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  • "O desporto é a única ferramenta que une toda a nação", diz presidente do Comité Olímpico de Cabo Verde

    Filomena Fortes, presidente do Comité Olímpico de Cabo Verde, já está de olhos postos em Los Angeles 2028 e quer uma maior presença de atletas cabo-verdianos, esperando que as autoridades do país se apercebam da importância do desporto para a união nacional. Quanto à fuga de atletas, Fortes, que preside a organização de todos os comités lusófonos, diz que se deve assinar um memorando de entendimento para que os países africanos não saiam prejudicados quando Portugal oferece melhores condições.

    Cabo Verde leva de Paris a sua primeira medalha olímpica, mas também a responsabilidade de continuar a manter o nível de excelência que permitiu a David de Pina ser terceiro classificado na sua categoria de peso no boxe.

    Filomena Fortes, presidente do Comité Olímpico de Cabo Verde, ainda está em Paris, mas já pensa nos Jogos Olímpicos de los Angeles de 2028, uns jogos onde Cabo Verde trará mais atletas, mais modalidades e, se as autoridades cabo-verdianas permitirem, onde os atletas serão mais apoiados evitando o perigo de fuga para outros países ou mesmo o abandono do desporto.

    "O que eu gostaria que mudasse realmente é que começássemos a ver o desporto com mais seriedade e a fazer planos a longo prazo. Para mim os jogos já acabaram e neste momento nós já estamos a pensar em Los Angeles. Então é isso que nós queremos que mude essa forma de ver o desporto, essa filosofia de perceber que o desporto é a única ferramenta que une uma nação. Esta medalha do David uniu toda uma nação, não só Cabo-Verde, mas os cabo verdianos na diáspora. [...] O Comité Olímpico sozinho não pode fazer o trabalho. É preciso perceber que o David, desde Tóquio, é bolseiro olímpico. Obviamente que a bolsa não dá. São só 750 euros. Nós gostaríamos de trabalhar de mãos dadas com o próprio governo de Cabo Verde para criar condições aos atletas. Há vários Davids em Cabo Verde, espalhados por todo o Mundo também", indicou Filomena Fortes

    Com os olhos postos no futuro, a presidente do Comité Olímpico de Cabo Verde, que é também presidente de todos os comités da lusofonia e integra ainda o Comité Olímpico Internacional, está a saborear o momento e considera que a preparação dos atletas foi a chave para o bronze olímpico.

    "Eu acho que o essencial foi toda a preparação, todo o trabalho feito desde Tóquio. Nós queríamos entrar neste novo ciclo, que agora termina de uma forma diferente, dando oportunidade aos nossos atletas de terem as melhores condições. Penso que foi a dedicação também dos atletas [que permitiu a medalha] e todas as condições que nós criámos. O Comité Olímpico não só deu a bolsa aos atletas, mas teve uma equipa multidisciplinar atrás deles, com psicólogo, com médico, como preparador físico, com nutricionista durante o tempo que eles tiveram bolsa. E eu penso, principalmente para o David, foi fundamental também a ajuda da nossa psicóloga. Aquilo que ele falou de ter que regressar às obras e deixar de treinar. Claro que o treinador também teve uma importância muito grande na vida dele, mas, como eu lhe disse de forma geral, foi a planificação destes jogos para os atletas que teve um grande impacto", explicou.

    Para esta dirigente desportivo, com repsonsabilidades acrescidas na lusofonia, os países que integram a CPLP devem assinar um memorando de entendimento de forma a evitar a fuga de atletas dos países africanos para Portugal, já que este país lhes oferece melhores condições, mas também apoiar mais os atletas nos seus países de origem.

    "É claro que os países africanos da lusofonia são os mais prejudicados, certo? E então nós já pensámos em criar um código de ética que seja assinado entre todos os países da lusofonia. E eu sei que São Tomé, nós já conversámos sobre isso e já discutimos isso numa atleta que acho que até ficou em 15.º lugar, não é [Agate De Sousa]? Mas temos que pensar também porque é que os atletas fogem para os outros países? Porque lhes dão melhores condições. Então nós temos que começar a dar essas condições aos nossos atletas, nos nossos países, não é? Se eles tiverem boas condições, eles não fogem. Se falarmos do David de Pina. O David já ganhou uma medalha, agora espera que lhe possam dar essas condições para poder ir para Los Angeles. E se o Governo de Cabo Verde não lhe der essas condições, obviamente que ele terá que pensar ou desistir, ou ir para um país que lhe dê essas condições", concluiu Filomena Fortes.

    15 min
  • Pedro Pichardo procura uma medalha na final do triplo salto

    Ao décimo terceiro dia dos Jogos Olímpicos de Paris, o atleta português, Pedro Pichardo, procura uma medalha depois de ter saltado uma só vez para chegar à final do triplo salto, com o melhor salto da qualificação, 17,44 metros.
     

    Esta quarta-feira, 7 de Agosto, o que se passou no Stade de France foi incrível: Pedro Pichardo apresentou-se no concurso do triplo salto, na fase de qualificação para chegar à final. No mínimo, os atletas tinham que fazer 17 metros e dez centímetros ou estar entre os 12 melhores para seguir para a final. O português precisou apenas de um salto, apresentou-se com um boné virado ao contrário - é preciso lembrar que o boné trava no ar a dinâmica do salto - e conseguiu 17 metros de 44 centímetros. Foi o melhor salto de todos os atletas presentes.

    Pedro Pablo Pichardo é um antigo cubano naturalizado português. O segundo melhor resultado de ontem foi do espanhol Jordan Diaz, que representa a Espanha, o antigo cubano saltou 17 metros de 24 centímetros. Há ainda outro cubano, agora italiano Andy Díaz, nesta que é uma verdadeira guerra, no bom sentido, para ir tentar alcançar essa medalha de ouro.

    A vantagem para Pedro Pichardo é que o português já venceu o ouro olímpico em 2021, em Tóquio, no Japão. Quanto a Tiago Pereira, o outro português na prova, não conseguiu ultrapassar os 16 metros e 36 centímetros, acabando por ser afastado da final.

