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Em Mocambique, o governo e os seus parceiros de cooperação procuram restaurar o mangal que tem sido destruído e bastante explorado ilegalmente para a construção de habitação entre outras infraestruturas bem como para fabrico do carvão.
É a luta pela sobrevivência de muitas famílias que se socorrem do mangal para vários fins.
Testemunha uma destas situações o ambientalista Carlos Serra.
Encontro -me no mangal da Costa do sol , mangal este que ao longo dos anos tem sofrido as mais diversas ameaças , infelizmente desde a poluição passando pelos aterros e construções ilegais.
Um de muitos exemplos no bairro da Costa do sol, na cidade de Maputo. Tem sido assim também em vários pontos deste vasto Mocambique onde o abate do mangal ocorre sob sob o olhar impávido e sereno de quem devia travar estas práticas.
Esta ilha não estava assim... totalmente estava ela cheia de salgal então quando acabaram de estar a cortar o salgal totalmente ficou tudo assim como ilha. E, então esta erosão está a tornar , a ir mais fora , a destruir todas as nossas casas. Aqui no meu bairro , caíram muitas casas e até o próprios cemitérios já estão danificados através da erosão.
A floresta de mangal é abatida para dar lugar a construção de residências e de infraestruturas diversas.
E há aqui várias situações de venda de terra. Também infelizmente são negócios imobiliários ilícitos que ocorrem nas nossas barbas, negócios estes que são contra a lei no sentido de que a legislação proíbe este tipo de acção em ambiente marinho e costeiro.
Nós temos um regulamento que é bastante claro sobre esta temática , portanto, não pode haver de modo algum, atribuição de um direito de uso e aproveitamento da terra quando nós estamos numa situação de uma terra com estatuto especial de protecção e o mangal está hoje protegido à luz da lei . Aliás é crime de acordo com o código penal e da lei do mar fazer este tipo de acção. É crime , portanto, crime punido com pena de prisão.
Umas por ocupação ilegal, outras sob licença e autorização das autoridades municipais o que tem estado a levantar questionamentos entre os cidadãos devido aos impactos resultantes desta acção humana .
É crime porque mesmo a erosão já nos está a invadir, estamos em perigo mas tudo isso podemos ver que não é por acaso, porque quando queremos ver , estas casas estão construídas nos mangais e as vezes estão parceladas mas não sabemos quem parcelou.
E dos ambientalistas como Regina Charumar também se levantam discussões e questionamentos.
Retira-se quantidade imensa de mangal sem conhecimento nenhum. Porque acredita-se que é uma árvore , que é qualquer especie que não seja tão importante e não se faz a relação da perda do mangal e perda de espécies. Então, quando nós chegarmos ao ponto de que o próprio cidadão ja tenha conhecimento suficiente sobre isso, nós teremos consideravelmente a redução da perda do mangal.
Apesar de existir uma legislação que penaliza a destruição do mangal , este recurso tem sido alvo de exploração elevada devido à pobreza avança o Fundo mundial para a natureza o que leva à sua degradação em alguns locais.
As maiores taxas de degradação do mangal estão localizadas ao redor das principais cidades como Maputo, Beira, Quelimane e Pemba , uma situação que é preciso reverter, é preciso fazer cumprir a lei diz Regina Charumar.
Esta lei é para ser usada e é para justamente dar esse suporte legal para a questão ambiental, para a questão dos mangais na essência . Então, não podemos olhar só para a lei de forma teórica . As leis só são exequíveis, são eficientes se tiverem o suporte no sentido de ter alguém que vá fiscalizar.
Nos últimos tempos, a população tem estado a ganhar consciência do mal que se causa as especies marinhas e ao ambiente neste país que é Moçambique cada vez mais vulnerável aos desastres naturais.
Testemunhos de populares: “Não sabíamos que protegia-nos nem . Cortávamos para usar para casa.”
“Cortava o mangal, também não sabia que o mangal protege muita coisa”
“Até que muito mais é para o caranguejo. O que eu sei dizer , ja ouvi que caranguejo produz mais nos mangais , no matope , ( lama) , agora quando já há construção de casa eles também ficam sem como sobreviver no mar.”
As autoridades ligadas ao sector do mar pescas e águas interiores de Mocambique consideram que a comunidade deve continuar a ser sensibilizada a proteger o mangal.
É preciso dizer as populações que este mangal é importante para a vida delas para a vida de pessoas e a vida dos animais, em particular, aqueles aquáticos , portanto, temos que sensibilizar e também fazer com que eles participem e eles assumam, apropriem-se desta actividade.
O governo moçambicano corre contra o relógio para a reposição do mangal .
São já milhares de hectares perdidos mas também recuperados nos últimos três anos, através do replantio com base na estratégia de gestão do mangal aprovada em 2020.
Espaço também essencial para a qualidade do ar que nós respiramos , portanto libertando oxigénio e absorvendo dióxido de carbono e outros gases poluentes . Espaço também essencial por causa de ser berço da biodiversidade. Sem mangal não há peixe junto a costa , espaço também essencial em termos de cartão de visita da cidade, é um lugar verde, mas aqui está mais uma situação de agressão e de violação da lei.
Moçambique ganha entretanto um novo aliado na restauração do mangal. A empresa Blue Forest, especializada em projectos de carbono azul que detém um dos maiores projectos de restauração de mangais no mundo e vai abranger as províncias de Sofala e Zambézia, em Moçambique.
Este projecto considerado demasiado ambicioso e denominado MozBlue, propõe se a plantar cerca de 200 milhões de árvores de mangal numa área total de 155 mil hectares, com vista à recuperação dos ecossistemas costeiros da região.
E sabe-se já que num primeira fase, o projecto MozBlue irá restaurar 5 116 hectares de costa degradada na província da Zambézia.
Este projecto, de acordo com a empresa implementadora, não se limita à recuperação ambiental, mas também traz benefícios para as comunidades locais.
O MozBlue será o primeiro projecto de remoção de carbono que vai ajudar as comunidades envolvidas a obter certificados de terras, promovendo a segurança fundiária nas zonas abrangidas.
Até 2030, espera-se a criação de cerca de 5 mil empregos sazonais e permanentes em 300 comunidades nas províncias da Zambézia e Sofala, oferecendo novas oportunidades económicas para a população local.
