e a sensação de não se sentir só não tem preço.
Eu tinha cinco anos e talvez por isso só lembre do essencial. E o essencial era: um bolo de brigadeiro com bolinhas prateadas cobrindo ele todo. Aquelas bolinhas pareciam uma coisa de outro mundo, o meu bolo também. Tenho 34 anos e o tempo não foi capaz de gastar a sensação que eu tive quando vi aquele bolo na mesa, logo depois da frase: é o bolo do seu aniversário! Anos mais tarde, minha tia me contou que a decoração fazia parte de um disfarce. Ela tinha queimado uma parte grande, porque era a primeira vez que tinha feito a receita, depois de um pedido aflito da minha mãe. Desesperada com o tempo curto e com o imprevisto, ela correu no mercado e comprou aquelas bolinhas para dar um jeito. Quando ela trouxe o bolo para minha casa, ela só conseguia pensar na parte queimada, mas eu não. Eu tinha cinco anos e com cinco anos a gente sabe canalizar a nossa energia para o que importa. E o que importava era: o meu bolo de aniversário era bonito demais. Nem preciso dizer que foi o bolo mais gostoso da minha vida, né? Além de ter brigadeiro, era prateado. Essa memória me acompanhou até hoje e saltou para me salvar semanas atrás, quando um pico de ansiedade quase fez uma sombra grande numa felicidade recente. E eu digo quase, porque antes dela me tomar por inteiro, eu lembrei desse dia do bolo prateado. E me dei conta que adultecer é diferente de amadurecer. Adultecer é somar idade, amadurecer é saber que o adulto crítico precisa da ajuda da mente plena da criança para olhar as coisas pelo todo. O adulto crítico precisa dar espaço para ela. Enquanto a gente pensa na parte queimada, a criança tá lá canalizando a energia dela pro que realmente importa, a realidade inteira. O episódio é sobre isso.
Te encontro 00:01? Você vem e chama quem? edição @valdersouza1 identidade visual @amandafogaca texto e voz: @natyops
A solitude para mim não foi um acontecimento. Ela começou com uma dor, virou uma meta, passou por uma construção e, por fim, virou uma descoberta deliciosa da qual eu não abro mão mais. Porque se solitude tivesse um sinônimo, para mim, ele seria liberdade.
A primeira vez que eu experimentei essa sensação de estar só e, ao mesmo tempo, bem acompanhada, eu tinha uns 15, 16 anos. Eu lembro de pouca coisa naquele dia, mas não me esqueço da sensação que me tomou o corpo quando saltei do ônibus e vi a pinacoteca ali na minha frente. Enquanto caminhava para a entrada, eu sentia que tinha algo especial acontecendo em mim, como uma porta recém-aberta que te apresenta um novo horizonte e, por mais que você o abandone ou não cultive, você não é mais capaz de desver. Uma vez vista, a paisagem se instala no seu peito e faz parte de você, para sempre. Te transforma.
Naquele dia, eu percebi que eu era o meu próprio veículo, um veículo completo, e que, por isso, podia me levar para onde eu quisesse. Foi nessa nave que eu construí minha ideia de relacionamentos saudáveis, uma das minhas primeiras noções de autoestima e também foi onde eu aprendi diferenciar solidão de solitude. Veja, eu achava que estava saindo só, mas, na verdade, estava me encontrando em mim. Impossível esquecer aquela primeira vez.
Na identidade visual: @amandafogaca na edição: @valdersouza1 e no texto: @natyops
u demorei para entrar no consultório da Renata dizendo, com franqueza e leveza, que eu estava com inveja. Assim como boa parte das pessoas vivas, eu aprendi que entre os sete pecados capitais, tinha um que eu não podia assumir de jeito nenhum, e era esse. Até porque assumir que a gente tem inveja, é como perder a identidade: você deixa de ser filho, irmão, sobrinho. Deixa te der uma cor preferida, uma profissão, um rg, um signo, uma porção de complexidades e de subjetividades para se tornar uma coisa só: invejoso. E aí, como toda coisa que a gente teme - e joga no fundo do armário - a gente vai transformando a inveja num monstro de oito cabeças, sete pernas e vinte flechas capaz de destruir tudo, quando, na verdade, é um sentimento como qualquer outro e que, embora desconfortável, pode revelar um monte de coisa sobre a gente mesmo.