    Esta quinta-feira, 8 de Agosto, começa o ciclismo de pista e a prova conta com o actual campeão do mundo português Iuri Leitão que também pode conquistar uma medalha. Iuri Leitão conseguiu o feito de ser campeão do mundo e o primeiro campeão do mundo português em ciclismo de pista na prova de omnium. A prova conta com quatro corridas que são realizadas em diferentes tempos. A prova começa esta quinta-feira a partir das 17h00 hora local, mas a última será às 19h30. Quer dizer, em duas horas e meia a quatro corridas. Os pontos são conquistados durante essas corridas e fazem com que haja uma classificação, nessa classificação veremos que pontos terá Iuri Leitão, e se existe a possibilidade de conquistar mais uma medalha para Portugal.

    4 min
  • Portugal perde batalha com Brasil no ténis de mesa

    Portugal foi eliminado pelo Brasil na primeira ronda de ténis de mesa por 1-3, à melhor de cinco, no acesso aos quartos-de-final do torneio de equipas nos Jogos Olímpicos de Paris.

    O trio português do ténis de mesa foi formado por Marcos Freitas, Tiago Apolónia e João Geraldo. No primeiro encontro de pares, Marcos Freitas e Tiago Apolónia perderam frente aos brasileiros Vítor Ishiy e Guilherme Teodoro por 3-2, com os parciais de 12-10, 11-9, 7-11, 8-11 e 12-10.

    Hugo Calderano venceu João Geraldo por 3-0 (12-10, 11-5 e 11-7) e aumentou a vantagem do Brasil. No terceiro encontro, o português Marcos Freitas reduziu o marcador, ao triunfar sobre Guilherme Teodoro, por 3-0 (11-7, 12-10 e 11-4).

    No quarto encontro, João Geraldo foi batido por Ishiy, por 3-2, pelos parciais de 14-12, 8-11, 8-11, 11-9 e 14-12.

    No futebol, a França enfrenta o Egipto e Marrocos joga contra a Espanha. Estas são as duas meias-finais do torneio de futebol masculino dos Jogos Olímpicos Paris-2024.

    Na fase de grupos, Marrocos conseguiu vencer por 2 1 a Argentina. Depois conseguiu perder frente à Ucrânia por 2-1 e finalmente, foi uma vitória por 3 -0 frente ao Iraque que ditou o apuramento para os quartos-de-final. Do lado do Egipto, na fase de grupos, a equipa egípcia empatou a zero frente à República Dominicana, venceu por 1-0 o Paquistão e por 2-1 a Espanha. As duas equipas seguiram para os quartos-de-final, onde o Egipto acabou por vencer por 5-4 na marcação das grandes penalidades, após um empate a uma bola frente ao Paraguai. Quanto a Marrocos, acabou por esmagar por 4-0 os Estados Unidos. 

    4 min
  • Casa de Cabo Verde é "ponto de encontro" da comunidade durante Jogos Olímpicos de Paris

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    A Casa de Cabo Verde abriu há uma semana em Epinay sur Seine, junto a Paris. Este espaço quer ser a casa de todos os cabo-verdianos instalados em França durante os Jogos Olímpicos de Paris. Aqui vai discutir-se o futuro do desporto em Cabo Verde, com interações directas com o Comité Olímpico e com os atletas cabo-verdianos presentes em França.

    Dina Mendes, empresária cabo-verdiana em França, foi desafiada por Filomena Fortes, presidente do Comité Olímpico de Cabo Verde a organizar este evento e espera que toda a comunidade passe por este espaço vindos de Saint-Denis, nos arredores de Paris, e de outras partes de França.

    "Este lugar vai estar mesmo cheio, porque é a Casa de Cabo Verde oficial aqui nos Jogos Olímpicos. E claro, iniciámos com um jantar com o Presidente. É por aqui que os atletas vão passar, junto com os patrocinadores que os apoiaram e é claro que faz sentido toda a comunidade vir até cá", disse Dina Mendes.

    A Casa de Cabo Verde contou na sua abertura com um jantar de inauguração onde esteve presente o Presidente de Cabo Verde, José Maria Neves. Outras figuras da comunidade, como Pedro Delgado, dirigente associativo, estiveram presentes e considera que a comunidade está a viver um momento único de união à volta dos sete atletas olímpicos presentes nos Jogos de Paris.

    "A comunidade cabo verdiana em França está a viver este momento como um momento inesquecível, um momento único, um momento de união, um momento de fraternidade, um momento realmente um momento em que por muita gente vai ser uma única vez na sua vida", declarou Pedro Delgado.

    Também Fernanda Cabral Semedo, presidente da Federação das Associações de Cabo-verdianas em França, marcou presença neste jantar de abertura, esperando que esta Casa seja um ponto de encontro para todos os cabo-verdianos, mas também para todos que queiram conhecer mais sobre Cabo Verde, que tenham interesse em investir e estar mais perto dos atletas olímpicos.

    "A Casa de Cabo Verde é uma esperança para quem não conseguiu bilhetes porque estamos há um programa oficial para as pessoas que não têm possibilidade de lá ir ver os jogos, os atletas, podem vir até cá para se encontrar com esses mesmo atletas. Quer sejam franceses, cabo-verdiano ou todas as pessoa que têm um interesse sobre Cabo Verde e têm interesse também em descobrir os nossos atletas, Cabo Verde porque é um ponto de encontro, de intercâmbio, de negócios", indicou Fernanda Cabral Semedo.

    A Casa de Cabo Verde vai estar aberta até dia 10 de Agosto, em Epinay sur Seine, num barco sobre o rio Sena, com espectáculos, produtos tradicionais e mesas redondas.

    15 min
  • JO 2024: Adeptos angolanos entusiasmados com desempenho da selecção de andebol

    A selecção angolana de andebol feminino está a entusiasmar os adeptos que têm assistido aos jogos da fase de grupos do torneio olímpico.