Pio Matos governador da província da Zambézia, não tem duvidas da mais valia deste projecto de restauração do vasto ecossistema de mangais de Moçambique, o segundo maior de África.
O mangal é preservar todo o ecossistema que está a sua volta. Estamos a falar dos peixes, dos caranguejos, de tudo, estamos a nós auto-preservar. É preservar a espécie humana porque Deus criou a natureza e depois disse ao homem: Gere, usa mas usa não para destruí-la mas sim para aproveitar dela para o seu melhor sustento, para a sua melhor utilidade . Então, é isto que nós viemos dar o alerta porque este deserto que nós encontramos aqui é também resultado da mão humana. É verdade, não por mal mas porque precisávamos da estaca do mangal para construirmos a nossa casa , precisávamos da estaca, do tronco do mangal para fazermos a nossa lenha e assim fomos avançando. Mas hoje precisamos de ver que ficamos sem a lenha, ficamos sem a estaca mas continuamos a precisar e aí, ficamos até sem o peixe , ficamos sem o caranguejo então é muita coisa e depois ficamos com esse clima todo completamente adverso aquilo que era ontem. Precisamos também para além de fazer esta actividade de criar meios alternativos para que a comunidade possa ter , continuar a construir as suas casas sem usar as estacas.
O coordenador provincial do Instituto oceanográfico de Mocambique na Zambézia revela que só nesta província serão restaurados mais de 18 mil hectares de mangal à luz do projecto Moz Blue.
A primeira fase começa em Novembro e vai terminar em Janeiro do próximo ano. Portanto, está estimado a restauração de cerca de 1200 hectares nessa fase e depois noutra fase , de fevereiro até Setembro do próximo ano , está previsto restaurar perto de 2 216 hectares. E a outra fase, e a última, para o primeiro projecto e o restante tempo do próximo ano está previsto para restaurar 1700 hectares. Então, como é um projecto grande, na estratégia deles de implementação , eles vão ter parceiros com que vão trabalhar.
Daniel Maualeque acredita no sucesso da restauração tendo em conta que a província da Zambézia detêm mais de 150 mil hectares de floresta de mangal e, pouco abaixo da metade está em risco de desaparecer por fatores combinados ação humana e a erosão.
A Blue Forest: eles vão vender o carbono sequestrado nestas áreas e, desta venda 30 a 35% será revertido a favor das comunidades, em projetos sustentáveis lá nas comunidades porque esta questão do corte de mangal aparece como alternativa de subsistência.
Ao longo dos 60 anos de duração do projecto MOZ BLUE, perspectiva-se que a plantação de mangais remova aproximadamente 20,4 milhões de toneladas de dióxido de carbono da atmosfera, contribuindo deste modo para a mitigação das alterações climáticas a nível global, segundo explicação dada em comunicado pela Blue Forest, empresa com sede nos Emirados Árabes Unidos.
Segundo os ambientalistas, os mangais são conhecidos pela sua capacidade de absorver mais dióxido de carbono do que outras espécies de árvores, além de protegerem as zonas costeiras contra fenómenos climáticos extremos e de sustentarem os recursos pesqueiros.
Este projecto faz parte de um portfólio mais amplo da Blue Forest, que inclui iniciativas de remoção e prevenção de carbono em África e na Ásia, cobrindo mais de 215.000 hectares em países como Tanzânia, Guiné-Bissau, Costa do Marfim, Vietname e Indonésia.
E é pela sua importância que se comemora a 26 de Julho de cada ano, o Dia Mundial para a Conservação do Ecossistema de Mangal.
A Casa da Cultura da Guiné Bissau tem apenas alguns meses de existência e ainda não tem espaço próprio, mas a energia das pessoas que congrega é intensa e está na origem de uma agenda rica de eventos que têm agitado diferentes espaços da capital portuguesa. Imbuída pelos ideais de Amílcar Cabral, e tento como grande foco a celebração do centenário do "pai da independência de Guiné-Bissau e Cabo Verde, a Casa da Cultura Guiné-Bissau organizou, este mês, dois eventos de particular interesse.
Esta sexta-feira realizou o Colóquio sobre o Legado Cultural de Amílcar Cabral, sob o lema: "Cultura - um factor de libertação e de construção do progresso".O evento teve lugar na Torre do Tombo, em Lisboa, e criou um espaço de debate sobre o papel da cultura como motor de transformação social, inspirado pelo pensamento revolucionário de Cabral, para quem "a luta de libertação é, antes de mais, um acto de cultura".
A outra iniciativa é oCiclo de Cinema Caminho de N'Tchanha, que acontece até domingo no espaço Casa do Comum, na capital portuguesa. Os filmes seleccionados permitem um olhar sobre a rica produção cinematográfica guineense e africana, abordando temas como memória, identidade e as lutas de libertação, criando-se, assim, um momento ímpar para debater o legado cultural e político de Amílcar Cabral e reflectir sobre as suas contribuições para a libertação dos povos directora da Casa da Cultura da Guiné Bissau, Rita Ié, falou com a RFI, e começa por nos explicar o conjunto de actividades que tinham programado para realizar este ano no quadro das celebrações do centenário de Amílcar Cabral.
O artista plástico guineense, Nú Barreto, radicado em França, realiza pela primeira vez uma exposição individual em Cabo Verde. Intitulada “Des-Obra” a exposição, que se encontra patente na Galeria Bela Duarte, no Centro Nacional de Arte, Artesanato e Design (CNAD), na ilha de São Vicente celebra o legado de Amílcar Cabral, reflecte sobre o seu pensamento e acção revolucionária disse à RFI, na cidade do Mindelo, Nú Barreto.