.Texto: @natyops edição: @valdersouza1 identidade visual: @amandafogaca
Amanda me contou esses dias que o pai dela tem uma horta. A tradição começou com o avô que, todo fim de domingo, levava os filhos para pegar pé de alface, de couve e um punhado de mandioca. A horta é um dos jeitos do pai dela se conectar com quem foi o avô e com o que ele deixou. Ela estava me contando isso, quando me falou de um imprevisto grande que aconteceu numa plantação de alface que o pai dela fez e isso que era só sobre algo muito distante da minha realidade, virou um aprendizado fundo sobre controle, ansiedade e esperança.
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Por causa das nossas projeções a gente arruma brigas, se apaixona, rompe relações, cria conflitos, se mete em ciladas, recebe indiretas que nunca foram para gente, pede desculpas por problemas que só existem na nossa cabeça e – muitas vezes – se coloca no centro do universo. A má notícia é que não tem como viver sem projetar e a boa é que quanto mais a gente se conhece, se percebe, mergulha dentro de si, se observa em profundidade, mais fácil ou mais rápido a gente consegue perceber as nossas projeções e separar o que é da gente e o que é do outro. E é essa chave que nos ajuda a bater a seta para esquerda e sair de uma confusão que a nossa própria mente desenhou. E projetou.
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Eu não sei se tem comprovação científica para isso, mas eu sinto que a vida, vez ou outra, dá umas reprisadas em alguns capítulos da nossa história para ver se, dessa vez, a gente vai reagir de outro jeito. É aquela situação que você já viveu – ou que é muito parecida com algo que que você já experimentou. – e que de repente tá ali, acontecendo de novo. Se repetindo. Às vezes os personagens são outros, o lugar é outro, o enredo é outro, mas toca no mesmo lugar do seu corpo. Cutuca naquela mesma ferida que fez você fugir. Ou mergulhar de cabeça. Ou fingir que não era com você. Aquilo parecia ter ficado para trás, mas de repente a vida tá lá, com a mão no controle remoto, nos colocando na mesma situação. E o que resta saber é: agiremos do mesmo jeito? Ou faremos algo completamente diferente do que já fizemos? As respostas para essas perguntas, na minha vida, tiveram a ver com o tema de hoje.
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Na minha casa tinha uma grande estante de madeira. Um dia, minha mãe chamou todo mundo na sala e, com a voz firme, disse: “o que não serve mais, vai pra doação”. Enquanto os livros iam para caixa, eu ia sentindo uma dor funda no corpo. Mas não era por causa dos livros, era porque a sala, aos poucos, estava ficando diferente do que eu conhecia. E, aos dez anos, eu amava coisas conhecidas. Aos 34, também. Mas na última semana, durante uma meditação, eu me dei conta, mais uma vez, que a vida é fluxo. E lutar contra ele é tipo manter um livro que não faz mais sentindo na estante. Pesa, ocupa espaço e não deixa novas experiências chegarem para gente.
Um dia, durante um café, uma amiga me contou a história de uma professora. todos os anos ela entrava na sala de aula e promovia uma experiência que poderia mudar o olhar - e a postura diante da vida - daqueles alunos. minha amiga, que tinha acabado de entrar na escola, ficou encantada, e me disse: “como é que essa mulher não está na capa de um grande revista? Ou na manchete de um grande jornal? Ou viralizada nos grandes portais?” Eu não soube responder a pergunta, mas aquela conversa me fez mergulhar numa reflexão importante, que foi: em tempos de algoritmos, é urgentemente necessário diferenciar popularidade de relevância. Porque há pessoas extremamente relevantes, que nunca tiveram mais do que dez curtidas na sua rede social preferida ou que mudaram o mundo, mesmo sem ter um post bem curtido no Instagram. A história nos dá bons exemplos disso, mas não raro, a gente confunde as duas coisas.
Texto @natyops Identidade visual: @amandafogaca edição @valdersouza1
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