    Após três jornadas, Angola ocupa o terceiro lugar no Grupo B com três pontos, atrás dos Países Baixos com quatro e da França com seis. Aliás as francesas venceram os três jogos que realizaram até agora.

    Angola será o próximo adversário da França.

    A selecção angolana arrecadou até agora um triunfo, por 26-21 frente à Espanha, um empate, 31-31 perante a Hungria, e uma derrota diante dos Países Baixos por 31-34.

    De referir que as quatro primeiras nações de cada grupo, A e B, alcançam o apuramento para os quartos-de-final.

     

     

    Por enquanto as angolanas estão apuradas para a próxima fase, o que tem entusiasmado os adeptos angolanos como Jacob Júnior, presente em Paris para seguir, sobretudo a prova de andebol feminino.

    Em entrevista à RFI, Jacob Júnior, adepto angolano e amante do andebol feminino, estava feliz com a participação até agora de Angola e espera ainda mais da equipa.

    Os adeptos angolanos têm estado presentes no recinto, no pavilhão Arena 6 no Sul de Paris.

    A RFI também teve a oportunidade de falar com Teresa João Ulundo, antiga jogadora da selecção angolana, que tem estado a apoiar as andebolistas.

    Para Teresa João Ulundo, as outras equipas têm que temer Angola, admitindo estar surpreendida com este início de prova e o triunfo perante a selecção espanhola.

    Angola volta a jogar a 1 de Agosto frente à França. Um triunfo pode garantir desde já um lugar nos quartos-de-final.

    Na última jornada haverá um duelo 100% lusófono com o Brasil.

    De referir que até agora nenhum país da África Lusófona arrecadou uma medalha nestes Jogos Olímpicos que prosseguem em Paris.

    13 min
  • José Maria Neves espera que Jogos Olímpicos sejam oportunidade para a Paz

    O Presidente de Cabo Verde, José Maria Neves, está em Paris para acompanhar o início dos Jogos Olímpicos e em entrevista à RFI disse esperar que esta seja uma oportunidade para promover a paz no Mundo. Dos atletas cabo-verdianos, espera o melhor desempenho possível e ter uma medalha "seria muito bom".

    RFI: É a primeira vez que um chefe de Estado cabo-verdianos vem acompanhar a Cerimónia de Abertura dos Jogos Olímpicos. Porque decidiu vir?

    José Maria Neves: Os Jogos Olímpicos são um momento raro e nesses tempos de conflitos, de guerras geoestratégicas e de algum caos a nível das relações entre Estados e entre as pessoas, é importante estar num espaço que promove a paz e promove a solidariedade, a amizade entre os povos e as pessoas, para além de constituir também o momento importante de de encontro e de busca de possibilidades para o crescimento inclusivo dos países e para a busca de novas avenidas em termos de investimento nas pessoas. Mais educação, mais desporto, mais saúde, etc. Então, é bom estar nesses momentos, nesses bons momentos, para apresentar ao mundo que há sempre oportunidades para a amizade e para a paz.

    Pela primeira vez, a equipa olímpica completa reuniu-se na Praia antes dos Jogos e depois vieram para França fazer um estágio. A sua vinda é também um apoio ainda mais pronunciado ao desenvolvimento do desporto e esta equipa olímpica cabo-verdiana?

    Cabo Verde está a crescer e esse apoio do Comité Olímpico e das Empresas em Cabo Verde Corresponde efectivamente a esse crescimento do país em todos os domínios. Mas a minha presença demonstra a necessidade de estarmos presentes de Cabo Verde, continuar a apoiar e mas também a possibilidade de abrirmos novas avenidas para o desenvolvimento das indústrias desportivas e de entretenimento. Em Cabo Verde.

    Há sete atletas de Cabo Verde. Quais é que são as suas expectativas?

    As minhas expectativas é que representem condignamente Cabo Verde. Se vier uma medalha, será muito bom. Mas neste momento é importante essa participação e fazer tudo para ser uma representação condigna de Cabo Verde.

    Os últimos Jogos Olímpicos foram em Tóquio. Claro que há a questão do fuso horário, a questão da própria diferença cultural. França é muito mais próxima de Cabo Verde. Como é que em Cabo Verde se estão a viver estes jogos?

    Com muita expectativa. Desde logo porque há uma representação mais elevada de Cabo Verde. Há uma maior sensibilização e a proximidade permite também que os cabo-verdianos acompanhem directamente, quase que ao vivo, todas essas manifestações culturais que vão ter lugar e espero que os cabo-verdianos acompanhem mais de perto essas jornadas desportivas olímpicas aqui em Paris.

    E a diáspora? França tem uma das maiores comunidades cabo-verdianas no Mundo. A diáspora está também muito entusiasmada?

    Sim, pela primeira vez, também é uma experiência para Cabo Verde, que é a abertura da Casa de Cabo Verde nos arredores de Paris e aqui vai permitir o encontro não só de outras nacionalidades, mas também dos cabo verdianos que vivem aqui em França. E eu pude perceber na preparação da minha visita que há também um grande entusiasmo não só em relação aos jogos em si, mas também em relação à participação de Cabo Verde. Os atletas cabo verdianos chegaram antes aqui à França e há já um bom intercâmbio com a comunidade cabo verdiana, que participa ativamente em tudo o que acontece em Cabo Verde do ponto de vista político, económico, social, cultural e desportivo, e constitui uma grande riqueza para Cabo Verde.

    Esteve aqui em Paris numa conferência sobre o desporto como factor de desenvolvimento sustentável, como desenvolvimento das populações. O que vemos nos Jogos Olímpicos, infelizmente, é que realmente há uma grande discrepância entre equipas. Não é, Por exemplo, se falarmos de uma equipa dos Estados Unidos, uma equipa do Japão com equipas  de países com menos meios, a preparação é muito diferente, as capacidades de treino são diferentes. Como é que se luta contra esta desigualdade?