“É uma exposição que é virada para questionar o que nós fizemos com o legado de Cabral. É como se fosse Cabral a interrogar-nos sobre o legado que ele deixou. Talvez Cabral tivesse muita dificuldade, pela sua humildade, em questionar as pessoas sobre o seu legado. Eu achei que deveria pegar no legado de Cabral e questionar a sociedade, o que nós fizemos com o legado de Cabral. Há partes da obra de Amílcar Cabral, ou por boa vontade ou má vontade, em que houve más explicações. E achei que há uma desconstrução da obra de Cabral. Daí é que eu fui, pura e simplesmente, em vez da obra, pela ‘Des-Obra’ de desconstrução. De algo que teremos que lutar para lá chegar, para já temos que perceber quem é Cabral, o que é Cabral em si, para lá chegar. Então, foi por causa desta corrida atrás de desconstrução da obra de Cabral que eu dei o título da minha exposição, "Des-Obra". É verdade que no meu percurso nunca tinha abordado nada sobre o Cabral. Não porque não houve convites, houve convites. Nunca quis relatar Cabral só por um simples desenho, uma simples pintura de retrato de Cabral, porque achei que já são coisas que foram feitas. E desta feita eu acho que não tinha nada a acrescentar nesse sentido. E eu teria que abordar Cabral num outro sentido, numa outra forma. Forma que é muito mais especial, muito mais virada à minha própria linha. Que eu achava que talvez assim, interrogável, seria muito mais interessante. Pelo menos na minha parte”, disse Nú Barreto.
O artista guineense afirmou que as suas exposições não precisam de códigos, “entrar nessa exposição ‘Des-Obra’ não exige nenhuma preparação, foi trabalhada para facilitar muito a compreensão. E é muito fácil de perceber. A as pessoas vão compreender dando volta à exposição. E é muitíssimo fácil porque abordei questões que são conhecidas. Questão que o próprio povo, é comum entre os dois povos. Por exemplo quando se diz aqui em Cabo Verde, Cabral Ka Morri (Cabral não Morreu), sabemos do que se trata. Na Guiné, quando dizemos também Cabral Ka Morra, sabemos do que é que falamos. Então, eu fui buscar temáticas. São assim, à volta da sociedade, aquilo que é conhecido. Mas também fui além disso, jogando com esse aspecto que o Cabral defendeu da cor preta e branca. Vê-se ao longo da exposição. Porque trabalhei à volta de duas fotografias só, essa exposição toda. Então, é muito fácil as pessoas encontrarem algo para discutirem. E encontrarem facilmente um instante de repouso, um instante de questionamento. Que eu acho que é muito mais importante, a meu ver, dentro dessa exposição”.
Nú Barreto disse que Amílcar Cabral nunca extraiu a cultura na sua própria ideologia. “A cultura sempre teve um lugar bastante importante. E que é mesmo de destaque que ele fez questão. Porque soube perfeitamente que era este o caminho para começar a construir uma nova sociedade com uma outra mentalidade. E aquilo partia-se de cedo, muito cedo. E pronto. Então, sendo assim, Cabral é uma pessoa que navegou com o poético. Dentro desse percurso da minha exposição, há pontos que criam essa lembrança. Só o facto de pegar nesta ideia de Cabral de que a luta é um acto cultural. Entrar dentro de uma exposição no qual abordamos o legado. Eu acho que, de uma ponta à outra, o percurso poético encontra-se também dentro desta leitura. Ou, pelo menos, desta escrita”.
De acordo com Nú Barreto, a exposição “Des-Obra” que decorre no âmbito do primeiro centenário de Amílcar Cabral seria também para acontecer na Guiné-Bissau, mas devido a situação política vivida naquele país optou-se somente por Cabo Verde.
“Lamento imenso, o nosso percurso não permitiu que esse sonho fosse possível. Fiz tudo o que foi possível para mim.Mas as condições actuais não me permitem apresentar esse trabalho na Guiné. Só sabe o destino, como é que aquele país precisa de voltar a questionar o legado de Cabral para se integrar dentro daquilo. Não havendo capacidades, não há condições para acolher esse projecto na Guiné. Por isso, simplesmente, acabei por decidir que a exposição ficasse aqui em São Vicente. Realmente, estamos numa situação bastante complicada a nível político. E isso, efectivamente, não permitiu que eu me arriscasse a apresentar essa exposição na minha terra. Lamento bastante, mas pronto, vou fazer com as pessoas que estão à altura de perceber. Ou, pelo menos, faço a proposta para que as pessoas que estão interessadas em perceber aquilo que o Cabral ofereceu à sua vida, porque ele ofereceu à sua vida. Foi o sonho dele, conseguiu. E pronto, porque não, também nós tentamos lutar para conseguir os nossos sonhos através de uma ideologia, de uma coisa que já foi feita. O homem fez, agora era só nós seguirmos aquilo”, afirmou o artista plástico guineense.
Nú Barreto, que regressa agora a São Vicente, 26 anos depois de ter participado de uma bienal de jovens artistas disse que a “Des-Obra” está ligada a uma segunda exposição colectiva sobre a ideologia de Amílcar Cabral a ser organizada pela arquitecta Paula Nascimento e da historiadora Ângela Coutinho, que é a curadora científica da exposição “Des-Obra”.
“O projecto tem duas partes, no qual, quando o Artur Marçal, que é o diretor do CNAD, falou-me sobre a ideia de conciliação desses dois projectos que faziam inteiramente sentido juntarmos para podermos fazer um trabalho sobre o Cabral, porque os dois projectos falam sobre o Cabral. Aceitei logo porque, pronto, fazia sentido integrar o meu projecto no projecto da Ángela Coutinho e da Paula Nascimento. Como dizia também que elas já tinham começado esse projecto há muitos anos. Pronto, assim é que nasceu essa ideia de exposição que começava no dia 12 de setembro, que era a data de aniversário do Cabral, com uma exposição individual minha e depois seguia uma outra exposição colectiva com artistas convidados de Angola, de Cabo Verde, de Guiné, de Moçambique, e que esse projecto teria uma itinerância que nós estamos a trabalhar actualmente, arduamente, que é para ver se alargamos mais a itinerância desse projecto a palcos que merecem ver realmente as abordagens dos artistas sobre a ideologia de Cabral, sobre o pensamento do homem”, disse Nú Barreto.
Em entrevista à RFI, a historiadora Ângela Coutinho falou sobre a exposição colectiva sobre a ideologia de Amílcar Cabral que vai acontecer numa das galerias do CNAD e segue depois outros espaços a nível mundial, dizendo que esta junção nasceu de um encontro feliz com o Nú Barreto.
