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Parece romântica a narrativa. A pessoa leva vários nãos, mas no fim do sexto capítulo ganha um beijo e uma declaração de amor que faz a gente suspirar tranquilo na sala do cinema – ou de casa – e acreditar que se a gente aguentar só mais um pouquinho, o final feliz também vai bater à nossa porta. Como se o amor fosse o fim de uma trajetória de sacrifícios, uma medalha pela resistência alcançada, um prêmio pelas abdicações concedidas. Como se o amor precisasse ser suado para ser merecido. Como se o amor fosse uma luta, uma prova de força, uma trilha de obstáculos, um cabo de guerra, uma batalha com nocaute e não uma parada que é boa. Não sei se teve mais alguém que se incomodou com aquilo, mas eu fiquei com vontade de escrever para o autor que não tem final feliz, quando a gente não está feliz. Se o preço do amor é a dor, acredite: não é amor.
Tenho aprendido com o meu próprio corpo a questionar as minhas armaduras, a deixar que a minha pele, as minhas versões, as minhas ideias, os meus caminhos se renovem. A soltar o velho, a abrir-me ao novo. Tenho trocado de pele, de caos, de caminho. E nessa troca, concordado com a frase que ecoou na minha cabeça, horas depois do último show na pré-pandemia, e era: “é tudo novo de novo.” Mas para ser, eu percebi: existe um grande caminho.
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@paradarnomeascoisas
Acho que as pressões estéticas começam a perder força na nossa vida, quando a gente tira o carimbo de aprovação da mão do outro. Eu descobri isso, numa noite, em que eu saí de casa me sentindo gata e voltei duvidando da minha sanidade. Para começar a desatar esse nó, eu tive que voltar léguas atrás e responder algumas perguntas: em quais lugares a minha imagem ganha mais peso do que a minha sensibilidade? Para quem, com quem, em quais ambientes a minha ideia sobre mim é questionada? Quantas pessoas, hoje, eu tenho na minha vida - e no meu feed - que lutam contra esse padrão estético de beleza irreal e não a favor dele? Em quais situações esse assunto que não é um valor para mim, vira um valor para mim? Esgarçar o padrão de beleza que me foi ensinado, me deu impulso para questionar quem me questiona. Essa pessoa está falando de qual beleza? O que é beleza para essa pessoa? Eu sou capaz de ver beleza quando ninguém vê? Eu não sabia, mas esse era só o começo do caminho.
Eu acho que perdão não tem a ver com absolver ao outro, mas desconectar o nosso coração daquilo que nos feriu.
Aceitar o que a gente sente é tipo cuidar das rachaduras da casa que a gente mora, sabe? É preciso olhar, aceitar, reconhecer pra não colapsar, para a estrutura não ceder, para o teto não cair na nossa cabeça. Porque eu não sei se vc sabe, mas casa e corações abandonados colapsam, desabam, desmoronam. E esse é outro lembrete: sentimentos difíceis não somem quando são negados, mas podem ganhar um outro significado quando são vividos, sentidos, elaborados.
Expectativa é sempre um molde que a gente costura pro outro, mas que prende a gente mesmo. Nesse episódio, eu volto em dois momentos em que isso aconteceu. Em um deles, as minhas expectativas foram destroçadas, feito um prato de vidro que cai no chão, espalhando os pedaços por vários lugares onde a gente não alcança. No outro, criou várias frestas numa imagem que eu julgava firme e infalível. Em ambos os casos, me restou uma coisa grande e nova: a descoberta do lado bonito das coisas que não acontecem do nosso jeito.
Eu estive na escola da minha infância pra votar. enquanto eu procurava a sessão, eu percebi que a escada que ligava o pátio à diretoria só tinha cinco degraus. isso seria absolutamente insignificante se - naquela época - essa mesma escada não me parecesse tão enorme e desafiadora. seria algo só sem importância se isso não tivesse me causado uma profunda reflexão sobre as escadas da minha vida - aquelas que pareciam intransponíveis e que hoje tem só um tamanho real, tipo, às vezes, cinco degraus. me fez também pensar nas escadas que me parecem muito maiores na minha cabeça e que eu ainda não alcanço. me fez, sobretudo, revistar o passado e encontrar na minha própria história a esperança que eu buscava - insistentemente - para o futuro. Me fez ancorar em paz.
Comunicar o que sente é difícil na maioria das vezes, mas vale a pena. Se eu sei as regras do jogo, fica mais fácil jogar. Fica mais fácil respeitar. Fica mais fácil contribuir com a jogada, aplaudir no momento certo. E aí com a minha transparência e com a sua, a gente pode encontrar um meio do campo. Um denominador comum. Aquele momento em que a jogada de um é perfeita para o outro. O mais legal do despertar para esse processo, é que ao passo que a gente vai respeitando as nossas regras, fica muito mais fácil e - urgente - respeitar a dos outros. Só tem ganho, mesmo quando a gente perde.
Um dia, durante uma consulta de terapia, quando eu falava sobre a minha decisão de não assumir um desafio profissional que a maioria das pessoas com quem eu convivia no meu trabalho da época queriam, a Renata me disse: “tudo que se destaca vira alvo, Natália. Tudo que se destaca vira alvo.” Eu não demorei muito para perceber que o destaque ao qual a Renata se referia, muitas vezes, não era sobre algo extraordinário, mas sobre bancar uma decisão de ser aquilo que, para gente, faz sentido ser. Ou não ser. Mas tinha algo que eu só aprenderia mais tarde e é: pior do que o julgamento do outro, é o nosso autojulgamento.
É por aí que vai a nossa mesa de bar dessa semana. Você vem? Eu amo quando você diz que “sim”. ❤️🙃00:01 no @spotifybrasil e no @deezerbr quem cuida da edição é o @valdersouza1 quem cuida da identidade visual a @amandafogaca um beijo, @natyops
Têm semanas que eu emburreço propositalmente. Não me atualizo nas notícias que não são da minha área de atuação, não me aprofundo nos assuntos da semana, não leio artigos importantes, não vejo os filmes recém lançados que são imperdíveis, não sintonizo nas pautas urgentes, não me esforço mentalmente para ouvir todos os lados de um mesmo assunto para que aí eu tenha uma visão clara da questão. Nessas horas, respeito o meu cansaço, e volto de novo pro banco da quadra, quando eu tinha dez anos. Éramos quase vinte crianças tentando disputar a melhor ideia para fazer o jogo acontecer. Em determinado ponto, a turma se dividiu. Metade defendia um jeito, metade o outro. Como crianças saudáveis de dez anos, os dois gritavam, sem trégua. Mas diferente das outras vezes, em que eu sempre tentava convencer os outros do meu ponto de vista, naquele momento, me pareceu que a melhor ideia era sentar no banco e esperar que eles se decidissem. Aquilo não era importante e me deu uma súbita preguiça de discutir. Eu não sabia, mas naquele momento eu tinha acertado o momento de me recolher, de tirar as peças do jogo, de sentar na arquibancada. Eu não sabia, mas eu estava ensinando a minha versão do futuro que muitos dos nossos cansaços são feitos de espaços que a gente não respeita.
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