    Em África temos que fazer o nosso trabalho de casa desde logo, investir mais na educação, na saúde e na qualidade nutricional dos nossos cidadãos. Depois, conseguir, através do desenvolvimento da educação, uma forte infraestruturação desportiva e massificar as actividades desportivas e de educação física. Ligar a Educação ao desporto. Imagine se em cada liceu, em cada escola, todos os dias houver actividades desportivas, se houver competições e, portanto, as nossas escolas, os nossos liceus, as universidades poderão transformar-se em laboratórios de formação de atletas de preparação para a alta competição. E também temos de criar as condições para que os atletas, as diferentes equipas, as diferentes modalidades, possam preparar-se. Termos equipamentos para além das instalações, para que as coisas aconteçam e mobilizar parcerias para o financiamento dessas infraestruturas e é criarmos as condições efectivamente para a criação das indústrias desportivas nos nossos países. Isso é fundamental. E essa cimeira apontou nesse sentido. Temos capacidades humanas. As diferentes equipas do mundo demonstram isso e então temos agora que fazer o nosso trabalho de casa e fazer os investimentos que são necessários.

    Sai daqui de Paris com algumas pistas sobre como isso pode fazer. O presidente Macron apresentou um documento, mas imagino que toda a gente também tenha tido outras. Partilhar experiências, mas também apresentar outras soluções. Vai daqui com algumas ideias.

    Antes da cimeira, todos os chefes de Estado foram convidados a refletir sobre esta matéria. E nós falamos um pouco sobre isso em Cabo Verde. As coisas estão a acontecer. Há as federações, os investimentos que o Governo está a fazer, que os municípios estão a fazer. Mas nós precisamos acelerar o passo, sobretudo na infraestruturação desportiva e na criação de condições para obtermos equipamentos e podermos desenvolver muito mais rapidamente as indústrias desportivas no nosso país. Estamos a investir fortemente na educação, na saúde, na segurança alimentar e são dados que poderão contribuir para um desenvolvimento muito mais produtivo do sector do desporto e da Educação Física em Cabo Verde.

    Falou da associação óbvia entre o desporto e a educação, mas desporto e jovens e educação é quase uma tríade indissociável. Sabe-se que muitas vezes o desporto serve também como ferramenta de integração. Sabemos que há graves problemas, por exemplo, na Praia, em relação à criminalidade juvenil ou em relação ao abandono escolar. O desporto como ferramenta é uma saída para os jovens em Cabo Verde?

    Nós em Cabo Verde, precisamos de desenvolver mais a criatividade nos bairros. Eu acho que o desporto e a cultura poderão ser dois pilares importantes para termos uma sociedade com amizade social. E é importante pensarmos nisso. Veja, há algumas actividades que podem ser desenvolvidas com infraestruturas e equipamentos mínimos, como os desportos náuticos e aquáticos e temos enormes potencialidades para desenvolvermos desportos náuticos e aquáticos. E então é preciso pensarmos nisso, desenvolver uma visão e catalisar o desenvolvimento deste sector. Mas podemos desenvolver bairros criativos em que as crianças, os jovens e os adolescentes participam em actividades nos seus bairros para terem entretenimento, ocuparem de forma útil os seus tempos livres. O desporto e a cultura e o entretenimento podem servir para combatermos a violência, para reforçarmos o espírito de equipa, para reconhecer o outro, ter a possibilidade de desenvolver boa vizinhança e relações de amizade nas nossas comunidades. 

    O Senhor Presidente vai estar com a comunidade cabo verdiana aqui. Uma das maiores queixas da comunidade cabo-verdiana, não só em França, mas um pouco em todo o mundo, é a questão dos transportes, a dificuldade de chegar e a dificuldade de cheganfo à Praia, ir até à sua ilha de origem. Eu sei que também é uma dor de cabeça para si, porque já disse isso publicamente. O que é que se pode fazer em relação aos transportes em Cabo Verde neste momento?

    Bom, os transportes têm sido um grande calcanhar de Aquiles em Cabo Verde, mas é estratégico para o país. O Governo está neste momento a discutir várias soluções e para os transportes inter-ilhas o Governo está a criar uma empresa para garantir que haja uma maior conectividade entre as ilhas. Tenho dito que esta é uma questão que tem a ver com a competitividade da nossa economia, com a coesão territorial e com a própria segurança nacional. E espero que até ao final deste ano possamos ter já equacionada e resolvida essa questão dos transportes inter-ilhas. Quanto aos transportes aéreos internacionais, também há a busca de um conjunto de soluções e, designadamente, a possibilidade de companhias low cost poderem fazer voos para Cabo Verde. A Easyjet vai começar agora e a ideia é levar também para outras capitais, para além do Sal e da Boavista e podermos assim reduzir os custos. Portanto, a busca de soluções não tem sido fácil, mas eu espero que no horizonte deste ano tenhamos essas questões já resolvidas em termos bilaterais.

    Cabo Verde e França mantêm uma relação muito forte. Como é que vê os próximos anos da relação bilateral?

    Eu tive um encontro há duas ou três semanas com o senhor director geral da Agência Francesa de Desenvolvimento e estávamos a falar precisamente nisso. É importante dinamizar-mos as coisas. França e Cabo Verde podem ter relações muito mais fortes e a ideia é, nos próximos tempos, fazer tudo para reforçar essas relações bilaterais entre Cabo Verde e França. E é nessa linha que combinamos trabalhar, sensibilizar as autoridades, levar mais autoridades francesas a todos os níveis a Cabo Verde e haver trocas e possibilidades de realização de investimentos. E vamos continuar a trabalhar nessa linha.

    14 min
  • Deizy Nhaquile: "Os Jogos Olímpicos são para todos e sou a prova disso"

    A faltarem três dias para a abertura oficial dos Jogos Olímpicos de Paris, os atletas continuam a chegar à aldeia olímpica, na região parisiense. "Faço destas Olimpíadas como se fossem minhas primeiras, onde posso viver tudo, desde a aldeia à abertura, desde a experiência maravilhosa de estar no maior evento do mundo. Quero aproveitar e representar o meu país da melhor forma possível", afirmou a velejadora moçambicana, Deizy Nhaquile.