“Houve um encontro feliz entre todas as nossas ideias e projectos. Claramente no Barreto, penso que da nossa região aqui da África Ocidental, talvez entre os lusófonos africanos, é o artista plástico mais reconhecido internacionalmente, daí o facto de ele ter-se dedicado a um projeto de exposição individual para assinalar, comemorar o centenário de Amílcar Cabral, foi para nós uma grande alegria e mais valia saber que ele tinha feito esse investimento, e desde logo, como ele explicou, conversámos, acertámos, houve um grande entendimento com as direções do CNAD, anterior e esta, relativamente à filosofia da nossa abordagem, a nossa preocupação, como diz o Nú, é interpelar a sociedade. A interrogação que eu e a Paula Nascimento nós fizemos foi, porque é que ele importa? Para que é que interessa, afinal, Cabral? Hoje, se pensarmos nos jovens cabo-verdianos, por exemplo, eu assumo-me como cabo-verdiana, pedi a nacionalidade, o meu pai é de São Vicente. Vim para cá há 20 anos, estive a trabalhar no ensino superior, na área de História, e pude observar que, de facto, o Estado de Cabo Verde não tem agarrado com todas as mãos a História de Cabo Verde, não é só a de Cabral, ou da luta de libertação, a História. E, por outro lado, há uma grande procura, uma grande reivindicação, por parte dos jovens, em relação a Cabral, porque fala-se de Cabral todos os anos a 20 de Janeiro, e se virmos a televisão, as pessoas dizem sempre o mesmo. Mas, afinal, o que é que ele fez? Falta enquadrar, contextualizar. E, então, este projeto com a Paula Nascimento, que é, neste momento, a curadora de Arte, eu acho, também da África Lusófona, ela é angolana, com a maior projeção.Está encarregue de Bienais de Arte pelo mundo fora, tem prémios nos Estados Unidos, organiza exposições na África do Sul, em França, é responsável pela parte africana da Feira Internacional de Arte Contemporânea ARCOlisboa. É conselheira da Fundação Gulbenkian, quer dizer. Então, eu fui ter com esta pessoa e fui pedir que fizéssemos um projecto ambicioso, que estivesse à altura de Cabral, do prestígio de Cabral, e que pudesse, de facto, sair de Cabo Verde, e com essa ajuda dela, dos contactos que ela tem e do nível de conhecimentos, que pudesse sair daqui, produzindo aqui, para os melhores museus do mundo. Este é o nosso desafio. O facto de termos conseguido, digamos assim, cruzar, combinar o nosso trabalho com o do Nú Barreto, só veio a engrandecer este trabalho. Então, temos uma segunda fase, que será uma exposição colectiva, com artistas convidados, que reflectem estes temas. Em Cabo Verde será César Schofield, Ângelo Lopes, Sónia Vaz Borges, que é da diáspora, temos também artistas de Portugal, Filipa César, Diogo Bento, temos de Angola, Mónica de Miranda, e mais outros artistas da Guiné. Esta será a segunda fase", disse a curadora científica e historiadora, Ângela Coutinho que avançou que a equipa que inclui o artista, Nú Barreto, está a negociar com galerias de vários países que podem receber a exposição colectiva sobre Amílcar Cabral de artistas de alguns países da CPLP.
Por ora encontra-se patente ao público na Galeria Bela Duarte, no Centro Nacional de Arte, Artesanato e Design, no Mindelo, na ilha de São Vicente a exposição “Des-Obra” de Nú Barreto, uma atividade que marca também as comemorações do primeiro centenário de Amílcar Cabral.
Macau participou nos Jogos Paralímpicos com uma atleta no salto em comprimento, Hao Lei Chio. Para esta jovem tem sido uma alegria misturada com nervosismo estar em Paris, com o Comité Paralímpico de Macau a
Na sexta-feira à noite, Hao Lei Chio, uma macaense de 17 anos, abrilhantou a final feminina do salto em comprimento nos Jogos Paralímpicos de Paris 2024, conseguindo a sua melhor marca da temporada saltando 4,17 metros. Hao Lei compete na categotia T20 para ateltas com dificuldades intelectuais.
A participação desta jovem, a única atleta que Macau trouxe a estes Jogos Olímpicos é um feito, já que devido à pandemia de covid-19, os treinos pararam e esta região não pode participar de todo nos Jogos de Tóquio.
Hao Lei começou a dar nas vistas em termos desportivos desde a escola primária, tendo passado por vários desportos até se dedicar plenamente ao salta em comprimento. A RFI esteve com esta atleta e a sua intérprete ajudou-nos a perceber qual o seu sentimento ao pisar no Stade de France e competir pela primeira vez numa final olímpica.
"Ela está muito contente de estar aqui, ainda por cima é a primeira participação dela nos Jogos Paralímpicos. Foi muito impactante ver milhares de pessoas no estádio para a ver competir. Claro que ficou um pouco nervosa, mas mais contente do que nervosa. A partir do segundo salto ela já estava muito mais à vontade", explicou-nos a sua intérprete.
Para Hao Lei tem sido uma experiência única participar nestes Jogos, tendo já feito amigos de outras nacionalidades e pensa já na sua participação em Los Angeles 2028.
"Ela tenta ajudar os outros atletas sempre que pode, ajuda-los a resolver problemas. E esta experiência faz com que ela esteja ainda mais motivada para continuar a dar o seu melhor e participar nos próximos Jogos", descreveu.
Outra das motivações de Hao Lei é saber que a sua participação pode inspirar outras pessoas com deficiencia a praticarem desporto.
Macau, que é internacionalmente denominada como uma Região Administrativa Especial, não participa nos Jogos Olímpicos, mas tem um Comité Paralímpico Internacional e participa há várias décadas nos Jogos Paralímpicos. Por isso, esta região que actualmente é administrada pela China após vários anos de pertença a Portugal, está muito empenhada nesta participação nos Jogos de Paris 2024 como nos explicou o Secretário-Geral do Comité Paralímpico de Macau, Kuai Hong Cheong, em declarações à RFI.
"Temos muito empenho em participar neste jogos. Por sermos uma região pequena, não temos muitas pessoas com deficiencia, mas trabalhamos em conjunto com o Governo, as escolas e outras entidades para identificarmos potenciais atletas e motiva-los a praticarem desporto. E, assim, ajuda-los a alcançar o sonho paralímpico", disse o responsável pela equipa de Macau.
Os anos da pandemia não ajudaram os atletas macaenses já que muitos não poderam participar em competições internacionais durante um longo período, o que os impediu de acumularem pontos e de classificarem para vir até Paris como Hao Lei.
Quanto a esta participação em Paris, a equipa macaense diz estar agradavemente surpreendida pelas condições e acolhimento da França.
"Desde logo Paris é uma cidade muito bonita e muito romântica, portanto estamos muito impressionados por estar aqui. Há algumas diferenças em relação a outros Jogos no passado, como o transporte ou a Aldeia Olímpica. Sabemos que antes de aqui chegarmos houve algumas polémicas com o facto de não haver ar condicionado por ser mais ecológico, mas sinceramente, acho que nem precisamos de ar condicionado aqui em Paris. Quanto à competição em si, tudo tem corrido bem e é similar a outros Jogos", explicou
O Comité espera agora poder levar mais atletas até Los Angeles, em 2028, e que os Jogos Paralímpicos sejam cada vez mais reconhecidos em pé de igualdades noutros países, como já acontece em Macau.
"Não deve haver qualquer distinção entre Jogos Olímpicos e Jogos Paralímpicos. Esperamos que o grande foco seja sempre ter a melhor organização possível, ter a maior igualdade possível entre atletas e, claro, encorajar cada vez mais pessoas com deficiencia a praticarem desporto e a chegarem aos Jogos Paralímpicos", concluiu o secretário-geral.
Macau tem agora encontro marcado com os Jogos Paralímpicos em 2028!
Teófilo Freitas é o único atleta timorense a participar nos Jogos Paralímpicos de Paris 2024. É recordista asiático na distância de 400 metros e corre também nos 1.500 metros. Defende que nestes jogos, os atletas paralímpicos estão pé de igualdade com os olímpicos a nível desportivo, mas acrescem ao seu desempenho as dificuldades e desafios do quotidiano.
Teófilo Freitas tem 31 anos e é recordista asiático na distância de 400 metros e corre também nos 1500 metros. Na capital francesa já correu os 400 metros, classificando-se no sétimo lugar na final da categoria S38. Esta é uma categoria para atletas que têm problemas de coordenação.
Virou-se para o desporto para conseguir acabar os seus estudos superiores em Díli, mas o desporto, especificamente o atletismo, acabou por se tornar a sua vida. Não conseguiu concluir o curso de Engenharia de Geologia e Petróleo na Universidade de Díli, mas teve acesso a uma casa ao tornar-se atleta paralímpico.
Rapidamente o perfil de Teófilo Freitas deu nas vistas e em 2018 foi duplamente medalhado de ouro nos Jogos da ASEAN que se realizaram na Malásia, com Timor-Leste a ter a melhor prestação de sempre nessa edição.
O orgulho de dar a conhecer o seu país, um dos mais jovens do Mundo, tem alimentado o sonho paralímpico de Teófilo Freitas. Este sonho está a realizar-se em Paris, já que em Tóquio, devido à pandemia, o timorense acabou por não participar no evento.
Pela primeira vez na Europa e após 18 horas de voo para chegar à capital francesa, este especialista da corrida está impressionado com a acessibilidade da cidade e destes Jogos, algo que não acontece na sua cidade natal, a capital de Timor-Leste, Díli.
Mais do que isso, durante este Jogos, Teófilo Freitas considera que os atletas paralímpicos estão em pé de igualdade com os olímpicos a nível desportivo, lembrando que os paralímpicos lidam com muito mais dificuldades no dia a dia.
"Na minha terra não há grandes facilidades e aqui é tudo mais acessível, em Timor-Leste temos mais dificuldades, temos muitos atletas só que não há grandes facilidades para continuar a treinar e apostar no desporto paralímpico. Aqui os atletas paralímpicos estão em pé de igualdade com os atletas olímpicos. O que os olímpicos fazem, os paralímpicos também fazem, mas com mais dificuldades materiais e menos facilidade o que muitas vezes os impede de praticarem desporto", declarou Teófilo Freitas aos microfones da RFI.
A estreia nos Jogos Paralímpicos aconteceu esta semana, no Stade de France, e foi uma experiência inesquecível para este timorense.Com 75 mil espectadores este é o maior recinto desportivo de França e, durante os Jogos Olímpicos, o palco por excelência de todas as nações do Mundo.
Em Díli, Teófilo Freitas trabalha na inclusão de outras pessoas portadoras de deficiência no desporto e diz que o seu país tem a ambição de trazer mais atletas para mais desportos nos Jogos de Los Angeles em 2028. No entanto, falta formação e apoio do Governo. Para este atleta, resta o sonho de chegar aos Estados Unidos da América daqui a quatro anos.
Há um ano, São Tomé e Príncipe assumiu a presidência da CPLP. “Juventude e Sustentabilidade" foi o lema escolhido por São Tomé e Príncipe para sua presidência. Sendo um tema transversal, São Tomé e Príncipe pretende que até ao fim do seu mandato, haja compromisso na assunção de maior responsabilidade com a juventude.
A RFI entrevistou Gareth Guadalupe, ministro dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Comunidade de São Tomé e Príncipe, que preside actualmente o Conselho de Ministros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa.
RFI: São Tomé e Príncipe está a meio do seu mandato. Qual o balanço que faz?
Gareth Guadalupe, ministro dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Comunidade de São Tomé e Príncipe: Eu creio que estamos precisamente a meio do nosso mandato. Não sei se não estaria a ser precipitado dizer que é positivo. Não sei se não estaria a ser muito optimista em dizer que é positivo. Podemos dizer que é positivo, mas o que importa é que cheguemos no final da nossa presidência, de facto, com um resultado positivo.
Não gostaria de antecipar, mas o que gostaria aqui de dizer é que nós, dentro daquilo que são as nossas possibilidades e naturalmente, em concertação com todos os outros Estados-membros, vamos tudo fazer para que deixemos alguma marca durante a nossa presidência para o tempo da CPLP.
Por isso, desde já, dizer que almejamos que seja positivo. Mas creio que agora, no meio do mandato, ainda poderá ser um bocadinho cedo para dizermos, porque há variáveis que não estão sob o nosso controle e nós temos que ter noção que em 2025, em termos daquilo que é a geopolítica internacional, poderá haver muitas variáveis que não estão sob controlo da comunidade da CPLP.