    Moçambique vai participar nas modalidades de boxe, natação, vela, atletismo e judo dos Jogos Olímpicos de Paris que arrancam oficialmente na sexta-feira, 26 de Julho. A delegação moçambicana é composta por sete atletas: uma delas é Deizy Nhaquile, velejadora moçambicana, 23 anos, que participa na prova de Vela destes Jogos Olímpicos de Paris, em Marselha. A atleta olímpica está na classe Laser Radial, agora chamada de ILCA 6, e contou-nos a sua luta para integrar os JO de Paris.

    RFI: Qual é a sensação de estar a representar Moçambique nestes Jogos Olímpicos? 

    Deizy Nhaquile: É muito gratificante estar aqui a representar Moçambique nos Jogos Olímpicos. São minhas as segundas Olimpíadas e eu quero dar de tudo nestas. Infelizmente, nas primeiras em Tóquio 2020 tive Covid e o meu desempenho não foi muito bom. Eu faço destas Olimpíadas como se fossem minhas primeiras, onde eu posso viver tudo, desde a aldeia à abertura, desde a experiência maravilhosa de estar no maior evento do mundo e quero aproveitar e representar o meu país da melhor forma possível.

    É um momento inédito estar aqui em Paris, nos Jogos Olímpicos de 2024?

    É inédito. Primeiro porque não é fácil qualificar-se para os Jogos Olímpicos. Todos os outros países se esforçam. Então, a felicidade também vem das condições que não foram assim tão boas para me qualificar. Infelizmente a vela é uma modalidade muito cara. Eu não consigo fazer todos os campeonatos e mesmo sem recursos, o meu treinador sul-africano chama-me para treinar porque ele diz que sou uma atleta talentosa. Ele diz-me que infelizmente vivo num país com escassez de vários recursos e chama-me para puxar por mim e para me tentar qualificar. Chego aos Jogos Olímpicos depois de muito esforço. Há atletas que conseguem fazer vários campeonatos e eu só consegui fazer um estágio depois de vencer num Mundial. Conheço um atleta da Tunísia que treina aqui em França e eu não tenho as mesmas condições, mas esforcei-me e consegui qualificar-me. 

    Não participou em muitas competições por falta de meios e conseguiu apurar-se para estar aqui. O que conta mais: a sua força de vontade, o talento, a sorte? 

    Primeiro Deus. Eu sou cristã, então acredito que é Deus. São planos de Deus para minha vida e também o meu trabalho, não só meu, mas também de todos os outros que tentam ajudar a Deizy, que é o meu clube. O Clube Marítimo de Desportos tem a Federação Moçambicana de Vela de Canoagem e também tem um comité Olímpico. Tenho a bolsa da solidariedade olímpica, que é uma mais valia para os países que não não têm várias condições. Os Jogos Olímpicos são para todos e eu sou a prova viva disso.

    Houve muito trabalho para estar aqui hoje?

    Para além de ser um privilégio, existe muita luta para estar aqui. Este é o maior evento do mundo. Quando tu estás no refeitório, começas a ter essa noção. Quando tu estás na aldeia olímpica começas a imaginar quanto tudo isto é inédito. É uma festa. Passei os últimos quatro anos a lutar para cá estar.

    Os atletas moçambicanos chegaram a França no início deste mês de Julho para treinar durante duas semanas na cidade de Saint-Paul-les-Dax?

    Fomos todos fazer um estágio para estarmos concentrados num lugar e para começar a entrar no espírito dos Jogos Olímpicos. Infelizmente tive de treinar num lago, mas foi de mais valia para entrar na concentração, porque no estágio em Moçambique não estávamos 100% concentrados em treinar e aqui temos a distância de casa. A minha casa para o treino é muito distante e tem várias coisas. Às vezes não conseguir fazer as refeições adequadamente então foi de mais valia, porque lá estávamos completamente concentrados. 

    Infelizmente era um lago. Isso faz diferença?

    Faz uma diferença, sim porque em Marselha temos ondas. As condições do vento são completamente diferentes e temos um vento muito forte, temos ondas bem grandes e as condições são completamente diferentes.

    Sente que está pronta para as competições?

    É difícil responder, mas sinto-me pronta para aproveitar este evento. Preparei-me quatro anos e chega aquele momento em que parece que não estás pronta. Parece que precisas mais de um ano de preparação, mas já estamos aqui, então vamos aproveitar.

    Qual é a energia da delegação moçambicana?

    A energia é boa, estamos muito felizes por estar aqui. Infelizmente não poder ficar em Paris com os outros atletas porque as minhas provas são em Marselha e somos só três pessoas; eu, o meu treinador e o presidente da Federação.

    O objectivo é a medalha?

    Eu estou bem centrada nos meus objectivos. Não que eu não goste de sonhar alto, mas acho que qualquer atleta tem de ter de colocar os pés no chão e saber qual é o trabalho que é feito para chegar a uma medalha. Ainda precisamos de muito investimento. O meu país precisa investir muito e uma medalha não vem por sorte, vem por muito trabalho. Todos os países colocam muito dinheiro, muito investimento e às vezes é um investimento a longo prazo. Nós não podemos só querer trabalhar quatro anos ou um ano antes para ter uma medalha.

    Podemos muito bem pensar em começar a investir para ter uma medalha em 2032. Se não começarmos a investir agora em 2032, não vamos ter nada. Mas se começarmos a investir agora, podemos ter uma medalha em 2032. Até agora, Moçambique só tem uma medalha olímpica conseguida pela atleta Lurdes Mutola. Acho que está na hora de começar a investir. Não somente preocupar-se em qualificar, mas começar a pensar numa medalha olímpica.

    Qual é que vai ser o seu programa nos próximos dias, até às primeiras provas?

    Chegando a Marselha vamos conhecer o mar, conhecer as condições. Dia 1 de Agosto começam as regatas, começa a minha competição e termina dia 5. No dia seguinte, 6 de Agosto, decorre a corrida da medalha para as dez melhores.