O país assumiu a presidência da CPLP num contexto geopolítico mundial assaz difícil. A persistência da guerra na Ucrânia, com todos os seus contornos, o conflito do Médio Oriente, tensões políticas, militares, sociais em África, para além de outros cenários em outras partes do globo onde se inserem geograficamente alguns dos seus membros. Este facto tem alguma influência nos mecanismos de concertação político-diplomática da CPLP?
Sim, naturalmente. Por isso é que esta reunião informal de chefes de Estado e de Governo que nós gostaríamos que acontecesse agora à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas, também é uma oportunidade para os chefes de Estado e de Governo possam concertar. Não só favorece a concertação político-diplomática, não só sobre aquilo que tem a ver com a nossa própria comunidade, como também além-fronteiras da nossa comunidade.
Naturalmente que pode ter algum impacto, porque nós somos uma comunidade em que temos países em quatro continentes e isso faz com que, muitas vezes, a agenda doméstica de cada país possa, de certa forma, influenciar naquilo que é hoje um sim e amanhã pode ser um não, dependendo de como houvera a evolução.
Temos países ao nível do continente americano, ao nível do continente africano, do continente europeu, do continente asiático e naturalmente, em cada continente tem os seus problemas, tem as suas vicissitudes, tem as suas especificidades. É importante que essa concertação político-diplomática seja permanente, precisamente para mitigar e evitar os impactos que o que pode acontecer num continente e impactar aquilo que são as decisões ou aquilo que seria o óptimo do consenso que nós gostaríamos de alcançar ao nível da nossa comunidade CPLP.
Qual é o seu comentário, na qualidade de presidente do Conselho de Ministros da CPLP, relativamente à situação política na Guiné-Bissau?
Uma vez mais, aqui estamos a falar de uma questão da não ingerência nos assuntos internos de cada Estado-membro da CPLP. Isso faz parte de uma das principais premissas da nossa organização CPLP. Isto foi uma decisão tomada ao nível da Cimeira de Chefes de Estado e do Governo, que teve lugar a 27 de Agosto de 2023, em São Tomé e Príncipe, e qualquer decisão que justifique esta alteração ela terá que ser tomada a este nível: a nível da Cimeira de Chefes de Estados e do Governo da CPLP.
Não estou a dizer que isso seja um assunto da agenda ao nível da próxima reunião, mas posso adiantar que São Tomé e Príncipe, tendo a Presidência, nós vamos fazer circular um convite a todos os chefes de Estado e de Governo da CPLP que estarão na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, e teremos oportunidade ali de ter todos os chefes de Estados e do Governo da CPLP e teremos uma reunião informal, porque a reunião formal só poderá ter lugar quando São Tomé e Príncipe entregar a Presidência ao próximo país. Que até agora, a decisão que existe, é que seja entregue à Guiné-Bissau, porque uma das premissas da CPLP é não ingerência nos assuntos internos de cada Estado-membro.
Nesta reunião informal, os chefes Estados são soberanos, se alguém quiser levantar esta questão e aproveitar esta reunião informal, porque é uma reunião que nós estamos a promover para que haja concertação político-diplomática entre os Estados-membros da CPLP e não só sobre os assuntos ligados à própria comunidade como tal, mas também concertação política-diplomática em relação às agendas internacionais, um posicionamento que a CPLP deve ter relativamente a várias matérias da agenda internacional que fogem à própria comunidade, mas que a comunidade tem uma palavra a dizer neste sentido.
Alguns países da CPLP vão este ano realizar eleições. É o caso de Moçambique, cuja eleição está prevista para Outubro. A CPLP, obviamente, está a acompanhar este processo, embora tenha o seu princípio de não ingerência em assuntos internos dos seus Estados-membros.
Desde logo, nós temos, como uma das premissas a nível da CPLP, a não ingerência nos assuntos internos de cada país. Ao nível dessas eleições é da prática da CPLP, enviar uma missão de observadores.
Nesses dois Estados-Membros [Moçambique e Guiné-Bissau] não será diferente. Por isso, nós teremos lá a missão de observadores, precisamente para garantir que o processo seja transparente.
Qual é a marca deste primeiro ano de mandato de São Tomé e Príncipe na presidência da CPLP?
À margem da COP 28, que teve lugar no ano passado, Portugal e São Tomé e Príncipe assinaram um memorando que permite a conversão da dívida que os países têm com Portugal em financiamento climático. Portanto, nós entendemos que isto é algo que podemos também estender este exemplo aos outros Estados-membros da CPLP e Cabo Verde também o fez no mesmo dia em que São Tomé fez a assinatura do memorando.
Este memorando permite que todas aquelas dívidas que já foram contraídas no passado, nós podemos utilizar para mitigar, para financiar projectos que mitigam os impactos ambientais.
A questão da mobilidade coloca-se actualmente com maior acuidade devido à enorme emigração de jovens para a Europa, mormente Portugal. Como é que a presidência santomense tem estado a lidar com este fenómeno?
Falando de São Tomé e Príncipe, no concreto, que tem agora a presidência, a política que nós queremos implementar e que também foi vista ao nível da última reunião dos ministros da CPLP, é apostar muito na formação profissional. Muitas vezes damos muita importância à formação superior e não apostamos tanto na formação profissional.
"O Casal Palavrakis - Os leprosos" é a peça que marca a estreia em Moçambique do Movimento de Teatro Experimentação dos Sentidos.
O colectivo de artistas oriundos de diferentes países dos PALOP surgiu em Portugal no auge da pandemia de COVID-19.
O actor, encenador e autor moçambicano Venâncio Calisto é um dos membros fundadores do "Movimento".
No espectáculo que agora apresenta no Teatro Avenida, em Maputo, conta com os actores Adelium Castelo e Lizha Fox para dar corpo ao "diálogo" que estabelece entre um drama da espanhola Angélica Liddell e o texto "Os leprosos" da autoria do próprio Venâncio Calisto.
Amor, violência, paternidade, família, traumas de infância, doença, cura, o Teatro em Moçambique e nos países da CPLP, são alguns dos temas abordados durante a entrevista de Venâncio Calisto à RFI.