    Deizy Nhaquile está a ser acompanhada pelo treinador e pelo presidente da federação moçambicana de Vela e canoagem, Hélio da Rosa, que nos descreveu o trabalho da atleta para estar presente neste que é o maior evento desportivo do mundo.

    Estar em Paris a representar Moçambique é um motivo de orgulho?

    Hélio da Rosa: Realmente é uma honra representar Moçambique nos Jogos Olímpicos. Nós temos um leque de modalidades olímpicas muito grande em Moçambique, mas nem todas estão cá e as que cá estão posso considerar que são as melhores das melhores. Estar em Paris nos Jogos Olímpicos qualificado é uma honra, significa que a Federação tem estado a fazer um trabalho muito bom e é para continuar. Já estivemos em duas edições passadas dos Jogos Olímpicos: estivemos com a canoagem no Rio, estivemos com vela e canoagem em Tóquio e agora estamos com a vela em Paris. Isso significa que durante esse período que estivemos a trabalhar, eu e os meus colegas conseguimos fazer aquilo que poucas federações conseguem fazer.

    É também a concretização de muito trabalho...

    É realmente muito trabalho porque não é fácil qualificar-se para os Jogos Olímpicos. No caso da Deizy são três anos de trabalho árduo e muitas lesões. Em alguns momentos ela quis desistir, mas temos sempre que estar ali e temos de ser pais, mães, psicólogos, muita coisa. No final de tudo sentimo-nos orgulhosos porque foi um trabalho que valeu a pena.

    Pode explicar-nos qual é o processo de preparação dos atletas para estar aqui?

    Normalmente, a qualificação do atleta está a cargo da Federação. O Comité Olímpico apoia-nos e o governo moçambicano também nos tem apoiado, mas é tudo a cargo da Federação e temos que ser nós, como federação, a criar condições para que o atleta possa representar o país em tudo aquilo que é competição, tanto as qualitativas como as não qualitativas. Quando digo não qualificativa, são aquelas em que temos de participar mesmo, as chamadas de rodagem para que o atleta possa competir para ter uma rodagem para quando for às competições de qualificação estar preparado para poder alcançar o seu verdadeiro objectivo.

    Estamos a falar de quantas competições?

    A Deizy teve que participar em quatro Mundiais e dois africanos.

    Ela é, aliás, vice-campeã africana?

    Sim, vice-campeã africana, perdeu o título com a vice-campeã de Tóquio porque a adversária directa é egípcia e esteve a correr no seu próprio país. Quando estás nas tuas águas és tu quem manda. É por isso que digo que ela é uma guerreira porque esteve em águas egípcias e conseguiu alcançar o segundo lugar. Ela tem estado a mostrar que a Vala em África é para se investir porque é uma modalidade que normalmente as pessoas conotam como uma modalidade de pessoas com posses porque alugar um barco a vela e o material todo não é nada barato.

    A vela é uma modalidade recente em Moçambique?

    Não é bem recente porque se não me falha a memória em 75 ou 78 organizámos o Campeonato Mundial, então já é uma modalidade antiga. Só depois tivemos uma pequena queda de número de participantes com a organização dos Jogos Africanos. Em 2011, a vela reentrou para o mundo das competições das grandes competições, porque nos Jogos Africanos tínhamos a vela e a canoagem como duas modalidades que podiam participar nos jogos. Foram também as duas modalidades que conseguiram trazer medalhas para o país, a par do judo.

    Imagino que ao acompanhar cada prova de Deizy, sente um nervosismo?

    Claro. Porque também já fui atleta. Aquele frio na barriga aparece, mas não o podemos transmitir para os atletas porque temos que dar a perceber que estamos cientes e confiantes neles. Mas o frio na barriga é algo que sempre aparece, principalmente quando já estiveste daquele lado. Independentemente de seres ou não o melhor, o frio sempre aparece porque nunca sabes o que é que o teu adversário tem preparado para ti.

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  • O elefante da esperança: do Niassa a Maputo, a arte denuncia a caça furtiva

    "Madala Vaku Niassa, o elefante da esperança" é o titulo da instalação aberta ao público no Centro Cultural Franco-Moçambicano, em Maputo.

    É uma obra de arte contra a caça furtiva e serve para sensibilizar a sociedade para a protecção dos grandes animais selvagens, a partir da Reserva Especial do Niassa.

    A história de Madala, um elefante que nasceu na reserva especial de Niassa, a maior área protegida de Moçambique, é contada pela bióloga Paula Ferro e por Derek Littleton -director da fundação Lugendá e da concessão Luwire-, ambos,  comprometidos com a protecção da reserva, diz emocionado, o embaixador da França em Moçambique, Yann Pradeau.

    "Eles decidiram colocar os seus talentos ao serviço de um projecto tão ambicioso quanto significativo, a construção de uma obra de arte monumental para testemunhar dos desafios de luta contra a caça furtiva ! E sensibilizar-nos para a importância de proteção dos ecossistemas e da grande fauna selvagem !"

    Uma obra sem igual, diz a bióloga Paula Ferro ! Para quem por detrás deste elefante, o Madala de Niassa como foi baptizado esconde-se toda uma tradição YAO, uma cultura do povo deste parcela do norte de Moçambique.

    "O objectivo deste Madala é trazer o Niassa a Maputo. É trazer os povos do Yao, Macuas e Suahilis  que vivem na Reserva do Niassa, todo o trabalho de conservação que temos feito durante todos estes anos, 25 anos de reserva, na verdade 75 anos."

    Madala como foi baptizado o elefante levado de Niassa para a cidade de Maputo é uma atracção .... um símbolo de luta contra a caca furtiva diz Paula Ferro.

    "Este elefante mede 5 metros por 7 metros. E para fazer um contraste desta estrutura metálica muito robusta, muito grande decidimos tricotar uma pele em croché que significa a fragilidade do meio ambiente, a resiliência dos povos de Niassa e também a esperança.