Depois das apresentações em Moçambique, em Maputo e na Beira, a peça "O Casal Palavrakis - Os leprosos" vai estar em Cabo Verde no festival de teatro Mindelact
Este sábado é o terceiro de quatro dias do Festival Internacional de Música da Baía das Gatas, que este ano celebra quarenta anos. Um dos festivais de música mais antigo do mundo e o maior de Cabo Verde teve na abertura a cantora brasileira Ivete Sangalo que em duas horas e 20 minutos de atuação mostrou-se apaixonada por São Vicente e pelas gentes de Cabo Verde.
Ivete Sangalo, homenageou a maior embaixadora de Cabo Verde no mundo e uma das maiores cantoras do país – Cesária Évora, que no dia 18 de Agosto de 1984 cantou no primeiro Festival da Baía das Gatas.
Quarenta anos depois, a brasileira Ivete Sangalo fez um tributo à Diva dos Pés de Calços através da projecção da imagem de Cesária Évora num ecrã gigante e interpretando a música "Sodade", acompanhada de milhares de pessoas na praia da Baía das Gatas.
Após a homenagem a Cesária Évora, Ivete Sangalo disse no palco que quer voltar mais vezes a Cabo Verde, visto que teve muitas informações boas sobre a terra de Cesária Évora, São Vicente, mas viver pessoalmente a cultura na ilha tem outro sabor.
“Sentir de perto é outra história. Esse lugar é lindo, esse país é lindo, forte, mas o que se tem de melhor nesse lugar é o povo. Meu Deus! Eu me senti muito amada aqui, podem ter certeza que é recíproco. Esse vai ser o primeiro de muitos encontros. Estou dando a minha palavra a vocês. Obrigada por quererem o meu show aqui” declarou no palco a cantora Ivete Sangalo para depois descatar que estava vestida das cores da bandeira de Cabo Verde e disse que queria que o seu espetáculo ficasse na história porque ser “uma ‘gata’ na Baía das Gatas”.
Depois em declarações à imprensa Ivete Sangalo reafirmou a vontade de voltar à ilha de São Vicente.
“Os outros artistas que vieram aqui me fazem ciúme, inveja, porque eu ainda não tinha vindo. Agora eu vou voltar, me exibindo muito. Lugar lindo, mais lindo ainda esse povo, carinho, respeito. Sou muito grata pelo convite de estar aqui. Espero estar aqui o quanto antes pra viver de novo essa emoção” disse a cantora brasileira agradecendo o convite.
Em entrevista à RFI, o director da empresa produtora do Festival Internacional de Música da Baía das Gatas, a Staff Promo, Nuno Sérgio disse que montar um festival da envergadura da Baía das Gatas não é fácil, ainda mais o evento de celebração dos quarenta da sua criação.
“Para nós montar o elenco dos 40 anos da Baía das Gatas é um desafio. É um desafio porque todos os artistas nacionais e internacionais, aqueles que têm mais aproximação a Cabo Verde, sentem-se convidados automaticamente. Então é gerir esta questão. Temos artistas que se ofereceram para vir para o festival. Artistas que nós convidamos, que são artistas novos, como a Ivete Sangalo, por exemplo, o TAYC, que é da França, o T-Rex, que são artistas novos no nosso certame, Mas acaba por ser um desafio. Tentamos equilibrar, trazendo lembranças antigas, como Vlu, que vai apresentar um concerto diferente, como os Kings, que foram a primeira banda a tocar no primeiro festival. Então, para nós foi uma pesquisa. Ficaram alguns representantes fora porque são 3 dias, este ano 4, mas não conseguimos pôr toda a gente. Mas ficou também o compromisso de que o festival continua. São os 40 anos, mas o festival continua. Cada ano que passa nós aumentamos mais um pouco a qualidade, seja a qualidade musical, a qualidade dos artistas que vêm. E uma coisa que eu posso garantir é que cada artista que estiver em palco vai ser show” disse Nuno Sérgio da Staff Promo.
E, quem já passou pelo palco de celebração dos quadragésimo aniversário do Festival Internacional de Música da Baía das Gatas foi Gelson Patrick de Oliveira, o artista MC Acondize, de 28 anos de idade, considerado uma das maiores referências a nível de entretenimento em Cabo Verde e na diáspora. MC Acondize que levantou do chão o público (na maioria adolescentes e jovens) na praia da Baía das Gatas.
Aos microfones da RFI, o artista MC Acondize disse ser grato por estar no Festival Internacional de Música da Baía das Gatas pelo segundo ano consecutivo.
“Gratidão, gratidão, gratidão é sentir-se satisfeito. Estou mesmo feliz, estou mesmo feliz em voltar. No segundo ano consecutivo, ano passado eu fechei o festival. Este ano, na comemoração de 40 anos, estou bem feliz” disse MC Acondize afirmando que no seu trabalho pocura sempre partilhar um pouco da sua história, o seu percurso difícil e “apelar os jovens a não consumirem álcool e outras drogas. Como eu não fumo e não bebo, então tento transmitir isso para eles também”.
Para além dos espectáculos musicais, o Festival de música de Baía das Gatas tem outras actividades paralelas que acontecem na praia do mesmo nome como prova de hipismo com a participação de cavalos de todas as ilhas. E onde são atribuídos os maiores prémios da competição no país em valores monetários que variam dos mil aos três mil euros, nas outras competições em festas de romaria, os prémios monetários nunca ultrapassaram os mil euros.
Também, um outro aspecto que marca o Festival da Baía das Gatas é a convivência entre familiares e amigos. São centenas de pessoas que acampam na praia. Artur Rodrigues e a sua família são os resistentes que desde os primeiros festivais ficam por mais de uma semana na Baía à procura de momentos de convívio.
“Estamos aqui desde 1985, somos no total uns 10. E ficamos pelo menos uma semana antes do festival e depois do festival para montar tendas e ajudar outras pessoas a montar as tendas também. É um bom momento de convivência” disse o professor, Artur Rodrigues.
Por sua vez, o presidente da Câmara Municipal de São Vicente, Augusto Neves disse que é com grande esforço que autarquia local e os seus parceiros realizam o Festival da Baía das Gatas.