    Esta pele é cheia de cores, com diferentes quadradinhos que se podem ver que cada um é diferente um do outro , que são muito complexos , que significam também a complexidade da reserva de Niassa." 

    Feita com base em crochê e ferro extraído de armadilhas em aço, cordas entre outros materiais confiscados a caçadores furtivos na reserva de Niassa deu lugar à obra de arte trabalhada pelo escultor francês Jules Plennel e mais de 50 membros da comunidade cuja mensagem é, realça o diplomata francês em Maputo, chamar atenção para a necessidade de preservação dos ecossistemas e dos animais selvagens.

    "Uma obra de arte capaz de reconectar arte e protecção ambiental. Uma obra de arte que enfim, permite-nos olhar com outros olhos para estes territórios, talvez menos conhecidos do norte de Moçambique."

    Foram muitos os cidadãos , curiosos e havidos de ver de perto o elefante em tamanho real que se tornou uma atração no jardim do centro cultural franco-moçambicano em Maputo.

    A cantora Lenna Bahule animou a cerimónia: cantou e encantou com a sua música inspirada na cultura dos Yaos, não fosse ela, filha de mãe do Niassa.

    O escultor francês Jules Plennel, recordou momentos vividos desde o o inicio da construção do elefante.  

    "Treinei cinco pessoas da comunidade Yao a trabalhar o ferro , a soldar, a usar a rebarbadora, a usar ferramentas que usámos para trabalhar o ferro. No inicio eles não compreendiam, realmente bem qual era o projecto e quando eles começaram a soldar, a cortar , a usar as ferramentas, a compreender como funcionava , podias ver as sensações, os seus olhos. Não queriam parar de trabalhar às 12 horas, não queriam e, eu tinha que cortar o gerador."

    Cantos e brincadeiras em palco marcaram a inauguração da instalação que cuja ideia é levar numa viagem de carro por todas as províncias moçambicanas ... o objectivo é claro diz Paula Ferro - mentora da iniciativa e fundadora da Yao Crochê, responsável do projecto Madala Vaku Niassa.

    "O Madala ficará em Maputo desde 4 de Julho até 3 de Outubro para dar a possibilidade para todas as pessoas aqui em Maputo possam vir visitar, mais que tudo as escolas públicas e privadas que têm a oportunidade de vir visitar o Madala."  

    O elefante faz nascer sonhos no seio das comunidades que vivem na reserva especial de Niassa.

    "A nossa vida mudou com esse projecto. Esse elefante , eu estou a sonhar ..para termos a possibilidade de poder ser visto em todo mundo , para que saibam que em Manhuri fizeram um elefante como este !" 

    Sonhos que alimentam outros sonhos, outras iniciativas a bem das comunidades.

    "Queremos fazer este leilão para arrecadar fundos, para abrir uma pequena escolinha de Artes e Ofícios . Gostaríamos de abrir na Reserva do Niassa para dar oportunidades às crianças e também aos jovens da reserva para ter um ofício e acesso à criatividade."

    A instalação de que faz parte o elefante, Madala Vaku Niassa ou "O velho de Niassa", está aberta à visitação pelos próximos três meses, no jardim do Centro cultural franco-moçambicano em Maputo.

    8 min
  • A aposta na internacionalização dos clássicos da literatura cabo-verdiana

    Manuel Lopes é um dos clássicos da literatura cabo-verdiana. O ficcionista, ensaísta, poeta e um dos fundadores da literatura moderna em Cabo Verde publicou, em 1959, o livro "O Galo Cantou na Baía".

    A obra, que durante muitos anos esteve esgotada, conheceu uma nova edição, em 2023, pelo Instituto da Biblioteca Nacional de Cabo Verde e foi recentemente lançada na Feira do Livro de Lisboa.

    Esta iniciativa insere-se num contexto onde a Biblioteca Nacional de Cabo Verde aposta na divulgação e promoção dos clássicos da literatura cabo-verdiana a nível nacional e internacional.

    A RFI aproveitou a ocasião do lançamento da obra na capital portuguesa para falar com a presidente do Instituto da Biblioteca Nacional de Cabo Verde, Matilde Santos, e com o investigador e autor do prefácio da nova edição de O Galo Cantou na Baía, Victor Barros.

    11 min
  • Cabo Verde: Universidade Técnica do Atlântico abre unidade orgânica na ilha do Sal

    No próximo ano lectivo, a ilha do Sal, em Cabo Verde, vai ter ensino superior com a instalação do Instituto Superior de Aeronáutica e Turismo, uma unidade orgânica da Universidade Técnica do Atlântico, UTA. O Instituto Superior de Aeronáutica e Turismo vem juntar-se ao Instituto de Ciências e Tecnologias Agrárias, ICTA, em Santo Antão e ao Instituto de Engenharias e Ciências do Mar (ISECMAR), em São Vicente.

    Em entrevista à RFI o reitor da Universidade Técnica do Atlântico, João do Monte Duarte, disse que com a nova unidade orgânica, a UTA, quer trazer estudantes dos outros países da sub-região africana para Cabo Verde, isto tendo em conta a experiência da instituição.

    “Nós temos o nosso mestrado regional em Mudanças Climáticas e Ciências Marinhas que funciona em São Vicente, no Isecmar, e que recebe estudantes de 12 países diferentes da costa ocidental africana.

    A questão que se nos coloca é sempre a questão do financiamento. Havendo parcerias que permitam haver financiamentos para que os estudantes possam ter as condições, nomeadamente bolsas, para virem, nós não temos tido dificuldades de mobilizar os estudantes.

    Tanto que todos os anos, e já vamos na quarta edição do mestrado, todos os anos houve estudantes de todos esses países, dos 12 países aqui da costa ocidental africana, aqueles que fazem parte da rede da WASCAL.

    Nessa mesma linha de pensamento, nós achamos que cursos, nomeadamente na área da aviação civil, são cursos muito atractivos, nomeadamente o ramo de pilotos de linhas aéreas, pelo que perspectivamos também ter muito interesse de estudantes provenientes da nossa sub-região.