“Com muito esforço, muito trabalho, muita gente colaborou e está colaborando nisso. E só assim era possível, porque sozinhos não conseguiríamos. Há muita gente envolvida nisso, trabalhando e ajudando para que fosse possível realmente arrancar a esse nível. Estou muito satisfeito. Aliás, esperava isso. Esperava esse comportamento da população. Nós não temos dúvidas da artistas, sabemos o nível de artista, sabemos que ia acontecer tudo isso” disse o presidente da Câmara Municipal de São Vicente, Augusto Neves numa referência ao primeiro espectáculo do festival que aconteceu na quinta-feira passada. E ainda concluiu que “o povo de São Vicente merece, a nossa cultura merece e a ilha e o país muito mais”.
A edição de celebração dos quarenta anos do Festival Internacional de Música da Baía das Gatas na ilha de São Vicente continua na noite deste sábado e tarde/noite de domingo com mais 26 artistas e bandas. Entre os quais Nhone Lima, o autor da música considerada o hino do festival da Baía das Gatas.
Página Câmara Municipal sobre Baía das Gatas
https://www.facebook.com/cmsaovicente
Página Baía das Gatas 1984
https://www.facebook.com/baiadasgatas1984
A existência de "censura", de uma "epidemia de fome" e de um "Estado ditatorial" em Angola, são algumas das denúncias feitas pelo jurista, autor, editor, jornalista e activista Sedrick de Carvalho.
A entrevista à RFI surgiu a propósito da apresentação do livro "Autores e Escritores de Angola 1642-2022", uma publicação que funciona como um guia de autores e escritores de Angola espalhados pelo mundo, que tem como co-autores Sedrick de Carvalho e Tomás Lima Coelho.
Sedrick de Carvalho,que aos microfones da RFI afirma que em Angola "as coisas estão continuamente a degradar-se, apesar de existirem iniciativas cívicas muito boas", começa por explicar como surgiu a terceira edição do livro "Autores e Escritores de Angola 1642- 2022" lançado pelas editoras Elivulu e Perfil Criativo.
link editora Perfil Criativo: https://shop.autores.club/pt/inicio/384-autores-e-escritores-de-angola-1642-2022.html
link editora Elivulu: https://sites.google.com/view/elivulu-editora?fbclid=IwAR1-d8JthBc477TXMLibRTeM9VKmxjXLLg1B2gc4MRZjYDrZoM5favLAlZw
O décimo sexto e último dia dos Jogos Olímpicos de Paris 2024, 11 de Agosto, fica marcado pela maratona feminina e pela final de basquetebol feminino entre França e Estados Unidos da América.
Marco Martins estiveste a acompanhar a final de ciclismo de pista e, contrariamente ao que se previa, Portugal é campeão olímpico na especialidade madison. Como é que se viveu a prova no velódromo?
Marco Martins: Foi um fim de tarde excepcional para Portugal porque antes da corrida, por exemplo, ouvi alguns jornalistas espanhóis que estavam a fazer a lista dos favoritos e posso dizer que nos cinco ou seis favoritos não estava a equipa portuguesa nesta prova do Maddison, ou como alguns chamam a prova americana. Foi uma prova que foi criada nos Estados Unidos, no Madison Square Garden, no ginásio onde jogam várias equipas de basquetebol e foi aí que foi criada esta prova, uma prova de 200 voltas.
Durante essas 200 voltas, a cada dez voltas marcam-se pontos para uma classificação final. A equipa portuguesa composta por Iuri Leitão, que já tinha vencido uma medalha de prata na prova de omnium, e por Rui Oliveira, que substituiu o irmão gémeo Ivo Oliveira, que se tinha lesionado há poucas semanas. No início, os portugueses foram discretos e por volta das 150 voltas do fim começaram a aparecer, fizeram dois ou três sprints, conseguiram ganhar um dos sprints, passaram para a frente com oito pontos. Até às últimas 50 voltas não se viu a equipa portuguesa. Quando chegou o momento das últimas 50 voltas, Portugal apareceu em grande. Visto que nos últimos cinco sprints, Portugal venceu quatro, inclusive o último, que conta a dobrar. Conclusão e para surpresa do público foi Portugal que terminou no primeiro lugar: Iuri Leitão e Rui Oliveira, com 55 pontos, à frente dos italianos e dos dinamarqueses. Esta foi a medalha de ouro, a primeira medalha de ouro para Portugal nestes Jogos Olímpicos em Paris.
Os Estados Unidos da América conquistaram o quinto ouro consecutivo frente à França, por 98 a 87, na final do basquete olímpico masculino de Paris-2024, na Bercy Arena. Nos últimos minutos, os franceses aproximaram-se do marcador para igualar com os norte-americanos, mas não foi suficiente?
É verdade que os franceses acreditaram até ao fim que conseguiam dar a volta ao resultado e vencer os Estados Unidos. Quando se olha realmente para o jogo, vê-se que cada vez que os Estados Unidos aceleraram, cada vez que estiveram em perigo, souberam sempre marcar mais pontos para alargar a vantagem, o que mostra também o poder desta equipa dos Estados Unidos, composta unicamente por atletas da NBA. O campeonato norte-americano, que é visto como o melhor campeonato do mundo mesmo se os franceses lutaram bem nesta final. Parecia ser algo impensável ver os Estados Unidos com jogadores como LeBron James, como Stephen Curry perderem o ouro olímpico. O jogo foi acompanhado por estrelas norte-americanas, entre elas Snoop Dogg, que esteve em todos os jogos.
Pela primeira vez na história dos Jogos Olimpicos são as mulheres que sobem aos pódios no último dias?
Desde o início que os Jogos Olímpicos de Paris tentaram passar a mensagem de que seriam os jogos da igualdade, da paridade entre os sexos e foi o que aconteceu. No fundo, viu-se muitas vezes as provas femininas encerrarem as próprias modalidades, não somente hoje no dia de encerramento dos Jogos Olímpicos, mas também em certas modalidades, como o futebol, o voleibol. Por que motivo deveriam ser sempre os homens a encerrar a modalidade ou encerrar os Jogos Olímpicos? Os Jogos Olímpicos são para todos, sempre foram para todos, para os homens e para as mulheres. Paris decidiu ser o primeiro país a decidir que, por uma vez, seriam as mulheres a encerrar os Jogos Olímpicos. Veremos se isto continua, porque em 2028 será em Los Angeles, nos Estados Unidos. Em 2032 será em Brisbane, na Austrália
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