    Nós estaremos a trabalhar, nomeadamente linha de créditos e outras possibilidades a nível das instituições internacionais para criar as condições para mobilizar esses estudantes e termo-los aqui.

    Um dos principais objetivos da Airways Aviation, que é uma escola renomada, uma das maiores escolas privadas de formação a nível de aeronáutica, é de aqui em Cabo Verde aproveitar essa estabilidade do país para poder aceder a esse mercado de potenciais candidatos.

    A Airways Aviation tem feito alguns investimentos em outros países, mas que acabam por não tirar o proveito a 100% como gostariam por causa de alguma instabilidade, nomeadamente política. Então, eles estão a ver Cabo Verde, com um enorme potencial para que isso possa acontecer e possamos trazer os candidatos dos outros países para estudarem aqui” disse o reitor da Universidade Técnica do Atlântico, João do Monte Duarte.

    O  Instituto Superior de Aeronáutica e Turismo na ilha do Sal  arranca com dois cursos; um em Gestão e Fomento de Turismo e outro em Gestão e Planeamento de Aviação Civil e tem como principais parceiros a Universidade do Algarve, Portugal, e a empresa internacional de formação de pilotos e técnicos para a aviação - Airways Aviation.

    “No caso do curso de Gestão e Fomento de Turismo, a parceria estratégica será da Universidade do Algarve, de Portugal. E, para o curso de Licenciatura em Gestão e Planeamento de Aviação Civil, nós contamos com a parceria estratégica da Airways Aviation, que é uma escola internacional de formação a nível da aviação civil.

    Essas parcerias, em especial essa parceria com a Airways Aviation, vai nos permitir oferecer, em ambos os cursos, uma formação extra-curricular de pilotos de cabine para ambos os cursos de licenciatura. E, em especial, para o curso de Gestão e Planeamento de Aviação Civil, nós vamos ter o ramo de pilotos de linhas aéreas. Ou seja, a partir do terceiro ano da licenciatura, nós sabemos que as licenciaturas em Cabo Verde são de quatro anos.

    Portanto, a partir do terceiro ano, os estudantes que tenham as aptidões para tal, poderão seguir o ramo de pilotos de linhas aéreas, em que a parte teórica vai ser administrada aqui na UTA, mas toda a componente de voo e simulação, a parte prática, será feita nos vários centros que a Airways Aviation tem em vários países” explicou.

    E o curso de Licenciatura em Gestão e Fomento do Turismo, segundo o reitor “a ideia é inovar, com base naquilo que é o contexto de Cabo Verde, as mais-valias que temos nas diversas áreas do turismo, tirar proveito não só do turismo de sol e praia, que é uma grande mais-valia, nós temos que reiterar isso, é uma grande vantagem para o país, mas nós podemos diversificar porque nós temos condições, tem outras ilhas, nomeadamente o turismo de montanha, mas também o turismo científico, o turismo de eventos, vai estar focalizado em tentar ampliar aquilo que é a oferta formativa e formar quadros com conhecimentos específicos nessas áreas para que possamos dotar o país do capital humano necessário para o desenvolvimento deste sector.”

    Como atractivo para os cursos de Gestão e Fomento de Turismo e Gestão e Planeamento de Aviação Civil no Instituto Superior de Aeronáutica e Turismo na ilha do Sal, a Universidade Técnica do Atlântico oferece bolsas de estudo aos quarenta primeiros estudantes.

    As aulas que arrancam em Outubro próximo vão decorrer no Instituto de Formação e Emprego, na cidade dos Espargos, e depois passam para o edifício do Hotel Atlântico: espaço que o governo cedeu a UTA e vai servir também de alojamento para estudantes que vêm das outras ilhas e de outros países para estudar no Instituto Superior de Aeronáutica e Turismo no Sal.

    “Os alunos que agora têm uma bolsa de estudos, desde que consigam transitar, manterão a sua bolsa durante todos os quatro anos de licenciatura. O que não conseguimos garantir é que no ano lectivo 2025/2026 nós iremos oferecer bolsas aos novos, aos estudantes que venham.

    Mas para este ano, todos os estudantes, vão entrar com as suas bolsas e enquanto mantiverem a sua qualidade académica, vão manter as bolsas. Há semelhança que acontece nas outras unidades orgânicas da UTA.

    Nós estamos também a trabalhar a questão da nossa sede definitiva, que será no Hotel Atlântico, que já foi cedido oficialmente pelo governo à UTA. O Hotel Atlântico que é uma estrutura hoteleira, já dispõe de quartos, então nós, no processo de remodelação, vamos ter uma residência estudantil internamente no nosso campus para receber estudantes que necessitam de alojamento” avançou o reitor da UTA.

    Já o corpo docente do Instituto Superior de Aeronáutica e Turismo (ISAT) será misto, segundo João do Monte, composto pelo  pessoal interno da UTA, especialistas locais com elevada formação e capacitação nas áreas do turismo e aeronáutica, mas professores a serem cedidos pela Universidade do Algarve e pela Airways Aviation, que vão trabalhar na investigação também.

     

    A Universidade Técnica do Atlântico é a segunda universidade pública de Cabo Verde criada pelo governo no âmbito da Zona Económica Especial da Economia Marítima em  São Vicente.

    Tem como propósito potencializar os estudos marinhos e a sua contribuição no processo de desenvolvimento do país, no quadro do investimento na educação de excelência e em profissionais qualificados, na investigação, e na aposta em linhas de internacionalização da economia marítima para elevar a competitividade.

    Durante o período de instalação que vai até 2025, a UTA tem de ter quatro unidades orgânicas, estando já a funcionar o Instituto de Engenharias e Ciências do Mar (ISECMAR) na ilha de São Vicente, o Instituto de Ciências e Tecnologias Agrárias (ICTA) em Santo Antão e agora o Instituto Superior de Aeronáutica e Turismo (ISAT) no Sal e no ano lectivo 2025/2026 deverá arrancar o Instituto de Artes, Tecnologias e Cultura (IATC) na ilha de São Vicente.

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